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História Canção Vintage (Crânio Magrí - Os Karas) - Capítulo 47


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Notas do Autor


Olá queridos Karas, quanta saudade que eu estava! Parece que não pelo sumiço de tantos meses, mas eu estou contente por finalmente conseguir um tempo para escrever, e claro peço desculpas pelo sumiço. Espero que todos vocês estejam bem o possível sobre tudo o que estamos vivendo.

Não vou me prolongar. Boa leitura :)

Capítulo 47 - Adeus, Elite...


Fanfic / Fanfiction Canção Vintage (Crânio Magrí - Os Karas) - Capítulo 47 - Adeus, Elite...

Recapitulando o que aconteceu nos contos anteriores:

No final de 1987...

- Magrí e Crânio conversaram no hospital em São José dos Campos após a melhora do garoto depois de uma forte pneumonia. Magrí relata a conversa por carta para Peggy

- Os Karas ainda estão separados

No futuro em 1995...

- Magrí, Crânio e Chumbinho visitaram Andrade e o forçaram a retomar o tratamento contra o câncer e procurar Dolores, talvez o grande amor do detetive

- Crânio tem que voltar para o EUA para finalizar o mestrado e deixar a noiva Magrí por mais alguns meses

- Dani está confusa sobre Miguel e sua declaração de amor, e não quer vê-lo nem pintado de ouro, mas o garoto não vai desistir dela.

***

Dezembro de 1987

O ginásio do Colégio Elite era imponente demais e assustador quando estava vazio e silencioso para um estranho, mas não para a única aluna que se pendurava nas barras assimétricas. Ela pulava de uma barra para outra com destreza e elegância. A menina se balançou e girou uma última vez antes de cair ao chão em pé. 

Suspirou frustrada. A sua finalização não estava boa, pois estava sem forças o suficiente nas pernas para amortecer o pulo. Aquilo poderia lhe custar preciosos pontos no ano que vem, na competição que já a assombrava: as Olímpiadas de Verão da Coréia do Sul.

“Se eu não tivesse relaxado tanto nos treinamentos eu não estaria sofrendo agora”, pensou irritada.  

Magrí se sentou no chão do ginásio contemplando as paredes e o teto. Ainda não conseguia acreditar que já estava na contagem regressiva em deixar o colégio em que estudou nos últimos anos. Toda a sua vida até ali estava ligada ao Elite, seus corredores, jardins e salas; tinha muitas lembranças felizes e também lembranças tristes. Passou bons momentos e maus bocados por ali. Por mais que as lembranças ruins ainda eram dolorosas, Magrí não trocaria os seus anos no Elite por nada no mundo. 

A menina se levantou e foi até o vestiário tomar banho e se arrumar para voltar para casa. Quando adentrou a quadra do ginásio, a comissão de formatura já estava organizando o local para a festa depois da colação. Alguns alunos acenaram para Magrí e perguntaram como ela estava, e ela sempre solícita sorria e dizia que estava tudo bem. Dentre as pessoas que estava calculando os espaços para mesas, cadeiras e para a pista de dança estava o próprio presidente do grêmio estudantil, Miguel. Não seria possível se evitarem e todo mundo acharia suspeito que o presidente do grêmio não demonstrasse frieza para com a melhor atleta da escola. Porém não foi esse caso pois Miguel se aproximou com timidez. 

Depois de trocarem os cumprimentos de praxe, Miguel perguntou sobre um assunto que lhe tirava um pouco o sono nos últimos dias.

— Você tem notícias do Crânio, Magrí?

A menina o fitou com cautela ponderando até onde poderia partilhar detalhes da hospitalização de Crânio com Miguel. Qualquer coisa que envolvia os três era algo delicado.

— Ele está melhor, Miguel e está de volta a São Paulo para formatura. Disse que estaria presente mesmo ele não sendo obrigado.

Miguel sorriu levemente.

— Ah verdade, ele já se formou oficialmente. Ele nos deu um susto e tanto...

Magrí forçou um sorriso como se o que Miguel disse fosse a coisa mais casual do mundo, e que ele e Crânio não estavam se falando há quase um ano. A menina começou a caminhar lentamente para fora do ginásio em sinal de despedida para com o amigo, mas Miguel — em vez de voltar para continuar ajudando na comissão de formatura — passou a caminhar ao lado dela com as mãos nos bolsos, na maior casualidade possível. Se era verdadeira ou não, Magrí não sabia dizer. 

Os dois não conversavam de verdade havia muito tempo. Tudo o que conversavam era superficial e corriqueiro nos últimos meses. Parecia que os segredos e as aventuras que partilharam nos anos anteriores era apenas um passado distante. Depois da noite de formatura, cada Kara seguiria definitivamente o seu próprio caminho. 

Não era assim a vida? Naqueles anos se preocuparam com várias coisas, desde saíram vivos de aventuras mirabolantes, como também de passarem nas provas e não perderem aquela festa. Agora, depois daquela noite simbólica, a vida não seria mais tão simples. 

— Eu fiquei sabendo pela Natália que você não vai prestar o vestibular ano que vem — começou Miguel tirando Magrí do seu devaneio. 

— É verdade, vou deixar para depois das Olímpiadas. Você sabe, não vou conseguir dar conta dos dois — ela riu levemente —, os treinos vão ser intensos ano que vem.

Miguel acenou em entendimento.

— Eu ainda não sei como vai ser ano que vem. Ainda tenho que me apresentar no Exército... tudo vai depender disso.

Magrí sentiu alguns calafrios quando Miguel mencionou o Exército. Calú e Crânio também já estariam na idade de se apresentarem no próximo ano. A menina estava doida para saber o que estava realmente se passando na cabeça dos três sobre aquilo tudo. Conhecendo eles como só ela conhecia ela não tinha dúvidas que se os três tiverem a opção de escolher, eles iriam se pensar duas vezes. Eram garotos corajosos, cada um à sua maneira, e que adoravam ser desafiados. O regime no quartel era um tanto cruel muitas vezes, principalmente para jovens recrutas. Sabia que estaria sozinha na opinião de que ir para o quartel não era uma boa ideia, já que Chumbinho com certeza não abriria mão da experiência quando se apresentasse. 

Havia outro problema: se os três fossem servir, ela raramente conseguiria vê-los com frequência. 

— Acho que vão acabar te dispensando, Miguel. Acho que Crânio e Calú também — começou Magrí tentando ao máximo soar despreocupada —, você e Crânio querem ir para a universidade logo e Calú já está quase de mala pronta para os EUA para estudar...

— E ver a Peggy — Miguel balançou a cabeça rindo.

— Exatamente! — Magrí riu de volta —, não acho que ele vai querer ficar trancafiado em um quartel por meses sem poder ter a liberdade de viajar para ver a Peggy ou continuar os estudos.

Miguel ficou pensativo antes de responder.

— Não posso afirmar por eles, mas se me derem a chance de escolher, eu vou aceitar servir nem que seja apenas por seis meses. Acho que vai ser bom... para esfriar a cabeça, sabe.

Magrí acenou engolindo em seco. Parece que a separação já a estava engolindo como um tsunami. A separação aconteceria de qualquer forma, mas os planos de Miguel tornavam tudo mais real — e a menina não estava pronta para lidar com tudo aquilo de uma vez. 

Miguel caiu em silêncio de novo e Magrí não ousava reiniciar a conversa enquanto caminhavam pelos corredores vazios do Elite. A menina sentia que o rapazinho tinha alguma coisa de muito importante para dizer, mas que ainda não tinha ou encontrado as palavras ou a forma de abordar o assunto. 

Miguel estava taciturno pela testa franzida e olhar distante. O coração de Magrí começou a disparar, e a passagem dos minutos e o silêncio a deixavam ainda mais ansiosa.

O que ele queria dizer? Iria dizer o que ele queria dizer há tanto tempo? Será que a aproximação da formatura fez com que tomasse coragem?

— Há uma coisa que eu preciso te dizer, Magrí.

Ela virou a cabeça num estalo com os olhos arregalados. 

Então estava certo, Miguel ia mesmo dizer o que queria dizer há muito tempo. 

— Acho... acho que você me odeia agora, não é Magrí? Por tudo o que fiz?

Ela parou no meio do caminho e ele também. 

— Você está enganado. É claro que não te odeio, a palavra é muito forte... — Magrí parou engolindo em seco —, acho que o certo é dizer que ando chateada com você e um pouco irritada de vez em quando.

Miguel massageou as têmporas e depois deu um longo suspiro. Encarou Magrí como a visse pela primeira vez. Imagens passaram pela cabeça do garoto quando se recordou da primeira vez que a viu. Sempre se sentia um idiota, um cachorrinho na coleira quando ela estava por perto. O que começou como um amor platônico virou uma bola de neve e se tornou um amor de verdade a ponto de doer.

Mas Miguel ainda tinha os pés no chão e não se perguntava se seu amor por Magrí se intensificou mais porque não poderia ficar com ela? 

— Os Karas serão sempre o meu orgulho, Magrí. Se tem uma coisa que olho para trás e quero continuar pensando assim quando deixar o Elite, é que a melhor coisa que fiz foi formar esse grupo — ele sorriu timidamente —, não trocaria os anos que tivemos por nada.

Os olhos de Magrí se encheram d’água, mas ela segurou-as bem. Já sabia que choraria horrores na hora que ele fosse fazer o seu último discurso como presidente do Grêmio e orador da turma dos formandos. 

Miguel riu um pouco forçado.

— Não posso mencionar os Karas no meu discurso, mas eu vou lembrar das nossas aventuras enquanto estiver falando. 

— Por quê, Miguel? Por que não diz isso a eles uma última vez? — a voz de Magrí saiu entrecortada.

O garoto baixou os olhos em tristeza.

— Eu não consigo, não agora...

Ele parou e olhou para Magrí profundamente. A menina parecia que via além da aparência cansada de Miguel. Via o garoto ambicioso que tinha grandes sonhos e um futuro brilhante; viu também destreza, medo e insegurança, tudo misturado. E por fim, viu um garoto que ainda a amava, apesar de tudo o que havia acontecido entre eles no último ano. 

Magrí se aproximou e timidamente o abraçou. Miguel ficou um pouco surpreso no início, mas em seguida a abraçou de volta. Ela fechou os olhos e por alguns instantes se esqueceu de tudo, das preocupações que sentia nos últimos tempos e da velha dor que a acompanhava. 

***

O burburinho preenchia o ar. Era visível a atmosfera de excitação nos jardins do colégio Elite e dentro do ginásio onde seria a formatura da turma do terceiro ano. Havia pais e alunos se abraçando, amigos que não se viam há tempos aparecendo para o grande dia — a felicidade não era tímida. 

Crânio já tinha perdido as contas de quantos abraços de felicitações e parabéns havia recebido desde quando chegou. Houve muita especulação na escola nas semanas que antecediam a cerimônia se o aluno mais inteligente do Elite por fim voltaria para se despedir. Para a alegria de muitos professores, Crânio apareceu e não conseguiu trocar meia dúzia de palavras com um animado Chumbinho antes de ser engolfado pelos professores para tirar fotos — e muitas fotos.

O garoto já estava com o maxilar doendo de tanto sorrir e já não aguentava mais os flashs das câmeras. Com um olhar suplicante, encarou Calú — muito mais bonito por sinal com a beca de graduando por cima da roupa social, parecendo um modelo da Armani do que um estudante — que veio em socorro do amigo. 

— Posso roubar a atenção do Crânio um pouco? Vocês sabem, não colocamos o papo em dia há meses — ele sorriu da forma mais brilhante. 

Não foi difícil puxar o amigo para longe dos professores e Crânio suspirou de alívio, e depois riu:

— Eu não nasci para essa vida de tapete vermelho de Hollywood não, Calú.

— Se você um dia ganhar o Prêmio Nobel e ficar famoso, já vá se preparando! — Calú balançou a cabeça rindo. 

Crânio encarou o amigo e por trás dele viu um grupo de seguranças entrando pelo ginásio.

— Peggy vai vir mesmo? 

— Por que você acha que o Elite está em polvorosa? — Calú sorriu mais ainda e continuou um tiquinho arrogante —, estão dizendo que ela vem por causa de Magrí, mas é claro que não é todo mundo que sabe a verdade que ela veio por minha causa. 

Agora estava explicado porque aquela formatura estava mais para um evento de gala bem espalhafatoso do que o normal do Elite. Porém Crânio não estava incomodado. Era engraçado de admitir que tinha sentido falta da velha escola por ter ficado o último ano fora — talvez deveria ter aproveitado o último ano para se despedir e não pulá-lo com uma prova como havia feito. Assim como os outros Karas, o garoto estudou ali por toda a vida.

Estava perdido em reflexões quando viu um vulto com a beca azul igual a dele, mas com um vestido rosa por baixo e saltos finos. Era Magrí que passou pelo lado dele e de Calú e carinhosamente cumprimentou os dois. Discretamente, sem saber se foi o geninho ou ela que se aproximou primeiro, Crânio apertou suavemente a mão de Magrí antes dela sair para tomar o seu lugar. O gesto não passou despercebido para Calú que apenas levantou a sobrancelha em curiosidade. 

Quando estavam sozinhos indo com os outros formandos para os seus lugares, o jovem ator apenas comentou:

— Quer um babador, Crânio?

O rapaz se limitou apenas a revirar os olhos.

— Vá ver se estou na esquina, Calú.

Calú riu alto.

***

O discurso de Miguel foi o mais comovente de todas as outras formaturas que o Elite já havia organizado. O garoto parecia querer esconder a emoção, mas muitas pessoas não tiveram tal preocupação e deixaram as lágrimas cair. 

—... Aqui eu fiz muitos amigos os quais eu levarei para o resto da vida. É verdade que a amizade nem sempre fácil e que há atritos entre amigos. Sempre houve, mas de um jeito ou de outro, não importa o tempo que dure, as feridas se fecham e as diferenças são superadas....

Os outros ex-Karas sabiam muito ao que o seu antigo líder estava se referindo, até mesmo Dani que estava como convidada com Chumbinho ao lado dela. A garota faria companhia para o rapazinho, pois ainda tinha mais um ano na escola. Sentiria falta daquela turma, mas principalmente de Miguel. Balançou a cabeça.

“Está na hora de esquecê-lo. Não vale a pena e eu tenho uma vida inteira pela frente...”

A boca de Chumbinho tremia enquanto Miguel discursava. Por mais que estivesse profundamente chateado, o garoto reconhecia toda a integridade do amigo, via todas as qualidades que fazia querer imitá-lo. Miguel podia não ser bom em lidar com as próprias emoções, mas sempre foi um líder exemplar e uma pessoa a quem podia confiar. Continuaria se apoiando em tudo o que de bom o rapaz possuía.

Magrí por sua vez estava pensativa. Quando se abraçaram no corredor dias antes, por um segundo achou que Miguel a beijaria, mas o rapaz se limitou a dar um beijo na testa da menina e pediu que deixasse dançar com ela uma vez durante a festa. Ela, é claro, aceitou. Ela viu Peggy sentada em um canto atenta na cerimônia, mas cercada de seguranças disfarçados. Magrí acenou e a americana acenou de volta sorrindo e revirando os olhos pelos seguranças ao redor. Magrí riu, sabia bem o que Peggy estava pensando. 

Por fim o discurso terminou numa chuva de aplausos e assobios dos alunos. Miguel definitivamente faria falta no Grêmio, mas o rapaz deixou um legado e o próximo presidente — que seria escolhido no início do ano letivo — teria que estar à altura do primeiro presidente. Em seguida, seguindo o protocolo, alguns alunos foram homenageados por seus desempenhos na escola ou por qualquer outro destaque importante. Calú recebeu um prêmio por seus trabalhos no teatro, principalmente por sua atuação em Romeu e Julieta. Magrí viu Peggy sorrindo de orgulho. Em seguida, ela mesma foi chamada a receber o prêmio pelo desempenho no vôlei e na ginástica — sem mencionar que representaria o Brasil na ginástica nas próximas Olimpíadas. Depois Crânio também recebeu prêmio pelos impecáveis três anos como melhor aluno da escola e pelo Xadrez. Por fim, o próprio Miguel foi homenageado como idealizador e presidente do Grêmio Estudantil duas vezes seguidas. 

Foi uma noite de grande solenidade, homenagens e despedidas. Era nítido no olhar dos professores que aqueles eram os melhores alunos que a escola já teve, e que dificilmente o vazio que eles deixariam seria fácil de preencher. 

No término da cerimônia, Dani veio de encontro a Magrí segurando a Polaroid da menina.

— Magrí, posso tirar uma foto sua com todo mundo reunido? Peguei sua câmera com o Chumbinho.

— Claro que sim! — Magrí se animou —, espera, vou chamar os outros.

Cinco minutos depois Magrí conseguiu arrastar Crânio, Calú, Miguel e o próprio Chumbinho para uma foto em grupo. Tímidos eles se aproximaram, com Magrí no meio ao lado de Crânio seguido de Miguel e Calú e Chumbinho agachado na frente de Magrí. 

Ela e Crânio, usando do tecido da beca como disfarce, ficaram de mãos dadas. Os dois ainda estavam tímidos um com o outro, e não haviam reatado o relacionamento... mas o carinho era grande demais para ser contido. Havia muito a dizer, mas ainda estavam um pouco confusos e receosos como se tivessem voltado a estaca zero de quando se conheceram — no que parecia ter sido anos antes Eles se olharam rapidamente antes de Dani se arrumar para tirar a foto.

— Digam xis!

***

— Obrigado por aceitar dançar comigo, Magrí. Só peço desculpas por eu ser um péssimo dançarino. 

Magrí apenas sorriu.

— Está tudo bem, a música é lenta e não precisa fazer tantos movimentos.

A festa de formatura estava animada. Como sempre, os mais jovens tomaram conta de todo o espaço, enquanto os mais velhos ficavam nas mesas nos cantos do ginásio. Em uma das mesas, uma garota de cabelos ruivos fitava o casal tentando não fulminar a cena com os olhos, enquanto o irmão disfarçava os ciúmes conversando com um colega de sala. Calú e Peggy não se desgrudavam desde quando a festa começou e os dois pareciam muito satisfeitos em ficarem à sós. 

Dani estava se deixando levar por pensamentos amargos que não percebeu um rapaz se aproximando dela — um dos formandos da turma de teatro de Calú — que educadamente tocou-lhe o ombro.

— Quer dançar comigo? Você é bonita demais para ficar triste.

Dani piscou encarando o rapaz.

— Eu não estou triste, mas... ah deixa para lá.

O rapaz sorriu e continuou com um pouco de flerte na voz.

— Seja quem ele for, gata, você é boa demais para ele. Vamos?

Dani se lembrou do que havia dito a si mesma nos últimos meses: era hora de esquecer Miguel. Determinada, ela sorriu para o rapaz e deixou que ele a tirasse para dançar. 

Magrí se separou de Miguel e procurava os outros amigos. Avistou Chumbinho primeiro e o arrastou contrariado para a pista de dança.

— Mas Magrí, não sei dançar!

Calú e Crânio não conseguiam conter a risada ao ver como Chumbinho não ficava na altura de Magrí quando ela estava de salto. A música era animada e todo mundo estava dançando em pares.

— Chumbinho, não precisa ter medo de mim!

Chumbinho parecia um boneco de posto tentando seguir o ritmo da música só com os braços, pois o resto do corpo estava plantado no chão. Deu um olhar fulminante a Calú e Crânio que estavam rolando de rir dele — até mesmo Dani do outro lado da pista de dança com o seu par começou a rir. 

— Essa música não acaba nunca? — gritou ele.

— Anda, me gira, Chumbinho!

Para o alívio dele, a música terminou e muito contrariado o garoto voltou para mesa morrendo de cede. Para sua sorte, Natália não tinha visto aquela demonstração ridícula da sua falta de gingado na pista de dança, porque ela estava no jardim tirando fotos. 

Calú teve a sua dança com a menina — e os dois não paravam de rir das palhaçadas que faziam — e por fim Magrí dançou com Crânio.

Era nítido que ainda havia algo de especial pela reverência que um tinha pelo outro. Ela encostou a cabeça no ombro dele enquanto dançavam como sempre fazia; Crânio aspirou o perfume que vinha dos cabelos de Magrí como também sempre fez. 

Quando a música acabou, eles saíram discretamente até o jardim com Magrí apoiada no braço dele. Caminharam pelas alamedas iluminadas com luzes coloridas em silêncio por vários minutos. Queria perguntar muitas coisas a ele: o que faria no ano que vem, se aceitaria servir no Exército se fosse chamado, o que seria dos dois depois daquela noite... queria perguntar, mas dizer seria ecoar uma realidade que ela ainda não queria encarar. Não, não naquela noite tão bonita e tão melancólica. 

A música estava abafada pela distância que estavam. Os dois olharam a fachada do Elite como se contemplassem uma pintura juntos e estivessem fora daquele quadro.

— Você não tem medo do que nos espera fora desse lugar? — perguntou quase num sussurro.

Crânio a olhou com carinho.

— Eu estive fora e devo te dizer que não é a mesma coisa. Mas vai dar tudo certo.

Magrí quase disse “e nós? Também daremos certo depois que essa noite acabar, Crânio?”, mas se conteve. Estava tão confusa e assustado quanto ele pelas consequências do que fizeram. Não sabia o que Miguel estava pensando, mas temia que talvez ele ainda estivesse com as feridas abertas. 

Tempo, dizem... o tempo cura qualquer coisa. 

Sentiu que Crânio a puxava para si e os dois se abraçaram de novo. O rapaz de um beijo no ombro, depois na bochecha, na testa e nos olhos de Magrí. O coração dela galopava no peito enquanto sentia que ele segurava o seu rosto com as mãos.

— Eu sei que fui um idiota, mas eu senti muito a sua falta, minha querida — sussurrou. 

Sem se conter, ela aproximou o rosto antes que ele tomasse a atitude, e os dois se beijaram, um beijo cheio de saudades, de receios... um beijo com gosto de ternura e das muitas despedidas que ainda compartilhariam.

 


Notas Finais


Faz tanto tempo que não escrevi nessa fic que pode ser que tenha algum erro de continuidade que passou despercebido, mas espero que tenho gostado. Sempre quis ver a formatura dos Karas, mas o tio Pedro não deu isso para gente na Droga da Amizade, mas ok né rsrs.

Bjos e até a próxima!


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