História Caleidoscópio de Retalhos - Capítulo 10


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Notas do Autor


Todos os personagens do Zodiaco dessa historia pertencem ao universo Batatiras, criado por Jonnhy Jota, ou Alec Drummond.

Capítulo 10 - Simetria


Capítulo IX - Simetria

"Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista; trarão vida a você e serão um enfeite para o seu pescoço. Então você seguirá o seu caminho em segurança e não tropeçará; quando se deitar, não terá medo,e o seu sono será tranquilo."

Provérbios 3:21-24

 

"Prazer", dizia o homem enquanto agitava sua mão, "Sou Manni Lapel".

Peixes estremeceu ao ouvir do nome.

Manni Lapel.

Os olhos escuros amendoados continuavam pousados sobre ele, com todo o peso do mundo. Sorriu para a mulher ao seu lado.

"Eu cuido disso", disse baixinho, ao que ela saiu do saguão, indo em direção à sala de jantar.

Sagitário deu um passo a frente, a fim de ficar lado a lado com Peixes.

"Venham comigo", ele disse, estendendo a mão para tocar o ombro do mais novo, ao que Sagitário friamente impediu, afastando-o.

Peixes engoliu em seco. Sentiu o gelo percorrer sua espinha enquanto pensava em como chegar rapidamente à saída mais próxima. Todos os músculos de seu corpo lhe diziam que ficasse, que não fosse a lugar algum com aquele homem, mas o olhar calmo e ameaçador do outro não o deixava escolha.

Olhou para Sagitário, ao que ele apenas acenou com a cabeça. Seguiram o homem pelo corredor mais largo até uma porta dupla, de madeira, a que ele abriu com uma chave de bronze.

Dentro da sala, uma mesa de escritório esculpida em carvalho, além de três cadeiras acolchoadas. Manni moveu-se para a cadeira trás da mesa, molhando uma pena no tinteiro e começando a escrever o que parecia ser um relatório de ocorrência, enquanto os outros dois permaneceram de pé.

Sagitário analisava o ambiente. A sala não era muito maior que o quarto onde eles estavam hospedados. Postou-se próximo à janela, e concentrava-se nos movimentos do louro enquanto montava incontáveis rotas de fuga em sua cabeça. Curvou-se ligeiramente, como preparado para correr a qualquer instante. Não seria surpreendido novamente. Não dessa vez.

Peixes estava de pé entre os dois. Não movia um músculo, os olhos azuis apertados fixos em Manni. Observava suas feições, estranhamente familiares; o rosto pálido, marcado e definido, os olhos pretos intensos, os cabelos longos e cor de mel. Onde já o vira antes?

Tentava ao máximo não se perder em seus pensamentos enquanto o encarava. Não se ouvia uma única respiração na sala, nenhum som além da pena de Manni riscando violentamente o papel amarelado. De repente, ele quebrou o silêncio.

 “Seres humanos são criaturas estranhas”, ele começou. “Vivem por 80 anos, 90, no máximo. Suas vidas são um cisco, um grão, irrelevantes no plano das coisas. São como uma faísca que acende por um breve momento e depois se apaga para todo o sempre”. Franziu o cenho, pensativo. “Depois que morrem, só restam lembranças dos parentes e amigos, mas elas se vão depressa. Então, existem as evidências materiais de sua existência, mas mesmo essas dissipam-se com o tempo, e os átomos que o compunham passam a compor outras coisas: outro humano, um animal, um carvalho elegante ou mesmo um quadro de parede. Não importa. O resultado é sempre o mesmo. Não existirão evidencias de que um dia você existiu”. Ele juntou as mãos, os olhos encarando a parede oposta. “Alguns humanos sabem disso. Sabem que a chama da vida vai se extinguir, sabem que serão esquecidos, e tentam desesperadamente deixar marcas no mundo. Alguns conseguem. Sócrates, Pitágoras, Tales. Nomes imortalizados na tradição humana. Ainda há aqueles que escravizam contingentes de população para deixar sua marca. Erguem monumentos, muralhas, palácios e impérios para preservar sua memória. Não sabemos os nomes dos escravos que carregaram os blocos, mas sabemos o nome do rei que deu essa ordem. Hoje, humanos ainda tentam deixar suas marcas no mundo. Poemas, livros, documentos, bilhetes e cartões postais. Todos os humanos deixam sua marca por onde passam. Mesmo o mais miserável deles não está livre da burocracia”, ele se levantou da cadeira, sem encarar os dois. “Por isso, desconfiei de vocês quando vi o quarto”.

Peixes engoliu em seco. Os ombros de Sagitário enrijeceram, e ele apertou os lábios. O homem viu no silêncio um convite, e continuou:

“Não tinha nada que denunciasse o que vocês eram, é claro, mas irmãos que viajam juntos não deveriam ter um álbum para guardar as memórias? Um retrato que seja? Souvenirs?”. De repente, o rosto tornou-se escuro, e um sorriso sádico desenhou-se em sua face. "Me deem um bom motivo para não matar vocês aqui, e agora".

Sagitário imediatamente sacou uma flecha em sua aljava, armando o arco. Preparava-se para aponta-lo para o homem, quando notou que este não estava mais em sua posição inicial.

Ele estava atrás de Peixes, os dedos tocando levemente sua jugular.

Ele o estava usando de escudo.

“Impressionante. Você é rápido para o seu tamanho. Quanto tempo levou para armar essa flecha? Um segundo?”, Manni começou, olhando para o moreno, na parede oposta.

“Afaste-se dele. Agora. Você sabe que eu conseguiria acertar você mesmo se eu estivesse a 300 metros de distância”, Sagitário disse, entredentes.

“E você sabe muito bem que eu conseguiria matá-lo antes que sua flecha estivesse na metade do caminho”, o outro respondeu, o sorriso não tinha se desfeito.

Peixes estava imóvel. Concentrava-se nos dedos frios do caído em seu pescoço, enquanto tentava limpar sua mente de qualquer emoção que estivesse sentindo. Olhou para Sagitário, que focava-se em Manni, tentando mantê-lo na mira, ao alcance de sua flecha.

“Ele é importante para você, não é?”, começou o louro. “É mais que um companheiro de equipe. É verdadeiramente seu irmão.”

Sagitário não reagiu. Mantinha a expressão séria, a testa franzida. A corda fria de seu arco tocava-lhe a boca, e o penacho de sua flecha roçava seu rosto, na arma retesada para tiro.

Era um impasse.

Se Sagitário atirasse, Manni o mataria, e morreria pela flecha do moreno, na impossibilidade de se esquivar. Se ele não atirasse, poderiam ficar ali por horas, até um dos caídos aparecer e colocar em risco o equilíbrio delicado e frágil em que estavam. A única vantagem concedida a Manni era ele próprio.

Não se mostre uma presa fácil. As palavras de Scorpio ecoavam em sua cabeça.

Jogaria o jogo dele.

Rapidamente, apertou o ponto de ligação da mão do louro em sua jugular, que reagiu imediatamente à dor, usando a mão ociosa para tentar agarrar Peixes, que se esquivou. Afastou-se de imediato, enquanto deixava limpa a mira de Sagitário sobre ele.

Estreitou os olhos enquanto sorria com desdém.

“Não temos tempo para ameaças vazias, Manni”, começou ele. “Shahid disse que você tem algo para nós”. Esforçava-se para manter sob controle a voz oscilante e respirava fundo, numa tentativa falha de acalmar o coração palpitante que parecia não querer mais estar em seu peito. Com Sagitário no controle do caído, moveu-se livremente pela sala, pegando a pena no tinteiro que o homem usava anteriormente e desenhando na palma de sua mão o símbolo que Scorpio mostrara; uma linha fina, volteada sete vezes, como gumes de uma faca.

Levantou a mão desenhada, a fim de que o caído pudesse vê-la.

Manni o encarava, atordoado. Franziu o cenho, antes de cobrir o rosto com uma das mãos  enquanto seus ombros sacudiam com violência.

Ele estava rindo.

“Agora vejo por que ele é importante para você”, disse, voltando-se para Sagitário. “O garoto é uma figura!”, continuou, ainda gargalhando.

Peixes estava desconcertado. Como alguém conseguia ficar tão à vontade sob a mira de uma arma? Como conseguia rir nessa situação?

O louro se recompôs lentamente, respirando fundo algumas vezes. Peixes observava intrigado sua expressão suavizar, o rosto menos endurecido. Foi com espanto que conseguiu resgatar a memória sobre a familiaridade.

“Você é Gadrel”, disse baixinho. “Tem um retrato seu em um dos corredores do Primeiro Reino”, disse, lembrando-se dos diversos anjos retratados nos corredores a caminho da sala de Capricórnio.

O outro estreitou os olhos.

“Faz tempo que não sou chamado assim”. Ele virou-se para Sagitário. “Importaria-se de abaixar a arma? Estamos do mesmo lado agora.”.

Sagitário olhou para Peixes, que acenou com a cabeça, sorrindo de canto de boca.

Abaixou o arco depois de alguns momentos, guardando de volta a flecha na aljava.

Caminhou em direção ao louro, a cabeça abaixada, o rosto escurecido. Levantou os punhos cerrados e acertou-o no rosto com força, marcando em sua face os nós dos dedos. O outro o encarou, incrédulo.

 “Eu não vou esquecer que você o usou para me atingir”, começou o moreno. “Se ameaçá-lo de novo... Se ousar fazer isso... Eu vou matar você.”, disse, quase num sussurro. Seus rostos estavam a centímetros um do outro. Sagitário mantinha os olhos estreitos, negros como betume, concentrados inteiramente nos do caído. A boca de Gadrel contorceu-se num sorriso discreto.

“Eu acredito em você”, respondeu, finalmente, a que Sagitário se afastou, postando-se ao lado de Peixes, que tinha o rosto corado.

Gadrel passou a mão ociosa no rosto, analisando o novo hematoma. Moveu-se em direção a cadeira trás da mesa, e sentou-se, gesticulando para que os outros dois fizessem o mesmo. Ficaram em silêncio por alguns momentos, antes que o louro o quebrasse.

“Shahid, ou melhor, Scorpio, detestava isso.”, ele começou. “Fugir o tempo todo, ser privado de liberdade, não era com ele. Imagino que ele não condenaria ninguém a uma vida assim”. Ele brincava com a pena sobre a mesa, girando-a entre os dedos. “Mas quando você disse que ele os tinha enviado, de repente, tudo fez sentido”, ele disse, olhando para Peixes. “Antes de você se desvencilhar de mim, achei que era a criatura mais frágil do mundo. Eu poderia dizer pelo modo como seu amigo me afastou quando tentei tocá-lo pela primeira vez. Como se fosse um boneco de porcelana e se quebrasse ao menor estímulo”.

Peixes enrubesceu. Apertou os lábios enquanto colocava para trás as mechas soltas do cabelo. Sagitário encarava o homem, fuzilando-o com os olhos. 

“A era das trevas foi uma das passagens mais escuras na história de todos os reinos. Incontáveis vidas foram perdidas na guerra, dos dois lados. Eu era um dos principais anjos da guarda dos serafins. Era responsável pela proteção de Metatron, junto com Azazyel, meu parceiro.”

Os olhos se iluminaram brevemente ao citar o nome deste.

Anjos guardiões eram desde os primórdios de suas existências treinados em combate. Logo nos primeiros anos de vida, designavam-se parceiros a cada um deles, com base em suas habilidades. Pelo resto dos tempos, os dois designados lutariam juntos.

Naturalmente, laços fortes desenvolviam-se entre parceiros. Um conhecia intimamente o outro, e não demorava muito até que passassem a lutar como uma só entidade.

“As regras eram rígidas. Centenas de anjos eram atirados do céu pelos menores motivos. Irracionalidade e paranoia dominavam as mentes dos serafins e arcanjos, e tudo o que os menores na hierarquia podiam fazer era esperar o veredito cruel sair da boca dos superiores. O clima era de pura tensão. Palavras como “traição” e “deslealdade” foram banalizadas, e a injustiça reinava no que deveria ser o Paraíso. Mas, como um vulcão esperando para eclodir, tudo mudou quando uma estranha passou pelos portões do Primeiro Reino”

Ele sorriu de canto de boca, lembrando da cena.

“Os arcanjos logo a atacaram, mas ela sabia se defender. Lutou bravamente, mas foi capturada. Não era um demônio, tampouco um súcubo ou uma caída. Ela era um receptáculo. Hospedava em seu corpo diversas entidades, desde espíritos a deuses menores.

Entendam, o mundo não funciona da maneira como vocês foram ensinados. Eu e você somos apenas uma das criaturas celestiais que servem a um dos criadores de um dos universos possíveis. Existem muitos outros tipos de criaturas, muitos outros seres poderosos. O que os serafins alegam ser o criador do universo pode ser um mero zelador, um mantenedor da vida.”

Peixes estremeceu diante da torrente de informações. Outros universos e deuses? Aquilo era mesmo possível?

“Claro que os arcanjos não lidaram bem com isso. Se o temor por uma criatura onipotente era tudo que mantinha os anjos de baixa hierarquia sob controle, agora, eles o tinham perdido.

A garota foi interrogada várias vezes. Mutilaram-na, torturaram-na, violaram-na. O corpo dela, antes forte, não conseguia mais sustentar em seu interior nenhuma alma além da dela. Quando ela perdeu o valor, descartaram-na. Ela foi condenada à morte por ‘praticas pagãs’.

Mas aquilo foi a gota d’agua, o estopim.

Os anjos encarregados recusaram-se a matá-la. Em protesto, libertaram-na e cortaram as próprias asas, fugindo para o mundo humano. Devolveram a garota para o mundo dela e começaram o que viria a se tornar a liderança dos caídos. A guerra começou.

Não demorou para que Azazyel e eu começássemos a espionar para os Caídos. Como anjos da guarda pessoal de Metatron, éramos altos na hierarquia e tínhamos permissão de ir e vir do mundo humano quando quiséssemos. Azazyel buscava informações e confiança das pessoas certas. Ele também ensinou aos homens como forjar armas com nosso metal. Eu os treinava em combate.

Não sabíamos muito sobre aquele mundo. Azazyel estava fazendo um bom trabalho investigativo, mas progredíamos a passos lentos... Até encontrarmos aquela garota que tinha invadido o Primeiro Reino, o receptáculo. Ela era filha do curandeiro de uma aldeia abastada. Agnes era o nome dela.”

Peixes estremeceu ao reconhecer o nome da mãe de Scorpio.

“Ela era a chave que precisávamos. O conhecimento dela se estendia a todas as áreas, e ela passou a ser de grande valia para nós.

Logo ela se apaixonou por Azazyel. Eu não a culpava, claro. Ele sempre foi muito carismático e encantador quando queria. Mas ele não correspondia o sentimento.

Lutamos juntos várias batalhas, mas numa das invasões ao Segundo Reino, os arcanjos descobriram que estávamos ajudando os rebeldes.

Minhas asas foram arrancadas. Fui condenado por ensinar os humanos a ferirem anjos. Azazyel...”, ele engoliu em seco. Os olhos marejaram por um momento, mas ele logo se recompôs. “Azazyel foi morto pelos serafins.”

Ele encarou a mesa por um instante, como se tentasse lembrar sobre o que falava.

“Agnes ficou desolada. Eu me sentia responsável por ela, de alguma forma. Passei a olhar por ela desde então. Por isso, acolhi Scorpio quando ele chegou até aqui querendo libertá-la.”

Peixes assentiu com a cabeça, pensativo. Sagitário mordia a parte interna da bochecha, encarando-o.

“Eu, mais que ninguém, sei que a guerra não acabou. Os ânimos baixaram um pouco, é verdade, mas agora, os caídos estão mais fortes que nunca. E com mais sede de vingança também. Perdi a conta de quantos conflitos eles causaram, quantas baixas, quanto sangue foi derramado.”

Peixes franziu a testa, confuso. Apertou as mãos junto ao corpo, antes de colocar para trás os cabelos azuis.

“Você fica dizendo ‘eles’. Por quê? Você não é um caído também?”, perguntou.

Gadrel sorriu de canto de boca.

“As vezes esqueço de onde vocês vem. É claro que não saberiam dessas coisas.”, ele disse, abanando a cabeça. “Caídos são todos aqueles que transgrediram as regras celestiais. Mas, naturalmente, a unidade se dissolve com o tempo, e criam-se grupos. Hoje, o maior deles é liderado por Yekun. Esses são os mais perigosos. São os que querem vingança do Primeiro Reino. Esse é um sentimento comum a quase todos os caídos, por isso, a esmagadora maioria integra esse grupo.

Mas existem outros. Um deles deseja, acima de vingança, justiça, e preza o equilíbrio entre as forças dos Três Reinos. O principal desejo é o armistício, como o que houve no sétimo dia de criação”

Ele apoiou as mãos no tampo e curvou-se sobre a mesa, os cabelos claros caindo-lhe por cima dos ombros. Pegou a mão esquerda de Peixes, enquanto este o encarava com uma expressão confusa, e abriu sua palma, a fim de revelar o símbolo que este tinha desenhado anteriormente.

“É isso que esse símbolo representa.”, ele disse, apontando os sete gomos.

Quase podia-se ouvir as engrenagens girando na cabeça do garoto, que aos poucos processava as novas informações.

“Eu tento descobrir o máximo que eu puder dos planos de Yekun, para intercepta-lo e impedi-lo de afetar o equilíbrio. Mas nem sempre consigo. Por isso, Scorpio me ajudava”, ele continuou, levantando-se e movendo a mesa de mogno, forçando Sagitário e Peixes a irem para trás.

Gadrel moveu o tapete sob as pernas da mesa, revelando um quadrado de madeira no chão, um tampo removível.

Passou os dedos sobre as bordas, forçando-as para cima, antes que finalmente conseguisse removê-lo.

Retirou o objeto guardado com cuidado, batendo as laterais para expulsar a poeira e soprando a superfície.

Peixes e Sagitário observavam enquanto o objeto tomava forma.

Um livro.

Gadrel limpou a capa com a manga da blusa e estendeu o objeto na direção de Peixes, que o tomou nas mãos.

Ele encarava, encantado, os entalhes dourados na capa escura. O título estava escrito em ouro envelhecido, num idioma que ele não reconhecia. Folheou-o, com cuidado, temeroso de que as páginas se rasgassem ao menor toque.

Em seguida, passou-o para Sagitário, que analisava cuidadosamente o escrito.

“Essas folhas... As fibras parecem ser de álamo. Não confeccionamos folhas de álamo há pelo menos cinco mil anos”, disse, pensativo. “De quando é esse escrito?”, perguntou, mais para si mesmo.

“Não faço idéia”, Gadrel respondeu, soturno. “Isso está escrito na língua dos anjos”, disse, apontando para o livro. “E também é nosso passaporte para a mente de Yekun. O que quer que esteja escrito aí certamente é a base para o plano dele. Levem isso de volta para Scorpio. Ele vai saber o que fazer.”

Peixes o encarou por um momento. A língua dos anjos não era falada há eras. Era envolta em um véu de ambiguidades, sem estrutura para análise ou interpretação. Traduzir o escrito seria um desafio.

Sagitário enrolou o livro no manto que tinha sobre os ombros e o entregou para Peixes, que o guardou em sua bolsa.

“Tomem cuidado ao voltar. Esse escrito está supostamente desaparecido, e queremos que continue assim”, Gadrel disse, piscando. Sagitário apenas bufou.

Peixes sentiu o peso do mundo sair de seus ombros para se abrigar agora na bolsa de couro. Aquele livro era a razão pela qual Scorpio decidira trair seus superiores, e agora, o motivo pelo qual também os trairia. Sua própria família.

O azulado  engoliu em seco.

O que quer que tivesse naquele escrito, teria que valer muito a pena.


Notas Finais


Capítulo longo e com muuuita informação. Sintam-se a vontade para elucidar se não entenderam algo. Críticas são sempre bem vindas!
Obrigada por ler até aqui


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