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História Cansaço e Café doce - Capítulo 1


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Notas do Autor


point de alcogel abre a mao ai 👐
sou timido de mais pra faze proofreading

Capítulo 1 - Capítulo único


Trey zanzava daqui para acolá pela cozinha do dormitório como a única formiguinha operária de sua colônia, e vê-lo tão ocupado até que despertava em Cater uma vontadezinha bem mínima de ajudá-lo nos afazeres do café da manhã, mas que logo sumia. Uma pena que o ruivo não tinha disposição alguma no momento e ao mesmo tempo não tinha esse senso de irmão mais velho para com os outros residentes da Heartslabyul da mesma forma que o Clover. Contrariamente, Diamond jazia imóvel debruçado na ilha central, usufruindo de qualquer coisa comestível que fosse posto lá, igualzinho à um parasita.

— Têm alguma coisa pra entregar hoje? — Cater perguntou sem erguer os olhos, a voz bem embargada de sono. Sentia que poderia voltar a dormir ali mesmo, a qualquer momento, e naquele silêncio bom de cômodo vazio e dia que ainda começava, tudo parecia cooperar para que isso acontecesse logo, logo. O que impedia era Trey em seu modo multitarefa que fazia chá, café, pão na chapa e ainda lavava a louça que o encarregado da noite anterior havia esquecido de lavar (Cater era o encarregado da noite anterior e seria mais uma vez o encarregado na próxima por ter supostamente esquecido de suas responsabilidades).

— Sei lá, não sou da sua sala — Trey respondeu risonho. Queria Cater ter o mesmo ânimo que ele durante a manhã: rindo e disposto a fazer café da manhã pra um bando de jovens que nem estavam acordados ainda — Mas eu sei que ia ter aquela aula supervisionada pelo Crowley em todas as turmas.

— Meu amigo, que desgraça — o ruivo comentou, num murmúrio que saiu alto demais para ser um murmúrio. Sentia uma enorme vontade de reclamar, mas sabia que não podia, não quando havia uma segunda presença por perto: reclamar não era característica do personagem usual do ruivo, sendo que ele não tinha energia nem para ser o seu eu de verdade.

Se fizesse na hora um duplicata com sua magia única, talvez esse estivesse com mais ânimo. Poderia mandá-lo para aula em seu lugar, talvez pedir pra tirar algumas fotos de qualquer quitute bonitinho que estivesse a venda na cantina pra postar no MagiCam depois. Cater B faria um ótimo trabalho, ele sabia, bem melhor que o Cater original. Mas não dava porque Trey percebia as duplicatas, os Cater B, C, D – o alfabeto todo de Caters – e sabia diferenciá-los do original, e se Diamond não tinha energia nem para existir, teria muito menos para encarar uma bronca do esverdeado.

— Acho que vou tomar banho — Cater anunciou, ameaçando se retirar. Talvez nem fosse. Talvez fosse direto pro quarto para não sair de lá pelo resto do dia. Era só dar um sorrisinho bonito de cinismo e uma desculpa esfarrapada pro Riddle depois, ou podia muito bem tentar pôr em prática o plano da duplicata para evitar passar por esse tipo de problema.

— Já? Nem comeu nada.

— Eu compro alguma coisa depois.

— Que isso, come logo agora.

Trey parecia uma avó falando. Ele por si só conseguia transparecer uma aura de avó às vezes, daquelas bem caridosas que faziam os netos engordarem. Talvez fosse porque Trey era uma pessoa que exalava conforto e podia ser um bom refúgio para dias ruins. Era uma pessoa de confiança. Ele tinha aquele sorriso bonito genuíno de pessoa boa também. Foi com um daqueles que Cater percebeu que estava se apaixonando por ele pouco a pouco.

Ele se preocupava daquela forma com todos igualmente, mas o fazendo só com Cater presente no recinto fazia o ruivo sentir-se especial, como se fosse algo que só ele merecesse. Fazia o rosto dele aquecer. Queria ter dito algo, mas as palavras pareciam se atropelarem na cabeça (era cansaço, não embaraço) e acabou não falando nada. Talvez fosse melhor assim. Apenas assentiu e recorreu à um pedaço de bolo que muito provavelmente havia sido feito pelo esverdeado (filho de padeiro tem dessas), vendo este sorrir ao assisti-lo como quem sentisse orgulho e euforia. Cater não gostava de bolo, mas se fosse por aquele sorriso, ele comeria tudo o que estivesse posto ao balcão, até os talheres.

— Tá bem, velho? — perguntou o esverdeado, e Cater não soube mais com o quê assimilá-lo: com uma avó ou com um irmão mais velho.

— Tô, ué.

— ‘Cê parece estranho hoje…

— Talvez eu ‘teja ficando doente, sei lá.

Trey assentiu em silêncio — Se não ‘tiver se sentindo bem, fica no dormitório hoje.

— Tá querendo se livrar de mim, por acaso? — Cater perguntou em tom de brincadeira, e entre risadas, Trey negou com a cabeça.

— Ó, fiz café — Trey anunciou, pondo ao seu lado uma xícara quente.

Se haviam “poucas” coisas que Cater odiava no mundo, o café que Trey fazia estava incluída nesta lista. Odiava porque o energúmeno quatro olhos sempre botava muito açúcar, deixando a bebida intragável para alguém como o Diamond, talvez o único ser humano na terra a apreciar seu café em seu estado amargo mais puro. Mesmo assim, quando posto a mesa, o ruivo bebia, não só por não ter outra opção, mas por ainda ser o café que Trey fazia. Não faria desfeita com os esforços do esverdeado, e ele sempre parecia feliz a beça quando o ruivo aceitava.

O ruivo assentiu com a cabeça mais uma vez, bebericando do café ainda bem quente, e percebeu que ela amargava sua língua com a acidez que tanto gostou, o que, parcialmente, foi um grande susto. O café de Trey era sempre doce — Você não gosta de açúcar, então hoje não botei — Trey comentou, já se retirando da cozinha — Vou tomar banho. Te vejo depois.

Cater não teve nem tempo de agradecer a generosidade. Não merecia Trey, assim como ninguém merecia, e não merecia nada vindo dele, e sabia muito bem que seus batimentos descompassados não eram por causa da cafeína.


Notas Finais


renata se for sair pra comprar papel toalha nao esquece da mascara tabom?
twt: kingschxlars


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