História Caminho das Memórias - Capítulo 20


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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Eriol Hiiragizawa, Fujitaka Kinomoto, Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji, Touya Kinomoto
Tags Captors, Card, Drama, Romance, Sakura
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Palavras 3.898
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ooopa, nada mais justo do que o 20° capítulo ser um tão aguardado. E com razão, veremos como será o reencontro de nossos personagens. O que será que aconteceu? Ansiosos? Eu também xD Então, sem mais delongas, eis o 20° capítulo! Boa leitura ^^

Capítulo 20 - O Sol que enfim retorna para nós


O Sol que enfim retorna para nós

 

– Eu me lembrei... Eu me lembrei de tudo... – Dizia Syaoran, com os olhos arregalados enquanto olhava para as próprias mãos – Sakura... Eu preciso ver a Sakura!           

Numa tentativa inútil de se levantar, quase caiu da cama, se não fosse por Eriol que o segurou.

– Opa, vamos com calma, meu amigo. É um pouco precipitado da sua parte tentar se levantar assim.

– Eriol, você não entende... – Disse com uma cara de dor devido ao seu esforço – Eu preciso mesmo falar com ela... Depois de todos esses anos... Tenho que falar com ela!

– Ei, calma aí, o que você quer dizer com isso? – Eriol perguntou curioso.

– Era ela, Eriol. Esse tempo todo, era ela o meu motivo para vir até o Japão. Era com ela que eu sonhava. Era ela que eu tentava me lembrar. Finalmente... Finalmente eu entendi porque estou aqui... – Explicou sorrindo.

– Tudo bem... Wow... É loucura de mais de uma vez só... – Depositou a mão sobre a face – Mas... Se é assim, por que ela nunca falou sobre isso com você durante todo o tempo que esteve aqui?           

Lentamente, o alegre semblante de Syaoran perdia seu brilho, e ganhava um aspecto de tristeza.

– Eu... Eu não sei... Mas... – Cerrou os punhos – É por isso que preciso falar com ela... Precisamos esclarecer... Tudo...           

Eriol suspirou.

– Okay, consigo entendê-lo. Então, como irei contatar Kinomoto para vir aqui?

– Não, ela não virá aqui. Eu irei até ela.

– Mas o que!? Syaoran, o que você está dizendo!?

– Eu esperei de mais por isso Eriol. Até agora ela não veio até mim, não vou esperar mais.

– Eu entendo, mas mesmo assim—

– Eriol. Por favor – Syaoran suplicou com os olhos cheios de determinação.           

Por mais que quisesse contraria-lo, Eriol não podia. Soltou um longo suspiro e cedeu.

– Tudo bem, tudo bem... Vamos fazer as coisas do seu jeito dessa vez... – Disse com as mãos para o alto.

– Obrigado – Syaoran agradeceu sorrindo.

– Mas isso ainda não responde minha pergunta. Como vamos contatar Kinomoto? Eu não tenho seu contato, e para sua informação, seu celular sofreu grandes danos no acidente.

– Tudo bem... Eu sei o número dela de cor.

– Wow... – Arrumou os óculos – Mas sabe, acha mesmo que uma abordagem direta é uma boa ideia?

– O que quer dizer?

– Não acha que ela ficaria um pouco chocada, ou sem jeito? Quero dizer, não acho que ela está emocionalmente preparada para isso. Creio que ela estava muito abalada ontem.

– Entendo – Syaoran coçou o queixo – Então... Ah! Já sei. Podemos falar com sua melhor amiga, Tomoyo D—

– Daidouji – Eriol foi mais rápido.

– Você... Vocês se conhecem? – Perguntou Syaoran surpreso.

– Sim, tive a felicidade de conhecê-la ontem. Infelizmente, não pude pegar seu número do telefone. Não vá me dizer que também sabe seu número de cor!?           

Syaoran sorriu.

– Mas é claro que sim.

– Se me permite perguntar... Isso também é efeito do acidente de ontem?

– Não tenho certeza, mas se for, vem muito a calhar.

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Naquela manhã, Tomoyo tomava café na sala de jantar de sua imensa casa. Sua mãe havia saído para trabalhar cedo naquele dia, então estava sozinha. Mas sua cabeça não se ocupava de outra coisa senão sua amiga que sofria angustiada e seu colega que estava hospitalizado.           

De repente, seu celular, próximo a ela em cima da mesa, começou a tocar. Reparou no número que lhe era desconhecido, e por menos prazeroso que fosse atender uma ligação desconhecida naquela situação, assim o fez.

– Alô?

– Alô, Miss Daidouji?           

De imediato, Tomoyo reconheceu aquele comportamento.

– É você, Hiiragizawa? – Perguntou praticamente certa de sua resposta.

– Ora, é uma honra que a senhorita já seja capaz de me reconhecer pelo telefone.

– Devo dizer que você é incomum de mais para que eu tenha alguma dúvida.

– Humm... Vou tomar isso como um elogio!

– Pode ser, mas... Não acho que ligaria para mim apenas para agir de forma cortês, não é? – Tomoyo perguntou, já tendo esperanças.

– De fato, não. Pelo menos, não numa situação como essa... – Pausou – Eu tenho uma grande notícia, e um grande favor para pedir.

– E então?

– Syaoran acordou e está bem.           

Tomoyo abriu um sorriso e soltou um grande suspiro de alívio.

– Ainda bem...

– Mas não é só isso. Graças a um milagre, suas memórias que ele havia perdido há oito anos voltaram.           

Tomoyo arregalou os olhos espantando-se.

– Espera! O que você disse!?

– É isso mesmo que a senhorita ouviu.

– Mas...Se isso é mesmo verdade... Então...           

Eriol sorriu de lado.

– E é agora que vem o grande favor.

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O clima não era dos melhores naquela manhã na casa dos Kinomoto. Fujitaka e Touya tomavam seu café-da-manhã sem trocar muitas palavras. Sakura nem mesmo tinha saído de seu quarto ainda. Por mais que nem um ali se sentisse confortável, ela era a que menos suportava tudo aquilo.           

Subitamente, a campainha tocou.

– Quem será uma hora dessas? – Disse Touya enquanto se levantava para atender.           

Quando abriu a porta, deparou-se com Tomoyo.

– Bom dia – Disse a garota.

– A-Ah, Tomoyo, bom dia... – Respondeu Touya confuso.

– Posso entrar?

– Ah, claro... – Mesmo sem entender, apenas concordou.

– Oh, Tomoyo, bom dia. O que a traz tão cedo até aqui? – Perguntou Fujitaka, que curioso com a visita, veio até o hall principal.

– Bom dia, tive que vir o mais rápido que pude, pois trago grandes notícias. Especialmente para Sakura – Disse séria.

– Poderia ser que... – Touya ia dizendo.           

Tomoyo apenas acenou com a cabeça.           

Nenhum dos dois homens disse mais nada. Assim, a garota pôs-se a subir as escadas que levavam para o segundo andar. Assim que chegou à porta do quarto de Sakura, bateu. Após alguns segundos, sem resposta, tentou mais uma vez.

– Sakura, eu posso entrar, por favor?                     

Lentamente, a porta se abriu. De trás dela, saiu uma Sakura acanhada e encolhida.

– To-Tomoyo? O que faz aqui? – Perguntou confusa.           

Sem pensar, a garota de cabelos longos e negros abraçou a amiga.

– Tomoyo? – Sakura se surpreendeu.

– Syaoran está bem, Sakura. Ele já está consciente.           

Aos poucos, um sorriso terno se formou nos lábios de Sakura.

– É mesmo?... Isso é ótimo... – Lentamente, seu sorrido se desfez quando veio o pensamento da possível sequela – Ele...

– Ele se lembrou de tudo o que aconteceu oito anos atrás. Ele se lembrou de você, de seu passado juntos. E... Ele quer ver você, Sakura – Tomoyo disse sem dar tempo para Sakura ponderar algo ruim.

– Eh...?           

Ouvir aquilo fez as pernas de Sakura fraquejarem. Caiu de joelhos, com Tomoyo ainda a abraçando. Seus olhos se inundaram de lágrimas instantaneamente.

– Tomoyo... O que você está me falando... É mesmo verdade...? – Perguntou tremendo.

– Eu jamais mentiria sobre algo tão importante assim – Respondeu séria.

– Então... Eu posso mesmo acreditar que Syaoran agora se lembra daqueles dias que passamos juntos...?

– Sim, Sakura. Você pode – Confirmou, sorrindo.           

Sakura ficou alguns instantes em silêncio, apenas tremendo e chorando.

– Sabe, Tomoyo... – Quebrou o silêncio – Eu posso me sentir feliz assim? – Perguntou, encarando a amiga, com olhos encharcados e uma tentativa de sorriso.

– Não só pode como deve – Disse Tomoyo, abraçando-a mais forte.

– A-Ainda bem... – Dizia entre os soluços e gemidos.           

Tomoyo sorria satisfeita. Enfim, o sofrimento de sua amiga que durara por anos chegaria ao seu fim. Do lado de fora do quarto, Touya ouvia a conversa, encostado na parede.

– M-Mas... – Sakura tentava dizer secando algumas lágrimas, finalmente se afastando de Tomoyo – Eu... Eu não tenho o direito de encara-lo agora. Não depois de tudo o que eu fiz. Tanto nesses dias como nos últimos dois anos. Eu não mereço vê-lo assim.

– Não se trata de mérito, Sakura. Trata-se do que os corações dos dois querem. Eu tenho certeza que ambos esperaram muito por esse momento, e enfim chegou a hora de realizar esse sonho! – Disse sorrindo lindamente.

– Você deveria ir – Touya falou ao passo em que se revelou.

– Touya... – Sakura disse baixinho ao olhar para o semblante sério do irmão.           

Tomoyo segurou as mãos da amiga.

– Você deve ouvir seu coração, Sakura. Vá. Esqueça os arrependimentos. Vá, e seja feliz!           

Emocionada e agradecida. Sakura secou as últimas lágrimas, e com um semblante determinado, concordou:

– Sim!

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Syaoran e Eriol aguardavam no Parque do Rei Pinguim, bem em frente ao escorregador que dava nome ao local. Foi muito difícil fazer o hospital liberar Syaoran, e com razão, pois liberar um paciente que havia se acidentado no dia anterior, tendo quebrado a perna e batido a cabeça, era algo impensável. Por isso, Eriol teve de usar de toda sua influencia e Syaoran tivera que repetir por diversas vezes que tinha condições de sair, que se sentia disposto e precisava resolver algo urgente. Após muita diplomacia e negociações, Syaoran conseguiu ser enfim liberado, com o acordo de que voltaria imediatamente para o hospital num período de até 4 horas. Não era muito tempo, mas era o suficiente para o que precisava fazer.           

Havia conseguido também, uma cadeira de rodas para se locomover, já que andar estava fora de questão. Não gostava nem um pouco de estar nesse tipo de situação, mas não havia o que fazer.           

Aguardava já um pouco impaciente.

– Você tem certeza que foi bem claro com as instruções, não é? – Syaoran perguntou.

– Acalme-se, meu amigo. Tenho certeza que logo elas estarão aqui – Eriol tentou o acalmar.           

Rangeu os dentes e suspirou. Sua vontade era de sair correndo até Sakura, mas... Não podia. Não queria mais esperar, mas não tinha outra escolha.           

Tentou manter a paciência.           

Apenas um pouco distantes dali, duas garotas caminhavam justamente em direção ao Escorregador do Rei Pinguim.

– Ei, Tomoyo. Não tem nenhum hospital aqui por perto, não é? – Perguntou Sakura confusa.

– Sim, você está certa – Respondeu sem desviar o olhar do trajeto.

– Então...?

– Eu nunca falei que estávamos indo para um hospital.

– Mas o q—

– Ah, ali estão eles! – Tomoyo cortou Sakura pois já avistava os garotos, inclusive acenando e recebendo o aceno de volta de Eriol.           

Sakura se espantou ao ver Syaoran com uma perna engessada e a cabeça enfaixada, sentado numa cadeira de rodas. Baixou a cabeça, mas continuou a andar.           

Já para Syaoran, ficou extremamente feliz ao ver Sakura, enfim, a sua frente. Não entendeu direito aquela sua reação, mas manteve-se firme.           

Logo, os quatro estavam de frente um para o outro.

– Aqui estamos – Disse Tomoyo.

– Pois é, obrigado – Observou Eriol.           

Apesar daquela reunião, o silencia reinava. Eriol se mantinha sorridente, mas Tomoyo começava a se sentir estranha com aquela atmosfera. Sakura se mantinha cabisbaixa. Syaoran tinha a cabeça erguida e tentava fitar os olhos de Sakura. Porém, sem sucesso, lentamente, também foi baixando a cabeça, inconformado.

– Você...           

Sakura ensaiou uma fala, chamando a atenção de todos para si.

– O que você está fazendo aqui!? Não deveria estar em um hospital!? – Exclamou finalmente.           

Aquilo surpreendeu a todos.

– E-E-E-Eu...E-Eu... – Syaoran tentava formular algo sem sucesso.

– Pfftt... – Eriol segurava a risada.           

Tomoyo suspirava aliviada.

– E-eu... É que... É que eu...

– Senhorita Kinomoto, o que meu amigo está tentando dizer é que ele não suportaria ficar lhe aguardando naquele ambiente hospitalar. Ele nunca gostou muito de se sentir limitado e controlado. Por favor, perdoe a ele, e também a mim, que fui o seu cúmplice nisso tudo – Disse Eriol, salvando Syaoran, fazendo uma pequena reverência.           

Constrangido por ter que recorrer às palavras de Eriol, Syaoran apenas se manteve em silêncio, com uma cara de arrependimento.           

Já Sakura, amenizou sua feição enfurecida, e fez um leve aceno de cabeça.

– Bom, sendo assim, acredito que vocês tenham muito a falar. Por que não dão uma volta? – Sugeriu Eriol – Senhorita Kinomoto, se importaria de empurrar a cadeira de Syaoran?

– E-Ei! Eu posso me locomover sozinho, não preciso de ajuda! – Exclamou Syaoran, irritado.

– É mesmo? Achei que os médicos tivessem sido bem claros quando disseram para você não fazer muito esforço físico...

– Mas—

– Eu faço. Eu empurro a cadeira – Sakura interrompeu a discussão, já se posicionando atrás de Syaoran.           

Era um pouco difícil de empurrar, pois o peso da musculatura de Syaoran se juntava ao peso do gesso de sua perna. Mas não era impossível. E embora quisesse reclamar, Syaoran manteve-se quieto.

– Certo, mais tarde nos reencontramos.           

Sakura acenou com a cabeça, e pôs-se a empurrar Syaoran parque adentro. Eriol e Tomoyo ficaram a observa-los. Quando tomaram certa distância, Eriol virou-se para Tomoyo.

– Então, Miss Daidouji. Creio que agora não tenhamos muito que fazer além de esperar. E, sendo assim, gostaria de ir tomar algo comigo? – Convidou, com toda a sua cortesia.           

Tomoyo arqueou as sobrancelhas.

– Este pedido é um tanto ousado e atrevido – Disse.

– Ora, mas que coincidência. Você acabou de citar minhas duas maiores características. Por que não discutimos mais sobre isso em outro lugar? – Convidou novamente, agora já expondo o braço.           

Sorrindo, Tomoyo resolveu cair naquela graça.

– Sabe muito bem que não consumo qualquer tipo de álcool, não é? – Perguntou, engatando no braço do rapaz.

– Já previa algo assim, e compartilho de sua restrição. Mas devo dizer que tenho um interesse imenso pelos mais diversos tipos de chá...

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Sakura empurrava Syaoran já há algum tempo, mas ambos permaneciam em silêncio. Incomodado, Syaoran tentou mudar aquela atmosfera tensa.

– Me desculpe, eu sei que fui muito irresponsável e estou lhe causando problemas... Mas eu prometo que voltarei para o hospital o mais rápido possível!

– Tudo bem... – Respondeu Sakura brevemente.           

É, não tinha dado muito certo. Não poder olhar no rosto de Sakura era o que mais entristecia Syaoran. Suspirou infeliz.

– Me desculpe... – Disse Sakura baixinho.

– O que!? Por que está se desculpando!? – Espantou-se Syaoran.

– Se não fosse por mim, você não estaria assim... Se você não tivesse me salvado daquele caminhão... Você não teria que estar nessa cadeira de rodas... – Dizia com uma triste voz.       

Syaoran demorou a responder.

– Isso não é verdade. Não tinha como prever que aquilo ia acontecer. Quando o caminhão veio, eu apenas agi instintivamente. A responsabilidade do que eu fiz é totalmente minha. Então, não fique se culpando – Disse sério.           

Sakura se alegrou um pouco com as palavras de Syaoran, a ponto de até abrir um sorriso.

– Obrigada...           

Satisfeito, Syaoran também sorriu.

– Mas... Parando pra pensar, não é a primeira vez que você me salva, não é mesmo?           

Syaoran logo se tocou de que ela falava sobre aqueles dias no passado.

– Ah, sim... Aconteceram algumas coisas.

– O caminho de volta, a cachoeira, a chuva... Foram tantas coisas... – Sorriu sem graça – Eu realmente te dei muito trabalho, não foi?

– Bom, foi mesmo uma grande surpresa você ser uma nadadora tão ruim – Debochou.

– E-Ei! Eu treinei muito depois daquilo e melhorei bastante! – Bufou.

– Hahaha, é verdade. Quando a Educação Física é natação você sempre se destaca.

– Viu? Hmpf!           

Aquela conversa estava indo melhor do que Syaoran esperava. Não podia perder o ritmo.

– Sabe outra coisa? Naquela época você costumava acordar bem cedo.

– Hã?

– Hoje em dia, vez ou outra você chega atrasada na aula. Me pergunto se há algum motivo para essa mudança – Perguntou sorrindo.

– Eh? N-Não isso é... É só que... – Sakura tentava explicar, se enrolando com as palavras e ficando vermelha – AAAHHH! Eu apenas perdi um pouco da energia que eu tinha quando era mais nova... Não é nada de mais! – Bufou.

– Hahahaha, acho que isso explica.           

Sakura, sentida, retrucou:

– Pra falar a verdade, eu tinha mesmo mais energia naquela época...

– Hã?

– Quero dizer, você nunca ganhou de mim na corrida, não é? Além de sempre demorar muito mais do que eu para subir ou descer de árvores... – Provocou.

– Ei, espera aí! Primeiro que eu nunca fui habituado a subir em árvores assim, e segundo que só corremos duas vezes, foram poucas disputas para declararmos o vencedor – Respondeu um pouco irritado.

– Bem, mas se considerarmos uma melhor de três, por ter vencido duas, eu sou a campeã! Hahaha!           

Syaoran cerrou os dentes.

– Eu ainda não concordo com isso... – Resmungou – Exijo uma revanche assim que minhas pernas estiverem boas! – Exclamou apontando para sua frente.

– Certo, eu estarei esperando. Mas não darei mole!

– Ótimo!           

Era incrível para ambos estar conversando assim tão normalmente sobre o passado, pois tranquilizava o coração dos dois.           

Ambos sorriam, e embora não olhassem no rosto um do outro, tinham consciência de que o outro estava fazendo a mesma coisa.

– Nós... Nós parecemos um pouco como crianças de novo agora, não é? – Perguntou Syaoran.

– É... Acho que sim... – Sakura concordou, sorrindo e corando um pouco.           

Só por conseguir falar assim com Sakura, Syaoran ficava extremamente feliz. Observou a paisagem ao seu redor e avistou um banco sob a sombra de uma grande árvore. O Sol já estava um pouco alto, então uma boa sombra refrescante seria bem vinda.

– Ah, podemos dar uma parada ali? – Apontou para o banco – Tem uma sombra interessante, e eu não pretendo fazer você me empurrar pelo parque todo.

– Não é como se eu me importasse de empurrar você, mas vou aceitar pela sombra.           

Dirigiram-se para o local. Sakura estacionou a cadeira de rodas de Syaoran ao lado do banco. Sem demora, o rapaz apoiou-se no banco, tentando pular de sua cadeira para ele. Embora fosse muito forte, devido ao seu estado, falhou miseravelmente e só não caiu lindamente no chão porque Sakura o segurou rapidamente.

– Syaoran!? O que está fazendo!? – Perguntou preocupada, depositando-o no banco.

– Argh... Desculpe. Eu realmente não gosto de estar nessa cadeira...

– Céus... – Sakura olhou para o chão – Se era esse o caso, você deveria apenas ter pedido minha ajuda. Não precisa ser tão teimoso...           

Syaoran ia abrir a boca para responder. Mas, fechou-a, e em seguida sorriu.

– Você tem razão. Eu tenho que parar de ser teimoso assim. Pra falar a verdade, acho que estou ficando acostumado a ser salvo de cair no chão desse jeito, hehe – Abriu um belo sorriso, ainda maior do que o outro – Realmente, desculpe.           

Espantada com aquela reação, Sakura tremeu e tornou a fitar o chão.

– T-T-Tudo bem... – Respondeu.           

Sakura sentou-se ao lado de Syaoran. Neste momento, uma gentil brisa passou por eles, chacoalhando as folhas da árvore que lhes propiciava sombra, batendo em seus rostos, e bagunçando-lhes o cabelo.

– Sabe, esse vento não lembra um pouco o daquela árvore alta em que subíamos? – Perguntou Syaoran.

– Sim, lembra... – Sakura respondeu sem expressão.

– Eu... Sinto falta daquilo...           

Sakura nada respondeu, mas adquiriu um semblante triste.           

Syaoran não aguentava mais. Não podia esperar mais. Eis que veio a derradeira pergunta:

– Por que você não me disse quem era durante esses dois anos?           

Sakura tremeu. Por mais que previsse a chegada desse momento, não conseguia conter o nervosismo. Respirou fundo e pôs-se a falar:

– Desde que você foi embora naquela época, eu estive esperando, verão após verão, o seu retorno. Só que chegou num ponto onde eu não mais acreditava que você fosse voltar. Contentei-me com isso, mas jamais te esqueci. Por mais fundo que estivesse, o sentimento de querer revê-lo se mantinha em meu coração. E então, quando eu finalmente o revi, estando você na minha escola, na minha turma... Pensei que fosse explodir de felicidade. Mas... Logo veio a verdade – Encarou Syaoran – Apesar de você ainda ser o Syaoran que eu conheci, eu já não era mais ninguém para você, nada além de uma estranha. Nossas memórias, nosso passado... Nada mais existia. Isso foi um choque horrível.           

Syaoran cerrou os punhos. Continuou apenas a ouvir.

– Eu não sabia o que fazer. Estava confusa. Então, decidi aceitar os fatos e conviver com aquela triste e sufocante realidade. Mas... No meu momento de fraqueza e miséria, uma pessoa me aconselhou, e mudei minha forma de pensar. Se era para eu sofrer, que pelo menos sofresse tentando acabar com aquilo. Decidi lutar pelo que eu queria. Lutar para que eu tivesse Syaoran de volta. Para que Syaoran pudesse me aceitar novamente. Demorei para conseguir algum avanço, mas quando cheguei a esse ponto, algo que eu não previa aconteceu...           

Preocupado, Syaoran, que fitava o chão, a encarou.

– Sem que eu percebesse, acabei me apaixonando novamente por Syaoran – Disse com o sorrido mais belo e resplandecente que Syaoran já vira – Ainda que não se lembrasse de mim, eu passei a amar aquele Syaoran. Os dias com você eram divertidos, eu gostava de sua companhia, e aos poucos fui, inconscientemente, deixando de lado o nosso passado. Acho que para mim, as coisas estavam boas daquele jeito, me senti acomodada. Mas no fim... Eu estraguei tudo, não foi? – Lágrimas brotaram de seu olhos – Eu não sei o que estava dizendo para Touya naquela hora, não pensei em minhas palavras... Aquilo era uma verdade que não condizia mais com nossa realidade, e mesmo assim, você acabou ouvindo aquilo... Eu te machuquei físico e emocionalmente. Eu fui horrível! E eu não mereço mais te amar...           

Pesadas lágrimas escorriam pelo rosto de Sakura. Syaoran mantinha a face neutra. O vento continuava a soprar em seus rostos. Até que o rapaz resolveu quebrar o silêncio:

– Nos anos que decorreram após aquele acidente, eu passei a viver uma vida normal novamente. Exceto pelo fato que eu sentia um incômodo muito grande. Como se algo estivesse errado, e eu precisasse fazer alguma coisa. Quando senti que o Japão era meu destino, fiz os preparativos para minha vinda instantaneamente – Encarou o céu – Foi tanto tempo sem algum resultado que eu quase perdi minhas esperanças. Minha mãe pedindo para eu voltar, os sonhos cada vez mais frequentes. Tudo parecia me consumir. No entanto, havia uma válvula de escape. Era você, Sakura.           

Espantada, a garota virou-se bruscamente para Syaoran, que sorria gentilmente.

– Sempre que estava com você, relaxava. Apesar do friozinho na barriga, gostava da sua presença. Gostava de como sorria, de como sofria para entender alguns exercícios de matemática, e até mesmo de como chegava atrasada na aula. Não foi a toa que me apaixonei perdidamente por você – Coçou o nariz, encabulado – Acho que meu coração sempre soube que era você a razão para eu estar aqui, e para eu não desistir. Acho que era isso que ele queria dizer quando eu o sentia doer sempre que me despedia de você.           

Sakura tapou a boca com uma das mãos. Soluçando, não acreditava no que ouvia.

– Mas... Não vou negar, fiquei muito feliz quando recuperei minhas memórias. Tudo se clareou para mim. Aquele verão.... Aquele verão foi muito importante para mim. Eu não o trocaria por nada, pois se não fosse por ele, eu não estaria aqui, eu não estaria apaixonado por você, e talvez nem mesmo tivesse a conhecido, assim como você mesma disse – Sorriu – Então, eu vou pedir mais uma vez. Não chore. Não diga que não merece me amar. Eu não a culpo por nada. Se nossas escolhas nos guiaram até este momento, tenho certeza de que todas elas foram corretas!           

Emocionada, tudo o que Sakura conseguiu fazer foi concordar.

– Sim... – Disse em lágrimas.

– Assim, deixe me dizer mais uma vez – Segurou a mão da garota que estava sobre o banco – Sakura Kinomoto, eu te amo.

– E-Eu... Eu também te amo – Respondeu, secando as lágrimas.           

Syaoran abaixou a cabeça.

– Agora eu só tenho mais uma pergunta...

– O que é?

–Naquele verão, quando eu estava indo embora, já no carro... Você disse alguma coisa, não foi? O que era?           

Sakura estranhou a pergunta, mas enfim, sorriu e respondeu:

– Naquela hora eu disse “Volte logo, por favor”.

– Entendo... Nesse caso – Ergueu a cabeça com os olhos em lágrimas – Estou de volta!           

Sem conseguir conter o choro, Sakura apenas respondeu:

– Seja... Seja bem vindo...           

Em meio a choros e sorrisos, conquistas e felicidades, beijaram-se, pela primeira vez, consagrando aquele momento para sempre em suas vidas, de modo que jamais iriam se esquecer, assim como a gentil brisa que os acariciava.

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Notas Finais


Hehehe, é isso minha gente. O amor é lindo não é? Atravessa fronteiras como tempo e espaço como se não fossem nada. Amar e ser amado é sinônimo de felicidade, não importa onde ou quando.

O mundo precisa de amor e só, é o que eu digo.

Mas não temam! Este não é o último capítulo. Não ainda... Tenho mais para escrever e esclarecer obviamente hehe.

Mas por hora, é assim que ficamos. Espero de coração que tenham gostado da resolução desse romance entre nossos protagonistas. Espero ter conseguido despertar um sentimento de nostalgia no coração de vocês.

E, então, nos vemos na próxima semana, quando sim, eu vos trarei o capítulo final!

Até mais^^


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