História Calores - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Personagens Henrique Fogaça, Paola Carosella
Tags Farosella, Henrique Fogaça, Paola Carosella
Visualizações 210
Palavras 1.164
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Policial
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Conversar


Fanfic / Fanfiction Calores - Capítulo 11 - Conversar

"A Carine tá aqui" ��
            Você precisa melhorar suas desculpas. 
            Não estão tão boas quanto antes.

    
      Henrique sentiu o celular vibrar no bolso. O balãozinho brilhando na tela. Sorriu. 

                                                                                           Prometo pensar em algo melhor        
                                                                                                   

                                                                                           Pelo menos ninguém desconfiou 
                                                                                                       de nada, ou você acha que a 
                                                                                                       Raissa sabe?

                                                                                               

                                                                                           Ela é esperta, aquela garota.
                                                                                                 

Relaxa, Henrique, a chiquita tá mais
            preocupada com o evento do que com 
            a gente

E por falar nisso... você tem que parar
            de me mandar mensagens

Tá queimando a frigideira.

     
     Bloqueou logo o aparelho. Estava no meio do evento, fingiu que a mensagem era da sua gatinha quando ouviu os "huuuum" da plateia. Desligou o fogo sem para de olhar para Paola. Ela se afastou indo buscar uma ferramenta, ele seguiu fingindo estar muito atento aos passos daquela cozinha:

    ⁃    Quando vamos nos ver de novo? - Sussurrou. Não obteve resposta, Paola estava enfurnada em meio a caixas e caixas de papelão. - Quando vamos nos ver de novo? - Repetiu. Elevou um pouco o tom de voz, não ia se cansar até conseguir uma resposta.

    ⁃    Dá pra parar! - Tentava não gritar. Com uma mão tapou a boca do brasileiro, com a outra segurava uma das caixas. - A gente não pode falar disso aqui. - Disse baixinho. - Nós nos vemos todas as sextas. Aqui, nesse palco. - Tinha seu sorriso irônico estampado no rosto.

     Ele mordeu de leva a palma da mão dela, que soltou-o imediatamente e limpou a baba na roupa. Torceu um pouco a boca. Ia voltando ao seu lugar de posição quando seus movimentos foram interrompidos pela voz rouca:

    ⁃    Preciso falar com você. 

    ⁃    Você não precisa falar conmigo, Henrique... Você precisa me beijar. 

     Enfatizou as últimas palavras em um simples movimento de boca. Nenhum som saia, mas sons não foram necessários para que as palavras causassem uma espécie de desconforto e falta de pudor, como se tivesse dito em alto e bom som: "nos beijamos e você quer fazer isso de novo". O que não deixava de ser verdade:

    ⁃    E quando vamos... - deu sua pausa dramática - conversar de novo?

     Eu um sorriso e virou-se para a platéia:

    ⁃    Seguindo... então, agora pra gente terminar essa receita temos que usar o mixer, trouxe uma caixa cheia pra vocês. A gente aperta aqui e, uepá, faz um barulhinho... 

     Ficou o workshop inteiro observando-a, perguntando-a secretamente com os olhos, com as mãos, com os movimentos do corpo. Ela agia como se gozasse da cara dele e isso o deixava cada vez mais atraído. Que atração súbita é essa? Talvez se visse preso por muitos anos e passarinho que é passarinho algum dia se liberta, ou sente à vontade de se libertar. Se Carine era sua gaiola, Paola era a chave que o traria a sensação do vento batendo no rosto novamente:

    ⁃    E agora, podemos? 

     Pegou Paola saindo do evento. A multidão se despertando, não muitas barraquinhas ao redor, não muito boa iluminação. Lá eles poderiam falar livremente o que quer que fosse. Ele pegou no braço e na cintura dela. Embora Paola não usasse perfume ela tinha um aroma de ervas que mesmo misturado com a comida não ia embora - nunca:

    ⁃    Não me canso de seus perfumes. - Soltou, totalmente aleatório.

     Paola desamarrava o lenço do pescoço, pensou melhor, as marcas estavam bem visíveis e ela não tinha gelo ou alguma maquiagem para disfarçar. Acabou por amarrá-lo novamente. Se esqueceu do que Henrique perguntara, forçou a vista para ver se a lembrança vinha:

    ⁃    Não, Henrique, não podemos conversar agora. - Tinha um certo tom de indiferença - Tenho que me encontrar com as minhas filhas. 

    ⁃    Deixa só eu... - Levou as costas da mão até a maçã do rosto dela, os ossos marcando bem os traços da face, distinguindo o que era monte, do que era terra, a dureza do osso e a maciez da pele. Paola era cheia de contrastes, assim como a vida de Henrique. Seu peito doía, não queria tirar a mão dalí, era como deixá-la ir. Queria ficar mais um tempo ao seu lado. - Não vê que eu estou sofrendo? - Disse para si. Sua expressão facial petrificada. 

     Beijou-a não como outrora, mas com uma velocidade maior, uma necessidade maior. Trouxe-a mais para perto de si, levou a mão até a nuca de modo a soltar o lenço vermelho, Paola fez alusão à um movimento de decepção. "Deixa ir, deixa ir, isso não nos importa, o que importa é agora", Henrique disse em mente. 

     Deixou o pensamento do lenço ir junto com ele também. Voltou a brincar com o corpo da argentina enrolando um cacho do cabelo no indicador.  Dessa vez foi ela quem invadiu a região do pescoço. O pequeno estalo dos lábios na pele causava arrepios e suas mãos contornavam toda a cintura do tatuado:

    ⁃    Acho que já estamos conversando.  

    ⁃    Poderíamos conversar a noite toda.

    ⁃    Não, não aqui. - Lembrou de afastar-se.


                 -  Não tem ninguém e está escuro...

    ⁃    Sempre tem alguém quando não tem ninguém.

     Henrique estava de costas para Carosella quando Raissa pulou de dentro das sombras. Envolveu ambos em um abraço apertado, cheirava a legumes e caldo de peixe, deveria ter cozinhado alguma coisa oriental. 

    ⁃    Vai dormir aqui, não vai, papai? Ou vai embora pra sua vidinha? 

    ⁃    Acho que vou arrumar um lugar, não sei, está tarde.

    ⁃    É claro que esse lugar vai ser minha casa, né? Jason foi embora tem um quarto sobrando... 

     Olhou para Paola, esperava sua permissão. Não tinha visto nada, mas não era estúpida e tinha percebido o jeito estranho de seus pais. Henrique meio desengonçado olhando fixo para filha, Paola balançando, com as mãos bem juntas ao corpo, parecia tentar esconder algo. Raissa pôs-se a observá-la enquanto ela respondia:

    ⁃    Claro filha, claro que pode. - Não hesitou em dizer, esperando que isso bastasse à filha.

     O jeito com que a menina olhava-os era impressionante, o mesmo olhar matador de Paola com um toque de curiosidade e meninice. As mãos na cintura, o queixo projetado sutilmente para frente, os olhos cerrados e os músculos da face pouco contraídos a não ser pela boca, puxada no canto direito. Os olhos mexiam da direita para a esquerda, de cima para baixo como um detector. Se permitiu olhá-los detalhe por detalhe. Pi, pi, pi, a procura deu positivo. Sorriu:

    ⁃    Perfeito! Então você dorme lá hoje. 

     Pulou dando as costas para os dois e ao passo de dar um passo para encontrar com a irmã foi parada pelo pai:

    ⁃    Raissa, o que é isso no seu pescoço? 

     Uma surpresa, não sabia que também estava sendo bem observada:

    ⁃    Um beijo. - Virou apenas a cabeça para Henrique. Não demonstrava susto nem medo, e afinal não sentia nenhum dos dois. Seu tom era natural. Olhou para o pai, olhou para a mãe, sorriu, novamente sorriu. - Um beijo, Paola Carosella, vários beijos. 

     Piscou. Foi-se embora procurando pela irmã.

     

 

 



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