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História Caminhos Cruzados - Angústia - Capítulo 14


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Notas do Autor


Atrasada? Talvez, mas antes tarde do que nunca. Aqui mais um cap pessoas, espero que gostem <3

Capítulo 14 - Conversas à meia-noite


Fanfic / Fanfiction Caminhos Cruzados - Angústia - Capítulo 14 - Conversas à meia-noite

Na barraca dos irmãos da areia o cenário era completamente diferente, eles não conversavam sobre a vida como as meninas e nem sobre a o sumiço de Neji e Lee como a barraca dos meninos. Muito pelo contrário, Temari se encontrava com uma lanterna acesa tentando matar os insetos que se aproximavam dela e a impedia de dormir, a cena seria bastante cômica se não fosse trágica.

- Eu falei pra trazer repelente, olha o tanto de inseto que tem aqui, puta merda, coisa chata, não deixa a gente dormir!

- O que não está me deixando dormir na verdade é você Temari – diz Kankuro se virando para a irmã. Gaara coloca a mão na cabeça, se lamentando da discussão que iria começar. Até mesmo ele, que havia se tornado uma pessoa calma, estava se extressando com os irmãos brigando toda hora. Temari não costumava ser assim, tudo bem que ela era bem nervosa, mas não na mesma intensidade desde que chegaram na aldeia da folha.

- Cala a boca Kankuro, minha paciência já está esgotada com você, barraca pequena demais, você não tráz repelente...

- Porque não pediu pra Gaara pegar? Tudo eu – moreno cobre as orelhas e volta o rosto para a parede da barraca, com a intensão de voltar a dormir, afinal, teriam um dia cheio.

- Vocês dois não se cansam né? – diz o irmão mais novo já virando os olhos, ele realmente não estava a fim de ouvir mais uma discussão – Mas se você tivesse me dito, eu teria trazido, Temari.

- Temari tá muito mole pra uma ninja, se incomodar com mosquito – Gaara manda um olhar cerrante para Kankuro, era óbvio que o irmão gostava de provocar a mais velha, talvez achasse o fato engraçado.

- Eu quero muito que você tenha alergia a essas pragas.

Gaara bufa e começa a movimentar a pequena quantidade de areia que havia trazido caso precisasse se defender, e em um estalo de dedos mata o inseto que Temari estava caçando há vários minutos. A loira o olha surpresa e se pergunta por que ele não havia feito aquilo antes.

- Pronto, agora parem de brigar.

- Obrigada Gaara, por ser o irmão prestativo – ela se deita dando as costas a Kankuro. O ruivo apenas vira os olhos, se perguntando se havia necessidade de tudo aquilo, Temari não costumava ser daquele jeito, alguma coisa devia estar incomodando-a, mas se recusava a falar e descontava em Kankuro. “Depois converso com ela” pensa consigo.

Definitivamente ficar parado olhando os irmãos dormirem não estava legal, então decide sair da barraca para tomar um ar fresco. Pegando apenas seu cachecol, pois estava um frio considerável, e sem fazer barulho, o irmão mais novo fecha a barraca e começa a caminhar pelo acampamento improvisado que fizeram, passando pela barraca das meninas e dos meninos – essa em especial estava um pouco agitada, foi possível ouvir vários murmúrios e exclamações que lhe chamaram a atenção, contudo o ninja prefere não se envolver e invadir a privacidade alheia.

Em seguida foca seu olhar na cachoeira avista alguém sentado sobre as pedras, virado de costas para o acampamento. A princípio pensou ser alguma das meninas ou Neji, dado pelo comprimento do cabelo. Gaara se pergunta o porquê aquele ser estaria se expondo ao frio da cachoeira e decide se aproximar.

Quando estava razoavelmente perto, o pensamento que poderia ser alguém perigoso, algum servo do Orochimaru ou qualquer outra aberração que representasse alguma ameaça, invade sua cabeça. Com receio invoca um pouco de areia dos próprios minérios do chão e avança armado em direção à pessoa.

O som estrondoso da água da cachoeira se chocando com a o rio começa a se misturar com uma melodia suave e harmônica, se fosse algum inimigo certamente era da vila do som, ele nota com curiosidade o movimento dos peixes, que tentavam nadar contra a correnteza, era um fato curioso, e se não estivesse na época de reprodução das espécies aquela estranha movimentação teria lhe chamado mais atenção. A figura há vários metros à sua frente parecia portar alguma coisa em mãos e estava concentrada demais para notar a presença de Gaara. Quando este se aproxima o suficiente percebe que era apenas Naomi, e sua tensão de esvai.

A menina volta um objeto de madeira na boca e o assopra e Gaara finalmente compreende que ela estava construindo: uma flauta.

- Boa noite – Naomi se assusta ao ouvi-lo, afinal, até pouco julgava estar sozinha. Por conta do espanto deixa a flauta que estava esculpindo cair das pedras e deslizar em direção à água.

- Não! – a menina se estica para tentar pegar o objeto, mas não consegue, Gaara invoca sua areia e trás o pedaço de bambu de volta as mãos da menina antes que atingisse a água – pra que me assustar desse jeito, chega igual um fantasma, meu Deus – seu coração batia rápido e estava sem jeito, Naomi pega a flauta de volta e leva a mão sobre o peito, como se tivesse acabado de sofrer um infarto.

- Desculpa

- Tá tudo bem. Nossa, não faz mais isso, que susto – Gaara se sente um pouco mal, não queria tê-la atrapalhado de fazer... ele realmente não fazia ideia do que ela estava fazendo, tudo bem, estava tocando uma flauta, mas qual a finalidade daquilo? – de onde você tirou areia? E como você fez isso? – ela olha assustada para o garoto.

- Perdoe-me. Bem, eu sou um ninja... – Gaara realmente não sabia como explicar aquela situação, para ele ser ninja era algo tão natural, era como se alguém que não respirasse perguntasse o que era respiração, definitivamente não tinha uma maneira fácil de explicar aquilo.

- Ninja consegue fazer magia? Magia existe? Que? Achei que era coisa de livro.

- Não é magia, é complicado de explicar, bem, eu consigo controlar a areia, assim como Naruto consegue fazer clones...

- Vocês são muito estranhos. Eu achei que tinha comido Marula demais quando vi vocês fazendo esse tipo de coisa mais cedo, mas acho que não.

- O que?

- Marula, na real a que tem aqui não é bem a Marula Marula, vamos dizer que é uma prima dela, até porque essa é roxa e bem menor. Mas isso não importa. Como você controla a areia? É que isso é tão insano que... – a menina não chega a completar a frase, para ela era um choque muito grande saber que não tinha delirado e que realmente os garotos eram capazes de fazer esse tipo de coisa que até pouco achava impossível. Gaara realmente não sabia como explicar a respeito da natureza ninja para a menina, ela parecia ser extremamente leiga, afinal, sua expressão não mentia sobre. Contudo, algo em sua frase lhe chamou muito a atenção, o ruivo já tinha ouvido falar dessa fruta Marula e sabia que ela apresentava um teor alcoólico significativo, e que se comessem demais ela poderia deixar até um animal de grande porte embriagado. 

- Onde você arrumou essa fruta?

- No mato, quando tava voltando com o Neji e o Naruto antes da hora do almoço, se você olhar direito pra floresta, vai ver que não é tão difícil assim achar uma árvore. Se quiser amanhã eu te mostro onde tem uma. 

- Não, obrigado. Você sabe que essa fruta tem teor alcoólico, né?

- Sim, por isso mesmo que achei que tinha comido demais hoje cedo. Ai, para de fugir do assunto, me explica como você fez esse negócio com a areia que eu to ficando louca.

Gaara tenta dar uma explicação básica, não procurando expor o Shukaku e falar a respeito de seu kekkei genkai, por mais que já seja Sensei, ainda tinha dificuldade em explicar teorias de maneira didática. Não queria abordar a anatomia ninja, pois achou que aquilo era de uma complexidade maior e não dava para se resumir em conceitos simples como estava procurando naquele momento.

- Ta legal, vou apenas aceitar – a menina ainda achava muito estranho eles conseguirem fazer isso, mas não era de se julgar negativamente, por nunca ter frequentado uma escola tradicional e ter sido alfabetizada por seus pais, nunca tivera contato com essa realidade e aquele ato que era tão simples para Gaara, mover a areia, a fez questionar sua cosmovisão.

- Não sabia que tocava – o ruivo tenta quebrar o silêncio que havia ficado entre eles mudando completamente de assunto. “Se ela ficou tão assustada ao saber que existem ninjutsus, imagine quando souber o que é um Jinchuuriki”.

- Ah, bem... De onde eu vim todo mundo cantava e tocava alguma coisa, é quase genético.

- Como assim?  - agora Gaara estava seriamente interessado, afinal, esta não era uma habilidade que costumava ser herdada e sim aprendida, pelo menos de todos os ninjas que não fossem da aldeia do som. Até mesmo sua tensão muda, se antes seu coração estava acelerado por uma sensação que ele não conseguia compreender, era algo que se assemelhava ao mixer do medo, desconfiança e surpresa. Contudo, era impossível ela ser ninja, se tivesse alguma habilidade especial podia considerar que era uma subordinada de Orochimaru, mas não parecia o caso.

- Ah, em Valfenda nós tínhamos o costume de tocar instrumentos, a maioria das pessoas gostavam de violino e da flauta. Lá eu aprendi a tocar flauta e a cantar também, até porque para que você consiga tocar flauta com perfeição é necessário ser afinado – ela responde rápido como se já tivesse a resposta decorada e Gaara se convence descartando por completo a probabilidade da menina ser uma ninja do som, afinal, não é porque alguém saiba tocar que é da aldeia inimiga.

- Você está bem? Ficou estranho do nada - ela cerra as sobrancelhas parando em sua frente e olhando profundamente em seus olhos, o que o faz desviar o olhar quase em um ato reflexo.

- Tá tudo bem, só fiz uma associação errada. Você está toda molhada – foca o olhar no robe branco aberto de Naomi, que apesar de ter secado a tarde por conta do sol intenso, já estava começando a ficar ensopado novamente, assim como sua pele e o biquíni de Tenten que a garota ainda vestia – Você vai acabar pegando um resfriado.

- Tá tudo bem, eu tenho a imunidade forte – contudo, a menina concorda em voltar para onde estava o acampamento, assim ficariam longe do forte vento molhado que a aproximação com a cachoeira causava, evitando tanto que se molhassem mais e pegassem um resfriado. Naomi conta para Gaara que havia se afastado porque não queria incomoda-los ao tocar sua flauta e o ruivo não lhe faz mais perguntas, afinal, não era muito bom interrogatório mesmo.

Gaara anuncia que irá ascender a fogueira novamente, enquanto Naomi discretamente abre a cabana das meninas e puxa sua mochila de lá, o que não fora de grande dificuldade, já que as meninas deixaram o colchonete em frente a porta vazio para que Naomi pudesse se deitar mesmo depois de todas já estarem dormindo.

Ela encontra mais uma troca de roupa e arranca com brutalidade da mochila, quase enroscando o tecido em sua mão. Levemente olha para trás e observa Gaara ainda emprenhado em acender a fogueira utilizando pedras, afinal, não seria nem um pouco fácil tentar encontrar o esqueiro perdido entre os objetos no escuro. Ela se vira de costas e começa a se despir há uma distância considerável do ruivo. 

***

Gaara já estava desistindo de tentar acender a fogueira com as pedras e sente vontade de acordar a pessoa que a apagara para acende-la novamente. Em um momento olha para frente e observa o dorso nu da menina, que começara a vestir uma camiseta preta que certamente era de Naruto, rapidamente desvia o olhar, ainda meio corado, e com a imagem em seu cérebro.

“O que tá acontecendo comigo?” pergunta a si mesmo ao sentir uma estranha sensação, era algo que se misturava com tensão, mas era diferente, meio inquieto e que o deixava sem jeito. Gaara não sabia nomear o que era aquilo, mas o incomodava e não gostava das reações físicas de seu corpo a esse respeito.

- Vê se ajuda – ele ergue os olhos e observa a garota já trocada estendendo um esqueiro a ele, ele aceita gentilmente e ela se senta a seu lado. Depois de minutos a madeira começa a queimar e os lábios de Naomi, que estavam minimamente roxos, começam a voltar à coloração normal.

 

Ela estende as mãos, a fim de aproxima-las mais do fogo e depois de aquecidas as encosta em seu rosto, repetindo a ação várias vezes. Gaara observava o fogo queimando e por vezes olhava para Naomi, que tinha um maior foco em se aquecer, ela passava as mãos no rosto e no pescoço devagar, como se estivesse se acariciando e com os olhos fechados, tocava nos lábios. Ele não sabia se dizia alguma coisa ou não, afinal, não era uma pessoa de muitas palavras e normalmente não sabia como começar uma conversa.

- Eu odeio frio – ela diz por fim.

- Você não quer entrar na barraca? Bem, acho que lá é menos frio que aqui fora e as suas roupas não são as mais apropriadas.

- Por que esta fazendo frio? Hoje mesmo tava calor. Por que fez tanto frio do nada? Eu não sabia que era assim. Você trouxe até cachecol, como eu ia imaginar que ia precisar levar cachecol pra praia? – ela estava indignada, mas sua expressão não era de severidade, muito pelo contrário, sorria e se mostrada levemente frustada consigo, mas não ao ponto de soar como uma crítica, apenas um apontamento.

- Estamos na floresta. E você estava toda molhada há poucos minutos, não tava com frio na cachoeira? – era de fato curioso, afinal, ela não estava se queixando sobre o tempo quando estava em uma situação bem menos favorável.

- Mais ou menos, parece que aqui esta pior – mais uma vez aproxima as mãos do fogo, deixando com que essas esquentassem com maior velocidade e em seguida as coloca no rosto de Gaara, que fica totalmente surpreso com o ato, se tivesse sobrancelhas estariam erguidas em dúvida. Ele levemente afasta seu corpo e coloca a cabeça para trás, mas a menina não percebe – é gostoso, né? Fica quentinho – ela sorri e ele cora, tudo que queria era desviar o olhar, mas as mãos da menina seguravam seu rosto, o impedindo. Em seguida ela abaixa as mãos e as coloca em volta de seu pescoço, passando sua palma desde o cerebelo até o a base do pescoço, como estava fazendo em si mesma há alguns minutos. Gaara estava totalmente desconfortável com a situação e sente seu coração acelerar de nervosismo e provavelmente estava corado, pois a garota solta um pequeno sorriso depois de alguns segundos, ao retirar as mãos do rosto do ruivo e abraça as próprias pernas, as passando pela canela em uma velocidade maior, a fim de se aquecer.

- O que foi? Parece que viu um fantasma. Tá assustado – ela sorri e começa a aquecer as mãos na fogueira novamente e em um ato involuntário boceja.

- Está cansada? – Gaara não fazia ideia do que acabara de acontecer, seu coração estava tão acelerado quanto no dia que seu tio quase o matou, mas o sentimento era outro, apesar de ser parecido.

- Não, não, eu to bem – Naomi pega a flauta que estava um pouco úmida e a seca com a barra da camiseta de Naruto, em seguida a coloca no chão não muito distante da fogueira, para que pudesse secar mais rápido, mas não ao ponto de compromete-la – E você? Não está com sono?

- Não.

- Quer ouvir uma história? Já que você não é muito de falar.

- Perdão – Gaara ainda estava um pouco desconcertado sobre o que acabara de acontecer, mas tenta manter o foco – claro.

Naomi se deita e treme o corpo com o impacto do gramado frio, em seguida olha para o ceú estrelado, esperava que o menino fizesse o mesmo, mas ele continua sentado de frente para a fogueira.

- Já ouviu falar das Mil e uma noites?

- Não – se tivesse sobrancelhas, o garoto teria franzido.

- Nossa, é quase um mito. São contos de uma mulher chamada Xerazade... – Naomi começa a narrativa ainda deitada na grama e olhando para o céu, por vezes virava o rosto para Gaara, mas a posição para conseguir manter contato visual era muito desconfortável, e ela desiste depois de poucos minutos. O ruivo ouvia interessado, achava incrível como a garota tinha noção das várias áreas do conhecimento, até podia ser uma pé rapado, mas era interessante ouvi-la, afinal não se comportava como um professor ou ditava os fatos como uma enciclopédia, a fim de mostrar que é inteligente. Soava de maneira mais natural e confortável, tornando-a agradável. 

- E assim começa a coletânea de contos, eles são muito legais, "Ali baba e os 40 ladrões", "Simba, o Marujo", todas essas grandes historias são tipo “as histórias que Xerazade contava” é uma historia dentro da outra, bem metalinguístico né?

- Como você sabe dessas coisas?

- Ah, historias as pessoas contam e...

- Não, eu digo, os termos. Como você aprendeu o que é metalinguagem?

- Uma pessoa me ensinou – ela diz com a voz menos doce e bem direta – mas sério que da história inteira o que te chamou atenção foi um termo científico?

- Não! É que... Eu fiquei curioso, só isso. A historia é bem interessante, se essa Xerazade existisse acho que se dariam bem – a garota sorri com a comparação, afinal, ela estava parecendo a personagem por ser uma contadora de histórias.

- Aiai – ela diz bocejando.

- Vai dormir na barraca, vai passar frio aqui fora.

- Eu to bem, não to com sono, não – mas o seu bocejo a entrega – e tipo, você vai ficar aqui sozinho, é muito ruim ficar sozinho - diz com a voz quase melancólica.

Gaara da uma pequena travada, como se um flashback viesse em sua mente, ele se lembrou dos vários anos que passou totalmente só e o quão angustiante era aquilo, seu coração da uma pontada e ele definitivamente preferia não ter lembrado daquilo. Tudo bem que passar a noite acordado não era como se estivesse sozinho, já estava acostumado com isso, mas a forma que a menina disse, parecendo que o conhecia mais que do que ele achava, trouxe-lhe uma carga emocional.

- Por que você não dorme um pouco? Se deitar aposto que o sono vem.

- Eu não consigo – na verdade Gaara sabia que o real motivo de não dormir era que não podia, afinal, se o fizesse o Shukaku tomaria conta de seu corpo e ele perderia o controle da besta, desta forma, em todo o seu tempo de vida, ainda não dormira sequer uma vez, nem faz ideia de como fazê-lo ou qual a sensação.

- Insônia? 

- É, mais ou menos. Mas pode ir dormir, não precisa ficar aqui, não – ele realmente não queria ficar só, passar a noite conversando com alguém era definitivamente a melhor alternativa que se podia ter, mas ao mesmo tempo não queria prejudica-la.

- Qual seu signo? – a garota ignora completamente o comentário dele.

- Signo?

- É, seu signo, dependendo do dia e da hora que você nasceu os astros moldam uma personalidade para você. O meu é sagitário, eu te falei há uns dias.

- Você realmente acredita nisso?

- Não – ela sorri – claro que não, eu só acho interessante. Mas eu me recuso a acreditar que já nascemos predestinados, já pensou, que horror, você ter seu destino traçado antes de nascer só porque uma coisa que ninguém sabe explicar o que é chamou de “destino”? Não acredito nisso não, que horror.

- Então no que você acredita?

- Que somos livres, a gente nasce como uma tábula rasa, quer dizer, nem tudo, fator genético essas coisas não, mas destino não é algo genético.

Gaara discordava totalmente daquilo, afinal, toda a sua vida fora moldada antes mesmo de seu nascimento. Antes de completar nove meses de vida já haviam selado um demônio dentro de si e a partir deste dia sua vida tornou-se um verdadeiro inferno. Ele se recusava a acreditar que aquilo tenha sido obra do “acaso”, seria injusto demais acreditar que não houvesse uma razão superior.

- Não acho que seja tão vago assim. Acho que nascemos predestinados, mas conseguimos mudar as coisas.

- Se você mudar significa que já estava traçada a mudança, então fazia parte do plano. Não existe livre arbítrio em destino.

- Então para você nascer predestinado é ser escravo de algo que já foi traçado?

- Exatamente.

- E quem traçou isso então?

- Oxa, num sei, quem acredita em destino é você, eu acredito no acaso. Para mim nós nascemos livres e as coisas acontecem como consequências nossas, não tem nada nível três parcas, não.

- Três parcas?

- É um mito grego, são basicamente três mulheres que tecem a linha da vida, elas que  decidem o seu destino e quando você vai morrer, resumindo.

- Que interessante – o ruivo realmente gostava de ouvi-la, afinal a viajante conversava simplesmente sobre tudo, desde de as piadas tão ruins quanto as de Naruto até filosofia e ele se questionava como ela sabia de tanta coisa sem, aparentemente, nunca ter frequentado uma escola.

- Mas e você? Não conhece nenhuma historia, nenhum mito que responda questões como essa? Toda religião tem uma resposta para essas perguntas.

- Eu acho que não conheço, se lembrar de alguma te conto.

- Tá legal – ela fecha os olhos e se acomoda no chão, encolhendo um pouco o corpo por conta do frio.

- Tem certeza que não quer dormir na barraca? – ele a olha sem entender o porquê da insistência da menina de ficar ali, claramente havia opções mais confortáveis.

- Não vou dormir, só estou descansando os olhos. Eu estou te incomodando? – como já era a quarta ou quinta vez que o ruivo a convidava para se retirar a garota não se aguenta e questiona-o diretamente, em tom menos doce.

- Não, claro que não.

- Se estiver, pode falar, eu não me aborreço fácil não. Pra ficar triste com algo tem que me magoar muito.

- Não, é só que eu não entendo o porquê.

- Já disse, é ruim ficar sozinho. Na verdade, acho que você não tem insônia, acho que não dorme mesmo. Como? Como consegue fica vivo sem dormir?

- Longa história.

- Gosto de histórias.

- Longa e complicada história – Gaara não queria falar a respeito do Shukaku, se a garota já os achava estranhos por terem treinamento de ninjutsu, imagine o seu choque ao saber que ele portava o demônio da uma calda dentro de si. Ele teme que ela, sendo uma pessoa que não o evitava, passasse a teme-lo por conta da Bijuu, talvez contaria um dia, se a amizade prosseguisse, sobre a existência da besta selada em si, mas não agora.

- Ah, tudo bem. Bem, se quiser desabafar, estou aqui.

- Obrigado.

Ela fecha os olhos mais uma vez, e continua a conversar com o ruivo, mas aos poucos sua fala vai desaparecendo sobre a calmaria da voz de Gaara e sua respiração se torna mais longa e devagar, ela adormece.

- “Só vou descansar os olhos” - Gaara retira seu cachecol e a cobre, percebendo que poderia de ter feito aquilo bem antes, afinal, ele não estava com tanto frio assim. Ela murmura alguma coisa e abraça o cachecol.


Notas Finais


E ai??? O que acharam???


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