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História Cake, Balloons and...Trans - Capítulo 1


Escrita por: e Yoonlight_


Notas do Autor


Olá, aqui é a @Yoonlight_ novamente em mais um ciclo pra vocês, eu adorei escrever essa história no Tavers.

Boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo único: Fly, my beautiful butterfly.


Fanfic / Fanfiction Cake, Balloons and...Trans - Capítulo 1 - Capítulo único: Fly, my beautiful butterfly.

Vou ser direto, não me lembro exatamente de quando tudo começou, se teve ou não um início bom. Algumas lembranças estão vagas em minha mente, outras não passam de um borrão branco que toma espaço em meu cérebro. Deixe que me apresente corretamente, sou uma garota transexual de 18 anos. Descobri o meu gênero no auge dos meus 12 anos, meio novo, eu sei! Mas, fazer o quê? Para alguns vem mais cedo.

Segundo a Wikipédia, Transgênero é a pessoa que não se identifica com o gênero que lhe foi dado quando nasceu, no meu caso, eu sou um "homem" que não se identifica como tal. Têm vários métodos dolorosos para a transição de gênero. Acho que tudo que leva o nome "transição", que é sinônimo de transformação, é doloroso de alguma forma.

Vou ser sincero com todos, tenho medo do que meus pais, parentes e amigos irão pensar ao saberem da minha sexualidade, por isso a guardo às sete chaves, é o certo a se fazer? Não, não é! Mas, veja, se estivesse no meu lugar talvez entenderia, e eu não perderia meu tempo tentando explicar. Enfim, sou o mais novo em uma família de seis, sou o quarto filho e as outras três são trigêmeas. Meus pais são bem ocupados e no final de semana se ocupam com mandamentos da religião deles, não sou contra eles, respeito, contanto que respeitem minha opinião de ficar fora desses mandamentos. "Isso colabora com o seu medo?" Sim, colabora! Tanto que é um assunto que não vamos discutir muito.

Ouço meu despertador tocar e desço correndo, acontece às vezes, acordo mais cedo que a máquina e me arrumo para a escola. Na mesa, meus pais estão conversando sobre algo relativo ao trabalho, ignoro o assunto, e saúdo a todos com um bom dia, nada entusiasmado.

— Bom dia! 

Pego uma maçã e saio sem esperar as respostas dos mais velhos, não me julgue, eu os amo, são meus progenitores afinal, mas, sei lá, é estranho compartilhar o desjejum com eles. Corro até a esquina, encontrando meu melhor amigo, vulgo Kim Taehyung, me esperando, os fones pendurados pela camisa um tanto amarrotada e os fios azulados um tanto rebeldes são inconfundíveis. Sorrio, já me sentindo mais relaxado, e aceno para o maior, ele não é muito grande, só um pouco mais alto. Nada muito alarmante.

— Oi! — Sorriu abertamente e me aproximo. — Bom dia... Dormiu bem, Tae-ssi?

Pergunto enquanto andamos nosso caminho diário até a escola.

— Bom dia, Hoseok. Dormiu bem? Você comeu? 

Admito deixar um risinho escapar quando sinto o breve selar em minha bochecha, adoro esses beijinhos repentinos que o garoto me dá. É uma pena não conseguirmos manter sua sexualidade longe dos meus pais, mas não vou deixar eles me separarem do moreno. 

— Uhum! Dormi bem sim, obrigada! Já tinha feito as lições no início do final de semana, então tive todo o tempo livre.

Esfrego a mão sobre a calça para esquentá-las, pois do nada o clima esfriou. Estamos na primavera, sempre foi uma das minhas estações preferidas, uma breve brisa leva meus cabelos para trás e faz algumas pétalas soltas de um tom de rosa bem leve voarem pelo ar.

— Eu dormi sim, Tae-ssi, e me alimentei muito bem! Comi uma maçã.

— Você deveria ter tomado café da manhã, Hoso — ele disse simplista — Pelo menos trouxe algo para comer? — Neguei com a cabeça, vendo o maior bulir em algo dentro de sua mochila e tirar de lá um sanduíche enrolado em plástico filme. — Toma, eu trouxe para meu almoço, mas não quero você passando mal.

Cogitei negar, mas Taehyung era persistente, desse modo, suspirei baixo e aceitei o agrado, minhas glândulas gustativas quase entraram em colapso, era sanduíche de queijo e cogumelo com molho de Caprese, é, literalmente , ketchup e maionese misturados, além de uma colher de chá de mostarda.

— Você não trouxe para o almoço, você prefere o ketchup e a maionese separados. — Rio baixo, mordendo um pedaço do sanduíche. 

Ele riu, concordando e murmurando algo como “É difícil te enganar, solzinho.”

— Você fez as lições? — O olhei enquanto limpava a boca. — Eu fiz as minhas no começo do fim de semana. 

— E você, inteligente como sempre, hm! Fiz todas as lições na pressa ontem de noite... Então nem dormi direito. — Ouço uma risada baixa vinda do garoto,  e assinto, logo em seguida, fazendo um biquinho.

— Você deveria tomar mais cuidado com suas notas, cabeça de vento. — Rio baixo. — Amo a primavera... É tão linda... Você não acha? — Depois que meus pais me proibiram de ver meu melhor amigo, chorei por alguns dias, o Kim sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida, não me lembro de nenhum momento dela sem a presença do loiro. 

— Você sabe que eu amo a primavera, foi a época em que nos conhecemos... Não se lembra?

Sorri pequeno para o maior, e logo senti ele segurando minha mão e entrelaçando nossos dedos. Eu sabia que Taehyung sempre foi bem carinhoso, e que sempre gostava de andar de mãos dadas comigo. Ainda assim um leve arrepio correu pelo meu corpo quando o loiro enlaçou nossas mãos, eu já havia me acostumado, mas as mãos do Kim são quentes e bastante macias, tão acolhedoras quanto os abraços dele, estes que são simplesmente meu lugar favorito em todo o Universo, quando eu o abraço sinto todo o meu mundo sobre minhas mãos, como se eu pudesse ter pleno e total controle sobre eu mesmo.

— Oh sim... Eu me lembro disso, foi no comecinho da primavera, lembra do que eu disse? “Seremos eu e você contra o mundo…”— O sorriso não sai de meu rosto. Aquele passou a ser nosso bordão desde então. Eu e Taehyung contra o mundo, sempre. Éramos crianças na época, não sabíamos a força que isso tinha... mas agora nós dois temos plena noção do quanto um era importante para o outro.

— E sempre será eu e você contra o mundo! — ele diz tocando meu nariz e ri. — Quer ir lá pra casa depois das aulas? Mamãe fez torta.

— Eu vou… mas para ver a tia, não para comer torta. 

Rimos juntos, percebi alguns olhares do Kim sobre mim, já havia me acostumado, ele sempre foi uma pessoa observadora.

— Hoso… não estou afim de ir à escola hoje — ele murmurou, olhando a paisagem primaveril. — Vamos cabular aula?

O encarei assustado, Taehyung sempre fora uma péssima influência? ‘Tá certo que a cada semana ele entrava num relacionamento diferente com a desculpa de não estar satisfeito com ninguém. Mas enfim, estávamos em  frente à escola, se tinha o momento certo para fugir era agora. Sorri de lado, talvez me arrependa depois, mas… melhor se arrepender do que passar vontade! 

— Você sabe que não resisto quando me chama de Hoso, não sabe? — O vi balançar a cabeça como um cachorrinho esperando o “sim” de seu dono. — E sabe que irei me arrepender depois e te culpar, não é?

— Sim, mas eu te dou sorvete depois, aí você volta a falar comigo.

Nego com a cabeça e rio, o puxando para continuar o caminho até o cais da cidade. Era um lugar calmo, eu gostava dali e ele também. 

— Você irá arranjar um jeito de eu conseguir a matéria que perdi hoje! — murmurei, me sentando de frente para o mar, acompanhado pelo Kim.

— Eu peço para a Juh emprestar para a gente! 

Ele respondeu, cruzando os braços, imitando meus movimentos, odiava quando ele falava da Juh, ela é cínica! Não gosto dela e ele sabe disso.

— Esqueça, eu mesmo peço para o professor! Ah, aqui ‘tá muito chato! Vamos ao parque? Voltou à cidade hoje.

Me levantei e corremos para o parque. Tivemos uma tarde divertida, tiramos fotos na cabine e dividimos um algodão doce. Foi divertido, depois fomos para um campo, Taehyung adora esses lugares. Ficamos um tempo olhando as estrelas sem fazer nada, ouvi o Kim cantarolar uma música, eu a adorava… Suspirei fundo, fechando meus olhos e o abraçando, não me lembro bem o que aconteceu, sua respiração estava tão próxima... Ele estava tão perto… Tão meu…

Acordei na manhã seguinte e logo reconheci o cheiro do Kim ao meu redor, ainda estava com a farda da escola? Cocei a nuca e me levantei, caminhando pelo quarto, ele me trouxe pra cá? Olhei o calendário… 18 de Fevereiro?! Meu aniversário! Tirei a farda do meu corpo, tomando um banho frio e abrindo o guarda roupa do maior, procurei uma roupa dele para usar. Optei por uma camisa amarela e uma bermuda solta, junto a uma faixa de cabelo e desci correndo para falar com meu amigo e com sua mãe.

— Olá! Bom dia! — Sorri, sendo recebido por alguns balões que flutuam próximo ao teto e um enorme bolo.

— Feliz aniversário, Hoso-ah! Tenho um presente pra você, mas só darei mais tarde. — Ele sorriu, me fazendo sorrir também. 

— Meu menininho! Eu te vi crescer e agora está fazendo 19 anos. — A Senhora Kim me deu um abraço apertado e caloroso. Eu a adoro, ela trabalha como enfermeira e sempre me trata muito bem quando eu venho.  — Eu adoraria ficar mais, mas tenho que ir ao hospital.

Ela suspirou e eu deixei um beijo em sua bochecha.

— Tudo bem, tia. Pode ir, se cuida! — Sorrio, acenando e  vendo-a sair vestindo seu jaleco. — E meu presente, Tae-ssi? — Me viro, estendendo as mãos.

— Lá em cima, no meu quarto. — Subo as escadas — confuso — um tanto rápido, afinal não havia visto nenhuma caixa quando eu saí do cômodo. Ao entrar, me deparo com uma caixa rosa em cima da cama, um lacinho vermelho se destaca ao topo, me fazendo sorrir: “Que fofo”. Pensei e caminhei até a caixa, a abrindo devagar e tirando um pequeno embrulho incolor, o qual tinha um tecido branco, estranhei, me desfazendo do embrulho e vendo uma saia branca com pregas e cintura alta. 

— O quê... — O encarei, seu rosto estava sereno, Taehyung me encarava com um sorriso de lado. — Taehyung! 

Choraminguei, ele é o tipo de pessoa que usa as entrelinhas para nos dizer algo importante. Então, ele sabia? Ele… sabia! Me aproximei do mais alto e ele acariciou minha bochecha. 

— Você sabia? — Solucei baixo, abraçando-o.

—  Sim, eu sempre soube, tentei esperar para você me falar mas você não contava. Decidi então te mostrar que já sabia e que lhe apoiava, independente da forma ou do sexo o qual você se sente à vontade. Voe, minha linda borboleta, e se cair eu estarei aqui pra te pegar nas mãos e te levantar ainda mais alto que qualquer montanha. 

Segurei sua mão, beijando-a e abracei o Kim. Senti seus batimentos cardíacos próximos ao meu ouvido, não me importava quando, nem como ele descobriu, eu já disse antes, Taehyung era observador, ele descobria as coisas antes mesmo de eu falar, e via minha lágrima antes mesmo dela escorrer em minha bochecha. Sentir seus braços sempre me fizeram sentir-me transparente, e sentir seus braços agora faz meu coração bater forte. 

— Você é minha linda borboleta… e eu te amo tanto… você consegue entender, minha Evangeline?! 

Corei, escondendo meu rosto em seu peitoral. Taehyung não me cobrou uma explicação, pelo contrário, me deu coragem para fazer algo que eu nunca cogitei fazer… Ele me mostrou que talvez eu não precisasse ter medo, ele estaria comigo.

Aquela tarde foi a melhor da minha vida, no meu aniversário eu ganhei o melhor presente da minha vida. Os braços do meu melhor amigo me seguraram e tenho certeza que continuarão me segurando. Eu não me assumi para meus pais, não porque me falta coragem, mas porque não sinto que seja o momento certo. 

Mas, independente de tudo… sei que sou diferente, e isso não me importa. Algumas pessoas nunca precisaram ser chamadas de nada e sempre foram, e sempre serão, especiais para outras pessoas.

Não lhes deram fórmulas certas, porque elas não esperavam acertar. Não lhes mostraram o que esperavam delas, porque elas, assim como eu, decidiram seguir seu coração! Não lhes  fizeram ser o que não eram, e não lhes convidaram para ser igual, porque simplesmente somos diferentes!

Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre!

Eles podem até me empurrar de um penhasco, e eu vou dizer: "— E daí? Eu adoro voar!". É como Taehyung me disse, eu sou sua borboleta e um dia me verei livre desse casulo, pouco a pouco me descubro e me aceito mais. E sinceramente, estou em paz.

Fim? Isso é apenas o começo.


Notas Finais


Obrigada à toda a equipe do TaVers, vocês tem todo o meu coração! Espero estar aqui para fazer parte de muitos outros ciclos.
Quero agradecer à @jiminstrip, por betar essa fanfic — sem você essa história não seria nada! —, e à @ackermoon, por ter feito essa capa maravilhosa — você é tão talentose!
Obrigada também a você, pequeno Soul, por ter lido até aqui — essas histórias são para você!


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