História Caligem em meus óculos - Capítulo 1


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Personagens Personagens Originais
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Palavras 4.502
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Saga, Slash, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


FALA CHUKYS E FUJOSHIS!! BLZ!! TRANQUILOS EM SEUS ASILOS TOPE!!!

Eu sei que essa é a ideia mais velha do mundo mas estou ligando o foda-se e quem vier reclamando de clichê vai tomar um pau –q Olha, tudo que eu posso dizer é boa leitura. A fanfiction está escrita em primeira pessoa (o personagem narra a própria historia) eu acho que é primeira pessoa já esqueci a diferença, enfim! Vocês entenderam!

Capítulo 1 - I - Primeiro passo de um sonho escondido


Fanfic / Fanfiction Caligem em meus óculos - Capítulo 1 - I - Primeiro passo de um sonho escondido

— E é com esse discurso que a maioria de vocês já devem estar cansados de ouvir e se perguntando que horas vão pra casa que eu dou-lhes as boas-vindas ao Colégio Cambria Tavares II. — Depois do discurso de Edward ele se reverenciou junto de Pedro, Neil, Maxwell e Franklin e as palmas em coro se tornaram a trilha sonora do pátio, eu sabia que as palmas eram tanto dos veteranos quanto dos novatos. Aquela recepção foi tão bonita quanto á do ano passado que Edward também havia feito, e afirmo com toda a certeza do mundo que com as palavras bem ditas sem nenhuma falha na voz ou tremedeira no corpo ele havia conquistado o coração dos calouros, mas afinal, quem seria capaz de não ser conquistado pelo sorriso que enfeitava seu rosto? Pelo carisma na voz? Pela aparência excêntrica e sedutora? Eu estou começando a soar como uma garotinha apaixonada...

Sentado aqui na sexta fileira de cadeiras perto do palco eu sinto uma enorme nostalgia tomando conta do meu corpo e alma, assistindo Edward e os superiores da escola é como se eu tivesse voltado no tempo, voltado ao ano passado quando eu era um aluno novo sem muita motivação, sem muitos sentimentos e principalmente: confuso sobre a vida. Vendo-o ali novamente eu me lembrei da sensação que é se apaixonar, sinto que me apaixonei por ele de novo. Isso é bom de certo modo, mas parando para refletir isso se torna uma tortura interna...

Já faz um ano, UM ANO! Que eu o vi; apaixonei-me e ainda não tive coragem de ir falar com ele.

Começou com uma simples atração física, quando eu o vi no palco... Com a luz do equipamento superior preso no teto iluminando seu corpo e fazendo seu rosto brilhar foi mágico, e foi mais mágico ainda quando ele sorriu exibindo aqueles lindos dentes brilhantes e aquela feição singela que parecia ter amor até pelo mundo e mais um pouco...

Comecei a observa-lo de longe muito curiosamente, eu queria saber tudo sobre ele, o que ele fazia; comia; gostava e não gostava. Percebi que ele era o garoto mais popular da escola, todo mundo naquela construção retangular conhecia ele, desde alunos á funcionários; principalmente os funcionários, até as tias da cozinha falavam bem dele. Eu não sabia o porquê dele ser tão famoso até que ouvir dizer que era por causa do seu espírito animado, carismático e sua humildade, parecia que todo mundo ali era contagiado pela sua alma imperativa. Notei também que o fato dele frequentar o clube de teatro; musica e ter um canal no Youtube de Gameplay era uma adição á sua popularidade.

E, diga-se de passagem, como eu era um rapaz apaixonado (eu ainda sou) fui pesquisar correndo na internet o canal dele. Chamava-se: Ed Red. Chutei que “red” poderia ser referencia a cor dominante de seu cabelo e “Ed” claramente era uma abreviação de “Edward”. Seus vídeos variavam: a maioria gameplay, a minoria dividida entre desafios aleatórios; paródias musicais e gravações de suas apresentações e ensaios do teatro. Para um canal pequeno, mil inscritos era bastante coisa e eu fiquei com uma pitada de ciúme, muita gente fora da escola deveria conhecer ele porque não é possível um ser criar mil perfis falsos. Quando parei para refletir, meu ciúme se tornou uma melancolia: muita gente conhecia ele, Edward tinha vários amigos e muito amor à receber, o que eu poderia oferecer de diferente?

Foi com esse pensamento que eu tentei tirar ele da cabeça durante um ano inteiro, péssima ideia. Nossa escola era grande, mas isso não impediu que nos encontrássemos de vez em quando, cursávamos o primeiro ano do Ensino Médio e por isso frequentávamos o mesmo intervalo, eu o via de relance sentado numa mesa rodeado pelos seus amigos, e posso dizer que com minha curiosidade eu também descobri sobre os amigos deles:

Pedro, um branco loiro de olhos azuis, o melhor amigo dele; muitos o chamavam de arrogante por ele expor sua opinião, outros o chamam de nazista por ele contar piadas antissemitas sempre que tem a oportunidade, mas eu sei que ele não é nada do que falam, como? Simples, ele fazia parte de um programa que ajudava arranjar dinheiro para a caridade, conheço a rotina do Pedro, ele trabalha numa lojinha no centro onde os fundos também vão para a caridade, eu já o vi fazendo serviço comunitário para essas instituições, e mais: ele já fez dois discursos ao longo do ano passado falando sobre a instituição que é associado, na minha particular opinião, Pedro é um cara legal, por mais que não pareça. E não, eu não tenho ciúmes dele, nem pelo fato dele estar todo santo segundo ao lado do Edward.

Neil seria o braço esquerdo de Edward (visto que Pedro é o braço direito), tem cabelo inteiramente azul e olhos castanhos; pele parda. Ele não é tão diferente das pessoas para ter uma descrição detalhada. Maxwell e Franklin são morenos. Esses três em especifico sempre estão nos vídeos do Edward, só não aparecem quando ele está jogando sozinho ou com Pedro, aparecem mais em vídeos desafios e nas paródias, eu admito que já ri muito em um vídeo que Maxwell ganha uma aposta e ganha o direito de atirar flechas de borrachas nos amigos, foi muito engraçado. E mais, descobri que o cabelo do Edward só é vermelho porque ele e Pedro fizeram uma aposta: quem tivesse o menor número de curtidas na foto de perfil do Facebook teria que pintar o cabelo de uma cor que o vencedor escolhesse; isso foi quando eu não estudava em Tavares, eu queria ter votado nos dois talvez, mas foi uma boa ideia dele porque Edward fica muito bom de cabelo vermelho, muito bom mesmo...

Mas voltando a parte “eu pensei que iria conseguir esquece-lo, mas vê-lo acidentalmente todos os dias não estava favorecendo minha situação”, parecia que o destino e o plasma do universo queria que eu deixasse de ser um idiota e fosse falar com ele, mas eu nunca consegui e acho que nunca vou conseguir... Suspirei, suspirei muito forte e languido...

Sabe, eu nunca fui um adolescente muito confiante quando o assunto é fazer amigos, na verdade eu nunca tive amigos de verdade, só colegas: pessoas que só converso na sala apenas sobre matérias, trabalhos e coisas do gênero. Eu descobri que era gay quando meu amor por Edward já estava no nível d’eu... Bem, eu não vou falar isso! Enfim, eu queria urgentemente desabafar com alguém! Eu queria soltar, falar de uma vez, mas eu não tinha ninguém. Não tinha amigos, minha família é religiosa num nível fanático e nunca aceitaria, a única coisa que me restará foram às redes sociais, o que eu fiz foi criar um perfil falso e falar sobre meu problema num grupo de gays, de pessoas que me entendiam e que iriam me apoiar. Eu gostei de ter tomado aquela iniciativa, recebi muito apoio da comunidade, varias pessoas me consolando e me dando forças para eu realizar a declaração, claro que tiveram algumas pessoas me chamando de dramático e coisas do gênero, mas foi incrível aquela recepção, pela primeira vez em muito tempo eu me senti... Amado? Não sei explicar, ainda é um sentimento novo para mim.

— Isso é tudo estudantes! Espero que tenhamos um bom ano de novas amizades e aprendizados! — O diretor deu a palavra final dando um sinal que todos poderiam ficar à vontade, todos bateram palmas em retorno.

Bem, acho que vocês não sabem por que eu não contei antes, a professora de português Jéssica é diretora do clube de teatro, mas ela deixa Edward e seus amigos cuidando quando ela não está, como hoje é a recepção dos calouros eles fizeram uma banca (não foram só eles, outros alunos de outros clubes também fizeram, esse ano os novatos teriam uma oportunidade de entrar num clube logo de cara), bem, não tem ninguém indo na banca do teatro, Edward está com seus amigos distraidamente, acho que é a hora perfeita d'eu ir lá e tentar falar com ele, já tenho uma desculpa, um plano de B à Z caso tudo de errado... Estou muito nervoso, é a primeira vez que vou falar com ele!

Começo a caminhar em sua direção, ele está muito longe, diga-se de passagem, aumento a velocidade do meu paço com cuidado pra não acabar tropeçando, desvio o olhar para minha mão e finjo estar mexendo em alguma coisa no celular, não quero ficar olhando para ele e do nada ele acabar olhando pra mim! Já imaginou? Estou nervoso cara! Coloco o celular no bolso e ando como quem não quer nada, tento conter a tremedeira, fecho a boca mordendo o lábio externo, eu estou chegando perto da banca (que era só uma carteira grande enfeitada com uma placa escrita 'junte-se ao clube de teatro!') cassete! Será que eu vou conseguir?! Eu juro que estou suando! Respiro fundo com o nariz e não com a boca porque se eu abrir a boca vou começar a gritar igual uma franga!

Agora estou a uns cinco passos da banca, eu paro? Volto? Continuo? Olho para o celular? Eu continuo! Continuei andando mesmo!

— Eu estou falando pra vocês, esse ano vamos ter mais inscrições! Maxwell, Edward quanto vocês vão apostar desta vez? — Eu ouvi Neil desafia-los, ele estava rindo e fazendo sinal de dinheiro. Maxwell lhe mostrou o dedo do meio rindo e isso só fez com que os outros rissem mais. Então ano passado eles tiveram muitas inscrições? — Olha ai, já tem um cara vindo, esse é o terceiro. — Meu Deus ele apontou pra mim, não pera, ele está olhando para mim e sorrindo para mim. Agora todos estão olhando e sorrindo pra mim, inclusive o Edward! O Edward nunca sorriu pra mim, eu vou ter um treco, alguém me salva, por favor.

— Ah... Oi, eu vim pra... É. — EU TRAVEI MERDA! Plano B: mão vai pegar o celular e da um beliscão na bunda, acordei, agora vai, ‘to corado, mas vamos! — Como eu faço para me inscrever? Eu queria muito parti- Fui interrompido.

— Bem-vindo novato! — Edward exclamou animado puxando minha mão num forte cumprimento, eu sorri e cumprimentei de volta, Deuses a mão dele é tão quente e... Forte! Uou, mas eu gostei, é a primeira vez que eu toco nele, sem contar alguns esbarrões. — Você só vai ter que me responder algumas coisas, então tá dentro. — Ele disse com uma expressão singela, ele estava tão lindo animado daquele jeito, eu o vi pegar um papel e uma caneta. Maxwell sentou-se na mesa da banca.

— Oi cara, prazer, sou Maxwell, e relaxa os veteranos daqui não pegam pesado, não somos o exército. — Ele fez uma piada apontando de canto para o Franklin (eu entendi a referência, Franklin havia pregado umas pegadinhas no ano retrasado, sorte que eu não estudava aqui).

— Na verdade, eu estudo aqui desde o ano passado. É que só me interessei no teatro agora. — Meio que me desculpei coçando a nuca em nervosismo, porra eu fiquei mais nervoso quando Edward, Neil, Maxwell e Franklin me olharam surpresos. — O que?... — Eu indaguei meio gago corando de novo! Maldita mania de corar droga!

— Eu nunca vi você aqui! E olha que eu conheço todo mundo. — Neil disse quase incrédulo, eu estava achando graça do seu tom de voz e da sua cara de apavorado. — Você é de que ano?!

— Sou do segundo ano. — E novamente eles arregalaram os olhos só que desta vez com um suspiro surpreso pra acompanhar, Edward colocou a mão no queixo e me analisou com os olhos semicerrados, eu estou querendo gritar de vergonha! Ele nunca olhou pra mim desse jeito, nem nos meus mais íntimos sonhos e pensamentos! Por que eu estou pensando nisso agora?! Ahh! Salvem-me.

— Como eu nunca te vi?! — Agora o Maxwell ficou puto, na brincadeira claro, ele pulou por cima da banca e veio até mim, me abraçando! QUE?! Por que alguém me abraçaria? Fiquei paralisado. Faz alguma coisa seu esquisito! Não fica parado. Eu o abracei de volta dando uns tapinhas nas costas dele. — Desculpa cara esse é o processo do início da amizade de intervalo, e eu sei isso foi muito gay. — Ele fez outra piada, eu ri claro! Aquilo era muito gay e eu sei o que é gay porque eu sou gay! Mas não vou falar nada porque né, eu sei que eles não são homofóbicos nem nada, mas enfim, vocês entenderam. — Toca aqui amigo. — Ele fez um hi-five, amigo? Então tipo, seriamos amigos mesmo? Aquilo estava realmente acontecendo? Retribui o hi-five dele! E nossa, o Maxwell é muito mais louco de perto.

— Okay, isso foi... Diferente. — Disse rindo comigo mesmo para Maxwell, ele riu e logo todos eles riram, eu esqueci que eles estavam ali, estava perdido na sensação de dar início à uma nova amizade. Meu Deus Edward ainda estava parado olhando para mim com aquela expressão... Ah sedutora? — E-ed-edward? — Coloquei minha mão na frente dos seus olhos, mas ele parecia estar viajando! SERÁ QUE CÊ PODE PARAR DE OLHAR PRA MIM? EU VOU MORRER!

— Edward? — Neil estalou os dedos na frente dos olhos dele, mas ele ainda estava absorto. — Tá apaixonado cara? Reza pra Rose não descobrir. — Não fala uma coisa dessas Neil! Eu não comentei antes, mas Edward infelizmente namora, e a namorada dele é muito bonita, mas eu não desejo o mal à ela porque eu vejo que eles são muito felizes juntos, só o fato dele estar aqui na minha frente olhando e sorrindo pra mim é o bastante.

— Me deixa ver uma coisa. — Maxwell disse me movendo para o lado esquerdo, Edward me seguiu com os olhos e com a cabeça. Maxwell novamente me moveu para a direita, e o meio ruivo novamente me seguiu com os olhos e com a cabeça. — Qual seu nome mesmo?

— Sereno William.

— Sereno William... — Edward finalmente parou de olhar pra mim e eu senti que um peso saiu da minha alma, ele anotou meu nome no papel de inscrição. — Segundo ano certo? — Eu acenei e ele anotou.

— Liga não Sereno, esse Edward é doido da cabeça. — Ouvi uma voz soar por trás e uma mão envolver meus ombros. Tomei um susto e vi que era Pedro, ele bateu levemente no meu peito e cochichou. — Não se deixe enganar pelo lado bom dele, ele é narcisista...! — Exclamou sussurrando.

— Narcisista! Hahahaha. — Maxwell que estava do meu lado ouviu e começou a gargalhar.

— Pedro eu estou ouvindo, pare de espalhar mentiras sobre mim! Invejoso! — Edward exclamou irônico rindo tão animado quanto Maxwell, logo Neil e Franklin acompanharam-no nas risadas, eu comecei a rir também. Edward narcisista? Onde e quando? Isso é impossível! — Eu sou narcisista, então você é o pedófilo. — Ele recrutou, meu Deus eu abri a boca, que piada pesada! Porque tipo, o Pedro ajuda a caridade, a caridade dá dinheiro às criancinhas, agora entenderam?

— Meu Deus! Que pesado!... — Eu exclamei rindo levemente colocando as mãos no meu rosto.

— Olha o que você fez Ed. — Pedro riu colocando um palmo aberto na frente dos meus olhos. — O que eu te falei sobre piadas pesadas na frente do Seren? — Opa! Já ganhei apelido?

— Opa! Já ganhei apelido? — Eu repeti meu comentário mental, esquecendo-me completamente os efeitos da piada suja. Eu gostei dele me tratar como o inocente do grupo porque eu realmente era o mais inocente dali!

— Todo mundo ganha apelidos, se não tem apelido não é meu amigo. Por exemplo: esse é o Bahia. — Ele apontou para Maxwell, acho que é por conta da pele bronzeada o apelido, não contive minha risada. — Esse é o chupa-sacos. — Apontou para o Neil, sei, ouvi dizer que o de cabelo azul age diferente com os professores porque não é muito bom com as notas, daí o apelido. — Esse aqui é o Coringa. — Apontou para Franklin, ha, porque ele é um trolador profissional! — E por último, mas não menos importante: o Ed Red. — Apontou para o dono da minha falta de sono, este sorriu fazendo 'v' com os dedos, todos riram. — Sereno, seu apelido ia ser Super Slave, mas como você é novato vou pegar leve. — Eu mencionei com o olhar que sabia falar inglês, ele riu negando com a cabeça e me soltou. — Bom o que vocês estão fazendo? Não tem muitas inscrições hoje?

— Na verdade o Edward estava fazendo a ficha do Sereno até começar a moscar do nada. — Neil ironizou gesticulando.

— Fica quieto, só faltam mais três blocos pra ficha acabar. — Reclamou com o de cabelo azul depois se voltou pra mim, quase dei um pulinho para trás. — Idade?

— 16.

— As aulas têm três turnos, manhã; tarde e noite, qual você prefere? — Putz, eu sei lá, o horário que você estiver talvez... Nossa não parei pra pensar nisso, que droga!

— Eu super recomendo que você fiquei de noite com nós, os maloqueiros da quebrada! — Maxwell disse entusiasmado passando o braço por Franklin, que estava do outro lado da banca e quase caiu em cima dela.

— Vocês dois são dois lunáticos, a noite foi feita pra duas coisas: sexo e sexo. — Meu Deus! Corei de novo! Como ele fala essas coisas tão abertamente? E por que eu acho isso engraçado, mas mesmo assim eu coro! Estou rindo, mas estou vermelho. — Fica na manhã Seren, é o melhor turno, você acorda e pode tomar café aqui na escola. — Ele passou o braço pelos meus ombros de novo e me disse num sussurro audível.

— Fica de tarde Sereno! — Foi à vez de Neil opinar, meu Deus essa turma do Edward é muito mais legal de perto, eles falam muito e são muito empolgados, eu não consigo ficar parado sem rir. — É bom que você fica comigo e com o Edward, as únicas pessoas normais nessa roda de malucos. — Olhou de canto para a dupla da noite que o metralhava com o olhar.

— Acho que vou ficar de tarde, é melhor para mim. — Vou ficar de tarde porque é o horário do Edward, meu Deus eu já estou dando um passo enorme para minha amizade com ele ou sei lá como eu deveria chamar, talvez 'missão para falar com o Edward e deixar de ser fraco'? Não, que humilhante, se bem que eu estou ganhando mais que uma amizade com o Edward, eu estou ganhando carinho aqui, esses outros garotos são demais, nunca tive a oportunidade de conversar com pessoas assim tão energéticas.

— Vamos ser colegas de clube. — O meio-ruivo que roubou meu coração balançou a caneta na minha direção, eu achei graça daquele gesto. — Você tem algum problema externo?

— Problema externo... Tipo asma? — Indaguei confuso, ele acenou. — Não, nenhum. — Gesticulei em defesa.

— Então... Pronto! Bem-vindo ao Clube de Teatro! — Ele se levantou exclamando e logo todos começaram a acompanha-lo em coro, meu Deus que vergonha eu não estou acostumado com tanta atenção, acho que desta vez eu corei até demais... Meu Deus eles começaram a pular ao meu redor igual aqueles times de futebol quando ganham.

— Tudo bem gente já entendi! — Eu gritei, meu Deus parem com isso! Isso é muito vergonhoso!

— Todo iniciante tem que passar por isso soldado! É ordem da professora. — Franklin disse na rodinha. — Vamos lá galera, hora da purpurina! — Ele disse purpurina?!

O que eles fizeram depois foi pegar um monte de purpurina e jogar em mim ao mesmo tempo enquanto cantavam "bem-vindo ao clube de teatro! Aqui não tem Shakespeare e nem esses melados! Aqui só fazemos coisas autorais, tipo peças teatrais boçais! Wu-Wu" e ficou num loop tortuoso, Jesus! Eu não me aguentei, ri muito, de novo, diga-se de passagem.

— Tá bom gente já deu, minhas costas estão me matando. — Pedro fez o ritual se inibir enquanto se espreguiçava. — Seren, você começa quando as aulas começarem, e pode ficar com isso, considere meu presente de boas-vindas a você. — Ele deu o resto da purpurina que ia jogar em mim na minha mão, ué?! O que eu vou fazer com isso? Peguei a purpurina e joguei nele assim que ele virou as costas.

— ‘Cê tá louco, ele vai fazer você engolir isso ai. — Maxwell me censurou irônico pegando a purpurina da minha mão e jogando no Franklin, eles começaram a jogar um no outro, Edward e Neil riram olhando para eles.

— Bem-vindo Sereno, esse clube vai mudar sua vida. — Eu fiquei nervoso novamente quando Edward veio até mim, ele segurou meu ombro e colocou um broche na minha blusa. Não sei o que me deixou mais nervoso: a mão dele no meu ombro; a voz doce perto do meu ouvido ou a mão que tocou momentaneamente no meu peito. Eu arrepiei, será que ele percebeu? Bem, se percebesse provavelmente iria pensar que é porque eu sou novo nessas coisas.

— Obrigado. — Eu disse sentindo meu rosto corar de novo! De novo Sereno! Meu Deus para de corar ou ele vai perceber!

— De nada! E toma aqui o meu número, me chama no WhatsApp pra que assim eu possa adicionar você no grupo do clube. — Ele dizia enquanto me dava um papel com números. Uou. Eu já estava no nível dele dar o número de telefone? Corei ainda mais, acho que é meu recorde de ficar vermelho! Peguei aquele papel tentando controlar minha tremedeira e guardei no bolso.

— Certo, eu vou fazer isso. Então, tudo vai começar junto das aulas, certo? — Eu perguntei por fim e ele acenou, o estranho é que ele estava com uma feição diferente; mais carinhosa. Nem preciso dizer o que aconteceu com meu rosto né? Quando os outros garotos voltaram pra banca me deixando sozinho com Edward eu só queria sair dali antes que meu rosto explodisse. Eu já tinha finalmente tido contado com ele, virando seu amigo e de bônus ganhado mais amigos. Aquilo era inacreditável.

— Estou ansioso para fazer peças com você. — Gente porque isso soou tão malicioso? Como uma indireta? Eu devo estar sendo influenciado pelos outros garotos pra já estar pensando nessas coisas. Nem preciso dizer o que aconteceu com meu rosto e de novo! — Pode contar comigo pra qualquer coisa, beleza? — E por fim estendeu a mão.

— Beleza! — O cumprimentei de volta. Quando ele virou as costas eu dei as minhas e andei na direção oposta, olhei para trás vendo que ele e seus amigos acenavam para mim, sorri e acenei de volta, agora eu não vou conseguir parar de sorrir! Edward me deixou sem ar, eu preciso de ar!

Olhei pra frente e na saída havia um aglomerado de pessoas bloqueando a passagem, desviei o olhar para o banheiro e vi que surpreendentemente este não tinha fila e parecia vazio, sem pensar duas vezes corri até lá. Abri a porta e a fechei em seguida soltando uma enorme quantidade de ar dos meus pulmões, eu queria respirar; refletir e tudo que eu tinha de fazer para não ter um AVC de felicidade.

— Hei, olha quem está o banheiro masculino. — Ouvi uma voz familiar, olhei na direção e avistei Pedro de frente a uma pia arrumando o cabelo. Eu tinha entendido a piada dele, mas ele disse no seu costumeiro tom descontraído então não era algo mais serio. — Tem certeza de que quer ficar de tarde? — Ele perguntou olhando para mim, eu dei os ombros e acenei. Ele então deu os ombros também. — Posso fazer uma pergunta?

— Claro. — Disse de boas na verdade curioso o que será que ele iria perguntar?

— Você é gay?

QUE?! QUÊ?! O QUE ELE ACABOU DE PERGUNTAR?? Porra como assim? Eu tenho que parar de xingar mentalmente. Rápido Sereno responde se não ele vai desconfiar!

— Eu não!! — Eu respondi meio atordoado, espero que ele ache que eu fiquei ofendido e não perplexo. — Eu não, tá louco? Por que perguntou isso? — Indaguei rindo nervoso.

— Sei lá. — Ele riu também. — Relaxa é que eu sou louco da cabeça e falo a primeira coisa que vem em mente. — Disse enquanto saia do banheiro, deixando a mim louco da cabeça!

Antes que eu enlouquecesse entrei no banheiro de uma vez.

Tudo bem, o que acabou de acontecer...

Depois de um ano eu finalmente consegui ter contato direto com o Edward. Isso é muito bom, conhece-lo pessoalmente foi uma ótima experiência e saber que vamos nos encontrar mais vezes, que vamos conversar e trabalhar juntos: melhor ainda! Aquela vez que ele ficou parado olhando para mim... Só de lembrar... Nem preciso dizer né? Eu sei que ele é carinhoso assim com todas as pessoas, mas quando ele falou comigo desse jeito tão humilde e carinhoso, eu me senti especial, eu me senti como nunca havia me sentido antes, espera, eu havia sentido a mesma coisa quando publiquei minha historia no grupo LGBT do Facebook, seria esse sentimento... Se sentir útil? Ou, não sei, não quero pensar muito nisso. Só quero pensar que eu finalmente consegui falar com o Edward.

Mas algo que eu observei em mim mesmo foi que... Aqueles garotos ao meu redor, a presença deles foi como uma força me motivando a ser uma pessoa melhor, quando estava do lado deles eu me senti diferente, me senti mais solto; como se algo pesado houvesse saído das minhas costas, eles são tão energéticos que isso deve ter emanado para mim, igual ao humor negro deles, eu estava rindo de uma piada suja! Muito suja e estou rindo agora me recordando disso! Vamos trocar de assunto Sereno!

Agora que eu me inscrevi no clube de teatro não quero mais sair, sinto que se eu sair eu vou perder tudo, eu sinto que vou perder o Edward e os amigos deles, bem, agora eles são meus amigos também, nossa isso soa meio estranho, eu devo estar mal acostumado ao mencionar a frase “meus amigos”, ri de mim mesmo. De qualquer jeito eu não quero sair do clube de teatro, eu sempre vejo os amigos do Edward se divertindo tanto nas peças e no ensaio também, vi isso no canal dele onde a maioria dos vídeos dos ensaios era recheada de risadas e zoeiras, eu quero isso para minha vida, estou quase me formando e agora não quero mais ficar no fundo da sala.

De qualquer modo as aulas começam daqui a duas semanas, eu agora tenho o número do Edward, vocês devem estar se perguntando porque eu não peguei o número dele no seu perfil do Facebook, resposta simples: Edward é tão popular tanto na escola quando na Internet que ele tem dois números, o pessoal que ele usa apenas com os mais próximos e o geral que serve para armazenar todos os outros contatos, esse papel em minhas mãos contém o número pessoal dele, eu sei porque esse não é o número geral.

Coloquei o papel de volta no bolso, depois eu adiciono ele no meu WhatsApp, agora eu só quero pensar no que acabou de acontecer. Edward, Pedro, Maxwell, Franklin, Neil... O ano vai ser longo com essas aulas de teatro, o único problema é que eu tenho pânico de público... Mas isso eu vou superar pelo Edward. Agora é melhor eu ir para casa, ainda tenho que ir no centro comprar meu material escolar. 


Notas Finais


Eu não sou acostumada com esse tipo de narração porque eu acho que é um problema para os leitores eu deixar o texto natural demais, mas mano eu não ligo mais porque nem sei se tem alguém lendo isso aqui :v Mas enfim, se você que está lendo isso gostou da historia deixa um comentário ou não, favorita ou não, acompanha ou não, salva no celular pra ler quando não tiver internet ou não. Isso é tudo que tenho a oferecer e eu só vou continuar se receber algum comentário (kkkkk só que não :v –q).

Fiquem com o Springtrap e não roobem-


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