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História Caminos Hasta Ti (zurena) - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Um novo vício


Na segunda-feira, vinte e nove de junho, Zulema passa a cumprir com o que prometera a si mesma: torna a seguir Simón, e tenta romper gradativamente com o convívio com a loira, causando a relação que antes se estreitava, agora a estagnar. O primeiro era fácil. Em compensação, o segundo foi um tanto quanto difícil de realizar.

Ela se recorda do vazio ao ver a cama sem ela ao seu lado por tão breve instante quando Macarena se levantou aquele dia para buscar seu celular. Começava a se acostumar a ter alguém que se importasse e que se precisasse dela como a loira. Afastá-la era quase doloroso. Quase. Sua personalidade obstinada não lhe permitia caprichos tais como a dor emocional, a não ser em momentos muito específicos.

Por dois pares de dias quase completos conseguiu se manter afastada de Macarena o quanto podia. Respondia suas mensagens com pouca frequência e recusava seus convites de visitas. Eram recusas legítimas, visto que precisava voltar sua atenção à Simón. Ainda assim, o querer e o dever dentro de si eram desarmonia e caos. Isso causava um confronto nada convencional em seu âmago; conflito o qual escolhia apartar com o acalento familiar e meramente morno da fumaça de cigarros em seus pulmões como substituição da singular e abrasadora presença de Macarena.

Durante três dias, tomou providências quanto à investigação. Na segunda-feira, nada de extraordinário acontece na vida do empresário. Ela dá início a um plano diferente, tendo que fazer alguns contatos e desembolsar um bom dinheiro para realizá-lo. Ela já tinha a informação de alguns empregados da casa de Simón, sendo um deles, um jardineiro que ia às terças e quintas para cumprir sua função. Então, contrata alguém para que o substitua por uma semana, para se infiltrar na casa Mateos.

Na terça-feira, aborda o humilde jardineiro quando este está voltando para sua casa após um dia cansativo de trabalho. Em troca de uma quantia interessante, ele deveria se dizer doente e indicar uma nova pessoa para substituí-lo por algum tempo. Essa pessoa que indicaria, seria o infiltrado que Zulema contratara. O jardineiro concorda com o trato, apesar de certa desconfiança. O dinheiro o convence. E, assim, dali a dois dias o estudo sobre a residência dos Mateos se iniciaria.

 

Com algumas coisas encaminhadas, ela se tranquiliza de volta em casa. Está de pijama deitada em seu sofá e com a televisão ligada em um programa de auditório. No dia seguinte seguiria Simón outra vez, o que já estava ficando monótono demais. Lamenta não poder simplesmente fazer o que queria, não poder voltar à casa de Macarena. Ela olha no visor do celular que bipa com uma nova notificação, e estava lá uma mensagem de quem acabara de lhe tomar os pensamentos pela milésima vez no dia.

“Ei, você pode me encontrar amanhã?”

“Não posso, Maca.”, ela responde. Sabia que estava sendo estranha e Macarena perceberia.

Ela bloqueia o celular novamente e o joga para o canto mais distante do sofá, querendo ignorá-lo, e volta sua atenção à TV. De repente o programa é interrompido para um plantão noticiário. A âncora dá informações sobre um aumento nas manifestações da região e dos cidadãos revoltados pela falta de atendimento hospitalar. Eles se manifestavam na frente de um dos maiores e mais importantes hospitais do município, e podia-se ver nas filmagens a quantidade de enfermos do lado de fora aguardando que pudessem ser atendidos.

A âncora anuncia que irá iniciar uma conversa com um dos médicos que se dispuseram a dar depoimentos das razões pelas quais se dava a desordem. Ele explica ao microfone:

— Tivemos problemas com alguns equipamentos que recebemos ontem. Pensamos que hoje iríamos conseguir atender mais pessoas, mas infelizmente os equipamentos vieram com defeitos graves e não estamos conseguindo utilizá-los.

— Há muitos doentes precisando do atendimento de urgência e emergência. O que será feito a respeito disso, senhor? Como pretendem solucionar a questão?

— Já contratamos uma equipe técnica para averiguar os equipamentos e ver o que há de errado. Mas o fornecedor deve dar uma satisfação sobre o ocorrido, não podemos ficar no prejuízo. É o custo dos fármacos que está sendo gasto na equipe técnica, o fornecedor precisa nos ressarcir. Ou então, no fim, teremos os equipamentos, mas não teremos remédios. Ou, no pior dos casos, não teremos nenhum dos dois.

O fornecedor era Mateos.

~~~

Amanhece o dia de quarta-feira, primeiro de julho. Zulema liga a televisão novamente para ver o que há de novo sobre o problema com os hospitais. Só se falava disso em todos os canais abertos, no entanto não há depoimentos diferentes dos oferecidos no dia anterior.

Zulema aluga um carro em nome de Fátima Amir; estava cansada de pegar táxi e evita uber a todo custo pois não queria deixar as corridas gravadas em lugar algum. Com o carro alugado, vai ficar à espreita outra vez em torno da empresa de Simón, mas agora o local estava cercado de jornalistas. Ela deixa o veículo estacionado em uma esquina próxima e fica à pé. Permanece longe, dentro de uma lanchonete imunda e mal cuidada e com um atendente muito inconveniente que tenta puxar conversa a todo minuto. Ela precisa dar alguns foras até que ele pare de cara amarrada e se contente em ficar calado, sem conversa fiada.

Em um dado momento, alguém vai ao portão da empresa junto de alguns seguranças e enxota os jornalistas. Simón não daria entrevistas. As horas passam até que não sobre nenhum jornalista a espera. Zulema já havia saído daquele entorno e ido procurar outras coisas para ver para passar o tempo. Ela liga para Saray e elas conversam sobre os noticiários, e compra um jornal na banca para se distrair. Enquanto lia, quase não vê quando Simón e o homem que enxotara os jornalistas saírem juntos pela porta de seu local de trabalho e em direção ao carro de Simón. Ela se sobressalta, redobrando o jornal e caminhando para seu carro alugado apressada.

 

Ela os segue com uma distância segura e o caminho era um completamente diferente do que estava acostumada. Quando vê, se encontra em uma vizinhança que nunca visitara antes, bem asfaltada, iluminada e com ar bastante familiar. Eles estacionam numa viela mais escondida e Zulema dá uma volta no quarteirão para estacionar mais longe, voltando à pé por outro lado e ficando escondida obsevando-os. Simón se mantém dentro do carro e o outro homem vai à pé em direção à uma escola. De onde estava, não podia visualizar o carro de Simón, apenas tinha a visão da fachada da escola. Era quase horário de saída dos alunos do turno da tarde. O homem conversa com uma senhora através das grades do portão, mostra a ela um objeto pequeno e ela retorna para dentro da escola. Ele espera do lado de fora. Zulema pega sua câmera e passa a filmar toda a cena, talvez captasse algo novo. O que estava ficando monótono, hoje acabou por deixar de sê-lo.

De lá de dentro, a senhora retorna com Lucía, sobrinha de Macarena. A menina parecia desconfiada, mas ele mostra algo no celular para a menina e ela fica mais descontraída. Ele lhe dá um embrulho pequeno, o mesmo objeto que mostrara a senhora antes; dá um abraço na menina e ela retorna para dentro da escola com o embrulho.

Zulema ficara tensa sem notar. Tinha seus músculos contraídos, pronta para atacar caso fizessem algo com a menina. Mas não o fazem. O homem volta para onde o carro de Simón estava estacionado e em poucos minutos, vê o carro saindo da viela e pegando o caminho de volta para o centro. Ela ainda filmava.

~~~

Ao chegar em casa naquele dia, revisa tudo o que aconteceu até o momento. Simón dera aos Ferreiro um prazo de três semanas. Já havia passado uma semana e meia, aproximadamente. Exigira algo, e os ameaçava com o que descobrira sobre eles. Mas tem a própria empresa envolvida na corrupção. Tem os equipamentos defeituosos, que podiam ser tanto uma grande coincidência desafortunada, quanto algo provocado. Além de tudo, dá algo para a garotinha, enteada de Ramón.

Ela se sente na obrigação de ligar para a cigana e contá-la o que viu, pois as chances eram grandes de que aquela aproximação da criança era uma ameaça nova de Simón. Saray poderia providenciar algo discreto que ficasse em vigília ao redor da escola nos próximos dias, que seriam os últimos antes das férias. Quando a liga para falar a respeito do problema, Saray fica preocupada pela segurança da criança. A cigana sempre repetia o quanto para ela crianças eram sagradas e deveriam ser protegidas. Zulema sabia que ela se importaria e cuidaria disso.

 

Na quinta havia mensagens de Macarena da madrugada anterior em seu celular.

“Você anda estranha, o que está acontecendo?”; “Se não quiser ter mais nada comigo, tudo bem"; "Me desculpa incomodar assim. Eu acho que não tenho mais ninguém a quem recorrer".

Zulema estava mesmo sendo uma filha da puta de carteirinha. Ela respira bem fundo e pensa a respeito. As mensagens foram enviadas entre a meia noite e uma da manhã por alguém que parece ter ficado muito tempo pensando no que fazer, e utilizou a última opção que lhe restava. Dessa vez ao invés de apenas responder friamente, ela faz uma ligação que logo é atendida, mas fica muda.

— Buenos días... — Zahir inicia.

— Oi, Fátima. Eu devia ter apagado aquelas mensagens. Eu mandei no calor do momento, estava estressada.

— Você está bem? — pergunta Zulema simplesmente, com tom preocupado.

— Não muito, não. Eu mal dormi — estava tão cabisbaixa e a voz tão morosa. — Você está sendo uma filha da puta, Fátima. Passei a semana me perguntando se fiz algo errado, e ainda não sei. Não é justo que você transe comigo e fique estranha como ficou.

Zahir contém uma risada. Macarena continua:

— Mas não foi por isso que mandei as mensagens ontem. Eu só estava sozinha e não sabia a quem mais recorrer. Sendo que eu te prometi que não colocaria esse peso nas costas.

— Quem conversar? — Zahir pergunta com a voz pesada e grave.

— Não — murmura. — Só mais problemas de família. Você não quer ouvir essa ladaínha. Não se incomoda comigo.

Na verdade, ela queria ouvir tudo.

— Eu passo aí hoje à tarde, loira — Macarena ia falar algo, mas ela não permite, dizendo apenas: — Nos falamos depois.

 

Este seria o primeiro dia de seu infiltrado na casa de Simón Mateos, e ela aguardava um contato a respeito do plano. Se havia ocorrido tudo como planejado, se ele já estava dentro da casa. Ela recebe as atualizações sobre o plano pouco antes do meio dia, e parecia estar correndo tudo bem. Ele já estava dentro da casa e reconhecendo o local.

Com isso avisado, ela se encaminha até a casa de Macarena, no quarto dia de seu afastamento que falhara. Encontra o porteiro, e agora ele pode interfonar para o apartamento de Maca, pois ela já estava com o aparelho instalado.

— Boa tarde, senhora — ele diz, buscando o interfone e discando o apartamento da Ferreiro. Ele a reconhecera, então não precisa perguntar para onde vai. Não parava de encarar Zulema com uma carranca, e Zulema olhava de volta com a expressão plácida. Não demora muito e ele desliga o interfone: — Pode subir.

 

Macarena a aguardava na porta e estava cabisbaixa. Seu rosto estava inchado e os olhos vermelhos, parecia ter chorado. Zulema entra, fecha a porta e as duas ficam paradas ali na entrada do corredor. Maca tinha o olhar vago e a cabeça baixa. Zulema leva uma das mãos ao queixo da loira e o levanta para olhá-la. Ferreiro encurta a distância entre elas ao dar-lhe um abraço apertado pela cintura e afundar o rosto em seu peito. Zahir retribui o abraço e afaga as costas e cabelos da mulher que se desmonta de tristeza.

Após um abraço duradouro, elas se dirigem à sala. Macarena ia na frente e Zulema logo atrás com as mãos nos ombros dela. Então guia a loira para o sofá e ela não impede. Faz com que ela se sente e se senta logo ao lado. A morena respira fundo antes de falar em tom preocupado:

— O que está acontecendo, Maca?

Macarena torna a abaixar a cabeça e pensa por alguns instantes.

— Se lembra de quando eu disse sobre o envolvimento de alguns anos que tive, e que há três meses ele começou a ficar perigoso? — Zulema apenas assente, aguardando que ela prossiga. — Acontece que ele elevou o patamar das coisas. A segurança da minha sobrinha está em jogo. Ela chegou em casa ontem com um brinquedinho bobo, disse que um homem que ela não conhece chamou ela no portão da escola e a entregou dizendo ser pelas suas boas notas. E que foi um amigo meu que pediu para entregar. Deu o nome dele e tudo.

— Macarena, isso é muito sério — ela inicia, como se não soubesse o que há. — Por que não avisa a polícia?

— Não podemos. Estávamos tentando lidar com ele sozinhos, mas ele ameaçar Lucía foi algo que ninguém pensou.

— O que ele quer de vocês, afinal?

— Ele quer que... — ela engole em seco e pensa melhor em quais palavras pronunciar: — Bem, são questões políticas. Mas meu pai, meu irmão e minha cunhada se recusaram a fazer uma coisa que ele exigiu. Era uma coisa contra alguém, e isso iria causar problemas sérios para alguns colegas da profissão. Ele não gostou nada. Além disso, quer que o coloquem na chapa para a próxima eleição — ela dá uma risada abafada sem entusiasmo. — Não vai rolar. Só quero que tudo se resolva.

Ao dizer isso Macarena deita a cabeça no ombro de Zulema, que passa o braço por cima de seus ombros e a puxa mais para perto.

 — Vai resolver, de um jeito ou de outro. Talvez seja melhor sua sobrinha faltar as últimas duas aulas — sugere. Então pergunta carinhossamente: — Você ja comeu hoje, rubita?

Macarena apenas nega com a cabeça, roçando o couro cabeludo em seu ombro onde recostava.

— Pois então, vamos. Não adianta se preocupar e ficar de estômago vazio, senão vai acabar dando preocupação para os outros — dizia fazendo menção de levantar, mas a loira não se move. — Levanta, vamos preparar algo.

— Você disse que me daria álcool quando eu precisasse da sua ajuda. Não vi álcool nenhum quando chegou — Macarena murmura ainda deitada no ombro da morena. Ela enfia o rosto em seu pescoço e a aperta num abraço, como se recusasse a se levantar. Isso faz com que Zahir ria, o que reflete numa risada fraca de Macarena também.

 

Elas passam a tarde juntas e com o tempo a atmosfera fica mais leve e as preocupações são substituídas por risadas e besteiras. Zulema observa e comenta sobre a decoração do apartamento que começava a ter a identidade da loira. Ainda tinha algumas coisas trazidas da antiga casa espalhadas pelo chão, mas eram poucas. Era bem diferente da versão adolescente de Macarena que vira naquele quarto na casa dos Ferreiro. A loira pegava algumas coisas das caixas e mostrava algumas coleções antigas.

Ela observa Macarena melhor, agora que estava tudo mais tranquilo. Ela vestia um blusão grande demais para seu pequeno corpo, que cobria até pouco abaixo dos glúteos. Por baixo vestia um short curto demais, que ficava completamente escondido pela blusa e parecia inexistente. Os cabelos bagunçados, presos de qualquer jeito num coque e com algumas mechas caídas. Isso lembrava a Macarena pós-sexo, especialmente pelas marcas das mordidas na parte de trás de sua coxa pálida que já estavam e tom amarelado e começando a dissipar. Não percebia, mas a fitava com tamanha intenção. Macarena quando a vê olhando-a dessa forma, fica sem jeito.

— Por que me olha assim? — pergunta cruzando os braços. Zahir é pega de surpresa com a pergunta.

— Hm? Assim como? — ela desvia o olhar.

— Como se quisesse me comer — Macarena semicerra os olhos. Zahir ri com uma negação de cabeça. — Confesso que achei que você tivesse odiado transar comigo e que não queria me contar.

Zulema contrai os lábios e a fuzila; engole em seco. Macarena não retribui o olhar. Friamente ela apenas checa o relógio e percebe que estava na hora de se arrumar para ir dar aula na universidade. Seria o penúltimo dia que daria aula no ano letivo. Ela comunica o fato e vai para sua suíte com uma leve cólera expressa.

Zulema fica plantada como um poste no meio da sala. Ela tinha sido uma filha da puta mesmo quando foi fria com ela por toda a semana. Não que ela quisesse ter sido. Como um ato impulsivo, vai atrás de Macarena para o quarto. Ao chegar, a loira já estava dentro do banheiro e com a porta entreaberta, despida e aguardando a água aquecer. Zulema chega pé ante pé e empurra sutilmente a porta um pouco mais. Macarena já esperava.

— Sabia que viria — diz abrindo mais a porta para que ela finalmente entrasse. A fitava com uma negação de cabeça e braços cruzados outra vez.

Zahir entra e se encosta na parede.

— Eu estive ocupada nos últimos dias — ela se justifica distraída olhando o corpo de Ferreiro por inteiro.

Reconhece todos os hematomas que deixara em sua barriga no outro dia. Ela leva a ponta dos dedos a cada um deles e acaricia-os delicadamente. O contato das peles é como faísca, é chama, é brasa ardente. Os cigarros poderiam a qualquer momento perder seu posto de acalento; o vício se tornara outro.

— Desgraçada — Macarena sussura soltando os braços e dando dois passos em direção à morena.


Notas Finais


Vou confessar uma coisa pra vocês: Eu já tinha cinco capítulos escritos e eu não gostei nada. Mudei tudo! To tentando ainda reciclar algumas cenas que já tinha escrito pra não perder tanto.

Vou precisar muito da paciência de vocês 🙏
E agradeço desde já por isso! aushuahsu ♥


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