1. Spirit Fanfics >
  2. Caminho de Narciso >
  3. - Capítulo 2 -

História Caminho de Narciso - Capítulo 3


Escrita por:


Capítulo 3 - - Capítulo 2 -


Fanfic / Fanfiction Caminho de Narciso - Capítulo 3 - - Capítulo 2 -

    À medida que a aurora nascia no céu estrelado, Wangji sentia os raios quentes de Sol baterem no rosto, na altura dos olhos. Lhe trazendo uma sensação de incômodo constante, até abrir os olhos. Ainda estava dentro da gruta. Sozinho. 

    Tudo o que tinha passado não foi um simples sonho. Aquela era a realidade que teria que enfrentar daqui para frente. Demônios não deveriam se misturar com gente normal. 

    A cauda ainda estava enrolada em si próprio, deixando o corpo aquecido naquela manhã gelada. Podia jurar que tinha visto uma das paredes cobertas com uma fina camada de gelo. O tempo parecia ser diferente ali dentro.

     Wangji se levantou, se arrependendo no mesmo instante ao sentir os ossos reclamarem pela posição que tinha dormido e o corpo estremecer pelo frio. Buscando imediatamente por um casaco, encontrou apenas tudo o que estava dentro da mochila espalhado no chão.

Já tinha certeza de que alguma divindade deveria odiá-lo, ou até se divertir com todos os azares que aconteciam na vida do Lan. Se algum animal tivesse mexido ali, estaria tudo acabado. Seus livros, suas roupas, o pouco de comida que tinha.

Mas tudo estava intacto. Até mesmo a comida.

Que tipo de animal passava reto por um pacote de M&M's? Aquilo era no mínimo estranho. Mas pelo menos teria algum tipo de comida conhecida antes de ter que começar a caçar ou roubar alimentos da cidade - mesmo que esse último fosse contra a sua vontade. 

Wangji dobrou e guardou todas as roupas que estavam espalhadas. Precisaria mesmo delas? Quer dizer, agora ele era um selvagem. Seria necessário mesmo roupas? 

Mas o que mais lhe chamou a atenção, foi o celular com a câmera aberta. A galeria estava lotada de fotos borradas do chão - Animais eram muito fotogênicos pelo visto. A bateria já estava em seus 70%, deixaria o celular guardado caso acontecesse alguma emergência.

O sol lhe atingiu em cheio quando Wangji saiu da gruta. Apesar dos barulhos dos pássaros e das árvores balançando, estava tudo em silêncio. Wangji pensou que tinha alcançado os céus naquele momento.

Até uma pedrinha acertar em cheio sua consciência para acordar para a realidade. 

 Isso não é para ser divertido. Ou você sobrevive, ou você morre. Pode ir se acostumando com insetos e frutas estranhas, pois será isso que vai comer pelo resto da vida.

A vida como um esquecido, ou como um abandonado poderia até ser mais tranquila e sossegada se Wangji quisesse. O que era o maior desejo do Lan no momento.

Respirando fundo e inalando o ar gelado da manhã, Wangji sentiu a barriga roncar pela primeira vez desde que tinha chegado. Estava a bastante tempo sem inserir nada no estômago que já dava sinais. 

A jornada para ser um selvagem tinha finalmente começado.

Mesmo que a copa das árvores  quase estivessem alcançando os céus, haviam frutas por todos os arbustos - frutas seriamente questionáveis.

Assim que o sabor amargo e ácido preencheu a boca,  Wangji sentiu a bile subir pela garganta. O pensamento de que teria de se alimentar daquilo pelo resto de seus dias já deixava o Lan enjoado. 

A falta de algo quente e delicioso saindo do forno e uma mão acariciando seus cabelos logo se fizeram presentes. A proximidade com a mãe tinha seus efeitos colaterais.

Wangji se lembrava vagamente de quando se deitava junto da mãe antes do jantar. Se aninhando ao corpo da mulher que sempre lhe fazia carinho. Era pequeno demais para entender o porquê de seu peito doer mesmo sem nenhum machucado.

Sem perceber, Wangji levou a mão até o topo da cabeça e acariciou os próprios fios em silêncio.

No fim das contas, estava realmente desesperado.




Ao final da tarde, Wangji finalmente tomou coragem para ir até o templo. Não que fosse encontrar algo de útil ali, estava tudo destruído e podre. 

Mas algo que o intrigava era: Porque havia um templo escondido ali?

Wangji se lembrava de quando recebeu seu primeiro livro de história de seus pais. Um livro contando toda a história de seu país até os dias atuais. 

A menção sobre templos antigos escondidos para adorar divindades profanas o fez estremecer. Lugares onde as pessoas de antigamente rezavam para adorar o bom agouro eram normalmente em estradas ou até mesmo dentro das cidades. Eram muito raras as vezes em que eram mencionados lugares escondidos. Mas todos se ligavam a arte ou magia ladina da época. Qualquer um que fosse visto fazendo uma reverência para algum demônio, era banido pelo próprio Imperador.

Aquela construção podia ter sido destruída pelo próprio governo da época. 

No entanto, não haveria mais nada ali. O tempo de decomposição não batia com os relatos históricos. Sobrariam apenas meros objetos de metal ou ouro enferrujados. Mas tudo estava lá.

Os degraus de madeira apodrecida fizeram um ruído alto quando Wangji se pôs em cima, quase se partindo ao meio pelo peso. A construção ainda estava de pé mesmo com as estruturas apodrecidas pelo tempo. 

O clima era deveras mais gelado ali dentro, fazendo que o ar quente escapasse pela boca do Lan. 

Wangji se sentia em um filme de terror. Como se a qualquer momento, um ser, como aquele do trem aparecesse.

Aquela coisa… Wangji parou bruscamente no meio de um cômodo quando se deu conta de que agora dividia o mesmo território com o ser. Mas o que poderia fazer? Era só uma presa livre, leve e solta esperando para cair nas garras do predador.

E Wangji caiu em cheio.

Não sabia como se defender ou a quem buscar ajuda, mesmo com um celular em mãos. 

Mesmo sentindo o perigo em mente, Wangji sabia que não teria chance. Aceitaria logo de uma vez que preferiria morrer do que ainda permanecer como um demônio neste mundo. Quem sabe, com sorte, encontraria novamente a mãe e poderia se sentir acolhido debaixo das asas dela.

O barulho de algo atingindo o chão fez o Lan sair rapidamente de seus pensamentos e assumir uma postura de alerta.

Aquilo poderia ser só um dos truques de sua mente traiçoeira. Que sempre lhe quebrava o espírito e jogava os cacos no vento. 

Mas ver duas pessoas paradas lhe encarando no final do corredor da casa, apenas fez Wangji se lembrar de que aquilo não era uma ilusão. 

Se aproximavam com uma surpreendente calma. Ambas as sombras não se pareciam como o ser - para seu alívio. 

Pelo contrário, uma delas parecia ter orelhas longas acima da cabeça, que se movimentavam a cada barulho na madeira pobre. Principalmente nos rangidos de quando o Lan tentou sair apressado.

Não poderia deixar que as pessoas da cidade vissem sua forma horrenda. Não podia sentir, encobrir, não podia deixar saber. 

Aquilo só iria atrair mais pessoas para a floresta. Se tornaria facilmente um rato de laboratório se fosse descoberto. Talvez o governo fizesse o próprio trabalho de o matar de fome ou de radiação com os experimentos no corpo.

No entanto, só conseguia correr. Era seu instinto natural. Quanto mais corria, mais aquela construção se tornava um labirinto sem fim. E mais próximos estavam os passos das sombras.

Wangji se virou por um momento para trás, se garantindo se estava ainda sendo perseguido. 

O suspiro de alívio escapou pelos lábios quando não ouviu mais nada. 

E então, tudo escureceu. 




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...