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História Canícula - Capítulo 1


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Notas do Autor


Por que todo mundo sabe que as duas deveriam ter se beijado na droga daquele cinema.

Capítulo 1 - A Calma


"This is the start of something beautiful. This is the start of something new." - Ed Sheeran 

 

- Só drogada mesmo! - Entre risadas e piadas, eu contava com detalhes como beijei Noah, meu melhor amigo. Não que ele não seja bonito e inteligente mas é meu melhor amigo e na época, eu estava apaixonada pela Emma e com remorso de tudo o que aconteceu. Não muito diferente de agora, para falar a verdade. 

- Uma pena a Zoe... - E lá se vão as risadas. Desapareceram.  

No meu quarto, apenas o som das nossas respirações. Emma, antes brincando com meu edredom, estava inquieta por ter tocado no assunto. Trouxe de volta o peso da realidade que ainda não estávamos acostumadas e ali, com tudo certo e nenhum ponto faltando, estávamos apenas tentando mais uma conversa. Ultimamente Emma sempre sai de casa com um ar negativo e eu estava disposta a mudar aquilo, pelo menos uma vez! 

- Parece que ele dá mais azar com garotas do que eu. - Seu olhar chocado demorou a perceber que era uma piada. Infeliz, claro, mas ainda sim uma piada. E mesmo rindo, ainda estava com o olhar de choque porém decidi mandar tudo para o alto de vez! A vida era uma infeliz e grande piada, só nos basta escolher entre rir ou levar a sério.  

- Pelo menos ele ainda tem você. - Ri ainda mais com sua constatação. Saindo da poltrona, me juntei a ela na minha cama grande o suficiente para nós duas. Seu corpo estava de bruços e lá estava novamente a mania de Emma, quando estava relaxada e sem pensamentos negativos: Torcer linhas soltas do meu lençol.  

- Se for assim, eu não estou tão ruim. - Há tanto tempo não encarava os olhos de Emma. Âmbares e brilhantes que sempre me tiraram o sono. - Tenho você, certo? 

- Não conte com isso. - A decepção bateu novamente e forte. Tudo o que faço para reconquistar sua confiança parece uma grande falha apesar de que, dessa vez, achava que tinha chances. Suspirei, fingindo um sorriso e deitei meu corpo todo na cama, lado a lado com Emma, encarando o teto. - Precisa me conquistar primeiro, né?! 

Me preocupo tanto em conquistar sua confiança que não enxerguei que já havia conseguido e provavelmente a muito tempo. O que me deixou surpresa foi seu tom de voz, como um flerte. Desde quando Emma Duval flerta com garotas? Desde quando flerta comigo? 

Eu enlouqueci de vez. 

- Pensei que já havia conquistado. - Sua risada foi abafada pelo meu travesseiro que ela agarrou e abraçou, apoiando sua cabeça. Seus fios claros espalhados pela minha cama, fez com que a nostalgia atingisse e as lembranças de como eu sempre gostei de admirar sua beleza, voltaram. Essas lembranças, de quando eu era tola e confusa comigo mesma, fizeram com que eu a odiasse. Odiei simplesmente não ter coragem para dizer o que, no celeiro, com tanta pressão em cima de mim, gritei.  

"Você quebrou meu coração!" 

- Não vai achando que é tão fácil assim, Jensen. Pareço fácil pra você?! - Completamente deitada e relaxada em minha cama, Emma continuava flertando. Comigo.  

Eu sabia que era um flerte mas... Até onde ela iria?  

- Bom, eu me dou bem com garotas, sabe?! - Ela bufou e levantou o corpo, rindo alto, ainda na cama. Bagunçando o edredom e os lençóis da cama, sentou com as pernas cruzadas, arrastando o travesseiro para seu colo. Encarei seu rosto que sorria, completamente relaxado. - Faz tempo que não te vejo assim, relaxada.  

- Você tem esse poder. Eu deveria detestar você. - Puxei o travesseiro que estava em suas pernas e coloquei atrás de minha cabeça, ajeitando meu corpo na cama. Com um braço atrás de meu pescoço, firmei minha cabeça para encará-la, levando minha mão livre para seu tornozelo, puxando sua mão e entrelaçando nossos dedos. - Mas você nunca deixaria, né?! 

- Não. Nunca. Jamais. Eu amo você, Emma. - Rindo suavemente, acariciou minha mão. Vi em seu rosto a dúvida e o brilho da curiosidade que como sempre, era muito maior e mais poderoso do que ela.  

Tentei segurar o riso quando ela deitou novamente em poucos segundos, bufando, ainda com nossas mãos juntas. De lado, deixou uma perna esticada enquanto a outra, levemente dobrada, encostava em minha própria perna coberta com um jeans justo. Encarei novamente o teto, para tirar da cabeça a visão das pernas brancas e lisas de Emma, cobertas apenas com um short vermelho. Apoiando sua cabeça em meu ombro, suspirou pesadamente fazendo com que eu arrepiasse levemente com sua respiração perto do meu pescoço.  

- Desculpe fazer você sofrer, Audrey. Se eu soubesse... - Sua voz calma e baixa, seus dedos acariciando minha mão, os sons das nossas respirações juntas, tudo ajudava ainda mais para que meu corpo ficasse quente. Não como luxúria e sim, carinho. Estava escrachado em seu jeito o quanto ela se importava comigo e todo meu remorso, voltou ainda mais forte. A culpa foi toda minha de não me comunicar o suficiente com a minha melhor amiga, mesmo estando com medo de sua reação afinal, ela parecia sempre tão intocável.  

- Se soubesse...? 

Não sei dizer em qual instante do silêncio Emma levantou sua cabeça porém, lá estavam seus olhos devorando minha alma. Meu foco todo foi para sua boca entre aberta, parecia implorar pela minha coragem ou por um ato impulsivo. Nos seus olhos, não havia dúvida. Em sua boca, o leve gosto de morango com hortelã, seu sabor de chiclete favorito.  

Apenas um selar de lábios, um leve beijo! E tudo o que consegui fazer foi suspirar, esperando sua reação. Ainda de olhos fechados, Emma sorriu e eu sabia o que fazer. Ajeitei meu corpo na cama, sentando em sua frente e inclinando meu corpo por cima do corpo magro de Emma, ainda deitada. Enquanto ela abria lentamente os olhos, levei uma de minhas mãos ao seu cabelo macio e cheiroso, brincando com o cacho solto no final das pontas dos fios.  

- Eu não mordo, tá?! - Minha gargalhada ecoou no quarto silencioso enquanto eu sentia suas mãos, pequenas e macias, passearem por minhas costas. - Desde quando você...? 

- Gosto de você ou gosto de garotas?  

- Os dois.  

Mesmo suas bochechas estando rosadas, sua voz era firme e não havia vergonha em perguntar porque claro, eu era primeiramente, sua melhor amiga. Pensei bem na resposta, levando em consideração o futuro da nossa amizade e as consequências eram claras: Ou eu a teria ou isso abalaria nossa amizade que agora estava mais fortalecida devido à todos os eventos passados.  

- Eu sempre te amei, Emma. Não lembro como o amor fraterno se tornou isso mas, lembro bem de uma vez, quando você veio toda feliz me contar que havia beijado o Conrad. 

- Meu Deus, o Conrad! Isso foi a muito tempo, foi antes de começar a namorar com Will. - Eu ria enquanto pensava no tom desesperado de sua voz. Nunca me passou pela cabeça que ela poderia, um dia, desejar ou gostar de outra garota, qualquer garota, como eu gosto.  

- É, é sim. Muito tempo, né?!  

A cor âmbar de seus olhos ficaram ainda mais fortes com o brilho que, infelizmente, só via em seu olhar junto com Will ou com seu último tormento, vulgo namorado, Kieran. Desde que tudo aconteceu e ele matou Eli na nossa frente, Emma tem procurado fortalecer suas amizades, provavelmente em busca de sua rendição moral ou algo do tipo mas, mesmo depois disso, as matérias e artigos sobre ele e sua prisão apenas acumulam em meu notebook.  

O irônico estava acontecendo e eu ficava feliz por isso. Seus olhos estavam brilhando, comigo! Por mim e apenas para mim, no meu pequeno quarto. Nosso momento estava acontecendo e eu nunca imaginaria esse olhar tão carinhoso em seus olhos. 

- Você ainda se sente assim? Quer dizer, eu quebrei seu coração. Não sabia mas quebrei. - Com toda calma que consegui juntar, a beijei. Seus lábios pareciam encaixar-se perfeitamente nos meus enquanto suas mãos pararam em minhas costas, puxando mais meu corpo para junto ao seu. Apoiei o peso do meu corpo nos meus braços, deixando um em cada lado do seu tronco e aprofundei o beijo, deixando que ela brincasse com minha língua.  

Aos poucos, suas mãos começaram a brincar com a minha camiseta larga e lentamente paramos o beijo. Seu toque ainda estava nos meus lábios porém, em sua boca, encontrava-se um lindo e amplo sorriso. Eu sempre soube que Emma era uma garota certinha e isso dificultava todo meu raciocínio. Talvez ela quisesse apenas uma aventura depois de tudo o que viveu ou talvez quisesse mesmo ir adiante na relação, o que seria muita sorte minha.  

- Emma...  

- Não vou quebrar seu coração, não de novo, Audrey. Quero remendá-lo.  

E sem esperar que eu dissesse algo mais, beijou novamente meus lábios de um jeito diferente. Não havia pressa, não havia dúvidas, de ambas as partes. Só restava o carinho e o desejo. Sem pressa, deixei que minhas mãos migrassem para suas coxas expostas e a maciez envolveu meus dedos, fazendo meu corpo gritar de antecipação. Não lembro o quanto havia desejado. Sonhava com Emma, dormindo ou até mesmo acordada. Bastava fitar seus olhos quase amarelos e me transportava para outra dimensão.  

Quem diria que essa dimensão era meu próprio quarto. 

Emma parecia pouco afoita e admito, eu estava sim pouco desesperada. Havia feito sexo antes mas com Emma, com meu amor antigo e secreto, sempre seria diferente.  

- Emma, tem... certeza? 

- Eu quero me redimir com você mas muito mais que isso, Audrey. - Não vi a força que ela fez para levantar mas deixei meu corpo cair de lado na cama para que assim, ela ficasse por cima. Deixou uma perna de cada lado do meu corpo e abaixou o tronco, firmando as mãos próximas a minha cabeça. - Eu quero ter a chance de fazer certo com você. Eu quero você.  


Notas Finais


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