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História Caindo Na Armadilha - Capítulo 3


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Notas do Autor


Dois capítulos em dois dias? :00000
Boa leitura! ùwú

Capítulo 3 - Instinto


Leon acordou assustado após ter tido um pesadelo. Não tinha nem um pouco de medo do que sonhava, mas ainda assim foi pego de surpresa pelo seu sonho.

Olhou lentamente ao redor e notou que tudo já estava sendo iluminado pelo sol. Tão bem iluminado que era possível ver a poeira que dominava o quarto subir um pouco pelo ar.

No mesmo momento se sentiu irritado ao ter notado que seu plano de atacar na madrugada falhou, provavelmente teria que esperar mais uma noite — isso se não lançasse toda a sua raiva logo pelo período do dia.

Aos poucos se levantou da cama e ficou em pé, o que o deixou surpreso quando sentiu que as dores no seu corpo tinham sumido, ainda que sentisse um leve incômodo no seu braço direito. Secretamente estava agradecido por ter se recuperado tão rápido, mas ainda imaginava que foi coisa do seu próprio corpo, e não necessitou da ajuda de Sandy.

Falando no felino, ele chegou no mesmo instante subindo as escadas e entrando no quarto que estava com a porta aberta. Aparentava estar meio triste com algo, pois segurava um prato enquanto olhava para baixo, mas assim que notou o lobo em pé, abriu um pequeno sorriso em seu rosto, sua expressão iluminou rapidamente.

—Olá, vejo que já acordou— O felino quebrou o silêncio que pairava o ambiente.

—É, estou bem melhor... O que é isto?— Leon olhou aquela comida no prato que lhe causou um certo nojo, definitivamente era algo feito de propósito para lhe fazer vomitar.

—Oh, isso? São panquecas que eu fiz, nunca comeu um?

—Eugh, e nem quero— O lobo se sentou na cama, querendo se afastar de Sandy. O menor, por sua vez, se entristeceu um pouco pela fala do lobo. Um comentário insensível da parte dele ao seu ver.

—Oh... Mas... Eu fiz com carinho, deveria provar um pelo menos...

—Não, obrigado, estou sem fome agora.

Aquelas palavras magoaram o felino, mas ele preferiu respeitar a escolha do maior antes que causasse alguma confusão. Entretanto, quando ia recuar com o prato, ouviu o outro dar um suspiro, e em uma fração de segundos imaginou que tivesse mudado de ideia.

—Ei, eu posso sair daqui ainda hoje?— Leon perguntou, quebrando as suas esperanças.

—Bem, se acha que está cem por cento recuperado, não vou lhe impedir, apenas recomendaria sair de noite.

—É claro, não sou burro— O lobo respondeu friamente, e quando ia fazer um movimento no braço, acabou sentindo uma dor incômoda e não conseguiu conter a expressão negativa.

—Ainda está sentindo dor?— Sandy pôs o prato em cima da escrivaninha e se aproximou cuidadosamente de Leon.

—Está pulsando um pouco, mas estou bem.

—Posso... Ver melhor?— O felino ainda tinha um pouco de medo do maior, ainda mais porque era possível ouvir um baixo rosnado vindo dele.

—Pode, seja rápido.

Ele começou a movimentar o braço do lobo aos poucos com toda a cautela, e o outro não esboçou nenhuma reação grandiosa.

—Não dói quando faço isso?— Perguntou.

—Não, é apenas como uma pulsação, eu já disse que não é nada demais.

—Talvez seja muscular... Bem, não vou lhe medicar já que você não quer.

—Sim sim... — Leon revirou os olhos e se deitou na cama mais uma vez, encenando um cansaço enorme. Isso foi o suficiente para fazer o felino sair do quarto sem olhar para trás.

Sandy continuava com a expressão de tristeza que manteve desde a primeira vez que encontrou o lobo. Descendo as escadas lentamente, estava começando a se arrepender de ter trazido um estranho para sua casa, talvez sua bondade seja grande demais ao ponto de colocar a si e todos os seus amigos da vila em risco, mas havia algo que ele queria enxergar no estranho, um tipo de luz com um brilho baixo que vai representar a bondade do lobo.

Resolveu sair um pouco de dentro de casa, mas temia que Leon fosse escapar e ser capturado, ou acabar matando quem entrasse em seu caminho, então teve uma ideia para o momento: Decidiu que ele seria uma pessoa comum, ou pelo menos normalmente aceitável.

Subiu ao quarto mais uma vez e notou que Leon estava se levantando da cama, com uma raiva estampada em seu rosto.

—Onde você vai?— Sandy perguntou.

—Eu apenas ia ao andar debaixo, você também não precisa me vigiar vinte e quatro horas.

—Oh, precisa de alguma coisa?

—Um pouco de liberdade, e também de água.

—Vem comigo— Sandy deu meia volta e desceu as escadas, sendo acompanhado por Leon. O lobo teve uma visão melhor de como era casa: Estranha. Tinha uma mistura de um tom medieval com algo mais moderno. As mesas, os balcões e a maioria dos móveis eram feitos de madeira e pedra, entretanto, o piso e partes da parede continham azulejo, sem falar que havia uma televisão, o sofá tinha algumas almofadas e era estofado, havia buracos de tomadas em todos os cantos, e a cozinha era quase junta a sala. Era algo bem estranho ao seu ver, sem falar que se perguntava como as tomadas funcionavam naquela mistureba de estilos.

—Aqui— Sandy pegou um copo em cima de uma bandeja de aço, e começou a pôr a água do bebedouro.

—É uma casa bem... Exótica que você tem.

—Obrigado, você deveria ver como é o resto do local aqui, imagino que esteja muito acostumado com a floresta— Ele entregou o copo para Leon.

—A maior parte da minha vida, sim— Ele bebeu um pouco da água, que era gélida e refrescante, melhor do que a de boa parte dos lagos— Sempre preferi a paisagem de uma bonita floresta do que a de uma cidade cinzenta.

—Bem, aqui é mais uma pequena vila do que uma cidade... E como assim a maior parte?— Perguntou, bastante curioso. Leon apenas colocou o copo sobre o balcão, e secou sua boca com uma mão.

—É uma história para outro dia, não é nada demais.

—Ok... Ei, eu preciso sair para fazer algumas compras, quer me acompanhar?

—Não, obrigado... — O lobo repensou sua resposta, afinal, caminhando pelas ruas lhe daria uma boa visão de como seu plano iria funcionar— Na verdade, acho que seria uma boa eu andar um pouco, aceito.

—Bem... Só pode sair agora com uma condição.

—Que seria?

—Preciso fazer você parecer mais um lobo amigável do que um ameaçador.

—Quê? Mudar minha aparência? Sem chance.

—Não diria "mudar", apenas... Fazer alguns ajustes.

Leon suspirou. Se era para seu plano dar certo, que seja para passar por nenhum tipo de humilhação.

—Mudar o quê, exatamente?

—Bem, tirar essa corrente do seu pescoço, a touca da sua cabeça, e lixar essas garras porque estão grandes demais.

—Qualquer coisa menos as minhas garras, obrigado.

—Ei, é para o seu bem! Aliás, sempre é bom manter um tamanho aceitável de suas garras ou poderá acumular mais sujeiras.

—Bom dia mamãe— O lobo revirou os olhos— Não duvido nada que você pode me deixar mais ridículo do que está falando, esquece— Ele deu meia volta e subiu para o quarto, com uma expressão de raiva.

—Mente fechada... Hm... — Sandy começou a ter uma ideia melhor se como convencê-lo a sair de casa. Rapidamente o acompanhou para o andar de cima e viu que ele já estava sentado na cama, olhando pela janela.

Aos poucos, foi se aproximando da cama, e se sentou nela, enquanto Leon desviava a atenção do lado de fora para o felino.

—Você poderia pelo menos se esforçar para criar um pouco de confiança em mim?— Perguntou, com um pequeno sorriso no rosto.

—Não confio em você, e nem você em mim, é melhor ficarmos quites, certo?

—Confio em você, afinal, eu te trouxe para cá— Sandy se aproximou mais um pouco do lobo, que interpretou aquilo como uma ameaça— Não vou lhe fazer mal algum.

—Huh, se está dizendo... — Ele viu a mão do felino se aproximando— Não encosta em mim.

—Ou o quê?— O menor se arriscou a tocar no lobo, chegando até ao seu tórax coberto pelas roupas velhas de Leon. Por instinto, o outro quis puxar o braço dele e arrancar de seu corpo sem dó e nem piedade, mas resolveu controlar seu impulso, pois aquela mão macia e delicada dele estava o deixando mais tranquilo, como se fosse algum tipo de mágica. E não se impressionaria nem um pouco se ele realmente fosse algum tipo de mago ou alquimista naquela altura do campeonato.

—Nada, deixa quieto.

—Então, pode fazer isso por mim? Não queria te deixar sozinho— O felino afastou seu braço.

—Eu vivi a minha vida inteira sozinho, e sendo bem sincero, você não iria fazer muita diferença.

Mais uma vez, aquelas palavras machucaram um pouco dos sentimentos de Sandy. Ele não sabia se o lobo era realmente rude, ou se apenas não estava gostando da companhia do felino.

—Tudo bem... Posso sair sozinho então?— Olhou para baixo, com uma certa tristeza em seus olhos, mas sem vontade de chorar.

—Vá, talvez seja melhor assim, não me importarei com o tempo que você irá tomar,  eu consigo me virar.

Sandy se levantou da cama lentamente, e quando estava perto de descer as escadas, notou que o prato de comida que havia deixado mais cedo, ainda se encontrava com a panqueca por inteiro, com poucas mordidas e encostado perto da escrivaninha, mas isso foi o suficiente para colocar uma pequena esperança no coração do felino. Ele sabia que aos poucos iria conquistar a confiança de Leon, e não se importava de aceitar um desafio e tanto, mesmo que tivesse um tempo corrido até ele ir embora.

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Sete horas da noite, Sandy finalmente havia voltado depois de um longo dia pela cidade, se preocupando se deixou o lobo sozinho por tempo demais, ao ponto dele ter fugido ou algo do tipo.

Rapidamente entrou em sua casa e viu a sala de estar intacta, sem nenhum tipo de movimentação ou algo do tipo, e isso o deixou mais nervoso, quando deixou algumas sacolas no chão e subiu para o quarto na procura de Leon. Olhou para cada canto possível: Embaixo da cama, dentro do armário, atrás da escrivaninha, mas nada. Nenhum sinal do lobo estar por alí, talvez ele realmente tivesse fugido e sem ao menos ter deixado um aviso, o que entristeceu e criou um sentimento de ansiedade em Sandy. Todo o cuidado que teve com o outro foi rasgado em pedacinhos pelo mal agradecimento que recebeu. E não poderia fazer mais nada a não ser ficar se lamentando.

Sandy desceu as escadas mais uma vez e começou a observar sua sala, e se lembrou que até mesmo trouxe um brinquedo para Leon, pois imaginava que o instinto animal ainda estivesse dominando sua cabeça. Ele se aproximou e pegou a bolinha de uma das sacolas, e começou a apertar: Até mesmo fazia barulho.

Se sentou no sofá e continuou apertando o brinquedo, entediado, começou a jogar na porta e fazer ela quicar de volta para sua mão. O que não esperava, era que aquilo fosse atrair a atenção de alguém.

Quando jogou pela quarta vez, ouviu um rosnado vindo atrás dele, e então se virou rapidamente para a direção do barulho: Era Leon, descendo as escadas com seu olhar eletrizante.

—Leon! Eu pensei que você... — Sandy foi interrompido pelo rosnado do lobo, parecia que estava sedento pelo sangue do felino, o que rapidamente o assustou e o fez recuar... Por alguns segundos, pois quando apertou a bolinha nas suas mãos, acabou o confundindo um pouco.

—O que é isso?— Ele perguntou, ainda irritado.

—Veja por você mesmo— Sandy apertou mais algumas vezes, e jogou a bola para Leon, que instantaneamente agarrou com seus dentes e destruiu o brinquedo. Ou pelo menos tentou, sem sucesso, apenas fez mais barulho.

—Grrr...!— Ele agarrava e tentava com todas as suas forças destruir a bolinha, mas falhando miseravelmente.

—Você não vai conseguir destruir isso— Aquelas palavras irritou ainda mais o lobo, que jogou a bolinha de volta para Sandy e começou a se aproximar lentamente. O felino se sentou no chão, e devolveu o brinquedo mais uma vez— Calma...

Leon bateu no objeto novamente, jogando de volta, e os dois ficaram assim por um tempinho. Os olhos do lobo ainda eram assustadores, mas era possível notar que sua raiva diminuiu, tanto que até se distraiu com o brinquedo e sua cauda escapou de sua calça, balançando levemente.

Sandy notou que era realmente assim que o outro funcionava: De dia, uma pessoa normal com feições de lobo, de noite, era tomado por uma besta que poderia destruir qualquer coisa, mas aparentemente era fácil de domar. Talvez o chute no dia anterior o fez perder esse traço de besta pelo resto da noite.

—Eu comprei isso justamente para você— Sandy pegou a bolinha na sua vez e começou a bater ela no chão, atraindo o lobo para perto de si.

—Obrigado... — Ele se deitou na frente do felino, como se fosse um cachorro, e começou a abanar sua cauda. Mas quando Sandy tentou acariciar sua cabeça, ele começou a rosnar mais, ao ponto de o assustar quando avançou para cima de sua mão, e por pouco não o machucou.

—Desculpa, desculpa... Não vou encostar em você.

—Grrr...

—Eu... Estava pensando em fazer alguma coisa para... Nós comermos, tudo bem?

—Aceito... O de manhã.

—Hã? Não entendi... Muito bem.

—A comida... De manhã.

Ele estava se referindo as panquecas que tinha feito de manhã para o lobo. Isso o animou bastante, pensando que ele havia comido bem e gostado do que havia preparado antes.

—C-Certo! Irei fazer as melhores panquecas p-para você!— O felino sorriu, ainda nervoso pelo outro estar tão próximo ao ponto de imaginar que poderia lhe destroçar ali mesmo sem nenhum aviso, e a sua ansiedade continuava batendo.

—Heh— O lobo abriu um sorriso macabro em seu rosto, e deixou Sandy se levantar. O outro deixou a bolinha no chão e rapidamente correu para a cozinha e pegou os ingredientes para cozinhar as panquecas.


O tempo passou depressa até demais, os dois haviam terminado de jantar, e Leon estava deitado na sala, rosnando para o felino que se encontrava deitado no sofá como se estivesse o prendendo naquele lugar.

—Por quê... Você não dorme lá em cima?

—Você não manda em mim... — Leon falou baixo, assustando o felino.

—Ok, ok... Então... Boa noite?

—Noite— Ele se deitou por completo no chão, e se aquietou alí mesmo. Sandy, por sua vez, perdeu o sono dessa noite e ficou acordado por um bom tempo, pensando em como poderia ganhar a confiança dos dois lados de Leon.

Não seria uma tarefa fácil.


Notas Finais


Até o próximo capítulo! ^-^


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