História Caminho - Capítulo 23


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Categorias Hunter x Hunter
Personagens Personagens Originais
Tags Gonkillu, Killugon, Leopika
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Palavras 6.665
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Se preparem para um casal terrivelmente estranho que o autor fumou e veio na cabeça, mas faz parte.
Boa Leitura.

Capítulo 23 - Caminhando como um príncipe como princesa e até como um leão


Fanfic / Fanfiction Caminho - Capítulo 23 - Caminhando como um príncipe como princesa e até como um leão

 Killua encarava Gon com um sorrisinho de canto, estava escorado na parede do corredor próximo a porta de seu quarto. Gon fazia o mesmo, o encarando emburrado à frente, seus braços estavam cruzados para não acabar voando no pescoço do albino e o acabar estrangulando com suas próprias mãos, até ele ter seu último suspiro com suas mãos em seu pescoço.  

— Eu já disse mais de uma vez Killua, mas eu irei fazer questão de repetir. Não é ciúmes, caramba! — bufou quase soltando um palavrão.  

— Claro! Claro! Então me diz o porquê de eu não poder andar com o Phinks e Feitan? Não vejo outro motivo além de você estar sentindo ciúmes deles dois.   

— Porque eles dois são do mal é por isso! — bateu o pé no chão irritado, adorava Killua isso não era segredo, mas existia vezes que ele era só por Deus. Killua voltou a gargalhar, estava adorando ver Gon com ciúmes.  

— Ciúmes — disse pausadamente, se aproximou do Gon o fazendo apertar o próprio braço querendo o matar ali mesmo.  

Desde que tentou conversar com Killua sobre suas novas amizades, Killua tem feito piadas sobre o moreno estar com ciúmes, o que não era o caso e isso fazia os nervos do moreno ferverem por tentar ter um diálogo sério e não ser possível por parte do albino. Não queria ver ele andando com Phinks e Feitan por saber que não eram boas companhias, sempre desconfiou e tem uma fonte loira bem confiável que deixou bem clara suas suspeitas.  

— Não precisa ter ciúmes Gon. Eles nunca irão roubar o seu lugar, não se preocupe! — disse aumentando novamente aquele sorrisinho que apesar de adorar, estava dando nos nervos. — Não precisa se preocupar é sério — colocou a mão nos ombros do moreno, apertando para ele se acalmar. Gon cerrou o cenho, clamando aos céus por paciência. Suspirou, aspirou, expirou, contou até dez e respirou fundo.  

— Killua! Eu já disse umas quinhentas vezes que não estou com ciúmes caramba! — terminou falando com os dentes cerrados, tirando a mão de seu ombro com raiva. — Eu realmente não ligo que você faça outras amizades, o problema é quem são essas amizades.  

— Então se amanhã depois da escola, por acaso eu chegar com alguém aqui em casa, dizendo ser meu novo amigo, você não iria ligar?  

— Não! E hoje é sábado, não temos aula amanhã, mas eu realmente não ligaria, se for uma boa pessoa eu iria ficar feliz, eu nunca me senti confortável disso de só temos um ao outro como amigos. Você poderia fazer amizade com o Leorio, vocês se deram tão bem quando ele esteve aqui fazendo o trabalho comigo — sorriu, ficou um pouco mais calmo, pelo menos Killua estava o ouvindo falar já era um começo.  

— Leorio é um cara legal, mas ele não faz o meu tipo — tombou a cabeça para trás, fechou um dos olhos e manteve somente um aberto para ler as expressões do moreno à sua frente.  

— Aé?! E qual é o seu tipo? — deu um sorriso provocativo. Killua deu uma risada nasal, arrumou a postura e olhou para o menor dos pés à cabeça, estava prestes a responder. — Espera! Você está fugindo do assunto outra vez — reclamou cruzando novamente os braços. Killua respirou fundo, colocando as mãos nos bolsos.  

— Eu já disse Gon! Phinks é um cara bem legal, apesar dele sempre parecer estar bravo ou de mau-humor, mas isso é porque ele não tem sobrancelhas e nunca da para entender muito bem as expressões dele. Feitan também é bem legal, ele me dá um pouco de medo, mas eles não são tão do mal assim.  

— O problema não é esse Killua, eles fazem coisas erradas!  

— Eu sei disso, mas não é como se eu fosse sair por aí roubando com eles, não se preocupe com isso — encarou os olhos que o queimavam fazendo o mesmo. — Não me olhe desse jeito, você vive com o Kurapika, são tudo farinha do mesmo saco, isso para não dizer outra coisa.  

— Kurapika é diferente, ele não rouba! — Killua começou a gargalhar, Gon realmente era inocente assim como seu rostinho o fazia parecer ser.  

— Duvido! Aposto que ele não é todo certinho como ele mostra ser, você sabe muito bem que ele vive arrancando dinheiro meu quando brigamos... aquelezinho — encarou o final do corredor, sabendo que ele estava lá embaixo. — Ele passa mais tempo aqui, que na casa dele própria, por que não se muda para cá logo?  

— Tá bom! Tá bom! Vamos tomar banho logo — disse se virando indo em direção ao seu quarto.  

— To-To-Tomar banho? Nós vamos tomar banho juntos? — disse com um pouco de dificuldade, seu corpo esquentou inteiro e sua cabeça já trabalhava demais o fazendo ficar animado.  

— Tem dois banheiros nessa casa Killua, eu vou no do meu quarto e você no banheiro do corredor.  

— Ah! Eu estava gostando da ideia... — viu a expressão séria do menor direcionada em sua direção. — Desculpa! Eu só estou brincando, mas se você quiser...  

— Vamos logo que ainda temos que nos arrumar — ignorou a fala anterior.  

— Vamos para onde mesmo?  

— Vamos jantar fora — parou em frente a porta de seu quarto, se preparando para entrar.  

— Tipo um encontro? — disse lentamente em um tom provocante, Gon bateu na própria testa, Killua voltou com o papo de encontro.  

— Meu Deus! Killua, nós vamos conhecer a namorada do seu pai.  

— Ugh! Que nojo! O papai é velho, é muito estranho dizer que ele está namorando — fez uma careta indo em direção ao seu quarto pegar uma toalha. Gon resolveu ficar quieto para não estender demais aquele assunto, já deveriam estar arrumados a um bom tempo e Silva provavelmente iria arrancar suas espinhas se demorassem mais.  

 

[...]

  

— Não é possível, não tem como isso ser coincidência. — Kurapika disse baixinho em tom choroso, vendo a tela de seu celular. Não pretendia aparecer hoje, mas realmente precisava matar suas suspeitas.   

Silva não parava quieto, sempre estava indo para um lado ou para outro, subia e descia as escadas e já estava dando nos nervos do loiro.   

— Kurapika você é bom nisso né? Poderia me ajudar com a gravata? — Silva disse suando em nervosismo, seus dentes rangiam um no outro, suas mãos tremiam e transpirava mais que o normal. Estava se sentindo novamente um adolescente, apesar de não ser o primeiro encontro deles dois estava preocupado, afinal ela iria conhecer sua família que no caso não é muito normal.  

— Claro! Ajudo sim! — deu um sorriso torto e amarelo. Silva não percebeu o quanto o loiro o queimava por conta de todo seu nervosismo, mas parecia que Kurapika iria voar em seu pescoço a qualquer momento, feito um animal selvagem querendo lutar por sua fêmea ao aparecer outro maior e mais forte.   

— Não o estrangule! Não o estrangule! Não o estrangule! — Kurapika repetias essas palavras diversas vezes dentro de sua cabeça enquanto arrumava a gravata assim como Silva pediu. Nem tinha terminado direito e Silva já tinha desfeito todo o seu trabalho indo novamente para seu escritório dizendo palavras inaudíveis.  

— Argh! Essa coisa aqui é insuportável! Como que meu pai passa o dia inteiro usando isso?! Por que raios nós temos que usar ternos?! Isso aqui é muito quente! — Killua descia reclamando, folgava um pouco o nó em seu pescoço — Gon não desceu ainda?  

— Está vendo o Gon aqui? — Kurapika o respondeu normalmente, talvez um pouco mais agressivo por realmente não estar confortável com aquele encontro de Silva.  

— Não seu idiota! É por isso que eu perguntei — preferiu não dizer em voz alta, já não estava muito bem usando aquele terno.  

— Onde está o Illumi!!! — Silva gritou no escritório, alto suficiente para ouvir da rua ou até mesmo de sabe se lá onde Illumi estava. — Se ele não estiver aqui em cinco minutos eu irei matar ele!!!  

— Gon, desce logo! Antes que o papai queira arrancar sua espinha, aproveita que ele só quer a do Illumi! — gritou na escada.   

Viu o moreno aparecer também arrumado, assim como ele usava um terno preto feito sob medida especialmente para aquele jantar. Ficou parado em frente à escada, vendo os passos lentos dados em sua direção. Gon sempre descia aquela escada com calma, descendo degrau por degrau sem pressa, diferente dele próprio que já descia pulando degraus mais que o necessário e atropelando tudo em seu caminho, geralmente pulava sempre do quinto degrau. As mãos do Gon desciam suavemente pelo corrimão, o seguindo conforme descia. Parou no último degrau, encarou Killua de cima à sua frente, a mão do Gon no corrimão foi roubando pelo o albino que a segurou o ajudando a descer com delicadeza e com cuidado, como se fosse o quebrar com qualquer movimento brusco.  

— Me diz, você por acaso já tem acompanhante? — Killua perguntou, se curvando e beijando as costas da mão do Gon, o moreno sorriu de canto, o vendo de cima por ele estar curvado no nível de sua mão.  

— Sim! Eu tenho e ele é bem ciumento.  

— Isso certamente é um problema, porque eu também sou — arrumou sua postura, entrelaçou seus dedos de ambas as mãos e o encarou diretamente nos olhos. — Me fale um pouco sobre ele, talvez eu seja bem melhor e quem sabe você mude sua opinião e resolva partir para outro — estufou o peito, empinou o nariz de modo determinado e deu uma bela piscada para Gon, formando um sorriso galanteador digno de atores de novelas.  

— Hmm deixa eu ver... Ele é bem bonito, inteligente, não é muito forte, mas eu me sinto seguro quando estou ele, como se nada pudesse me machucar, como se fosse meu escudo pessoal — deu uma risada de canto com o final, tomou bastante cuidado para não elevar Killua demais.  

— Bem, isso é bem fácil. Eu posso te proteger e te defender de tudo e de todos, ser um escudo bem melhor que ele, posso também ser sua lança e se quiser posso até mesmo ser leão.  

— Um leão?! Para que eu iria querer um leão? — gargalhou surpreso, por essa não esperava.  

— Todo príncipe precisa de um cavalo, mas para que um cavalo se um leão é bem melhor? — novamente se curvou, se preparando para beijar novamente sua mão.  

— Todo príncipe também precisa de uma princesa... — disse Gon, fazendo o albino parar no caminho e abrir os olhos o encarando ainda curvado.  

— Eu sei disso, mas eu não corro atrás de princesas, na verdade eu corro atrás de um outro príncipe, mas ele tem alguns defeitos... — sorriu de canto, retribuindo o sorriso dado por Gon, estava se divertindo com aquela história toda.  

— Ué! Agora ele que virou o príncipe? — Hisoka perguntou baixinho, cochichando na porta ao lado de Illumi, assistiam o teatro dos dois em silêncio desde o início.  

— Aé?! Que tipos de defeitos esse príncipe tem? — Gon cruzou os braços, voltando a fitar os orbes azuis que ficavam um pouco mais elevados que os seus.  

— Bem, ele é um príncipe com um escudo muito fraco, ele também não tem uma boa lança para atacar, também não tem um cavalo, mas acho que se tivesse um leão seria bem melhor. Leões são mais leais, fortes e ferozes! — terminou fazendo algumas poses, arrancando risadas gostosas do moreno.  

— Também são bem possessivos e isso pode ser um problema — disse firme, ainda com um sorriso no rosto, era um bom argumento.  

— Mas é só você o adestrar bem que você o controla facilmente.  

— Hmm — refletiu sobre aquilo com a mão no queixo. — Tudo bem! Irei deixar você me acompanhar, pelo menos por hoje.  

— Mas e o outro? Ele pode se tornar um problema não é mesmo? — disse suavemente, pegou os braços de Gon os colocando em seus ombros.  

— Não! Agora eu tenho um escudo melhor comparado com aquele que eu tinha antes, tenho uma nova lança e até mesmo um leão, ele não vai ter chances — envolveu seus braços em seu pescoço, mergulhando em seus olhos que o refletia de volta.  

— Então me permite ser seu acompanhante hoje? — balançou a cabeça em negação — Não! Me permite ser seu acompanhante para sempre? — se aproximou ficando em um distancia exagerada, o fazendo sentir um pouco de sua respiração.  

— Para sempre?! Não acha que é muito tempo? — levantou uma sobrancelha, envolvendo seus braços em seu pescoço com mais firmeza.  

— Eu ainda acho muito pouco tempo para ficar com você — se abaixou, se colocando entre as pernas do Gon, o levantando em seus ombros. Gon quase se desequilibrou por não estar preparado para aquilo, nem mesmo foi avisado.  

— Hey! O que está fazendo?  

— Estou levando minha princesa para a carruagem, não irei permitir que você ande até lá — passou por Illumi e Hisoka sem dizer nada, como se eles nem estivessem ali.  

— Agora eu virei uma princesa? — entrelaçou seus dedos aos dele no nível dos ombros, próximos de suas pernas, apesar de ter total confiança em Killua, não iria ser legal caso se desequilibrasse e caísse.  

— Você pode ser minha princesa, meu príncipe, pode até ser o meu rei se quiser, não me importa em como você queira ser chamado, se eu puder te chamar de meu, para mim já está ótimo — sumiu com Gon em direção ao carro no meio da escuridão.  

Illumi e Hisoka permaneciam de boca aberta assim como o loiro no sofá.  

— O que acabou de acontecer aqui? — Illumi gargalhou não acreditando no que seus olhos presenciaram.  

— Eu adorei o teatro — Hisoka o acompanhou, também o seguindo com risadas. — Apesar que eu acho que não teve nenhuma atuação aqui. — Se referiu ao próprio celular, apetou o play, reproduzindo a cena recém gravada.   

Hisoka guardou seu aparelho, encarou o moreno ao seu lado, dando um sorriso, também resolveu participar do teatro, assim como Killua também segurou sua mão se curvando o observando de baixo.  

— E você vossa majestade, também está sem acompanhante hoje? — Hisoka se curvou, o referenciando. Pegou sua mão e beijou as costas dela, subindo em uma trilha de beijos até os ombros, sem se importar com o tecido preto que impossibilitava de tocar sua pele.  

— Estou, mas no momento só tem um bobo da corte aqui, quem sabe aparece uma fada madrinha e me arruma um príncipe também, apesar que... — não terminou de falar. Olhou o bobo da corte dos pés à cabeça, mordendo o lábio inferior. Hisoka gargalhou entendendo muito bem o que ele se referiu, quando estava pronto para falar, a madrasta malvada apareceu para separar o casal de contos de fada cruelmente.  

— Você já chegou, ótimo vamos logo — disse Silva, no final do corredor ao ver que Illumi já estava ali e não iria precisar matar ninguém. Silva pegou Illumi pelo braço, o arrastando em direção ao carro.  

— Pai, espera! Eu preciso... — não terminou, se soltou e correu em direção seu quarto.  

— Ótimo! Nem estamos atrasados mesmo, onde está Gon e Killua? Se eles não estiverem no carro eu irei arrancar a espinha dos dois! — estralou os dedos no ar, seguido por uma veia que pulsava em sua testa.  

— Não se preocupe senhor Zoldyck, ela sempre se atrasa... — Kurapika disse melancólico, foi em direção a saída e nem mesmo se despediu.   

Seguiu em direção à sua casa em silêncio, somente ele e a imagem em seu celular, onde estava a pura imagem da beleza como papel de parede. Em meio a um teatro de príncipes e princesas, Kurapika perdeu a sua rainha. Deu uma última olhada em seu celular, já engolindo que não era coincidência, não tinha como, estava obvio e iria ter que engolir aquilo, aceitar que perdeu de uma vez.  

— Acho que a única coincidência foi ela ter escolhido ficar com o Sr. Zoldyck, de uma forma ou de outra isso pode se tornar interessante — parou na esquina, guardou seu celular e olhou para as estrelas brilhando no azul escuro que estava o céu.  

Tudo ficou tão vazio de uma hora para a outra... 

Chegou em direção à sua casa e apertou a campainha, sem nem se dar conta que estava com as chaves. Tocou uma segunda vez, tendo a porta aberta pela loira que cuidou dele desde os seus oito anos de idade.  

Pakunoda usava um vestido vermelho justo, com um decote um pouco exagerado dando visão de pele demais. Seus cabelos loiros estavam sempre soltos, não passando de seus ombros. Usava uma maquiagem leve e um batom vermelho que combinava com seus olhos, também dá mesma cor.  

— O que aconteceu Kurapika? Por que você não usou as chaves? — Pakunoda não ganhou respostas. Kurapika continuou seguindo reto, indo em direção ao seu quatro, se jogou de braços abertos na cama.  

Apertou o punho no ar encarando o teto com a imagem do ogro que um dia iria ter que matar.  

— Eu deveria ter o estrangulado quando eu tive a chance.  

 

[...]  

 

— O que aconteceu com vocês dois? — Silva estranhou os dois garotos no banco de trás do carro. 

— Nada! — responderam em uníssono.  

— Vocês dois estão muito sorridentes, o que estão planejando?   

— Nada!   

— Illumi, fica de olhos nesses dois! Estão sorridentes de mais para meu gosto. — Illumi assentiu, mantendo os olhos na direção. Silva estava nervoso demais até mesmo para dirigir.  

— Pai, relaxa! nós já chegamos.  

— Já chegamos? Como você quer que eu relaxe sabendo disso? — já estava em um nível que passou a comer as próprias unhas.  

— Por que o senhor está tão nervoso?  

— Nossa família não é normal, você sabe disso.  

— Ata, entendi! faz sentido — estacionou o caro em uma vaga com o nome de seu pai. Tirou o cinto saindo em seguida.  

Killua fez o mesmo no banco de trás. Silva saiu, resolveu dar uma volta para respirar e dar uma acalmada antes de entrar no fino restaurante. Illumi e Killua ficaram alguns segundos esperando Gon sair do carro, porém o moreno permaneceu lá dentro de braços cruzados e emburrado, bufando sozinho. 

— Eu acho que ele está esperando você abrir a porta para ele sair — Illumi cochichou no nível do ouvido do albino.  

— Burro! — Killua bateu na própria testa com força, criando o alto som de um estalo alto. Como ele poderia esquecer algo tão importante? Correu contornando o carro por trás, para assim poder abrir a porta para sua princesinha poder descer.  

— Até que enfim! Achei que iria ficar aqui plantado para sempre. Perdeu um ponto, meu outro acompanhante nunca me deixava plantado dentro do carro. — Killua deu um sorriso torto, tentou pegar a mão do moreno para o ajudar a descer, mas Gon a negou dando um tapa de leve para o lado, desceu sozinho mesmo. Seguiu de nariz empinado ficando ao lado de illumi, batia na própria roupa a desamassando.  

— Agora está valendo pontos? — pensou Illumi, vendo o menor exigente ao seu lado. — Considerando que os dois estavam quietos de mais dentro do carro e vermelhos demais, acredito eu, que eles se beijaram, quantos pontos valeram o beijo dos dois? — começou a rir sozinho.  

Silva chegou em silêncio vendo seu filho mais velho rindo sozinho, o do meio cabisbaixo do nada e o mais novo bravo por algum motivo.  

— Sem dúvidas, não são normais — pensou. — Vamos!  

Seguiram em direção ao fino restaurante, Silva já era um cliente importante no local, sempre costumava jantar com seus sócios e a maiorias de seus contratos foram assinados ali. Sua moral era bem maior que o resto dos clientes, até mesmo comparado aos mais perigosos.  

— Parece que ela também se atrasou — limpou o suor de sua testa com um lenço branco que guardou no bolso. Se lembrou do que Kurapika disse antes de sair, ficando pensativo. — Como que ele sabia disso?  

Foram em direção à mesa no segundo andar, Gon estava na frente junto de Silva o acalmando para ele não ter um treco. Illumi assim como Killua ficou mais atrás vendo as pessoas de narizes empinados à sua volta em mesas cheias de decorações desnecessárias, exclusive os garçons do local se achavam mais que realmente eram. O local era amaldiçoado por um silêncio desconfortável que fazia querer gritar, tudo que era ouvido era o barulho de talheres batendo em pratos. Todos os homens usavam ternos caros e sob medida, as mulheres usavam vestidos mais caros que suas almas, isso contando aquelas que tinham uma. Não era um local muito bem iluminado, apesar disso era cheio de velas, velas suficientes para facilmente iniciar um incêndio acidental.  

Killua viu um casal ao fundo, também estavam indo em direção à sua mesa. O homem puxou a cadeira para a sua acompanhante se sentar, fazendo Killua arregalar os olhos e se virar na direção de seu atual acompanhante. Tudo ficou escuro e viu uma luz saindo da janela iluminando a mesa em que iriam se sentar.  

— Missão!!! Chegar na mesa antes do Gon e puxar a cadeira para ele se sentar. Quem sabe isso valide o ponto perdido no estacionamento  — pensou arquitetando aos poucos seu plano.  

Avançou, esbarrando nas costas de seu irmão à sua frente, massageou o nariz vendo que não tinha como passar por ele, o corredor feito por mesas alinhadas em que estavam era muito estreito e poderia acabar fazer besteira ao esbarrar nas mesas, iria cair uma vela e iniciar um incêndio era quase uma certeza. Analisou o local friamente, encontrou uma rota alternativa a vendo sendo desenhada na sua frente por um feixe de luz, passou por cima de um acento vazio próximo, indo para o outro lado do corredor de mesas a onde estavam, tinha umas mesas no caminho, mas rapidamente ele as contornou, assim como as pessoas que apareciam no meio do caminho. Illumi viu o menor se afastar ao longe, não entendeu o que ele pretendia fazer, porém assim como Killua, viu um casal fazendo a mesma coisa mais ao fundo, Illumi voltou a rir sozinho notando Gon à sua frente, entendeu a situação do irmão do meio. Killua acelerou o passo, desviou de um garçom que segurava uma bandeja com pratos e copos, passou por de baixo de seu braço o fazendo se desequilibrar e manusear com habilidade a bandeja no ar, impedindo ela de cair, o garçom disse algum palavrão inaudível, xingando Killua de alguma coisa, mas aquilo não era o foco no momento, então nem deu atenção. Killua olhou para trás para verificar como estava indo, viu Gon o fitando de cara fechada conversando com o seu pai.  

— O que raios que você está fazendo? — leu os lábios dele, o ignorando.  

Ao chegar na mesa ao lado da sua, viu um grupo de 6 a 7 homens de ternos, seus olhares eram frios e assustadores. Não tinha opção, teria que passar por debaixo da mesa para assim chegar ao outro lado, não chegou até ali para ter que voltar. Amaldiçoando quem projetou aquele restaurante Killua ficou de quatro, engatinhou feito um gatinho assustado no meio daquele monte de pernas. O grupo nem sequer percebeu quando se abaixou e pretendia que não o vissem quando se levantasse também. Chegou no final com êxito, ótimo foi um sucesso, porém levantou batendo a cabeça com tudo fazendo a mesa balançar e atraindo a atenção dos homens de ternos na direção do garoto de cabelos brancos que saiu de debaixo da mesa. Os olhares frios e assustadores foram direcionados a KIllua, o fazendo correr em direção a sua mesa morrendo de medo. Gon e Silva pararam à sua frente, o enorme e vazio silêncio do local era ecoado por risadas altas e exageradas do Illumi, atraindo a atenção de todos para eles.  

Os homens na mesa continuam a encarar Killua, cochichavam alguma coisa uns com os outros. Na verdade, eles eram de uma máfia bem poderosa da região, discutiam sobre a possibilidade de Killua ser um espião mandado por outra família para descobrir segredos naquele jantar. Como não viram o momento que Killua foi para debaixo da mesa, imaginavam que ele poderia estar lá o tempo todo.  

— Só tem uma forma de resolver isso — disse um homem friamente na mesa, ainda encarava Killua.   

— Pode deixar comigo chefe — outro homem com uma cicatriz em forma de lua no rosto bateu na mesa irritado, fazendo os pratos pularem.  

— Não a necessidade disso — outro disse calmo fumando um charuto. — Você só quer...  

— Tudo bem, eu não me importo — a voz mais grossa e rígida da mesa deu sua permissão, fazendo o homem com cicatriz de lua sorrir satisfeito.  

— Agora aquele garçom irá aprender que não deve me trazer cebolas quando eu pedir batatas fritas — se levantou estralando os dedos e relaxando os músculos, estralou o pescoço e seguiu em direção da cozinha segurando a arma em sua cintura, iria fazer sua reclamação.  

Killua finalmente se sentou, se jogando de uma vez na cadeira, ficando ao lado do moreno que sorria abobado só por ele ter puxado a cadeira para ele se sentar.  

— Eu deveria ganhar muito mais que um ponto. Se olhar torto matasse eu provavelmente perderia sete vidas, igual um gato — olhou de canto para a mesa ao lado, vendo que não o fuzilavam mais, graças a deus.  

— Você deu essa volta toda só para fazer isso? — cochichou ao seu lado, olhou pela janela jurando ter visto um rosto conhecido, porém resolveu dar de ombros.  

— Sim! — suspirou exausto.  

— Parece que o meu cavalheiro realmente é bem determinado! — Gon disse baixinho para o albino, sorrindo para ele que bebia um copo água.  

— Eu não era um príncipe? — disse afastando o copo que bebia para falar.  

— Ah! Verdade, parece que o meu novo príncipe realmente é bem determinado — disse apoiando a mão em sua coxa, ficaram em silêncio por alguns segundos depois de retribuírem alguns sorrisos por conta da situação toda — Nós iremos conhecer a nova namorada do Silva, então por que tem mais dois assentos aqui? — perguntou contando e vendo que realmente tinha uma cadeira a mais.  

— Argh! Que nojo! — Killua massageou a testa, ainda não estava conformado que seu pai estava namorando.  

— Desculpe a demora, eu sempre me atraso — todos se viraram na direção da dona da voz, menos Illumi ele estava preso dentro de sua própria cabeça encarando a janela.  

— Eu acho que conheço essa voz — Killua disse cutucando Gon que também reconheceu, ficaram a encarando com o queixo no chão não acreditando que era realmente ela — Então é por isso que o loiro estava tão agressivo e encarando o papai como se quisesse o estrangular durante esses últimos dias.  

Usava um vestido muito simples para um restaurante fino daqueles, junto com um chapéu com uma fita roxa que combinava com a cor de seu cabelo, o chapéu cobria seu rosto por inteiro, por estar caído para frente impedia de ver seu rosto, por de baixo dele analisava os três novos conhecidos na mesa. Duas crianças que provavelmente já a reconheceram e o moreno mais velho. Illumi lentamente se virou em sua direção sem demonstrar um pingo de interesse em estar ali, não demonstrava nenhuma emoção e seus olhos não tinham brilho, ele dava muito medo assim como Silva tinha falado. Sabia da relação complicada que ele tinha com a mãe e provavelmente seria o mais difícil dos três ali, talvez não o ganharia tão fácil e até mesmo poderia ser rejeitada por estar com seu pai, era só olhar dentro dos olhos negros dele que era visível isso, ele provavelmente deveria estar a fuzilando por dentro. Ficou ainda mais nervosa, ainda mais que já estava antes de chegar ali. Passou os últimos dias ansiosa em imaginar que o filho mais velho provavelmente seria um problema. Já seguia seu caminho com uma enorme pedra em um dos sapatos e ter uma segunda iria acabar com ela. Ela encarou Illumi nos olhos, imaginou todos os pensamentos cruéis e desumanos que ele poderia estar tendo naquele momento.  

— Será que eu vou conseguir dar o lance naquela maldita agulha do século 19? — Illumi refletia, encarando a mulher em frente à mesa, sem nem ao menos se dar conta quem poderia ser. — O que será que o Hisoka está fazendo agora? — pensou, voltando a encarar a janela até finalmente se tocar ao ver aquela mulher ao lado de seu pai.  

— Prazer! Eu sou Senritsu Melody, mas podem me chamar só de Senritsu ou só de Melody, os dois nomes têm o mesmo significado — abaixou o chapéu dando um belo sorriso para todos presentes, fazendo o queixo do Illumi acompanhar o de Gon e Killua no chão.  

Ao mesmo tempo na casa dos Zoldyck...  

— Ah! Mais que tédio! — Hisoka caçava algo para fazer, viu um notebook encima da mesma da cozinha, ele passou a brilhar chamando seu nome — Será que é do Illumi? — perguntou sorrindo travesso. Abriu o aparelho que ainda continuava do jeito que o seu dono descuidado deixou.   

Leu os parágrafos escritos, não entendendo muito bem do que se tratava. Afinal... 

— Quem é Gonter e Likkua? — se perguntou sozinho, puxou a cadeira para se sentar em frente ao aparelho e ler o resto que tinha escrito ali, não era muito fã de leitura, mas no momento estava interessante...  

Gon e Killua se sentam juntos, por algum motivo espirraram ao mesmo tempo, os fazendo gargalharem juntos por essa coincidência. Illumi conversava animado com seu pai e sua atual em frente à mesa, Illumi não parecia ser o demônio que Silva a fez acreditar que era.  

— Eu não acredito que meu pai está com uma cantora famosa, o loiro deve estar se remoendo agora. Hey! Gon, depois vamos pedir uma foto com ela? Só para eu esfregar na cara do loiro depois, vamos? — cochichou animado com a ideia.  

— Foi no banheiro... — Senritsu respondeu alguma pergunta feita por Silva, se preparando para se sentar.  

Killua bateu na própria testa, seu pai puxou a cadeira para Senritsu se sentar, até seu pai fazia isso e ele quase deixou o Gon se sentar sozinho, como pode? Ainda com a mão na testa teve sua outra sendo fortemente apertada. Killua olhou para o lado, Gon se encolheu todo no lugar, ficando todo vermelhinho vendo o novo casal à sua frente se preparando para se beijar, com bastante expectativa corou violentamente mordendo o próprio indicador contendo o grito que queria dar, apertou com força os dedos entrelaçados aos seus.No momento que os dois estavam prestes a se beijar uma mão é colocada entre os dois, os impedindo e os afastando um do outro. Uma silhueta negra de olhos vermelhos que surgiu de Silva e Senritsu foi invocada naquele momento.  

— Você realmente acha que eu iria deixar você ficar com minha tia assim tão fácil? Seu brutamontes!   

Senritsu bateu na testa, morrendo de vergonha.  

— Leorio! — Killua levantou empolgado, vendo um rosto conhecido no meio de toda aquela chatice, assim como Senritsu, Leorio também usava uma vestimenta muito simples para um local daquele, seu terno diferente dos outros era de uma coloração azul.  

— Killua! Lobinho! — disse animado, bagunçando os cabelos dos dois menores, deixando Gon com uma gota na cabeça por conta do apelido. Cumprimentou Illumi puxando uma cadeira vazia a colocando bem entre o casal. — Controle o seu pai! — disse sorrindo dando uma piscada para os dois a sua frente.  

Illumi Zoldyck: Isso aqui está mais animado que eu imaginei, meu pai está pegando uma cantora famosa e agora apareceu o sobrinho ciumento dela. Se rolar um tiroteio vai ser o melhor jantar da minha vida. - [20:47] — digitou com agilidade, mandando uma mensagem pelo celular por debaixo da mesa, fazendo resumos rápidos do pouco que acontecia para Hisoka.  

— Esse é meu sobrinho, Leorio — Senritsu disse, massageando a testa, rezava para Leorio não a fazer passar vergonha como em todas as outras vez.   

Leorio deu de ombros fazendo algumas piadinhas com Silva. Os dois já se conheciam a um tempo, então nada de anormal. Gon e Killua estavam com um O perfeito na boca, nem mesmo Kurapika que sabia até mesmo o CPF de Senritsu tinha ideia que ela era irmã da falecida mãe de Leorio.  

— Por que você nunca disse que sua tia era a Senritsu? — Killua perguntou ficando ainda mais curioso sobre a vida do Leorio.  

— Por que iria ter um monte de fãzinhos me enchendo o saco para poder a conhecer, eu já estou tendo problemas com um fã que conseguiu ir longe até demais — apontou para Silva com o polegar.  

O Jantar seguia bem animado e confortável, muito mais que Senritsu e Silva tinham imaginado. Leorio sempre foi um problema quando se tratava de seus relacionamentos, estava solteira durante todo esse tempo por conta dele, até conhecer Silva em sua empresa. Silva também tinha imaginado que Illumi e Killua dariam dor de cabeça por conta de toda a questão com Kykyo, mas foi muito pelo contrário, Illumi não demostrou ser contra e Killua se comportava bem, Gon nunca foi uma preocupação, ele sempre foi de se dar bem com todo mundo. Leorio se distraia demais por conversar com Gon e Killua, o fazendo se esquecer de queimar o filme dos dois como sempre costumava fazer. Illumi falava pouco, apenas o necessário e quando era dirigido a palavra a ele, notava como seu pai parecia um adolescente na mesa, estava feliz por ele. De vez em quando soltava algumas risadas de canto com Gon e Killua que ainda estavam naquele teatrinho, faziam de maneira bem sutil e ele mesmo só percebia porque presenciou tudo desde de casa.  

— Gostariam de um Chocorobot dá sorte? — disse um garçom com um sorriso estranho no rosto.  

— Chocorobot da sorte? Eu não sabia que isso existia — Killua olhou para os doces desconfiado. Aquele garçom era estranho, sua voz era rouca e assustadora, sua coluna estava curvada de maneira estranha e seu olho esquerdo piscava demais, tinha um sorriso maléfico no rosto, seu bigode era o famoso clichês de vilões e o esfregava constantemente, seu olhar vivia correndo em volta, analisando tudo com frieza, ria com a garganta como se tivesse um plano maléfico prestes a ser concluído, sem dúvidas uma pessoa que qualquer um gostaria de evitar, não se parecia nada confiável. — Tudo bem, eu quero! — pegou os doces igual todo mundo.  

Leorio e Killua mau pegaram e já tinham comido.  

— Eles funcionam igual aos biscoitos da sorte e vem com uma mensagem atrás do chocolate. Pode ser uma mensagem motivacional ou até mesmo o contrário. Infelizmente não podem repetir — encarou as duas crianças idiotas que comeram sem esperar. — Alguns podem ter avisos de coisas que podem acontecer ou que já aconteceram, podem vir de maneira direta ou com alguma frase que terão que interpretar. O mais importante é que se for algo ruim vocês devem rasgar, não os joguem fora e principalmente não os queimem e não mostre a ninguém — terminou a explicação sendo totalmente ignorado desde o começo.  

Illumi estava nem aí, provavelmente nem iria ler a mensagem. Gon amaldiçoava o chocolate do Killua de inveja como sempre. Senritsu limpava a boca de Silva com um guardanapo e Leorio o queimava com o olhar torcendo para ele se engasgar e morrer ali mesmo. Ninguém se quer prestou atenção no garçom.  

— Droga eu comi o meu com a mensagem e tudo — Leorio disse cabisbaixo seguindo com esse mesmo sentimento com Killua. — Quem é que coloca papel com algo escrito no chocolate? Que tipo de restaurante é esse? Eu não irei conseguir dormir essa noite em pura curiosidade...   

— O que está escrito no seu Gon? — Killua perguntou ao seu lado, tentou dar uma espiada sem sucesso.  

“O sol que afasta a tempestade irá queimar uma última vez aos poucos perdendo a sua luz. Você será o único que irá poder decidir se ele irá brilhar novamente. Durante o tempo de decisão, você verá nuvens mais negras que jamais viu.”  

— Nada demais! — disse sorrindo, tentando demonstrar que não ligou, porém, aquelas palavras junto com todas as virgulas grudaram em sua cabeça de modo que nem mesmo ele sabia dizer como. Decidiu que iria pensar nisso depois. Então queimou o pequeno pedaço de papel em uma das velas ali acesa. Killua o olhou desconfiado se remoendo em curiosidade. Viu o papel queimando na mão do Gon sumindo junto com a chama da vela.  

— Illumi, e o seu? — viu ele lendo o dele com uma careta.  

“O passado que não lhe pertence, irá tentar levar uma das cartas mais preciosas do seu baralho. Você não deve fazer julgamentos, pois você não é um juiz. A caixa que sobe e desce não leva ao purgatório."   

— Besteira — deu de ombros, amassando o papel e jogando no chão mesmo. — Killua, pode ficar com o meu chocolate, eu não quero — fez careta entregando o doce para o albino que comeu na mesma hora.  

— E o seu Killua? Vai dizer que comeu com o papel e tudo também? — Killua se encolheu na cadeira envergonhado, fazendo Leorio rir ao ver que não era o único idiota ali. — Pode ficar com o meu também — disse Gon, levando o doce até a boca do albino que mordeu seus dedos de propósito.  

— E o seu tia? O que está escrito? — Leorio tentou espiar também não tendo sucesso.  

— Eu tenho certeza que o garçom disse algo sobre não mostrar a ninguém — disse calma, lendo o pequeno papel em sua mão.  

"Uma máscara com um sorriso pode facilmente esconder sentimentos e emoções negativas como solidão."   

Ficou um tempo imaginando o que poderia ser, até sair de seus pensando pelas risadas altas que Leorio dava ao conversar com Gon e Killua. Levou o seu chocolate na boca do seu sobrinho o fazendo calar a boca com a doce em sua boca, Senritsu deu uma gargalha alta, se lembrando de quando ainda dava comida em sua boca quando ainda era novinho.  

Silva afastava e aproximava o seu tentando ler aquilo que não enxergava nada, estava sem seus óculos e mal conseguia ver as letras que permaneciam embaçadas.  

— Está difícil aí velhote? Quer que eu leia para você? — Leorio disse fazendo piada, sendo reprendido por sua tia em seguida.  

— Leorio, mais respeito!   

— Ah! não seja chata, credo!   

— Calma! calma! tá quase. — Silva aos poucos encontrava o ponto certo, fazendo todos na mesa rirem com as caretas que ele fazia ao tentar ler o papel. No meio das tentativas de ler o papel Killua roubou seu chocolate, Silva viu, mas não se importou não era muito fã de doces mesmo.  

"Seu cofre não tem muitas moedas, mas as três que tem são extremamente valiosas. Três delas poderão perder suas coroas. Durante essa possível separação, você irá ter que ser delicado como jamais foi."

— Eu já volto — disse Silva se levantando. — Vou ver quem escreveu isso. 

Silva foi em direção da recepção, vendo um homem com cicatriz em forma de lua reclamando educadamente com um dos gerentes.  

— Só um segundo senhor — o gerente deu sinal com o dedo para Silva esperar.  

— Olha, já é a terceira vez que eu venho aqui para reclamar das minhas batatinhas, me trouxeram novamente cebolas fritas, eu odeio cebolas! — disse bastante calmo para um mafioso.  

— Nos perdoe por isso. Eu prometo que dessa vez irei levar pessoalmente suas batatas, por conta da casa! — disse no mesmo tom, não demostrou a nenhum momento como aquele homem lhe causava pressão.  

— Muito obrigado! — o homem da cicatriz saiu satisfeito, voltando para o seu grupo novamente.  

— Em que posso ajudar o senhor?   

— Eu gostaria de saber quem é que escreveu isso — Silva mostrou o papel ao garçom que ficou confuso não entendendo o que ele queria dizer.  

— Me desculpe, mas eu não estou entendendo.  

— Um de vocês passou em minha mesa com uns chocolates dizendo que era como biscoitos da sorte — explicou, porém só deixou o gerente mais confuso.  

— Acho que o senhor está enganado nós não fazemos isso, não faz sentido levar chocolates com mensagens do tipo.  

— Ali! foi ele quem entregou — Silva apontou para o garçom que lhe deu os chocolates, ele descia as escadas indo para o primeiro andar.   

— Senhor, ele não trabalha aqui, ele entregou esses chocolates somente para você?  

— Não! Quer dizer, eu acho que não — começou a ficar assustado.  

— Se o senhor não se importa irei falar com meus superiores sobre isso — passou por uma porta onde só era permitido funcionários.  

Ótimo, agora sabia que tinha a possibilidade de sua família inteira ter sido envenenada por um estranho. Com o papel como a última preocupação, Silva o rasgou indo em direção de sua família. 



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