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História Caminhando entre os Reinos - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Capítulo 6



- E então Raquel, por que você e o Eric chegaram tão rápidos na ala nível três depois de nos separarmos? Perguntou Will com uma voz zombadora, pois já sabia qual seria sua resposta- Houve algum problema?

Ele não conseguia enxergar a amiga em meio à escuridão que estavam, mas sabia que Raquel estava mordendo os lábios em irritação.

- Will, a sua sorte que está muito escuro aqui, porque se não você levaria um soco. Respondeu-lhe a lumem tentando soar mais ameaçadora do que realmente era, e falhando tristemente na tarefa, porque dera para notar pela tremedeira na sua voz que ela estava morrendo de medo da escuridão em que estavam.

E ele era obrigado a admitir que o lugar a sua volta realmente se parecia bem horripilante, com todas as árvores em volta dos lumens estando escondidas em meio à escuridão, fazendo com que eles não conseguissem enxergar um palmo sequer a sua frente. E grande parte disso graças a seus próprios galhos que impediam a luz da lua, que essa noite estava cheia, de entrar no bosque, fazendo com que o grupo fosse obrigado a usar pequenas esferas de fogo com seu poder para iluminar o caminho, o que não ajudava muito a afastar o medo.

- Você sabe muito bem que eu odeio todas aquelas meninas fúteis. Continuou a amiga- E para ajudar, logo quem eu fui encontrar quando eu pisei na ala nível cinco? Lia e seu grupinho de idiotas, eu mereço isso?

Will quase fez piada da pergunta retórica de Raquel lhe respondendo que sim ela merecia, mas tinha que reconhecer que encarar Lia era realmente um teste de paciência, a menina simplesmente achava que podia mandar no mundo só porque era uma nível cinco maximis e como esse tipo de lumem representava tudo o que eles mais desprezavam frequentemente batiam de frente com a garota.

- E o que ela te disse? Perguntou Tobias com um sorriso no rosto, pois sempre adorava as discussões entre Raquel e Lia.

- Ah, nada de mais, ela me chamou para se juntar ao grupo delas. Respondeu a amiga entediada- Provavelmente estava achando que se fosse simpática poderia ganhar outra bajuladora.

-E você a respondeu…? Perguntou Will.

-Eu simplesmente mandei todas elas irem se foder e me retirei para o meu quarto. Disse a amiga como se aquela fosse à atitude mais sensata do mundo.

O que acabou fazendo com que os três meninos caíssem na gargalhada.

- Ah, cara eu queria tanto ter visto a cara da Lia quando você disse isso. Falou Tobias sem conseguir conter a risada.

- Eu confesso que não me aguentei e olhei para trás depois que disse isso. Falou Raquel provavelmente sorrindo- Acabei encontrando Lia e suas amigas com os queixos todos no chão e aquela expressão de idiotas estampadas em seus rostos, eu até fiquei com medo que alguma mosca pudesse entrar em suas bocas.

Novamente os amigos riram da história e da voz extremamente preocupada que a amiga tentou imitar. Sério, não havia outra maneira de se lidar com os idiotas nesse mundo senão com humor, se você lida com os problemas de uma maneira muito sério eles acabam te enlouquecendo e você é quem perde no final.

De qualquer forma, esses eram apenas os motivos da amiga para chegar depressa a ala nível três.

- E você Eric, não quis ficar com os nível quatro? Perguntou Will virando-se para o semideus que por sua vez pareceu constrangido com a súbita atenção que recebeu.

- Eu? Quem me dera, os caras literalmente me ignoraram enquanto eu guardava meus pertences, nenhum deles sequer se dignificou a fingir que eu existia. Falou o semideus parecendo triste por ninguém ter lhe dado atenção.

O que, infelizmente já era de se esperar que acontecesse, Eric até podia se passar por um nível quatro, mas para o seu povo continuaria sendo um ser de outro reino sobrenatural que deveria ser evitado a qualquer custo.

Um sentimento de impotência tomou conta de Will, ele odiava quando situações como essas aconteciam, quem esses idiotas pensavam que eram para julgar alguém que nunca tinham visto antes? Principalmente Eric que era um cara simpático com todos que conhecia.

- Eu até tentei puxar conversa com um outro semideus que também tinha sido enviado à academia. Continuou o filho de Poseidon- Mas, ele era um filho de Hades, e os filhos do submundo bem…eles não gostam muito de companhia. Então eu não tinha nada para ficar fazendo ali.

- Eu sinto muito Eric. Falou Raquel em uma rara demonstração de solidariedade ao amigo- Mas acho melhor você ir se acostumando, pouquíssimos lumens são mente aberta aqui igual à gente, a maioria vai sempre te evitar como esses nível quatro fizeram.

A intenção da amiga havia sido as melhores possíveis, contudo essas palavras acabaram deixando o semideus meio cabisbaixo, então Will resolverá tentar animá-lo ao dizer:

- Bem, isso pelo menos até eu começar o meu processo de elevação de nível, porque então eu irei mostrar para todo mundo que não existe essa história de lumem superior.

Ele deve ter parecido bem convicto nas suas palavras, porque imediatamente os olhos verdes de Eric começaram a brilhar e sorrindo ele lhe respondeu:

- Pois então pode contar comigo para o que precisar.

Will pretendia agradecer o amigo pela generosa oferta, mas fora interrompido por Tobias que aos berros apontou:

- Gente!! Olhem, chegamos.

O amigo erguia os braços para cima e para baixo em um estado de total euforia, o que para ele inicialmente se pareceu um gesto um tanto exagerado, mas quando esse se aproximou da posição em que o lumem estava entendeu o porquê. Do ponto em que Tobias se encontrava todas as árvores que os cercavam davam lugar a um lindo bosque cortado por um rio que nessa noite brilhava diante da forte luz da lua, tudo isso graças ao fato de não haverem mais tantas árvores bloqueando a entrada da luz que agora conseguia iluminar toda a região em torno do bosque.

Eles tinham ouvido falar que era necessário atravessar uma floresta bem escura para se chegar ao Bosque do Limite, mas depois de encararem aquele floresta horripilante eles já tinham até perdido a esperança de encontrar um lugar agradável quando chegassem ao lugar, mas o local a sua frente correspondia a todas as suas expectativas, existia um ar de magia naquele bosque, como se ali tudo pudesse acontecer, e como agora poderiam encontrar qualquer ser de outro reino sobrenatural ele não duvidava que ela realmente existisse por ali.

- Nossa, olha esse lugar. Disse Raquel com os olhos brilhando como sempre acontecia quando a amiga pensava em arte- Como eu queria ter os meus pincéis aqui para pintar um quadro.

O fato da lumem ter esquecido os seus pertences na verdade era uma coisa boa, porque assim pelo menos não perderiam a noite toda com uma de suas pinturas. Contudo, ele conhecia Raquel o suficiente bem para saber que havia outra coisa do qual ela não havia se esquecido.

-Mas, como eles não estão aqui, eu pelo menos trouxe…Continuou a lumem retirando um pequeno objetivo da sua bolsa e o erguendo para cima para que todos pudessem ver- O meu caderno de desenhos.

- Ninguém merece. Falou Tobias fazendo um gesto dramático com as mãos- Agora é que a gente não vai sair desse lugar.

Mas, dessa vez a amiga pouco se importou com as queixas de Tobias, pois essa já se encontrava completamente distraída procurando por uma página em branco em seu caderno para que pudesse desenhar.

E Eric que mais uma vez se encontrava perdido na discussão veio lhe questionar o que estava acontecendo.

- É que sempre que ela inventa de pegar o caderno demora pelo menos uma ou duas horas para acabar o desenho. Esclareceu Will de forma desanimadora ao semideus.

Era irritante ver como a amiga simplesmente perdia totalmente a noção do tempo quando estava fazendo seus rabiscos, ela se esquecia de tudo e todos ao seu redor e se você tentasse falar com ela provavelmente seria ignorando. E ele normalmente até não a julgaria, porque, também gostava de desenhar quando tinha tempo livre para isso, mas a amiga simplesmente passava totalmente dos limites, já chegaram a acontecer casos em que ela não comparecerá a compromissos que tinham marcado porque essa estava distraída demais desenhando e esquecerá de verificar à hora.

Era exatamente isso que iria acontecer agora se não tivessem ouvido um som estranho vindo de algum lugar ali perto.

- Vocês ouviram isso? Perguntou Eric aos três lumens que assentiram em silêncio.

- Está vindo daqui perto. Falou Raquel sussurrando baixinho para que apenas os três pudessem ouvir.

-Pode ser alguma criatura perigosa. Continuou Eric.

-Ou talvez uma que seja amistosa. Rebateu Will.

Os quatro amigos se encararam sem saber o que fazer, a tensão estava palpável entre eles, nenhum deles queria dar um passo em falso e acabar dando de cara com uma criatura perigosa que pudesse ameaçá-los, pelo menos foi isso que Will pensou.

- Anda, não vamos ficar aqui parados, vamos ver o que é. Disse Tobias já começando aandar na direção do som.

O que acabou obrigando os três amigos a segui-lo para que o idiota não caísse em uma armadilha e tivessem que resgatá-lo depois. Mas, pelo menos não antes de Raquel  xingá-lo de vários nomes nada bonitos, e dessa vez ele tinha que admitir que ela estava certa, deveriam pelo menos ter planejado algum plano de fuga antes de seguir a tal voz, vai saber para que tipo de criatura iriam encontrar, talvez um lobisomem descontrolado com sua transformação nessa noite de lua cheia ou um vampiro que estava passando fome há dias e que poderia achar três lumens e um semideus um prato bem nutritivo, talvez até mesmo um demônio que estivesse espionando os arredores da sua cidade, esse último Will tinha admitir que lhe deu calafrios só de imaginar.

Contudo, depois de seguirem uma pequena trilha por não mais do que cinco minutos eles começaram a observar que o som estranho que tinham escutado na verdade se travava de uma canção, uma bela canção diga-se de passagem, pois a cada segundo que se passava ela ficava mais bonita.

E quando eles pararam atrás de um arbusto que impedi quem estava cantando de os enxergar, descobriram as responsáveis pela canção. Fadas, um pequeno grupo de meia dúzia delas, cantando e dançando diante do luar, com pequenos vestidos tão coloridos que era praticamente impossível de não se olhar, fora o seu tamanho pequenino que as faziam parecer pequenas crianças e as suas orelhas pontudas que davam um charme especial a elas, mas não eram qualquer tipo de fadas que estavam diante deles.

- Elas são fadas do bosque. Falou Raquel bem baixo para não espantá-las, mas mesmo assim estupefada com a beleza dessas belas criaturas.

- E qual é mesmo a diferença delas para as demais? Perguntou Tobias que não tivera as mesmas aulas particulares que Raquel e Will.

- Bom, como o nome já diz elas apenas vivem em bosques, e você pode ver que diferentemente das fadas nobres que se parecem com a gente e os humanos, elas são pequeninas e tem asas nas suas costas que as permitem voar. Respondeu-lhe Raquel que não conseguia tirar os olhos das pequenas fadas que nesse momento giravam de mãos dadas em pleno ar- Elas também se diferem das demais por serem bem tímidas e felizes. Então tomem cuidado para não assustá-las.

Os amigos assentiram em concordância e Eric que também não conseguia tirar os olhos das pequenas fadas pareceu mais do que feliz ao apontar.

- Isso quer dizer que elas são literalmente iguais as histórias contadas pelos humanos.

Raquel e Tobias franziram as testas sem entender o que o semideus quisera dizer, mas Will compreenderá muito bem o estava se passando pela cabeça do amigo.

- Nós diversos contos escritos pelos humanos ao logo da história as fadas são sempre descritas como seres pequenos e bonitinhos que gostam de dançar e cuidar da natureza. Esclareceu ele aos dois amigos- Por isso as fadas do bosque são tão parecidas com a das histórias que Eric conhece.

- Eu queria ver se eles continuariam a achá-las bonitinhas se conhecem uma que fosse nobre. Disse Tobias tentando conter a risada- Estariam todos mortos antes mesmo de saberem o que os atingiu.

E não pela primeira vez esse dia Will fora obrigado a concordar com o amigo, fadas nobres são por natureza criaturas frias e manipuladoras, se alguém fosse idiota o suficiente para pensar que elas eram ingênuas o bastante para poder tirar vantagem disso descobririam da pior maneira quem eram os ingênuos da história.

- Calem a boca vocês dois. Reclamou Raquel- Desse jeito as fadas vão acabar descobrindo que estamos aqui e vão fugir.

Tobias que obviamente encarou a ordem da amiga como uma afronte lhe respondeu.

- Deixa de ser exagerada Raquel, elas estão todas concentradas na sua pequena dança, nunca que vão reparar que a gente está aqui.

Mas, para contradizer as palavras do amigo, que havia falado com uma voz mais alta do que os sussurros que vinham utilizando, uma das fadas notou sua voz, e depois de interromper a dança para procurar sua origem identificou o grupo escondido atrás do arbusto, tendo a reação praticamente instantânea de soltar um pequeno grito avisando as suas companheiras de que estavam sobre ameaça.

O resultado, em uma questão de segundos todas as fadas que dançavam e se divertiam diante do luar desapareceram na escuridão da floresta sem deixar qualquer sinal de em algum momento terem estado ali.

- Eu vou matar você. Disse Raquel virando-se para Tobias.

- Bom, essa com certeza é a sua frase preferida. Respondeu-lhe o amigo sorrindo diante da expressão de raiva da amiga.

- Não faça graça seu idiota, por sua causa acabamos de perder a visão de uma das criaturas mais raras do mundo sobrenatural, você sabe o qual difícil é presenciar o que nos vimos? Perguntou Raquel ainda em óbvio estado de irritação.

Mas Tobias que até aquele momento não tinha levado às queixas da amiga a sério a encarou de maneira confusa como se tentasse entender o porquê de um bando de pequeninas fadas poderiam ser tão importantes para alguém. E Will que sabia que o amigo não agirá por mal, pois sempre tivera dificuldade para entender a relevância que os outros lumens davam aos assuntos que não envolvessem guerra, resolverá se intrometer na conversa antes que a amiga dissesse se algo idiota e acaba-se magoando Tobias.

- Não tem problema Raquel, esse bosque está cheio criaturas mágicas, vamos encontrar outras para a gente observar.

-É mesmo. Disse Eric em uma óbvia tentativa de ajuda-lo- Eu acho que eu vi alguma coisa se mexendo no caminho até aqui, porque a gente não vai dar uma olhada para ver o que é?

Tobias que até aquele momento tentava entender as palavras da amiga mudou radicalmente sua expressão para algo que se assemelhava a pura curiosidade e desviou sua atenção para o semideus.

Já Raquel ainda aparentava estar querendo socar o amigo, pois seus olhos faiscavam de raiva enquanto essa apertava os punhos ao redor de seu abdômen, mas no final acabou cedendo ao soltar um suspiro e dizer:

- Tudo bem, mas vão indo vocês, Eric e Tobias na frente para ver se realmente existe alguma coisa para ser vista nesse tal lugar. Começou a lumem- Enquanto isso eu quero ver se ainda consigo desenhar a dança das fadas usando minha memória, e vou precisar de ajuda de Will para isso já que ele se lembra de praticamente tudo que vê.

Bom, modéstia a parte ele tinha que admitir que a sua memória era realmente ótima, tanto que se ele prestasse atenção em uma determinada imagem que estava vendo sua mente se lembraria nós mínimos detalhes de tudo o que estava acontecendo, como havia acabado de acorrer agora com a dança das fadas do bosque. Will só não estava muito afim de exercitar sua memória justamente agora que ele pretendia explorar o bosque em busca de todas as criaturas mágicas que pudesse encontrar, mas como nenhum dos amigos queria irritar Raquel depois de seu surto de raiva ele acabou acenando para Eric e Tobias seguirem em frente que ele lidaria com a amiga.

E depois de um momento de hesitação pela parte de Eric ambos partiram deixando-o sós com a lumem rabugenta.

Mas Raquel no final das contas pouca atenção lhe deu, ela apenas se sentou no chão coberto de folhas e começou a tentar fazer o seu desenho.

O silêncio entre os dois acabou se estendendo e quando Will começou a pensar em dar uma desculpa que pudesse fazê-los sair daquele lugar sem graça para se juntarem aos amigos Raquel disse algo que ele não esperava escutar.

- Então, você vai me contar o que está acontecendo? Perguntou a amiga de forma enigmática.

No mesmo instante o coração de Will começou a bater com tamanha intensidade em peito que ele ficou surpreso por ele não ter saído pela boca, à amiga só podia estar falando sobre um assunto, mas mesmo assim ele tinha que perguntar para ter certeza.

- O que poderia estar acontecendo? Perguntou ele de uma forma inocente em uma tentativa de evitar o assunto.

Contudo, quando Raquel o encarou ele soube que ela já sabia que algo estranho estava acontecendo, e a qual assunto ela estava se referindo.

- Você sabe muito bem sobre o que eu estou falando. Começou a amiga novamente erguendo o tom da voz em estado de irritação- Aquela situação nos fiordes só pode ter sido algum poder demoníaco que estava agindo sobre o lugar, e eu sei que você sabe alguma coisa sobre isso, já que disse ter visto alguma coisa nós paredões, e eu estava esperando que você fosse nós contar o que era quando chegassemos a academia, mas como você não fez isso eu só pude concluir que estava escondendo algo sério da gente, por isso pedi que Eric e Tobias fossem na frente, para te dar a oportunidade de se explicar. Agora vamos diga logo o que está acontecendo?

Sabe, tinha horas que Will realmente queria que a amiga fosse menos inteligente, porque ela não poderia ser mais parecida com Tobias que só ligava para a guerra? certamente tudo seria mais fácil para ele.

E agora o que Will faria? Esse era o segredo que vinha guardando há anos sem ninguém nunca desconfiar, ele não esperava ter que revelá-lo justamente agora que iniciaria seus estudos na academia. Mas, pensando melhor, seria um alívio finalmente tirar esse peso das suas costas, esses sonhos o estavam deixando cada vez mais louco e agora que o demônio havia aparecido existia um perigo real de seus amigos se machucarem nessa história.

Assim, a amiga tinha o direito de saber no que estava se metendo, então soltando um suspiro cansado Will lhe disse:

- Tudo bem, eu vou te contar tudo.

E assim ele o fez, contando desde a primeira vez em que tivera o sonho anos atrás até o mais recente encontro com o demônio nos fiordes, e a cada palavra dita por ele à expressão de Raquel se tornava cada vez mais sombria, como se a notícia estivesse sugando a toda a energia de ambos os lumens, e quanto ele terminou a história a amiga o encarou completamente exasperada.

- Will, como você pode esconder isso da gente por tanto tempo, somos seus amigos, você deveria ter confiado em nós.

- Eu sei que deveria ter contado Raquel, mas eu achei que se eu os ignorasse eles simplesmente iriam parar de aparecer para mim. Disse ele tentando fazer com que a amiga o entendesse- Eu não queria precisar envolver mais ninguém nessa problema, principalmente sabendo que vocês poderiam estar correndo risco de vida.

A amiga o encarou ainda parecendo irritada por causa do segredo que vinha guardando pó tanto tempo, mas agora seus olhos tinham se suavizaram um pouco.

- Will, eu te conheço, sei que não quis contar para ninguém sobre esses sonhos porque você não queria ser motivo de mais preocupação aos seus pais do que já é sendo um Caído. Falou a amiga em uma voz solidária- Mas você precisa entender que a culpa não foi sua, você não fez nada, foi esse demônio que quis se aproveitar da sua situação.

O coração de Will doeu ao ouvir essas palavras, doeu porque ele sabia que elas eram verdadeiras e que ele vinha negando a si mesmo a verdade por trás das suas desculpas. Verdade essa que era o fato que ele se sentia culpado por ter chamado a atenção do tal demônio, talvez realmente existisse alguma coisa de errada com ele, algo ruim o bastante para fazer o demônio achar que valia a pena tentar fazê-lo mudar de lado, afinal os demônios só vão atrás aqueles lumens que são ruim o bastante para chegarem ao ponto de lutar e matar o seu próprio povo, será que Will era um deles?

Além disso, se contasse sobre os seus sonhos ainda teria que encarar a decepção nos olhos dos seus pais, eles já enfrentavam tantos problemas por terem um filho Caído, os dois não mereciam ter que passar por isso também.

De qualquer forma, a amiga ainda não havia terminado de dizer tudo que tinha para falar.

- Eu acho que o melhor a se fazer é contar tudo ao seus pais e Brandon, eles..

- NÃO!! Disse Will em um estado de total desespero- Raquel por favor não conte a ninguém sobre isso, pelo menos por enquanto, eu preciso pelo  tentar resolver essa situação antes de envolver os meus pais nesse problema.

A amiga por sua vez o encarou como se estivesse dividida entre fazer o que é certo, que seria contar o todos a verdade sobre os seus sonhos e o receio de trair a confiança do amigo que conhecia desde criança, mas por fim, ela acabou cedendo.

- Tudo bem, vamos tentar resolver essa situação antes de contarmos a verdade ao seus pais. Disse a amiga fazendo com que ele abrisse um sorriso por ela ter dito "vamos" em vez de você, talvez ele não estivesse tão sozinho assim quanto imaginava- E por sinal, você já tem alguma ideia de como vamos fazer isso? Porque eu não tenho a menor ideia como lidar com isso sem pedir ajuda.

Agora que a amiga havia perguntado Will parou para pensar na questão, ele vinha considerando todo esse tempo que a melhor maneira de lidar com o demônio era ignorá-lo até que esse finalmente desistisse de importuná-lo, mas como a criatura já havia dado provas de que isso não iria acontecer tão cedo ele precisaria lidar com o problema de outra maneira, de preferência algo que envolvesse magia.

- Eu não sei ainda, vamos começar indo ao mercado da noite procurar alguma poção que bloqueia esses sonhos, Torni com certeza deve ter alguma coisa que funcione, ele vende de tudo naquela barraca. Disse Will se sentindo um tanto que idiota por não ter pensado nisso antes.

- Você quer dizer que ele contrabandia de tudo naquela barraca, isso sim. Rebateu a amiga sem mostrar um pingo de animação com a notícia que teriam que ir mercado.

E ele não podia culpar Raquel por não gostar da ideia, normalmente ele até gostaria de ir ao Mercado da Noite, porque por mais que seja um lugar ilegal, nele se podia encontrar todo o tipo de objetos para se comprar, em sua maioria mercadorias de outros reinos que não eram comercializadas pelos lumens ou que eram proibidas em sua cidade, como por exemplo as suas bugigangas humanas, se o lumem em questão soubesse como achar o que ele precisava e tivesse dinheiro para comprá-lo poderia facilmente fazer a festa em um lugar como esse.

Além do mais, dificilmente ele os seus amigos se meteriam em brigas no mercado, os comerciantes odiavam confusão e no geral as classes mais baixas evitavam se meter com os filhos da alta sociedade lumem, como era o caso de Raquel e Will.

Sendo assim, a falta de vontade da amiga em ir ao mercado só poderia ser explicada por duas razões, a primeira era o fato que mesmo com o mercado sendo um lugar relativamente tranquilo, o bairro em que ele estava localizado era uma das regiões mais pobres da cidade, sendo conhecida pelos assaltos frequentes e prostíbulos que dominavam a região, deixando a amiga um tanto que desconfortável toda vez que tinham que passar por ali.

Já a segunda razão estava ligada a um lumem bem específico, Torni, o contrabandista do qual Will pretendia comprar a poção, pois por mais que o lumem seja o melhor fornecedor de objetos de outros reinos, lidar com esse nunca se mostrava uma tarefa fácil, grande parte disso porque ele não era alguém do qual se podia confiar, sempre gostando de fazer joguinhos e ameaçando os seus clientes que lhe deviam algum dinheiro sem ter o menor pudor de usar a força física com seus homens para alcançar seus objetivos, resumindo, tudo que importava para Torni era sair lucrando no final, independentemente de quem ele prejudicasse para isso.

Portanto, ele e seus amigos teriam que tomar muito cuidado, principalmente agora que Will pretendia tentar subir de nível e ser pego em um lugar como esse estava completamente fora de questão. Mas, como nas atuais circunstâncias eles não tinham outra alternativa ele esclareceu a questão a Raquel.

- Sim, eu sei que tudo que Thorni vende é ilegal e que não devemos confiar nele, mas ele provavelmente é o único que irá me vender à poção, então não vai ter jeito, vamos ter que ir ao mercado da noite. Disse ele fazendo com que a cara amiga azedasse- E quanto ao demônio eu vou pensar em alguma coisa, eu só preciso de um tempo para bolar alguma coisa que o afaste de uma vez por todas.

Diante dessas últimas palavras a amiga parecia prestes a protestar, mas nesse momento Eric surgiu em meio à mata com um sorriso no rosto, bom, pelo menos até ele notar que o clima entre Raquel e Will estava tenso, então o seu sorriso se desfez e meio relutante o semideus perguntou:

- Está tudo bem?

A perguntará fora direcionada a Will, mas Raquel se adiantará em responder.

- Claro, é só esse idiota aqui que não consegue se lembrar direito qual era a cor dos vestidos que as fadas estavam usando. Inventou Raquel para o filho de Poseidon- Mas e você Eric, por que está aqui?

- Bem, eu e Tobias fomos investigar o tal som que eu havia escutado, e depois de muito procurar descobrimos o que estava por trás dele- Falou o filho dos deuses com o sorriso já retornando ao seu rosto- Acho que vocês vão querer ver isso.

Então, sem explicar mais nada o semideus simplesmente começou a seguir novamente pelo bosque esperando que os dois lumens o seguissem sem sequer olhar para atrás.

Obrigando assim, Raquel e Will a acompanhá-lo, mas não antes da amiga o lançar um olhar que dizia que não gostará nada de ter que mentir para o semideus, e Will entendeu o recado, logo que tivesse a oportunidade ele teria que contar a verdade aos dois amigos também.

**

- O que você está fazendo aí atrás dessa rocha seu idiota? Perguntou Raquel a Tobias assim que viu o amigo agachado atrás de uma pedra que terminava em um pequeno penhasco de mais ou menos três metros de queda.

Essa era a pergunta que Will também estava se fazendo, tanto Raquel quanto ele haviam vindo o percurso todo tentando fazer com que Eric fala-se o que ambos haviam encontrado, mas o semideus se mostrará irredutível em dizer que não haveria graça nenhuma em contar o que haviam descoberto antes deles verem por si mesmo em primeira mão.

Assim, os dois lumens foram obrigados a virem até esse ponto específico sem terem a menor ideia do que poderiam encontrar, contudo um Tobias escondido atrás de uma rocha não era bem o que ele estava esperando, a menos é claro, se o amigo estivesse observando alguma criatura que se encontrava embaixo do penhasco, o que acabou se revelando uma suposição correta da parte de Will quando esse ouviu o som de um rosnado vindo de lá embaixo.

Rosnado esse que fez com que Eric e Tobias entrassem em pânico, dizendo na mesma hora para Raquel e ele calarem a boca e virem olhar o que ambos estavam vendo. O que normalmente teria provacado respostas bem afiadas parte dos dois lumens, mas como o medo estampado no rosto dos amigos quando pensaram que poderiam terem sidos vistos parecia ser bem genuíno, ambos preferiam deixar de lado pelo menos dessa vez as repostas grosseria que os amigos mereciam receber e foram ver o que havia lá em baixo.

Logo que ele pós os olhos na superfície abaixo do penhasco Will notou que não se travava de apenas uma única criatura, na verdade haviam dois grupos separados em lados opostos enquanto dois representantes que pareciam serem os líderes conversavam entre si.

Como estava bastante escuro ele estava tendo dificuldade para identificar a aparência das criaturas, mas suas formas se pareciam muito com as deles, e quando um dos líderes soltou um rosnado em direção ao outro ele entendeu a qual reino sobrenatural essas criaturas pertenciam, os lobisomens, uma das criaturas mais ferozes e temidas dentre os reinos.

O que sobre outras circunstâncias teria deixado Will eufórico, pois esse era um povo que vivia entre os humanos e em terminado momento das suas vidas haviam sido um deles, imagine o quanto não deveriam saber sobre eles. Fora o prazer que ele e os amigos teriam por finalmente poderem conversar com os seres de outros reinos, porque diferentemente das fadas do bosque os lobisomens não faziam questão de se esconder de ninguém.

Era só uma lastima que essa conversa não poderia acontecer, já que mesmo estando afastados das criaturas Will e os amigos podiam notar a hostilidade entre os dois grupos, se ele fosse chutar diria que ambos estavam prestes a se enfrentar por alguma disputa de clãs, e eles estavam correndo o risco de acabar bem no meio dessa briga.

- Vocês acham que eles vão lutar? Perguntou Raquel voltando-se para os amigos.

- Eu acho que sim, eles já tiveram que aparta duas brigas desde o momento em que chegamos aqui. Respondeu-lhe Tobias parecendo mais animado do que preocupado com a possibilidade de presenciarem uma briga entre dois clãs lobisomens.

Will, por sua vez, já não estava tão animado assim por poder presenciar um combate entre os seres do mundo sobrenatural, porque em determinadas circunstâncias dificilmente os envolvidos lembravan-se que não deveriam machucar os seres de outros reinos, e como fora ele quem convencerá os amigos a virem ao bosque, Will sentiria-se extremamente culpado se alguma coisa acontecesse a algum deles.

- Acho que os líderes terminaram a conversa. Disse Eric que franzia a testa aparentemente também não muito contente com a ideia de terminarem no meio de uma briga de lobisomens- Ambos estão voltando para seus grupos.

Observando novamente o local abaixo do penhasco ele pode notar que o semideus estava certo em sua afirmação, os dois lobisomens que vinham conversando até aquele momento aparentemente tinham terminado sua discussão e agora voltavam para seus clãs.

Além disso, agora que a lua estava iluminando melhor o local ele pode notar que um deles era loiro e outro moreno, estando ambos parcialmente transformados e possuindo aquele ar de guerreiros experientes de quem já haviam se envolvido em diversos combates. Contudo, ao que tudo indicava haviam se enganado sobre o fim da sua conversa, porque depois de uma rápida discutida com alguns dos seus subordinados, o lobisomem moreno voltou-se para o grupo inimigo e com uma voz alta o suficiente para que eles pudessem ouvir a essa distância gritou:

- Essa é a sua última chance Charles, se você e seus homens não recuarem agora nós vamos atacar.

- Você sabe tão bem quanto eu que isso não vai acontecer Mat, nosso alfa deu ordens claras de marcarmos esse território como nosso, e se eu desobedecê-lo serei expulso da alcatéia. Respondeu-lhe o lobisomem loiro sem parecer nem um pouco intimidado com as ameaças do líder inimigo.

Assim, ambos os lobisomens se encararam por mais alguns segundos até que o moreno quebrou novamente o silêncio.

- Nesse caso, acho que não temos outra alternativa, pois eu também tenho as mesmas ordens. Disse o lobisomem estendendo as suas presas.

- Sim, não temos outra escolha, iremos entrar em combate essa noite. Pelo menos, assim que lidarmos com os nossos pequenos intrusos escondidos em cima do penhasco. Falou o loiro olhando diretamente para o lugar em que estavam.

Nesse momento Will e os amigos congelaram no lugar em que estavam, não era possível que o lobisomem os tivesse visto do ponto em que se encontravam, estavam muito bem escondidos atrás dessas rochas e na escuridão que estava deveria ser impossível enxergar alguma coisa, como o loiro os tinha visto?

Mas, então a ficha caiu para ele, estava na cara deles esse tempo todo e qualquer idiota que conhecesse pelo menos um pouco sobre lobisomens saberia a resposta, sério, esse demônio o estava fazendo perder completamente o foco, Will não cometeria um erro bobo desses normalmente, ele estava distraído demais. E a sua teoria sobre como haviam sido descobertos se confirmou quando o moreno disse:

- Sim, você está certo, devemos lidar com esses intrometidos primeiro, vamos pequenos lumens saiam da escuridão, sabemos que vocês estão ai há algum tempo já, nós podemos sentir o seu cheiro.

E ai estava a sua resposta, todos os lobisomens possuem um olfato super apurado, podendo sentir qualquer cheiro mesmo estando a centenas de metros do local em que estavam, e fora exatamente isso o que acontecerá a Will e seus amigos agora, os dois clãs ali em baixo provavelmente já haviam sentido o seu cheiro antes mesmo de se esconderem atrás das rochas.

Agora, por causa da sua burrice estavam em apuros.

- O que nós vamos fazer? Perguntou Raquel também parecendo irritada por novamente aquele dia ter se distraído o suficiente para não ver o perigo chegando.

- Nós vamos ter que encará-los. Respondeu-lhe Will- Não podemos simplesmente fugir, eles virão atrás de nós.

A amiga por sua vez o encarou com receio estampado nós olhos, ela conseguia enxergar que a situação poderia ficar feia para eles se não fossem espertos na hora de lidarem com esses lobisomem. Mas, agora ele já estava preparado para situação, esses lobisomens não os pegariam desprevenidos novamente.

- Bom, já que não tem jeito, vamos logo então. Disse Tobias já começando a descida e parecendo o menos preocupado dos quatro por terem se metido no meio um combate de clã. Esse idiota nunca tinha noção de nada mesmo.

Mas independente disso, o grupo desceu por entre as rochas por uma pequena trilha na lateral do penhasco, do qual Raquel levou um peque escorregão e quase sofreu um tombo, mas os três meninos preferiam optar por não dizer nada, esse não era o momento para brincadeiras e quando eles finalmente saíram da escuridão para encararem os dois líderes Will ficou observando enquanto a massa de lobisomens soltava suspiros de surpresa em sua direção, ele nunca fora tão grato por ter nascido com esse rosto perfeito mque surpreendia e intimidava a todos.

Pena que ambos os líderes não pareciam tão surpresos assim com sua beleza.

- Bem, você com certeza é bem mais bonito do que eu esperava pequeno lumem. Disse o lobisomem moreno em claro sinal de zombação quando o grupo parou diante dos ambos.

Will preferiu não responder, entrar na provocação do idiota provavelmente só pioraria as coisas.

- O que lumens tão jovens quanto vocês fazem sozinhos aqui no bosque? Perguntou o loiro os estudando atentamente.

- Nós estávamos só explorando. Respondeu Raquel nervosa- Não precisam se incomodar com a gente, só estávamos de passagem.

- Sério? Então porque vocês estavam nos espionando? Rebateu o moreno já ganhando a inimizade de todo o grupo.

- Não estávamos espionando, apenas ficamos curiosos, nunca tínhamos visto um lobisomem antes. Disse Will tentando defende-los.

- Perdoem o meu amigo aqui. Continuou o tal de Charles antes que o moreno pudesse zombar dele novamente- Ele é muito desconfiado, acho que é porque é um velho meio rabugento.

Essas palavras para muitos poderia não ter muita importância, mas Will entendeu uma coisa sobre esses dois lobisomens com elas, eles eram próximos, ou pelo menos companheiros que se conheciam há muito tempo, o que só poderia significar que eles não queriam brigar entre si, interessante, isso com certeza poderia ajudá-los a sair dessa enrascada.

- Posso até ser desconfiado, mas em lumens eu não confio, vocês sempre andam por aí com esses narizes em pé se achando melhores do que os outros só porque matam demônios. Falou novamente o tal de Mat sem esconder o desprezo que sentia por seu povo- Uma vez, eu quase fui morto por um de vocês só porque ele havia me pegado em uma briga com um vampiro, talvez devesse retribuir o favor agora.

- Pode vir seu idiota, com nossos poderes acabaríamos com vocês em dois segundos.Gritou Tobias para o lobisomem só piorando a situação.

Nesse ritmo realmente acabariam tendo que lutar para saírem vivos dali.

- Garoto. Disse o moreno estendendo suas presas- A essa distância eu poderia matá-los tal rápido que você nem sequer teria tempo de pensar em usar o seu poder.

- Ok, chega Mathews. Falou o loiro que até aquele momento assistia a tudo isso sem demonstrar nenhuma expressão- Voçê não vai matar ninguém aqui, o povo deles provavelmente nos caçaria por todo o planeta se cometêssemos tal ato.

Will não gostou da maneira que o lobisomem justificou a necessidade de deixá-los vivos, como se sobre outras circunstâncias ele não visse problema em matá-los, mas desconfiava que esse era só o jeito do cara mesmo.

- Poderíamos esconder os corpos, quem sabe colocar a culpa nós vampiros. Sugeriu o moreno sem desistir da ideia.

Tudo bem, essa situação já tinha ido longe demais, estava na hora dele assumir o controle da situação.

- Infelizmente eu lamento informá-lo que temos métodos para descobrir a verdade nesses casos. Começou ele- Mas, que tal se em vez de nós matar, vocês nós deixarem resolver esse problema de ambos estão enfrentando por vocês.

Com essas palavras Will ganhou a atenção dos dois lobisomens e dos amigos que silenciosamente tentavam perguntar a ele o que estava tramando, mas não havia tempo para explicar agora o seu plano.

- Continue. Disse o moreno ainda o encarando com desconfiança, mas com um misto de curiosidade agora, Will reprimiu um sorriso, ele não precisa mais provas do que essa de que ambos não queriam uma briga entre os clãs.

- Vocês já pensaram na ideia de mentir para os seus líderes? Perguntou ele forma direta.

Imediatamente fazendo o lobisomem moreno começar a rosnar para ele.

- É melhor tomar cuidado com o que fala pequeno lumem, nossos líderes podem não ser perfeitos, mas ainda sim nós os respeitamos.

- Tenho certeza disso. Esclareceu ele- Contudo, matar a maior parte do clã de vocês em uma simples briga de território não foi à melhor ideia que já tiveram acredito eu. Então porque vocês não inventam um problema maior para distraí-los. Dessa forma, eles ficaram tão irritados com a nova ameaça que nem vão se lembrar de castigá-los por não terem conseguido o território. Finalizou Will que conseguiu ver nós olhos dos lobisomens que eles estavam começando a comprar o seu plano.

- O que seria esse problema maior que você está querendo inventar? Perguntou o moreno.

- Um feiticeiro. Respondeu Will que sabia muito bem que esse era o ser do mundo sobrenatural que os lobisomens mais tinham medo- Assim, mesmo que os seus líderes fiquem irritados com esse feiticeiro, não tentaram fazer nada contra ele.

- Pode até dar certo, mas esse seu plano tem uma falha, temos dezenas de lobisomens aqui e por mais que eu confie minha vida a eles duvido que algum deles não vai querer contar a verdade aos nossos líderes.

Questionou-lhe o loiro em voz baixa para que os outros não escutassem suas palavras ao mesmo tempo que começava a ganhar o respeito de Will pela sua grande astúcia em entender os poréns do seu plano.

Todavia, ele já havia pensando em uma forma de solucionar esse problema.

- Pois é aí que nós entramos meu caro lobisomens. Recomeçou ele- Quando vocês nos liberarem, depois de obviamente nos ameaçarem para nunca mais aparecermos aqui, iremos nós esconder novamente atrás das rochas, só que agora em um ponto contra o vento para que os seus amigos não possam sentir o nosso cheiro e com nossos poderes simularemos o ataque de um feiticeiro.

Era um plano ótimo, todos eles tinham que reconhecer, ambos os lados saiam ganhando, os dois lobisomens não precisariam se matar, além de evitarem a morto de vários membros dos seus clãs, e eles, bem…iriam sair dali vivos, o que já estava de bom tamanho para Will.

E mais uma vez, o lobisomem loiro foi o primeiro a entender os próximos passos do seu plano, ele já estava começando a gostar demais desse cara.

- Sendo que, como feiticeiros podem criar feitiço para esconder seu cheiro, ninguém vai poder questionar o fato que nenhum lobisomem sentiu o cheiro do feiticeiro se aproximando. Finalizou o tal de Charles parecendo verdadeiramente impressionado com sua inteligência.

Bom, já estava na hora de um pouco de reconhecimento aqui.

- Então, o que vocês me dizem? Aceitam o plano? Perguntou ele tentando esconder a presunção que sentia por saber que independentemente deles não gostarem dos lumens aceitariam o seu plano.

Mas independentimente do seu otimismo, ambos preferiram discutir entre si antes de lhe responder, e enquanto isso Will trocava olhares com os seus amigos tentando dizer aos três que tudo daria certo, eles aceitariam o plano, também não tinham outra escolha, pelo menos era isso que ele esperava.

Até que, depois do que se pareceu uma eternidade, finalmente voltaram-se novamente para os lumens.

- Muito bem aceitamos o seu plano. Disse o moreno a contragosto.

Ele e os seus amigos soltaram o ar que nem sabiam que estavam segurando, mas antes que pudessem responder qualquer coisa o lobisomem continuou- Agora, SAIAM DAQUI SUAS CRIANÇAS IDIOTAS E NUNCA MAIS APAREÇAM NA NOSSA FRENTE.

Depois disso o lobisomem simplesmente foi embora sem dizer uma palavra de agradecimento por terem criado um plano para salvar a sua pele, os deixando sozinhos com o loiro.

- Perdoem o meu amigo, ele não é tão ruim assim quanto parece, aliás, quais são os nomes de vocês. Perguntou-lhes Charles ainda com aquela expressão neutra estampada no rosto.

- Sou Will. Disse ele- E esses são os meus amigos Raquel,Tobias e Eric.

- Prazer em conhecê-los todos vocês, sou Charles, segundo lobisomem no comando do clã de Londres. Se apresentou o loiro- Obrigado pela sua ajuda hoje, eu realmente detestaria precisar matar o meu amigo, se precisarem de ajuda para qualquer problema apareçam por Londres que eu os acharei.

E assim, ele também se foi, partindo de volta para o seu clã enquanto os quatro amigos encaravam sua partida em silêncio.

No final das contas, foi Raquel quem quebrou o transe primeiro.

- Bem, vamos logo antes que mudem de ideia. Disse a amiga de forma cansada.

Dessa vez nenhum deles discutiu, ainda em silêncio o grupo subiu a encosta do penhasco, e quando tiveram certeza que não podiam mais serem farejadores pelos lobisomem voltaram a se esconder nas encostas rochosas em um local que os deixasse contra ao vento dessa vez.

Depois disso, foi só uma questão de aguardar o momento certo para realizar o ataque, ambos os lobisomens iniciaram uma discussão novamente e quando os dois começaram a se transformar para iniciar a briga os amigos se prepararam para realizar o ataque.

Contudo, quando estavam prestes a invocar o seu poder um ataque vindo por de trás do grupo disparou das árvores e atingiu a encosta perto do local onde os lobisomens se  preparavam para brigar.

Ele e os amigos ficaram tão chocados que nem prestaram atenção na grande debandada que os dois clãs fizeram em direção à floresta, tudo o que eles conseguiam enxergar era o poderoso feitiço que saiu da floresta bem atrás de onde eles estavam.

Por um minuto, Will ficou tão chocado que ele só conseguiu ficar encerrando sua aparência fora do comum, seus cabelos eram azuis e tinham um tamanho tão grande que quase tocavam sua bunda, os olhos eram de um verde sobrenatural que não poderia ser encontrado em qualquer outro indivíduo do mundo sobrenatural, sua altura era quase tão mgrande quanto à de Tobias, o corpo era magro de uma maneira que denunciava que não andará se alimentando muito bem esses dias, fora que ele vestia um sobretudo roxo que de alguma forma combinava com seus cabelos azuis e olhos verdes, tudo isso era demais para absorver só de uma vez, mas mesmo assim ele conseguiu reunir forças o suficiente para lhe perguntar:

- Quem é você?

A sua língua estava meio travada, mas o feiticero deve ter entendido porque lhe respondeu:

- Sou Azual Rack, e vocês acredito que sejam lumens de Lastinx. Disse o feiticero encarando os três lumens antes de desviar o foco da sua atenção para Eric- E você um semideus do reino dos deuses.

Diante dessas palavras Eric abandou sua expressão de surpresa e passou a encarar o feiticeiro com desconfiança, mas Will não deu muita importância para isso agora, esse nome, Azual, ele já o havia escutado em algum lugar, mas onde…CLARO, ele o conhecia de suas aulas sobre hierarquia entre os feiticeiros.

- Você é o segundo feiticero da Grande Torre. Disse Will sem conseguir esconder a euforia que estava sentindo.

A sociedade feiticera tinha uma torre no norte da Italia, onde viviam os mais poderosos feiticeiros do mundo, o mais poderoso recebia o título de Primeiro feiticeiro, o segundo mais forte de Segundo feitiço, e assim por diante até formar conselho dos sete senhores da Grande Torre. O feiticero que estava diante de Will e seus amigos era simplesmente o segundo mais poderoso do mundo!!

- Vejo que você me conhece. Disse Azual o estudando atentamente- Foi bem impressionante a maneira como você lidou com os lobisomens agora a pouco, estive assistindo a sua performance.

Will o encarou de volta com rosto completamente neutro, mesmo que estivesse gritando por dentro por ter impressionado um ser tão poderoso quanto esse. E como não teve nenhuma resposta da parte de Will o feiticeiro continuou.

- Vocês deveriam voltar para a sua academia, tenho certeza que já tiveram muitas emoções para uma noite.

Assim, da mesma forma que surgiu o feiticeiro desapareceu em meio às árvores enquanto eles continuavam a encarar o ponto que estivera sem entender nada do que acontecerá.

Mas, em relação a uma coisa estava certo, já tinham tido experiências demais por uma noite, estavam voltando à academia.




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