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História Caóticos - Capítulo 1


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Notas do Autor


faz muito tempo que não posto algo então, né, to nervosinha. enfim
antes de tudo, avisinhos importantes;

- essa estoria pode ser (e provavelmente é) possivelmente ofensiva, já que aqui deus vai ser retratado como alguém, dentro do conceito maquiavélico, que é mau, ou seja, se você é cristão surtadinho que se ofende facil, esse estoria DEFINITIVAMENTE não é pra você;
- eu sou ateia, logo, não vou me importar em escrever coisas que possam ser vistas como hereges;
- essa estoria retrata um relacionamento não-monogâmico entre três pessoas, onde elas se amam de forma igual mesmo com suas individualidades, logo, vão ter cenas sasunarusasu, sasusaku e narusaku, estejam avisados;
- eu não escrevo cenas hot, mas fofurinha eu garanto;
- por ultimo, mas não menos importante, essa estoria segue uma linha pos-moderna de entendimento e interpretação da mitologia crista;

eu sinceramente gosto MUITO da ideia dessa fic e to empolgada pra caramba
enfim

boa leitura e beijinhos

Capítulo 1 - Capítulo I - Do Inferno á Terra


O lugar parecia-se com algum escritório chique de alguma multinacional milionária. O chão era de uma madeira escura e polida, as paredes brancas estavam repletas de obras de arte renascentistas e haviam plantas e estátuas, no estilo romano, espalhadas pela sala. Mais a frente, havia uma grande janela que dava para o céu, com nuvens branquinhas e macias, e bem a sua frente, havia uma grande mesa repleta de coisas e uma cadeira de couro com aparência confortável. Sentada nela estava Deus, vestindo um smoking preto bem cortado, os cabelos brancos penteados com gel e expressão gentil. E Lúcifer, que apenas de estar ali sentia-se sufocado, sentado em frente á mesa, questionava-se o porquê de ter sido logo ele designado para aquela missão. 
Diversas hipóteses passavam-se por sua cabeça, cada uma indo para algum lugar mais irracional que a outra. Mas havia uma que destacava-se. 

O Inferno já não era tão excitante quanto costumava ser nos Tempos Antigos, realmente. De alguma forma, torturar almas pela eternidade já não era mais o suficiente para Lúcifer. A atmosfera caótica, os gritos de almas em desespero, os clamores por piedade eram, agora, como uma mosca irritante a seus ouvidos. Já estava tornando-se monótono ser quem era e fazer o que fazia depois de tantos milhares de anos, até mesmo o Diabo cansaria. 

Desconfiava que era exatamente por isso que seu Pai estava oferecendo-lhe aquela missão. Em sua onipotência, certamente sabia que os portões do Inferno já não seriam mais suficiente para prende-lo. Todavia, ainda era curioso Deus estar oferecendo logo aquela missão à ele.  

A outra hipótese, e que naquele momento começava a fazer muito mais sentido, era que Deus estava senil e havia pirado de vez. 

- Pelo visto perder o Jeje te afetou muito mais do que eu imaginava, velhote – Lúcifer comentou casualmente, sorrindo de forma sarcástica.  

Deus revirou os olhos, impaciente. 

- Por Mim, continuas tão desrespeitoso como sempre – resmungou, remexendo-se em sua confortável cadeira de couro.  

- É meu jeitinho – respondeu, sem um pingo de vergonha, fazendo-se de meigo. 

- De qualquer forma – Deus balançou a mão com descaso. – vais aceitar a missão ou não, Lúcifer? 

Seu sorriso alargou-se mais diante disso, não sabia se por incredulidade ou excitação.  

- Deixe-me ver se eu entendi – Lúcifer disse, com os olhos vermelhos brilhando em uma mescla de malícia e desconfiança. Caminhou pelo escritório do Pai, com os braços cruzados e a mesma postura debochada que acompanhava-o desde os Tempos Antigos. – Você, o Deus onipotente que criou tudo o que existe, incluindo a mim, vai mandar logo eu para tomar conta das reencarnação de Adão e Eva que, caso tenha esquecido, te traíram sob minha influencia – aproximou-se da mesa de mogno e apoiou as mãos ali, fitando os olhos castanhos de Deus.

– É isso mesmo, velhote? 

Seu Pai mexeu a cabeça, concordando, aparentemente inabalável por seus insultos (nem tanto assim) velados.

- Exatamente. O que me dizes? 

- Sabe bem que Miguel vai ficar furioso com isso, não é? 

- Eu que decido quais decisões devem ser tomadas por aqui, Lúcifer. A opinião de Miguel é irrelevante – Deus respondeu, o tom autoritário não deixava espaços para contestações ou joguinhos. Ele queria uma resposta. – Repito; o que me dizes? 

A resposta óbvia era sim, contudo, Lúcifer estava obviamente desconfiado. Era possível que seu Pai realmente fosse ingênuo ao ponto de manda-lo novamente para a Terra, sob pretexto de cuidar daqueles dois? Não conseguia acreditar. 

- Por que eu? – questionou, o sorriso havia desaparecido, dando lugar a uma expressão séria. – Por que não pede para o Jeje? Ela já não está com os humanos há séculos? Certamente deve saber lidar melhor com eles do que eu. 

Havia uma pequena mentira em seu discurso: não havia ninguém melhor para lidar com os humanos do que Lúcifer. Bastava saber se seu Pai morderia sua isca. 

Deus coçou a barba, ajeitando a postura, sério.  

- Jesus está ocupado – respondeu, enigmático. Parecia não ter notado a mentira proposital em seu discurso, ou apenas ignorava-a. – E você está entediado, correto? Posso passar para Miguel, caso sua resposta seja não.  

Estava desconfiado, claro, entretanto tal proposta era inegavelmente irresistível. Só não entendia porquê, de todos os anjos existentes - e que tinham uma reputação de serem bem mais confiáveis que Lúcifer -, logo ele estava sendo designado. Todos sabiam o quanto Adão e Eva eram problemáticos, mandar o Diabo para tomar conta daqueles dois era burrice, principalmente levando em conta seus passados. Seu Pai só podia estar senil, de fato. 

- Tenho algumas condições – respondeu, com os braços cruzados e a tipica expressão séria, mesmo que ainda não acreditasse no que estava acontecendo. 

- Podemos discuti-las, desde que sejam razoáveis.  

- Eu não quero a interferência de Miguel, e preciso de plena liberdade para usar meus poderes – Lúcifer disse, avaliando as reações do Pai. Se aquilo fosse uma armadilha, descobriria agora. 

Porém, contrariando suas expectativas, Deus concordou. 

- Mais alguma coisa que queira discutir? – o velhote perguntou. 

- Não... – respondeu, olhando para o Pai com desconfiança. - Eu aceito a missão.  

Era curioso, realmente. Quais seriam as motivações de Deus para manda-lo? Não conseguia pensar na existência de nenhuma motivação logica para ter sido escolhido. Era um consenso entre todos os seres vivos que juntar Eva, Adão e Lúcifer era - e ainda é - a receita perfeita para o mais puro caos. Já havia acontecido nas ultimas cinco vezes, então por quê Deus permitiria uma sexta se o resultado era tão óbvio? E por quê agora, quase quarenta anos depois de todo o caos que ocorreu na última vez que esteve na Terra?

- Ótimo – seu Pai sorriu, contente, aparentemente alheio ao que passava-se em sua mente. – Vou te passar mais algumas informações e então sua decida estará autorizada.  

Lúcifer suspirou, resignado. Sabia que não conseguiria mais nenhuma informação útil. Limitou-se a ouvir o Pai reclamando da ousadia dos humanos. Céus, voltar para o Inferno parecia uma ótima ideia naquele momento... 

- ... e na ultima vez que conferi eles estavam criando uma espécie de pássaro de metal que voa, acreditas? 

- Sim, sim... – concordou, sem realmente prestar atenção no assunto. Quando o velhote começava a tagarelar sobre a humanidade, o assunto costumava ir longe. Revirou os olhos, entediado. Por que havia ido até ali mesmo? Não lembrava mais do motivo, mas com certeza estava arrependido. – Eles são realmente ousados e imprevisíveis – respondeu de forma monótona, em partes porquê realmente concordava, em partes porquê era o que Deus queria ouvir e assim quem sabe, o assunto terminasse rápido e Lúcifer pudesse voltar para o Inferno em paz. 

Não que paz fosse algo do qual o Diabo usufruísse muito, de qualquer forma. 

- De fato, mas não posso negar que criam inventos realmente maravilhosos – Deus comentou, e Lúcifer não podia negar, já que os onigiris que os humanos que viviam nas terras asiáticas faziam eram realmente deliciosos. – Enfim, aqui estão as informações que precisas sobre as reencarnações de Adão e Eva, respectivamente. 

O Diabo sorriu, ladino, finalmente interessado no que o Pai dizia. 

- Eles estão vivendo em... Konoha, é? – questionou lendo as fichas que foram-lhe entregues. – Konohakagure, capital do País do Fogo... – franziu o cenho, passando os olhos por uma informação peculiar. – Espera, eles são universitários? Quantos anos esses dois tem?  

Deus coçou a barba, com um riso estranho nos lábios. 

- Eva possui vinte e um, e Adão vinte. 

O Diabo mordeu o lábio inferior, intrigado, nunca havia visto-os tão jovens. 

- Tão novinhos... o que andam fazendo de tão errado para você mandar alguém para vigia-los? – a pergunta despretensiosa pareceu causar uma reação bastante ruim em Deus. 

O semblante de seu Pai, antes relaxado, agravou-se. Algo em sua presença pareceu deixar o ambiente pesado, mas durou apenas alguns segundos, antes dele controlar-se e tudo voltar ao normal. Ou, o mais normal que as coisas podiam ser entre os dois, o que não era muita coisa. Ele remexeu-se na poltrona, ajeitando a postura, sério. Um suspiro cansado escapou de seus lábios. 

- Como já sabes, Eva é alguém ousada. Sempre indo além do permitido, e Adão se deixando levar por sua influencia – disse, sua voz era grave, indicando que a situação era realmente preocupante. Outro suspiro escapou enquanto Deus juntava as duas mãos em frente ao rosto, com os cotovelos apoiados na grande mesa de madeira. – Eva anda fazendo experimentos que considero... totalmente hereges, e Adão, bem... – Deus crispou os lábios numa careta incomodada. – Além de não para-la, ele também anda com ambições fora do aceitável. Preciso de alguém para vigia-los antes que a situação saia do controle e eles causem outra catástrofe. 

Lúcifer franziu o cenho. Catástrofe? O que aqueles dois andavam fazendo de tão sério? E novamente, por que logo ele estava sendo mandado para aquela missão tão importante e aparentemente delicada mesmo com tudo que já havia acontecido? Mesmo com todo o passado recente que ainda possuía feridas abertas? Continuava sem respostas e isso estava começando à irrita-lo.  

- O que pretende com tudo isso? – finalmente externou suas desconfianças e irritação.  

Deus arqueou as sobrancelhas, parecia que havia sido pego de surpresa por seu questionamento e pela súbita mudança de tom. 

- O que queres dizer? 

Um riso amargo escapou dos lábios de Lúcifer, acompanhado de um olhar cético.  

- Não acha realmente que eu acredito nisso tudo, não é? – questionou, irritado. Jogou as fichas de volta para a mesa do Pai, causando um barulho irritante ao chocarem-se na mesma. – Realmente acredita que eu sou ingênuo ao ponto de não desconfiar de uma proposta dessas depois de tudo que você fez? Faça-me o favor! 

- Ainda não compreendo o queres dizer, Lúcifer, deves ser mais claro – o velhote inquiriu, com a voz autoritária. Tinha as sobrancelhas franzidas, e o rosto claro tinha uma expressão séria. 
Isso fez Lúcifer revirar os olhos e levantar-se da cadeira com irritação.  

- Você pretende me mandar pra Terra pra cuidar daqueles dois depois de ter me prendido aqui durante todos esses anos para me impedir de vê-los? – questionou, irado. – O que foi? Acordou caridoso hoje? 

Era uma piada infame, sabia, pois Deus não tinha a capacidade de dormir, logo, não poderia acordar e, além do mais, Deus supostamente era um ser caridoso e bom, como a doutrina cristã que fora ensinada para os humanos dizia, mas olhando para o rosto cruel a sua frente, Lúcifer pensava que Deus poderia ser tudo, menos um ser caridoso e preocupado com os sentimentos alheios. 

O velhote riu, como se debochasse de seu ponto. Os olhos avermelhados brilhavam, perigosos, e Lúcifer podia ver a armadilha sendo feita a cada palavra dita. 

- Se não estiveres interessado – ele começou, os lábios praticamente pingavam veneno em cada palavra dita naquele tom jocoso. – posso pedir para que Miguel vá em seu lugar, querido Lúcifer. Tenho certeza que ele não jogaria essa oportunidade fora jamais. 
Lúcifer estreitou os olhos, a irá tão explícita e pronta para explodir que era difícil não notar e, ele sabia, Deus havia notado que tocara uma ferida ainda aberta.

- Por quê? – questionou sem conseguir esconder o ódio no tom. 

Seu Pai arqueou uma sobrancelha enquanto sorria, cínico.  

- Eu já lhe disse, não é? Preciso de alguém para cuidar daqueles dois e você é o ser ideal para isso – respondeu-lhe. – A não ser, é claro, que prefira deixar para Miguel esta missão? 

Chantagista, era isso que Deus era. A porra de um chantagista desgraçado. Ele tinha-o na mão, preso em seus dedos, e Lúcifer sabia da ameaça implícita que era citar Miguel quando o assunto era Adão e Eva, não tinha para onde correr. Deus havia praticamente cortado suas asas. Estava encurralado.

Não podia deixar que Miguel chegasse sequer perto de Adão e Eva, nem que para isso tivesse que fazer coisas das quais não orgulhava-se. 

Apesar de tudo, riu baixo, sentindo a irá e o ódio atiçar cada poro de seu corpo.  

- Você é um filha da puta, mesmo – cuspiu, baixo e controlado.  
Deus ainda sorria, cínico, satisfeito, sabendo que havia conseguido o que queria.  

- E onde está o respeito com seu pai? – ele perguntou, jocosamente. 

- Na casa do caralho, cuzão. 

Entretanto, ainda havia um problema: o que caralhos aquele desgraçado queria? 

- Então? O que decidistes? – Ele questionou, ignorando seus xingamentos, apenas para ter o gosto de ouvi-lo dizer, porque Lúcifer tinha certeza que em sua onipotência (e chantagens), já deveria saber o que diria.  

Isso fez com que sorrisse, irado. 

- O que falta para me deixar descer, seu velhote desgraçado?  

O sorriso de Deus, se é que era possível, alargou-se diante de sua pergunta. 

- Basta ir até o Portão. Já autorizei sua descida.  

- O que caralhos você pretende com isso, velhote? – repetiu a pergunta, encarando os olhos do Pai. – Se o seu problema é comigo, por que envolver eles? 

Deus ainda tinha aquele riso estranho no lábios.  

- Andas paranoico assim, Lúcifer? – questionou, com uma sobrancelha arqueada. – É apenas mais uma das milhares de missões que você já fez – respondeu-lhe, cínico, os olhos brilhando em crueldade. – Como nos velhos tempos. 

Lúcifer sabia o que seu Pai estava tentando fazer. Aquilo tudo era uma retaliação, uma vingancinha pessoal. 

Suspirando, retirou-se da sala do Pai, mesmo que ainda tivesse dúvidas que precisavam ser esclarecidas. Sinceramente, se ficasse mais um segundo lá dentro certamente surtaria. 

No fim, Lúcifer sabia, aquilo não passava de um jogo no qual estava sendo inserido sem informações ou contexto. Deixaria com o Tempo o papel de esclarecer o que o futuro guardava-lhe, até porquê nem mesmo Deus estava acima do Tempo. 

 

Lá estava ele, o Grande Portão, tão alto e majestoso quanto lembrava-se, mesmo que já fizesse alguns anos que não visse-o. Devia ter cem vezes sua altura e, de uma forma contraditoriamente boa, fazia-o sentir-se insignificante. 

- Lúcifer? – escutou uma voz familiar questionar as suas costas. 

Parou de andar, sentindo um sorriso nascer em seus lábios enquanto o ódio parecia percorrer ser corpo com mais velocidade.  

- Miguel! – disse, num tom falsamente animado. Virou-se, dando de cara com a expressão retorcida do anjo. – Faz quantos anos que a gente não se vê, maninho? Uns vinte? Tava morrendo de saudade!  

O deboche em sua voz era palpável.  

Miguel tinha o cenho franzido e as mãos fechadas em punhos. Conseguia sentir, mesmo de longe, a fúria que o anjo tentava conter. 

- O que fazes aqui, seu maldito? – ele questionou, num tom raivoso. – Não devia estar lá em baixo preso junto daquelas aberrações demoníacas?

- Você não sabe?????? – questionou, fingindo-se de alarmado, enquanto divertia-se com a expressão cada vez mais retorcida do anjo. Levou as mãos até a boca, cobrindo-a e arregalando os olhos, dando início ao seu teatrinho. – Como assim logo você não sabe? Papai que me mandou. Tenho uma missão na Terra, sabe.  

Lúcifer sorriu internamente diante das reações que arrancava do anjo. Amava provocar Miguel. Tinha certeza que se não fosse por ele, já teria perdido a sanidade há muito tempo – se é que um dia foi são.  

- Deus mandou-lhe aqui? – questionou, rindo com arrogância. – Impossível. Deus jamais faria algo assim. Você só pode estar louco! 

- Nope! - respondeu com animação, rindo matreiro. – Estou sãozinho da Silva, graças a Deus – fez graça, e então, olhou para o relógio em seu pulso. – Poxa, irmãozinho, o papo tava ótimo mas infelizmente estou atrasado pra um compromisso muitíssimo importante na Terra. Até mais, Mimi!  

Virou-se novamente em direção ao Portão, porém, Miguel foi mais rápido, abrindo as grandes asas e parando em frente ao Portão, impedindo sua saída. 

Seu sorriso morreu enquanto uma carranca crescia no lugar. Podia amar tirar sarro da cara de Miguel, contudo, não estava com muita paciência para isso naquele dia. 

- Olha só, Mimi – começou, suspirando. – Maninho brinca com você outra hora, tá? Sai da frente, vai. 
Mas Miguel continuou parado, no mesmo lugar, com a mesma expressão. 

- Não passarás deste Portão, Lúcifer – ele disse, sério, empunhando a grande espada dourada, e Lúcifer quis rir. – Não enquanto eu estiver aqui. 

E realmente riu. Um som baixo e perigoso.  

- Olha só, maninho, não tô com muita paciência hoje, não, tá? Então você pode sair daí do jeito fácil, ou do jeito difícil – disse, com os olhos vermelhos brilhando. – Você escolhe.  

Ele continuou no mesmo lugar, quieto, o fitando com arrogância.  

- É, então vai ser do jeito difícil. 

Viu Miguel entrar em posição de combate, como se esperasse ser atacado a qualquer instante. 

Todavia, Lúcifer não fez o mesmo. Apenas sorriu, ladino, e virou-se, caminhado na mesma direção que havia percorrido para chegar ali. Afinal, não era com os punhos ou com uma espada que Lúcifer travava suas batalhas. 

- O que estas fazendo? – Miguel questionou a suas costas, o tom numa mescla entre indignado e confuso. – Não irias passar do jeito difícil?  

- E vou – respondeu, sem ao menos virar-se. – Vou falar pro papai que você desobedeceu uma ordem direta dele. Ele vai adorar saber disse, Mimi! 

E tão rápido quanto havia bloqueado seu caminho, ele apareceu em sua frente, com uma expressão alarmada. 

- O que você está fazendo, seu desgraçado?! – ele esbravejou. – Queres me ferrar?! 

- Indo falar com o papai, ué. Não me ouviu dizer? – sorriu, cínico. – Mas, se me deixar passar, nada disso chega até nosso Pai, o que acha? 

O conflito interno que Miguel travava era explícito para Lúcifer e isso fez com que sorrisse, sabendo que o anjo havia caído em sua armadilha. 

- Deus jamais deixaria você sair do Inferno novamente – Miguel cuspiu, como se tentasse fazer a si mesmo a acreditar no que dizia. – Não acredito em você, Lúcifer.  

Lúcifer andou até estar próximo do irmão. Tinha um sorriso maldoso decorando seus lábios enquanto os olhos vermelhos pareciam mais brilhantes ainda. Tinha o anjo nas mãos e faria proveito disso. 

- Eu sei o que você está pensando agora – disse, baixo, próximo ao rosto de Miguel, que encarava-o, desconfiado. – Nesse exato momento, você está pensando em como Deus foi estupido o suficiente para me deixar sair, não é? – os olhos arregalados e o rosto empalidecido eram como um presente. Riu baixo. Miguel cambaleou um passo para trás. – Acertei, não é? - sua voz soava arrastada. - Você acha que eu manipulei Deus para estar aqui. E não apenas isso, você também acha que se você estivesse no lugar do nosso Pai, teria tomado uma decisão melhor... – fitou os olhos arregalados do anjo enquanto seu sorriso alargava-se mais diante do desespero de Miguel. Podia ver dali as mãos tremetem. – Você se acha melhor que Deus, irmãozinho? – colou a boca ao ouvido dele enquanto segurava-o pelo queixo, sussurrando a sentença. 

O corpo de Miguel tremeu ao mesmo tempo em que ele empurrou-o para longe. Respirava de forma ofegante, afetada, os olhos estavam arregalados e a pele pálida. 

- Afaste-se de mim, seu herege! – Miguel gritou, desesperado, tentando de alguma forma tomar o controle da própria respiração.  

Lúcifer sorriu, arrogante, diante da cena patética que via agora. 

- Então esse é o anjo mais poderoso de Deus? – questionou, fitando o anjo com prepotência. Então olhou para cima, como se falasse diretamente com Deus. – Confesso que estou decepcionado. 

Não deu tempo para o irmão reagir, e, com um último olhar para o estado deplorável do anjo, virou-se, indo novamente em direção ao Portão.

Desta vez, não foi interrompido.  

No fim, Lúcifer e Deus não eram tão diferentes assim e, talvez, esse fosse o problema.


Notas Finais


o que acharam?


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