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História Calico Cat - One-Shot - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


OLÁ!! Então, Calico Cat tinha sido escrita por mim em 2020.
Não podemos negar como foi um ano ruim, por assim dizer, então enquanto eu passava por todos os meus 28763 surtos decidi escrever essa one shot, onde o casal fica junto sem muitos conflitos, onde é tudo fofo e etc. Algo bem Disney se parar pra pensar.

Na minha cabeça um ano tão turbulento como 2020 merecia uma história leve e fácil de consumir, onde você só está lá pela fofura do casal e essas coisas, sabendo que ninguém morre, é sequestrado ou toma um tiro KKKKKKKKK

Acabou que justamente por conta dos meus surtos eu não cheguei a postar ela ano passado.

Porém, enquanto mexia nos meus rascunhos esse ano, acabei vendo ela lá (que ja estava pronta, mas não revisada) e decidi dar uma chance (eu tenho sérios problemas em começar histórias, mas nunca terminar e muita fanfic minha de 2020 sofreu isso, então ver uma que ja estava finalizada, por ser one shot, meio que me influenciou a postar).

Espero que gostem, leiam as notas finais também, lidinhos <3
(a propósito ignora essa capa da história, eu só queria colocar qualquer coisa pra não ficar sem KJBSJKSBJKBS)

🐾 #calicoebunny 🐾

Capítulo 1 - Capítulo Único - My Calico


Fanfic / Fanfiction Calico Cat - One-Shot - Capítulo 1 - Capítulo Único - My Calico

O sol brinca de esconde-esconde com as enormes nuvens desiguais que deslizavam lentamente pelo céu azul vibrante que mais lembrava um pacífico e enorme lago imaculado.

O vento, por sua vez, é quase imperceptível, mesmo em um local com muitas árvores, às vezes apenas acabava brincando sutilmente com nossos cabelos como o cumprimento de um velho amigo ou o selar em sua bochecha de uma tia querida que o reencontra depois de muito tempo.

A sinfonia, como esperado de um mundo entrelaçado ao natural e artificial, é bem variada: de cachorros e pássaros nos parques às buzinas e caminhões nas ruas da metrópole movimentada. Felizmente, naquele dia em especial, o clima e qualquer som presente não estavam em seu exagero, se fechasse os olhos certamente seria possível se perder em uma paz interna com o ambiente acolhedor que se formava ali, contudo, eu não podia fechar os meus.

Uma cabeleira loira em meio ao verde do parque não me deixava fazer tal coisa desde os últimos cinco meses em que estive ali.

Há algo engraçado em estar emocionalmente e fisicamente bem consigo mesmo, a vida e o mundo: o universo em si parece desejar que você naturalmente atinja um ponto de mudança, a paz total sendo como um aviso silencioso de que está na hora de renovar um pouco seu cotidiano monótono.

E sabendo disso, sentindo isso, especialmente desde que este garoto calado e de movimentos tranquilos começou a frequentar este mesmo parque que eu, noto essa pontada de mudança arder no meio de meu peito como uma flor se desabrochando para fora dele. Obviamente pode ser apenas um sentimento randômico que me acertou repentinamente, gases ou algo do tipo, mas eu gosto de acreditar nisso assim como gostam de acreditar em contos de fantasia. Assim como ignorantes acreditam no mal sendo o "normal".

Já faz quase um ano que frequento o parque em que me encontro agora, basicamente um quadrado irregular de terra com várias árvores e espaços para sentar e relaxar, localizado no meio da cidade em um contraste absurdo com o cinza profundo que ela carrega nos prédios. Um refúgio que descobri depois de ser demitido do meu primeiro emprego e não ter tido disposição para enfrentar uma mãe sorridente que me esperava em casa orgulhosamente quanto ao fato de eu ter o arranjado a menos de um mês. Uma tempestade seguida de um arco-íris por assim dizer.

Incrivelmente, o ambiente não é tão famoso como deveria ser. Por estar justamente circundado de prédios e mais prédios que fazem essa divergência horrenda ao pedaço de terra verde, as pessoas preferem ir em outro lugar no qual não tenha nenhum vestígio da urbanização que querem tanto fugir. Em relação aos que realmente passam pelo ambiente, acabam sendo apenas apressados moradores dos prédios vizinhos que não possuem paciência para achar um local melhor que seu cachorro ansioso por um passeio possa querer andar, sendo todos eles como almas penadas caminhando sem expressões pelos caminhos de pedregulho e mato, de qualquer forma, eu gosto dessa mistura de água e óleo. O interessante desconhecido parece pensar o mesmo ao ir ali todos esses dias sem falta.

Ele é um garoto de cabelos claríssimos como a areia de uma ampulheta, provavelmente tendo a minha idade e altura, e que a cinco meses parece compartilhar da mesma opinião que eu quanto a usar o ambiente como um refúgio para si e seus pensamentos.

A propósito pensei que ele era apenas mais um dos pedestres que eu observo divertidamente andar por ali enquanto tomo um suco qualquer, sentado no banco debaixo de uma pequena árvore e fones de ouvido com uma música baixa tocando em seu fundo, uma atividade diária que termina comigo nunca mais encontrando seus rostos novamente. Contudo, ele apareceu no dia seguinte, sentado tranquilamente no mesmo banco entre duas enormes árvores que deixam os raios solares atravessarem com fervor entre suas folhas, no dia seguinte deste sua presença também voltou a aparecer e assim sucessivamente durante todos esses dias.

Havia momentos em que este se atrasava poucos minutos, pois, assim como eu, deve possuir um emprego e responsabilidades em sua vida fora dali, mas sempre presenteava o dia com sua distante presença e apreciá-lo em meio a toda aquela calmaria consequentemente se tornou um entretenimento enquanto me deleitava com o som dos pássaros, bandas salvas em meu celular e o suco fresco que adoça o momento ainda mais.

Obviamente não fazia isso como um esquisitão que deseja sequestrar a pessoa ou algo do tipo, mas em um inocente silêncio e pura curiosidade, ainda mais sabendo o quão tímido eu era para simplesmente abordar alguém do nada. Ele não parecia notar minha presença, nem mesmo a de ninguém que passava por si. Sempre muito entretido na própria bolha que criava ao se acomodar no banco.

Tudo nele parece bonito, não importa o tanto que eu olhe: a maneira como periodicamente ele inclina o corpo para trás sob os raios do sol da mesma forma como uma plantinha deseja receber todo o calor do ser brilhoso, como às vezes sentava muito reto no banco e consequentemente podia erguer os pés em um balançar ritmado, mesmo não sendo tão baixo para nunca ser capaz de tocar o chão. Como um sorriso animado também parecia rasgar seus lábios quando aparentemente pensava em algo interessante, logo anotando esta "ideia" em seu caderninho que carregava como uma parte de si.

Por algum motivo isso tudo era cativante aos meus olhos.

Eu e ele pareciamos até mesmo amigos que marcaram de ir ao parque juntos, mas sentávamos em bancos diferentes e nem ao menos conversávamos, muito menos olhávamos um para o outro, como era o caso dele que nunca direcionou sua atenção em minha direção uma vez sequer.

O menino tinha o melhor dia da vida dele e eu o apreciava como uma obra de arte no Louvre. Era muito valioso.

Nunca ouvi sua voz, vi seus olhos ou toquei em si, mas desenvolvi um afeto por sua presença distante e animadamente pura. Até havia dias que eu assustava comigo mesmo ao pensar em como tinha desenvolvido algo por alguém que nunca de fato conversei ou sabia seus detalhes, tirando a superfície do que vejo, porém não foi algo repentino. Isso cresceu de uma forma tão intensa e lenta, que quando eu percebi, já tinha me tornado um muro coberto de trepadeira, sem um espaço para escapar.

Sentia um aperto no coração quando chovia e ele corria mais cedo para fora dali evitando se molhar ou quando eu tinha mais tarefas do que planejava, obrigando-me a ir embora em passos apressados incapaz de vê-lo mais que dois minutos.

Ele brincava com o pequeno caderno sem parecer se cansar, com o lápis sempre balançando entre os dedos ou até com os animais que passeavam por ali com seus donos, livres ou abandonados. Ele os amava tanto quanto suas atividades diárias no papel, principalmente os gatos que frequentemente apareciam com seus andares lentos e atentos. Era uma surpresa ver como esses felinos mostravam-se confortáveis com a presença dele. Uma vez até tentei dar carinho em alguns deles quando tive a chance, mas fugiram logo depois de me arranhar, isso quando não fugiam antes mesmo de eu chegar perto deles, enquanto isso o loiro só precisava esticar sua mão e sorrir que eles se esfregavam em si como se fosse seu dono de vidas passadas.

Por conta disso o apelidei de Calico e foi como se oficialmente o atasse a minha vida, como uma importância, um amigo e sonho.

Calico parecia sempre estar feliz mesmo que seu rosto não fosse tão definido pra mim em consequência da distância e pela minha teimosia de nunca usar meus óculos de descanso para enxergar melhor. Ao meu ver, ele automaticamente era como um gato, misterioso, não muito de falar, mas provavelmente mestre em expressar com ações.

Todos os dias eu desejava criar coragem e abordá-lo para uma conversa trivial afim de me aproximar de uma maneira normal, porém esse medo de parecer um estranho logo de cara e a ideia de quebrar a chance de uma boa impressão com palavras impensadas me incomodava como um alimento amargo, sempre passava um cenário em minha cabeça onde ele simplesmente me odiaria ou iria começar a rir de mim e quebrar o coração que se importava com ele. Juntando tudo isso, passei então a levar um caderno de rascunhos para lá em uma tentativa de distração da incapacidade e impulso que eu tinha de correr em sua direção para dizer tudo o que pensava.

Enquanto ele escrevia eu o desenhava. Definitivamente minha nova atividade favorita em dias. Fazer seus contornos diários em roupas distintas e então criar rostos diversos a minha obra de arte tentando adivinhar o quão belo era se tornou um bom desafio.

Calico era um garoto de mil faces e uma única aura.

Sempre em seu banco, com seu caderno e corpo entregue ao sol como uma entidade divina.

De um jeito ou de outro, meus rascunhos medíocres nunca seriam capazes de chegar na realidade que ele era.

Certa vez, como se o dia estivesse ainda mais calmo e o clima tão agradável quanto, um garoto de cabelos escuros e também curvados se sentou ao seu lado com um animalzinho em mãos e uma atitude casual, sua expressão era marcante mesmo de longe e o peludo preto e amarronzado ficava em seu colo como um cão de guarda minúsculo, sempre olhando ao redor e latindo caso achasse algo estranho, mas periodicamente virando-se com o rabo balançando, aparentando estar muito feliz em ver Calico, aproveitando momentos para pular em si e lamber seu rosto alegremente. Pela primeira vez eu senti inveja de um ambiente amigável como aquele enquanto os desenhava, mas o moreno o fez rir alto ao que tampava o rosto com o que quer que tenha sido dito pelo maior e assim eu me senti aquecido com o seu gargalhar fino e genuíno que pude enfim ter a chance de ouvir, consequentemente fiquei aliviado de saber que ele possuía pessoas que o deixavam de bom humor por perto.

Seu corpo balançava desengonçadamente quando ria e quase pude ver seu rosto com clareza quando se curvou para minha direção ainda tentando se acalmar do momento cômico, desejei que o rapaz do sobretudo e cachorrinho pequeno o visitasse mais vezes apenas para ouvir sua melodiosa risada outra vez, mas ele nunca mais veio.

Os dias se passaram assim, preenchidos de momentos que compartilhávamos de longe. Sempre queria vê-lo sorrindo, rindo e em paz como em meus desenhos. Meu medo de falar algo errado ao encontrá-lo apenas crescia como um parasita e minha timidez parecia dolorosamente prender meus pés ainda mais fundo naquele banco todas as vezes que a ideia de ir até ele orbitava minha cabeça.

Entretanto, acho que demorei demais para me decidir e me acostumei demais com tudo aquilo. O universo deve ter ficado bravo por conta de todas as oportunidades de falar com Calico que deixei passar por entre meus dedos igual um monte de areia ao decidir apenas observá-lo e desenhá-lo, pensando que, assim como um desenho, ele permaneceria ali para sempre.

Obviamente não era o caso.

Repentinamente ele pareceu diminuir sua presença no parque de maneira notável: um dia chegou atrasado, depois do sol se pôr e ficou apenas alguns minutos com uma feição desanimada, mesmo seu caderninho permaneceu fechado sobre sua coxa ao que olhava para o chão imóvel, em outra data, nem ao menos apareceu e eu desenhei o banco e a paisagem que rodeava-o sem mais nada ali.

Suas aparições se tornaram menores, algo de todos os dias se tornou de dois em dois, quatro em quatro e quando pisquei ele aparecia uma vez por semana, agora com a mesma aura triste e inquieta, poucas eram as vezes que parecia feliz, em certo ponto, apenas permaneceu anotando coisas aleatórias em seu caderno com a feição escondida dentro do capuz do moletom cinza escuro com um clima murcho.

Ele não brilhava mais.

Tomei aquilo como lição e prometi a mim mesmo encontrar Calico em nosso próximo dia naquele local, juntaria toda minha força entre o batimento cardíaco acelerado e o suor nas têmporas, falaria com aquele que me interessei apenas o olhando e me esforçaria ao máximo para ajudá-lo a passar por qualquer coisa que estivesse o drenando. Construiria algo real entre nós, desde o zero.

Neste momento percebi o quão engraçado é pensar como as coisas vão contra o seu gosto quando mais necessita delas.

Minhas pernas pareceram enfim funcionar pela primeira vez indo em direção a Calico e então, como um sonho se esvoaçando para longe, ele correu na direção oposta segundos depois de atender o telefone, tudo isso antes que eu pudesse ao menos chegar perto de si e abrir a boca. Assustei-me com a forma como se moveu rápido e astuto entre as pessoas que andavam pelos caminhos de pedra do parque, ele sumiu tão repentinamente quanto quando chegou neste dia em especial.

Eu me sentia triste e até um culpado, tive pela primeira vez coragem e ela foi tirada de mim com um telefonema, porém eu também não fui inteligente para simplesmente encontrar com ele nos dias anteriores como uma pessoa normal e dizer um indolor "olá".

De uma maneira ou de outra, a culpa era minha.

Lembro até que iria me virar para ir embora, completamente derrotado com a ideia de que eu nunca tocaria uma obra de arte viva rondando minha cabeça, mas fui capaz de ver um pedaço dela deixado para trás antes que me retirasse dali. Sustentei meu caderno de desenhos sob o braço para assim pegar o pequeno caderninho de Calico que ficara para trás pela pressa dele ao correr.

Era um quadrado do tamanho da palma de minha mão em um tom azul bebê degradê, do mais claro ao escuro, possuindo pontos brancos salpicados no mesmo como o céu da noite mais bela. Eu o guardei contra o coração, disposto a devolvê-lo, mal sabendo que aquela teria sido a última vez vendo Calico e seus cabelos loiros sob o sol.

Ainda tentei a sorte de vê-lo nos dias seguintes, mas não tive nenhum sinal dele e minhas responsabilidades no trabalho só aumentavam, igualmente diminuindo minhas oportunidades de encontrá-lo, o suficiente para me manter longe do parque por um bom tempo.

Desde que peguei o pequeno caderno do banco não o abri, Calico era como um sonho, mas uma pessoa com direitos ao final do dia. Aquilo não era meu e a ideia de eu ter sido um dos motivos que o espantou ao ser um estranho que o observava todos os dias apenas me atormentava como uma paranóia e assim via como eu estava cego por ter feito tudo isso, me culpava todos os dias de espantar alguém como ele.

Eu não sabia a verdade, mas minha mente estava ocupada demais com mentiras autodestrutivas.

O pequeno caderno ficava em minha estante, ao lado dos desenhos e esboços que fiz de Calico naqueles dias bonitos no verde que guardei com carinho junto de outras artes minhas. Quando a raiva me consumia em um dia cheio de papeladas, eu olhava para o objeto delicado e não podia evitar de sorrir, era como se meu peito fosse enchido de felicidade ou se aquecesse com a ideia de que um dia eu ainda teria a chance de falar com ele, nem que seja para devolver o objeto e nunca mais vê-lo. Aguentaria o fardo se ao menos pudesse trocar duas palavras com o mesmo.

Eu não tinha o seu nome, nem uma pista que pudesse me ajudar a achar seu perfil na internet, me agoniava a todo momento a imagem que criava dele estando preocupado atrás do objeto que deve ser importante a si.

Não há incômodo maior do que aquele que sua cabeça frisa ser sua culpa.

xxxx

Passaram-se vários dias longos e maçantes, ainda sim não tinha nenhuma ideia do que fazer para conseguir atingir aquele objetivo de devolução. Às vezes eu nem saía de casa, ficava olhando o quadrado na estante com a cabeça nublada ou, quando saía com meus amigos, aproveitava para ver se de alguma forma eu me encontraria com Calico em alguma coincidência do universo que obviamente nunca acontecia.

Eles, meus amigos, diziam que eu era fofo como uma criança que acha uma moeda e quer levar em uma delegacia em um bom ato, ao mesmo tempo, falavam que eu estava obcecado demais com um menino que nem ao menos sabia da minha existência, o que no caso era uma dolorosa verdade.

Os dias parecem passar como as páginas de um livro, eu continuava com a minha vida normalmente. Tinha datas que eu nem ao menos lembrava do pequeno caderno e minha vontade de devolvê-lo, contudo, havia tempos que ela parecia voltar como um trator passando por cima de meu corpo e novamente me encontrava afobado.

Pensei algumas vezes em abrir o mesmo para ver se tinha o nome dele ou algo do tipo, mas tinha medo de ler algo que não era da minha conta e ficava por uns cinco minutos em uma briga interna sobre o que fazer, e quando abri até a primeira página e a última, vi que não tinha nenhuma assinatura, nome ou telefone, fechei o item como se o papel queimasse meus dedos e nunca mais fiz a mesma coisa.

Tinha voltado à estaca zero e era como se não fizesse mais sentido se esforçar tanto para algo tão simples como aquilo.

xxxx

O dia estava cinzento devido à forte chuva que caiu de madrugada e todos estavam bem agasalhados. Tinha decidido tirar o fim de semana para sair sozinho e conhecer um restaurante novo que abriu em um dos bairros perto de minha casa e – como sempre – levei o pequeno caderno comigo, praticamente escondido dentro da grande mochila que costumo carregar minhas coisas para cima e para baixo.

Muitas pessoas estavam nas ruas mesmo com todo o clima para se enfiar embaixo de cobertas e dormir ao som de alguma série, mas ainda sim me sentia melhor com o ar frio avermelhando meu nariz e bochechas do que ficar trancado entre as quatro paredes no escuro.

As mãos estavam fundas no bolso de meu moletom e os passos eram quase que ritmados com a música alta que tocava nos fones enquanto seguia cidade a dentro para a estação do metrô que me levaria onde eu queria.

Era difícil andar por lá, quase como um circuito de agilidade. Obstáculos móveis e vagões lotados até a boca, uma tremenda dor de cabeça não importa a hora.

Assim que desci as escadas para pegar o transporte, perdido em meu próprio mundo musical, um ser trombou brutalmente comigo praticamente arrancando um de meus fones que prendeu em si por alguns segundos soltando-se logo em seguida, tirando-me violentamente da bolha que me aconchegava a segundos atrás. Enchi meu peito com palavras de raiva, chamando atenção da sombra escura que continuou correndo para entrar no vagão do metrô que fechou suas portas na mesma hora, ainda dando a chance dele adentrar o espaço por último.

Antes que eu pudesse abastecer novamente minha boca com mais xingamentos quanto à forma como fui acertado e nem foi pedido desculpas, reconheci aquela bola de pelos e aquela feição inesquecível com ambos os olhos arregalados ao máximo, parecia até que um choque emocional cruzou meu corpo em questão de milésimos. Era o mesmo homem de sobretudo que visitou Calico no parque, vê-lo ali foi tão radiante quanto ganhar na loteria e de repente eu nem lembrava de ter trombado com ele..

Quase como um instinto de desespero, minhas mãos bateram em meu próprio corpo seguindo para minhas costas, procurando pelo bolso que deixei o pequeno caderninho azul. Não me importava se parecia um louco apalpando a mim mesmo ou se meus fones terminavam de se enroscar em minha mochila pela forma atrapalhada que tentava virá-la para frente de meu tronco.

Eu era um desastre ambulante no final de tudo.

O constante aumento do som das caixas metálicas sobre o trilho de ferro me deixava ainda mais afobado, o universo tinha me dado mais uma chance para enfim me redimir de todas as outras que perdi, precisava conseguir algo mesmo que minúsculo.

Assim que achei o item o puxei com rapidez, correndo com a mochila ainda aberta contra meu peito para perto da janela onde o rapaz entrou, as pessoas me viam gritar por ele como um louco perdido na região, mas ele ainda não me olhava embora toda a comoção.

"Você! Amigo de Calico! O dono deste caderno! Onde ele está?!" Eu gritava correndo rente ao metrô enquanto a plataforma ainda existia. Segundos depois de repetir a mesma coisa ele enfim me encarou confuso, o cachorrinho latindo para mim enquanto estava aquecido dentro de seu casaco largo sobre seus braços.

Ele franziu o cenho em minha direção, aparentava estar sem fôlego tanto quanto eu começava a ficar agora, devia ter corrido para pegar o metrô e agora perguntava-se quem era o maluco todo de preto que gritava do lado de fora do transporte e se ele ao menos falava consigo.

Continuei a repetir as mesmas palavras até que mudasse sua feição ou dissesse algo, permaneci atento aos lados para ver onde acabava o chão para mim e ainda tentando manter o ritmo crescente do transporte, balançando o caderno como uma mulher que se despede do marido que vai para a guerra, nunca em minha vida eu tinha feito tantas tarefas ao mesmo tempo. Meus fones estavam caídos para a minha frente depois de já terem se desprendido de meus ouvidos, apenas permanecendo junto a mim, pois estavam plugados em meu celular que por sua vez estava dentro de meu casaco. Minha bolsa permanecia semi aberta, balançando contra mim em um tilintar destrambelhado com tudo o que tinha dentro dela, atrapalhado era meu sobrenome.

E enfim, como se eu visse um desejo se realizar, ele arregalou os olhos balançando a cabeça com fervor com um sorriso largo e quadrado lhe estampando o rosto, concordando com minhas afirmações que enfim entendera ser para si ao reconhecer aquele item em minhas mãos, mas antes que eu continuasse meu interrogatório com meu peito transbordando felicidade o metrô tomou velocidade constante e um senhor me segurou contra si com força, apenas depois percebi que se não tivesse sido barrado iria bater de frente com a parede que limitava a estação.

Agradeci a ajuda com o rosto agora vermelho em vergonha e cansaço, pois atrás de nós uma trilha de gente permanecia levemente inclinada, me olhando curiosamente e com algumas risadas contidas, não duvidaria que estavam questionando minha sanidade mental. Umedeci os lábios me encolhendo sob minha aura cinquenta porcento maravilhada com aquela pequena interação e cinquenta porcento envergonhada, fora uma tristeza que estava escondida em meu olhar sobre não ter sido capaz de tirar uma informação além daquela que eu já previa.

Todavia, era um passo para frente a se comemorar.

Fechei a bolsa rapidamente, afundando ainda mais o chapéu de pescador preto em minha cabeça como se fosse uma capa de invisibilidade. Coloquei os fones novamente depois de tremulamente desenrolá-los da alça da mochila ainda sob o olhar de várias pessoas.

Desta vez, permaneci com o caderno em mãos, em uma esperança de poder ter a mesma chance novamente.

O mundo mesmo cinzento parecia mais leve e meus dedos agora formigavam ansiosamente para o próximo metrô chegar.

Eu não tinha ideia de qual estação o homem tinha parado e se ele ao menos parou, então tudo o que podia fazer era seguir meu caminho original para o restaurante. O quadrado azul em minhas mãos apenas ajudava a me sentir mais calmo e animado de saber que Calico não tinha sumido completamente de minhas memórias e esperanças.

O resto do caminho foi tranquilo, o sorriso tentava escapar por meus lábios toda vez que eu pensava sobre como eu poderia virar assunto em um conversa em que o loiro estivesse participando, mesmo sendo "o louco que gritou na estação" me sentia animado não sendo mais um fantasma.

Porém, como algumas pessoas dizem, nem um raio cai duas vezes no mesmo lugar e durante todo o meu caminho, que eu até mesmo autosabotava parando em pontos aleatórios para ficar olhando as pessoas por uns dez minutos, enrolando para andar como se esse tempo extra possibilitasse que o amigo de Calico ou ele mesmo brotasse do chão em uma coincidência milagrosa. No fim – obviamente – não fui capaz de ver nenhum dos dois.

Depois de um certo momento, apenas decidi continuar meu caminho naturalmente. Guardei o pequeno caderno em um dos bolsos mais acessíveis de minha mochila com medo de perdê-lo e também de não encontrá-lo caso visse aquele rapaz e seu animalzinho novamente – sim, eu não desistiria.

O resto do dia, embora nada de novo além do belíssimo restaurante que visitei, estava muito agradável. Meu corpo estava funcionando como deveria e minha mente limpa de qualquer preocupação a não ser terminar o pedaço de torta de limão a minha frente.

Aquele estabelecimento é tão belo quanto nas fotos que lembro de ver na internet.

A maioria de seus móveis são de madeira, as paredes brancas como a neve e várias plantas decoram o local como se fosse uma pequena cabana em uma floresta, ou até mesmo uma estufa. O clima é fresco e tudo bem espaçoso, evitando dar um ar de ambiente pequeno e sufocante. Há dois andares como imaginava, logo a cima tendo as mesas que ficam na varanda tomando o sol do meio dia e fim da tarde, onde eu estou agora no caso, aproveitando meu doce.

Sentia-me bem ali, definitivamente voltaria mais vezes.

Minha bolsa está em meus pés sob a mesa, enquanto meu celular repousa ao lado do prato da sobremesa que eu ora ou outra cortava um pedaço com o pequeno garfo disponível desde do momento que a pedi.

Resmunguei quando o aparelho até então inativo começou a vibrar loucamente, notificações do grupo que eu tenho com meus dois amigos em um aplicativo de conversa se sobrepunham a cada segundo, conseguia ver seus nomes passando um sobre o outro ao que mandavam mensagens. Permaneci apenas observando pelo ecrã o resumo do que mandavam sem nenhuma vontade de desbloquear o celular e visualizá-las, o que não durou muito, pois meu nome foi logo citado na conversa fazendo eu agarrar ele com a mão esquerda, curioso com o que diziam especificamente sobre mim, deixando a direita ocupada com o garfo que me alimentava com a doçura de que precisava.

Grupo: Adultos e Jungkook

Hoseok:
                    Jungkook, lembro que disse que iria visitar aquele restaurante Mono's, não? Usou o metrô ou foi de ônibus?

Seokjin:
                    
Não acredito que ele foi lá e não me chamou, sendo que eu estava a uma semana tentando convencer vocês a ir.

                    Sinto-me traído, tomara que engasgue com a comida daí!

Yoongi:
                    Você literalmente falou desse restaurante ontem, pare de exagerar...
                    Fora que mesmo quando te chamamos para sair você fala que está ocupado jogando.

Você:
Primeiramente: Sim, Hobi, até mesmo já estou aqui, vim de metrô e não demorou muito, estava apenas com preguiça de lidar com o ônibus hoje.
E Seokjin, Yoongi já disse tudo o que eu estava pensando, fora que nem ao menos leio as mensagens de vocês, então não vi você falando da Mono's, me desculpe.

Seokjin:
                    Podem mudar o nome do grupo para "Adultos e Turista", não aguento mais o Jeon entrando no chat apenas para tirar a notificação de mensagens não lidas do celular dele, ignorando qualquer coisa que mandamos.
                    Eu te desculpo por não ter me chamado, desde que vá comigo fazer compras para o almoço que farei a nós no feriado, mas ainda espero que engasgue para ficar esperto.

Você:
'Tá, 'tá, de qualquer maneira, por que a pergunta, Hobi? Sobre o ônibus e metrô.

Hoseok:
                    Um amigo meu da faculdade acabou de falar em nosso grupo que tinha uma pessoa no metrô gritando hoje de tarde e outro confirmou que até foi com ele, não sei o que pode ser, só toma cuidado. Você fica avoado quando coloca os fones, então me preocupo que seja um caso de roubo ou algo do tipo, vai que a pessoa seja agressiva...

Por um instante a pequena torta de limão pareceu ficar muito mais seca do que eu esperava, travando em minha garganta causando uma crise de tosse que me roubou o ar, as maçãs do meu rosto se avermelharam instantaneamente ao que uma das garçonetes que trabalhava naquele andar corria desesperada do balcão para mim com um copo d'água em mãos.

O peguei agradecido dando um longo gole sentindo tudo descer como deveria enquanto procurava meu fôlego perdido, rindo sem graça com todos me olhando curiosos e parcialmente preocupados, assim devolvendo o copo a moça que sorriu com uma expressão mais aliviada recolhendo a louça que ainda continha um filete de água.

Acho que nasci para ficar sob os olhos de todos.

De qualquer maneira, preferia deixar meu engasgo longe do conhecimento de Seokjin...

Yoongi:
                    Pelos anos que conheço Jungkook não duvido que ele seria o cara que estava gritando.

Você:
...
Hoseok, qual é o nome de seu amigo que viu e aquele qual o grito foi direcionado?
É para um trabalho do escritório...

Yoongi:
                    Eu não sei nem como perguntar isso, mas por que raios você estava gritando no metrô?

Seokjin:
                    De repente, ficar de fora dos passeios de Jungkook não é uma má ideia, estou bem em casa, jogar jogos nunca foi tão divertido.

Hoseok:
                    Seojoon estava dentro do vagão esperando Taehyung que chegou atrasado para o encontro deles.
                    Tae quem disse que foi para ele que o cara gritou, os dois são estudantes do prédio de teatro da minha faculdade, os conheci em uma das feiras culturais.
                    Era realmente você gritando?

Você:
Você pode me mandar uma foto dele? De corpo inteiro de preferência...

Hoseok:
                    Deixe-me ver se tenho alguma, não nos conhecemos a tanto tempo assim, mas devo ter fotos de festas ou saídas que tivemos.

Yoongi:
                    Jeon falando assim parece realmente o tipo de louco que gritaria em um metrô e o Hoseok é pior ainda em concordar sem hesitar e mandar tudo o que ele quer.

Seokjin:
                    Por conta disso me preocupo em deixá-lo sair sozinho, mas passar essa vergonha eu não passo.

Meus dedos tamborilavam sobre minha calça enquanto não desviava meu olhar do grupo, vendo apenas os dois paspalhos se divertindo em me difamar mensagem após mensagem ao que Hoseok não dava um sinal de vida.

Eu podia sentir as gotículas de suor se formarem em minha testa, sob o chapéu de pescador e nos braços que estavam cobertos pelo tecido preto.

Deuses, eu estava muito nervoso.

Hoseok:
                    Aqui, achei essas duas, são as melhores que tenho.
                    [imagem anexada]
                    [imagem anexada]

Acho que pela primeira vez senti meu eu adolescente se aflorar em mim depois de muito tempo escondido sob a "vida adulta". Era como uma labareda antes adormecida que repentinamente cresce como se tivesse sido instigada com gasolina e pólvora.

Tive de segurar a grande vontade de gritar por puro impulso ao reconhecer aquele rapaz de roupas tom de terra e cabelos curvilíneos. Era como ver a luz no fim do túnel.

Um raio de fato pode cair duas vezes no mesmo lugar e nunca estive tão grato.

Meus dedos batiam na tela do celular de maneira trêmula e atrapalhada, podia jurar bater em três teclas de uma vez só, tanto que toda hora tinha que apagar para reescrever de maneira legível.

Você:
Por que nunca me disse que era amigo dele?! Meus dias de sofrimento foram uma piada para ti?!

Hoseok:
                    Do que você está falando?

Yoongi:
                    Estão vendo? Doidinho de tudo, li na internet que não se discute com gente assim. Sorria e acene que ele para sozinho.

Você:
Eu não estou doido! Fui eu quem gritou no metrô, mas porque este é o amigo de Calico e o reconheci. Lembro-me dele com o mesmo cachorrinho que carregava hoje.
Todos esses dias que eu fiquei me lamentando para vocês foram jogados fora?!

Seokjin:
                    Calico? Aquele guri que você stalkeiava o tempo todo quando ia no parque?

Yoongi:
                    Isso daria um bom filme, só não sei se seria de comédia romântica ou um documentário de assassinato.
                    Se apaixonar por alguém que nunca conversou é outro nível de carência, ainda mais quando nem ao menos sabe como é a cara da pessoa que gosta, mas reconhece o amigo dela.

Hoseok:
                    Olhe Jeon, vamos ser sinceros que você nunca nem ao menos mostrou fotos deles para nós ou descreveu de maneira específica, sempre designou Taehyung como "amigo de Calico" e o menino que você gosta de "Calico".
                    Parecia até mesmo que estava falando de seus amigos imaginários.
                    Fora que Tae e eu ainda não somos tão próximos, já te disse, nós nos conhecemos a pouco tempo, tanto que ele nunca oficialmente me apresentou aos amigos dele sem ser Seojoon e eu nunca apresentei vocês.
                    Ainda não sou o gênio da lâmpada para saber que todo esse tempo ele tinha contato com o seu amor à primeira vista.

Você:
Ok... Ok, talvez eu tenha certa culpa, mas eu já disse, não os conheço pessoalmente, tudo o que tenho é "Calico" e seu caderno.
Você não poderia... mandar uma mensagem a esse Kim Taehyung por mim?
Talvez marcar um encontro com Calico para eu entregar o caderno pessoalmente...

Hoseok:
                    Você quer que eu marque um encontro para você? Acabou de ganhar a faca e o queijo, mas quer que eu corte e te sirva? Tenho cara de mordomo?!

Seokjin:
                    E está aberta a reunião para socar Jungkook e a bunda tímida dele! Eu vou primeiro!

Você:
Eu não quero que ele pense que eu sou um louco, já gritei em um metrô no meio de todo mundo, se Calico for realmente próximo dele, imagine o que já não ouviu de mim.
Por você ser meu amigo ele pode ver que sou de confiança...

Yoongi:
                    Quem quer que esse Kim Taehyung seja, ele não é pai do tal Calico, Jeon. Não é tão fácil assim para ele barrar um relacionamento.
                    Se você souber explicar para ele o seu comportamento no metrô ele pode até te ajudar.

Seokjin:
                    Yoomfie 'tá certo, Jeon. Tente se explicar, mostre que você é um cara legal, se duvidar você pode até pegar o número de Calico hoje mesmo e quem sabe ter mais do que um encontro...

Yoongi:
                    Sem Yoomfie.
                    Yoongi.

Você:
Vocês acham mesmo?

Hoseok:
                    Claro que sim! Aqui, já disse para Taehyung que tinha um amigo meu querendo esclarecer algo.
                    Vai lá, ele é alguém legal. Fácil de socializar.
                    Qualquer coisa, estamos aqui e se ele acabar falando algo ruim para você me diga na hora.

                    [contato: Kim Taehyung]

O tempo estava fresco, nem muito calor, nem muito frio.

Eu tinha certamente me acostumado com minhas rotineiras roupas pretas e pesadas, mas estava estranhamente suando e as mãos geladas como se tivessem ficado dentro de um freezer por horas. Meu coração estava a mil por hora, cada batida parecia ressoar dentro de mim em um eco absurdo, sendo que eu apenas tinha aberto a conversa do tal Taehyung sem ter mandado nada, todavia, se dependesse de minha cabeça mais de vinte mensagens já teriam chegado a si.

Era um fato mais do que comprovado eu ser péssimo para iniciar interações, um de meus defeitos – ou qualidade – que me privaram de muitas situações em minha vida, tanto que apenas fui capaz de conhecer Hoseok, Seokjin e Yoongi porque todos eles foram os primeiros a falar comigo e as circunstâncias também eram favoráveis a ter um bom início de relacionamento, porém olhar aquele número de celular agora parecia tão fictício e ao mesmo tempo muito desafiador, ainda mais por ser real.

Não acreditava que tinha chegado naquele ponto, a sensação poderia ser comparada a subir uma montanha e enfim sentir o ar fresco da calmaria, contudo, também parecia uma mentira e meu medo de passar uma imagem ruim ainda era enorme. Assim como subi tudo isso, eu precisava descer para chegar ao outro lado.

Devo mandar um "oi"? Ir direto ao assunto? Apresentar-me?

Tão ruim quanto uma apresentação de trabalho na frente de uma sala lotada.

Só depois de raspar o prato da torta de limão e pedir um novo copo d'água que fui capaz de mandar um "Oi, aqui é Jeon Jungkook, amigo de Hoseok". Isso não antes de apagar, reescrever e reler diversas vezes como se eu não soubesse mais escrever meu próprio nome. Não sabia se ria ou chorava de mim mesmo.

As mensagens de Hoseok, Seokjin e Yoongi toda hora desciam por minha tela com perguntas curiosas sobre ter tido coragem de falar com o garoto ou não, mas eu as ignorava deixando o celular aberto apenas no chat de Taehyung pacientemente à espera de sua visualização.

O aparelho permanecia repousado sobre a mesa ao lado do copo d'água pela metade. Meu pé tremia como louco agora que cruzei as pernas embaixo da mesa, parecia que todos os meus sentidos estavam ativos e tudo isso por algo tão comum como chamar alguém pelo celular.

Cada parte de mim queria se desmontar em hesitação por uma simples conversa.

Talvez tinha passado uns cinco minutos que foram suficientes para pedir outro pedaço de torta, desta vez de morango, em uma tentativa de distrair meus movimentos e cabeça, mas que obviamente foram interrompidos pela enfim mensagem de Taehyung que me fez largar o talher desesperadamente para agarrar o aparelho como se minha vida dependesse dele.

Ele respondeu educadamente, com um "oi" e perguntando o que eu gostaria de tratar com ele.

Novamente apaguei e reescrevi diversas vezes com uma paranoia incessante de eu estar sendo muito direto, muito grosso ou muito ambíguo, tudo isso apenas sobre nosso encontro no metrô e depois mais uma mensagem explicando a situação em um geral, sobre a perda do caderno de Calico que ele reconheceu mais cedo até a minha tentativa de ter contato com ele.

Foram dois pequenos parágrafos que escrevi como se estivesse correndo uma maratona ou fazendo uma redação para a faculdade.

Ver o estático "online" logo abaixo de seu nome me mantinha nervoso. O que será que ele estava pensando? Eu estava sendo um louco? Um dramático por estar fazendo toda essa cena apenas para devolver um caderninho?

A questão era que eu não só queria devolver ele, mas queria conhecer Calico, queria me aproximar dele.

Será que eu estava sendo muito rápido? Muito emocionado por alguém que eu nunca nem ao menos vi direito?

K. Taehyung:
                    Calico...? Então é assim que me chama?

Você:
Desculpe? Te chamo?

K. Taehyung:
                    Ah, sim hahaha desculpe, quem fala agora é Park Jimin, aquele que você aparentemente chama de Calico.
                    Taehyung foi ao banheiro e pediu para que eu falasse contigo sobre o que estava acontecendo.
                    Ele me disse também que possui meu caderno, vejo que é verdade.

Se eu não tivesse comprado meu celular recentemente, tecnicamente teria o arremessado para longe de mim em um impulso gigante, não sabia descrever, mas acho que estava assustado de um jeito bom. Não acreditava no que eu mesmo lia.

O raio tinha caído tantas vezes sobre mim que eu estava desnorteado.

Ler aquelas mensagens praticamente falharam meu coração e arregalaram meus olhos. Um calor horrendo pareceu me atacar, tive de tirar o chapéu, pois repentinamente estava muito sufocante usá-lo, todo meu rosto quente como em um dia de verão. Não duvidaria que eu estava neste momento igual o morango sobre a metade da torta em meu prato.

Park Jimin...

Combinava com ele, ao menos soa como um nome que Calico mereceria.

Você:
Todo esse tempo eu estava falando contigo?

K. Taehyung:
                    Na verdade não, de fato Tae te respondeu ali no início, mas daqui a pouco ele sairá com um amigo, então veio deixar seu cachorrinho em minha casa para que eu cuidasse, acabou precisando ir ao banheiro, logo, pediu para que eu resolvesse toda essa questão enquanto estivesse ocupado.
                    Quem diria que seria sobre mim...
                    Bem, eu posso te passar meu número, seria legal de nos encontrarmos para você me entregar o caderno, gostaria de pagar alguma coisa para ti em recompensa. Conhece Mono's? Poderíamos tomar um café ou algo do tipo lá.

Você:
É justamente dela que estou mandando mensagens, vim experimentar alguns doces e ver como é o lugar. Quando fica melhor para você?

K. Taehyung:
                    Domingo estarei livre a tarde inteira, podemos nos ver às duas da tarde, o que acha?

Você:
Perfeito! Te vejo lá então, Jimin?

K. Taehyung:
                    Com certeza, bunny! ;)
                    [contato: Park Jimin]

Era como se um peso tivesse saído de meus ombros, sentia-me leve, até mesmo cortei um grande pedaço da torta a colocando inteiramente em minha boca, sem me importar de sujar o canto dos lábios e nariz com glacê ou algo do tipo.

Eu saí vitorioso daquele dia maluco.

Um estado de euforia parecia ter tomado conta de mim, olhava aquele "bunny" com um sorriso besta nos lábios, de fato eu tinha voltado a puberdade, era a única explicação para tamanhas emoções por coisinhas como aquela.

De qualquer forma, Calico estava tão perto quanto nunca esteve naqueles dias do parque e eu não podia pedir por menos.

xxxx

Lembrar de tudo isso que aconteceu até chegar a este momento em especial, o qual estou sentado em uma mesa no terraço do Mono's esperando por Jimin, é quase como relembrar um filme pessoal que sempre causa borboletas teimosas a voarem por meu estômago.

Já são duas e meia e eu o estou esperando pacientemente pensando em tudo o que poderia acontecer hoje. Novamente as pernas tremiam e as mãos gélidas suavam, uma sensação de déjà vu parecia me rodear junto de toda minha timidez que causava esses sentimentos agoniados, desta vez, tendo a presença do medo dele na verdade não aparecer.

Sobre a mesa tenho um buquê de rosas rosadas e tulipas vermelhas, nada muito extravagante em termos de tamanho e quantidade, mas também não achei que seria legal aparecer apenas com o caderno, considerando o tanto que ele se ofereceu depois de nossa primeira conversa a pagar por toda e qualquer comida que eu consumir no dia junto a ele.

Jimin já demonstrava virtualmente ser belo de alma, sempre se mostrando alguém alegre e fácil de socializar em nossas conversas aleatórias que tivemos para passar o tempo até nosso encontro. Devo dizer que também fiz questão de admirar sua foto de perfil que enfim tive acesso, não posso negar, o suspiro que eu soltei quando a vi pareceu levar junto minha alma.

Sempre o imaginei como alguém, em geral, muito bonito, mesmo que pela distância que vivíamos nos "encontrando" eu não conseguia ver os seus detalhes. Contudo, ao observar como ele de fato era, simplesmente ultrapassou minhas expectativas em mil por cento.

Já não sabia se era minha completa admiração falando por mim, porém não mudaria de opinião.

— Jeon! Desculpe-me, estou atrasado! Perdi dois ônibus para chegar até aqui. — Olhei em volta assustado por ouvir meu sobrenome tão repentinamente e então senti minhas bochechas esquentarem ao que abria um sorriso largo vendo aquela figura loira se esgueirando entre as mesas com uma feição envergonhada, o cabelo curvilíneo levemente bagunçado para cima ao que arrumava sua roupa igualmente desengonçada.

Era fofo. Calico era fofo como um gato e a maneira como se movimentava entre as mesas sem derrubar ou relar em nada apenas mostrava como estava próximo do tal felino cuidadoso.

Divindades que estiverem me ouvindo, obrigado por deixar um dos seus cair em meu caminho. Poder ver ele pessoalmente é de tirar o fôlego, tanto quanto virtualmente.

Seu corpo é igualmente harmonioso, bem esculpido em um jeans simples e levemente justo, com uma camisa branca e blusa fina xadrez de tons claros do azul, tudo nele parecia esplêndido mesmo sendo comum.

— Não se preocupe com isso, não esperei por tanto tempo. — Ele passa os dedos timidamente em seus cabelos com ambas as bochechas coradas, tomando seu lugar na mesa agora de maneira mais calma, mas também incapaz de segurar seu sorriso que fez com que seus olhos sumissem em uma linha alegre, consequentemente fazendo minha respiração travar na garganta.

Eu estava ferrado.

Intensamente submisso a beleza e personalidade de um ser humano que acabou de chegar. Como é que chamam isso atualmente na internet? Ah sim: cadelinha.

Agradecia que nenhum de meus amigos estivessem aqui para presenciar minhas caras e bocas. Provavelmente iriam fazer piadas por dias se fosse o caso.

— A-aqui, trouxe para você, espero que não seja alérgico, não quis vir de mãos vazias. — Agarrei o buquê de maneira nervosa, entregando rapidamente a ele em uma tentativa de disfarçar tal hesitação. Não duvidava que meu rosto estava camuflado com a cor delas, aproveitei sua atenção nas flores para puxar minha mochila e pegar ambos os itens que a dias queria entregá-lo.

Um deles sendo o único motivo de termos nos encontrado.

— São lindas! Não se preocupe, não tenho alergia e não precisava se esforçar tanto... — Ele comenta adorado, olhando-as com um pequeno sorriso que aumentava e diminuía ao que tentava contê-lo, o mesmo acontecia comigo o observando.

Era estranho pensar que desde o início tudo o que fiz foi admirá-lo como um quadro, analisando-o em silêncio e com um sorriso no rosto. Agora ele estava a menos de um metro de mim, era animador e mesmo assim eu continuava a fazer a mesma coisa.

Constantemente admirando-o.

— Aqui, queria entregar isso também a ti... — Retirei-me de meus pensamentos esticando seu pequeno caderno e uma folha enrolada como um pergaminho que ele aceitou ainda mais alegre, assim como uma pequena criança desembrulhando presentes no Natal.

— Você está fazendo tanto por mim que me sinto mal vindo aqui de mãos vazias e ainda por cima atrasado. — Um bico emburrado cresce em seus lábios cheios enquanto colocava o buquê calmamente sobre a mesa, fazendo o mesmo com seu caderno apenas para dar atenção ao pergaminho.

Seus dedos retiraram o laço vermelho abrindo tudo com tranquilidade e cuidado, meus olhos não sabiam se olhavam sua reação ou viravam para o outro lado, estava envergonhado com o que poderia pensar daquilo. Era a primeira vez que deliberadamente entregava a alguém um desenho realista dela e justamente por isso que me sentia inseguro com críticas e reações no geral.

 Uau, você quem fez? Você desenha? — Ele comentou, os olhos esbugalhados em um brilho curioso enquanto parecia observar cada centímetro da folha, concordei ainda tímido com a situação. — É a minha foto de perfil, não?

— É... — Falo hesitante coçando a nuca, rindo soprado quando ele me olhou com carinho, seu sorriso, mesmo singelo, parecia contagiar o meu toda vez. Ele é o tipo de pessoa que aparenta querer comunicar com os olhos e isso é simplesmente uma de suas grandes qualidades agora que eu pensava sobre, mas um perigo ao meu coração, ainda mais quando ele tombou a cabeça, silenciosamente me incitando a falar com apenas esse gesto: — Depois de alguns dias te vendo no parque, acabei tendo uma grande vontade de te desenhar, o problema era que eu não te via com clareza e isso bloqueava minha cabeça em relação a como fazer seu rosto. No fim, acabei te desenhando em tantos esboços diferentes que, agora que tive a chance de vê-lo com clareza, pensei que seria legal fazer algo assim...

— Você realmente não existe. — Responde vagamente depois de um tempo quieto, sua voz baixa e os olhos variando do desenho para as minhas orbes.

A presença de Jimin me acalma assim como instiga ao nervosismo.

— Por que nunca se aproximou? Seria confortante ter tido alguém para conversar em certos dias que estive la. — Fala de maneira direta, pegando seu caderno e o folheando distraidamente, mas levantando seus olhos como se pedisse pela resposta. Sua feição provocadora me deixava acanhado, mas também disposto a conversar, cada vez mais numa tentativa de me soltar por completo.

— Sou muito tímido, às vezes até sinto que minha presença pode atrapalhar ou ser desnecessária a alguém. Fora que no início achei que você seria apenas mais um passageiro do parque, o observava com os mesmos olhos que todos, sem muita curiosidade, até que tomei... interesse. — Murmurei a última palavra torcendo para não corar e o outro riu contido, permanecendo em silêncio para que eu continuasse: — Por um tempo eu nem pensei na possibilidade de ir falar contigo, vê-lo tão concentrado de alguma forma me mantinha inconscientemente ali e quando pensei em me aproximar, também tive medo de parecer um esquisito. Via-me mentalmente como um stalker e quando meus amigos brincavam com isso, não podia deixar de, no fundo, genuinamente concordar. Observar alguém de longe não soa tão bem quando dito em voz alta e não queria assustá-lo, logo, juntando minha personalidade introvertida e todos esses receios acabei me acostumando com a zona de conforto em só ficar ali.

— Entendo, você é realmente um cavalheiro, mas não deveria pensar tanto em coisas do tipo, nunca se sabe um resultado se não tentar, nunca se sabe uma resposta se não perguntar. Para tudo tem um primeiro passo, Jungkook. — Ele sorriu fechando o caderninho e colocando-o à sua frente, apoiando os antebraços na mesa, atrás do objeto azulado. — Eu poderia ter te xingado por me olhar diariamente em silêncio, nunca se aproximando, poderia ter revirado os olhos e saído, assim como poderia ter sorrido e o acolhido, a questão é que você tem que tentar, pois sendo ruim ou bom você ao menos tem o benefício do fato.

— E o que você teria feito?

— Sorrido e acolhido. — Ele falou rápido, sorrindo travesso ao que inclinava para trás com os braços cruzados. — Óbvio que se fosse um velho qualquer eu não falaria assim tão fácil, mas para você... — Ele pisca com um olho e eu desvio meu foco para qualquer outro ponto do terraço, pegando o copo d'água que chegou no mesmo instante junto do menu e o bebericando em silêncio, fazendo o loiro rir vitorioso ao que recebia seu cardápio da mesma forma que eu, ambos entregues pela garçonete que permaneceu ali de pé em silêncio, tudo isso comigo ainda evitando contato visual com o rapaz, ouvindo seus murmurinhos risonhos ao fundo.

Olhamos o que tinha na lista de pratos do local e pedimos rapidamente o que queríamos, sem perder um segundo sequer. Mesmo que ninguém dissesse em voz alta, estávamos tão concentrados um no outro e o que aquele dia tinha a oferecer, que queríamos tirar aquele obstáculo de falar com terceiros da frente, isso incluindo fazer pedidos de comida.

Escolhi para o momento sanduíches naturais e um suco de maracujá, Jimin, por sua vez, decidiu para si uma salada de frutas com suco de limão.

— Bem, sobre o caderninho, acho que devo agradecer novamente. Eu poderia simplesmente o substituir por outro, mas isso não apagaria a importância deste aqui em questão, então obrigado mesmo. — Falou assim que a garçonete se retirou, olhando com um ar tristonho ao objeto. — Você leu o que tinha nele? — Sua aura se acendeu novamente, voltando a ambientação tranquila e alegre em questão de segundos, como se não quisesse estragar o clima entre nós, e em resposta eu neguei rapidamente. — Muito educado da sua parte, agradeço novamente o ato, contudo, devo afirmar que é engraçado considerar que se lesse certa parte dele descobriria algo... — Ele folheia as páginas novamente, um sorriso exageradamente provocativo abrindo no canto de seus lábios me fazendo rir. Era como se um mafioso estivesse contando o dinheiro que ganhou de algum plano infalível. — Você pode achar que era invisível, mas eu também sou um bom e curioso observador.

Com o mesmo sorriso decorando seu rosto ele virou o caderno para mim, o item aberto em duas páginas específicas, inclinei-me para olhá-las com mais atenção. Em uma eu reconheci um esboço simples da silhueta de alguém sentado em um banco, com um chapéu tampando o rosto e as mãos ocupadas sobre as coxas em algum tipo de caderno.

Do lado, na outra folha, palavras escritas em uma caligrafia impecável, bem espaçada e decorada:

"Ele é uma mancha preta em meio ao verde, mas curiosamente parece ser tão harmônico quanto às senhoras com roupas de estampa de plantas".

— E-esse sou eu? — Perguntei com os olhos levemente arregalados, analisando novamente o desenho, sentindo meu coração falhar uma batida. Desta vez, observava aquilo com um brilho diferente nas íris, uma euforia me abraçava agora que sabia que Calico também tinha noção da minha presença por todo esse tempo.

— Sim! Você achou que era discreto usando tecido preto dos pés a cabeça em um parque? Não foi logo no início, mas definitivamente te via ali já tinha um tempo, só que assim como você, criei diversos cenários em minha cabeça, um deles sendo você preferindo ficar sozinho. — Ele fala em meio a pequenas gargalhadas, os olhos tão finos quanto às linhas de sua letra. — Embora eu não soubesse que também me observava. Toda vez que eu o encarava, você estava de cabeça baixa, desenhando algo em um caderno sobre as coxas.

— Foi quando eu te dei mil caras.

— Pois agora sabe que tenho apenas uma. — Ele olha alegre para o papel enrolado ao lado do buquê onde fiz seu desenho. — Por isso eu digo que te aceitaria sem problemas ao meu lado caso fosse falar comigo...

Depois de sua fala ficamos por um tempo em silêncio, olhando de modo casual para o espaço ao nosso redor e trocando olhares cúmplices quando acabávamos nos fitando periodicamente.

Ora ou outra eu sentia meu celular vibrar em meu bolso, mas estava tão entretido no clima do momento que ignorava, não queria perder um segundo da sensação.

Não demorou para a garçonete estourar nossa pequena bolha e chegar com nossos pedidos, agradecemos o serviço e começamos a degustá-los em comentários compartilhados sobre o quão bom eram, em meio a isso acabei por descobrir que o dono do local era um amigo do loiro que devia uma visita ao estabelecimento, por isso queria ter aquele momento ali. Se não me engano, o nome do mesmo é Namjoon. Um homem ocupado pelas palavras de Jimin, ainda mais com a inauguração do comércio tendo sido a menos de uma semana.

— Bem, nossa conversa tá mais para um interrogatório de minha parte pelo tanto de perguntas que fiz a ti, agora é sua vez, não tem nada que queira saber? — Mordi mais um pedaço de meu lanche, mastigando com calma, ponderando sobre qualquer curiosidade que eu tive ou ainda tinha em relação a ele.

Desde o início, minha prioridade era saber como Calico se parecia e onde ele estava para eu entregar seu caderno, ambas eu consegui completar. Só havia uma única coisa que eu não sabia a explicação e minha garganta coçava para perguntar, a hesitação de sem querer ser insensível era gigante.

— Quando você parou de ir tão frequentemente, lembro-me de ver uma aura triste ao seu redor, logo depois você simplesmente parou de aparecer por lá, o que aconteceu? — Vejo seus ombros imediatamente caírem em certa melancolia e uma gigantesca vontade de querer me socar por ter feito isso aparece queimando em meu peito. Às vezes, tudo o que preciso fazer é fechar a boca, mas acabei me deixando levar com a liberdade que sua pergunta e o clima momentaneamente me deram, por situações assim que sinto que a minha timidez é reforçada. — N-não precisa responder se for algo muito pessoal, me desculpe mesmo!

— Relaxa, Jungkook. — Ele instantaneamente estica sua mão para colocar sobre a minha, seus olhos cravados nos meus até que me visse mais calmo deste surto interno, grunhindo satisfeito ao atingir tal feito. — Bem, lembra que eu disse sobre a importância desse caderninho? — Concordei, desviando discretamente o olhar para sua mão que ainda se encontrava sobre a minha, ele olhava para a mesa onde seu caderno estava, distraído do fato de como levemente mexia sua destra praticamente acariciando a minha.

Ela era quentinha e macia, parecia cuidar muito bem de sua pele ou apenas não fazia trabalhos muito manuais. Não podia evitar de minhas bochechas se tornarem rubras, porém também não queria que ele percebesse o que fazia e tirasse ela dali, então apenas desviei o olhar para seu rosto sem mover um músculo da mão.

— Fui criado por meu pai e minha avó desde os sete anos, quando minha mãe sofreu um acidente em seu serviço e acabou não resistindo. Minhas lembranças dela estão quase apagadas da minha memória, então por favor não me olhe com essa cara de pena! — Imediatamente muda o tom de suas palavras, apontando o dedo em um sinal de aviso, acabei rindo enquanto negava a acusação.

— Não estou olhando com pena, mas um pouco surpreso em como fala isso com um tom calmo, sou o tipo de pessoa que demora a lidar com a morte, muitas vezes nem consigo, ainda mais de alguém como "mãe" ou "pai". De qualquer forma, você é forte por gerenciar a situação assim, com tanta positividade, eu mesmo já estaria chorando. — Ele ergue as sobrancelhas surpreso por um rápido momento e sinto sua mão apertar a minha em um espasmo, ele percebe sua atitude e tira ela de onde estava, pedindo desculpas com uma risada curta e contida. Meu coração apertou em decepção, parecia até que minha pele ficou dez vezes mais gelada sem a sua lá, mesmo hoje o sol brilhando fortemente no céu.

Permaneci em silêncio, com um pequeno sorriso repuxando o canto de meus lábios, pedindo silenciosamente que ele continuasse seu pronunciado. Escondia minha rápida tristeza de não ter mais contato consigo e tentava telepaticamente passar essa mensagem a si.

— Fico feliz de pensar assim da minha pessoa, mas é como eu disse, as memórias de minha mãe estão fracas em minha cabeça, por conta disso que consigo lidar com a sua perda de uma maneira positiva, ao ouvir o resto da história vai ver que não sou muito diferente de você. — Fala ao que ria de maneira desanimada, coçando o queixo com o mesmo sorriso sem graça. — Enfim, minha avó é uma mulher guerreira e uma imagem materna para mim, ela foi artista plástica e agora faz esses artesanatos e estampas em objetos, ela quem pintou este caderno. Nana estava junto de minha mãe durante o parto e disse que o céu encontrava-se assim quando eu nasci. — Ele acaricia o objeto sorrindo orgulhoso ao azul vivo dele, não pude evitar de espelhar a feição. — Assim como ela é uma heroína é também protetora e prevenida de tudo, tanto que quando ela me deu ele, disse que um dia não estaria mais aqui na terra para ouvir meus desabafos sobre a vida, mandou então que no lugar de falar tudo, eu escrevesse o que queria liberar de minha cabeça nestas páginas, pensamentos presos, opiniões e situações, ela disse que do céu estaria lendo tudo para se manter atualizada. — Inspira profundamente crispando seus lábios, um sorriso quebrado indo e vindo de seu rosto. — Quando eu parei de ir tanto ao parque foi porque ela já estava com a saúde fraca e a ideia dela morrer me atormentava todo dia, pois ela tomou o papel de mãe e se tornou muito importante para mim, então queria ficar ainda mais próximo dela durante esses dias. Seguindo essa linha de raciocínio, decidi diminuir minha frequência em saídas, mais tarde, nos dias seguintes, descobri que ela sofreu um acidente em sua casa, escorregou em um dos degraus da escada, os vizinhos que precisaram chamar a ambulância, eu estava no parque quando recebi a ligação e lembro de sair correndo, foi quando perdi o caderno. — Ao que ele falava tudo, o que eu pensava eram nas imagens destes respectivos dias, cada coisa fazendo sentido agora que eu sabia seus significados. — Não tinha disposição para voltar ao parque com ela no hospital e também tinha o dever de cuidar do gatinho dela, um gato de chita. — Um sorriso pequeno se abriu em seu rosto ao que olhava pra mim.

Jimin nasceu para o termo Calico.

— E ela...?

— Ela está viva ainda, teimosa como sempre, — fala soltando todo o ar de seus pulmões em um suspiro exausto, — mas esse acontecimento me fez sentir na pele tamanho o medo que tenho de perdê-la, meu pai quem está cuidando dela em sua casa. Nochu, seu gato, está fazendo companhia em meu lugar. — Uma risada divertida escapa de seus lábios. — Nana não me quer lá, disse para que eu não me prendesse a ela, para que eu continuasse a viver minha vida apenas sabendo que morta ou viva ela estaria comigo e que não queria me ver triste, a imagem ainda sim me assombra. Entende porque o termo "forte" não serve em uma situação de perda para mim? No fim, nosso sofrimento vem no peso do nosso amor pela pessoa e sinto que serei esmagado quando o dia chegar.

Sorri para o outro com gentileza e empatia, esticando minha mão sobre a mesa com a palma para cima pedindo sem o uso de palavras pela sua. Ele olhou para mim por alguns segundos antes de deixar um sorriso envergonhado escapar e colocar ela sobre a minha. A quentura pareceu acalmar tanto eu quanto ele.

— Eu estaria sendo um mentiroso se desse uma de psicólogo agora, normalmente não sei nem resolver os sentimentos da minha própria vida e também não sou bom com conselhos, mas quero que saiba que assim como sua avó está contigo eu também estou, às vezes tudo o precisamos está no silêncio de uma companhia, afinal, não tem como prever o futuro, muito menos que "tudo vai ficar bem". — Falo e meu corpo me trai quando meu rosto esquenta em um rubor envergonhado fazendo o outro rir. — C-claro que nos conhecemos agora, v-você não deve confiar nos outros facilmente e me meter em um assunto de família ass–

— Jungkook. — Ele novamente corta pela raiz meu pequeno surto, rindo rapidamente assim que travamos contato visual. Meus dedos impulsivamente acariciando os seus e ele fazendo o mesmo ainda rindo de minha performance cômica. — Obrigado, de verdade. — Um silêncio tranquilizante automaticamente nos rodeia, trocamos textos e textos apenas pelos olhos brilhantes, ora ou outra ele sorria e então desviava o olhar levemente corado.

— Você é belo, Calico... — Murmurei sem perceber enquanto admirava seu perfil curioso quanto ao terraço em que estávamos e as suas decorações, mas ele pareceu ouvir, pois suas bochechas se avermelharam ainda mais. Não pôde evitar de rir, virando-se em minha direção com a mesma pose alegre.

— Fico agradecido em relação ao elogio, você também é, Bunny. — Grunhi risonho e eu sinto pela enésima vez no dia me apaixonar por ele, seu sorriso e os barulhos que faz quando gargalha. — Afinal, por que "Calico"? Isso me deixou curioso desde que me chamou diretamente desta forma.

— Em algum ponto eu não me sentia mais confortável de vê-lo apenas como "o menino do parque" e quis identificá-lo de alguma maneira, assim surgiu Calico. Tudo aconteceu depois de ver tantos gatinhos de rua irem se esfregar em suas pernas a pedido de carinho. — Ele tomba a cabeça para o lado surpreso com a explicação, seus lábios contraindo o sorriso que queria escapar, mas seus olhos não conseguiam esconder sua animação pelo apelido e aquilo me deixou extremamente feliz. — E porque "bunny"?

— Bem, eu não tenho muita criatividade igual você e apenas apareci com o primeiro apelido que surgiu a cabeça quando vi uma foto sua, seu sorriso lembra um coelhinho. Um coelho com a galáxia nos olhos devo dizer. — A última sentença ele murmura perdido, olhando para mim com atenção e carinho. Acabei sorrindo sem conseguir me conter e ele riu apontando para mim, mais especificamente a minha boca. — Viu?! Um coelho!

— Ok, aceito, pois te comparei a um gato. — Falei rindo entre as palavras, tomando um gole de meu suco. — O que acha de depois daqui darmos uma volta? Conheço um lugar com alguns fliperamas. — Sugeri vendo ele se torcer para também tomar da sua bebida com calma, usávamos as mãos livres para fazer isso não importando como precisávamos nos contorcer para tal, apenas não queríamos soltar aquelas que estavam se tocando.

— Eu adoraria, já faz um bom tempo que não jogo algo.

E assim iniciou talvez a minha melhor tarde com Calico.

Pudemos nos conhecer como desejávamos. Trocamos fatos, piadas, histórias e sonhos futuros, tudo em meio a risadas, bochechas vermelhas, sorrisos e silêncio aconchegante. Não seria mentira se eu dissesse que conversamos mais por olhares do que por palavras.

Jimin é uma pessoa extrovertida e interessante de se conversar, então mesmo quando o assunto acabava ele puxava de algum lugar um tema para se discutir, nem se importando com a conversa durando um minuto ou mais, com isso descobrimos ter muitos pensamentos em comum, o que tornou ainda mais fácil de ficar ao seu lado. Quando menos esperei já estávamos íntimos, empurrando e caçoando um do outro como amigos de longa data, não podia pedir por mais.

Contei também sobre Hoseok, Jin e Yoongi e ele sobre Taehyung e Namjoon, eram histórias que somadas não acabavam mais. Do tipo de quando eu e Hoseok pulamos um muro achando que era uma propriedade abandonada e tivemos que fugir do cachorro dos donos que veio atrás de nós, com ajuda de Jin para distrair o animal, até quando Taehyung e Jimin brigaram em público por conta de um bolinho e Namjoon os abandonou em meio ao estabelecimento com vergonha daquele comportamento.

Como sugerido, também fomos em um fliperama da região e descobrimos que sou o melhor em jogos de tiro e ele nos de luta, mas acabei ganhando nos dois, o que me obrigou a fazer o sacrifício de carregá-lo nas costas já que ele emburrou e não queria sair do lugar até ganhar um jogo de mim. Literalmente tinha ficado parado no meio do local de braços cruzados e feição fechada, tentando me convencer a jogar mais uma partida.

Mais tarde, enquanto conversávamos durante uma caminhada nas ruas mais tranquilas de Seul, ele me contou que é estudante de dança contemporânea, até mesmo mostrou uma de suas apresentações que gravaram e me senti nas nuvens de vê-lo dançar tão fluidamente, uma imagem que nunca pensei precisar até ver de fato, também foi uma resposta a como seus movimentos são tão delicados e bem calculados, até mesmo quando não presta atenção.

Fiz uma anotação mental para um dia presenciar aquilo pessoalmente.

Já no fim da tarde fomos a um museu e ele exibiu orgulhosamente seu conhecimento em arte acompanhado de um sorriso provocativo. Aparentemente, visitava locais do tipo com Namjoon e acabou aprendendo algumas coisas do mais velho. Ouvir ele falar coisas tão profundas e intelectuais me fez derreter, tinha certeza que eu parecia os relógios de "A Persistência da Memória" e Jimin caçoava disso sempre que tinha a oportunidade.

Ele tinha noção do poder que tinha sobre mim e se esbanjava com isso apenas para rir de minhas feições.

Como última parada, fomos ao parque. Desta vez, ao invés de ficarmos sentados em bancos distantes olhando para o céu, caminhamos lado a lado, raspando nossas mãos e braços, empurrando um ao outro em provocações diversas e risadas gostosas de ouvir, até mesmo paramos na frente de nossos bancos em uma reprodução das cenas passadas, contando animadamente coisas interessantes ou manias que detectamos durante as nossas observações silenciosas.

Não deixamos de sorrir um segundo.

Depois de um tempo em silêncio, após todas as histórias que precisavam serem ditas enfim tomaram os ouvidos de nós dois, o loiro se aproximou de mim rindo divertido, pulando e rodando como uma criança em uma doceria, parando a minha frente desta vez com um ar animado, depois encarando o céu de maneira sonhadora em total silêncio.

— Incrível como esse lugar parece ainda mais bonito hoje. — Divaguei maravilhado, olhando para cima e vendo aquela escuridão pacífica. — Uma pena o céu daqui não ser nada favorável as estrelas, quase não posso vê-las. — Falo desta vez tristonho, vendo apenas alguns pontos fracos brilhando distantes um dos outros.

— Estranho porque desde tarde eu estou vendo milhares delas. — Ri divertido com o comentário sem nexo, descendo minha atenção para Jimin que me olhava com seriedade, assim dando peso às suas palavras e me fazendo espelhar sua expressão, mas com um toque confuso ao que ele queria dizer. — Você as carrega em seus olhos, Jungkook. Preciso repetir?

— Jimin... — Murmurei envergonhado, incapacitado de dizer qualquer outra coisa, um sorriso sem graça brincando em meus lábios.

— Não sei se é estranho dizer isso, porém quero tanto beijá-lo. Posso? — Ele fala calmamente em um tom baixo, com sua face próxima a minha. A maneira como falava tão seriamente me deixava sem graça, porém, nesta única vez eu o encarei de igual a igual, sem de fato encolher-me.

A lua refletia em seus olhos e eu não pude deixar de grunhir satisfeito com a cena que presenciava.

— Faça, pois eu também quero. — Disse sorrindo ladino e o recebendo de braços abertos quando grudou nossos lábios e corpos.

Suas mãos quentes serpenteiam perigosamente por meu peito até descansarem em minha nuca, enquanto isso as minhas escorregavam com firmeza, fazendo toda a curva de sua cintura bem moldada. Como esperado, seu toque ouriçava toda minha pele sensível, seus lábios eram macios e extremamente convidativos.

No início pareceu complicado nos encaixarmos com perfeição, talvez a hesitação e nervosismo de termos nos "conhecido" hoje ainda vagava por nossas veias, mas não demorou para que nossos movimentos se sincronizassem e nos encontrássemos pela enésima vez no dia em uma bolha apenas nossa.

Minhas palmas deslizaram um pouco mais e repousaram-se embaixo de sua blusa, acariciando gentilmente sua pele com a ponta de meus dedos, enquanto eu sentia seu gosto de morango do sorvete que compramos mais cedo no próprio parque misturar-se com o meu de baunilha. Certos momentos eu mordia seu lábio inferior e o puxava como se isso transmitisse mais do seu sabor, não só ele como seus grunhidos doces e saborosos que queria ouvir mais.

Seus lábios avermelhados desceram pela minha pele, selando e mordiscando meu pescoço para depois me selar novamente, só assim abriu seus olhos e desta vez eu quem via o reflexo das estrelas neles, talvez da Via Láctea inteira.

Nossos corpos ainda estavam juntos e ninguém mexia nada além do necessário, não queríamos nos afastar, pelo contrário, nos puxávamos para ficarmos ainda mais próximos.

— Acha que algo pode sair disso? — Perguntou olhando fixamente a mim, referia-se a um relacionamento e eu enfim pude ouvir o bater rápido e desesperado de meu coração misturado, para minha surpresa, com o seu, que também estava desenfreado em batidas fortes.

O mundo voltou a ter som e eu ri sem graça.

Era o que eu mais desejava, principalmente depois de hoje onde nunca estive tão entretido e feliz com alguém.

— Por mim? Sem sombra de dúvidas. — Disse e ele agarrou minhas bochechas as apertando a ponto de fazer meus lábios formarem um bico extravagante.

— Vamos ver então. — Ele riu de como minha feição se distorce com o aperto, selando novamente meus lábios rindo agora ainda mais alto. — Você é fofo, Jungkook. Espero poder construir algo contigo, meu dia hoje não poderia ter sido melhor.

— Fofo, hm. — Balbuciei revirando os olhos, arqueando uma de minhas sobrancelhas e apertando com mais firmeza sua cintura o vendo umedecer os lábios. — Engraçado ser você quem diz isso... — Ri soprado voltando a fazer carinho em sua pele.

— Hey! O parque vai fechar, vocês precisam ir embora! — Nos assustamos quando uma voz desconhecida bradou pelo local, viramos com rapidez tendo a chance de ver um segurança parado ao longe, balançando sua lanterna para o alto ao que estava nos encarando.

Olhamos em volta e de fato naquela área só tinha a gente, todos já deveriam ter se dirigido a saída naquele ponto.

Tínhamos nos perdido um no outro a ponto do tempo ficar em segundo plano.

— Vamos? — Perguntei esticando a mão e ele sorriu travesso, puxando a mochila que estava em minhas costas assim como fez no fliperama para colocar nas suas e então se jogar em mim tomando o lugar da mesma como um coala. Jimin mostrava um comportamento tão másculo e forte, mas não enganava quando tudo o que mais gostava era ser carregado por aí, mimado com elogios e outras coisas que enchessem seu ego. Tinha percebido isso dele e para que? Apenas para me atrair mais. — Você é realmente inacreditável. — Joguei-o levemente para cima para assim encaixar corretamente minha palma em suas pernas.

— Por hoje você é meu submisso e fará tudo o que eu mandar, então ande cavalinho. — Ele aponta para frente com uma falsa feição tirana e eu me senti abençoado podendo ouvi-lo tão perto de meu ouvido.

— Você quem manda, majestade.

Tomei impulso e saí correndo por todo o caminho ouvindo sua risada enquanto dava pequenos gritos animados, quem olhasse de longe acharia que estávamos loucos, mas o que fazer quando a felicidade nos causa isso, não?

O caminho todo foi tranquilo e cheio de pequenos momentos para se apreciar, até ficamos enrolando em certos pontos do trajeto apenas para ficar conversando e se beijando mais vezes, o que não posso reclamar. Por sorte conseguimos pegar o último ônibus disponível para deixar o loiro em casa e a viagem inteira foi novamente cheia de carícias, piadas e empurrões por conta das provocações, como, por exemplo, ele relembrando minha querida peça vergonhosa no metrô e como eu gritava Taehyung, obviamente eu devolvia lembrando que em um dos dias no parque as pombas derrubaram seu pequeno potinho de pipoca para comer todas elas e ele emburrou pelo resto do dia, pois o homem que vendia as tais pipocas já tinha ido embora do local.

Foi simplesmente um passeio agradável como um todo, não tinha como descrever de maneira diferente. Incrivelmente, meu corpo não estava nem um pouco cansado, muito menos minha mente, podia fazer programações do tipo todos os dias se fosse o caso e reagiria como se fosse a primeira vez vivendo todas elas.

— Aqui que seu rei mora, um belo de um castelo, não? — Ele apontou para o prédio de tom escuro de no mínimo dez andares o qual estávamos à frente. Olhei em volta curioso com o lugar que nunca tinha visitado antes, era um bairro tranquilo pela imagem que passava naquele instante e também bem simples.

Jimin encontrava-se no terceiro degrau da escadaria e eu no primeiro, apoiado no corrimão agora com meus olhos já voltados a ele.

— Bem, é aqui que nos despedimos, mas espero que possamos nos ver novamente, o que acha? Como um encontro oficial desta vez, ao invés de apenas uma devolução de caderno. — Ele balança o caderninho que estava junto do pergaminho e do buquê o qual carreguei dentro da mochila o dia inteiro para si, sorri animado concordando de imediato com sua proposta.

— Um encontro... — Repito com uma exagerada feição pensativa. — Soa bem, talvez assistir um filme ou ir ao shopping, podemos decidir por mensagens, de qualquer jeito, um encontro, sendo ele qual for, já é convidativo desde que seja com você. — Inclino-me em sua direção tendo o ato rapidamente espelhado, assim selando nossos lábios de maneira longa, depois dando vários selinhos curtos, rindo em meio a eles para só então se separar.

— Vamos parar por hoje ou então nunca vou conseguir entrar, somos muito apaixonadinhos, minha nossa. Imagino o que vão falar quando eu contar tudo, já se prepara que agora que Tae tem seu número ele o encherá de perguntas para ter certeza que não irá me largar no meio do caminho, podemos dizer que nem tudo foi flores em meus relacionamentos passados. — Acaricio sua mão rindo soprado com o aviso.

— Não seria capaz de algo do tipo, acredite. — Selo sua bochecha vendo ele grunhir satisfeito e enfim se despedir para valer, subindo as escadas com rapidez assim adentrando o prédio e virando-se em minha direção enquanto ainda era visível aos meus olhos, balançando os braços animadamente em diversos "tchau".

O acompanhei sumir em meio as escadas do hall de entrada para então sentir o celular vibrar em meu bolso segundos depois. Liguei o ecrã curioso vendo diversas notificações de mensagens que ignorei pelo dia inteiro, a mais nova delas sendo de Jimin, o que me fez rir sobre como poderia ser tão rápido em me contatar novamente quando mal tinha saído de perto de mim.

Jiminie:
                    Mal posso esperar para ver como "meu Calico" soa em sua voz a partir de agora.
                    Boa noite, bugs bunny.

Você:
Boa noite, meu Calico.
Sonhe tentando descobrir isso. ;)

FIM


Notas Finais


🐾 #calicoebunny 🐾

— Heyy!! Espero que tenham gostado desse romance fofo e leve que escrevi!
Se você conseguiu ler ela até aqui eu agradeço do fundo do meu coração, nunca fiz one shot's antes, essa foi minha primeira tentativa, então não sabia como distribuir o assunto nela, fora que sou muito insegura com a minha escrita :(( perdão qualquer erro gramatical ou furo na história, eu tentei meu melhor!

Não sei como o povo utiliza esse negócio de tag para fanfic (pareço uma velha falando, minha nossa senhora), mas caso queiram falar da história no twitter podem utilizar a hashtag #calicoebunny que eu posso acabar dando uma olhada e interagindo, isso se houver algo para interagir irra 🤠

Meu user no twitter é thednize e lá você pode encontrar o meu curious cat caso prefira dar sua opinião anonimamente, os comentários e favoritos aqui do spirit também são muito bem vindos!

Tomem bastante água e fiquem seguros durante essa continuação da pandemia!!


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