História Canário Azul - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Bertolt Hoover, Eren Jaeger, Erwin Smith, Hange Zoë, Historia Reiss, Jean Kirschtein, Levi Ackerman "Rivaille", Marco Bott, Mikasa Ackerman, Petra Ral, Reiner Braun, Sasha Braus, Ymir
Tags Ereri, Lemon, Lgbt, Riren, Romance, Yaoi
Visualizações 191
Palavras 6.890
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Pansexualidade, Sexo, Transsexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E dois meses depois... Ela aparece ~ Desculpa mesmo esse quase hiatos pessoal... Sobre a minha demora vou explicar melhor nas notas finais

Nesse capítulo terá uma certa avançada em algumas questões, em especial românticas (se é que me entendem).

~ Boa leitura

Capítulo 9 - Sol - Tentativas fracassadas


 

4 meses depois:

Eren agradeceu mentalmente, diversas vezes, ao escutar o som da natureza. Nada de buzinas, gritos, vozes, música ou anúncios no megafone, só a paz.

Nunca pensou em morar distante da cidade, havia crescido em uma! Seria impossível habituar-se com a demora de mais de meia hora para ter acesso a ‘civilização’. Porém, tinha que admitir, ter aquela tranquilidade para si pelo menos uma vez na semana era maravilhoso.

 Em meio a tanto barulho e obrigações, ir para aquela casa nos finais de semana havia tornado-se seu oásis pessoal.  Se fosse outra pessoa jamais visitaria tão regularmente. A princípio suas visitas eram em prol de restabelecer a amizade que ele partilhava com Levi, afinal, não obteria um bom resultado com os dois morando em cidades opostas, a decisão mais óbvia era se visitarem.

E o que começou com o objetivo de se reaproximarem, conhecerem a rotina que rodeava a vida um do outro, tornou-se uma forma de Eren descansar do caos da cidade. Provavelmente Levi já tinha percebido sua tática, mas não havia dito nada a respeito. Seu silêncio soava como: pode vir todos os dias se quiser.

Compreendia que o seu amigo era deveras fechado, por isso, saber que ele permitia que seu espaço pessoal fosse invadido com tanta frequência fazia com que questionasse se sua companhia era tolerada por hábito ou realmente apreciada.

 De forma preguiçosa e sem pensar criticamente na roupa que vestia (camiseta folgada e short curto) foi em passos lentos até o banheiro do corredor. Necessitava fazer pelo menos parte da higiene matinal para sentir-se vivo novamente.

 Após fazê-lo, foi em direção as escadas, para ter acesso a cozinha. Na mesma, agindo como se fosse sua casa (sentia como se fosse, na verdade) preparou um café na cafeteira. Colocou-o em uma caneca na cor azul.

 Depois disso, foi até a sala e sentou-se com os pés esticados no sofá. Bebendo o líquido quente ligou a tv no volume mais baixo possível, para não acordar o dono da casa, ainda que duvidasse que algum barulho chegasse ao segundo andar.  

“Hein, podemos conversar seriamente sobre aquele assunto? Aquele que começamos na cafeteria... Sinto que ficou meio no ar.”

 

Surpreendeu-se ao ver que havia uma mensagem de Reiner Braun em seu celular.  Sempre que ia passar o final de semana na casa de Levi automaticamente deletava os acontecimentos da semana. Dessa vez não tinha sido diferente.

Por mais importante que tenha sido o teor da conversa que teve com Reiner, para si tinha sido apenas isso: uma conversa.  Imaginava que havia sido uma insinuação, uma brincadeira, mas aquela mensagem dizia o inverso.

Os dois estavam conversando na quinta-feira, amigavelmente, quando o assunto relacionamentos entrou em pauta. Reiner não poupou palavras para elogiá-lo em termos de relacionamento. Não costumavam falar do namoro que tiveram, como um acordo mudo de tratar aquilo como ‘águas passadas’.

Porém, ele usou o assunto para dizer que amadureceu muito graças à relação que tiveram. Que agora conseguia controlar seus ciúmes normalmente, tanto que se reatassem, agora conseguiria manter a relação deles, já que o ciúme havia atrapalhado da última vez.

No momento riu e disse que estava feliz por ele ter amadurecido, porém, agora ao ler aquela mensagem só conseguia concluir que ele estava pensando seriamente sobre a possibilidade de voltarem a namorar.

Não sabia bem o que pensar a respeito. Torcia para que ele não estivesse levando realmente a sério aquilo... Jamais reataria uma relação que já havia dado errado.

As pessoas tendiam a acreditar que mudaram, mas dificilmente tal coisa acontecia totalmente. Por exemplo, se o mesmo dissesse que havia mudado um hábito qualquer, algo que não foi decisivo para o término da relação, seria uma coisa. Mas ele afirmar que havia excluído algo tão significativo de sua personalidade?! Soava como ilusão.

– Você levantou cedo. – Disse Levi, aparecendo na sala. Esperava fazer o café da manhã e ir acordar o visitante, mas ele já estava no seu sofá e pelo que notava, grudado no celular como de costume. – Já tomou café da manhã? – Indagou, pela falta de resposta. Era comum para Eren ser visto em outra dimensão enquanto mexia no celular, ainda que na presença dele esforçava-se para não o fazer.

– Ainda não, – estava com dificuldade de raciocinar os dizeres do mesmo, tanto pelo sono que sentia, como por estar pensativo sobre Reiner – só um café preto por enquanto.

O moreno observou atentamente o jeito pensativo do mais novo. Era péssimo em observar reações, então não sabia interpretar se ele estava diferente por causa do sono ou algo a mais o incomodava. Como tampouco era do seu feitio questionar, preferiu esquecer essas divagações e ir preparar o café da manhã. Não deixaria o mesmo apenas com um café preto.

 Jaeger ficou ponderativo a respeito por algum tempo no sofá. Detestava como situações inesperadas simplesmente surgiam na sua frente sem seu convite. Estava tudo dando certo na sua vida, seu mangá fazia um sucesso razoável:

1.     Sem crises de criatividade.

2.     Seus amigos estavam em relacionamentos amorosos estáveis, cada qual com sua vida resolvida.

3.     Ele finalmente havia reencontrado Levi.

Era o típico momento ‘bom demais para ser verdade’, até que, de repente, tudo começa a dar errado.

Cansado de ficar naquele sofá pensando a respeito, mandou uma mensagem a Armin, queria saber a opinião dele. Em três minutos já tinha a resposta do mesmo (viciado em tecnologia do jeito que era, devia estar grudado no celular).

 “ Está pensando em voltar com ele?! Cometer o mesmo erro duas vezes já é demais... ”

“ Claro que não quero voltar com ele Armin, mas parece injusto simplesmente assumir que irá dar errado e o dispensar ”

Não era surpresa ler tais palavras, Armin era cético com relação a mudanças. Na visão dele, pessoas só mudam quando lhes é conveniente e o amor romântico, não é uma motivação forte o suficiente.

“ Na minha visão nada garante que ele mudou. Não arriscaria não ”

Suspirou pesadamente ao receber tal mensagem. Sabia que seu amigo tinha razão, mas ainda estava angustiado. Soava-lhe errado simplesmente dispensar Reiner.

“Ok. Vou pensar melhor a respeito... mas falando de coisa boa, como foi a festa ontem? ”

Desde a primeira festa com eles, Hanji, Armin e Nanabe viviam na balada. Enquanto Eren ia para a casa de Levi, os três encontravam-se e iam para alguma festa aleatória.

“ Wow! Você nem faz ideia! Foi tão divertida! Era uma balada LGBT. Só um carinha deu em cima de mim, mas ele entendeu rápido que eu não estava a fim”

“ Destruindo corações você hein! E a Hanji e o Nanabe? ”

“Ah... Esses dois tão num clima tão forte ultimamente que todos acham que eles são um casal”

“ Mas é oficial? ”

“ Acho que não. Hanji parece interessada, mas Nanabe não saca nada e os flertes são unilaterais. Até para alguém que não tem um relacionamento há anos está meio patético”

“Mas você acha que ele não nota por causa da timidez? ”

“ Provavelmente. Ele parece admirar muito Hanji, ainda mais agora que começaram a trabalhar juntos. Aí ele deixa isso o cegar e constrói uma barreira entre eles”

“ Ah, que pena, eu mega shippo eles ;/ ”.

“ E você e o Levi? ”

Eren leu aquela mensagem algumas vezes, raciocinando... A forma como estava posta dava a entender que ele estava insinuando que os dois eram um casal como Hanji e Nanabe, não? Balançou a cabeça em negação, decidindo ignorar e fingir que não entendeu.

“ Como assim? ”

“ Ficaram vendo filmes que nem um casal que está namorando há anos? ”

“ Haha, muito engraçado Armin. ”

Com essa última mensagem bloqueou a tela do celular e deixou o mesmo no sofá. A única coisa que levou consigo foi a caneca azul, agora com o café frio.

 As brincadeiras do amigo insinuando que ele e Levi eram um casal estavam cada vez mais constantes. Muitas vezes sentia-se incomodado com tais colocações.

Porém, o que mais o intrigava naquela situação era que se tais insinuações fossem feitas sobre ele com Armin, como já havia acontecido muitas vezes, jamais sentiria-se incomodado.

Quando se juntou ao anfitrião na cozinha, observou-o preparar algumas torradas. Em silêncio, pensou sobre a nova situação em que estava com Reiner e como isso mudaria sua rotina na editora.

Ao fim disso foram assistir a uma série, como fazia parte da rotina, já partilhavam pelo menos quatro séries diferentes devido ao tempo que tinham no final de semana. Mas naquele dia optaram por ‘Paranoid’, uma série de investigação policial. O que atraía ambos no enredo era que o foco estava em três policiais com perfis totalmente diferentes.

– Eu não entendo porque faço as mesmas coisas esperando resultados diferentes! – Exclamou Jaeger.

Era o momento de transição entre um capítulo da série para outro. Estavam, até então, concentrados e silenciosos. Era de comum acordo que só conversariam entre as pausas dos capítulos.

E com isso começou a contar sobre uma situação na qual fez algumas críticas construtivas ao enredo de uma pessoa; explicando os pontos a melhorar e as formas dessa trama alcançar um melhor resultado, em troca recebeu apenas ofensas.

Não diria que estava surpreso, pois não estava. Era habitual que tivesse reações agressivas quando tentava expor uma legítima crítica a um enredo.

– Talvez tenha um pouco ainda de fé na raça humana? – Respondeu Levi, retoricamente.

– Ou sou um completo imbecil. Pois a pessoa deixa claro que posso criticar o conteúdo de alguma forma. Dar dicas para que seja melhorado, mas se eu faço isso, a pessoa reage como se eu tivesse matado alguém. Onde está a lógica? – Sabia que não adiantava reclamar, aquelas situações continuariam acontecendo, independentemente de como tentasse as evitar.

– Talvez pois essa pessoa espere que você não critique, mas sim, que diga que está perfeito? – Sugeriu.

– Mas perfeito nada está, nunca. Todos sempre teremos pontos a melhorar. Isso não apenas em roteiros, em qualquer coisa.

Já havia escutado críticas pesadas sobre seus trabalhos várias vezes, inclusive de Arlert. Não diria que era a melhor maneira de abordar, ainda mais que as pessoas encaram de diferentes maneiras uma crítica. Contudo, acreditava que não era possível melhorar sem saber o que é necessário para tal coisa, isso só é possível escutando diferentes opiniões.

– Isso eu concordo. – Disse Levi, sem saber como continuar aquele diálogo.

Era diferente para si vê-lo estressado com algo relacionado ao trabalho pois ele sempre falava da editora, dos desenhos e do blog com bastante tranquilidade. Desconfiava que algo tivesse acontecido de diferente que estivesse o incomodando, mas ele não parecia querer falar a respeito.

– Eren, você pretende vir semana que vem? – Mudou de assunto. Logo teria de voltar a colocar a série, mas antes precisava saber se ele planejava vir no próximo final de semana.

– Como assim? – Estava surpreso tanto pelo questionamento, como com o tom de naturalidade usado pelo outro. – Claro que vou! – Respondeu enfim, parecendo assimilar melhor os dizeres após uma pausa.

– Hum... –  Havia acabado de perceber que não tinha avisado o mesmo a respeito daquele ‘detalhe’. – É que na verdade, eu pretendo fazer uma faxina na semana que vem. Minha mãe comentou que irá aparecer na minha casa logo, logo... E acredite, ela é mais obsessiva com limpeza que eu.

Era fato que a senhora Ackerman só aparecia naquela residência nos finais de ano, com as duas filhas e esposa. Todavia, por alguma razão, ela havia aberto uma exceção ao decidir visitá-lo no meio do ano. O motivo ainda estava em aberto.

– Então você quer fazer uma faxina para quando ela aparecer? – A casa num todo era muito limpa, mas compreendia que a noção Ackerman de limpeza era diferente do ‘padrão’.

– Exatamente.

– Eu ajudo. – Respondeu de pronto. Sem parecer sequer pensar a respeito.

– Eren, minha limpeza não é algo padrão, sou muito exigente. – Avisou.

Jaeger não era a primeira pessoa a pensar que podia acompanhá-lo em uma faxina.  Nas vezes em que havia feito algo semelhante na floricultura, seus funcionários pensaram o mesmo. No começo distribuía uma tarefa diferente para cada um só que infelizmente quando ia conferir o resultado não estava nem próximo do que esperava. Logo, acabava tendo que fazer ele mesmo.

Para poupar tempo acabou por dispensar qualquer ajuda depois de alguns meses.

– Você se esquece que já cuidei de um jardim com você, sei bem como é exigente. – Tinha ciência que se o que fizesse não chegasse próximo a perfeição, Ackerman faria tudo novamente por si mesmo.

Levi encarou-o por alguns instantes, surpreso. Sentia que aquela insistência do outro em acompanhá-lo na faxina da semana que vem tinha algum outro motivo.

Era claro que o Jaeger usava a calmaria daquele local em seu favor e se estivesse certo e alguma coisa realmente estivesse provocando aquelas mudanças de humor nele, provavelmente era algo que o incomodava ao nível de que até faxinar tornava-se mais agradável.

Mesmo após tais divagações Levi permaneceu em silêncio. Não era do tipo que iniciava conversas profundas então optou por ignorar. Se ele queria ajudá-lo na limpeza, que assim fosse.

 

(...)

 

Alguns dias depois:

Eren estava em um café próximo a editora, o mesmo que normalmente ia. Na mesa havia um dos seus cadernos de desenho, esse era apenas para rabiscos. Tinha começado a fase do seu roteiro que os dois personagens enfim iriam estar em uma relação amorosa, o que era um desafio para qualquer mangaká. Por isso tentava esquematizar os diálogos e pequenos gestos dos personagens, de forma que já ficasse subentendido o clima romântico.

Sabia que aquele momento de pausa deveria ser usado para tomar seu café com calma e saborear o croissant de goiabada. Jamais para ficar pensando a respeito do seu mangá, porém, quando a diversão e o trabalho eram a mesma coisa em sua mente, ficava difícil estabelecer limites.

Estava distraído desenhando rascunhos dos personagens quando notou uma aproximação em direção a sua mesa. Alguém havia parado com uma bandeja a sua frente.

– Oi, posso te fazer companhia?

– Claro – Respondeu de imediato. Retirando o caderno de desenho que estava em cima da mesa guardou-o em sua bolsa.

Não queria demonstrar, mas sentiu-se muito incomodado. Estava tentando passar algum tempo sozinho, mas agora tinha Reiner Braun como acompanhante.

Mesmo que o namoro deles tivesse sido um fracasso não desgostava dele... A questão era justamente essa, sabia que ele havia sido o errado na relação que desenvolveram, porém, o fato de abdicar da mágoa, colocava em pauta a proposta que tinha recebido: de retomarem o antigo namoro. Afinal, se não restava mais mágoa, por que não tentar?

E Reiner fazia questão de lembrar-lhe disso, pois há uma semana que ele achava as formas mais inusitadas possíveis deles conversarem. Era como se tivesse tentando forçar uma reaproximação em pouquíssimo tempo.

– Que bom que Bertold levou tudo numa boa então ... –  Eren resolveu puxar assunto.

Estava verdadeiramente feliz pelo drama ter acabado entre os dois, Reiner e Bertold, e esforçando-se para que o diálogo se mantivesse adequado. Quase sempre quando conversavam o assunto em pauta era Bertold. Sua mente volta e meia ia para bem longe do falatório alheio, o que fazia sentir-se inegavelmente culpado.

Pois, apesar de não ter aceitado retornar à relação com Reiner, tinha prometido que iria se esforçar para permitir uma reaproximação ao nível de amigos. Sentia que se tivesse sido mais firme o outro teria compreendido que não havia nenhuma possibilidade de reatarem. Entretanto, existia uma mínima parte sua que queria colocá-lo a prova.

Reiner tentava constantemente levar a relação para flertes, sempre que tinha a oportunidade, mas era ignorado.  Mesmo que chegasse à conclusão que ele havia amadurecido, não sabia se teria coragem de reatar.

Compreendia o quão difícil era para alguém mudar sua maneira de enxergar as coisas, cada um tinha sua perspectiva do que era amor. E por ter uma clareza quanto a isso hesitava perante a possibilidade de namorarem novamente.

Acreditava que parte da tentativa de mudança de Reiner advinha da recente descoberta de Bertold sobre sua orientação sexual. O mesmo sentiu-se traído, acreditava saber tudo sobre o melhor amigo, descobrir que ele ocultava tal coisa de si há anos, como era previsto, os levou a discutir. E com isso, eles se afastaram, por meses, haviam voltado a conversar há pouco tempo.

– Podemos sair para comemorar isso – sorriu o loiro, de forma esperançosa. Há dias tentava resgatar a confiança de Jaeger. Sabia que ele era teimoso, por isso persistia pacientemente, mas isso não o impedia de buscar a cada dia mais aproximar-se deste.

– Sinto muito, irei para a casa de Levi amanhã. – Explicou animado. Não notou que a felicidade era apenas sua, pois sua mente voltou a viajar em pensamentos.

Estava muito empolgado não só com a visita que faria a ele, com a faxina, mas como a perspectiva de que talvez naquele mês ainda, conheceria a senhora Ackerman. E apesar de realmente ir à casa de alguém para limpar não ser algo muito ‘divertido’, na sua mente soava como reviver as experiências em que trabalhou no jardim ao lado do amigo.

– Ah, sim. Qual é o plano dessa vez? – Apesar do seu tom neutro, estava torcendo que fosse alguma festa para que pudesse ir junto. Escutar aquele nome vinha tornando-se seu maior calvário. Suas chances com Jaeger que já eram pequenas, diminuíam muito se só conseguia encontrá-lo e conversar no trabalho.

Eren pareceu pensativo sobre em como explicar a situação. Não se sentia confortável de falar tudo em detalhes, já que Braun sequer sabia a respeito do hospital psiquiátrico. Por isso optou por algo mais resumido.

– A mãe dele irá visitá-lo, sem ser nesse final de semana, no outro. E você sabe... eles não costumam se falar muito... Estão meio distantes. Irei para ajudá-lo a arrumar a casa e distrair um pouco.

Reiner absorveu tais palavras, tentando não se irritar por mais uma vez ele estar afastando-se de si... Sabia que era normal o mesmo fazer tais coisas por Armin e seus outros amigos, ele era daquela forma. Sempre se esforçando para dar suporte aos outros. Porém, sentia que a familiaridade que ele tinha com Levi era diferente da que ele possuía com outros amigos. Podia ser pois eles se conheceram na adolescência (o máximo que sabia a respeito), mas era desesperador notar toda aquela intimidade.

– Acho que meu intervalo acabou. – Disse o de cabelos castanhos, pegando a bolsa que estava no chão. Iria para o caixa para pagar o seu pedido, mas antes disso foi impedido pelo loiro.

–  Eren   – chamou Reiner, obrigando a ficar sentado na cadeira para o escutar – acho que precisamos conversar melhor, pode esperar um pouco? – A tentativa de passar tranquilidade na sua voz foi em vão, todo o seu nervosismo transpareceu.

– Claro! – Respondeu Jaeger, ainda que obviamente confuso. Esperava que não tivesse ofendido de alguma forma, concluiu, aguardando o mesmo prosseguir.

– Eu sei que prometi não fazer de novo, – começou a falar, desconfortável por ter toda a atenção voltada a si. Normalmente ele parecia estar em outra dimensão, mas naquele instante os olhos verdes estavam fixados em si. –eu... apenas sinto... que desde que nos reaproximamos, tudo que você tem feito é ficar na volta desse Levi... Eu sei o quanto ele é importante para você. É claro que entendo, mas estamos mesmo tentando algo aqui? Pois para mim parece que você já está namorando com ele e eu estou sobrando nessa história. – O loiro notou que tinha feito besteira (para dizer no mínimo), quando viu os olhos alheios tornarem-se turvos. Algo em si sabia que era muito cedo para falar a respeito daquilo, porém não conseguia evitar sentir-se daquela maneira.

A primeira emoção que invadiu Jaeger foi confusão, depois choque para então raiva. Essa que não soube disfarçar em sua expressão.  Dominado por um sentimento ruim abaixou seu rosto com os olhos fechados. Suas mãos em punho, apertando-as, no ato buscava forçar sua mente a acalmar-se. Estava enfurecido. Não queria estourar com ele justamente em um local público... Porém, toda aquela situação parecia uma cópia exata do término do namoro deles. Quando se negou a ir morar com Reiner e continuou dividindo o apartamento com Armin. Lembrava-se dele ter dito algo parecido:

 

“Você está namorando comigo ou com ele? ”

 

– Reiner... Eu não acredito que estou ouvindo isso. – Disse em um tom sério, encarando o rosto alheio. Em parte, sentia-se incomodado por ele ter utilizado os termos ‘tentar algo’ e ‘namorado’, mas estava realmente com raiva dele ter tido uma crise de ciúmes sem sentido, quando ficou dias tentando o convencer que não era mais esse tipo de pessoa.

– Me desculpe, eu só não sei como esconder como estou me sentindo. – Queria voltar atrás no seu dizer, para não provocar uma briga, mas agora era impossível.

– Se desculpe o quanto quiser, você acha que pode ficar tirando os outros para palhaço, você tinha dito que havia mudado! Chama isso de mudança?! – Apesar de controlar o volume da sua voz, continuava deixando clara toda sua hostilidade, em uma voz carregada de sarcasmo.

– Não posso ficar fingindo que isso não me afeta. – Respondeu sem hesitar.

Estava desgastado emocionalmente desde a briga com Bertold. E provavelmente tinha sido por isso que tentou reatar com o Jaeger. Ele havia sido sua relação mais duradoura, eram raras as pessoas que buscavam um relacionamento sério. Na sua imaginação bastava controlar os ciúmes e poderiam até mesmo irem morar juntos. Sim, tinha sido infantil. Não era nada fácil moldar-se para o tipo de relacionamento que Eren almejava.

– Foda-se... Foda-se você, foda-se suas desculpas... Só foda-se, okay?!  – Grunhiu, atraindo a atenção de algumas pessoas para a mesa em que estavam. – Quando você disse que entendia minha visão a respeito do amor e de relacionamentos, acreditei em você. E disse sim, quando sugeriu que começássemos com uma amizade, por que fez isso? – Indagou retoricamente, magoado. De novo, o mesmo ciclo infinito repetia-se e daquela vez eles nem mesmo tinham começado a namorar. – O amor não se trata de posse, eu não acredito nisso... jamais acreditarei. Então, quando eu digo que estou com uma pessoa, é porque eu estou com ela!! E não preciso provar isso me afastando dos meus amigos, como o Levi. Ele é o amigo que por sete anos aguardei voltar para a minha vida. A amizade dele é significativa para mim como a de Bertolt é para você. Como pode voltar para minha vida, dizer que compreende a forma como vejo as coisas e então duvidar de mim pois quero ficar próximo do meu amigo? – Eren sequer sabia expressar como se sentia traído por ele, mas a indignação estava explícita em todas as suas falas.

Havia confiado que o outro o compreenderia, que o deixaria livre para viver suas amizades, sairiam juntos, separados também e isso não prejudicaria em nada a relação que propunham a dividir. Foi um tolo em acreditar.

– Eu sinto muito Eren, você está certo, não sei porque disse que podia fazer algo que não posso. – Com uma expressão entristecida ele parecia abatido. Em sua mente, antes de vocalizar seus pensamentos, tinha total razão em demonstrar seus ciúmes. Mas agora que escutava o outro, lembrava-se que tinha tido uma crise igual com Armin há anos, logo, não se sentia mais com tanta razão. Havia estragado tudo com Eren, de novo.

– Vou falar isso para o seu próprio bem Reiner, como um colega. – Disse de maneira séria, ganhando um olhar hesitante em troca. – Quando você estiver em um relacionamento, novamente, antes de pensar em dividir atenção com o amigo dessa pessoa, pense bem a respeito. Todos temos vidas pessoais, família, amigos, colegas de trabalho, se essa pessoa escolheu estar com você, ela está com você. Ela escolheu estar com você. Isso não significa que precisam dividir o mesmo espaço o tempo inteiro ou que ela precisa abrir mão da própria personalidade por você. Amor, o verdadeiro, real, acontece quando existe a compreensão de que se aquela pessoa te ama, romanticamente, ela te ama e ponto! Não precisa provar isso virando sua propriedade. Se ela te trair, paciência, não era um sentimento real e a sua vida não acaba por causa disso. Pois você terá uma vida além do relacionamento que tinham. – Dizendo-o, Eren pegou sua bolsa e se levantou, pagando o que havia lanchado, com o máximo de rapidez possível. Estava farto de continuar naquele ambiente. De repente aquele local que tanto adorava tinha tornado-se desagradável ao seu olhar.

Mais uma vez havia falhado...

Por céus, não estava propondo um relacionamento aberto, apenas queria ter o direito de passar o tempo que fosse com seus amigos sem isso interferir na relação. Era mesmo tão difícil aceitar algo assim? Estava farto e exausto.

Ele realmente achava que iria deixar de ver Levi pois o mesmo não queria? Estava começando a achar que o amor não existia. Era apenas uma desculpa para monopolizar alguém.

 

(...)

 

Armin estava distraído mexendo no celular em um restaurante próximo à sua empresa. Estava em seu horário de almoço e infelizmente ninguém pôde o acompanhar. Eren, por exemplo, tinha ficado enrolando para deixar o computador e disse que iria comer algo rapidamente no café em frente à empresa.

Gostava principalmente quando Crista podia ir consigo, pois, aquele restaurante era especializado em culinária Vegana e Vegetariana, eram poucos que gostavam de o acompanhar. A amiga em especial, era vegana, o que facilitava. Enquanto a si, era vegetariano, não comia carne, de qualquer tipo, há dois anos.

Ymir, esposa de Crista, achava estranho aquele hábito, porém não falava nada.  Felizmente, se Armin escutasse um som com relação a isso teria que fazer um discurso de horas.

 Eren estava em um restaurante ali próximo, acompanhado de Reiner pelo que soube através de uma mensagem de celular. Achava muito engraçado que o amigo ficasse tão desconfortável com a proposta do ex-namorado, mas invés de dispensá-lo logo, continuava alimentando a situação. Desconfiava que ele tinha esperanças que o mesmo havia realmente mudado. O que era uma ilusão muito infantil.

Estava distraído lendo um post seu feito ontem no blog. No mesmo tentava explicar a respeito da falta de representatividade. Sobre como os versáteis são invisibilizados nos mangás Yaoi. E como isso contribuía para um padrão heteronormativo. Não tinha nada demais em alguns personagens serem reproduzidos em um padrão passivo frágil e ativo forte, porém, existia um problema se essa era praticamente a única representação.

Essas obras não deveriam ser feitas com o propósito apenas de sanar um fetiche pessoal, (levando em conta que o público alvo são mulheres/hétero cis) já que, a comunidade LGBT+ ainda sofre com a incompreensão.

Era algo parecido com o que ocorre com pornôs lésbicos, servindo apenas para o deleite de homens héteros cis.

Tais histórias, de conteúdo gay, deveriam ser usadas também para informar e visibilizar pessoas com orientações sexuais diferentes, construir uma história fora do padrão hétero, não apenas incentivar a libido ou bem-estar de mulheres héteros.

Arlert era o mais ‘social’ com os fãs, tanto por isso a iniciativa do blog havia sido feita por ele. Normalmente sua relação era apenas virtual, porém no caso de Luna, depois de várias mensagens trocadas no blog passaram a conversar em suas redes sociais e logo tornaram-se amigos. A mesma produzia pequenas comics online, ainda não havia terminado a faculdade de design, por isso não poderia trabalhar na mesma editora. Porém, Armin estava tentando achar um jeito de a aceitarem como estagiária.

Já se conheciam há um ano, inclusive, ela havia tornado-se sua vizinha.

Naquele momento a viu entrar no restaurante acompanhada de uma amiga. Ambas faziam faculdade juntas, próximo daquele local.

Sorriu ao perceber a coincidência de horários. Era raro de acontecer.

A garota de cabelos cor de rosa tendia a ser uma mistura de estilos: dos despojados até aqueles mais ‘fofos’. Naquele momento usava uma regata esticada que lembrava o estilo rockeiro e uma saia rodada vermelha, em seu pé um AllStar turquesa. Seus olhos eram castanho-claro e suas sobrancelhas delineadas. Para completar seu estilo, que já chamava muita atenção, ela ainda possuía um piercing no septo.

Já Heloísa, amiga de Luna, era mais contida. Seus cabelos eram castanhos, na  altura dos ombros, usava uma camiseta de anime e calça jeans. Em um estilo mais esportivo.

Não demorou muito para que depois de elas receberem seus pratos o assunto acabar indo para a temática Yaoi, visto que ambas liam os mangás da editora em que Armin trabalhava.

– Gosto da maneira como coloca as personagens femininas nas suas histórias, elas sempre são retratadas com bastante realismo. –  Enfatizou Luna. – Esse erro na hora de descrever personagens femininas não acontece apenas nos mangás, mas em obras literárias no geral. Digo, ao meu redor, o que vejo são mulheres muito fortes que passam por diversas situações e se mantém firmes. Porém, quando isso é transmitido no cinema, por exemplo, uma mulher que trabalha e tem família normalmente colocam como se ela fosse estressada e não conseguisse lidar com os dois. Ou então, a colocam apenas como bem-sucedida e se dando mal no amor. Quando na hora de relatar homens, isso não acontece. Mulheres são muito mais multitarefa. Então por que as retratam assim?

– Da mesma forma que muitos mangás Yaoi não tentam ser realistas ou buscam criar uma personalidade complexa para uma personagem feminina, ela simplesmente é a: Estragadora de shipps. Não tem nenhuma função além de ganhar ofensas por existir. Sinceramente, o que você ganha xingando uma garota em uma história, por ela estar com algum dos personagens? Se ela está ali é pois ele quis ou porque gosta de um deles, acontece. Agora ela vira automaticamente a vilã por algo assim? É tão... misógino criticar uma mulher e chamá-la de palavrões só por existir. – Declarou Armin, acrescentando a fala da amiga. Era desagradável para si que histórias com enfoque na homoafetividade perpetuassem crendices e pensamentos machistas.

– Olhe, mas acho ruim quando colocam uma personagem feminina impedindo o casal de ficar junto. Não acho que tenha nada demais em não gostar dela. – Pronunciou-se Heloísa, parecendo estranhar as falas ditas pelos dois. Como se não tivesse lógica.

Luna pareceu constrangida pelo dizer da amiga, as duas divergiam em alguns pensamentos, inclusive, Heloísa não concordava com muitas coisas ditas no blog. Porém, tinham de comum acordo que ela não falaria algo naquele estilo enquanto estivessem com Arlert.

O loiro não pareceu incomodado ao vê-la expor sua opinião. A mesma estava quieta há um bom tempo durante os diálogos que tinha com Luna, imaginava que discordasse da opinião exposta.

– Bem, acho que concordo com você. – Disse Armin, calmamente. Surpreendendo as duas na mesa. – Se estou torcendo por um casal, não quero que ninguém apareça e o ‘destrua’ – emendou – porém, essa é uma tática constante de autores, colocam mulheres que basicamente só tem a função de atrapalhar o shipp, o que promove um ódio gratuito pelas personagens femininas nas histórias Yaoi. É só uma aparecer para que todos fiquem: “Ah, vai atrapalhar, ela é a vadia destruidora de shipps…” alguém terrível que só está ali com a função de destruir a paz entre o casal. – Explicou. Mulheres já tinham diversos problemas relacionados ao machismo, reforçar isso em histórias que deveriam ter como função uma melhor aceitação social dos gays, não era correto.

– Ah, entendi, então basicamente você diz que o problema não está em ficar chateado pela separação de um shipp, mas como normalmente essa raiva é transferida para as mulheres na trama. – Concluiu a garota, pensativa.

Sempre achou os textos que lia no blog de Armin muito inteligentes, mas era apenas isso, para a maior parte das suas amigas era ok aquele tipo de conteúdo, então assumia que era para si também. Desde que tinha se tornado amiga de Luna tais pensamentos começaram a ser questionados. E sentia-se confusa em relação ao que pensar. Em parte achava exagero ver ‘problemas em tudo’, por outro lado, concordava com muitas das críticas.

– Exatamente. – Pronunciou-se o loiro, feliz pelo seu ponto de vista ter sido compreendido. Não queria moldar todos ao seu pensamento, mas gostava de explicar os motivos de pensar dessa forma, quando era questionado.

Estavam prestes a recomeçar o diálogo, para então falar a respeito do mangá produzido por Historia, que possuía uma personagem feminina forte, quando foram interrompidos. Eren aproximou-se da mesa de forma afobada e aparentando muita irritação.

– Podemos conversar, Armin? – Seu tom era de cansaço, misturado a frustração.

Havia saído correndo do restaurante em que estava com Reiner e ido até ali, onde sabia que Arlert estava, pois, o único que poderia acalmá-lo naquele momento era ele.

Assustado com a expressão no rosto alheio, mas já prevendo os motivos daquela agitação, Armin levantou-se da mesa e pedindo licença as duas garotas  acompanhou o amigo para o fundo do estabelecimento.

 

                                                     (...)              

 

A parte de trás do local era feita para mais pessoas sentarem, logo, ao invés de cadeiras e pequenas mesas, haviam bancos extensos para mais de cinco pessoas sentarem neles e mesas proporcionais em tamanho. Eren sentou-se de costas para todo o estabelecimento, enquanto Armin a sua frente, do lado oposto.  Sem demora o loiro solicitou chá de camomila para o amigo e ficou uns dez minutos tentando compreender o que havia ocorrido.

Depois de muitos xingamentos, frases sem sentido, ele ainda estava com uma expressão de quem iria matar alguém com requintes de crueldade, porém não bufava ou suspirava mais como antes.

– Deixe-me ver se entendi, você ‘terminou’ de novo com o Reiner? – Resolveu questionar, quando este explicou a situação tinha sido tão desconexo, que precisou pensar um pouco para juntar as peças.

Não era que Armin não imaginasse o desfecho quando soube das tentativas de reaproximação, mas estava surpreso pelo quanto irritado o mesmo estava com a situação.

– É simplesmente inconcebível! – Exclamou o de olhos verdes, ignorando a expressão surpresa do amigo. – Ele me prometeu que nosso relacionamento tinha feito-o ter uma nova visão a respeito de tudo e os anos que não nos relacionamos o modificaram... Por que eu tive que acreditar? – Suspirou, tentando deter a raiva explosiva que brotava em seu interior. Ele sabia das experiências ruins que seus relacionamentos fracassados causavam em si, como teve coragem de fazê-lo passar por uma situação semelhante?

– Eren, sei que está possesso por causa dele, – com razão, salientou em pensamento – mas lembra o que disse pra mim quando vocês terminaram? – Para si era difícil esquecer a conversa que tiveram, pois foi o pivô da separação.

Foi como participar do fim de uma relação, por sua culpa, ainda que não visse lógica. Eren era um recém-formado, em um emprego novo, optando por ir morar com o melhor amigo, invés do recente namorado, uma decisão sábia levando em conta que namoros terminam em piscar de olhos, diferente de amizades.

 Eren aparentando mais calma, desviou seu olhar por alguns instantes. Recordava-se da conversa que havia tido após terminar com Reiner e ironicamente, era em uma situação parecida. Porém, na época conversaram no sofá da sala de estar. Jaeger não tinha ficado realmente bravo com o término, pois a relação dos dois já havia terminado muitas vezes antes daquela vez, a cada nova demonstração de ciúmes descabida eles brigavam, ficavam sem se falar por dias, até retomarem a relação. Romper o seu relacionamento na época, havia sido até um alívio. E recordando-se disso, concluiu que foi estúpido de ter pensado em reatar aquela relação.

– Na época eu disse para você que ele provavelmente estava comigo apenas porque admirava minha capacidade de ser livre, quando ele se sentia preso em uma família homofóbica, na qual fingia ser hétero... E também, pois ajudava na sua frustração, por ser apaixonado pelo melhor amigo hétero, Bertolt. – Infelizmente Reiner não possuía tantas experiências homoafetivas devido ao sentimento que alimentava, platônico, por esse amigo, tal como por preocupar-se muito com a rejeição familiar que sua orientação acarretaria.

– E mesmo assim, em alguma parte do seu ser, acreditou que vocês dariam certo? – A expressão de Armin era como se dissesse: Por quê? Compreendia que o amigo previa um desfecho diferente, só que ignorar todos os sinais que daria errado, o intrigava.

– Também queria entender. – Respondeu, encostando suas costas no banco. Era clara a incompatibilidade, a relação havia tido tal fim devido a isso. – Às vezes mesmo sabendo a sequência dos fatos, acreditamos na capacidade humana de surpreender, tolo, não é? – Sorriu, nada humorado. Era frustrante e uma memória a mais para reafirmar sua ‘desordenada’ busca por um relacionamento romântico.

– Admiro sua força para continuar tais relacionamentos quando, claramente, a maioria dos seus namorados não compreendem sua filosofia. – Disse Armin levantando-se e sentando no mesmo banco que o amigo. Suas mãos foram as dele, afim de ter sua total atenção. – Mas acho que tem desperdiçado sua força de vontade em pessoas que foram programadas a pensarem dessa forma e que nem que tente com todas as suas forças elas mudarão. Pois elas não possuem motivo para isso.  Humanos só evoluem através da necessidade. – Sentiu uma carícia em suas mãos com o dizer e notou uma expressão triste formar-se no rosto amigo. – Por isso acho que precisa investir em alguém que já sofreu essa mudança. – O olhar confuso que recebeu o fez sorrir. Eren era tão inteligente, mas as vezes se negava ao ver o óbvio. – Nós dois sabemos da pessoa que estou falando. – Riu, ainda vendo confusão no rosto alheio. – Levi, é dele que falo. – Resumiu, fazendo o de mecha azul arregalar os olhos.

– ... Ele não acredita no amor. – Respondeu, arredio com a proposta feita por Armin. Uma coisa era uma insinuação em tom de brincadeira, outra era eles conversarem aquela possibilidade de forma séria...

Normalmente os conselhos de Arlert para si eram como ouro. Por ele nunca ter se sentido bem em relacionamentos, (não conseguir desenvolver amor romântico) ele apenas observava os namoros de longe e por isso tinha uma percepção aguçada naquele assunto. Sabendo disso, queria ouvi-lo, só que Levi e amor romântico soavam como um tabu para sua mente, algo inaceitável.

– Errado, ele desacredita no amor entre amantes. Por motivos parecidos com os seus, ele vê esse tipo de amor como uma desculpa para desenvolver uma relação de submissão, principalmente para o lado feminino. – Corrigiu, sua voz soando suave, a fim de evitar causar desconforto no já irritadiço Jaeger.  – Só que diferente de você, ele desistiu de tentar há anos. Jamais tiraria a razão dele, sou arromântico, afinal... por motivos diferentes, nasci dessa forma. Ainda assim, tal como entendo você, também posso fazê-lo com ele. Levi não se permite tentar mais, pois perdeu as esperanças que em um mundo de seres tão fabricados alguém possa compreender uma relação diferente do comum.... Agora você Eren, é o melhor amigo dele, alguém que o apoiou no pior momento, que nem sete anos foram capazes de fazê-lo esquecer.  Se tem alguém que ele daria uma chance, esse seria você. – Seu tom era o mais amável possível, ainda que firme, queria passar segurança a ele. Já havia tido diversas conversas com Hanji a respeito, sua mais recente amizade e ambos haviam chegado a tal conclusão.

Ele é meu amigo. – Afirmou em defesa, tirando suas mãos das deste e virando-se para frente. A frase soou tanto como uma desculpa e defesa, que Jaeger sentiu-se assustado.

Se enxergasse Ackerman puramente por uma perspectiva de amizade, sua resposta não teria soado daquela maneira.

– Não seria o mesmo se eu de repente desenvolver sentimentos por você...? – Apesar do tom de pergunta, seu tom de voz soou como se falasse consigo mesmo.

O loiro ficou pensativo por alguns instantes, independentemente de como analisasse, a relação de amizade que os dois partilhavam tinha suas diferenças da que Levi e Eren tinham.

– Bem... eu sou arromântico, mas se um dia você aparecesse e me dissesse que me ama ou algo parecido, eu pelo menos tentaria te corresponder...

 Se um dia Jaeger chegasse a apaixonar-se por si (em alguma realidade alternativa ou hipótese louca), provavelmente ficaria muito nervoso. Tal como ficava sempre que alguém não compreendia que não conseguia desenvolver uma relação amorosa com alguém. Mas sendo ele seu melhor amigo sentia que poderia abrir essa exceção e tentar uma relação com ele. Principalmente pois o conhecia e sabia que o mesmo iria respeitar seus limites e no instante que dissesse que queria apenas uma amizade, eles voltariam ao que eram anteriormente. Via a relação de Levi e Eren da mesma maneira, mas com mais potencial de funcionar.

– Ainda que provavelmente desse errado – quando concluiu a fala, riu um pouco, usando a mão para segurar a risada. O soava cômico imaginar algo como aquilo.

 Eren sorriu também com o dizer. Talvez pois desde que se conheceram Armin deixou claro que era arromântico, ou também porque a relação deles como amigos parecia o ideal, em nenhum instante, em todo aquele tempo de convivência, mesmo eles morando juntos pensou no Arlert de forma diferente. E ainda que sugerissem isso constantemente não se abalava. Na sua mente, eram amigos perfeitos e ponto. Por isso estava começando a sentir-se nervoso... Sua reação a insinuação feita, sobre ele e Levi, não deveria ter sido tão alterada...

Notando a guerra interna pela qual este passava, como se tivesse sido atingido por um soco, Armin resolveu parar de falar e deixá-lo com seus pensamentos. Parecia que tinha jogado uma bomba relógio nas mãos dele e saído como se nada tivesse acontecido. Mas torcia que tivesse feito a escolha certa. Mesmo que a relação não funcionasse, sentiria-se melhor de pelo menos vê-lo tentar um namoro com potencial.

 

 


Notas Finais


Sessão desculpas, caso não queiram saber pulem essa parte:

Bem, pessoal, o que aconteceu comigo desde a última vez que postei aqui? Mês de maio foi final de semestre e eu estava trabalhando na época. Se estava difícil com os trabalhos da faculdade e provas, imagine com o serviço junto... Então veio julho, minhas férias e a teoria era que teria mais tempo, porém meu serviço começou a me estressar. E só conseguia escrever final de semana. Resumindo, esses dois meses foram péssimos. Quanto mais eu queria escrever, mais estressada ficava e menos resultado conseguia.

A cada final de semana eu tentava betar um pouco desse capítulo, tentava escrever algo no ônibus, mas como nunca em todos esses anos de escritora, o trabalho me estressou tanto, mas tanto, que eu não conseguia mais pensar.

Porém, entretanto, todavia, eu saí desse emprego e agora não estou parecendo mais um zumbi. Logo, finalmente consegui escrever na fic.

Final da explicação.

Sobre o capítulo:

Meu principal agradecimento é a @LenittaT ela foi a pessoa super atenciosa que betou esse capítulo, ficamos duas madrugadas seguidas nisso então já devem imaginar o quão maravilhosa ela é, inclusive, se gostarem de Otayu, fiquem a vontade para entrar no perfil dela.

Detalhes sobre o desenvolvimento:

Nessa história eu fiz uma divisão e esse é oficialmente o começo da segunda parte do enredo. É quando Levi e Eren começam a ser cogitados como um possível casal, coisa que até então eu não havia feito em nenhuma parte. Logo, resumindo, eles não serão mais descritos como apenas amigos na história.

Espero que tenham gostado do capítulo, e apesar da demora, ainda se lembrem do roteiro. Espero vocês nos comentários! ~

Até mais ~


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...