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História Canto dos Uirapurus - Capítulo 7


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Notas do Autor


Perdão pela demora galera, mas tem cap novo hoje e isso que importa 🥳

Capítulo 7 - Feliz aniversário, que Deus te elimine!


 

   Depois de passar dois dias inteiros tentando explicar química orgânica para Sam e Castiel, nenhum de nós três aguentava mais. Nós nos revezávamos em bancar o professor e ensinar as matérias que sabíamos. Eu ensinava física e química, Sam ensinava redação e filosofia, Castiel tentava ensinar matemática mas já ele não sabia nada sobre teoria, ele só fazia alguns cálculos e de alguma forma sempre chegava no resultado correto. 

 

 - Como você consegue saber tanto de matemática se você não estuda? - Sam perguntou, inconformado.

 

 - Deus tem seus preferidos, eu acho. - Castiel deu de ombros e se espreguiçou, bocejando alto, o que fez a bibliotecária fazer cara feia para nossa mesa. - Mas continuando, você pega a raiz desse número daqui de cima e multiplica por aquele lá depois do sinal, isso, aí divide por dois e o resultado deve dar... 16.

 

   Chequei o caderno de respostas: era 16. Ele abriu um sorriso convencido e Sam ainda o encarava com um misto de medo e admiração como se ele fosse uma criatura de outro planeta. 

 

 - Amanhã é dia de estudarmos qual matéria? Acho que se eu fizer mais um cálculo por hoje meu cérebro vai fugir da minha cabeça. - Sam perguntou quase como se não quisesse saber a resposta.

 

   Eu disse que era história e ele respirou aliviado, talvez por finalmente ser algo que ele entendia. Havíamos feito alguns simulados na última semana, Sam só conseguiu alcançar a pontuação mínima pra poder disputar uma vaga na viagem no último teste e por mais que eu estivesse chateado com ele, queria que fosse viajar.

   Nessa última semana me peguei pensando várias vezes no quanto eu era bobo e ingênuo: acreditei que Lisa me amava de verdade e acreditei que eu era especial para Sam, duas situações onde eu claramente estava errado, mas não queria acreditar. Assim como Lisa que não me amava na mesma intensidade que eu a amava, Sam sempre tinha sido gentil até de mais com outras pessoas, de uma forma que não dá para adivinhar se ele está flertando com você ou só sendo simpático... Não que eu já tivesse achado que Sam flertou comigo, não foi isso que eu quis dizer!

Mas ele notou que eu havia ficado chateado com a história da Amelia e agora estava tentando se redimir; andando mais comigo durante os intervalos, me mandando mais mensagens, ele até comprou uma mini pizza pra mim durante o almoço de hoje. 

   Claro que eu ainda estava desconfiado, eu posso ser iludido, mas não sou burro, o problema mesmo era: desconfiado de quê? Eu não sabia nem o motivo de estar tão chateado com Sam, como eu podia cobrar qualquer comportamento dele?

   Nós estávamos discutindo os melhores temas para a aula de história de amanhã quando Chuck veio em nossa direção, em passos lentos, enquanto bebericava seu copo de café. O assunto na mesa se esvaiu no mesmo instante. Ele se chocou intensionalmente contra a mesa com força desproporcional ao seu caminhar e derramou o conteúdo do copo no meu caderno e calça.

 

 - Opa, foi mal. - Ele sorriu, cinicamente.

 

   Senti o líquido quente ensopar minha calça e queimar minha perna por baixo do tecido, mas aquele sorriso debochado na cara dele me deixou tão furioso que eu mal senti dor. Olhei dentro dos olhos de Chuck e lembrei o que minha mãe sempre me dizia sobre contar até dez para manter a calma e controlar meu temperamento: "Conte até 10. Pausadamente, respirando beem fundo. Você é muito esquentadinho, Dean, ainda vai acabar se metendo em problemas", era o que a dizia.

 

   1... 2... 3...

 

 - Eca, Winchester, você precisa cuidar melhor das suas coisas, seu caderno está nojento. - Ele segurou meu caderno com os dedos em pinça e franziu o rosto como se estivesse segurando um bicho morto. Algumas páginas molhadas rasgaram.

 

   Não consegui chegar ao número quatro. Quando vi já tinha segurado Chuck pela gola da camisa e o empurrado contra a parede da biblioteca com força, o rosto dele perdeu a cor e ele deixou um gritinho estrangulado escapar. Teria sido engraçado se eu não estivesse cego pela raiva, de qualquer forma ele não parecia tão confiante agora e isso era impagável. Levei meu punho para trás, pronto para afundar a cara daquele imbecil com um soco quando alguém segurou meu braço por trás.

 

 - Sam, me solta. Eu vou acabar com a raça disse filho da p...

 

 - Estamos com algum problema aqui, Dean Winchester?

 

   Uma voz retumbou da porta da biblioteca. Assim que Chuck avistou seu tio, o excelentíssimo diretor Crowley, ele se desvencilhou de mim com as pernas bambas e gritou.

 

 - E- ele queria me bater! Tio, faz alguma coisa! 

 

 - Você jogou café quente em mim de propósito. - Eu estava tentando conter minha raiva e meu tom de voz, o que não foi nem um pouco fácil.

 

   Os alunos que estavam na biblioteca, naquele momento tinham perdido todo o interesse por seus livros e cadernos e estavam totalmente focados em nós, porém em silêncio, sem dizer uma palavra para me ajudar. A maioria deles odiava tanto Chuck quanto eu, mas o medo de confrontar o diretor os deixava mudos, e eu não podia culpá-los por isso.

 

 - Foi um acidente! Eu pedi desculpas mas ele não quis me ouvir. - Chuck secou uma lágrima falsa do rosto.

 

 - Não foi acidental, nós vimos! - Castiel protestou, se colocando entre mim e o diretor.

 

 - Silêncio todos vocês! Você, Dean, parece que um mês na biblioteca não foi o suficiente para te ensinar a ter bons modos. Você agrediu um aluno e gerou caos na biblioteca, eu, como responsável por essa escola não posso permitir isso. O que me diz de passar três semanas como assistente de limpeza? 

 

 - Mas a culpa é dele! - Apontei para Chuck que sorria, escondido em uma ângulo que o diretor não conseguia ver. - Foi ele que...

 

 - Quatro semanas agora. - Crowley estava plácido, me olhando nos olhos como se me desafiasse a falar mais e ganhar mais semanas de punição. - Espero você na minha sala mais tarde para acertarmos os detalhes.

 

   Ele pousou a mão no ombro do sobrinho e o escoltou para fora da biblioteca, me deixando tremendo de raiva, tal qual um pinscher com frio, ou um pinscher em seu estado normal mesmo. Os demais alunos murmuravam ao redor e eu ouvi alguém dizer "Dean, eu sinto muito", mas não me virei para saber quem foi. Joguei meu caderno no lixo e saí de lá, Castiel e Sam disseram alguma coisa, mas eu estava transtornado de mais para ouvir.

   Por sorte Chuck não estava na sala do diretor quando cheguei, senão eu passaria eternidade sendo assistente de limpeza porque não conseguiria me controlar. O castigo era que eu trabalharia na parte da tarde, de novo, mas o que eu faria deveria ser resolvido com Bobby, o zelador.

 

 - O que você arrumou dessa vez, garoto?

 

   Bobby estava me esperando no almoxarifado sentado num banquinho de madeira que não parecia sustentar o seu peso, ele indicou outro banquinho para mim e me deu aquele sorriso de quando queria ouvir as histórias que tinham me levado ao castigo. Ele sempre ficava para conversar comigo quando eu pegava alguma punição e me oferecia doces e refrigerante que ele tinha guardado, ele também me deixava usar o almoxarifado escondido quando eu queria beijar alguma garota escondido, não é nada romântico, mas funcionava perfeitamente. Ele gostava de mim, o que aliviou muito meu trabalho, mas um dos faxineiros estava de férias, então de qualquer jeito eu teria muita coisa para fazer. 

 

 - Aquele sobrinho mimado do Crowley não tem jeito. - Ele ajeitou o boné sujo e franziu o cenho. - É uma pena você não ter conseguido bater nele, ele merecia uma boa surra.

 

   Ele me mostrou uma escala com o que precisaria ser limpo ao longo da semana e eu disse que voltaria amanhã de tarde para começar a trabalhar. Quando saí da sala Sam e Castiel estavam me esperando num banco do lado de fora.

 

 - Tenho uma notícia boa para te dar e uma melhor ainda, qual você quer primeiro? - Castiel perguntou.

 

 - A boa, eu acho.

 

 - Sexta feira é meu aniversário e eu consegui convencer minhas mães a deixarem a casa só pra mim, vou fazer uma festa. - Sam disse com um sorriso enorme no rosto.

 

 - Isso é ótimo! Depois de hoje eu preciso mesmo de uma festa. Qual é a notícia melhor ainda?

 

 - Talvez eu tenha esquecido meu pé no meio do caminho quando Chuck estava indo embora e só talvez ele tenha tropeçado e caído de cara no chão. - Castiel disse casualmente enquanto dobrava as barras da calça.

 

 - E talvez tenha quebrado o nariz. - Sam adicionou, dando de ombros. - E sangrado muito.

 

   Ficamos em os três em silêncio durante alguns segundos até explodirmos em risadas.

 

 - Vocês fizeram isso mesmo? Eu amo vocês.

 

 - É, e conversamos com o diretor. Ele deixou a gente dividir as tarefas de limpeza com você e diminuir uma semana do castigo. - Castiel disse, dando um tapinha no meu ombro - Você acha que eu vou ficar bem com vestido de faxineira?

 

 - Vocês... Vocês não precisavam ter feito isso. Agora vocês vão ficar três semanas desgrudando chicletes de baixo de mesa e limpando privadas sem merecer!

 

 - Vamos desgrudar chicletes e limpar privadas com você. - Sam disse - E também vamos estudar, a gente precisa de você para aprender química.

 

   E realmente foi assim, passamos a semana seguinte esfregando banheiros nojentos, varrendo quadras e limpando todos os pênis rabiscados à caneta nas mesas, mas eu não reclamei um segundo sequer. Castiel e Sam estavam sempre lá me fazendo rir e me ajudando com a faxina, em meio a pedidos de "mais água sanitária aqui!" e risadas, vinham perguntas aleatórias.

 

 - Em qual contexto histórico aconteceu a Queda da Bastilha? - Sam gritou do outro lado do pátio enquanto limpava uma janela. A luxação no seu joelho já tinha melhorado mas deixamos as tarefas com menos mobilidade para ele mesmo assim.

 

 - Revolução Francesa! - Castiel respondeu berrando de dentro do almoxarifado, onde estava arrumando algumas caixas. - Como se chama um polígono de 19 vértices?

 

 - Eneadecágono. - Respondi, enxugando o suor da testa. Eu já havia varrido aquele pátio várias vezes, mas ele nunca parecia ficar menos imundo. - Quanto mais hidrogênio um ácido tiver, mais fraco ele fica. Verdadeiro ou falso?

 

 - Falso...? - Sam disse sem muita certeza, mas a resposta estava certa.

 

   No fim do dia eu sempre estava exausto, desabava na cama e só acordava no dia seguinte, o que era bom porque eu estava ansioso para a prova dali a duas semanas, mas estava ainda mais para a festa de Sam que era amanhã. Acordei pensando na roupa que iria vestir e passei dia contando os minutos para que a hora chegasse. Perto do horário Castiel bateu na minha porta, ele sabia dirigir mas não tinha carteira de motorista então eu sempre o levava para os lugares. Paramos no posto de gasolina para abastecer e comprar bebidas, mas quando eu estava no caixa Castiel apareceu do meu lado.

 

 - Cara, eu te disse que podia esperar no carro, não precisava vir comi...

 

 - Já acabou de pagar? Vamos logo. - Ele parecia tenso e ficava olhando por cima do meu ombro o tempo todo. Olhei para trás mas não vi nada.

 

 - Não estamos atrasados, irmão, além disso nenhuma festa começa no horário certo.

 

 - Você não está entendendo, a gente precisa ir agora. 

 

   Guardei o troco na carteira e quando me virei para ir embora, bem na minha frente estava a última pessoa que eu queria ver hoje, e em qualquer outro dia para ser honesto.

 

 - Dean! - Lisa exclamou com um sorriso enorme. Ela se inclinou na minha direção como se fosse me abraçar mas recuei um passo e ela parou no meio do caminho. 

 

   Eu não falava com Lisa desde que terminamos e isso já fazia quase 3 meses, eu evitava a todo custo vê-la na escola até chegar em um ponto em que eu realmente não a vi mais, nossos horários não coincidiam e era como se ela não existisse mais, mas vê-la ali na minha frente, tão perto, me despertou emoções que eu não queria sentir. 

 

 - E... não precisamos mais ter pressa. - Castiel fez um bico como se dissesse "eu tentei te avisar".

 

 - O-oi, Lisa. Quanto tempo...

 

 - Vocês também estão indo pra festa da Becky? 

 

 - Não, estamos indo para outro lugar e na verdade já estamos atrasados, não é mesmo, Dean? Vamos andando. - Castiel me puxou pelo braço, mas meus pés pareciam pregados no chão.

 

 - Estamos indo para a festa do Sam, você pode vir com a gente se quiser. - Disparei antes mesmo de perceber e me arrependi no mesmo instante. Castiel parecia prestes a acertar um soco na minha cara.

 

 - Seria muito divertido passar um tempo com vocês mas eu não fui convidada e a Becky está me esperando. - Ela disse, ficando um pouco vermelha. Ela ficava linda corada, não que eu ligue para isso, claro. Eu não estava nem aí para como ela estava linda com aquele vestido preto, o coturno e a maquiagem impecável, eu não dava a mínima.

 

   A porta da loja de conveniências se abriu e um cara alto, loiro e de óculos entrou, vindo na nossa direção.

 

 - Amor, você esqueceu a carteira no carro. - Ele beijou a testa de Lisa com carinho mas seu sorriso sumiu assim que olhou para mim. - Estou atrapalhando alguma coisa?

 

   Ninguém respondeu mas Castiel quebrou o silêncio dizendo

 

 - Lisa, você não disse para minha tia que ia dormir na casa da Becky hoje? Uma festa do pijama?

 

 - Eu vou, só talvez tenha mentido na parte do pijama. E você? Não disse para a minha tia que ia dormir na casa do Dean porque precisava estudar?

 

   Eles se encararam por longos segundos com expressões desafiadoras e pareceram fechar um acordo silencioso entre primos: eu não conto se você não contar.

 

 - Acho que já está na hora irmos, foi bom encontrar vocês. - Eu disse, saindo da loja e os deixando no caixa. Não tinha sido nem um pouco bom encontrar eles.

 

   Entramos no carro e dirigimos em silêncio por alguns minutos.

 

 - Você sabia que ela tinha um namorado novo? - Perguntei para Castiel.

 

 - Sim. 

 

 - Por que você não me contou?

 

 - Essa informação é importante pra você?

 

   Eu queria ficar bravo com Castiel, mas pra variar ele tinha razão. Eu não deveria me importar com aquilo, qualquer coisa que Lisa fizesse não era mais do meu interesse, mas não pude deixar de sentir uma pontada de ciúmes quando os vi de mãos dadas na fila do caixa depois que saí da loja. 

   A uma quadra de distância conseguimos ouvir a música alta, pedi para Castiel mandar uma mensagem para Sam, avisando que estávamos perto, mas não foi necessário, Sam estava na porta recebendo algumas pessoas e rindo com alguns amigos, assim que nos viu veio correndo na nossa direção. 

 

 - Gente! Achei que vocês não viriam. - Ele me abraçou com tanta força que levantei alguns centímetros do chão, apesar do cheiro de álcool eu ainda conseguia sentir o cheiro de shampoo de maçã que saia do seu cabelo. Talvez eu comprasse aquele shampoo para mim, ele era muito cheiroso. 

 

   Haviam várias pessoas dançando no quintal, algumas eu reconheci e outras não, luzes multicoloridas piscavam através da janela da sala e o som estrondoso fazia o chão sob os meus pés tremer. Assim que entramos na casa, Sam desapareceu então eu e Castiel resolvemos nos divertir sozinhos, fazendo amizade com pessoas novas e dançando. Apesar de ter levado cerveja, eu não pretendia beber porque estava dirigindo então disse para Castiel beber por mim, o que ele levou a sério de mais. Em menos de duas horas de festa eu estava ajoelhado ao lado dele, no chão do banheiro, segurando uma toalha molhada para ele se limpar assim que acabasse de vomitar no vaso. Ele pegou a toalha com as mãos trêmulas e limpou a boca.

 

 - Não consigo respirar. - Ele disse com dificuldade e levou a mãos às costas por baixo da camisa.

 

   Eu o ajudei a desenrolar a faixa de tecido em volta do seu peito até ela sair por completo. Castiel puxou o ar e massageou os seios que agora eram aparentes por baixo da camisa.

 

 - Que pano é esse aqui? Por que você não está usando seu binder? 

 

 - Estava lavando, não deu tempo de secar para a festa. - Ele respondeu com um sorriso sem graça, que me fez revirar os olhos.

 

 - Isso é perigoso, vou comprar outro para você não ter que usar esses improvisados. - Sim, eu estava irritado. Odiava quando Castiel não cuidava direito de si mesmo quando ele tinha condições de fazer isso.

 

 - No momento eu só vou querer água, por favor. - Foi a única coisa que ele conseguiu dizer antes de voltar com a cabeça para dentro do vaso.

 

   Eu estava mais do que feliz de sair daquele lugar com cheiro de vômito então corri para a cozinha. Tentei localizar a geladeira no meio de tantos casais se agarrando por ali mas por sorte Sam apareceu para me salvar, ele parecia mais sóbrio agora.

 

 - Veio buscar água também? A geladeira fica ali. - A camisa de botão de mangas curtas que ele usava estava amarrotada, o cabelo estava uma bagunça e ele tinha um brilho enérgico nos olhos.

 

   Enquanto ele colocava água nos copos, tentei fazer o clima não ficar tão constrangedor por conta de todas aquelas pessoas se beijando ao nosso redor.

 

 - Então... Empolgado para meia noite?  

 

 - Não vai acontecer nada meia noite, cara, eu estou fazendo 17 hoje.

 

 - Ah, mas aposto que sua noite vai ser muito divertida com a Amelia. - O nome dela soou Amargo na minha boca - Ela parece gostar muito de você, a propósito, onde ela está?

 

 - Amelia? - Ele parecia nunca ter ouvido aquele nome antes - Ah, ela não vem.

 

   Eu me engasguei com a saliva. 

 

 - O quê? Como assim?

 

 - Olha, ela era legal, mas ela começou a falar sobre namoro e ter umas crises de ciúme que... Eu acabei de sair de um relacionamento, Dean, eu não quero e não vou ficar encoleirado de novo tão cedo. Além disso, existem muitas outras meninas legais por aí e eu pretendo não escolher uma só, enquanto eu posso.

 

   Ele piscou para uma garota que passou no corredor, ela riu e indicou o jardim com a cabeça. Ele olhou para mim como se dissesse "É disso que eu tô falando!" e aquilo me deixou muito irritado.

 

 - Você deveria aproveitar também - Ele disse me dando um tapinha no ombro e indo atrás da garota. - Ah, lembrei, diz pro Castiel que aquela menina de blusa verde quer ficar com ele.

 

   Ele indicou alguém na sala mas eu não me incomodei em ver quem era, Castiel definitivamente não precisava de ajuda se quisesse ficar com alguém. Peguei o copo d'água e marchei pro banheiro onde meu amigo parecia estar muito melhor agora, ainda sim ele bebeu toda a água num único gole.

 

 - Que cara é essa? O que aconteceu? - Ele perguntou. 

 

 - Vamos de Uber para casa, eu preciso beber.

 

   Eu tinha perdido completamente o ânimo para festa, mas depois de alguns copos comecei a ficar alegre de novo. Dancei com desconhecidos e bebi mais, conversei sobre como o capitalismo é um sistema falho e assassino com uma garota de baixo da mesa de petiscos e bebi mais, desafiei alguém que eu não me lembro quem era a apostar corrida com um prato na cabeça (não lembro quem ganhou) e bebi mais, e beijei uma menina que tinha uma irmã gêmea, depois beijei a irmã dela e bebi em dobro para combinar. Eu estava zonzo e trocando as pernas. Por alguns momentos eu podia jurar que estava vendo Lisa ali em algum lugar, eu a via dançando nos lugares mas quando eu me aproximava, não era ela. Tentei chamá-la, mas ela não me escutava, talvez ela nem estivesse ali de verdade.

   Eu não sabia que horas eram e nem me importava, eu estava feliz e muito animado, a festa de Sam estava incrível. Sam?! Onde ele estava? Eu precisava falar com ele e era um assunto urgente. Eu não sabia exatamente qual, mas era urgente. Eu perguntei para algumas pessoas onde ele estava, inclusive para a Lisa imaginária, mas eles me olhavam como se não entendessem o que eu estava falando, o que era um exagero, eu não estava tão bêbado assim... eu acho. Procurei ele por toda parte, até dentro da geladeira mas ele não estava lá. Subi a escada aos tropeços e comecei a procurar nos quartos, de dentro de um deles Chinchilla pulou para fora quando eu abri a porta, correu ao meu redor e disparou escada a baixo, fazendo algumas pessoas gritarem e fugirem. Ela era tão fofa!

   Cheguei na última porta do corredor com esforço, minha visão estava turva e meus pés pareciam gelatina, ouvi alguns barulhos lá dentro mas não consegui girar a maçaneta, a porta estava trancada. Então fiz o que me pareceu mais pertinente: comecei a gritar.

 

 - SAM! SAAAM! VOCÊ ESTÁ AÍ? SAM, A GENTE PRECISA CONVERSAR.

 

   Os sons pararam e depois de alguns segundos um Sam muito irritado e sem camisa apareceu na porta. A expressão de raiva dele se desmanchou quando olhou para mim.

 

 - Dean? Aconteceu alguma coisa? Você está se sentindo mal? Quer que eu ligue para os seus pais?

 

   Eu olhei dentro do quarto e uma menina que não era a menina do jardim estava sentada na cama, ofegante, cobrindo o busto despido com um lençol.

 

 - Quem é essa garota, Samuel? - Por quê ele estava com ela? Ele não deveria estar com ela, aquilo me deixou muito bravo.

 

 - Isso não é importante agora, Dean. - Por que ele estava falando comigo como se eu fosse uma criança? - O que você quer me dizer?

 

 - Eu...

 

   E então tudo escureceu e eu não me lembro de mais nada. 

   Acordei com o sol me cegando e uma dor de cabeça que fazia parecer que estavam atravessando meu crânio com um machado. Olhei ao redor e percebi que não estava no meu quarto, na cômoda ao lado da cama havia um porta retrato com uma foto de um menino cabeludo de uns 8 anos, talvez, e duas mulheres sorridentes ao seu lado, os três estavam em um barco em um dia de sol, era a família de Sam. Me levantei da cama reparei que também não estava usando as mesmas roupas que ontem a noite, elas foram substituídas por shorts pretos leves e uma regata do Lakers. Senti um cheiro ótimo de café vindo da cozinha, desci a escada e para minha surpresa era Castiel, a julgar pela cara dele, sua ressaca devia estar tão ruim quanto a minha.

 

 - Bom dia. - Minha voz saiu rouca como se eu tivesse engolido um ralador de queijo.

 

 - Bom dia, estava esperando você acordar

 Você quer ir embora logo ou vai esperar Sam voltar para conversar com ele? - Ele perguntou, colocando uma xícara de café nas minhas mãos.

 

 - Conversar com ele sobre o quê?

 

   Castiel arregalou os olhos e quase derrubou seu próprio café.

 

 - Você não se lembra?

 

 - Me lembrar do quê, Castiel? - Mas ele continuou parado, me olhando o que só me deixou mais nervoso - O que aconteceu ontem? Me fala logo!

 

 - Você quer saber qual parte? Antes ou depois de você dizer pro Sam que amava ele e beijar ele na frente da garota que ele estava pegando?

 

   Meu coração virou um bloco de gelo e caiu sobre o meu estômago, de repente senti vontade de vomitar de novo.

 

 - E-eu fiz o quê?

 

   Mas antes que ele respondesse, ouvi o som da porta da sala batendo, lá estava Sam, parado, olhando fixamente para mim. 

 

 - Dean, acho que a gente precisa conversar.

 


Notas Finais


Lisa gótica, Castiel trans e Dean comunista entrem em minha casa e comam o cu da minha família
Eu amo a energia caótica da festa desse capítulo


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