História Caminhos do Espírito - Capítulo 20


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Categorias Academia de Vampiros (Vampire Academy), Bloodlines
Personagens Adrian Ivashkov, Christian Ozera, Dimitri Belikov, Personagens Originais, Rosemarie "Rose" Hathaway, Sydney Sage, Vasilisa "Lissa" Dragomir
Tags Bloodlines, Declan, Magia, Romance, Vampire Academy, Vampiro
Visualizações 22
Palavras 2.436
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 20 - Capítulo 20


Declan

Já haviam se passado dias que o ataque à mãe de Jandy tinha acontecido, ele estava na minha casa e fazia tudo comigo, comíamos, íamos à escola, jogávamos basquete – seu esporte favorito –, conversávamos e treinávamos junto com os guardiões que estavam alocados na minha casa.

            Em alguns meses, minha casa mudou bastante, no início do ano Eddie era nosso guardião e foi embora para se casar finalmente com Jill, depois os novos guardiões chegaram e Viktória partiu com a minha avó, Neil – que eu ainda não me acostuma com a ideia de que era meu pai – chegou para agregar na família e Sydney finalmente descobriria qual era o sexo do bebê que estava esperando.

            Chegamos ao hospital para a consulta de rotina do pré-natal do bebê Ivashkov e eu não poderia estar pior humorado naquele dia, eu iria perder o treino de luta para ir ver o sexo do meu irmão, mas aquilo só me lembrava do quanto eu não era de fato um Ivashkov e de quão receoso eu estava da criança roubar meu lugar nos corações dos meus pais.

            Jandy ficou na sala de espera assim como Neil e eu fui obrigado a entrar na sala com Sydney e Adrian.

            —Família reunida – o médico disse sorrindo e Adrian apertou meu braço para eu fingir estar alegre, coisa que ele sabia que eu não estava, então deu um sorrisinho amarelo — vamos começar então.

             O médio ajudou Sydney a se deitar na cama e pediu licença para abrir os últimos botões da camisa social bem passada dela, ela o ajudou e deixou a barriga de quase cinco meses a mostra, o Dr. Monray falou o procedimento como aparentemente devia ser em todos os ultrassons, na barriga da minha mãe passou o gel e colocou o aparelho ligado ao Monitor. Ela parecia na expectativa e Adrian estava totalmente inquieto ao meu lado. O monitor não mostrava nada além de uma forma de coador descartável de papel e borrões que não eram interpretáveis para mim, um barulho rápido começou a ecoar e o médico disse que Sydney já estava acostumada, mas para eu que estava indo pela primeira vez, aquilo era o coração do bebê, olhei para o meu pai e vi que ele estava extremamente emocionado e tudo que consegui sentir foi tristeza e estava me sentindo horrível por isso.

            —Então Sydney, o que acha que o seu bebê é? – o médico perguntou olhando para o monitor.

            —Realmente, não tenho ideia – ela disse analisando o monitor da cama —mas se aquilo não for um cordão umbilical, digamos que é menino.

—Onde você está vendo isso? – Adrian disse franzindo o  cenho olhando como se o monitor fosse um alienígena.

—Bem ali – ela apontou, mas ele parecia não ser — consegue ver Declan? – Sydney perguntou olhando para mim enquanto eu olhava cético para  o monitor.

—Nada – respondi.

—A Sydney está correta, tem uns 75% de chance de ser menino – o médico disse sorrindo para a minha mãe e meu pai também estava feliz, todos estavam, menos eu. De súbito senti uma raiva crescente e saí do consultório batendo a porta atrás de mim, escutei ao longe meu pai me chamando e logo depois Jandy e Neil, mas não respondi ninguém.

Eu só parei de correr quando estava no meio da rua com um carro buzinando parando bem em cima de mim.

—Você está louco? – meu pai perguntou quando agarrou meu braço logo em seguida — o que deu em você? – ele me arrastou para a calçada enquanto o motorista buzinava para sairmos da frente dele — você poderia ter morrido – Adrian sacudiu as mãos e colocou na cabeça como alguém desesperado.

—Desculpa – eu respondi de cabeça baixa.

—Porque saiu daquela maneira? – ele questionou colocando a mão na cintura, mas nem precisei falar nada para ele entender ao menos um pouco do que estava se passando — o bebê é um menino – não consegui encará-lo, estava envergonhado demais para isso.

—Agora não precisam mais de mim – respondi, mas ao sair da minha boca e as lágrimas dos meus olhos, percebi o quão mesquinho estava sendo — agora tem o filho de vocês.

—Mas você é nosso filho – Adrian disse suspirando e abaixando na minha altura — não importa quantos filhos biológicos teremos, você é nosso filho Declan, nosso primeiro filho.

—O que houve? - Neil questionou chegando com Jandy a passos lentos.

—Ele só ficou assustado – Adrian disse por mim dando um sorriso fraco e me abraçando de lado — tudo indica que nosso segundo filho também é um menino – o sorriso se intensificou e eu fechei a cara novamente.

—Sydney está preocupada, é melhor voltarmos lá e dizer para ela que está tudo bem – Neil disse olhando diretamente para mim.

Voltamos e minha mãe já estava nos esperando na porta do consultório escutando recomendações médicas sobre como o repouso era importante e mesmo que tivesse um casamento extremamente importante, deveria ter cautela, não podia ficar por muito tempo de pé e o recomendado era que se retirasse depois as cerimônia para descansar.

Ela não disse nada durante todo o caminho de casa, como se estivesse guardando o pior para o final, mas se ela tinha a intenção de me dar alguma bronca, foi totalmente interrompida com uma comitiva de guardiões que protegiam a princesa Dragomir. Jill estava na nossa casa esperando alegremente tagarelando com Joshua que tinha ficado para vigiar a casa.

—Adrian! – Ela pulou no colo do meu pai como se ainda fosse uma adolescente e ele a abraçou como um irmão mais velho protetor — Sydney! Como é bom ver vocês – ela abraçou minha mãe com pais cautela por causa do bebê, ela acariciou a barriga de Sydney com adoração — como estão? Já sabe o sexo?

—Muitas chances de ser menino – Sydney disse sorrindo e o rosto de Jill se iluminar.

—Declan, como você está grande – ela disse se dirigindo a mim e me dando um abraço acalorado como só a tia Jill conseguia dar, ela logo se virou para Jandy e fez uma cara intrigada — você é o...

—Jandy Jackson – ele respondeu estendendo a mão para a princesa — mas pode me chamar só de Jandy ou JJ, como o pessoal da escola chama.

—Muito prazer JJ – ela disse sorrindo — Sou Jillian Mastrano Dragomir, mas todo mundo me chama de Jill.

—Mentira – meu pai interrompeu — eu chamo de chave de cadeia.

—Adrian! – Jill repreendeu meu pai, mas logo deu um sorriso bem característico.

Quando seus olhos verdes jade recaiu sobre Neil que havia chegado depois, Jill ficou calada por um tempo e depois abriu um sorriso leve.

—Princesa – Neil fez uma reverência simples e discreta.

—Neil – quem respondeu foi Eddie que estava secando as mãos nas calças como quem tivesse acabado de utilizar o banheiro.

—Castille, quanto tempo – Neil disse puxando o velho amigo para o abraço.

            Depois disso, foi mais uma rodada de comprimentos acalorados e falar sobre o bebe que estava por vir e claro, falar do casamento mais esperado do ano.

            —Mas claro que eu quero – Adrian disse quando Eddise o convidou para ser padrinho.

—Desculpa ser assim em cima da hora – Eddie coçou a cabeça — é que tudo tem que ser em sigilo.

—Quando vai ser o casamento? – Adrian perguntou se sentando confortavelmente no sofá.

—Daqui a uma semana – Jill disse sorrindo e os olhos de Adrian se arregalaram.

—Uma semana? – Sydney questionou igualmente espantada.

—Sim e você será minha dama de honra – Jill disse segurando as mãos de Sydney.

—Eu? – minha mãe perguntou mais espantada ainda.

—Sim, você, achou que iria te deixar de fora? – a moroi sorria radiante diante da postura da minha mãe.

—Mas eu não posso ficar muito tempo em pé, meu médico disse que...

—Você ficará sentada, assim como minhas outras duas damas de honra – Jill disse antes que minha mãe pudesse terminar de falar — você vai ser a do meio por questões óbvias – ela tirou da bolsa um tablet e mostrou uma planta baixa dos lugares do casamento — Angeline vai ser a primeira, você a segunda e Rose a terceira, vão ser duas dampiras para caso algo der errado, e os guardiões encarregados disso acha que tem uma chance muito, mas muito grande de dar errado — ela fez uma careta enquanto mostrava — como você está grávida, você vai ser retirada pela Rose se algo acontecer e Angeline vai ficar comigo, igual ao Eddie, atrás do Adrian alguns guardiões estarão também, assim como o nosso mestre de cerimônias e já que ele está aqui, Neil vai acompanhar do Adrian até o altar, o outro guardião de vocês vai ficar na primeira fileira como um convidado qualquer, de preferência perto da mãe do Adrian e do Declan.

—Primeira fileira? – eu questionei.

—Vai ter que ficar por perto para ajudar sua mãe – ela sorriu e desligou o tablet — o restante eu não posso revelar, pois nem eu sei, só trouxe o que era preciso para convencer que vai ser seguro e muito divertido e como é importante a presença de vocês.

—Nem teremos tempo de comprar um presente bacana – Adrian lastimou.

—A presença de vocês é nosso presente bacana – Eddie disse abraçando Jill que concordou com ele.

—Só tem uma coisa – a princesa disse mexendo em um dos seus cachos, um pouco desconcertada — Sydney precisa ir a Palm Springs experimentar o vestido.

—Não diz que... – Sydney disse se levantando sem muita dificuldade.

—Sim – Jill ficou vermelha.

—Não, não e não! – minha mãe disse parecendo um pouco brava — Ela não.

—Ela é muito competente no que faz – Jill apresentou um argumento aparentemente fraco.

—Você quase morreu por causa dela – Sydney disse.

—Foi Alicia que quase me matou e não ela – Jill rebateu.

—Você está doida se acha que vou voltar lá- minha mãe disse se sentando de novo.

—De quem vocês estão falando? – perguntei tão confuso quanto a maioria das pessoas.

—Lia DiStefano – as duas disseram uma olhando para outra como se tivessem se enfrentando.

—Ela te fez um belo vestido uma vez – Adrian disse coçando o queixo sorrindo com a lembrança.

—Por favor Syd, é importante pra mim –Jill olhou com aqueles olhinhos pidões e minha mãe revirou os olhos e concordou em ir até Palm Springs ver o vestido.

Depois disso, Jill e Eddie foram embora e eu nem tive a oportunidade de falar sozinho com Eddie, um amigo que sentia muita falta, pois me ensinara os primeiros golpes escondido dos meus pais e acobertava meus treinos para a luta greco-romana antes dos meus pais concordarem em me deixar fazer.

Passei o restante do dia com JJ pensando em uma maneira de falar para os meus pais o que eu e ele tínhamos decidido fazia um tempo, mas eu precisava de um motivo maior e com a ultrassonografia de Sydney pude perceber que seria o melhor a se fazer. Jandy estava falando com a mãe dele e ela não parecia feliz pela cara que ele estava fazendo para o telefone e aproveitei o momento de tensão dele para falar com meus pais.

Como quase todos os dias, Adrian e Sydney estavam deitados na cama com seus notebooks trabalhando remotamente enquanto a exposição de arte do meu pai não ficava pronta e minha mãe impedida pelo médico de trabalhar de forma presencial.

—Mãe, pai – entrei no quarto e ambos tiraram os olhos das telas e começaram a me encarar escutando o que eu tinha a dizer, com os olhos verdes profundos do meu pai e os castanhos claros da minha mãe me senti intimidado e dei um passo para trás quase desistindo, mas tomei fôlego e segui em frente — eu queria pedir uma coisa.

—Pode falar – meu pai falou.

—Quero ir pra St Vladmir e me formar guardião – falei de forma rápida para que doesse menos.

—Ele não disse isso, disse?- meu pai perguntou para minha mãe que estava estupefata com o que eu tinha acabado de dizer — ele não disse isso.

—Disse – minha mãe disse olhando fixo para mim.

—Qual é o problema? – perguntei.

—Nós não queremos que você seja guardião, guardiões morrem por outras pessoas e é muito complicado ter que lidar com a perda – minha mãe disse.

—Nenhum dos nossos morreram – falei mesmo sabendo que não era um bom argumento.

—Tivemos sorte – Adrian disse — eu espero que não seja por causa de hoje mais cedo.

—Não é – respondi incisivo, mesmo sabendo que uma boa parte era.

—Por qual motivo então? – ele perguntou.

—Ver vocês sendo machucados, vendo pessoas lutarem por mim e eu não poder ajudar é ruim, quero ajudar a acabar com os Strigois e proteger os nossos, tanto humanos, Morois ou dampiros.

—Você não vai ser designado para a gente se se formar – meu pai disse em tom de alerta.

—Eu não quero proteger vocês, quero apenas exercer alguma coisa útil, proteger outras pessoas e Jandy vai comigo se a mãe dele deixar.

—Vocês dois estão ficando loucos – meu pai levantou da cama e começou a andar pelo quarto — hoje em dia vocês dampiros podem ser o que quiserem, ninguém impede isso, nós estamos guardando dinheiro para sua faculdade, para você ser algo que realmente goste e queira, nós não vivemos dentro da comunidade e você vai sofrer para de adaptar, guardiões são formados desde crianças, você é cru em relação aos outros.

—Eu sei lutar – disse com certeza.

—Não como eles – Sydney disse — são letais Declan, guardiões lutam sem saber se voltarão pra casa no outro dia e por isso eles não formam família e se distanciam da sua antiga família, é isso que você quer?

—É – respondi com a voz embargando.

—Como assim é? – Adrian parou na minha frente com um olhar sinistro.

—Vocês não precisam mais cuidar de mim, Neil voltou, posso ir estudar com a Anya e com a Kira, me tornar um guardião como... – as palavras ficaram presas — como o meu pai.

Eu sou seu pai – Adrian disse apertando os punhos até os nós dos dedos ficarem mais brancos.

—Você é pai daquele que está na barriga da Sydney – disse olhando da mesma forma para ele —agradeço por ter cuidado de mim, mas agora não precisam mais disso, pegue o dinheiro da minha faculdade e invistam no filho de vocês, eu não vou ser mais um fardo para vocês, não precisam mais guardar segredo de nada.

—Você é nosso filho – Sydney disse se levantando e indo ao meu encontro com lágrima nos olhos — mi cariño, sempre foi e sempre será nosso filho, não importa se foi gerado na minha ou na barriga de outra pessoa, você é sim nosso filho.

—Eu ainda quero ser guardião – falei sem responder a nenhuma frase de Sydney.

—Tudo bem – Adrian disse suspirando — se é isso que realmente quer, você será. 



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