História Caídos - Capítulo 20


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Categorias A Batalha do Apocalipse, Fallen
Personagens Ariane Alter, Cameron Briel, Gabrielle "Gabbe" Givens, Personagens Originais, Roland Sparks
Tags A Batalha Do Apocalipse, Fallen, Romance
Visualizações 9
Palavras 1.521
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 20 - Vazio de morte


O sonho da noite anterior tinha sido tão horrível que eu não tinha conseguido dormir depois disso, amanheci com olheiras enormes e uma sensação horrível de perda, como se a senhorita Bins tivesse mesmo morrido. Não fui tomar café, só conseguia pensar naquela imagem, a vida se esvaindo do corpo dela. Me recusei a falar com qualquer pessoa, inclusive o Cam, que tinha vindo ao meu quarto quando não apareci para o café, mas apenas pedi que ele fosse embora. Quando ele saiu pela porta, senti uma vontade imensa de implorar que ele voltasse, contar sobre os sonhos, e aquela sombra que me perseguia. Mesmo que no fim, ele decretasse que sou completamente maluca. Mas não tive coragem, o medo de perde-lo era maior que tudo.

Decidi que somente a visão a Srt. Bins perfeitamente bem, me faria ficar melhor, mas para minha surpresa ela não tinha ido trabalhar. A sensação de perda só aumentou, me fazendo ficar tão mau que tive que pedir para sair da sala, com a desculpa que iria na enfermaria. Julya, que tentava inutilmente pitar um quadro, tentou falar comigo, mas a ignorei.

Passei direto pela enfermaria, seguindo a passos largos para o único lugar que eu me sentia completamente bem, o mar.

As águas naquele dia estavam revoltas, inapropriadas para a prática de stand up, mas apenas sentir o cheiro de maresia, o vento calmo batendo em minhas bochechas, ouvir o barulho da água se chocando contra as pedras, já me fazia sentir mais leve. Enrolei a barra da calça e peguei meus sapatos na mão, pisando na água, sentindo os pés gelarem, e a areia molhada entrando pelo vão dos dedos. Respirei fundo e tentei fazer com que aquelas imagem fossem embora da minha cabeça, expulsando todas elas e colocando no lugar apenas imagens das coisas que me traziam mais felicidade nos últimos dias. Os meus amigos Mike e Julya, que pareciam cada dia mais próximos, que me faziam sorrir e enxiam meu coração de alegria. Meus pais me admirando tocar, o abraço aconchegante que eles me deram antes de ir embora, e a promessa de que eles estariam sempre ao meu lado independente de qualquer coisa. E logo fui inundada por imagens da minha maior felicidade, Cameron, que parecia ter sido enviado a mim por uma força superior. Ele me compreendia e me dava carinho, me fazia desejar um futuro com ele ao meu lado, me fazia desejar uma família. Lembrar do seu sorriso me acalmava, entorpecia meus sentidos e afastava aquela sensação de vazio. Ele era a luz que iluminava minha vida, e cada minuto ao seu lado me fazia desejar que a vida fosse eterna para que pudéssemos ter mais tempo juntos, porque uma única vida não seria suficiente.

Foi quando pensei que tinha me livrado daquelas imagens, que meu mundo desmoronou. Foi quando vi o corpo dela caído na areia, seus membros retorcido, as roupas sujas de sangue e rasgadas. Seu corpo todo dilacerado, e aquele mesmo ferimento, que atravessava das costas ao peito.

- Senhorita Bins – chamei.

Ela nada respondeu, apenas ficou deitada, com seus olhos vidrados e sem vida olhando na minha direção. Eles pareciam me acusar, e lagrimas silenciosas começaram a escorrer por minha bochechas. O medo tomou conta do meu corpo, me fazendo fraquejar perante aquela visão e minhas pernas ficaram bambas. Não podia acreditar que aquilo fosse verdade, eu só podia estar presa dentro de mais um sonho. E foi com esse pensamento que infantilmente belisquei meus braços, tão forte, que a pele foi dilacerada. Aquela dor nada significou perante o vazio que se alastrava por meu corpo, nada significou perante a confirmação de que meu pesadelo tinha se tornado realidade. E foi nesse momento que eu corri, corri sentindo o peso da realidade me perseguindo. E quando cheguei ao topo continuei correndo, com medo que se eu parasse aquilo me engoliria e me puxaria para o mesmo fim que aquela mulher jogada na areia, como se sua vida não significasse nada.

- Senhorita Thorne – alguém me chamou. Foi só nesse momento que eu percebi que não poderia continuar correndo, que tinha uma mulher morta que precisava que seu corpo tivesse um fim mais digno. Que eu precisava avisar alguém, tinham que descobrir quem havia feito aquilo, mas eu tinha medo da resposta. Medo que mais uma vez meus pesadelos tivessem se tornado realidade.

- Oque a senhorita esta fazendo fora da sala? - Era o senhor Shen, o coordenador – Eu te fiz uma pegunta, responda.

Me virei em sua direção, com medo que ele visse a culpa em meus olhos. Com medo que ele me dissesse que minha mente perturbada tivesse causado a morte de uma pessoa inocente, mesmo que aquilo fosse impossível. Afinal como um sonho poderia se tornar realidade? Como que eu poderia causar a morte de uma pessoa?

- Meus Deus! Oque aconteceu?

Ele me olhou espantado, a visão do meu estado deve ter sido perturbador. Meus cabelos bagunçados pela corrida, minha pele toda suada, os pés descalços e sujos, pois tinha deixado meus sapatos para trás. E as lágrimas, as malditas lágrimas que molhavam minha face, que escorriam sem parar, em um choro silencioso.

- E..ela, ela esta morta.

- Quem? Quem esta morta?

- A senhorita Bins.

Ele me olhou espantado, como se não acreditasse em minhas palavras. Não consegui dizer mais nada, nem sei como ainda conseguia respirar. Apenas fiquei parada, esperando que minha palavras penetrassem em sua mente, e ele entendesse a gravidade do que eu tinha lhe dito.

- Como assim? Como você sabe disso?

Então eu expliquei para ele, contei como tinha visto ela morta na praia. Não gaguejei em nenhum momento, apenas resumi a história toda, com lágrimas que não paravam de descer e um vazio que crescia cada vez mais, dentro do meu peito.

- Preste bem atenção no que eu vou lhe dizer – ele pegou em meu braço, apertando a carne dolorosamente – Eu vou lá para a praia verificar isso, e você vai avisar ao Steven e a Francesca. Você não vai parar para falar com ninguém mais, isso não pode se espalhar, a escola se transformaria em um inferno. Depois que você avisar eles, de forma bem discreta, você vai para seu quarto, e não vai sair até a segunda ordem. Estamos entendido?

- Sim.

- Não faça escândalos, não queremos alarde.

Não dei mais nenhuma palavra, apenas enxuguei as lágrimas com as costa da mão e sai em direção a sala do programa de honra.

Tentei lembrar das palavras do meu pai, quando ele dizia que não devemos nos desesperar diante de um problema. Que chorar e espernear não resolve nada, mas não conseguia, apenas queria me deitar e dormir. Fingir que nada disso estava acontecendo, que eu poderia encontrar a senhorita Bins em sua sala, e nós iriamos tomar chá e conversar sobre viagens e musica. Mas quem eu queria enganar, ela estava morta e ponto final. Morta logo depois que eu tive aquele sonho, e seu corpo possuía os meus sinais de tortura, o mesmo ferimento que causou sua morte no sonho, pela lâmina daquele homem. Eu nunca mais iria encontra-la, nunca mais iriamos nos falar. Ela estava morta, e tudo que eu sentia era um vazio, que tomava conta de mim e estava deixando meu corpo dormente pouco à pouco.

Foi só quando cheguei na porta da sala, e levantei minha mão para bater, que reparei que eu tremia.

- Entre – pude ouvir a voz macia de Francesca.

Empurrei a porta, que só estava encostada, e logo pude sentir o olhar de toda a sala caindo em cima de mim. Já devia imaginar oque estavam pensando de mim, principalmente pelo meu estado físico.

- Você não pode vir aqui.

Steven meu analisou severamente, quando parou bem diante de mim.

- A senhorita Bins esta morta na praia – sussurrei.

- Oque?

Não respondi mais nada, apenas fiquei parada, olhando para meus pés sujos de areia e grama. Só senti que fui empurrada para o corredor, a porta foi fechada e eu logo fui cercada por pessoas que me faziam perguntas. Vozes que eu não compreendia, perguntas que eu não tinha respostas.

- Sophia, oque aconteceu?

Era a voz de Cam, ele parecia preocupado. Senti levemente seu toque em meu braço, mas nada importava, apenas aquele vazio. Eu não queria ver o Cam, não queria que ele visse a culpa em mim. Não queria que ele sentisse nojo de me tocar, de me amar. Então eu me afastei, me movi para longe do seu alcance. Não queria que ele se contaminasse com a minha alma suja.

- Eu achei ela morta na areia, tinha muitos ferimentos. E olhos vazios que me culpavam, e não tinham vida, não tinham alma, não tinham nada – respondi.

- Levem ela para o quarto, ela esta em choque – alguém disse, mas eu não sabia quem era. Aquele vazio já estava em minha mente, e o entorpecimento já atingiam minhas pernas. Então eu deslizei para a inconsciência, com medo que eu tivesse mais um sonho assassino, e com esperança que eu nunca mais fosse acordar.


Notas Finais


Desculpem pelos erros


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