1. Spirit Fanfics >
  2. Caminhos da floresta >
  3. Mineiros

História Caminhos da floresta - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Olá meus queridos leitores,
Depois de um comentário recente nessa história fiquei motivada a postar mais, tinha me esquecido dela na realidade! Então vou aproveitar esse tempo de quarentena e posta-la mais vezes!
Muito obrigada por todo o carinho,
Atenciosamente
Faire/ Pan.

Capítulo 12 - Mineiros


Caminhos da floresta

Por: Agatha Pandora (Faire)

11

CAPÍTULO ONZE

Mineiros

.

.

.

Happy limpou a garganta, quebrando o silêncio que tomara conta do salão.

— Ao que parece, está mesmo acontecendo algo muito estranho em Fairy Tail.

— Sim. Alguma coisa vai mal por lá, e não é somente a saúde de sir Heartfilia — Natsu concordou, já erguendo um punho para esmurrar a própria mão, um gesto comum em seus piores momentos. Porém, naquele instante, uma ideia cruzou-lhe a mente: Lucy.

Por mais desprezíveis que fossem as atitudes de Rogue, elas confirmavam a história que Lucy contara. O pensamento agradável dissipou boa parte da ira de Natsu, pois ele se deu conta de que havia uma possibilidade enorme de que Lucy estivesse dizendo a verdade. A constatação animou-o, pois se a história dela fosse mesmo verdadeira, ele deveria ajudá-la.

Lucy… Deixando cair o braço que erguera, Natsu sorriu, surpreendendo a todos que o observavam.

— Preciso sair — declarou, já tomado por uma urgência incontrolável.

— Não está planejando ir a Fairy Tail sozinho, está? — Orga protestou.

— Nós o acompanharemos, milorde! — Gildarts afirmou. Sacudindo a cabeça, Natsu ignorou-os, deixando para trás um grupo de guerreiros inconformados, juntamente com um Happy, curiosamente calado, que levou um dedo aos lábios e estudou seu senhor com ar especulativo.

Natsu passou por eles com passos apressados, decidido a cavalgar até a vila. Até Lucy. Quando já diminuía a velocidade, ao se aproximar da loja do ferreiro, Natsu franziu o cenho, pensativo. Deixara Magnolia apressado, sem dar a menor atenção aos protestos de seus cavaleiros. Agora, dava-se conta da aventura arriscada que empreendera. Afinal, Lucy poderia tê-lo enganado. Irritou-se só em imaginá-la rindo às suas custas, enquanto ele visitava casebres e chalés, em busca de um meio de se comunicar com ela.

Estreitou os olhos, desconfiado, ao avistar o ferreiro, que foi recebê-lo. Desmontou e entregou as rédeas ao homem, sentindo-se subitamente constrangido por não fazer a menor ideia do que dizer a ele. Sua tolice tornou-se ainda mais evidente quando Natsu se deparou com o olhar cheio de expectativa do ferreiro.

— Estou procurando por uma pessoa. — resmungou.

Em vez de fitá-lo com expressão idiota, como Natsu havia esperado, o homem balançou a cabeça devagar.

— Deve ir à cervejaria, milorde.

Desta vez, foi Natsu quem exibiu expressão pouco inteligente.

— A cervejaria?

— Sim. Será procurado lá.

Com isso, o ferreiro levou o cavalo de Natsu para o estábulo, deixando-o sozinho lá fora. Sentindo-se como se, de alguma maneira, houvesse trocado de lugar com o outro, que lhe parecera retardado em seu primeiro encontro, Natsu olhou para o fim da rua, onde a cervejaria era indicada por uma placa.

Confiante em suas próprias habilidades, Natsu caminhou com passos firmes até a cervejaria. Provavelmente, ninguém apareceria para procurá-lo e, mais uma vez, Lucy teria motivos para rir com gosto.

Carrancudo, Natsu entrou no edifício. Pouco maior que uma cabana, era escuro e o ar apresentava-se carregado pelo cheiro forte de álcool. Pediu apenas cerveja e bebeu devagar, enquanto esperava.

Queria Lucy e, a cada minuto que passava sem notícias dela, tornava-se mais impaciente. Perguntou-se se algo de ruim havia acontecido a ela. Apesar de seus esforços para dominar os sentimentos, foi tomado de profunda aflição, e quase se levantou para sair à procura dela.

Alguém apareceu na porta e Natsu ficou imediatamente tenso, preparando-se para qualquer coisa. Tratava-se de um homem vestindo roupas imundas, botas cobertas de lama e um chapéu puxado sobre os olhos. A primeira coisa que Natsu notou foi a barba rala do sujeito e, no mesmo instante, sentiu uma pontada de decepção. Bem, na verdade, não esperava que Lucy entrasse em uma cervejaria, mas isso não diminuiu a sua impaciência. Disse a si mesmo que aquele não era um lugar adequado para ela.

Ao mesmo tempo, perguntou-se qual seria o verdadeiro lugar daquela mulher. Em um trono, certamente. E isso o assustava, porque a única maneira de Lucy ter uma coroa novamente seria guerreando. E ela não tinha chances contras os Dragneel. ContinuouContinuou prestando atenção no recém-chegado, na esperança de que o homem tivesse uma mensagem para ele, mas o sujeito manteve a cabeça baixa. Movimentava-se com a dificuldade da idade avançada, e Natsu teria esquecido sua presença, não fosse pela voz.

Quando o homem pediu uma cerveja, a tonalidade ligeiramente rouca soou-lhe vagamente familiar. Recostando-se na parede, Natsu acomodou-se em uma posição falsamente casual, e examinou a figura em detalhes, até que seus olhos pousaram nos quadris do sujeito.

Estaria imaginando coisas, ou eles balançavam de maneira estranha, quando o homem andava?

O velho virou-se e se aproximou. Os dois viajantes encolheram-se e Natsu logo descobriu o motivo, pois também sentiu o odor fétido que o homem exalava.

— Boa noite, sir — o homem cumprimentou-o e Natsu ficou petrificado. Algo naquela voz rouca atingiu-o como um soco. Tenso, ele ergueu a cabeça devagar e arregalou os olhos ao se deparar com olhos castanho-claros, muito parecidos com os de uma certa mulher.

E, como para confirmar suas suspeitas, uma das pálpebras baixou em uma piscadela de cumplicidade! Um ruído estranho formou-se na garganta de Natsu, chamando a atenção dos dois viajantes.

— O que está fazendo aqui? — ele inquiriu em um sussurro.

— Não pediu para me chamar? — ela também sussurrou.

— O que está fazendo aqui… vestida desse jeito? — Natsu insistiu, entre dentes. Lucy aproximou-se, forçando-o a aspirar o odor horrível e, ainda, teve a audácia de exibir um sorriso irônico, revelando um dente tingido de preto. Estaria se divertindo com tudo aquilo? Talvez a tola gostasse de se colocar em perigo. Natsu teve vontade de sacudi-la, até que ela houvesse recuperado o bom senso… se é que, um dia, ela já possuíra algum!

— Eu não poderia aparecer como realmente sou, não acha? Ainda há espiões estrangeiros a mando de Rogue por aqui.

Ora, quem era ela, afinal? A questão dissipou a raiva de Natsu.

Ali estava uma mulher inteligente, interessante, surpreendente… metida em um disfarce absurdo, mestra em trapaças! Respirou fundo, mas descobriu que seus pulmões precisavam de ar fresco. Só assim ele teria uma chance de refletir e decidir qual era a verdade sobre a mulher ao seu lado. E sobre espiões estrangeiros, não era possível que Lucy conhecesse todos que moravam em Magnólia, afinal era uma capital enorme com grande comércio e alto números de peregrinos.

— E então? O que você queria? — Lucy perguntou em voz baixa. Querer… Como já acontecera antes, a palavra simples adquiriu um sentido diferente, enquanto Natsu voltava a fitá-la. Mesmo vestida como um mendigo, ela tinha o poder de perturbá-lo, pois ele conhecia as formas esbeltas que se escondiam sob as roupas largas e sujas, assim como o perfume sutil, disfarçado pelo odor fétido.

Envergando qualquer traje, Lucy era mais excitante do que qualquer mulher que Natsu já conhecera.

Olhou os dois viajantes que os observavam atentos e espantados. Fitou-os, carrancudo, até que ambos desviassem os olhos, mas foi obrigado a admitir que a cena só poderia parecer muito estranha. Afinal, o que fazia um cavaleiro, sentado tão perto do que parecia ser um mendigo velho e fedorento? Embora soubesse estar ao lado de Lucy, não pôde evitar uma sensação de desconforto por se ver junto de uma pessoa vestida de homem.

Como se percebesse o dilema dele, Lucy aproximou-se e pousou a mão em seu braço, em um gesto bastante íntimo. As sensações provocadas pelo contato aqueceram as entranhas de Natsu e, ao mesmo tempo, fizeram gelar o sangue em suas veias.

Ele a fitou com duro olhar de advertência, mas ela simplesmente encarou-o, os olhos arregalados indicando que a proximidade exercia algum efeito sobre ela, também.

— Muito bem, cavalheiros, vamos pôr um fim a essa história — protestou o proprietário da cervejaria. — Não quero esse tipo de coisa acontecendo aqui dentro. Se estão muito inclinados a continuar, continuem fora daqui!

Natsu levantou-se de um pulo, dando-se conta de que o sujeito insinuara que ele e seu companheiro mal-cheiroso estavam envolvidos em algo… ilícito.

— Tudo bem, Lily. Estamos de saída. — Lucy disse com a mesma voz afetada, levando a mão direita ao chapéu deixando a mostra o símbolo de Fairy Tail tatuado, o dono arregalou os olhos e fez uma pequena referência com a cabeça. Tudo isso durou segundos.

Enquanto Natsu hesitava, sem saber ao certo o que fazer, Lucy já deixava a cervejaria. Engolindo a indignação, seguiu-a, detestava ver-se confinado em lugares pequenos e abafados, e respirou fundo várias vezes, a fim de limpar os pulmões. O que ajudou-o a acalmar os nervos, mas não aplacou o sentimento de raiva que se recusava a deixá-lo. Com passadas largas, alcançou-a rapidamente, determinado a sacudi-la por ter criado uma impressão errada, na cervejaria, por ser adora por todos, por torná-lo tão obcecado por ela.

Lucy, porém, foi rápida. Esquivando-se ao braço forte que se estendia para ela, abaixou-se e apanhou um galho caído.

— Ah, aí está você! — falou com voz disfarçada. — Ajude-me a chegar em casa, bom rapaz.

Então, usando o galho como bengala improvisada, seguiu adiante, com passos trêmulos e irregulares, como um verdadeiro velho, deixando um Natsu estarrecido para trás. Ele demorou alguns instantes para se recompor e, durante esse tempo, sua companheira fez um progresso considerável em sua caminhada. Assim mesmo, Natsu alcançou-a com facilidade, enquanto ainda lutava para controlar os ímpetos irados.

Pior ainda do que a cena na cervejaria, haviam sido os momentos seguintes, quando ela mantivera a cabeça fria e ele, não. Tentando defender-se para si mesmo, perguntou-se que homem teria mantido o sangue frio, depois de ser enganado por uma mulher como aquela. Nenhum, pensou, enquanto a acompanhava, tenso. Quando se encontrassem longe de olhos e ouvidos curiosos, Natsu poderia finalmente confrontá-la. Mas, então, o que faria? Ainda não havia decidido, quando a voz de Lucy interrompeu-lhe os pensamentos:

— Muito bem, o que você quer?

Natsu fitou-a, confuso. Antes de conhecê-la, tudo em sua vida fora simples e claro. Fora educado para ser um guerreiro, como Zeref, e era assim que vivia. Quando alguém ameaçava suas terras, ou sua família, Natsu lutava e aniquilava o inimigo. Natsu acreditava não possuir emoções, exceto o respeito que tinha pela família. Baseava sua vida e suas atitudes em fatos concretos, mas como poderia aplicar tais princípios à mulher parada à sua frente, aquela que falava com espíritos, comandava outros homens, vestindo roupas masculinas imundas, com uma barba grudada ao queixo? Subitamente inseguro, Natsu desviou o olhar.

— Rogue não obedeceu minha convocação — disse. — Portanto, continuo tão longe da verdade quanto estava antes.

— Eu sabia! Aquele patife! — Lucy recitou uma fileira de palavrões, capazes de fazer o mais duro dos guerreiros corar. Então, voltou a fitá-lo. — Certamente, não pode acreditar que ele seja um homem decente, depois de ter sido desobedecido dessa maneira! — falou, como se só então houvesse se dado conta do significado das palavras de Natsu.

A verdade era que ele não sabia o que pensar. Embora a atitude de Rogue fosse uma indicação de que Lucy era a verdadeira herdeira de Fairy Tail, não havia nenhuma prova concreta que confirmasse tal teoria.

— Que diabo de cheiro é esse? — inquiriu, franzindo o nariz. Ela sorriu, revelado o dente escurecido, ao mesmo tempo que arrancava a barba falsa.

— Esterco de ovelha misturado a uma generosa porção de leite azedo — informou-o, orgulhosa. Só então, Natsu constatou que a barba não passava de um tipo de barbante, com pelos de animal. 

Quando Lucy tirou-a, exibindo os contornos de seu belo rosto, ele sentiu como se houvesse sido atingido por uma das flechas que ela atirava com tanta precisão. Sem se dar conta do que fazia, esfregou o peito com uma das mãos, enquanto estudava o rosto que o fitava, tão em desacordo com o disfarce absurdo. Não saberia dizer se foi o clima de conspiração que os envolvia, ou o brilho dos grandes olhos castanhos, o que o atingiu, mas de repente, suas dúvidas e confusões terminaram, pois a verdade não era mais desconhecida.

Naquele momento, Natsu olhou para Lucy e foi invadido pela certeza de que ela realmente era quem dizia ser, apesar da ausência de provas. Apesar de tudo. Acreditava nela com uma fé que lhe sacudiu as entranhas. Sem ter a necessidade de encontrar uma explicação, Natsu aceitou por completo a história, a identidade, tudo sobre Lucy Heartfilia: princesa despojada, ladra, trapaceira, guerreira e mulher.

— O que vamos fazer? — ela perguntou, sem ter ideia do que acabara de se passar com Natsu. Percebendo isso, ele teve vontade de gritar suas convicções recém-adquiridas. Queria tomá-la nos braços, celebrando sua libertação das dúvidas. Queria arrancar-lhe o disfarce ultrajante e beijar-lhe os lábios, apesar do fedor e da sujeira. Porém, outras incertezas mantiveram-no imóvel.

Assim, ele permaneceu impassível, a fitá-la com o cenho franzido.

— Pensaremos em outra maneira de apanhá-lo. — declarou com voz tensa pelo esforço que fazia para conter os impulsos.

— Durante o Festival das Flores. — resmungou, virando-se para a floresta. — Os portões estariam abertos, todos os nobres reunidos. É perfeito.

— Pensei que o Festival fosse sagrado, ainda mais para você como sacerdotisa.

Ela o olhou com tanta emoção que o tirou de órbita. Tinha um sorriso lindo no rosto e aquela ternura que parecia envolve-la.

— Então anda estudando sobre nós, milorde? — ela perguntou divertida, não havia deboche em sua voz, apenas um tom curioso.

Ele queria rebater, mas não encontrou forças.

— Se vou ficar no Norte, preciso conhecer sua cultura.

Ela assentiu com a cabeça. E desviou o olhar para a floresta novamente.

— Tenho que resgatar meu pai. Ele é a única pessoa que sobrou da minha família. E o amo mais que a mim mesma. — o jeito como ela falava do pai o encheu novamente, queria que alguém o amasse daquela forma, protetora e carinhosa, e se não olhasse para os olhos triste não teria percebido tal sentimento. Lucy realmente era uma líder.

Um ano antes, talvez até mesmo uma semana antes, Natsu teria marchado com seu exército pelos portões de Fairy Tail, sem dar a menor importância à vida de um único homem. Agora, porém, sentia-se hesitante. Pela primeira vez, desde que se tornara guerreiro, dava-se conta de que a força bruta poderia não conquistar a vitória. Especialmente para Lucy. Como ela permanecesse em silêncio, virou-se e viu os ombros dela vergados. E sentiu a derrota que tomara conta de Lucy como se fosse sua. Ergueu as mãos na direção dela, mas voltou a baixá-las.

— Não — Lucy falou, afinal. — Pensei que o poder seria a resposta, que se conseguíssemos reunir bastante gente em favor de nossa causa, venceríamos. Mas não estava raciocinando com clareza. Você me mostrou que uma batalha acabaria por nos derrotar.

— Sim — Natsu concordou, pensativo.

— Se atacarmos Fairy Tail, inocentes serão castigados. Aqueles que já sofrem nas mãos de Rogue, serão vítimas de crueldade ainda maior.

Ao mesmo tempo que descartava tal plano, Natsu já pensava em outros métodos de ataque. Afinal, era um guerreiro e não admitiria a derrota, antes mesmo de ter começado a luta.

Embora, antes, Natsu preferisse morrer a pedir ajuda ao irmão mais velho, agora perguntava-se se o grande guerreiro do rei não contribuiria com boas ideias.

Afinal, Jude era vassalo de Zeref. E continuaria a ser se dependesse de Natsu.

No entanto, Natsu não teria paciência para esperar por Zeref. Então, pôs-se a enumerar todas as maneiras que conhecia de forçar entrada em uma propriedade fortificada, mas todas elas eram muito demoradas e óbvias para seus defensores.

— Existem entradas secretas em Fairy Tail? — perguntou.

— Não que eu saiba… Se houvesse, tenho certeza de que eu as conheceria — Lucy respondeu, desanimada. — Entrar não será problema no dia do festival.

— Por que não? — perguntou confuso, vendo Lucy espremer os lábios e negar de leve com a cabeça.

— Pensei que estivesse aprendendo sobre o Norte, milorde. — Ele abriu a boca para responder, mas Lucy já emendava. — Todos usam máscaras no dia do festival, é um ritual importante pinta-las, para que os espíritos não reconheçam os humanos e vaguem livremente pela cidade. Com toda energia espiritual a terra continua fértil e abundante.

— Entendo. Porém, se ele estiver com seu pai vai reforçar a segurança, não poderemos sair da propridade com ele mesmo de máscara.

— E se Rogue estiver morto, o próximo é o meu pai. — ela afirmou convicta. Natsu acenou com a cabeça.

— Temos que arranjar uma forma de sair sem sermos vistos. — Naquele momento, os olhos de Natsu estreitaram-se, fitando a semiescuridão. Um homem solitário deixava a vila e entrava na floresta.

— É só um mineiro — Lucy explicou.

Natsu relaxou, mas um sorriso brotou em seus lábios.

— Um mineiro? — repetiu.

— Sim.

— Existem muitos mineiros que apoiam a sua causa?

— Sim, todos os que trabalham aqui detestam Rogue, porque ele… — Lucy parou de falar, arregalando os olhos. — Você está sorrindo! — murmurou, fascinada.

— Sim, estou sorrindo porque acabo de pensar em uma maneira de invadirmos Fairy Tail. — Natsu foi invadido por profundo prazer ao notar o brilho de esperança nos olhos dela. — Cavaremos um túnel subterrâneo por sob os muros, com saída para o terreiro interno. Tomaremos a propriedade, antes que Rogue tenha tempo de fazer qualquer coisa. Trata-se de uma prática comum, quando se quer tomar um castelo, mas nem sempre contamos com trabalhadores tão capacitados quanto os seus mineiros.

— Se sairmos no jardim sul não haverá ninguém! Sempre deixamos a área livre para a fabricação das máscaras. E no dia ninguém mais as faz, então estará vazio!

— E mesmo se Rogue descobrir podemos passar seu pai pelo túnel e depois tomar Fairy Tail sem problemas.

— Pode dar certo! — Lucy exclamou.

Então, antes que Natsu sequer suspeitasse de suas intenções, ela se atirou para ele, passando os braços em torno de seu pescoço, apertando-o contra si. No primeiro instante, o odor fétido foi tudo o que ele sentiu, mas logo a consciência do corpo dela colado ao seu apagou tudo mais.

Desajeitado, Natsu a abraçou, também, experimentando um momento de profunda comunhão. Quando Lucy finalmente se afastou, como se houvesse se dado conta do que fazia, Natsu sentiu-se como se algo precioso houvesse sido roubado dele.

— Se conseguir reunir alguns mineiros, poderemos começar as escavações amanhã, nos limites da floresta, no ponto mais próximo de Fairy Tail . Já sei que Rogue nunca sai da fortaleza, mas ele costuma mandar soldados à procura do seu bando?

Natsu já calculava a melhor localização, levando em conta a distância e a necessidade de manter a operação em segredo. Ao dar-se conta de que Lucy não respondera à sua pergunta, virou-se para ela e descobriu que o sorriso luminoso dera lugar a uma expressão preocupada.

— Estou certa de que você tem outros assuntos, muito mais importantes, para cuidar — Lucy falou, desviando o olhar.

Bem, era verdade que Natsu tinha de cuidar dos negócios em Magnolia, mas nada lhe parecia mais importante do que recuperar Fairy Tail. E ele jamais preferiria examinar tediosos livros de contabilidade, ou intermediar disputas de aldeões, quando uma batalha erguia-se à sua frente.

— Sim, tenho coisas a fazer, mas esta missão vem em primeiro lugar — declarou.

— Pensei que não gostasse de minas. — ela argumentou, sem esconder uma certa desconfiança.

— E não gosto, mas quero que tudo seja feito da maneira correta. Do contrário, você perderá a vantagem que possui — Natsu retrucou, irritado. — Onde está acampando, agora? Irei com você ate lá, já.

Lucy, geralmente tão controlada, mostrou-se aturdida diante de tal sugestão. Foi então que Natsu deu-se conta de que ela ainda não confiava nele. Tal constatação arrasou-o. Afinal, ele ignorara tudo mais para acreditar nela. Esperava o mesmo em retribuição.

— Vou supervisionar pessoalmente o trabalho, Luce. Se não puder fazê-lo com seus mineiros, então será com homens da minha escolha! — anunciou entre dentes, dizendo a si mesmo que recuperaria Fairy Tail para seu irmão e esqueceria a existência dela. Embora a ameaça a alarmasse, Lucy foi rápida em disfarçar os sentimentos.

— Amanhã. — falou, recuando na direção da floresta. — Encontre-me na clareira.

Natsu estendeu o braço para segurá-la, mas Lucy foi rápida e desapareceu entre as árvores em um piscar de olhos. Mais do que furioso pelo abandono, Natsu sentiu-se profundamente desapontado, pois não teria a chance de partilhar um coelho assado, ou uma noite ao relento, com a mulher mais intrigante que já conhecera.

— Idiota! — gritou para a escuridão. — Vai acabar se matando!

Por um momento, pensou em segui-la, mas seu orgulho falou mais alto. Ora, por que deveria importar-se com a segurança dela? Não tinha de se preocupar com o que ela fazia, ou deixava de fazer! Com passos determinados, jurou ignorar a dor que tomara conta de seu peito, dizendo a si mesmo que provavelmente, Happy tinha razão ao reprovar seus maus hábitos alimentares. 


Definitivamente, nada do que sentia se relacionava com Lucy.


Notas Finais


Então entidades perdidas e vagantes...
O que acharam?
É um bom plano?
Vai dar certo?
O que Rogue está planejando?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...