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História Caídos - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oi, gente... ATENÇÃO PARA OS RECADINHOS, POR FAVOOR:
(Primeiro, antes de começar os avisos referentes ao capítulo, lavem as mãos! Cuidem da saúde de vocês, ok? Cuidem de seus idosos, se hidratem e se alimentem direitinho. Dito isso, vamos lá.)

Há uma cena breve de luta com narrativa de violência lá pelo final do capítulo, não é pesada na minha opinião, mas se vocês não quiserem ler podem pular e se tiverem vontade de saber o que acontece na cena meio por cima podem me chamar lá no twitter que eu conto (@/ourscosmos). Creio que ficou perceptível o momento que ela inicia e tal e se não, me avisem que eu coloco um aviso no parágrafo, enfim, a gente funciona por comunicação ehehhehe.

Outra coisa é que eu mudei o nome do povoado que o Jimin mora e do reino que eles estão indo (atualmente Klaar e Welkom, respectivamente), por motivos ligados à história em si que notei enquanto escrevia o capítulo de hoje, etc, detalhe que não influenciou nos acontecimentos, mas que achei legal vir avisar vocês. ~

Na atualização de hoje o capítulo se passa em apenas algumas horas.
Enfim, desculpem a demora também. Estou passando por um bloqueio muito chato e cansativo, mas tentando me libertar dessa situação o mais rápido possível ^^
É isso, fiquem bem e com saúde! Boa leitura <3

Capítulo 3 - Welkom


Welkom

Taehyung

 

Em determinado momento, enquanto andavam pelo caminho rumo aos grandes portões que recebiam os visitantes durante o dia, sentiu um arrepio passar por seu corpo e a sensação gélida em cada canto parecia querer rompê-lo de dentro para fora, sufocando-o brevemente e forçando uma respiração longa e preocupada. Sentiu vontade de parar seus passos para organizar a situação caótica, mas não o fazendo quando lembrou de quem era e a capacidade natural que foi implantada em si para lidar com situações que poderiam fugir momentaneamente de seu controle. Franziu o cenho diante da sensação inédita e focou os olhos em Jimin, que andava mais a frente desde o episódio na floresta. Os passos dele eram rápidos, graciosos. Taehyung esqueceu do instante anterior e passou alguns segundos lembrando das atividades que Jimin levava em Klaar e em como isso o influenciou a estar arriscando-se naquele momento (arriscando também as ideias que Taehyung tinha sobre si mesmo, repetindo mentalmente a importância de nunca fazer promessas, mesmo que aquela em especial durou apenas dois dias, sentia-se incomodado com a ideia de que foi o responsável por implantar preocupações nos conhecidos do homem devido à aventura que ele decidiu seguir).

Traçar o próprio caminho poderia ser emocionalmente arriscado para eles, fixados em uma família (independente se, no caso de Jimin, eram todos de Klaar), pensou se deveria ao menos orientá-lo a mandar cartas, mas balançando a cabeça em negação logo após ele decidiu que a resposta era negativa. Não deveria preocupar-se, não deveria sentir algo relacionado. Jogou qualquer pensamento no rio ao lado da grande ponte quando observou um dos guardas ir em direção a Jimin na ação de verificação e, pelo fato dele aparentemente nunca ter saído para muito longe do povoado, o processo certamente seria demorado. Taehyung com certeza não ficaria tranquilo ao saber que ele poderia voltar para seu povo sem a chance de conhecer novos horizontes, portanto, ao sentir emoções desconhecidas que fez o seu coração bater forte em antecipação e uma corrente de adrenalina atravessar cada canto, avançou em passos rápidos para chegar antes de um interrogatório iniciar. (Mentalizou que o sentimento certamente vinha da energia mundana que emanava do homem e do fato de estar mais tempo do que de costume com um humano, agarrando-se a qualquer possibilidade, fugindo da ideia de estar momentaneamente perdendo o controle de sua própria origem, da vibração divina que o afastava de tais acontecimentos.)

Depois do segurança ver os olhos característicos, sabia que era identificação o suficiente; inconscientemente deixando-os mais intensos, a energia percorrendo cada canto na ação que costumava despertar receios nos espectadores. Dizer que Jimin acompanhava um enviado o faria entrar em Welkom sem mais problemas ou interrupções, afinal, seres como Taehyung foram mandados para protegê-los das criaturas que vagavam para matar e isso lhe dava passe livre quando o assunto era manter o povo em segurança naquelas circunstâncias.

ㅡ Eu disse que não precisava ficar comigo além dos portões, não preciso de sua companhia. ㅡ Jimin parou quando estavam afastados o bastante para não serem ouvidos pelos guardas, o barulho da grande movimentação de pessoas o fazendo aumentar o volume da voz e se aproximar de Taehyung para ter certeza de que seria ouvido como gostaria. ㅡ Aposto que tem coisas mais importantes para fazer, era sobre isso que conversava com Namjoon na taberna. 

ㅡ De fato, mas de alguma forma estou me sentindo incomodado em deixá-lo sozinho. ㅡ A voz, ao contrário do homem, foi diminuindo conforme as últimas palavras foram saindo, não tendo certeza se chegou aos ouvidos de Jimin. Foram impensadas antes de proferir e isso incomodou-o consideravelmente, situações parecidas (de confusão, descontrole interior e impulsividade) não eram frequentes e poderia dizer que não se lembrava, ou movia-se vagamente por sua mente, a última vez que passou por algo parecido. Taehyung gostava de evidenciar o quanto sabia controlar o eu que existia dentro dele enquanto estava na Terra, destacando-se daqueles que conheceu durante a vivência no planeta. Ao mesmo tempo tinha o lado que parecia perdido em si mesmo, ofuscando-se em meio aos pensamentos confusos, nublando os olhos naturalmente límpidos com facilidade para manter-se longe de problemas humanos. E naquele presente tinha Jimin, com sua graciosidade e personalidade única, fazendo-o perder-se meramente no Taehyung antigo e aparentemente despertando uma parte nova (deixando-o receoso) que preocupava-se com vidas mundanas e tinha medo de descumprir promessas. ㅡ Preciso encontrar um bruxo conhecido, fique próximo e longe de problemas.

ㅡ Aish, Taehyung, não precisa me tratar como meu responsável. Ficarei bem, em qualquer lugar que eu for, não preocupe-se tanto. ㅡ Ouviu Jimin bufar e virar as costas. Soltou um riso de descrença e colocou as mãos na cintura, desconhecendo o formigamento repentino. O cheiro de peixe e comidas cozidas presente no ar o fazendo torcer o nariz por alguns segundos, o comércio lembrando-o constantemente do quanto desviava deles quando podia e usava-os somente em casos necessários. 

Decidiu deixá-lo como desejava, buscando com os olhos uma tenda de cores em tonalidades roxas que viu vez ou outra e fazia o nome do bruxo pela região. O reino era considerado um dos mais pequenos em comparação com os que havia visitado, no entanto era estável economicamente e sabia administrar com prudência os comércios e riquezas. Diziam que a prosperidade crescente se dava pelo jovem rei que passou a governar após o falecimento de seu pai (segundo contos de boca em boca, ele foi o único de sua linhagem a receber a coroa sem ter se casado, o que poderia tornar a situação política complicada. Contudo, em vista do reino não ter apresentado decadências, Taehyung constatou que ele estava cuidando bem de seu valioso posto, apesar de costumar não importar-se com tais assuntos e considerá-los desperdício de tempo).

Tinha passado por Welkom poucas vezes, na maioria delas para buscar serviços daqueles que tornaram-se um meio de ajuda para os enviados, auxiliando-os com o que precisavam para caminhar com segurança e ajudar o povo com a praga que havia descido em um momento de descuido dos deuses (como um quebra cabeças, uma peça precisava da outra, assim interpretava o único cenário que lembrava ter vivido). Era para isso que eles foram criados, seres como Taehyung, para acabar com a ameaça e dar segurança aos mundanos. Lembrava de histórias antigas, contadas de maneira que quando ainda não haviam sido criados, o mundo passou por situações de completo pânico, Taehyung acreditava que era inviável para os divinos pisar no mesmo espaço que dividia a imoralidade dos mundanos. A história que martelava em sua cabeça numa lembrança constante (diferente das outras, que surgia tremendo incômodo por não recordar-se de alguns acontecimentos) era de que a única ou melhor maneira de acabar com aquele acontecimento relacionado à eles era transformar seres semelhantes em algo capaz de combater tais desconfortos a existência dos humanos.

Cruzar com Jungkook na primeira vez no reino foi uma surpresa para ele, afinal conhecia-os como velhos no ramo e pelos cabelos grisalhos denunciando a longa vivência. Ver um rosto jovial por detrás dos vários frascos de diferentes tonalidades, exalando um cheiro natural das essências que criavam a fumaça característica dentro dos panos que ele costumava armar quando o dia clareava em Welkom, o fez ficar brevemente espantado. Era Jungkook que Taehyung passou a buscar por entre os comerciantes que atraíam as pessoas e formavam um aglomerado desconfortável, quase sufocante, sem frisar novamente (porque estava começando a ficar preocupado com si próprio) o quanto tinha vontade de olhar para trás e checar um detalhe que tentava martelar em sua mente, mas que tentava afastar a todo custo.

Apesar de estar acostumado com o cenário, não recordava de senti-la tão cheia e sufocante, e com certeza não saberia dizer corretamente o que estava ocorrendo ou onde ocorria. Era uma incógnita que inevitavelmente caminhava junto dele na procura pela tenda conhecida. Corpos batiam em si, e Taehyung gostaria de acabar rapidamente com o que precisava fazer para sair do reino e seguir com as atividades de costume, mesmo que seriam preenchidas com criaturas atormentando moradores ou humanos e sua grande capacidade de criar problemas. 

Quando conseguiu identificar a tenda de Jungkook no final do caminho que os comerciantes faziam ao acompanhar o andamento dos visitantes, uma movimentação incomum se formou e ele quase conseguiu sentir o cheiro de medo no ar úmido. Os gritos fizeram uma sensação ameaçadora que aparecia e despertava o ser implantado em si apenas em momentos de perigo e alto desconforto ligado ao trabalho que deveria fazer, cada pedaço de seu corpo se acendeu em uma necessidade pouco conhecida ao longo daqueles anos, os olhos naturalmente chamativos adotaram uma coloração mais notável e, destacando-se, uma emoção se fez presente em meio as tantas que marcavam seu interior como uma batida rude e sem necessidade concreta de existir, mas estava ali. Ele era Taehyung com todas as suas características conhecidas, e um complemento incomum... Em meio as pessoas correndo, palavras indecifráveis e gritos, Taehyung estava preocupado. Um enviado estava preocupando-se com um humano. Um riso formou-se seco quando o pensamento surgiu como uma tempestade, entretanto a situação o impediu de completar o ato, corpos batiam nele com mais frequência que anteriormente e cheios de desespero por um motivo desconhecido.

Taehyung via e interpretava sua própria história como uma alternativa dos divinos, o ato de mandar à Terra seres que pudessem dar a esperança de que um deslize poderia ser minimizado (e até acabado por completo) foi pensado como a melhor escolha que eles poderiam ter. Sequer tinha a chance, ou não conhecia uma, de se sentir totalmente confortável enquanto estivesse no planeta, os avisos constantemente lhe despertando para o real dever quando brevemente se esquecia de sua origem. Haviam programado-os na medida para ter apenas uma coisa em mente, e tiveram êxito até então.

Não percebeu quando correu na direção contrária da tenda de Jungkook, todavia seguiu o que seu corpo achava estar executando com perfeição, apesar das pernas vez ou outra baterem nas mercadorias dos comércios abandonados na beira do caminho. O desespero das pessoas certamente havia colaborado para plantar o caos. Tudo o que seus olhos alcançavam eram tendas derrubadas, o reino tentando se esvaziar na ação de voltarem para suas casas e os visitantes para os povoados das redondezas, no entanto avistou uma única ainda em pé. Os panos chamativos atraíam seu corpo e os olhos intensos permaneceram com atenção. Não era de seu costume dar voz às impulsividades que poderiam surgir vez ou outra, preferia pensar com cuidado e calma quando havia possibilidade, mas enquanto guiava seus passos apressados e ignorava os moradores na atitude de salvar-se dos prováveis perigos que os ameaçavam no momento, ele apenas focou-se no “vá” em um tom baixo e sedutor repetindo em sua mente. Devia procurá-lo… devia tentar.

E assim o fez, afastou os panos logo após pisar nos tapetes vermelhos que dizia “boas vindas” em uma língua antiga, sentindo o cheiro forte de essências ele franziu o cenho e continuou seus passos silenciosos que contrastava totalmente com o cenário visto anteriormente. De forma inacreditável, era inaudível qualquer som exterior, apesar da única proteção quanto ao mundo de fora ser os panos vermelhos vivo. Cor da paixão, pensou, também cor de sangue, cor de vida e morte.

Soprou uma longa respiração de alívio combinada com o desconhecido que havia parcialmente se acostumado dentro de si desde que entrou pelos portões de Welkom. Teria que encontrar um bruxo e pedir algumas poções extras, além das que precisava para seguir com a confiança costumeira. Taehyung deveria estar com a cabeça no lugar para seguir em direção aos ataques das criaturas do silêncio que haviam lhe dado informações sobre antes de chegar em Klaar, não seria distante do reino (o que facilitaria o processo  de conseguir poções suficientes até chegar novamente a outro que pudesse lhe fornecer o mesmo), e teria um aumento significativo na contagem de sempre. Porém, entre todos aqueles pensamentos estava Jimin. Temia despertar um lado de si que viu apenas em um colega de caçadas (um dos únicos que teve o prazer de encontrar novamente durante a estadia na Terra) e humanizá-los era assustador para Taehyung. Enviados foram feitos para serem semelhantes aos mundanos apenas na aparência, portanto seus pensamentos, modo e anos de vida, eram divergentes com a finalidade de não criar intimidade, apego ou culpa sobre algo que pudesse acontecer com tais seres. Contudo reconheceu preocupação acerca de uma promessa que havia feito, a relação com o homem diretamente envolvido nela e ali, na tenda ainda desconhecida, alívio ao perceber os cabelos claros de costas para si e de frente para uma mulher de cabelos escuros e olhos focados em Jimin. 

Taehyung sabia que ela tinha consciência sobre a sua presença no local, no entanto os olhos não desviaram. Avançou alguns passos, passando por uma prateleira de ervas de diferentes tipos e aromas, atravessando a cortina de fumaça que criava-se por conta dos incensos acesos em diversos lugares e preparou-se para informá-lo da situação que ocorria e a necessidade de proteger-se. Não completando a ação quando escutou uma voz rouca e seca direcionar a fala para o homem que parecia esperar algo vindo dela, é provável que seja uma vidente que ele procurou por curiosidade pensou.  ㅡ Eu vejo que descobrirá não somente coisas belas, meu jovem, também a obscuridade que pode existir dentro delas. ㅡ As mãos cobertas por uma tinta escura que Taehyung não conseguiu identificar, pegaram ambas as de Jimin e ela continuou proferindo as palavras com uma calma que contrastava com o olhar penetrante. ㅡ Terá que acompanhar os pedidos do coração, usando o seu natural para florescer um campo florido há muito esquecido e quase apagado, fazendo acender a luz que faltava para as flores desabrocharem novamente. ㅡ Os olhos foram em direção à Taehyung, mirando os incomuns dele e parecendo querer passar uma mensagem que o enviado não conseguiu identificar como deveria. Seu interior queria apenas sair daquele lugar, desviar do caos desconhecido que havia se instalado entre as pessoas do reino e deixar Jimin em segurança. Talvez ao sair de Welkom pudesse pensar em desistir das poções por alguns dias (visto que, ao pensar com profundidade na condição, provavelmente não conseguiria encontrar Jungkook) e pedir por ajuda além das montanhas, em um reino pequeno e sem tantas seguranças, iria apenas ficar sem apoio por alguns dias. É isso, Taehyung, faça isso… repetia mentalmente. Portanto pegou gentilmente no braço de Jimin, o suficiente para ele despertar do transe que parecia imerso, levando os olhos bem abertos e curiosos para o enviado, questionando-o silenciosamente.

 ㅡ Precisamos ir.

ㅡ Como assim “precisamos ir”, Taehyung? Estou por conta própria e comprei os serviços de vidência dela.

ㅡ Ela no máximo está te enganando, e está uma confusão lá fora, se quer ficar em segurança sugiro irmos. ㅡ Tentou transmitir o máximo de confiança que o momento permitia, mas era Jimin quem deveria escolher partir ou continuar gastando tempo com a vidente (que o enviado poderia apostar dez moedas que era uma mentira conseguindo dinheiro fácil da grande quantidade de pessoas transitando diariamente pela região). Olhou novamente para a mulher de cabelos escuros e rosto marcante, ela estava com ambos os braços em cima da mesa, apoiando a cabeça nas mãos entrelaçadas e nos lábios fechados formava um sorriso que parecia levar conhecimentos que fugiam da capacidade dele imaginar. Ignorou a sensação incômoda e levou os olhos até Jimin, que mirava-o com a mesma curiosidade de antes, parecendo analisá-lo com afinco ao percorrer seu rosto. Resolveu deixar de lado o desconforto anterior e focar no homem, tentando enfatizar as palavras anteriores.

Jimin soltou um suspiro e avançou, enquanto as palavras saíam rapidamente. ㅡ Aish, vamos. Mas você vai me recompensar pelo serviço que paguei e não pude finalizar.

Começou a andar quando percebeu que Jimin iria realmente partir consigo, aproveitando o tempo de chegarem até a saída para tentar recordar do mapa quase sempre semelhante que os reinos adotavam, e das fugas de emergência além dos portões principais que fechavam em situações que poderiam fugir do controle (mesmo que brevemente). Ao aguçar os ouvidos para tentar perceber se poderiam de fato sair naquele momento em especial, além do barulho dos passos dos moradores e das portas e janelas fechando, percebeu uma voz rouca proferir baixinho e inaudível para ouvidos humanos. ㅡ Enviado Taehyung, os deuses não poderão te controlar para sempre. O momento de luz está perto, muito perto, finalmente. ㅡ Olhou para onde ela estava sentada alguns minutos antes, após ouvir a risada seca ecoar por sua mente, mas todos os lugares que colocava os olhos estava coberto pela fumaça espessa e não percebia sinal de outro corpo além do seu e de Jimin no ambiente. Despertou quando uma mão o chacoalhou, chamando-o para partirem, e escolheu esquecer para melhor se concentrar nos problemas reais que estavam acesos na mesma confusão de antes. Nada havia mudado do lado de fora, como se o relógio não tivesse feito o seu papel no meio tempo em que estava dentro dos panos. Franziu o cenho e apenas começou a guiar Jimin por entre a movimentação exagerada.

ㅡ Que merda está acontecendo aqui? ㅡ Alguns minutos depois, as mãos de Taehyung não estavam mais coladas no outro corpo porque o homem rapidamente entendeu a situação e passou a andar na mesma velocidade que o enviado, soltando exclamações vez ou outra e gritos de susto quando algum cidadão esbarrava bruscamente em si. A movimentação ficava menos intensa em relação ao povo de Welkom, mas era um reino bastante visitado por conta do comércio e as pessoas que frequentemente se beneficiavam dele certamente estavam presas, devido ao fechamento dos portões como medida de segurança. Soldados, mulheres e homens civis com físico o suficiente para aguentar lutas de corpo a corpo, dirigiam-se aos muros altos no caso de um ataque. Um ataque que duvidava estar sendo feito apenas por humanos, entretanto resolveu ignorar seu dever por alguns minutos. Não queria envolver-se, não naquele caso.

ㅡ Também gostaria de saber, mas precisamos sair daqui.

ㅡ Como? Os portões estão fechados. ㅡ A voz vacilante denunciava o quão forte e despreocupado ele estava demonstrando estar por fora, contrariando o interior.

ㅡ Geralmente eles têm uma saída de emergência desconhecida para moradores comuns, porém bastante utilizada por governantes ou pessoas de poder. Vamos utilizá-la.

Depois de assistir ele concordar, iniciou sua movimentação em direção aos muros, tentando deixar a mente limpa o suficiente para recordar-se das passagens anteriores aos reinos próximos. Usavam os caminhos menos óbvios, fugindo do aglomerado que formou-se no centro do comércio. Conseguia ouvir a respiração pesada de Jimin o acompanhando, respirando profundamente ao perceber que no impulso não se deu conta do quanto estava se importando em levá-lo consigo, alguns dias antes não pensaria duas vezes em achar a passagem por si e sair sem ser notado (considerava humanos como um peso extra e constantemente contrariava a ideia de levá-los em missões, como ouviu dizer sobre alguns colegas que desceu consigo, achava a atitude um desperdício de tempo e habilidades, caindo por terra a mesma constatação quando topou a ajuda de Jimin). Quase soltou um sorriso quando estavam chegando no limite, conseguia perceber as irregularidades na vegetação que crescia por entre as pedras altas e certamente não iria demorar para achar o local.

Ao estar com os ouvidos mais aguçados que o de costume, tentando compreender o que acontecia no lado de fora, escutar barulhos inesperados o fez perder a noção de espaço por um instante. Parecia o som do atrito entre lâminas e o impacto em sua audição desencadeou uma breve dor aguda na cabeça, fazendo-o pressioná-la fortemente com as mãos e resmungar palavras incompreensíveis. Jimin pareceu assustado quando percebeu o que ocorria. ㅡ Taehyung? O que houve?

Resolveu não repetir o mesmo ato de tentar escutar o exterior, levantando a cabeça novamente e ajeitando a postura. Olhou para os olhos visivelmente preocupados do companheiro, tentando não transparecer o desconforto ainda fortemente presente ㅡ Nada que precise se preocupar, Jimin. Vamos continuar.

ㅡ É claro queㅡ

Não teve tempo de pensar nas próximas palavras, viu alguém bater no corpo dele e ambos irem ao chão (uma pessoa que estava correndo, provavelmente, visto a intensidade do impacto). Apressou-se em direção à cena ao lado, Jimin despertava do susto aos poucos e Taehyung soltou um suspiro quando se deu conta de que a queda havia sido amortecida por algumas mercadorias. Um homem, naquele instante desacordado, havia atingido-o e o enviado conseguia ouvir reclamações do humano que acompanhava-o pelos últimos dias ao tentar tirar o peso de cima de si, tentando entender o que havia acontecido. Taehyung estava da mesma forma, compreendendo aos poucos quando viu uma espada suja de sangue caída ao lado do corpo e gritos furiosos não muito longe em constantes “onde foi que você se meteu” e “apareça” em tons ainda mais altos. Em uma atitude de costume, colocou a mão no cabo de sua própria e permaneceu em alerta, mesmo quando observava de longe se o acontecido não tinha feito ferimentos em Jimin.

Contou dois minutos até assistir alguém, grande o suficiente para ele ter que olhar para cima ao tentar ver os olhos, sequer olhar para os lados ao se aproximar do homem ainda inconsciente. Notou um grande ferimento recente no braço esquerdo e um similar na perna direita, muito provável que foram causados na luta que tiveram anteriormente, a raiva devia ter atingido-o o bastante para atacar o oponente desacordado. Respirou fundo antes de se colocar na frente e impedir dele alcançar seu destino, parando os passos apressados e ouvindo sussurros de Jimin em um “está doido, Taehyung?” logo após o ato. O rosto do enviado não demonstrava medo, havia enfrentado criaturas mais assustadoras que humanos fortes, portanto apertou os dedos no cabo da espada presa na cintura e observou o olhar dele descer até a atitude e sorrir soprado. Refletiu se aquele que havia atingido Jimin (e logo após desmaiado, inclusive, imaginou que os golpes foram fortes o bastante para derrubá-lo na primeira oportunidade) e desviado o seu plano merecia que ele gastasse tempo em uma briga, em outros momentos certamente não, porém naquele em especial sentiu-se no dever de parar algo injusto de acontecer. Ele deveria ao menos estar acordado para atacá-lo Taehyung mentalizou, permanecendo com a face intacta na mesma expressão. ㅡ Não quer ter uma luta comigo, caído. 

Soprou uma risada de desdém. ㅡ Digo o mesmo, mundano.

O quase rugido que saiu da boca do homem poderia ser assustador para qualquer um que iria ter um momento disputando com ele, mas Taehyung apenas riu e ouviu com gosto o som conhecido da lâmina raspando na proteção que revezava entre sua cintura e suas costas, dependia da situação, e naquela em especial sentir o material encostando levemente na pele e posteriormente se fazendo presente nas mãos experientes foram o bastante para despertar um lado que ele gostava de mostrar em momentos de combate. O som abafado do atrito anulou qualquer outro, não conseguindo mais ouvir as exclamações de Jimin ou o barulho da movimentação da cidade agitada por conta da situação que ele ainda não havia entendido (e, se conseguisse sair com segurança, nem gostaria). Em um movimento certeiro atingiu em cheio a perna saudável do oponente, girando com velocidade ao redor do corpo dele e realizando um corte nas costas que o fez gritar de dor. Taehyung não percebeu quando o homem sacou uma faca com a mão livre, presa estrategicamente no tecido da bota, e golpeou-o no braço que segurava a espada. “Patéticos” pensou ao olhar para ele e em seguida mirar a faca de aparência gasta visível pela metade por causa da situação, lembrou dos tantos humanos que conheceu durante sua vivência e no quanto gostavam de desafiar a ira de um enviado. Tirou o objeto ainda preso na carne carregando um sorriso de escárnio ao olhar para o sangue que escorria, maneou-a com habilidade e arremessou numa jogada precisa, atingindo a lateral do pescoço daquele em sua frente e vendo-o com graça pressionar a ferida. O rosto de dor não durou por muito tempo, e Taehyung esperava o mesmo porque, ainda carregando na face a mesma expressão divertida, empunhou a arma (consequentemente o fazendo sangrar ainda mais, por conta da força que apertava o cabo detalhado e feito para estar sobre seu domínio) ao andar em passos rápidos em sinal de ataque.

As tentativas do homem ao golpeá-lo foram em vão, ambas as pernas atingidas e as costas pareciam deixá-lo mais lento que os momentos anteriores, facilmente sendo comandado por Taehyung ao tentar esquivar-se constantemente. Em uma repetição de tentar atacar o enviado e defender-se dos ataques dele, caiu com Taehyung pressionando sua garganta com um dos braços e as pernas imobilizando o resto do corpo (no entanto desconfiava que naquele caso o humano não conseguiria fazer mais nada contra, de qualquer forma). ㅡ Não adianta querer defendê-los, caído. Todos irão perecer.

ㅡ Hm. Você deve ser um dos que conseguiram entrar. ㅡ Taehyung o pressionou ainda mais, fazendo o mundano se engasgar com a própria saliva algumas vezes e seu rosto começar a adotar uma coloração arroxeada, denunciando a falta de ar nos pulmões. Soltou um riso nasalado. ㅡ Ridículos, tão fracos… Desapareça daqui e deixe o humano em paz, caso contrário irei o atingir de verdade da próxima vez.

Liberou o corpo abaixo de si antes de vê-lo sibilar algumas reclamações ao caminhar cambaleante. Suspirou, levantando e dando um tempo para olhar ao redor. Jimin vinha rapidamente em sua direção, soltando vários “que merda, Taehyung” que fez nascer um sorriso leve e fechado em seu rosto, sentindo novamente a dor no braço ferido quando ele tocou ao redor para examinar a situação. ㅡ Dói muito?

ㅡ Não. ㅡ Mentiu, sabendo que a dor logo iria passar. A recuperação de seu corpo era mais rápida que a de pessoas comuns, portanto preferiu não prolongar qualquer indício de preocupação vinda de Jimin. ㅡ Pronto para irmos? 

ㅡ Acho que primeiro devemos verificar se ele está bem. ㅡ Virou-se antes de receber uma resposta do enviado, indo dar apoio ao corpo que aos poucos ia se movimentando novamente e dando sinais de que iria despertar do impacto que o fez ficar desacordado por tantos minutos, fazendo Taehyung ficar inquieto com a atitude de piedade que transbordava de Jimin e pensava ser prejudicial para ele em meio as aventuras que gostaria de traçar por conta própria. Não tendo escolha (ou achando que não tinha), seguiu a mesma ação. Chegando mais perto foi possível ouvir o homem de Klaar proferir em espanto. ㅡ Min?

Taehyung agachou-se também, com curiosidade nítida. ㅡ O conhece?

ㅡ Ele aparecia vez ou outra no povoado, geralmente para emprestar um livro de nossa biblioteca e lê-lo inteiro nas sombras das árvores do jardim. ㅡ Jimin sorriu, aparentemente recordando-se dos momentos que passou aproveitando do conforto que conhecia desde sempre. Saindo de seus pensamentos novamente quando reparou o homem abrindo os olhos felinos e adotando certo esforço para focar no rosto em sua frente.

ㅡ Jimin? ㅡ A voz saindo vacilante e contendo um traço semelhante de reconhecimento.

ㅡ Como está? Parece machucado… Não acredito que tentou mesmo lutar com aquele cara. ㅡ Os dedos apontaram para a direção que o mundano havia partido após o momento testando a espada de Taehyung, apesar do tal Min provavelmente não ter consciência do que havia realmente acontecido naquele meio tempo.

Ele colocou as mãos na cabeça por um instante, parecendo organizar as lembranças antes de verbalizá-las. ㅡ Eu estava indo para os portões avisá-los, os nossos guerreiros.

ㅡ Como assim? Sabe de algo quanto a isso?

Ainda fraco ele foi se levantando, os outros dois presentes imitando a ação. Ao arrumar precariamente a roupa amassada, não passou dos olhos do enviado o quão finos eram os tecidos e a classe que eles aparentemente pertenciam. ㅡ Não muito. ㅡ Parecia vacilante em contar sobre o assunto, logo mudou sua fala para o ocorrido que o levou até a situação com o homem alto. ㅡ No meio do caminho percebi alguém atacando algum dos comerciantes... Sabem onde ele está? Não me seguiu?

ㅡ Hm. ㅡ Jimin pensou por um instante, pressionando os lábios e adotando uma expressão que fez Taehyung também focar em seu rosto, inconscientemente esperando uma resposta, ação que o faria envergonhar-se em lembranças num outro momento. ㅡ Alguém muito, muito legal deu um jeito nele. Não precisa mais se preocupar quanto a isso. ㅡ O sorriso pequeno de Jimin ao mirar o rosto do enviado logo após, fez nascer um contido (quase imperceptível) em Taehyung e inflando o peito ele olhou novamente para Min, naturalmente dando ênfase na fala anterior.

ㅡ Gostaria de retribuir, pelo menos um pouco. Notei que está com um ferimento profundo no braço. ㅡ Apontou para onde havia sido atingido anteriormente. ㅡ Meu lar irá recebê-los e tentar deixá-los em segurança diante deste ataque inesperado. 

A fala direcionada à si parecia anteceder acontecimentos que gostaria de evitar, portanto foi rápido e quase afobado em responder. ㅡ Não preciㅡ

ㅡ Claro que sim. ㅡ O olhar de Jimin era de repreensão. ㅡ Devemos cuidar do ferimento antes de partirmos, ele pode piorar. Podemos continuar depois. ㅡ As últimas palavras saíram mais baixas, ainda olhando em seus olhos e transmitindo uma intensidade pouco usada. Mesmo sabendo que não era verdade (o ferimento se curaria facilmente em menos de dois dias), não verbalizou alguma palavra enquanto via o cenho franzido do mundano avaliar novamente o sangue nas roupas e o rasgo que a faca causou. ㅡ Se não for incômodo, é claro.

ㅡ Yoongi. ㅡ Referiu-se ao seu nome. Depois de negar, alegando que iria recebê-los pelo tempo que necessitavam e fornecer abrigo seguro, ambos começaram a caminhar na direção contrária que estavam andando antes de Yoongi subitamente aparecer e mudar o rumo do caminho, ignorando uma possível aceitação ou negação de Taehyung. Os gritos dos moradores haviam diminuído consideravelmente (talvez pelo fato da maioria ter buscado refúgio em suas residências e ter sobrado apenas aqueles que não conseguiram voltar a tempo) e, quando forçava a audição brevemente, vez ou outra identificava o barulho de corpos subindo pelos muros, apoiando-se na vegetação e pousando na grama. Despertou dos pensamentos quando Jimin parou, virando-se para trás e chamando-o com o braço numa reação pouco exagerada, pedindo para passarem na casa daquele conhecido. Apenas um desvio, Taehyung, apenas um desvio.

Desconhecia totalmente suas ações, duvidando que iria orgulhar-se daquelas situações se conseguisse recordar futuramente dos acontecimentos em Welkom. Desconhecendo, principalmente, o Taehyung que resolveu seguir Jimin em vez de buscar rapidamente pela saída de emergência.

Afinal, era apenas um desvio.


Notas Finais


Hehehehhehehehe hm Taetae.

Se quiserem me dar um oizinho: @/ourscosmos no twitter.


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