História Candy, cats and cuddles - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Doces, gatos e chamegos


Osaka é um lugar agitado e contagiante. Estava aqui pensando em como essa cidade me faz ficar curioso. Quer dizer, Shibuya também é assim e não estou menosprezando ela e nem nada, mas... Me sinto estranhamente diferente aqui. Caminho pelas ruas enquanto sentia o cheiro de comida, em todas as direções, fazendo-me sentir fome a ponto de minha barriga roncar.

— Ora, ora! Acho que estou com fome!

Em passos saltitantes, acabo indo até uma barraquinha para pedir um takoyaki. Sentado numa mesa próxima, pego meu celular e começo a reler mensagens até minha comida ficar pronta. A  mensagem que eu reli foi a última que eu havia mandado, todas direcionadas para Ichijiku. Informações sobre a nova divisão que estava se formando, Dotsuitare Hompo. Eu estava nessa vida de "cachorrinho" da Superintendente fazia muito tempo e não que tivesse chances de escapatórias das mãos daquela ruiva mandona, mas eu não havia motivos pra querer sair dali e lutar.

Fechei meus olhos e no mesmo instante abri-os novamente, saindo das conversas enquanto o papel de parede de seu celular se destacava em meus olhos. Era eu, Gentaro e Dice. Eu não sabia o que ou por quê, mas apreciava a companhia daqueles dois idiotas. Minhas análises foram interrompidas quando percebi que a comida já estava em mesa. Osaka sempre foi conhecida pelas melhores culinárias japonesas e realmente, o título é merecido com razão.

Enquanto comia, escuto miados. Não eram altos e estavam fracos. Coloquei o dinheiro sobre a mesa e levando o takoyaki na mão pelo pacote que estava embrulhado, segui em direção ao barulho chamativo que estava prendendo minha atenção. Numa parte não tão movimentada, acabo me deparando com um filhote de gato. Pequeno e frágil, um felino negro de olhos verdes. Sozinho e abandonado, sem uma mãe por perto, aproximou-se de mim como se pedisse por abrigo.

— O que eu devo fazer?

Perguntei para mim mesmo, pensativo.

— Ah! Talvez você esteja com fome?

Retirando um takoyaki de seu pacote com um palito aproximo a comida da boca do gato, mas uma mão com luvas brancas atrapalha, servindo de barreira para o gato não comer.

— Se você fizer isso, o gato morrerá.

Minha cabeça virou lentamente e meus olhos arregalaram-se naturalmente. Acabo me levantando e coloco o último Takoyaki na boca, jogando numa lixeira próxima e voltando, segurando as minhas mãos atrás das próprias costas. Era Jakurai Jinguji, o irritante... Jakurai... Jinguji.

— Não sabia que era veterinário, Jakurai!

— Qualquer um sabe que polvo em massa frita não é comida para um filhote de gato comer.

Ele disse com ar pomposo.

— Meh. De qualquer forma, obrigado pela dica! Agora estarei levando ele! Bye, bye!

Disse enquanto me ajoelhava para se aproximar do filhote e levá-lo para o local onde eu estava hospedado.

— Você? Levar ele? Certamente, você mal sabe cuidar de si mesmo e acha que tem capacidade para cuidar de um animal pequeno?

— Eu vou levar ele, Jakurai. — Levanto e o encaro seriamente. — Nem que eu tenha que usar meu Hypnosis Mic aqui.

— Não vou deixar você apodrecer esse dócil gato. Se tiver que ser assim, assim ser...

O alto miado interrompeu nossa discussão, fazendo tanto a mim quanto o doutor suspirarem e darem atenção para o felino.

— Eu suponho que você esteja aqui só de passagem! Já faz alguns dias que estou aqui então certamente estou hospedado num hotel, então... Ele vem comigo! Hyehye!

Colocando o gatinho no meu colo, percebo que ele se acanha em meus braços e fica em silêncio. Também noto que ele não possui uma pata traseira, deixando-me um pouco sentido.

— É necessário que alguém dirija para você e eu vim de carro, além do mais irei verificar a saúde do mesmo, se não se importar.

Apenas confirmei com a cabeça. Deixando nossas diferenças de lado, intrigas e rivalidades, fomos em silêncio para o local onde eu estava permanecendo. Tudo isso porque nossos corações haviam se comovido com o pequeno e assustado filhote.

Corações... Comovido...?

Em toda sua vida, sempre fui chamado de uma pessoa que não sentia emoções por ninguém e que havia perdido a humanidade ao longo do tempo. Jinguji era uma dessas pessoas.  Não se lembrava como era ser alguém mais "humano", mas as vezes tinha frustrações e queria sentir aquilo, sentir de novo essa sensibilidade. Abri a palma da minha mão e fiquei observando-a até meus olhos avistarem meu reflexo no espelho.

Será se eu realmente sou assim? Será se esse sou eu de verdade?

— Amemura-kun.

Meus olhos foram em direção ao mais velho, que estava com uma expressão séria.  Para ele, ter aquele tipo de expressão era normal, mas havia algo errado. Seus olhos estavam... Tristes. Eu era suficiente capaz de entender o que aquilo significava aquele olhar. Somos rivais que se odeiam, mas nos conhecemos melhor do que qualquer um.

— O que houve, o que houve?

— Aquele filhote de gato já estava em péssimas condições. Ele parou de miar e só está deitado no momento. Percebi que há alguns machucados pelo seu corpo... É possível que ele não havia um dono que o tratava muito bem. É lamentável dizer isso, mas... Ele está na beira da morte...

— Isso... É mentira, né?

— Queria que fosse também...

Não consegui reagir. Não consegui demonstrar uma emoção em meu rosto. O choque havia tomado conta de mim. Não havia se passado nem uma hora e aquele filhotinho havia colocado tantas memórias boas em mim... Não queria acreditar nas palavras do doutor, mas Jakurai era um dos melhores médicos de Shinjuku e ele nunca mentiria. Meu corpo reagia sozinho, sentei no sofá com a cabeça baixa.

— Amemura-kun. — Ele havia sentado ao meu lado. — Estou frustrado também por não conseguir salvar aquele pequeno paciente que tanto mexeu conosco, mas... Pense que agora ele não irá sentir tanta dor.

— É.

Foi a única coisa que consegui responder.

— Amemura-kun. Não queria fugir do assunto porque não parece ser um momento apropriado, mas... Algo em você mudou.

— Hm?

— Está mais diferente. Isso seria... A sua humanidade?

— E isso ainda existe em mim?

— Sempre esteve aí, mas você a manteve trancada por muito, muito tempo.

— Então é isso...

— Eu acredito que a Fling Posse foi a melhor coisa que você fez na sua vida.

— Como assim, velho?

Levantei a cabeça, sem entender.

— Aqueles dois de sua equipe. Quando você está com eles, você se sente um pouco mais vivo, não é?

Em silêncio, fico sem resposta.

— Ser você mesmo não é um pecado, Ramuda. — Ele continua. — Estar feliz quando quiser estar feliz, estar triste quando quiser estar triste ou irritado quando quiser estar irritado... Você não precisa fingir para agradar os outros. Você pode ser você. Ninguém vai lhe julgar, apenas liberte-se de sua prisão.

Ainda fico em silêncio. O que responder? Eu não fazia a mínima... Mas algo diferente aconteceu. Lágrimas surgiram dos meus olhos sem que eu conseguisse controlar. Sentia meu coração palpitar intensamente, de nervosismo, ansiedade... Tudo misturado. Aquelas palavras foram doloridas para mim. Estava triste pelo gato, mas aquilo serviu como uma chave para destrancar os meus próprios sentimentos. Jakurai observava a mim surpreso, talvez ainda não estivesse acreditando no que estava vendo, nem eu mesmo sabia... Mas minhas bochechas coraram e me fizeram cobrir meu rosto, aproximando de seu peito para ele não me ver.

— P-pare de me olhar, seu Frankenstein! É vergonhoso...!

Falei enquanto as lágrimas desciam e molhavam a camisa dele.

— Perdão, eu só fiquei desacreditado no que eu vi. É... Novo.

— Pare! Isso me deixa com mais vergonha! Estúpido! Idiota!

A mão dele se pôs sobre a minha cabeça, misturando seus dedos aos meus fios rosas. Afasto meu rosto lentamente para ver um Jinguji sorrindo. Ver ele assim, sorridente, é algo tão diferente. Fazia meu coração palpitar mais bruscamente.

— Vamos parar com essa boiolice... O gato ainda está aqui...

Falei ainda envergonhado, olhando para os lados sem conseguir encarar o maior.

— Sim, é claro.

Ele riu e logo se levantou para procurar o filhote e fazer os últimos preparativos com o frágil animal.

Ainda jogado no sofá, peguei meu celular e corri atrás de uma foto muito antiga na galeria. Nela, estavam eu e Jakurai há quase três anos atrás. Nesse tempo, éramos íntimos e não havia nenhuma rivalidade odiosa entre nós. Já havia tentado apagar inúmeras vezes aquela fotografia, mas todas sem sucesso, era como se havia algo que me impedisse de fazer e por isso ainda mantive sem a deletar. Um sorriso formou em meu rosto ao observar ele, comparando a foto de anos e ele agora, brincando com aquele animalzinho e acariciando-o com todo o cuidado do mundo.

— Você continua incrível, Jinguji-kun.


Notas Finais


Oi, oi gente! Minha primeira oneshot de Hypmic e SIM, um dos meus ships favoritos, JakuRamu! Essa fic foi inspirada em um gatinho de rua que acabei conhecendo também e me comovi muito, então quis fazer algo que sempre me lembrasse do dia que conheci o Gancho, o nome do gato que eu dei quando encontrei ele abandonado numa rua. Enfim, espero que vocês tenham gostado! Amo vocês!


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