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História Caminhos Cruzados - Capítulo 6


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Notas do Autor


Eu tardo, mas não falho. Desculpem a demora, vocês sabem que eu tenho esse costume de sumir do Spirit de vez em quando

Capítulo 6 - Ronda Noturna


Fanfic / Fanfiction Caminhos Cruzados - Capítulo 6 - Ronda Noturna

Teria que ser cego ou fazer muita força mesmo para não achar Dabi um homem atraente. Nem mesmo as queimaduras que sofrera no acidente de carro que quase lhe custou a vida e o fez endireitar de vez — levando-o optar por finalmente seguir a carreira policial — puderam destruir a beleza que o embuste ainda esbanjava. Felizmente — para ele, pois Katsuki pouco estava ligando— as cicatrizes iam aos poucos cedendo, tornando-se mais amenas com as diversas cirurgias. O aspecto de sua pele já não era mais tão bizarro e incomodo como nos primeiros meses, mesmo assim não deixavam dúvidas de que havia acontecido algum trauma. 

O charme definitivo dele sem dúvida estava no olhar malandro e indolente, nos gestos vadios e preguiçosos e no jeito dele sabia falar de modo a encantar suas vítimas, sempre prometendo um mundo de possibilidades com sua fala mansa. 

Felizmente Katsuki conhecia bem aquela peça e não estava a fim de repetir suas burradas. Definitivamente nada mais de alfas charmosos de personalidade sacana, não tinha tempo para sujeitos narcisistas. 

Por isso ele odiava com todas as forças do seu ser quando aquela maldita coincidência acontecia, tentando de fato não supor que Dabi havia propositadamente trocado de turno com Shigaraki — ao saber que este estaria em dupla com Katsuki durante o turno da noite — só para ter o prazer de lhe atormentar pessoalmente, o que de fato poderia ser verdade. 

O ômega teve certeza de que a noite seria muito longa. 

Logo nas primeiras horas eles apreenderam uma dupla de garotos que estavam fumando maconha, levando-os aos pais para que recebessem os devidos sermões. Em seguida tiveram que lidar com um senhor beta completamente alcoolizado que se recusava a sair do estabelecimento onde estava, perturbando a paz dos comerciantes por exaltar-se demais e resolveu dar uma cantada em Katsuki, elogiando o quão lindo seu traseiro ficava na farda policial. 

O ômega não foi nem um pouco gentil com o sujeito, não somente por ele ter-lhe passado uma cantada ridícula, e o ofender como oficial, como também por tentar tornar seu assédio mais profundo ao tentar tocá-lo de modo inapropriado, mas o alfa foi definitivamente mais rude, jogando o homem no banco de trás com violência desnecessária, rosnando em protesto. 

— Sabe que é contra o protocolo agir dessa maneira, não é? Esse tipo de coerção violenta e desnecessária pode ser um agravante no seu histórico — avisou sem realmente dar muita importância, observando o alfa entrar no carro com a cara amarrada. 

— E quem é que liga? É somente a porra de um bêbado dando em cima do meu ômega. — engatou a marcha ré, saindo do estacionamento. 

— Não vamos começar com isso de novo, não é? — Katsuki bufou ajeitando o coldre — Eu não sou seu ômega, sou seu parceiro e nada mais.

— Ainda tem a minha marca, não é? Então é meu ômega sim. 

— Uma marca quase apagada não conta. Sequer sentimos o vínculo como era antes. 

— Isso porque você continua a teimar nessa estupidez de divórcio — Katsuki revirou os olhos cansado da discussão já gasta pelos anos, chateado pelo que viria a seguir — Temos um filho juntos, droga, isso deveria contar, nos manter unidos. 

A afirmação fez Katsuki ranger os dentes de raiva. Odiava quando ele colocava Keiichi no meio das brigas, ainda mais quando pouco se importava com ele. 

— Um filho que você sequer faz questão de visitar há mais de um mês e que continua sem entender o porquê do tão amado pai alfa dele o deixar sempre de lado. — permitiu que a impaciência escorresse como veneno, gostando de como isso afetou o alfa. 

— Ele sabe que eu o amo e tenho os meus motivos, que inclusive já expliquei para ele. — o olhar afiado voltou-se para Katsuki, inquisitivos — Ele não precisaria passar tanto tempo longe de mim se a gente não tivesse se divorciado, Katsuki, é culpa sua ele passar por isso. 

— Minha? — indagou descrente com a ousadia dele — Quem é que me deixou sozinho antes de ele nascer e só apareceu um mês depois? — Dabi mastigou a raiva, olhos fixos na estrada por saber que não tinha como rebater — Era você quem queria esse filho e o despreza até hoje, Dabi, não venha me culpar agora. 

— Você sempre me demoniza, não é? Sempre fala como se eu fosse o único culpado de tudo, mas se esquece que me desdenhou por meses, sem querer me acompanhar, não foi um verdadeiro companheiro quando eu precisei. 

— Essa é boa — Katsuki riu de raiva e desdém — Você queria que eu simplesmente fosse atrás de você com uma barriga enorme, colocando a vida do meu filho em perigo, só para satisfazer a porra do teu ego? 

— Esperava ao menos que fosse um mais tolerante, ao menos tentasse entender que eu me sentia sufocado, preso, ser caseiro nunca foi o meu estilo, você sabe, poderia ao menos ter me entendido. — Katsuki ia interrompê-lo para vomitar toda a sua frustração, mas decidiu melhor calar-se ao ver que ele estava perdendo o controle — Mas não, você sempre arranja um jeito de me colocar para baixo por causa do meu estilo e das coisas que eu gosto, nunca tenta entender que eu preciso do meu espaço, droga! Você dizia que me amava mas na primeira oportunidade simplesmente me trocou.   

Ok, ele estava nervoso pelos motivos errados, apertando o volante com força enquanto dirigia, o suficiente para a borracha ceder e fazer barulho ao ser esmagada por seus dedos, não seria Katsuki a travar uma luta com ele naquele estado. Ainda mais por saber como Dabi era averso ao uso dos supressores, sempre fingindo esquecer por detestar o efeito calmante que ele causava em si.

Por algum motivo o aperto da mão dele começou a ceder, tornando-se mais leve enquanto sua respiração arrefecia. Katsuki tinha muito a falar para ex-marido, muitas verdades que ele fingia não conhecer apesar de já ter escutado várias vezes, porém preferiu guardá-las para si. Não adiantava, Dabi se recusava a aceitar a verdade, só aceitava as próprias motivações, insistir naquela briga era o mesmo que enxugar gelo, uma atividade inútil. 

— Estou apenas esperando você voltar para mim, sabe disso — ele completou, um pouco mais controlado.

— Isso não vai acontecer, Dabi, você tem que superar, assim como eu o fiz, aceitar que não deu certo. 

— Eu nunca vou aceitar isso, Kat, nós somos almas gêmeas, fomos feitos um pro outro, não vê? — estacionou a viatura e Katsuki desejou jogar-se do banco, certo do que viria. Aquele falso olhar arrependido... — Nos amamos, essa é a única verdade. 

— A única que você aceita, não é? — afastou rapidamente as mãos ao perceber que ele queria tocá-lo — Não me toque, Dabi, ou eu juro que vou fazer você se arrepender. 

As mãos dele pararam, meio hesitantes, o olhar agora em uma súplica muda. 

— Poderíamos fazer dar certo de novo, Kat, basta você querer — pediu meigo, parecendo até um anjo, o que fez o estômago do ômega revirar — Eu estou pronto a qualquer instante, sabe disso. 

Claro que ele estava pronto, o único que tinha verdadeiramente se fodido com toda aquela situação tinha sido Katsuki. 

— Estamos em horário de serviço, não é o momento apropriado para conversas particulares. — cortou-o. 

Mesmo sem olhar para Dabi ele podia jurar que o alfa estava a ponto de ter um ataque de ódio pela maneira como os ferômonios dele se espalhavam. 

— Ótimo, continue me ignorando, pode ser que um dia eu realmente não esteja disponível e seja você a lamentar isso — voltou a dirigir sentindo o ódio palpitando nas veias. 

"Oh, isso seria uma grata libertação, idiota" Katsuki pensou, decidindo que era melhor deixar para si o pensamento. 

(...) 

Katsuki sabia que Dabi voltaria a quebrar o compromisso por pura pirraça, certo de que nada atingia mais o ômega do que magoar seu filhote. Só que dessa vez ele não estava disposto a deixar passar, e se o alfa não atendesse por bem, o faria por mal. 

Assim que percebeu o telefone cair na caixa de mensagens pela décima vez ele não perdeu tempo, pegando o filho e colocando no carro com a intenção de entregá-lo pessoalmente na imensa casa da família Todoroki. 

— Nos vamos ver o vovô, papai? — Keiichi perguntou enquanto Katsuki afivelava a cadeirinha. Ele estava ficando grande para ela. 

— Sim, vamos ver a tia Fuyumi, o tio Natsu e o seu avô.

— O pai vai estar lá também?

— Claro — respondeu sem hesitar "Se não estiver eu arranco as bolas dele de vez" completou em pensamento, não deixando a raiva transparecer.

Assim que garantiu que tudo estava em ordem ele entrou, ligando o carro e ajustando as configurações. Era prático ter um carro potente e tecnológico, praticamente uma das poucas vantagens de ter se envolvido com os Todoroki, já que o o fato de ser ligado a eles de alguma maneira ajudou na hora de conseguir um desconto vantajoso do dono da concessionária. 

— Mercedes, Ligar para o Meio a Meio. 

"Ligando para Todoroki Meio a Meio" o sistema do carro acionou, redirecionando a chamada. 

— Ajuste a temperatura do ar condicionado para vinte e dois graus. 

"Ajustando a temperatura do ar"

O som característico de chamada aceita seguiu a voz eletrônica, cedendo espaço para um sonolento Shoto.

"Realmente espero que alguém esteja morrendo para você me ligar às sete horas da manhã de um sábado, Kastuki, ainda mais depois de eu ter virado a noite em ronda"

— Não, mas vai se o seu irmão não estiver na casa do seu pai — virou o volante saindo da garagem em direção a estrada — Ele não veio de novo e eu estou indo para lá. 

"Você quer que eu adiante os preparativos para o funeral, porque com certeza ele não deve estar"

— Não, tio Shoto, não pode matar o meu pai, eu só tenho um! — Keiichi disse alarmado, segurando o ursinho de pelúcia contra o peito. 

" O Kei tá aí... ah, espera, de novo me ligando do carro, Katsuki? Tem que me avisar quando fizer isso, eu poderia ter dito tantas outras coisas e..."

— Apenas cale a boca e me escute, eu definitivamente não posso fazer isso sozinho ou vou realmente matar o idiota do seu irmão...

" Não que eu me importe..."

Katsuki concordou com um aceno de cabeça, enquanto mudava a marcha do carro.

— ... Tá, mesmo assim eu preciso de reforços e você já sabe, né? Se a Fuyumi ou o Natsu não estiverem lá vai ser um tormento. 

" Já entendi, estou me arrumando. Vejo vocês em breve porque eu me recuso a dirigir"

— Feito, eu pego vocês aí.


Notas Finais


Eita! Gosto assim, do circo pegando fogo 🔥


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