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História Caídos - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Capítulo Quatro


Parecia que eu tinha sido atropelada por um trator, minha cara estava toda amassada, meus olhos possuíam olheiras devido a noite mal dormida, tentei esconder com maquiagem, mas não deu muito certo.

- Que cara péssima. - Foi a primeira coisa que Marcie me disse assim que sai do banheiro.

Lancei um falso sorriso em sua direção. 

- Nem tinha percebido, - respondi irônica - se não é você pra me avisar.

- Acordou de mal humor? Por que você não procura algum remédio pra essa sua insônia?

- Não quero. - Respondi mal humorada, me joguei na cama de cara no travesseiro, eu com certeza não queria ir para a aula, mas não tinha opção.

- Estou indo tomar café.

- Pode ir, eu não vou, tenho que ver alguns e-mail.

- Vai ficar sem ir comer de novo?

- Eu tenho algumas barrinhas de cereal.

- Você que sabe, tchau.

Fiquei deitada na cama sem coragem de levantar, mas infelizmente tinha que ver os e-mals. Tinha dois dos meus pais, um do meu irmão e um do meu outro pai. Que confusão essa ideia de ter dois pais, mas sou filha biológica de Robert e Aria Thorne, nasci e fui criada até os treze anos na Reviera francesa, quando tinha alguns meses minha mãe faleceu, a única coisa que sei sobre ela, é que segundo meu pai, herdei os olhos negros dela. Depois que ela faleceu me pai não pode me criar devido ao seu trabalho, que eu não sei bem o que é, só sei que ele está sempre viajando, as vezes acho que essa tal profissão dele é meio ilegal, mas quando pergunto, ele não me diz nada concreto. Então logo depois do falecimento da minha mãe, meu pai me mandou para ser criada por um casal muito amigo da família, o Thomas e Helena Vampelt, eles tem um filho da minha idade, o James, é por causa dele que comecei a chamar o Thom e a Helena de pais, eles nunca se importaram, afinal, eles são meus pais do coração. 

Há quatro anos quando comecei a ter os pesadelos, meus pais decidiram vir morar nos Estados Unidos, meu pai Rob permaneceu morando lá, a única exigência que ele fez, foi que eu estudasse em Sheroline, então aqui estou eu, em um colégio interno lendo e-mails da minha família que vejo poucas vezes por ano.

O primeiro deles era do meu irmão me contando que arranjou uma namorada, o que nem é novidade nenhuma, ele troca de namorada como troca de roupa, mas segundo ele, essa é o grande amor da vida dele, ele diz isso sobre todas. O segundo era da minha mãe perguntando se quero ir para casa esse fim de semana, respondi que não, estou cheia de trabalho escolar pra fazer. Tinha também um anexo com fotos da reforma na sala de cinema, que ficou lindo, minha mãe tem um gosto excelente para decoração. Já o terceiro era do meu pai Rob, fiquei de queixo caído quando li, só meu pai para inventar essas esquisitices.

Para: SophiaTV

DE: RobThorne

Assunto: AULAS DE ESGRIMA

Estou em um trabalho importante, por isso não poderei ir visita-la na próxima semana como prometido, sinto muito por isso. Espero que você saiba que eu te amo muito e se pudesse, passaria todos os dias da minha vida ao seu lado.

Passei também para informa-la que andei conversando com Thomas e Helena e decidimos contratar um professor de esgrima para você, ele poderia ir toda semana na sua escola te dar aulas particulares, lembre-se que esgrima é muito importante, e que você abandonou as aulas de Kendo, esgrima é o mínimo que você pode fazer como compensação.

Com amor, papai.

Meu pai é psicótico, vive inventando essas aulas malucas para mim fazer, perdi as contas de todas as aulas que tive que fugir, a ultima foi Kendo - uma arte marcial japonesa praticada com espadas - eu até que gostava, mas odiava a ideia de que meu pai estava me obrigando a fazer aquilo. O problema é que Thomas e Helena sempre concordam com ele. Já faz algum tempo que ele vem falando de esgrima e eu sempre fugindo do assunto, e mais uma vez fugi, ignorei seu e-mal, fingi que não li e fui para a aula.

As aulas da parte da manhã são as de estudos complementares - que são feitas separadas dos alunos do programa de honra - esses tem aulas em um prédio separado do restante da escola - que são artes, canto, teatro, musica, natação entre outras. Cada aluno pode escolher as aulas complementares que quiser, eu faço artes e piano na segunda, terça e sexta e na quarta e quinta faço culinária e educação física.

As horas passaram como lesmas rastejantes me matando de tédio, minha mente não conseguia desviar dos sonhos esquisitos, como pode um mesmo sonho se repetir com tanta frequência? Não tenho resposta para essa pergunta, e não sei se um dia vou ter.

Quando a aula enfim terminou, dei graças a Deus, apesar de não ser religiosa. Fui para o refeitório, que fica em um edifício retangular com telhas de madeira, com uma placa idiota escrito "refeitório da bagunça" , que na verdade é uma ironia, pois não dava para ser mais organizado que aquilo. As refeições eram servidas no terraço em moveis de jardim branco com uma maravilhosa vista para o mar. 

E minha melhor amiga ainda não estava lá, então sentei na nossa mesa de sempre e fiquei esperando, nesse meio tempo fiquei analisando como as coisas funcionam nessa escola, o refeitório é dividido ao meio, do lado leste os alunos normais, sentados amontoados em mesas super lotadas. Do lado oeste, com vista mais privilegiada do mar, os geniosinhos, em algumas mesas tinha apenas uma ou duas pessoas, mas ninguém tem a ousadia de reclamar sobre a desigualdade de divisão de mesas. A única coisa em comum entre os dois grupos, é a apatia presente no rosto de todos eles, como se não se importassem com nada, na minha opinião é uma apatia falsa.

- E ai otária? - Minha melhor amiga Julya, um doce de pessoa, só que não - Pergunta surpresa, de que livro é a frase "A verdade é uma amante maldosa e ciumenta que nunca dorme"? - Ela gosta de fazer essas perguntas para saber se eu realmente li os livros que ela indicou.

- Estilhaça-me. - Essa foi fácil, ela ficou um mês enchendo meu saco para eu ler esse livro. 

Nos tornamos amigas desde que vim estudar aqui, ela é uma dos poucos alunos esquisitos nessa escola de pessoas perfeitas, eu amo o fato dela ser meio maluca.

- Onde você estava? - Perguntei. 

- Estava conversando com o professor sobre um trabalho, e eu sei que você sentiu minha falta, sou uma pessoa incrível.

- Quanta modéstia.

Ela torceu os lábios se jogando em uma cadeira na minha frente. 

- Já viu os alunos novos dos geniosinhos?

- Só um.

- Qual?

- Um tal de Cam.

- Sortuda desgraçada. - Ela disse, se virando para chamar o garçom, que por sinal é nosso amigo. Mike é bolsista, e os bolsistas tem que trabalhar no refeitório, pra mim, isso é um abuso - Ele é um gato, me parece um bad boy, com certeza meu tipo.

- Não é o meu, o cara me pareceu um babaca conquistador.

- E dai, se ele é gostoso, isso não importa.

- Ei, meninas, - disse Mike chegando na nossa mesa - vocês viram os novos alunos?

- Essa infeliz aqui só viu o gato de olhos verdes. - Ela disse apontando para mim.

- Eles estão entrando no refeitório nesse momento. - Disse Mike em tom cantado.

Eram em três, entraram juntos, uma menina pequena de cabelos escuros, com um visual que com certeza não combinava com Sheroline, calça rasgada, coturnos, camiseta preta e maquiagem carregada no rosto. O outro era um rapaz negro com dreadlocks, e uma menina que parecia que foi feita para este lugar, loira, vestido florido, olhos azuis, parecia que tinha saído de um comercial de cosméticos. Apesar de tão diferentes, todos eles tinha em comum uma áurea em volta, que fazia com que todos notassem eles, um carisma, principalmente a loira.

- Acho que acabei de me apaixonar pela morena. - Disse Julya, me fazendo revirar os olhos, ela é bissexual, e tem uma mania esquisita de se apaixonar por todo mundo, é sério, quando nos conhecemos ela disse que estava apaixonada por mim, durou uma semana, essa menina precisa de tratamento.

- Você está apaixonada por alguém toda semana. - Disse Mike irritado - Agora façam logo seus pedidos que tenho que ir trabalhar.

- Calma ai, apressadinho.

Pedimos e ele foi buscar. Mike é apaixonado por Julya desde que o mundo é mundo, mas ela nem nota, já tentei dar uns toques, mas acho que ela e cega com relação a ele, uma pena já que ele é bonitinho, tem sardinhas no nariz e nas bochechas que dão vontade de morder.

Ele trouxe nosso almoço, mas não falou com a gente, acho que ainda esta irritado com o comentário da Julya. Enquanto comia fiquei analisando o refeitório, o sol sempre brilhando, o cheiro de maresia, na minha opinião até a construção desse lugar é bonita e falsa como a maioria das pessoas.

Não resisti e dei uma olhada nos novos alunos, o cara de dread e a morena sentaram em uma mesa juntos, conversavam em tom baixo e riam, já a loira se sentou em uma mesa com outros alunos, todos em volta deles se comportavam como se eles fossem celebridades, davam sorrisos e olhares simpáticos. 

Enquanto eles comiam a responsável pela escola entrou no refeitório, o nome dela é Francesca Frankie, loira e muito bonita, rosto com traços suaves e uma áurea de austeridade e um sorriso simpático sempre presente, ela dirigi a escola junto com seu companheiro Steven Filmore, assim como ela, ele também é muito bonito, com cabelos grisalhos e óculos retangulares, exala um charme que faz com que todas as meninas da escola sejam apaixonadas secretamente por ele. 

Em cada mesa que Francesca passava, ela parava para conversar um pouco, foi assim até chegar na mesa do cara de dread, ela não se sentou, mas ficou conversando um bom tempo, até se despedir e ir embora.

- Você vai no passeio de iate? - Perguntou Julya, se referindo a um passeio que faríamos nos próximos dias, o passeio foi dado pelo pai de uma das alunas, mais uma vez, escola de gente rica.

- Não sei, tenho que ver, meus pais estão querendo que eu vá passar uns dias com eles.

- Caramba, você tem ir, não posso ir sem você.

- Logico que pode, - disse rindo - não somos gêmeas siamesas.

- Mas sem você não vai ter graça, por favor? - Ela disse fazendo bico, ela sabe que quando faz carinha de cachorro que caiu da mudança, eu não resisto.

- Vou pensar, mas em todo caso, eu tenho certeza que o Mike vai.

- Mas ele não é você.

- Tudo bem dramática, mas agora tenho que ir, tenho que pegar um livro na biblioteca, você vem?

- Não, vou ficar mais um pouco, estou de olho no amor da minha vida.

- Claro. - Revirei os olhos, provavelmente na mente dela já esta fazendo um monte de planos, sobre como elas vão casar, onde vão morar, tudo isso. Deixei ela lá com seus devaneios e fui embora, aquilo logo passaria e ela se apaixonaria por outro alguém. 

Caminhei lentamente por entre as mesas, mas de repente meu celular apitou com a chegada de uma mensagem, e quando abaixei a cabeça para ver, acabei trombando em algo e caindo de costa no chão. 

Permaneci caída de olhos fechados, já imaginava todos me olhando, e a ultima coisa que eu quero é ser notada. Quando abri os olhos me deparei com um par de olhos verdes profundos me olhando de cima, descobri que não trombei em algo, mas em alguém, e que esse alguém é justamente o Cam. 

- Sophia, você esta viva? - ele perguntou com um sorriso nos lábios, não resisti e fiquei encarando, seus lábios são rosados, qualquer garota mataria para ter lábios como os dele, seus cílios são longos. - Terra chamando Sophia.

- Estou bem. - Disse com as bochechas pegando fogo.

- Gente, ela esta viva, - ele gritou para o refeitório inteiro ouvir, me deixando com mais vergonha ainda - podem voltar a seus afazeres, não tem mais nada aqui para ver.

- Cale a boca. - Falei baixo.

- Só estou ajudando. - Ele disse me estendendo a mão me ajudando a levantar.

- Esta piorando, isso sim. - Bufei irritada.

Ele ignorou totalmente meu mal humor. 

- Que bom que você está aqui, agora podemos comer juntos.

- Chegou tarde, já comi.

- Que pena, você está tão bonita que seria uma honra comer ao seu lado. - Ele disse dando um sorrisinho malicioso e me olhando de cima à baixo. Minhas bochechas coraram, e tinha certeza que ele estava mentindo, estava vestida como sempre, calça rasgada, regata vinho com a frase "viva, sorria e ame. Se isso não funcionar... levante mire e atire", com uma jaqueta preta por cima, e meu velho par de All Star preto, e cabelos amarrado em um coque bagunçado, para ser sincera me bateu uma vontade de estar um pouco mais apresentável.

- Primeiro, nós combinamos que você iria parar com essas cantadas fajutas, segundo, você menti muito mal. - Disse fingindo estar brava.

- Não foi uma cantada, foi apenas uma constatação da verdade.

- Não importa, só pare com isso. - Disse dando a volta nele para continuar meu percurso, antes que ninguém naquele refeitório conseguisse terminar seu almoço, já que todos estavam nos encarando - Agora tenho que ir, talvez jantemos juntos, satisfeito?

- Não, mas fazer o que.

Tão dramático. 

- Tchau, Cameron.

- Até mais, Sophia.



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