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História Caindo Na Armadilha - Capítulo 6


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Notas do Autor


Eu tinha perdido parte desse capítulo ontem, que era para ter saído muito maior, mas aí fiquei tristão e resolvi postar desse jeito mesmo, desculpa ;3;
Boa leitura!

Capítulo 6 - Segredos


Sandy havia finalmente acordado, abrindo os olhos lentamente conforme sentia uma dor de cabeça meio pesada. Não se lembrava de muitas coisas da noite passada, mas ainda sabia o que o derrubou naquele momento: O soco de Leon. E falando no lobo, ele estava sentado na frente da caverna, olhando para o lado de fora com seu chapéu ao lado.

—Leon?— O felino disse, sussurrando. Sua voz ainda mal conseguia sair de sua boca, pois ainda se sentia extremamente cansado.

—Oi— Ele respondeu, virando seu rosto para o seu amigo. Sua expressão era assustadoramente séria e fechada, parecia que a qualquer momento ele ia atacar Sandy, mas apenas ficou estático.

—Por que nós estamos aqui? E por que... Você fez aquilo?

O lobo se manteve em silêncio e abaixou a sua cabeça, olhando para baixo. No mesmo instante um sentimento profundo de arrependimento se encheu dentro de si, algo que nunca havia sentido antes e que definitivamente não era bom. Arrependido porque fugiu da vila com ele? Não, arrependido porque havia o ferido sem necessidade alguma.

—Você... Me odeia?— Ele perguntou, com a voz trêmula.

—Hã? É claro que não, mas... Não precisava ter feito isso... E agora?— O outro respondeu, pensando como seria agora que ambos eram foragidos e provavelmente seriam caçados até a morte pelo seu próprio povo. Isso lhe preocupou bastante, e nem ao menos gostaria de pensar nisso a partir de agora, já que sentiu uma vontade de chorar quando as ondas de tristezas chegaram nele.

Leon de repente correu para cima do felino, o abraçando e deitando sua cabeça sobre seu tórax. O que mais surpreendeu Sandy foi essa ação repentina que apenas mostrou o quão grudento seu amigo era.

—Por favor, me desculpa... Não me deixa...

—Ei... Não vou te abandonar— O felino começou a acariciar sua cabeça, fazendo a cauda do maior balançar bem rápido. Aquilo lhe acalmou um pouco, pois ao menos tinha um companheiro confiável para esses próximos dias sombrios.

—Só quis te proteger, eu... — Leon se levantou e deu outro abraço no seu amigo, agora escondendo seu rosto sob seu pescoço— Apenas te quero do meu lado sempre...

—Wow... Se acalme— Sandy abriu um pequeno sorriso no seu rosto. Ele ainda estava um pouco triste com o que aconteceu na noite anterior, entretanto, compreendia que tudo o que o lobo quer é lhe proteger. Mas o carinho era algo totalmente novo para si vindo da parte dele, talvez considerasse aquilo até como um pequeno exagero.

—Bem... Vamos dar um passeio?

—Aceito... Qual sua rotina na floresta?

—Não é muita coisa... Mas posso te mostrar— O lobo se soltou dele e começou a andar para fora da caverna— Me siga.

Sandy foi atrás e os dois andaram juntos entre as enormes árvores presentes no local. O felino nunca antes tinha percebido o quão alto era boa parte das árvores, algumas até mesmo com frutas entre as folhas.

Depois de caminharem por um tempinho, ambos haviam chegado em frente a um lago enorme, de águas límpidas e cristalinas. Sandy nunca tinha presenciado um cenário natural tão bonito como aquele, parecia ser o principal destaque da floresta, e isso lhe encheu de energia.

—Bem, é aqui onde eu costumo tomar banho— Disse Leon, tirando o seu chapéu e colocando sobre a grama macia e de uma belíssima cor verde— Se quiser podemos tomar turnos e...

—YAY!— O felino jogou o seu chapéu no chão, tirou a camisa que estava vestindo com pressa e deu um impulso para sua corrida, chegando perto do lago, deu um enorme salto e caiu nas águas em uma pose de bola de canhão, o que assustou o lobo por sua ação. Ele costuma ser sonolento, calmo e até tímido, mas aquele definitivamente não se parecia com o Sandy típico de todos os dias.

—Você nem tirou toda a sua roupa!— Ele exclamou, assistindo o seu amigo dar pulos dentro da água.

—E daí? Faz um bom tempo que não tomo banho de lago, não quis esperar! Vem!

—Ok... — Leon tirou suas pulseiras de espinho, a corrente de ferro com algema que adorava vestir no pescoço, e entrou no lago lentamente, sem se empolgar muito como o outro. Sandy começou a nadar com pressa até chegar ao seu amigo, e sorriu para ele.

—Deveria me convidar para vir banhar contigo, é tão bom!

—Heh, nunca vi alguém além de mim estar por aqui, sinta-se honrado.

Sandy deu meia volta e continuou a nadar pelo lago. Leon foi logo atrás para acompanhá-lo, e os dois começaram a brincar por alí, jogando água um no outro, fazendo competições de quem nadava mais rápido no qual o felino sempre ganhava por pouco, saíam do lago e davam belíssimos saltos para dentro... Os dois tiveram uma ótima manhã juntos naquele lugar, e Leon parecia estar aprendendo o que significava a diversão de verdade, e melhor ainda com alguém ao seu lado, alguém que conheceu em poucos dias e já o considerava como o seu melhor amigo.



—COMO ASSIM VOCÊS O PERDERAM?— Tara gritou com muita fúria em frente a sua enorme casa— TINHAM APENAS UM ÚNICO TRABALHO QUE ERA NÃO DEIXAR ELE FUGIR, E PERDEMOS UM DE NOSSOS HABITANTES!

—N-Nos perdoe... M-Mas não tínhamos como acompanhá-lo... E-Era veloz demais e...

—Por favor, fiquem quietos— Ela respirou fundo, tentando não perder totalmente o seu controle— Não deixem ninguém saber do que está acontecendo, isso é um caso urgente e nossas vidas estão em jogo!

—Sim senhora... — Os dois guardas apenas se retiraram do local, antes mesmo de Tara ordenar. A mulher sentiu uma enxaqueca depois da pequena confusão que ocorreu alí. Se encontrava cansada, mas teria que assumir a responsabilidade de tudo o que estava acontecendo, e por bem ou por mal, precisava resgatar Sandy a qualquer custo o mais cedo possível.

Mortis estava abrindo a porta da frente e saiu devagarinho para ver como estava a sua esposa: Abalada.

—Precisamos conversar— Ele disse, se aproximando lentamente dela.

—Agora não, por favor— Tara respirou fundo, definitivamente não era o tempo certo para ela ouvir críticas.

—Olha... Você ameaçou alguém do seu próprio povo, e não é que eu esteja lhe contrariando... Mas foi um exagero.

—Era isso ou todo o nosso povo ser aniquilado, não pelo lobo, mas talvez pelos caçadores que fossem nos encontrar atrás dele— Ela se virou para o homem e cruzou os braços. Sua máscara não deixava mostrar, mas ainda era evidente a sua expressão de irritada— Não quero falar sobre isso, apenas vamos resolver tudo e fingir que nunca aconteceu.

—Ok... — Mortis suspirou, e tentou não se preocupar com sua esposa quando a viu se afastar dele, com passos rápidos e fortes contra o chão— Sandy... No quê você se meteu?


---


O sol já estava se pondo, pássaros voavam para lá e para cá procurando seus ninhos, todos os animais da floresta se escondiam e voltavam para suas famílias.

Sandy e Leon estavam deitados sobre uma rocha meio alta que se encontrava no meio da floresta. Eles olhavam para o céu e puxavam algumas conversas aleatórias sobre os dois, se conhecendo mais e mais.

—E foi assim que nossa vila foi fundada— O felino sorriu, com orgulho de ter contado a história inteira da origem de seu povo. Leon estava impressionantemente interessado por tal história, pois nunca antes havia escutado isso de alguém.

—Gostei.

—Também tem mais da nossa origem, mas são bem maiores.

O maior respirou fundo, se levantou para sentar no mesmo lugar, e olhou para Sandy com uma seriedade estampada em sua face.

—Eu tenho mais uma pergunta...

—Pode falar.

—Antes de eu fugir... Com você... Que tipo de magia usada foi aquela?

O felino sabia bem que ele se estava se referindo ao choque aplicado em seu amigo por acidente, acidente esse causado pela falta de controle no seu corpo para conter tais poderes. Logo ele também se levantou, e olhou para baixo com um pouco de remorso em revelar um segredo que não havia contado para ninguém.

—Promete que isso vai ficar só entre nós?

—Mas é claro.

—Ok... É meio difícil de explicar, mas eu sou um aprendiz de um mago que visitou nossa vila há um tempo.

—Hm?

—Resumindo, havia um do nosso povo que sabia bastante coisas sobre magias, mas era ilegal e até mesmo... "Ela" poderia banir quem praticasse isso.

Ela... Tara.

—Isso foi até o ponto dessa pessoa adoecer, e antes dela falecer, ela me ensinou bastante coisas, tanto no papel como na prática, assim, eu estudo a teoria da magia e afins em casa, mas ninguém sabe.

—Então... É isso que você escreve tanto naqueles papéis encardidos no seu quarto?— O lobo deitou sua cabeça, estranhando toda aquela explicação de seu amigo. Sandy por sua vez, juntou suas mãos, e em poucos segundos concentrando, formou uma pequena bola de energia em suas mãos, o surpreendendo.

—Isso... E tenho medo do que podem fazer se acharem no meu alçapão...

—Não se preocupe quanto a isso, nós vamos vol... — O lobisomem olhou para baixo, derrotado pelas próprias palavras— Sou um estúpido, colocando sua vida em risco por causa de mim...

—Ei... — Sandy desfez a magia de suas mãos e se aproximou do maior— Não quero que se culpe por isso...

—Não, não adianta, eu praticamente não pensei na hora que fiz isso... Apenas peço que aceite o meu perdão... — Quando estava olhando completamente para baixo, Leon sentiu uma mão de toque gentil encostar em seu rosto, e automaticamente lhe encheu de alegria.

—Eu aceito, lobinho.

Lobinho? Ele não era muito acostumado a receber apelidos estranhos, ainda mais no diminutivo. Porém não deu muita importância quanto a isso, até porque o carinho que o felino fazia em seu rosto era bom demais para se reclamar de qualquer coisa.

Enquanto os dois tinham um pequeno momento de puro carinho e afeto, demoraram para perceber que barulhos fortes de passos puderam ser escutados entre as árvores, e isso os alertaram. Começaram a descer das rochas com pressa e correram o mais rápido que puderam para dentro da caverna de Leon, que fechou empurrando a enorme rocha encostada perto da entrada.

—São os guardas... — Sandy, que tentava controlar sua respiração, sussurrou para seu amigo.

—Calma, eles não sabem de nada— O lobisomem se aproximou dele e o abraçou, fazendo ele esconder a face em seu peito— Ninguém vai machucar meu dono enquanto eu ainda estiver aqui.

—Obrigado... Hã?

Barulhos de passos foram se intensificando mais, era possível notar que as pessoas do lado de fora estavam na frente da caverna conversando sobre Sandy.

—Acha que dá para tirar essa pedra?

—Não temos tempo para ficar brincando disso, vai por alí que eu fico de vigia.

—Ok ok...

Os dois se encontraram meio tensos quanto a tudo isso. Estavam praticamente a um passo de serem descobertos, mas a rocha apenas os cobriam de qualquer suspeita. O silêncio e a escuridão que pairava dentro da caverna eram assustadoras, mas Sandy não se incomodava quanto a isso. Tudo o que deveriam fazer a partir de agora era esperar a poeira baixar, e quem sabe Leon teria a coragem de levar seu amigo de volta para casa?

Só é fácil falando.


Notas Finais


Até o próximo capítulo!


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