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História Can You Feel My Heart? - Chanbaek ABO - Capítulo 30


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, gente! Já deu tempo de sentir minha falta? Ainda não? Mas eu já estava aaaaaa!
Quero agradecer a todos que já assinaram a pesquisa de interesse para o LIVRO FÍSICO!
Pra quem tem interesse, a pesquisa vai estar nas notas finais! ❤️
A remessa sai fim do ano! Espero vocês na versão física também aaaaa ❤️❤️

Capítulo 30 - Tomorrow I will come back


Fanfic / Fanfiction Can You Feel My Heart? - Chanbaek ABO - Capítulo 30 - Tomorrow I will come back

No dia seguinte a nossa conversa do restaurante, Chanyeol me convidou para ir até a médium que ele havia consultado sobre as marcas. Disse que ela sabia bastante sobre o que nós estávamos passando, então quis fazer outra consulta com ela, para que nós conseguíssemos entender tudo o que aconteceu durante esse tempo.

Eu concordei em ir, afinal, eu também estava curioso para saber os motivos de estar entrelaçado com o alfa depois de um longo coma. Por mais que nos amássemos, ainda estranhávamos a marca, já que não foi consentida anteriormente pelos nossos lobos conscientes.

Era pouco depois do almoço quando o alfa apareceu para me buscar. Disse que havia deixado Jongdae no comando do restaurante, para que pudesse sair e deixar toda a nossa situação às claras. Pra mim ainda era difícil acreditar que todas aquelas pessoas eram reais e que tinham contato com o alfa de verdade.

— No que tanto pensa?

— Em tudo… É meio difícil acreditar que tudo o que sonhamos é real. Até mesmo Jongdae!

— O que lembra sobre ele?

— Jongdae foi quem me ajudou quando você não queria nem ver meu rosto. Ele me alimentava e cuidava da minha ferida…

— Me desculpe.

— Por que? — Perguntei confuso, já que não havia nada demais nas perguntas dele.

— Por não ter ajudado assim que vi como você estava.

— Não precisa pedir desculpas, Chan. Já passou.

— Eu sei, mas não consigo não sentir culpa.

— Eu estou bem agora, assim como você, então não tem motivo para se sentir culpado. Ainda mais que não era você no sonho, pelo menos não o real.

— Mas não posso afirmar que faria diferente.

— Agora já passou. — Reafirmei e acariciei sua mão, que estava no câmbio, para trocar de marcha.

— Estamos quase chegando. Ainda quer fazer isso?

— Com certeza.

— Então vamos.

Ao entrar no local de trabalho da médium, ficamos em completo silêncio, até sermos chamados para o atendimento. A mulher claramente se lembrava de Chanyeol, já que sorriu e o perguntou sobre o sonho, além de ter perguntado das queimaduras.

— E então, querido? O que você precisa hoje?

— Nós precisamos saber o que era o sonho que tivemos.

— Então esse é o ômega com quem passou o sonho?

— Sim. Entramos em contato ontem.

— Bom, como eu já havia lhe falado anteriormente, tudo tem um significado, meu jovem. O que vocês sonharam tem várias questões.

— Tipo quais?

— As pessoas me procuram, pois revivem o passado durante o coma ou enfrentam seus medos enquanto estão presos no limbo.

— E a senhora pode nos ajudar a desvendar tudo isso?

— Claro. Preciso dos detalhes do que aconteceu e então entenderemos tudo.

— Quer começar, Baek?

— Prefiro que seja você. — Respondi envergonhado.

— Tudo bem.

— Tenho uma pergunta antes. Vocês decidiram aceitar a marca?

— Sim. — Chanyeol respondeu sem hesitar, enquanto eu olhava para os dois incrédulo.

— E você, meu bem? Vai aceitar a marca de Chanyeol?

— Sim, eu aceitarei.

— Então não entendo o que mais vocês precisam.

— Queremos entender melhor o sonho. Claramente aqueles éramos nós, mesmo que de uma forma mais crua.

— Bom, digam um fato que marcou muito vocês durante o sonho.

— Chanyeol me prendendo em um quarto escuro.

— Quando passei meu cio como um ômega.

— Certo, vamos com um acontecimento de cada vez. Por que ele o trancou, querido? Consegue se lembrar?

— Porque eu cozinhei sem sua permissão.

— E você faria isso na vida real? Cozinharia sem permissão?

— Não.

— E você, alfa, faria?

— Sim. Fiz inúmeras vezes.

— E alguém o repreendeu?

— Sempre.

— E quais eram os castigos?

— Ficar preso em meu quarto.

— E a questão do quarto escuro? — A mulher perguntou para mim.

— Eu sou claustrofóbico.

— Você tem alguma lembrança sobre ter sido preso num lugar tão específico como esse?

— Não, senhora.

— E você? — Mais uma vez ela se virou para Chanyeol.

— Meu padrasto me prendia na despensa de casa quando eu não o obedecia.

— E era parecida com a que prendeu o ômega?

— Sim.

— Então, meus amores, é como eu disse, vocês reviveram e enfrentaram seus medos enquanto estavam presos no limbo. Acho que a ligação de vocês foi muito forte para que juntassem seus medos nas mesmas cenas.

— Mas e sobre eu aparecer como um ômega?

— Ora, me lembro quando veio aqui pela primeira vez e me contou sobre todos os problemas que teve com a classe em sua vida. Quando algo assim acontece, os espíritos dizem que é como se você estivesse aceitando o parceiro, mesmo diante tanto medo.

— Então aquilo apenas significava que eu aceitei Baekhyun como meu ômega?

— Não, seu bobo! Significa que você superou seu medo! Que você conseguiu se abrir para alguém mesmo após tantos traumas.

— Não faz sentido.

— Como você se sente quando está com seu ômega?

— Me sinto bem.

— E antes do acidente, como você se sentia com outros ômegas?

— Acuado. Temia que eles me enganariam mais uma vez.

— Aí está sua resposta, meu jovem.

— Então tudo o que passamos juntos teve um motivo?

— Sim.

— Mas… — Ponderei, tendo a atenção dos dois. — E quando Chanyeol matou meu ex-marido?

— Você matou alguém no sonho?

— Sim. Matei porque precisava.

— E vocês já estavam marcados?

— Sim, eu já tinha a marca de Chanyeol quando ele o fez.

— Ele representava uma ameaça ao relacionamento de vocês?

— Sim, ele queria me matar.

— E depois dele ser morto a marca dele não teve nenhum efeito em você?

— Não. Apenas a de Chanyeol.

— Creio que aquele foi o momento em que a alma de vocês se juntou. Sabem, eu nunca vi um caso tão complexo como o de vocês, ainda mais em um coma. As pessoas vêm me procurar falando sobre sonhos estranhos e pessoas estranhas que conheceram durante eles, mas vocês… Vocês viveram outra vida. Eu consigo ver que aprenderam a se amar, mesmo nas dificuldades e aprecio que tentem se relacionar, mas precisam dar tempo ao tempo.

— Não entendo, senhora… — Eu disse com certo receio. — Se sabe tudo o que aconteceu conosco, por que não podemos ter uma resposta concreta?

— Porque os deuses não agem de forma concreta, bobinho. Eles uniram vocês por algum motivo que apenas vocês dois podem descobrir, eu sou apenas um caminho alternativo.

— Então isso é tudo o que pode nos dizer? Que tudo o que passamos naquele sonho foi porque precisávamos enfrentar nossos medos?

— Quando estamos no limbo, muitas coisas podem acontecer, meu jovem. Ambos tiveram experiências de quase morte e, pelo que aprendi durante esses anos entendendo e estudando minha habilidade médium, quando você está prestes a morrer, você revê o que precisa rever de sua vida, sejam coisas boas ou coisas ruins. No caso de vocês, ambos precisavam se libertar de seus medos para que conseguissem se conectar e, juntos, voltassem a viver.

— Isso quer dizer que eu preciso do Baekhyun pra viver?

— Achei que isso estivesse claro como água.

— Certo…

— Eu ainda estou confuso. — Reclamei, tendo a risada da senhora como resposta.

— Você sempre ficará confuso se pensar demais sobre isso. O que recomendo que façam é: sentem-se e conversem sobre tudo. Sobre todas as partes do sonho que se lembrarem e debatam sobre quem causou o acontecimento. Além de descobrirem muita coisa sobre o outro, descobrirão muito mais sobre si mesmos.

— Ótimo.

— Desculpem por não ajudá-los mais do que isso hoje, mas vocês precisam dar esse passo sozinhos.

— Tudo bem, a senhora esclareceu várias coisas até agora. Obrigado.

— Não há o que agradecer, alfa. Agora vão e vivam a vida de vocês.

— Posso fazer uma pergunta ainda?

— Quantas quiser.

— A senhora consegue ver alguma coisa sobre nosso futuro?

— Quer mesmo saber, jovem ômega? Posso lhe dizer algumas coisas.

— O que você acha, Chan?

— Se você quiser, eu também quero.

— A senhora pode nos dizer o que vê?

— Sentem-se corretamente então. Vou pegar as cartas para dizer o necessário para vocês.

Ela demorou alguns minutos pegando e embaralhando as cartas, até que as dispôs em nossa frente e sorriu, passando as mãos nas cartas antes de nos falar qualquer coisa.

— Que os deuses estejam com vocês. Escolham 3 cartas cada.

— Quer começar, Baek?

— Façam juntos. — Interrompeu a médium.

— Certo.

— Passem as mãos pelas cartas e escolham a que mais tiver energia.

Chanyeol e eu não vimos outra alternativa a não ser obedecer. A sessão durou mais um bom tempo, já que ela pegou as cartas de nossas mãos e as leu, dizendo algumas coisas fundamentais, ao menos para mim.

— Vocês terão saudade um do outro por algum tempo, não será tão longo, mas o suficiente. Terão fertilidade e felicidade também, mas depois de alguma dificuldade.

— Que tipo de dificuldade?

— Pode ser qualquer uma, seu jovem. Desde financeira a amorosa, psicológica…

— E o que mais a senhora vê?

— Um elo forte, indestrutível. Vocês terão seus momentos de guerra e paz, mas sempre estarão unidos. O que me preocupa nessas cartas é o fantasma.

— Que fantasma?

— Um de vocês manterá o medo de algum fantasma passado e isso pode prejudicar o relacionamento de vocês, precisam tomar cuidado com isso.

— Tudo bem. Acho que já sabemos sobre quase tudo.

— É isso o que as cartas me mostram hoje, então espero que vocês passem por todo esse caminho com amor e paciência. Podem voltar quando quiserem para que eu releia vocês e diga algo que os ajudará.

— Obrigado.

— Não há de quê, meus queridos. Que os deuses acompanhem vocês.

— Até logo.

— Chanyeol. — A mulher o chamou quando estávamos saindo.

— Sim?

— Tem uma mulher… Ela esteve tentando falar comigo na última vez também…

— Sim?

— Ele pediu para que eu lhe dissesse que você não tem culpa, que ela sabe que foi um acidente e que você era muito jovem para entender.

— Minha… Minha mãe?

— Ela disse que está feliz por você.

O chef demorou alguns segundos para respirar novamente e olhar para mim e para a mulher novamente. Era a primeira vez que eu o via totalmente sem palavras, vulnerável. Parecia que era algo que mexia muito consigo.

— Obrigado. Eu… Eu me sinto melhor agora.

O alfa parecia satisfeito com o que ouviu, mas eu… Eu achei tudo muito confuso e complicado. Como ela sabia de tanto apenas olhando as cartas? Digo… Eram palavras meio soltas, mas conseguíamos encaixar em nossa situação até certo ponto, mas até quando?

— Tudo bem, Baek?

— Tudo bem, Chan. Apenas estou um pouco confuso com tudo, mas está tudo bem.

— Quer conversar?

— Você está disposto para conversarmos sobre o nosso sonho?

— Claro. Você está?

— Sim. Acho que eu preciso disso, na verdade. Sinto que não descansarei até ter um mínimo de resposta.

— Eu me sentia igual até você aparecer noite passada. Eu podia jurar que nunca mais o veria.

— Demorei demais, não foi? — Perguntei sem graça, já sabendo que ele passou por altos e baixos pela falta de seu ômega por perto.

— Não tiro sua razão, sabe? Eu também estive confuso por muito tempo até aceitar que precisava de você.

— Pra onde está me levando? — Questionei quando ele passou pelo meu bairro sem se preocupar em ir até minha casa.

— Vamos tomar um café.

— Preciso pegar Baekhee, já passei tempo demais fora de casa.

— Então buscamos ela e vamos dar um passeio, o que acha?

— Acho que podemos conversar em minha casa.

— Seus pais…

— Já sabem sobre você. Quer dizer, sobre a nossa marca.

— E eles me aceitam…?

— Creio que eles não tenham muita escolha. — Sorri, tentando quebrar o gelo, mesmo vendo que não daria certo. — Você se sente muito desconfortável?

— Um pouco, mas posso fazer por você.

— Jura?

— Sim.

Nenhuma outra palavra foi dita até chegarmos em casa e meus pais receberem o alfa como um rei. Minha mãe tinha feito até um bolo para Chanyeol, pois sabia que ele me traria para casa e já puxaria ele para entrar e ficar ali com ela, nem que fosse por alguns minutos.

— Mãe, eu preciso roubar Chanyeol um pouco, certo? Precisamos conversar.

— Claro.

— Vamos pro jardim, Chan. Baekhee precisa tomar sol.

— Vamos sim, Baek.

— Eu levarei o bolo lá, não se preocupem.

— Obrigado, mãe.

— Não sei como pude me preocupar tanto. Sua mãe é um doce.

— Ela é sim. — Sorri quando me sentei no sol com meu bebê nos braços. — E ela gosta bastante de você, então…

— Fico feliz em ouvir isso. Pensei que ela ficaria brava por eu ter marcado o filho dela num momento tão crítico.

— Meus pais têm plena consciência do que Hyunwoo fazia comigo, Chan. Eles torcem pela minha felicidade, independente da pessoa com quem eu esteja.

— Isso é bom.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Todas.

— Por que sua mãe te falaria aquilo?

— Esse… É um assunto bem delicado. — Ele suspirou e me olhou com seriedade. — Lembra quando eu disse que meu padrasto me prendia na despensa?

— Sim.

— Um dia, minha mãe descobriu que ele fazia e foi me socorrer, mesmo contra a vontade dele. Ele e a minha mãe brigavam muito, então ela estava com uma tesoura em mãos, para caso ele viesse nos machucar. E bom, ele veio mesmo.

— Chan…

— Quando ele segurou minha mãe, ela deixou a tesoura cair e, como eu queria proteger ela, eu peguei e segurei com a ponta apontada para ele…

— Eu vou entender se você não quiser terminar…

— Eles gritavam muito, eu não lembro bem das palavras, mas me lembro da hora exata que ele a empurrou para dentro do armário junto comigo e nós dois caímos no chão. Eu de costas e ela em cima de mim… Em cima da tesoura.

— Chanyeol…

— Ela morreu pouco depois, porque a tesoura pegou bem no coração. Eu lembro bem do sangue escorrendo para cima de mim, enquanto meu padrasto olhava para nós dois em choque. Não lembro muito do que houve depois, nem de como eu fui tirado de lá, a próxima lembrança é do meu pai estando comigo no hospital.

— É por isso que você odeia hospitais?

— Também, mas não apenas por isso.

— Entendo. Por isso ela disse que foi um acidente.

— Mas se eu não tivesse pego aquela tesoura…

— Chan, você fez pensando em protegê-la. Não podia imaginar que poderia acontecer alguma coisa assim. Era apenas uma criança.

— É…

— Não quero que se culpe mais, Chan. A culpa não é sua, nunca foi.

— Obrigado.

— Pelo que?

— Por me ouvir e me apoiar.

— O que houve com o seu padrasto?

— Eu nunca soube. Meu pai sempre me dizia coisas diferentes quando eu perguntava, mas nunca a verdade. — Eu apenas afirmei, afinal, podia sentir o desconforto do alfa com o tema. Ele não tinha culpa nenhuma e mesmo assim guardava tudo em sua memória. — E você, quer me contar sobre sua claustrofobia?

— Ela apareceu quando eu era adolescente. Quando descobri que era ômega, para ser mais exato. Sabe como é, não é? Alfas ficam loucos e…

— Te prendem em uma sala pra tentar te comer?

— É. Eu já sabia que era um ômega antes de tudo e tinha um alfa que eu conhecia… Eu gostava dele. Era mais velho, de uma turma acima e já tinha passado pelo primeiro cio.

— E como foi que ele descobriu que você gostava dele?

— Eu me confessei. Ele me rejeitou, então achei que jamais teria algo dele, mas quando meu cheiro começou a aflorar, eles começaram a ficar mais próximos, até que resolveram me encurralar na sala do zelador, pequena e escura…

— Você entrou em pânico?

— Depois que aquele alfa tocou em mim. Eu jamais tinha dito que concordava em estar com ele, mas, mesmo assim, me obrigaram, então eu entrei em um grande desespero e tive uma crise de pânico bem ali. Quando ele percebeu, me largou ali e saiu com os amigos, mesmo vendo que eu mal respirava.

— E como você saiu de lá?

— Eu bati à porta com o resto de força que eu tinha e então Hyunwoo me salvou. Desde então, nós estávamos juntos como casal. Eventualmente eu me apaixonei por si e acabamos por ficar juntos durante esses anos. No fim, ele era até mesmo pior que aquele alfa.

— Eu sinto muito pela sua experiência, Baek. Sinto mesmo.

— Eu também, Chan. As vezes me pego pensando em como eu fui cego ao deixar que ele abusasse de mim daquela forma.

— É complicado dizer, Baek. Quando vivemos a situação, não vemos o quadro todo.

— Sim, eu sei.

— Quando você percebeu que ele não era bom pra você?

— Quando eu engravidei. Quer dizer, eu já estava de saco cheio dos abusos dele, mas nunca tinha falado nada, pois quando tentei, ele apenas ficou mais agressivo.

— É por isso que você tinha tanto medo de mim no sonho.

— Você não facilitava nada, pra ser sincero.

— Eu tive experiências ruins com ômegas em toda a minha vida, então tendo a ser assim. Já fui enganado por um ômega que dizia não ter o que comer e eu o acolhi. Dei comida, dinheiro, tudo o que você possa imaginar, para depois descobrir que ele estava apenas se aproveitando de mim, já que era de classe média e vivia com os pais. Ele apenas pegava meu dinheiro para torrar e sair com os amigos pra balada e essas coisas.

— Jura?

— Sim. Também teve um que roubou tudo o que eu tinha na carteira depois que eu entrei no cio. Passamos um surto juntos e, quando eu dormi, roubou meus cartões e meu dinheiro da carteira.

— Você tem um dedo podre, não acha?

— Eu estava procurando em lugares errados, apenas isso.

— E quando foi que você se fechou para os ômegas?

— Quando me apaixonei por um e ele me traiu. Foi a gota d’água, sabe? Depois de ser roubado, largado no meio do cio e enganado, eu decidi que não daria mais bola. Além de ver meu próprio pai pular de cama em cama.

— Seu pai?

— É. Ele sempre foi de namorar muito, então desde que eu era pequeno, me lembro dele sair com vários alfas diferentes até encontrar esse com quem ele está hoje.

— Aron, não é?

— É. Ele foi o único que conseguiu prender meu pai.

— Eu me lembro que você me disse que sempre te deixavam quando você entrava no cio.

— Sim, isso foi antes de eu descobrir sobre minha bipolaridade. Eu tendia a oscilar de humor o tempo todo e as pessoas me abandonavam por conta disso.

— É só isso que explica o fato de odiar ômegas?

— Creio que a cada experiência ruim, fui me deixando levar pelos sentimentos ruins e me fechando cada vez mais. Quando me formei um chef, foquei em minha carreira mais do que na vida pessoal até você chegar.

— Então você não é como no sonho. É apenas uma pessoa introvertida.

— Talvez eu apenas tenha visto minha personalidade de outro ângulo. Como eu disse antes, eu não posso te dizer que ajudaria se um ômega chegasse no meu restaurante pedindo ajuda, pois já caí nessa antes, entende?

— Entendo, Chan.

— Mas eu não sou tão mal e jamais ergueria a mão para você, independente da situação.

— Acho que aquele era eu imaginando você como Hyunwoo. Creio que todas as situações abusivas que eu passei foi por conta disso. Por causa dele.

— E com razão, não acha? Você precisava superar seus medos e se impor, assim como fez.

— E como você se sentiu sendo um ômega no cio? — Perguntei para descontrair do clima ruim que estávamos.

— Terrível! Eu juro que não quero mais passar por isso.

— É, eu te entendo bem. — Disse sorrindo, afinal, era o que eu podia fazer.

— Você é o único que conseguiu cativar meu lobo, Baekhyun.

— E você o meu.

— Mas e Hyunwoo?

— Meu lobo nunca aceitou ele, apenas teve que se contentar, pois eu o amava, então me deixei marcar.

— É por isso que dizem que devemos ouvir nosso lobo interior.

— É… Devemos mesmo.

— É melhor que você saia do sol, não é? Você está há muito tempo ai.

— Baekhee ficou tão quietinha que eu até mesmo esqueci. — Disse me mudando para a sombra.

— Posso segurar ela?

— Claro. Pode pegar, não precisa ter medo.

— Meninos, vamos pedir uma pizza essa noite, Chanyeol vai ficar conosco, não vai?

— Preciso ir pro restaurante, senhor Byun, mas agradeço o convite.

— Nada disso! Quero que fique.

— Mãe, por favor.

— Ele precisa de uma folga também, Baekhyun. Trabalha dia e noite, precisa respirar. Agora eu vou terminar de organizar a cozinha e vocês deem um jeito de jantarem conosco. — Minha mãe saiu sem nem ouvir a resposta do alfa, me deixando completamente sem graça.

— Eu vou falar com Jongdae e ver se ele consegue me cobrir.

— Chan, sabe que não precisa, não é?

— Mas eu quero passar mais tempo com vocês.

— Tudo bem.

Eu fiquei esperando ele terminar de combinar tudo com o amigo pelo telefone antes de continuarmos a conversa, então apenas encarei a forma carinhosa como ele ninava minha filha, mesmo com os braços ainda em recuperação.

— Ele ficará em meu lugar essa noite. — Concluiu Chanyeol.

— Como estão suas queimaduras, Chan? — Perguntei curioso. — Elas ainda doem?

— Não. Estão apenas cicatrizando, Baek. Foi terrível no começo, mas depois dos enxertos, fiquei bem melhor.

— Entendo.

— Se incomoda com elas?

— Apenas imagino quanta dor você passou.

— Você sabe bem a dor que passei, Baek. Me lembro que tem uma marca de queimadura nas pernas.

— É… Você se lembra até disso, não é?

— Eu me lembro de todo o sonho, Baek. Me impressiono de como você não se lembra.

— Algumas coisas me vêm a memória, mas não tudo. Acho que a maioria das coisas eu consigo me lembrar agora, mas ainda tem algumas cenas falhas.

— Entendo. Fico feliz que pude te ajudar a lembrar.

— É… Foi muito intenso pra mim quando você me tocou no hospital. Seu lobo estava atrás do meu o tempo todo e era aquilo que estava me deixando vazio por dentro.

— Eu sei bem.

— Então…

— Fico feliz que tenha aceitado minha marca em você. Posso não ser um alfa perfeito, mas posso me moldar ao seu jeito, assim como você fez por mim.

— Quero que seja você mesmo, Chan. Nós conseguiremos nos acertar dessa forma.

— Agradeço sua compaixão.

— Não posso ignorar meus sentimentos, Chan. Não mais. Meu lobo o ama e eu também. É apenas uma questão de tempo para aprendermos a nos amar de verdade.

— Você tem razão. — Disse o alfa olhando para o meu bebê em seus braços. — Você é tudo o que eu sempre pedi aos deuses, Baek.

— Já me disse isso antes, Chan. Não me deixe envergonhado.

— É apenas a realidade.

— Fico grato por saber disso, Chan. De verdade.

— Espero que sejamos felizes como merecemos de agora em diante, Baek.

— É tudo o que eu mais quero, Chan.

A conversa durou ainda mais. Ficamos até o pôr do sol no jardim com Baekhee nos braços do alfa e colocamos nossas dúvidas no ar, para que pudéssemos desenrolar nossos traumas e desvendar nosso sonho, afinal, era assustador de lembrar todas as coisas ruins que passamos durante aquelas quatro semanas, que mais pareceram longos meses no limbo.

O alfa era calmo e gostava muito de mim e de minha filha. Pude perceber apenas de olhá-lo e sentir o que ele sentia pela nossa marca. Chanyeol não mentiu em momento algum sobre seus sentimentos e eu achava lindo como ele atropelava e superava todos os seus medos, apenas para me deixar seguro sobre suas intenções comigo.

Naquela noite, Chanyeol se reuniu com minha família para jantar e assim ter um laço mais forte comigo e com meus pais. Até mesmo Baekhee se sentia seguro com ele, então eu tinha certeza de que daquela vez meu lobo estava certo.

Eu amava Chanyeol, assim como ele me amava.


Notas Finais


Pesquisa de interesse para CYFMH FÍSICO: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSehZ3ZG7Y8UfrsFCcyyIDa5jutqO7mdKbZJf6S5d6NDW38NnQ/viewform

Meu twitter para dúvidas e interação: @_thedeadmoon

Meu perfil no wattpad: @deadmoonofficial

Vejo vocês no próximo extra quando a remessa for anunciada! ❤️


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