História Campo de Girassol - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Amor, Ansiedade, Bts, Colegial, College, Colleger's, Depressão, Drama, Girassóis, Imagine Park Jimin, Jimia, Park Jimin, Romance, Strawtears
Visualizações 89
Palavras 4.446
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oie, meus girassóis!! Eu ACABEI de terminar esse capítulo e decidi postar. É o capítulo mais grande que eu escrevi até agora, sabiam? Ele está bem descontraído, apesar de no começo ser bem pesado, mas no final fica tudo paz e amor.
Gostaria de dizer que nesse capítulo têm escrita explícita de violência doméstica, então se você se sente vulnerável diante à esse assunto, NÃO LEIA! é melhor pular essa parte, certo? Certo! E, pelo amor de deus, não estou fazendo nenhuma apologia ou incentivo a isso, tanto que deixarei um avisinho SUPER IMPORTANTE nas notas finais.
E quem viu que eu mudei a capa, huh? huh? foi a linda da @seaseok que fez.
Enfim, vamos ler esse capítulo gostosinho que está queimando?? vamo!

Boa leitura!

Capítulo 6 - Cabular Aula Não Me Parece Uma Boa Ideia


Apertei o lápis negro em meio aos meus dedos enquanto encarava o quadro branco cheio de anotações sobre física quântica. Meu domingo se resumiu em mim trancada no quarto, já que não queria dar explicações à mamãe sobre o que aconteceu na festa. Jimin nem sequer me mandou mensagem perguntando o que aconteceu ou sei lá, ele estava bêbado e provavelmente não se lembrava de nada do que aconteceu assim como Yuju e Eunbi, que tentaram puxar papo comigo no começo da aula como se nada tivesse acontecido. 

Eu estava ignorando-as desde o começo da aula e com razão, acredito eu. As duas disseram que não se lembravam de nada, apenas das partes picantes, que é o que realmente interessavam para elas. Escutei Eunbi dizer eufórica para Yuju que ela havia beijado o Park, apesar de não terem transado no final. E Yuju, por fim, disse que havia pegado Taehyung bem no começo da festa, o que ajudou a terminar o que começaram. E eu só revirei os olhos, voltando a prestar atenção nas palavras do professor Dong-yul.

Nesta manhã, quando estava prestes a entrar no prédio acinzentado, senti meu coração disparar descontroladamente. Já sabia o que significava, então tratei de correr até o banheiro para controlar os sentidos desenfreados. Tive que jogar um pouco de água em meu rosto e sentar em um dos vasos sanitários apenas para controlar a respiração e a vontade de vomitar.

Quando sai do cômodo coberto por azulejos de cor preto e azul, vi Jungkook, Hoseok, Taehyung e Jimin adentrarem o prédio acinzentado, fazendo-me apressar os passos e subir as escadas para o terceiro andar correndo, indo direto para a minha sala. Agora estou no meio da aula de física, terminando de fazer os exercícios que Moon Dong-yul passou silenciosamente.

Assim que terminei de responder todas as questões me levantei para ganhar o visto, e aproveitei para reparar melhor em todos os alunos daquela sala, enquanto estava de pé ao lado do professor Moon, que olhava atentamente todas as minhas respostas.

Alguns dormiam, outros conversavam e outros faziam o exercício, mesmo que conversasse com seus amigos de vez em quando. Fitei Yuju e Eunbi, que ainda conversavam animadamente acabando por deixar de fazer o exercício, e suspirei em desaprovação, voltando a encarar o homem de vestimentas sócias sentado à mesa de centro amadeirada.

– Muito bem, senhorita Mia. – A voz grossa e levemente rouca adentrou os meus ouvidos, fazendo com que eu olhasse atentamente para o dono de tal. – Você está ótima em minha matéria. Vejo que é uma excelente aluna e que honra muito bem a bolsa que conseguiu para entrar nesta escola, então continue assim, que com certeza terá um futuro brilhante. – Me entregou o caderno sem nenhuma rasura aparente.

Sorri sem graça e voltei a sentar em meu lugar. Aproveitando que havia terminado a tarefa, peguei o meu caderno de desenho abrindo-o em uma página que tinha um banco de madeira, o qual estava sendo preenchido por um corpo de um garoto que comia seu sorvete de casquinha em meio ao parque de gramado verdinho.

Tinha desenhado isso na quarta passada, quando resolvi faltar aula e passar o dia no parque desenhando várias pessoas distintas. Eu estava sentada em baixo de uma árvore com o pano quadriculado vermelho impedindo-me de sentir a grama em contato direto com a minha pele, quando o garoto de vestimentas descoladas sentou no banco amadeirado em minha frente, lambendo com gosto o seu sorvete que aparentava ser de pistache.

Eu o desenhei com gosto, reparando que o mesmo tinha cara de ter apenas quatorze anos. Lembro que cheguei em casa feliz, pintando o desenho com tinta misturada a água rapidamente. No final, havia ficado bastante bonito, já que resolvi pintar o céu em tons rosados dando um ar mais deslumbrante.

Fiz alguns rabiscos na folha branca enquanto ouvia todos os alunos conversarem, e depois de alguns minutos, já estava com os olhos marejados, ao notar que só eu não tinha um amigo ou colega para bater um papo.

Meus olhos varreram a sala amarelada gravando cada pedacinho dela em minha mente e notei que todos estavam conversando sem exceção de ninguém. É claro, menos eu, que voltei a fitar a folha branca com uma pequena borboleta desenhada no quanto direito, segurando o choro entalado na garganta.

Fechei o caderno depressa guardando-o debaixo da mesa junto ao estojo, fitando a superfície lisa sem nenhum objeto logo depois. Abaixei minha cabeça tampando-a com meus braços e chorei silenciosamente.

Ninguém ouvia. Ninguém podia ouvir os meus pedidos de ajuda. Era só eu ali, sozinha.

Meu rosto estava completamente amargurado em baixo daquele breu que meus braços causaram ao tampar qualquer buraquinho de luz que aparecesse. As lágrimas mais pareciam farpas cortando todo o meu rosto, pois tudo estava doendo, tudo mesmo. O sinal indicando o pequeno intervalo que teríamos para descansar soou minutos depois, e eu continuei ali, estática.

– Mia, você vem? – Escutei Eunbi perguntar. 

– Não. – Respondi abafadamente tentando ao máximo não responder em um fio de voz.

Depois de um tempo, levantei a cabeça e enxuguei as lágrimas. Fitei a sala novamente vendo que só eu estava presente, e suspirei um pouco aliviada. Coloquei minha mochila no colo abrindo-a e pegando um potinho com dois hotteoks. Comi um calmamente ouvindo apenas a minha respiração pesada.

Depois que comi, encarei o céu azulado através das grandes janelas que há na sala, contudo, o ranger da porta se abrindo adentrou os meus ouvidos fazendo-me endireitar um pouco a postura.  Ignorei a presença alheia pensando que ela estava ali apenas para pegar algo que provavelmente esqueceu, mas fui surpreendida por um pacote de salgadinho sabor cebola sendo jogado em minha mesa.

– Coma, você deve estar com fome. – Escutei alguém dizer e notei que a voz era masculina. – É... – Suspirou –, me desculpa? – Perguntou em um tom culposo.

Após processar o que ouvira, encarei a pessoa vendo que se tratava de Jimin, que estava em pé a minha frente coçando a nuca levemente constrangido.

– Agradeço, mas estou sem fome. – Peguei o salgadinho e lhe estendi, para que pegasse novamente.

Abaixei a cabeça ainda com o salgadinho estendido, pois não queria que o garoto notasse que eu estava chorando a alguns segundos atrás antes do próprio adentrar o ambiente.

– Me desculpa, sério. Eu não lembro de muita coisa, mas sei que você estava na festa depois de eu ter ficado bêbado. Lembro que te abracei e que você me empurrou assustada, então sei que fiz algo de errado. E aí, você me desculpa? – Perguntou esperançoso.

Estava chateada com Jimin mesmo que não fossemos amigos. Eu havia pedido para que ele apenas não bebesse, e até acreditava que isso não seria tão difícil, mas foi. E eu sei que eu não deveria exigir coisas assim para Jimin, afinal nem nos conhecemos direito, mas tendo esse grande problema em relação à gente bêbada vi que seria preciso.

– Você é um imbecil. – Falei, jogando o salgadinho no chão. – Você não sabe o que tive que enfrentar sozinha naquela festa. Você prometeu que não iria beber, e advinha? Você bebeu tanto que mal conseguia andar. – Deixei com que as lágrimas rolassem livremente pelo o meu rosto, fugando vez ou outra. – Você me deixou sozinha no meio daquelas pessoas sabendo que eu não conhecia ninguém.

– Eu bebi porque achei que você tivesse ido embora, me desculpa... – Murmurou, passando as mãos pelos cabelos.

– Eu não sabia o caminho de volta, como eu voltaria pra casa? – o olhei indignada. – O mínimo que eu conseguiria era passar uma noite na rua, não em casa. – Funguei. – Sorte minha que o Yoongi me ajudou, senão eu teria mesmo passado uma noite na rua. – Comentei.

– Yoongi me disse. – Falou baixo. – Me disse que você parecia estar em pânico quando te viu correndo para fora da casa. – Passou as mãos pelos cabelos negros de novo. – Por favor, só me desculpe, prometo que não irei fazer isso novamente.

Esquecer de todo o pavor que senti naquela festa estava sendo difícil, principalmente a parte em que Jimin me apertava forte pelo braço. E voltando a pensar em todo o pânico que passei diante àquela festa e ouvir as palavras que Yuju e Eunbi me disseram mais uma vez, senti minha ansiedade vir à tona. Comecei a tremer de puro pavor e chorar compulsivamente em frente ao rapaz, que entrou em desespero ao ver o meu estado.

O Park pegou uma cadeira que estava próxima colocando-a ao meu lado e sentando na mesma. Senti seus braços me enlaçarem fazendo com que eu chorasse em seu uniforme e o xinguei mentalmente por isso. Escutei ele sussurrar, baixinho, que tudo ficaria bem e que ele estava ali comigo. Pediu desculpas um monte de vezes enquanto acariciava os meus cabelos e depois de me acalmar um pouco o fitei, tendo coragem para abrir a boca.  

– O-olha, eu não sei o que você quer comigo, mas seja lá o que for, me deixe em paz. Se quiser, pode espalhar para a escola inteira que eu sou uma garota problemática, que você transou comigo e que sou uma idiota, mas, por favor, me deixe em paz. – Pedi me distanciando de seu corpo. – E em relação ao seu pedido de desculpas, saiba que eles não irão apagar as lembranças angustiosas que senti naquela festa, porém eu te desculpo sim. – Enxuguei as lágrimas. – Agora vá embora e leve isso. – Depositei o pacote de salgadinho em suas mãos e voltei a encarar o quadro branco.

– M-mas... – Tentou protestar, mas não conseguiu.

Seu olhar ficou colado em mim por alguns minutos, mas quando o sinal bateu ele se levantou, saindo da sala após suspirar irritado.

Assim que o garoto saiu, limpei todos os resquícios de lágrimas afoita. Quando todos os alunos preencheram aquela sala novamente, coloquei um sorriso bonito no rosto, sabendo que sentiria o peso daquela ação apenas à noite no escuro do meu quarto.

(...)

Empurrei as portas de metal da ala da piscina e fitei o local. Eu deveria estar na aula de educação física agora, mas preferi faltar, já que tenho um pouquinho de medo de bola e não estou muito afim de ficar soada. A lona vermelha cobria toda a extensão da piscina, já que as aulas dos clubes escolares ainda não começaram. Aliás, tenho que escolher um clube até essa sexta, antes que acabe as vagas de alguns. E é obrigatório, então corro o risco de ficar em um extremamente chato.

Tirei o meu all star preto dos pés segurando-o enquanto ando na direção do quadrado que há no chão. Quando acho a ponta da lona, desprendo-a do prego e jogo-a um pouco longe, fazendo com que meus olhos fitem a água azulada. Abaixo um pouco o meu corpo tocando a água para sentir a temperatura. Não estava tão quente, mas também não estava tão fria. Estava na temperatura ambiente, digamos assim.

Suspirei e deixei o meu tênis encostado no quanto da parede esquerda, voltando a andar em direção a piscina. Sentei-me no chão de madeira enfiando os meus pés dentro da água misturada ao cloro, e balancei um pouco eles, me acostumando com a temperatura não tão fria. Suspirei profundamente e fiquei encarando a água, que se mexia de vez em quando devido aos meus movimentos recentes.

“– Eu estou com fome! – Gritou alterado. – Você é uma mulherzinha de merda, não serve pra nada! – Jogou a frigideira no chão, fazendo a Kim se assustar e se encostar na parede com medo.

Eu chorava compulsivamente enquanto me escondia atrás da escada vendo aquela cena que acontecia na cozinha. Papai chegou em casa bêbado de novo, mas dessa vez mamãe esqueceu-se de trancar o meu quarto e eu acabei descendo, para ver o que sempre acontecia quando eu ficava presa no quarto, assustada com os gritos femininos e o barulho de objetos se quebrando, enquanto apertava o meu ursinho de pelúcia fortemente.

– Você vai aprender a ser uma esposa melhor! – Vociferou, pegando os cabelos da Kim que chorava assustada. – Quantas vezes eu vou ter que te bater pra você aprender alguma coisa, hm?! – Gritou e puxou os cabelos longos e castanhos da Kim para trás, fazendo com que ela ficasse com o rosto exposto a luz branca da cozinha.

– A n-no-ssa fi-filha está n-no quarto ali em ci-cima, por-por favor, n-não fa-faça isso, para o b-bem da n-no-nossa filh-lha. – Falou em meio aos soluços e gemidos de dor que soltava.

– O que a Mia tem haver com você? Se precisar eu te bato todo dia, você é a minha esposa! – Deu um tapa no rosto de mamãe, fazendo-me morder os lábios e fechar os olhos com força.

– Nossa filha precisa de nós, mas você só fica saindo pra beber como se estivéssemos em uma situação precária. Se eu soubesse que você era um alcoólatra eu nunca teria me casado com você, seu nojento! – Mamãe gritou, cuspindo na cara de papai.

– Sua mulherzinha de quinta! Você vai aprender o que fazer por bem ou por mal! – Disse tirando a baba de seu rosto.

No momento seguinte, vi papai jogar a cabeça de mamãe no mármore da bancada da cozinha fazendo-a cair no chão com um corte grande na testa. Ela chorou mais e se encolheu, parando de se afastar assim que suas costas bateram na geladeira acinzentada. O segundo golpe foi dado e eu só sabia chorar. Socos atrás de chutes eram dados na Kim, fazendo-me querer gritar de pavor. A garrafa de vidro de azeite caiu no chão, espatifando-se e fazendo mamãe se cortar ao apoiar sua mão, sem querer, em um dos cacos. Escutei o seu gemido de dor alto e fiquei me perguntando por que tínhamos que morar tão longe das outras casas do condomínio.

– Da próxima vez, eu quero ver o meu jantar feito e posto na mesa! – Deu um soco em seu rosto, fazendo com que o sangue escorresse por sua boca.

Não estava mais aguentando ver aquilo, então gritei alto e fino. Um grito doloroso saindo pela garganta de uma criança de apenas sete anos. Chorava sem parar, gritando até sentir falta de ar. Queria apenas que ele largasse mamãe.

– M-mia?Mi-mia?! Mia, co-corre! – Mamãe juntou forças apenas para me dizer isso, mas já era tarde demais.

Papai me pegou pelo braço jogando-me no meio da sala. Fiquei o olhando confusa e assustada, quando senti sua mão segurar os meus cabelos com força e puxar-me até estar frente a frente com seu rosto.

– Pa-pai, isso dói... – Falei inocentemente enquanto chorava.

– É pra você nunca mais ficar espionando os mais velhos! – Disse bravo e jogou meu rosto no chão. Me deu tapas nas costas e bunda seguido de alguns socos nas costelas. Tentei levantar e correr, mas caí quando fui puxada pelos cabelos novamente. – Onde pensa que vai, sua garota atrevida?! – Me deu um tapa na cara e eu só escutava os gritos de desespero de mamãe. Via tudo em câmera lenta, mesmo que fosse apenas uma criança.

– KANGJOON, POR FAVOR, PARA! – Mamãe gritou e o Seo tirou sua atenção de mim, fitando a Kim que tinha uma faca em mãos.

Só ouvi o barulho de vidros se estilhaçando quando o meu corpo pequeno e magro foi jogado em cima da mesinha de centro, quebrando tudo. Estava fraca assim como a Kim, que quando viu o Seo andando em sua direção deixou a faca cair no chão, pois ainda assim o amava. O amava tanto que não tinha coragem de denunciá-lo ou machucá-lo de verdade.

Era sempre assim. No dia seguinte ele acordava melhor e pedia desculpas, dizendo que estava arrependido e que iria mudar, mas era tudo da boca pra fora. Afinal, ele nunca mudou”

Quando abri os olhos me desesperei. Estava debaixo d’água e não fazia a mínima ideia de como fui parar ali. Viajei tanto pelo mar de lembranças ruins que acabei não reparando que entrei dentro da piscina, acabando por me afogar.

Tentava a todo custo voltar para superfície, já que a piscina tem profundidade de 2 metros e eu estava justamente no fundo, quase triscando o chão com minhas próprias mãos, mas não estava adiantado muito. O peso das minhas roupas molhadas fazia com que eu voltasse para o mesmo lugar como uma idiota fazendo esforço para algo que nunca dará certo.

Comecei a sentir falta de oxigênio aos poucos, e quando achei que aquele era o meu fim, dois braços me enlaçaram pela cintura, puxando-me para a superfície. Puxei o ar com toda a força que conseguia quando minha cabeça saiu para fora d’água, me deixando mais aliviada.

– Mia, o que houve?! – O garoto perguntou assustado, enquanto segurava forte a minha cintura.

– E-eu não sei... – Sussurrei, me sustentando em seus ombros.

– Imagina se eu não chegasse a tempo? Céus, Mia, eu quase morri do coração. – Me abraçou afoito, fazendo com que eu me assustasse e sentisse minhas bochechas corarem. Por mais que eu fale que só acho Jeon Jungkook bonito, eu ainda, bem no fundinho, gosto dele.

– E-eu estou bem, graças a você. – Sussurrei no pé de seu ouvido, retribuindo o abraço.

– Vem, vamos sair. – Não quebrou o abraço, fazendo com que eu saísse da piscina com as pernas encaixadas em sua cintura.

Depois que desci do colo de Jungkook, já fora da piscina, ri baixinho tentando dissipar o ar constrangedor.

– Você... você não estava tentando suicídio não, né? – Me perguntou coçando a nunca, fitando qualquer lugar daquele espaço que não fosse os meus olhos.

– Não, eu só... só caí. – Respondi.

– Que bom. – Suspirou aliviado. – Você, por acaso, trouxe outra roupa? – Perguntou, depois de passar o seu olhar por todo o meu corpo.

– Bom, não. E você?

– Eu trouxe. – Respondeu e saiu, entrando na parte dos vestiários masculinos e trazendo consigo uma toalha alguns minutos depois. – Eu estava pretendendo vir aqui nadar para faltar a aula de química, por isso trouxe roupas. Vou ver o que arranjo pra você, mas enquanto isso, se seque. – Me estendeu a toalha branquinha e eu agradeci, sorrindo que nem uma boba.

Jungkook levou sua mochila e foi até o vestuário masculino se secar e trocar de roupa. Desprendi os meus cabelos do rabo de cavalo e comecei a secá-los com a toalha áspera. Depois passei-a em minhas pernas, braços e rosto, deixando minha pele sequinha. Tirei o casaco cinza e o torci, para que a água escorresse do tecido grosso. Depois, desapertei a gravatinha também de cor cinza e abri três botões da blusa social branca, secando o meu pescoço e colo.

– Você fica bonita de cabelo solto.  – Ouvi o rapaz comentar, assustando-me com sua voz grave e rouca.

– Ah, obrigada. – Falei constrangida, fechando os botões da minha blusa e voltando a apertar a gravatinha em meu pescoço.

– Você terá aula de quê agora?

– Hm, acho que é de Filosofia.

– Que tal cabularmos? É a última aula mesmo. – Perguntou soando divertido.

– Não, não, eu não faço essas coisas. É errado Jungkook, não podemos. – Neguei apreensiva.

– Ah, vamos, Mia. Prometo que tudo vai ficar bem, hm? – Me estendeu o mindinho e eu fiquei o olhando por longos minutos. Era arriscado, e visto que nunca cabulei uma aula para sair da escola, estava com medo das consequências caso descobrissem.

– Tudo bem, eu topo. – Suspirei rendida e juntei nossos mindinhos, grudando os dedões e selando nossa promessa. – Uma última coisa, você pode deixar em segredo o que aconteceu aqui? – Perguntei, sem separar os nossos dedos.

– Sim, isso também fará parte da promessa. – Balançou nossas mãos com os dedões colados e depois desprendeu. – Bom, eu abri o armário do Jimin e peguei essas roupas, já que quando ele entrou aqui nessa escola preferiu guardar algumas roupas no vestiário de natação para caso de acontecer algum imprevisto, sabe? Ele é muito pé atrás com essas coisas. – Riu. – Acho que vai ficar meio folgado, mas não tanto caso fosse as minhas roupas. – Me entregou a calça de moletom preta e a blusa grande azul marinho.

– Vamos ver como isso vai ficar com o meu all star, né. – Fitei o sapato que estava um pouco longe de nós, levando o olhar do menino até eles.

– Vai ficar estilosa.

– Eu espero. – Ri nasalado e fui até o sapato, pegando-o e indo para o vestiário feminino, vendo Jungkook sentando no banco próximo a piscina e mexendo em seu celular.

Sabia que estaria encrencada caso fosse pega usando as roupas de Jimin. Não era certo vestir as roupas dele visto que estou chateada com o mesmo. É errado e arriscado. E se ele me encontrasse pelos corredores da escola vestindo suas roupas e na companhia de Jungkook? O que ele e as demais pessoas iriam pensar? Estaria encrencada. E, também, precisaria devolve-las mais tarde, e com certeza não as daria para Jimin diretamente. Ou daria para Jungkook devolve-las ou guardaria em seu armário às espreitas, mas isso seria difícil, já que não sei qual armário é o dele.

Depois de sair do corredor cheio de armários e bancos amadeirados, me fitei no grande espelho que há no vestiário. Caramba, estava engraçada e estilosa ao mesmo tempo. A camiseta de Jimin me caiu bem, apesar de estar um pouco folgada, já a calça de moletom estava bastante folgada em mim, tanto que ficou parecendo um sacolão em minhas pernas. Mas, mesmo assim, combinou perfeitamente com o all star preto, dando um ar jovial.

Resolvi deixar os meus cabelos soltos usando a xuxinha preta como pulseira. E depois de ajeitar um pouco as roupas largas em meu corpo, saí do local, fitando Jungkook ainda entretido com seu celular. 

– Como fiquei? – Perguntei parando em frente ao menino.

– Estilosa. – Riu divertido. – Então, vamos? – Perguntou colocando seu celular no bolço do short jeans.

– Tenho que pegar minha mochila.

– A aula que você está matando nesse exato momento é de quê?

– De educação física, por quê?

– Sorte, assim será mais fácil de pegar a sua mochila. – Sorriu como uma criança prestes a fazer besteiras. – Você tem um grampo por aí?

– Não... – Sussurrei.

– Então terei que usar os meus dotes de ator para conseguir a chave da sua sala. – Disse, me parecendo serio em relação a isso. – Vamos pra quadra. – Proferiu e segurou em meu braço, puxando-me quase correndo.

– Calma!

(...)

Jungkook e eu riamos como duas crianças pelos corredores, notando que todas as salas estavam com suas portas fechadas. O garoto havia interrompido a aula de educação física alegando que a professora Kang, de história, estava precisando da chave emprestada para abrir a sala.

Por um momento, o professor Gangyeo não desconfiou, entregando a chave para o garoto enquanto eu espionava atrás das portas de metal, mas quando Jungkook estava quase saindo do ambiente o homem se tocou que já estavam quase no final do horário, e que aquilo era uma grande mentira. O professor gritou e mandou o garoto não sair e lhe entregar a chave, mas Jeon disse que seria rapidinho e que devolveria logo-logo. Quando ele passou pelas portas rapidamente, me assustando com a sua euforia, me puxou pelo braço correndo como se não houvesse amanhã.

– Temos de ser rápidos, porque ele, provavelmente, mandou algum aluno vir atrás de nós. Ou eu, já que ele não te viu. – Riu e encaixou a chave na porta, abrindo-a no segundo seguinte.

Entrei na sala com uma velocidade descomunal, guardando os meus cadernos na mochila e sustentando os livros no braço para guardar em meu armário. Depois disso, Jungkook trancou a porta, deixando o molho de chaves sustentando por um cordão de pescoço enrolado na maçaneta, e saímos em direção ao meu armário. Guardei os livros depressa, pois logo mais bateria o sinal para o último intervalo que teríamos para descansar e para depois ter a última aula.

Jungkook me guiou até o muro do lado direito da escola, ao lado da área de lazer e em frente ao campo de futebol. Tínhamos todo cuidado do mundo para não acabar trombando com o inspetor carrancudo Lee, por isso que andamos a maioria do percurso agachados, como fugitivos da polícia, e analisando bem, era quase isso.

– Tudo bem, chegamos, agora precisamos escalar e pular para o outro lado. Você consegue, não é Mia? – Jungkook me perguntou, preocupado.

Encarei aquele muro alto e engoli a seco, respondendo negativamente para Jungkook em um balançar de cabeça.

– Certo, eu te ajudo a subir, tá? Mas quando você chegar lá no topo, não pula! Fica me esperando que eu pulo primeiro e te pego do outro lado, entendeu? – Falou todo o seu “esquema” e eu assenti, receosa.

Jungkook pegou as nossas mochilas e encachou em suas costas. Me segurou pela cintura e me impulsionou diante o muro, me fazendo estremecer com o contato. Sustentei os meus pés em alguns buracos que tinha no muro junto com as minhas mãos, e com a ajuda de Jungkook, novamente consegui impulso, sentando na mureta com as pernas para o outro lado, esperando Jungkook subir.

Alguns segundos se passaram e ele já estava ao meu lado. Passou para o outro lado perfeitamente, sem cair de bunda e sem nenhum arranhão.

– Vem, eu vou te segurar! – O Jeon estendeu as mãos para o alto, me chamando.

Estava com medo de pular e acabar me machucando, então tive que respirar bastante. Quando ia pular, não consegui, quase caindo para o lado de dentro de costas.

– N-não dá, Jungkook, eu estou com muito medo. – Falei desesperada, sem saber o que fazer.

– Não vai acontecer nada com você, hm? Eu estou aqui do outro lado e vou te pegar. Inspira e expira calmamente, Mia. – Falou, e eu o fiz. – No três você pula, tudo bem? – Perguntou e eu assenti minimamente. – 1,2... 3!

Pulei no exato momento em que ouvi o número três ser proferido. Soltei um grito agudo, de olhos fechados, achando que bateria a cara no asfalto, mas engano meu. Caí nos braços de Jungkook como ele mesmo disse. Eu havia caído meio de lado, então ele estava segurando minhas pernas e costas, enquanto eu o fitava de perto com a respiração pesada por causa da adrenalina.

Olhei cada detalhe do garoto chegando a reparar que ele tinha uma pequena pintinha na orelha. Quando cheguei em seus lábios não consegui evitar umedecer os meus, com tamanha inebriação. Jungkook não estava diferente, me fitava de uma forma tão assustadora que achei que ele estava lendo a minha alma.

O sinal do intervalo soou, um pouco baixo devido estarmos do lado de fora da escola, fazendo com que eu acordasse do transe. Limpei a garganta e desci dos braços de Jungkook completamente constrangida, e ele também, visto que estava todo atrapalhado ao me entregar minha mochila.

– É... você gosta de sorvete? – Perguntou, depois de uns dois minutinhos.

– S-si-sim, eu amo. – Respondi vacilante, com as bochechas queimando.

Esse fim de tarde seria divertido, eu acho.


Notas Finais


Então gente, resolvi dar um espacinho para o Jungkook e mostrar que ele não é um playboyzinho metido a merda ksksks.

Agora, o aviso importante ⚠️ :
Se você sofre violência doméstica TEM que denunciar. Não importa se é o seu pai, tio, namorado, marido, mãe ou o que for! Você TEM QUE DENUNCIAR. Não pode se calar de forma alguma, pois, em casos extremos, pode chegar a morte!!!! Violência doméstica é um assunto sério, gente, e pode chegar até em estrupo!
Para denunciar você pode ligar para o número 180 ou chamar a pm na hora ou ir na delegacia para fazer o boletim de ocorrência.
Por favor, nunca se calem diante à essas coisas, gente, é um negócio muito sério!

Pronto, é isso. Até o próximo capítulo, girassóis!


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