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História Cake - Yuil - Capítulo 2


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Notas do Autor


Heye♡ tudo bem?
Antes de mais nada peço que me perdoem, eu sumi com a foto do Yuta que queria colocar como capa, e até eu achar ela no buraco negro da minha galeria, vai ficar esse mesmo
A paz e boa leitura😘
Magá~

Capítulo 2 - While you walk away With the frosting of my heart


Fanfic / Fanfiction Cake - Yuil - Capítulo 2 - While you walk away With the frosting of my heart

Taeil nunca tinha repensado seus conceitos de beleza, até ver como os olhos de Yuta brilhavam para o pedaço de bolo diante de si.

O bolo em si não era nada tão grandioso. Apenas um quadrado de massa branca, recheado com leite condensado, frutas vermelhas e chocolate branco, coberto por creme e decorado com um solitário morango fresco. Mas o modo como aqueles olhos apáticos haviam se transformado quando o pedido simples chegara... poucas coisas poderiam ter sido tão preciosas. Ao seu lado esquerdo da mesa, seu café esfriava numa velocidade alucinante, o vapor que lhe conferia todo o ar da graça desaparecendo pouco a pouco, até não existir mais; em contrapartida, o ar gélido da noite não poderia ter afetado menos a devoção do herdeiro por seu pequeno presente. Havia se curvando sobre a mesa, o queixo repousando graciosamente sobre os braços cruzados, a cabeleira negra lhe caindo sobre os ombros numa cascata que parecia infinita, e muito mais sedosa do que poderiam ter parecido caso os fios estivessem escovados.

Perdera totalmente a noção do tempo, e mal se preocupava com isso. Sua única determinação, naquele instante, era gravar em detalhes cada mísero fio de emoção que perpassava o rosto de pedra do maior. Como era possível, que seu semblante se alterasse tantas vezes em um único minuto? A felicidade quando pousara o pires de porcelana sobre a mesa, alterada para a nostalgia profunda dos momentos que passara a observar cada mínimo detalhe da composição da fatia, girando-a lentamente em 360 graus, e finalmente a satisfação muda, enquanto o garfo de prata cortava a superfície, sem nenhum ruído.

Encarou-o, com expectativa, enquanto o via espetar a porção, os dedos pálidos tremendo levemente enquanto suspendia o talher. Seus olhos se encontraram, no meio do caminho, as pálpebras um pouco caídas fechando-se ainda mais, quando subitamente ele alterou a direção da garfada. Taeil travou, seus olhos recaindo sobre aquilo que, tão silenciosamente, ele lhe oferecia.

Sua mente viajou anos no tempo, diretamente para os tempos de sua juventude, seus primeiros dias como auxiliar de medicina ali mesmo, naquele hospital. Era apenas um adolescente de mal completos dezessete anos, que viera para o Asclepium por insistência do pai; recordava que tinha aversão total a agulhas, pânico de sangue e nojo dos cortes e ferimentos dos doentes que entravam pelo pronto socorro. Mesmo no consultório de seu pai, onde passava a maior parte do tempo, era comum que aparecesse alguém precisando de ajuda mais especializada, algo que só poderiam ter sendo atendidos pelo próprio deus. A medicina ainda não era tão popular entre os estudantes uranianos, de modo que faltava quem atendesse a maior parte dos doentes e acidentados, fato que inspirara Asclépio a tentar despertar os dons do filho mais novo; seus irmãos eram médicos, e já tinham suas carreiras e postos no panteão olímpico como deuses menores, auxiliares na nobre tarefa prestada por seu pai. Sua irmã gêmea vivia importunando o pai para que lhe ensinasse a fazer uma sutura com maior perfeição, ou identificar uma moléstia apenas pelo aspecto das íris de seu paciente, mas Taeil não sentia vontade de fazer nada disso.

Achava-se patético, quando tinha em mais uma simples seringa, um perigo para a segurança pública do Domo se lhe dessem um bisturi. Definitivamente não se via fazendo algo do gênero, nem naquela, nem na próxima vida. E não via como aquilo poderia ajudá-lo a tornar-se popular, porque sim, era um filhinho de papai preocupado com a popularidade naquela época... ainda que não fosse pelos motivos tradicionais. Tendo crescido junto de sua mãe, nas terras que pertenciam ao Reino de Pã, convivera desde sempre com as ninfas - que por sua vez o haviam importunado desde cedo por causa de sua beleza; aos seus próprios olhos e a princípio, ser bonito não era nada de mais, se não um atributo físico que lhe fora permitido pelo Destino e, quem sabe, por sua árvore genealógica privilegiada. Mas conforme o tempo passava, ia se dando conta do que realmente queriam dizer. E fizera de seu rosto um instrumento de persuasão, como tantas vezes era narrado nas histórias antigas, conseguindo obter de quem quer que fosse aquilo que desejava, graças ao seu dom de Afrodite; mas a deusa deveria estar em discordância com suas atitudes, ou apenas querendo se divertir, porque em um único ponto seus dotes não lhe ajudavam em nada.

Assustara-se, quando percebeu que sua influência não tinha poder nenhum sobre ele, que as artimanhas que levava como infalíveis há anos não surtiam nenhum efeito; seu coração não perdia o compasso quando se aproximava, sua voz não tremia, seu olhar não oscilava. Ao contrário, ele parecia ficar ainda mais fechado, sempre que surgia em seu campo de visão. Embora não compreendesse porquê, não tardou a entender que o queria longe, principalmente depois que cometeu o erro irremediável de tentar forçar algo; fora logo depois daquele evento fatídico, para ambos, que havia aceitado a oferta de seu pai de tornar-se o segundo na direção do hospital, e para tanto mergulhou de cabeça no ofício durante décadas, não se permitindo um único segundo de proximidade com ele, enquanto conseguia evitar. Acreditava que o tempo o teria feito esquecer sua falha, ou amolecido seu coração para seu pedido de desculpas - que não poderia ter sido mais sincero; mas, quase um século depois, quando tornaram a se encontrar, nada havia mudado. Ele ainda o encarava com hostilidade, seguia provocando-o com as mesmas falas que não conseguia suportar, sem rebater na mesma agressividade, e a tensão entre eles continuou, arrastando-se através do tempo. Nesse meio tempo, tornara-se promíscuo, as restrições que impusera a si mesmo enquanto se preparava para assumir o lugar do pai na direção do Asclepium desmoronando como uma escultura de areia e sendo levada pelo vento; acostumou-se aos meros encontros casuais, com pessoas que não lhe significavam mais do que um par de luvas descartáveis, blindando seu coração para o sentimento que já o havia arrasado uma vez, e que agora derretia suas cadeias de ferro, novamente.

Tudo porque ele estava ali, diante de si. E mesmo que ele não o olhasse com nada mais do que apatia e a morbidez que lhe eram características, Taeil não poderia estar mais certo de que cometera uma falha ainda mais colossal ao pensar que poderia, sobretudo a contragosto, arrancar Yuta de seu coração.

- Não somos tão diferentes, doutor Moon. - murmurou ele, tombando levemente a cabeça para um dos lados. Os fios escuros acompanharam o movimento, a pele leitosa de seu rosto sendo acariciada pela luz. - Nós dois usamos as pessoas, as utilizamos como queremos e depois descartamos, como se fossem pedaços de bolo velho.

Baixou os olhos para a mesa, seus dedos brincando com o talher de prata em sua mão. Migalhas do doce caíram sobre a mesa, enquanto ele parecia esperar por uma atitude sua, em vão, porque não conseguia se mexer; a certeza de que seus pensamentos haviam sido ouvidos fez com que seu estômago tivesse um espasmo nervoso, a adrenalina correndo em suas veias em uma velocidade alucinante. Seus punhos se fecharam sobre o mármore, os nós dos dedos ficando marcados tamanha a força que impunha ali, para que não tremesse. O garfo produziu um tilintar agudo quando se encontrou com a porcelana do prato, o pedaço de bolo intacto na ponta, os dedos longos e esguios brincando com a manga comprida.

- A grande diferença... É que um de nós pode se livrar disso, e o outro não. - murmurou, em tom de confidência. Ergueu os olhos para Yuta, que tampouco o encarava, profundamente concentrado em retirar as lãs que se desprendiam de sua roupa, e um ou outro fio de linha. - Você pode se libertar desse fardo. Por que não o faz? - questionou-o, e estava explícito em seu tom que se tratava de uma retórica. Ainda assim, a mente de Taeil formulou uma resposta. Por que não se libertava? Talvez porque não sentisse vontade, nem falta do que tinha antes; pensava que tivesse se acostumado com o que tinha naquele momento, e possuísse receio demais de assumir uma mudança tão brusca, quanto retornar ao seu antigo eu. Não havia motivos para sofrer como antes, quando poderia simplesmente se conformar com o que tinha naquele momento. Então por que não se conformava? - Você pode fazer isso quando quiser, porque só depende de você mesmo, de ninguém mais. - continuou, e sentiu que deveria dizer-lhe que estava errado.

Não havia motivos para votar atrás, simplesmente porque isso não apagaria os erros de seu passado. Não o faria confiar em si novamente. Não mudaria nada entre eles.

- Há coisas que não dependem de nossa vontade. - sussurrou, e sua voz pareceu-lhe mais cansada do que nunca havia soado. Seus dedos se fecharam em torno do garfo de prata mais uma vez, sua mandíbula trabalhando rapidamente na pequena quantia de bolo; a fatia foi novamente cortada, com a mesma delicadeza, e pouco a pouco reduziu-se até que não restasse mais do que migalhas sobre o pratinho de porcelana fria. Como não haviam restado mais do que migalhas de ambos, após séculos daquela briga infundada que só os destruía.

Porque Taeil poderia não saber por enquanto, mas debaixo de todo aquele açúcar e da postura fria e inabalável de Yuta, havia um coração cansado de tanta dor.

~~~🍮~~~



Notas Finais


Acabou tomando um rumo um pouco diferente do que eu tinha planejado originalmente, mas eu espero que vocês tenham gostado e compreendido.
Até a próxima quarta♡

https://www.spiritfanfiction.com/historia/angels--seulrene-16284569

Magá~


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