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História Caminhos entrelaçados - NaruHina - Capítulo 55


Escrita por: Milly_SS e Milly__SS

Capítulo 55 - Cap.54- Contorno Prt-2


Fanfic / Fanfiction Caminhos entrelaçados - NaruHina - Capítulo 55 - Cap.54- Contorno Prt-2

Não é qualquer pessoa que tem a sorte de acordar ao lado do amor de sua vida. Quantas pessoas realmente podem fazer isso?

Pensou Naruto, enquanto alisava o rosto de Hinata, que dormia docemente ao seu lado. A ardência gostosa no peito, o pé gelado e a sensação de estar tocando em seda — logo ele que nunca viu mais que algodão. 

A Hyuuga sempre o faz sentir coisas sem sentido, o mundo para. Nada mais importa, nada tem nexo ou lógica. 

Seu eixo passa a ser ela. É seu oxigênio e o cheiro que ela produz.

Como? Se perguntava sempre. Como passou anos sem esse sentimento? Como conseguiu viver sem ela? Não tinha respostas. Apenas sabia, que depois de a ter, mão conseguiria viver sem ela. Nunca.

Um súbito medo bate só de pensar em não a ter, não seria ninguém sem ela. Não teria nada… voltaria ao vazio. O amargor tomaria conta do seu peito e todas as sensações gostosas sumiram.

Por isso, fez uma promessa naquela manhã. Jurou olhando para aquela mulher em sono que não deixaria nada os separarem. Não a deixaria por nada no mundo, a não ser que ela pedisse isso.

Contudo, faria de tudo para não ouvir tais palavras vindas dela. Se chegasse a ouvir, foi porque falhou… e se falhou, não a amou como deveria.

Diante disso, levantou da cama, mesmo querendo muito ficar ao lado dela. Uma friagem bateu, o calor do corpo se afastou e a vontade de voltar a cama o conseguiu. Mas queria fazer algo legal, algo romântico. Como nas cenas dos livros de Jiraiya, onde o homem é completamente apaixonado por uma dama e faz de tudo por ela.

Olhou de um lado para o outro e achou o gracioso roupão de Hinata pendurado na parede, o tocou e não precisou de muito para sentir o cheiro dela aí e a maciez quase familiar à pele da Hyuuga adormecida. Com um sorriso travesso o vestiu, ficou um pouco justo em seu braços, mas nada que fizesse rasgar o tecido. Com toda delicadeza que podia, fez um laço com a fita ao rodá-la em sua cintura.

Antes de descer e fazer o que queria fazer, correu ao banheiro para lavar a boca com pasta dentária. Nem chegou perto da escova da moça, achava nojento usar um objeto tão… íntimo de alguém.

Com as mechas molhadas e rosto lavado, Naruto caminhou até a cozinha — Rezou para não se perder nos corredores.

Como ainda estava muito cedo, os funcionários da cozinha ainda não haviam chegado, para a sorte do Uzumaki, é claro. 

Com os dedos animados, abriu a geladeira e pegou quase tudo comestível.

Primeiro, ficou chocado com o tamanho, ninguém tem uma geladeira de duas portas e tão funda que parecia ser outro cômodo da casa ali.

— Burgueses!

Resmungou enquanto colocava as coisas sobre o balcão e rapidamente virava para os armários, eram tantas portas. Sabia que teria muitas coisas ali, mas o que viu o deixou de queixo caído. Era como olhar para um supermercado, tinha tudo!

Pegou mais algumas coisas e tentou arrumar tudo sobre a mesa. Subiu as mangas do robe e balançou as mãos, assoprando os dedos em seguida. Faria o melhor café de todos, o mais gostoso e com tudo que tem direito. Daria tudo certo, pensou ele.

Mas o herói da grande Guerra esqueceu que seus dotes culinários eram totalizados em zero. Infelizmente, lembrou-se disso tarde, quando mais de três panelas estavam no fogo com misturas duvidosas e, com certeza, prejudiciais à vida.

— Chefe já sabemos que tu nunca vai ser, sua única opção é ser Hokage mesmo.

Virou-se para aquela mulher e tentou se manter sério, mas suspirou e juntou as mãos.

— Me ajuda, Karin. Por favor! 

Implorou desesperado. A ruiva o faria se humilhar mais um pouco, porém a panela 

estrondou e ela correu para impedir um incêndio.

— O que você tem na cabeça? Não sabe nem esquentar água e quis fazer um café da manhã? 

— Todo mundo sabe esquentar água...— Resmungou enquanto colocava as panelas na pia, após a moça jogar tudo no lixo. 

Fechou a lata e virou pronta para brigar com ele, porém o rapaz estava que nem um gato molhado na chuva. Revirou os olhos vendo que estava óbvio que ele só queria agradar a namorada, até com o robe dela ele estava.

— Tá eu te ajudo, mas não vou fazer tudo. Lava essas panelas aí e eu me viro aqui.

Antes de começar o que lhe foi mandado, abraçou e beijou Karin na bochecha. A ruiva se desfez do abraço, mas seu sorriso demonstrava que não estava nada irritada com ele.

As cozinheiras chegaram na copa e Karin contou a elas o grande plano do rapaz, elas por terem um amor enorme pela futura líder ajudaram a preparar coisas que Hinata adora comer pela manhã. Naruto não se afastou, queria ver bem como faziam para,quem sabe, na próxima vez venha a ter mais sorte — ou noção do que pretende fazer.

— Anote tudo aí, Kurama! — Sussurrou baixinho 

"Não!" 

Resmungou enquanto, junto com Naruto, prestava atenção no passo a passo. Estava decorando tudo, até que não era nada muito difícil. Poderia passar a Naruto com mais facilidade, ele entenderia se explicasse.

— Você está anotando Kurama? Tem que anotar, poxa. Eu vou esquecer depois, Ttebayo!

"Já peguei a receita, inferno. Cala a boca!" 

— Porque não diz então? Raposa tonta!

Conteve sua vontade de o pegar, de dar-lhe uma patada certeira. Porém, se fizesse isso ele perderia a concentração e Hinata não teria seu café na cama.

Revirou apenas os olhos, dando as costas ao Uzumaki que já se preparava para brigar.



De maneira delicada e silenciosa adentrou o quarto, a porta estava aberta e isso facilitou sua passagem. 

A moça ainda estava na cama, e babava. Caso fosse outra pessoa, Naruto teria achado engraçado, no entanto era sua namorada quem molhou o travesseiro. Somente conseguiu achar lindo. Fenomenal!

A bandeja balançou quando tropeçou no tapete felpudo, somente não foi ao chão por ser um Ninja, sua agilidade impediu que o café fosse ao chão, causando um desastre.

Naruto-kun…

Sorriu ao escutar seu nome sendo sussurrado pela moça. Deixou a bandeja em cima do criado mudo ao lado da cama, sentou-se ao lado dela, na beiradinha da cama que ela não ocupava.

Seus dedos formigaram em uma vontade absurda de tocá-la. Primeiro, retirou as mechas que a cobrem o rosto, gentilmente deslizou pela lateral do rosto até o queixo, e subitamente os lábios entre abriram-se secos .

Perguntou a si mesmo se ela se encontraria se a beijasse enquanto dormia. Seria desrespeitoso de alguma maneira? 

Felizmente ou infelizmente, ela estava linda demais para dar ouvidos a sua dúvida. Fechou os olhos aproximando seus rostos e roçando quando os lábios secos dela, os molhando com os seus.

— Não escovei os dentes, Naruto-kun…

O murmurar dela o fez se afastar e sorrir. 

A olhou, céus, estava tão linda. As bochechas vermelhas e… o sorriso maravilhoso. Levou sua mão ao rosto dela, fazendo carinho entre o cabelo e a bochecha.

— Você está linda!

Se via verdade nos olhos azuis, verdade para ele. Hinata não estava em seu estado mais bonito, estava como qualquer pessoa acorda. Olhos levemente inchados, com remelas nos cantos. Rosto marcado do travesseiro e a marca seca por onde a baba escorria enquanto dormia. No entanto, para Naruto eram esses detalhes que a deixam mais bonita, mais especial. Ou talvez, fosse somente um homem apaixonado que não consegue ver falhas na amada.

Não importa de fato; ele jamais veria defeitos nela que não fossem perfeitos!

— Obrigada — Murmurou sem jeito — Pelo elogio e… café na cama!

Havia sentido o cheiro assim que abriu os olhos, estava com fome, mas não queria cortar o momento. 

Sentou-se quando o Uzumaki afastou-se com um sorriso para pegar a travessa. 

Como uma rainha, a comida está em seu colo. Em uma bandeja de pernas curtas, mas altas o suficiente para se apoiarem na cama.

— Queria poder dizer que fiz tudo e deixar uma boa impressão, mas está bem óbvio que não fui eu quem fez! — Um pouco envergonhado e sem jeito, Naruto sorria de lado.

— Mas foi você quem trouxe e quem teve a ideia. A intenção e ação é o que realmente importa — Tocou na mão dele sobre a cama — Obrigada mais uma vez!

— Não foi nada. — Suas bochechas estavam vermelhas — Sua barriga roncou de madrugada, então achei bom lhe dá algo para comer, ttebayo!

— Ah não…

A perplexidade no rosto da namorada fez o Uzumaki cair na gargalhada e entregar que seu comentário não passou de uma brincadeira provocativa. 

Descontraído e muito relaxado, Naruto levou até a boca uvas que estavam na bandeja, chamando atenção de Hinata para o robe que usava.

— Ficou ótimo em você!

Bebericou o café preto, saboreando o gosto amargo e doce enquanto olhava para Naruto.

Estava sim com vontade de comer todas aquelas coisas que ele lhe trouxe, não queria fazer desfeita. Ainda assim, queria deixar tudo de lado e o beijar, aproveitando cada segundo daquele começo de manhã, que sabe que não terá demora a findar.

— Eu sei, me sinto muito sexy!

Seus olhos se encontraram, o sorriso brilhava tanto quanto aqueles olhos azuis que roubavam o ar e a razão de Hinata. O café era a única coisa entre eles e ela já o tirava de cima de si, o devolvendo ao criado mudo.

— Não vai comer? — olhava intrigado. 

— Não estou com tanta fome! — Colocou na boca um morango, para lhe dar um gosto doce nos lábios e virou-se para o rapaz. Não deu tempo a ele de falar ou ter reação, apenas jogou seu corpo contra o dele e o beijou.

Até aquele momento, Naruto sentia a mesma vibração de quando foi beijado pela primeira vez pela Hyuuga. A perda de chão, a sensação de ter pulado no escuro tendo somente ela ao seu redor. Os lábios macios e quentes, gostosos. O prazer em desfrutar daquela mulher, a tensão em ter aquele corpo cada vez mais perto, mais quente. 

O súbito tesão que lhe toma sempre que está perto demais, quando inesperadamente ela lhe beija com todo fervor do mundo ou… quando somente roça seus lábios contra os seus.

Controla seus pensamentos e mãos bobas, o máximo que pode. Mas sua namorada não lhe ajuda, como no momento em que sentou em seu colo com a porta do quarto dela aberta, escancarada!

— O que está fazendo? — murmurou entre os lábios — A porta está aberta!

Ainda restava um pingo de consciência e medo, que se esvaziou após Hinata sorri contra seus lábios dando de ombros e murmurar:

— Não me importo…

O chakra ferveu mais do os dois dias de guerra que o Uzumaki enfrentou. 

Em questão de segundos estava por cima dela na cama, com as pernas trançadas em sua cintura. O vestido que a moça usava já estava mais que erguido, pelas laterais Naruto podia ver a beirada da calcinha verde. Claramente fina.

Ah, ela estava com a mente suja desde a madrugada? 

Sentou-se na cama com ela deitada à sua frente, o quadril levantado e as pernas ainda ao redor de seu corpo. Uma bela vista!

Não a olhou nas íris, mas não era preciso. Conseguia ouvir a respiração pesada e falha dela, o peito subindo e descendo com urgência. 

Sua atenção estava nas pernas grossas, nas coxas e principalmente no caminho aberto que tinha para tocá-la. Bastava afastar um centímetro a mais do vestido e a veria de calcinha, que já sabia ser verde.

Finalmente a olhou nos olhos, viu a urgência e desejo estampados na branquidão.

Nem havia tocado-a e ela já estava com o dedo na boca, contendo os gemidos baixos que soltava só por estar como estava.

—Não querendo interromper...— Congelaram — Mas já fazendo isso. O cabelo de abacaxi tá lá embaixo!

Naruto virou-se para ver a figura na porta e seus olhos azuis encontraram os vermelhos de Karin. A Uzumaki bebericava um café, mas parou o que estava fazendo devido ao olhar do primo. Sorriu amarelo se afastando.

— Desculpa… Era eu ou o Hiashi!

Hinata já cobria o rosto com um travesseiro, resmungou contra o mesmo coisa que o loiro não entendia. 

Ela estava chateada por terem que parar e não por quase terem sido quase pegos pelo pai ciumento e muito forte dela. Pela primeira vez em muito tempo, a Hyuuga reclamou sobre seu trabalho.

— Podemos jantar juntos hoje. Em um restaurante talvez…

Abaixou o travesseiro e olhou para o namorado que carinhosamente passava a mão por suas pernas. Acabou concordando com a cabeça e ele sorriu, levantando logo, logo seguido para se vestir.

Fez o mesmo, correndo logo para o banheiro. O rapaz suspirou e se sentou na cama quando o som de água caindo chegou até si.

Esfregou o rosto e coçou a cabeça. Não podia ficar reclamando do trabalho dela, não podia ficar chateado com algo assim. Mas no fundo, mesmo não adiantando para si mesmo, queria que ela não fosse uma pessoa tão importante…



Na sala, o Nara já a esperava um tanto agoniado. Kakashi o pediu para não demorar muito, os assuntos eram sérios.

— Desculpe, eu perdi a hora… 

— Tudo bem. Só vamos logo, tem bastante coisa nos esperando.

— Claro!

Virou-se para o pai, que fazia sala ao futuro líder do clã da sombra, e sorriu minimamente para ele. 

— Vá!

Curvou-se e com rapidez olhou para o namorado parado ao lado de Karin, sorriu para ele, que piscou em resposta. Depois disso, foi embora com o amigo. Deixando a sala silenciosa e claramente em um clima tenso.

A moça dos fios vermelhos subiu os degraus para se arrumar ou chegaria atrasada no hospital, e claro, não queria estar perto quando o líder dos Hyuuga puxasse a orelha do genro por ter dormido no quarto da primogênita dele.

— Tenso, Naruto? 

Engoliu em seco com a voz grossa do homem que lia o jornal. E surpreso pelo "Jovem" não ter vindo antes de seu nome.

— Parece até que fez algo errado. Você fez algo errado?

Já suava de nervoso, o homem estava um pouco distante de si, folheando o jornal com tranquilidade assustadora.

— Desculpe!

Murmurou, abaixando o olhar em seguida.

— Pelo o que? — Hiashi não o deixaria ir sem antes o torturar um pouquinho.

— Por… por ter… — As palavras entalaram, estavam difíceis de serem proferidas — juro que nunca mais faço algo do tipo — Fechou os olhos, forçando sua garganta — Não passarei por aquela porta, é uma promessa, ttebayo!

— Assim espero, porque não seria bom minha filha ter um pretendente a marido que não possa ter filhos — finalmente as íris brancas bateram contra as azuis — Seria horrível. Não acha?

— Concordo plenamente com o senhor! — respondeu apressado, atropelando letras — Está coberto de razão. Cem porcento, sogr… — travou a língua — Hiashi-sama.

Com um sorriso amarelo no rosto, Naruto continuou parado até que o homem voltasse sua atenção para o jornal. Com isso, saiu de fininho pela porta.



O país abençoado pelos deuses era o do fogo, um clima tropical sem igual. Um ar invejado por muitos, uma flora encantadora para todos. Sakura sempre amou sua terra e claro, sempre se gabou por morar em um pedaço do paraíso.

Há quanto tempo não saía daquele hospital? Longos meses dentro daquelas salas brancas com ar gélido. Respirava fundo e sorria enquanto andava ao lado do Aburame, que apreciava tanto quanto ela a floresta!

Uma das mais belas flores estava ao lado dele, claro que estaria a observando. A flor, antes morta, parecia dar sinais de vida. 

Deixou um sorriso escapar, que obviamente não passaria despercebido pela médica que rapidamente se virou.

— O que?

— O que, o que? — devolveu a fazendo rir, batendo em seu ombro.

— Estava rindo, o que foi? 

Os braços estavam para trás, um hábito desde a infância. O corpo sutilmente inclinado para a frente, fazendo com que as mechas do cabelo balançarem. 

— Contente por sair um pouco, só isso.

— É bom estar longe daquela cidade agitada. Consigo ouvir o vento nas folhas, é maravilhoso! — seu tom de voz passava toda a alegria que seus olhos verdes continham.

— É sim!

Continuaram a andar sem pressa, a estrada que geralmente é movimentada estava vazia e o dia… incrivelmente gostoso.

Sakura olhou para o rapaz, seus olhos verdes varreram ele. Nada de diferente, o casaco grosso por cima da roupa de jounin, a bandana com um lenço, que prende os cabelos levemente compridos para trás, e claro, os óculos escuros. Tentou ver uma brecha, que lhe desse a chance de ver aqueles olhos.

No entanto, o rapaz lhe olhou, a sobrancelha erguida, confuso por estar sendo observado de forma nada discreta pela médica.

— Me deixa ver seus olhos? — Pediu como uma criança pede um doce em uma taberna.

— Que coisa repentina. Por que tanta curiosidade?

— Deve ser porque nunca te vi sem esses óculos, besta!

— Ah… 

— Então, tira logo!

A médica parou, Shino ainda deu dois passos e então virou-se para ela. Cruzou os braços, parecia estar pensando.

— Ainda não entendi a curiosidade em meus olhos, não faz sentido. — estava sendo sincero. 

— Só mostrar, por favor. Olha, faço algo pra você em troca, que tal?

Sua curiosidade nunca foi lá uma amiga, acabava fazendo muitas coisas por conta de não saber contê-la. Às vezes boas, mas quase sempre ia fundo demais.

— Algo em troca?

— Sim, sim e sim! — Estava com pressa — só tira os óculos!

— Se é qualquer coisa, precisa pensar em algo bom para pedir em troca. Me dá um tempo? 

— Um tempo? — A pálpebra esquerda tremeu nervosa. Era um castigo esperar, ainda mais quando a curiosidade a enforcar.

— Exatamente. Quando decidir o que quero, lhe mostro o que queres. Uma troca justa, não acha?

— Justa uma ova. Seu enrolão! — torceu os lábios, revirou os olhos e passou por ele brava.

Cobriu os lábios com a mão, contendo a risada gostosa que soltaria. Porém viu que a moça pisava com força no chão, deixando marcas fundas. Não gostaria de apanhar dela… no entanto seria interessante a ver lhe curando. Ficaria preocupada com seus ferimentos? Provavelmente sim, ela os teria causado.

— Ei, me espere. Não me deixe para trás!

Obviamente ela não pararia, fingiu não ouvir o pedido. O professor teve que correr até ela, que apressava cada passo.

Em uma questão de segundos, uma troca de olhares, os Ninja corriam pela estrada tão rápidos que levantavam poeira. 

Sakura gargalhou, era claramente mais rápido que o rapaz. Essa era sua vantagem, ele não conseguia tocá-la, o que era bom. Desse modo, a brincadeira ganhava mais tempo. Eles ganhavam mais tempo… juntos.



— Tenho uma fofoca pra você! 

Hinata sobressaltou-se, gritou assustada com a aproximação repentina do amigo.

— Que susto! 

Com a mão no peito, tentando acalmar o coração e claro, os pensamentos. Estava totalmente desligada, fora de órbita. Relembrando momentos com Naruto, Aqueles Momentos. 

Seu corpo fica mole só de pensar nas sensações, um arrepio lhe corrói pelo corpo e claro, a vontade de experimentar de novo.

— Tava pensando no quê? Dificilmente te vejo aérea.

— Coisa do clã — respondeu apressada, se perdendo naquela sensação gostosa de prazer.

— Tava pensando no idiota do teu namorado né? Tá escrito na sua cara: Naruto-kun! 

O Nara debochou. Claro que debocharia. Hinata fazia coisa pior com ele, o coitado sofreu por meses na mão da amiga e agora era a hora da vingança dele. Por dentro, sorria feito o diabo, já por fora. Uma mera torcida de lábios que nem sequer pode ser considerada um sorriso.

No entanto, era o bastante para irritar a moça.

— Não seja engraçadinho, não combina com a sua personalidade de 300 anos.

— Sendo assim, não te conto o que vi!

Afastou-se da mesa da Hyuuga. Não era segredo nenhum para Hinata e Ino que o rapaz era um grande fofoqueiro, e Shikamaru conhece muito bem a pessoa com quem divide a sala. 

Hinata também adora uma fofoca!

— Pago o almoço...— Murmurou e o Nara comemorou!

— Ótimo! Vamos naquele restaurante caro de frutos do mar, adoro ele! 

— Espero que a fofoca seja quente — Cruzou os braços emburrada, gastaria uma fortuna só no almoço.

— Deixa de ser mão de vaca, todo mundo sabe que você tem dinheiro até para os seus futuros netos ou mais! — Sentou-se na mesa dela  — Burguesa safada!

— Já disse para não me chamar assim! — beliscou o braço dele — Para de me enrolar, conte de uma vez!

— Hoje de manhã, vi uma dupla um tanto curiosa. Doutora Haruno Sakura e Professor Aburame Shino, saindo de uma cafeteria muito chique aos risos e...— pausa dramática — O Psicótico Uchiha Sasuke, estava observando eles como um verdadeiro doido da cabeça faz! 

— Não acredito...— Seu queixo foi ao chão — Eles estão saindo mesmo? Pelos deuses! 

— Já sabia? E não me contou? — beliscou a Hyuuga — Traidora! 

— Você estava viajando, e quem me contou foi a Karin. Eles ficam aos risos pelo hospital, almoçam juntos e muitas outras coisas. Ele sempre vai na sala dela e Karin me disse que os enfermeiros já estão comentando sobre um suposto envolvimento! 

— Então… será que Sasuke já sabe dos boatos e foi confirmar sua suspeita? 

— Ele estava seguindo os dois, ou passou lá por coincidência? 

— Coincidência ou não, é algo sério. Sasuke estava olhando muito estranho para eles…

— Acho que devemos falar…  — seus olhos se encontram — Com o Hokage! — Completaram juntos, levantando logo em seguida.

Sasuke é uma bomba relógio, e ninguém em sã consciência espera uma bondade explodir para então avisar sobre ela. E a única pessoa, além de Sakura, capaz de desativar esse relógio é o Hokage.

— Oh, eu não sabia desses boatos sobre Sakura e Shino — Demonstra sua total surpresa. — Bem curioso, não é? Nem sabia que eram tão próximos.

— Ficaram depois do Exame para Genins. De acordo com os boatos, eles não se separaram mais depois disso, estão sempre juntos — Hinata acrescentou — Boatos correm, devem ter chegado até Sasuke-san.

— Que maravilha! — resmungou — O término deles é recente, talvez um mês ou mais, nem sei ao certo. Ele ficou arrasado, mas garantiu a mim que a deixaria em paz. Que não iria atrás dela! 

— Sei que ele é seu aluno, e que tem forte apreço por ele. Mas não podemos esquecer que Sasuke já demonstrou total imaturidade quando se trata em aceitar coisas, até mesmo as que não tem nada haver com ele. Na última vez, ele atacou e feriu Uzumaki Karin em praça pública, tudo porque não a queria na vila. — Kakashi abaixou a cabeça, ciente de que tudo aquilo que Shikamaru dizia era verdade — O término é recente, ele não superou por completo. Ele não superou nem a morte do irmão, quem dirá superar um relacionamento que teve fim a menos de dois meses! Se é uma possibilidade, ainda não sabemos se Sakura e Shino tem algo mesmo. Mas se tiveram, provavelmente Sasuke não aceitará bem...

— Então vocês acham que ele faria algo contra Sakura? Gente, não… ele não faria nada contra ela. Sasuke a ama! 

— Contra Shino. Ele faria contra o Shino! — O nó na garganta quase a impediu de falar — Sabemos que a única pessoa a nível do Uchiha é o Naruto-kun. Qualquer outra pessoa contra ele pode… — Engoliu em seco — Se ferir gravemente.

— Ah, puta que me pariu!



A sensação de perda o consome tão forte quanto no dia em que ela lhe virou as costas. 

Claro que Sakura seguiria sua vida, era direito dela. Uma moça jovem, bonita, inteligente e alegre. Qualquer homem com um pingo de decência veria tudo isso e muito mais naquela Kunoichi! Qualquer um teria interesse nela e ela… poderia ter o interesse em outra pessoa.

Então, porque mesmo sabendo disso, seu peito dói e a vontade de ir atrás deles o consome? A necessidade de perguntar a ela se já virou passado… de saber se ela já não o ama mais…

Foi esquecido por ela? O amor acabou?

Os deuses para quem ela rezou, fizeram a vontade dela em arrancar todo o amor do seu peito? 

Já não era mais nada para ela?

Tantas perguntas, nenhuma resposta certa. Ao menos nenhuma que quisesse que fosse verdade. Lutava contra seu amor egoísta e seu amor altruísta, queria que ela tivesse o esquecido e seguido em frente. No entanto, sua vontade de ir atrás dela era tão grande que tinha a sensação que não suportaria a ver com outro.

Seu medo era que seu egoísmo fosse tão forte ao ponto de preferir a ver sofrendo por si, do que a ver feliz com outro.

Isso lhe assustava. Como podia dizer que isso era amor, se nem respeitava a vontade dela… preferia a ver chorando que sorrindo… se ela estivesse do seu lado, não importava!

— SASUKE-SENSEI EU ESTOU FALANDO COM O SENHOR, CARAMBA! 

Voltou à realidade e com uma carranca horrível; olhou para a menina parada à sua frente.

— O que foi? — Perguntou rude. 

— Hoje é dia de treinamento! Trei-na-men-to! 

— Já passei o exercício, o que ainda quer?

— Você só nos mandou calar a boca! — Estava furiosa. 

— E pelo visto você não consegue nem fazer isso, não é garota?

— Isso não é…

— Falme… deixa! — Drake tocou no ombro da amiga, com um olhar que dizia que não valia a pena discutir — Vamos treinar sozinhos, amanhã temos missão! 

Sasuke os observou atravessarem o campo, a menina não estava nada contente e olhou com raiva várias vezes.

— Somos baixos para você, não ver necessidade em nos treinar porque não nos acha bons o suficiente para isso — a voz do terceiro membro o chamou atenção. Ele ainda estava parado em posição de meditação — Não temos habilidades que lhe dão interesse, nem temos nomes que lhe agradam — Falava de Falme, a Hyuuga — Então você nem se dá ao trabalho de ao menos fingir interesse por nós, e tudo bem. Não é obrigado a gostar de nós, mas faça seu trabalho ou nos deixe. Não nos atrapalhe, não fique em nosso caminho como uma pedra que não podemos carregar — Leni abriu os olhos — Só vai embora, cara. Não temos nada a ver com a sua vida, então não desconte suas frustrações em nós. — Levantou-se — Porque, diferente de você, não vamos deixar nosso país para treinar com pessoas de caráter sujo!

O menino foi embora, caminhando tranquilamente até os amigos que já estavam animados para treinar entre si. Sasuke nunca de fato tinha ouvido a voz daquele garoto, não diretamente para ele. Na verdade, só no dia em que ele se apresentou e pronto. Nada depois disso.

Tais palavras o deixaram sem reação, sem ação. Ele não mentiu, tudo que lhe foi dito era verdade. Nem ao menos se esforça para dar um treinamento às crianças, apenas as enrola e as deixa para trás. Como se não fosse nada. Trata mal a menina só por ser uma Hyuuga… não os dá atenção por não os achar merecedores.

Que tipo de pessoa é? Quem faz isso com crianças? 

Não tinha coragem de continuar ali, estava se sentindo… não, estava admitindo para si mesmo, que era a pessoa mais egoísta do mundo.

Foi embora, sumiu entre as árvores.

Falme viu que tinha partido, suspirou triste outra vez. Os meninos notaram, olharam-se e demonstraram desapontamento em relação ao sensei. Porém, já era a atitude que esperavam vindo dele.

Respiraram fundo, voltando a treinar entre si. Podiam contar um com outro, eram uma equipe maravilhosa, bons amigos. E se o sensei não via isso, o problema estava nele… em seus olhos!



Dançava contente pelos corredores do hospital, estava ansiosa e animada para a noite de jogos. 

Em mãos, um bilhete de Hiashi respondendo seu convite para a noite de aposta. Adorava seu parceiro, o Hyuuga acertava quase todas as jogadas. Ganhavam muito dinheiro todas as noites e depois bebiam bastante.

Uma zerada, um sortudo. Amizade perfeita!

Seu corredor estava vazio, afinal o andar da diretoria é sempre calmo. Sua sala é da vice-presidência, já que sua amada discípula é a diretora chefe. 

Seu grande orgulho é Shizune! 

Assim que tocou na maçaneta da porta soube que alguém estava lá dentro, e antes da porta abrir por completo soube quem era.

Mentalmente proferiu xingamentos e nem se deu ao trabalho de inventar desculpas, ele não acreditaria.

— A que devo a honra, Hokage? 

— Sabe, uma vez tive vontade de ser médico. Mas ouvi que era cínico e sádico, que me daria bem na politica. — Estava mexendo na estante de livros — Mas acho que quando me aposentar, como Hokage, vou querer ser enfermeiro ou médico! — virou-se. — Assim vou saber, enfim, tudo que falam nessa cidade. Já que o Hospital passa mais notícias que o próprio jornal, não é Tsunade-sama?

— Não entendi! — atravessou até sua mesa. 

— Sem fingimentos. Já sei o motivo de ter escolhido Shino como parceiro de Sakura. Você sabia dos boatos e juntou eles!

— Boatos? Que boatos? — Claramente estava fingindo, já que nem se esforçava para fingir corretamente.

— Isso é sério, Tsunade! Não estou brincando aqui. — O Hatake deixou sua irritação sair em sua voz — Você os viu juntos, quis os aproximar mais ainda, não é? 

— É, eu fiz isso mesmo. Idaí?

— Idai? — negou com a cabeça, incrédulo — Hoje pela manhã, os dois estavam em uma cafeteria. Saíram sob risos de lá!

— Que ótimo para eles! Fico imensamente feliz! — rebateu séria.

— Sasuke os viu, deve ter ouvido boatos que saíram do hospital e…

— Estava seguindo eles. Como um garoto problemático que sempre foi! — o cortou — Foi pra isso que veio aqui? Para me dizer que Sasuke viu Sakura e Shino juntos? Que reação espera de mim? Que eu peça desculpas? — riu irônica — Eu não tô nem aí para esse merdinha!

— Claro que não está, você não está pensando nas consequências. Sabe o que pode acontecer? Tem noção das coisas que podem acontecer? Sasuke pode..

— PODE O QUE? — estava furiosa — Ele vai surtar? Atacar alguém? Impedir que a garota siga a vida dela? Ah, não fode Kakashi. Eu já entendi o que você quer aqui, e a resposta é NÃO!

— Temos que evitar que al…

— E o seu evitar é separarmos Sakura e Shino? Eles são só amigos. Conversam apenas, eu já vi. E se evoluírem para algo a mais isso é deles e de mais ninguém, escuta bem! Ninguém tem nada a ver, ninguém vai interferir, ninguém vai evitar! — as íris mel passam tanta força que Kakashi sentia em seu corpo — Nem você, nem o bastardo do seu protegido de merda! 

— Eu só quero o bem para todos!

— Deixa de falar merda, Kakashi. Já tô saturada desse seu papo. Você só quer o melhor para o Uchiha psicopata, somente ele precisa do melhor. Porque se não ele pode surtar e você sabe, não, nós sabemos, que você não tem pulso para condenar ele. Pra fazer o certo! 

— São acusações forte contra o Hokage, você sabe disso! 

— Claro que sei. Mas do jeito que você está indo, nem vai ter tempo para fazer um julgamento contra mim. Vai ser tirado do cargo antes disso, basta continuar no caminho exato que está! 

— Aí você assume de novo, é isso que quer dizer?

— Eu? Tô fora, amigo. Passei pra você por estar saturada de tudo isso. Mas se você for para votação do impeachment, que eu acho que não vai demorar muito, eu vou ter bastante coisas para falar no júri, em frente ao senhor feudal! — Kakashi engoliu em seco — E então, Konoha vai ter o Hokage mais jovem da história! 

— Vai indicar o Naruto? Ele ainda está em fase de aprendizado. Você sabe! Nós conversamos sobre isso quando ele chegou! — Estava desacreditado, chocado.

— Aprende na prática, meu amigo. Shikamaru e Hinata estariam ao lado dele, esses dois dão bons conselhos. Foram eles que falaram sobre Sasuke à você, não foi? — O silêncio foi um sim, e ela sorriu — Então. Conheço muito bem todo mundo que trabalha ali e, eu sei de tudo que acontece nessa cidade. Até mesmo quando estou fora!

— Me pôs no cargo, mas não confia em mim. Que maravilha!

— Não diga bobagens. Passei o cargo a você tendo ciência das coisas que faria. Mas no momento em que o vi implorando para Sasuke não cumprir os dez anos de cadeia… soube que seu julgamento por ele deveria ser vigiado! E faço isso até hoje!

— Hinata é sua infiltrada? 

— Não fale bobagens. Você é meu infiltrado! Você se entrega, Kakashi. Está fazendo isso agora! 

— Naruto era seu preferido, nunca escondeu isso!

— Mas nunca passei a mão na cabeça dele. O proibi de fazer inúmeras coisas, o puní por inúmeras coisas. Umas bobas, outras bem sérias, mas sempre punindo! Isso se chama: Imparcialidade.

Como se sua língua tivesse sido arrancada, Kakashi não falou nada quando virou as costas e caminhou até a porta entreaberta. Parou somente quando ouviu a voz da mulher outra vez.

— E se Sasuke atentar contra o Aburame, não se preocupe em mandar reforços ou chamar o Naruto — Virou-se para olha-lá — Sakura dará um jeito nele, e nós sabemos que ela é muito bem capaz disso!

O sorriso divertido, como se almejasse tal coisa com a maior força do mundo, assustou o Hokage, que engoliu em seco antes de sair e claro, bater a porta com força.

Tsunade mostrou a língua para a porta e desejou que o grisalho fosse para bem longe. Sentou-se em sua cadeira e sentiu como se um peso enorme tivesse esvaziado de si. Estava doida, há tempos, para jogar verdades na cara do Hokage.

Bem que Hiashi lhe avisou que despejar tudo de uma vez é a melhor saída. Que tudo guardado é verdade, que esconder condena quem não ouve. E se está guardado, tem importância, se tem importância deve ser dito!

— Desgraçado sábio! — Sorriu — Merda. Vou ter que comprar aquela garrafa cara! — lamentou, mesmo estando contente.

Não notou que havia alguém do outro lado de sua janela, talvez porque Sasuke sempre foi quase indetectável e aprendeu a esconder seu chakra com Orochimaru, uma cobra que sabe se infiltrar muito bem.

Havia ido atrás do Hokage, Hinata havia lhe dito que ele estava no hospital. Pediria que libertasse o time 8 de si, as crianças não mereciam alguém tão ruim.

Mas acabou por chegar poucos segundos depois da Godaime, mas ouviu tudo. Estava tudo na sua cabeça e… congelou ali. 

Um misto de sensações, raiva, medo, vontade.

Raiva do que ouviu. 

Medo do que pensam que vai fazer. 

Vontade de mostrar que estão errados. 

Ou

Vontade de fazer pior ainda do que pensam.




Continua...


Notas Finais


🌚🌚🌚

Me contem o que acham


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