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História Captain Who - Um outro Senhor do Tempo - Capítulo 10


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Notas do Autor


Eu tinha uma imagem que mostrava o design que criei pra o vilão desse capítulo, mas perdi então vai essa foto aleatória pra representar a cidade.

Capítulo 10 - O Crepúsculo do Capitão


Fanfic / Fanfiction Captain Who - Um outro Senhor do Tempo - Capítulo 10 - O Crepúsculo do Capitão

I 

Os três não sabiam o que fazer. Todo lugar pra onde eles olhavam estava devastado. Havia lixo pela rua, as casas pareciam abandonadas e um forte cheiro vinha dos esgotos, os bueiros estavam abertos.

Até o céu parecia estar num tom apocalíptico, embora aquela, por mais perturbador que fosse, ainda era a Flórida, a mesma Flórida de John.

- Por quanto tempo estivemos fora? - Questionou-se ele.

Eles começaram a caminhar pelo meio da rua, já que não havia tráfego algum, observando as coisas ao seu redor. Qualquer sinal de vida por ali não era notado, e provavelmente não havia nada mesmo, só destruição.

- Temos que encontrar o Capitão - Falou Charlotte optando pelo otimismo. - E se possível um café.

Lisa estava espiritualmente ao revés dela.

- Não sabemos pra onde o Capitão foi - Disse. - Ele pode estar em qualquer lugar, mas nós quem estamos aqui. Vamos ver as coisas mais de perto e tentar descobrir o que aconteceu aqui.

Ninguém discordou dela. Talvez fosse a ideia do Capitão tê-la salvado apenas pra salvar a si, mas ela não tinha certeza disso, e talvez nunca tivesse.

Uma alta sirene começou a soar vinda de não se sabe onde. O barulho era altíssimo, chegou a incomodar os ouvidos deles. Por sorte não tardou a encerrar-se.

Ao fim do toque, do nada começaram a surgir pessoas nas casas. Elas destranacavam as portas com sorrisos nos rostos e gestos simples.

- Estão bem - Disse John se alegrando.

Mas o ânimo não durou muito.

Todas as pessoas os ignoraram, como se não estivessem ali. Chegaram a passar por eles, mas não os incomodaram. Até que os adultos começaram a pegar cortadores de grama e ferramentas de jardinagem e puseram-se a trabalhar em seus quintais quase que inutilmente.

Não haviam flores ou grama que não estivesse seca e morrendo, mas ainda assim eles insistiam.

As crianças jogavam futebol ou basquete umas com as outras gargalhando. Seriam rotuladas como meras crianças a brincar por qualquer um, mas o que elas faziam, assim como os adultos, tinha algo de muito estranho.

- Ei! - Gritou Charlotte inúmeras vezes, mas eles não se importaram. - Ei! Aqui! Ei!

E então a mesma sirene de antes voltou a soar, quase mais alta que antes, e ecoou por cerca de catorze segundos. Ao seu fim todas as pessoas haviam voltado a suas casas.

- Mas que maluquice é essa?! - Gritou John.

- Vamos procurar a polícia - Sugeriu Charlotte. - Acho que é tudo que podemos fazer.

Eles andaram cautelosamente e se afastaram da zona residencial. Logo estavam no que um dia foi um movimentado centro comercial, mas onde agora só cabia entulho e destruição.

Lisa avistou uma delegacia policial que pra surpresa deles não estava tão danificada quanto o restante, pelo menos não no lado de fora. Quão grande não foi sua surpresa ao entrarem e verem todo o lugar tomado por cabos e telas automatizadas.

Havia o som de alguém conversando não tão longe a eles, e logo as vozes se fizeram físicas perante eles.

- Ha, ton, for fu tre! - Anunciou uma das criaturas que surgiu.

Ao todo eram três ali. Eram altas, do tamanho de um humano padrão, de corpo afinado. A cabeça era de maior destaque, grande e volumosa. Sob ela prendiam inúmeros tentáculos com faixas de brilho que chegavam a faiscar. Eles andavam de modo meio desengonçado e deixavam alguns rastros luminosos por onde passavam que desapareciam logo em seguida.

- Por que não estão em suas residências?! - Questionou a criatura do meio.

Os três se entreolharam. Não sabiam bem o que dizer. 


II

- Houve um problema com nossa... residência - Disse Lisa tentando esconder os gaguejos enquanto falava. - Viemos reportar a vocês... Ham...

- Nos saude! - Ordenou a criatura da esquerda. Suas vozes eram semelhantes às dos Ood, só que num tom um tanto mais grave.

- Claro - Falou John também buscando ocultar o medo. - Mas... Preferimos que nos digam exatamente como lhes saldar... mestres. Não queremos os insultar por mera ignorância.

As criaturas conectaram os tentáculos e pareceram trocar informações entre si, até que falaram em uníssono:

- Salve os Ak-los, guardiões da paz e de toda vida na Terra.

Lisa, Charlotte e John procuraram repetir a mesma frase, e com isso os tais Ak-los pareceram menos insatisfeitos.

- Os Ak-los os reconectarão com sua residência.

- Não tem pressa - Sussurrou Charlotte.

O Ak-lo da direita começou a se dirigir a eles, mas então os outros o tocaram com seus tentáculos e novamente trocaram informações. O Ak-lo recuou de vez e o do meio se aproximou um pouco.

- Mas antes - Disse contente. -, vocês irão nos auxiliar em uma tarefa, para nos mostrar que não se corromperam pela hipocrisia dos grupos resistentes.

Os três Ak-los os fizeram caminhar por entre os cabos que infestavam o lugar.

Em dado momento, John acabou por tropeçar e cair. Quando se reergueu com a ajuda de Lisa e Charlotte, eles notaram que o cabo em que ele esbarrou se abriu um pouco, revelando carne viva a passar por ele.

- Biotecnologia - Comentou Lisa. - Já vi isso antes.

Os outros ficaram curiosos.

- Onde? - Perguntou Charlotte.

- Em Marte. Mas era coisa de Zygons, não desses Ak-los.

Ao darem mais uns passos, eles perceberam que a delegacia estava conectada com os demais prédios, e que provavelmente a destruição aparente no exterior destes era para não atrair atenções indevidas.

Logo eles estavam numa parte onde o caminho era escuro, mas os cabos tornaram-se encandescentes e iluminaram o trajeto.

Os Ak-los pareciam estar em êxtase, se movendo de cabeça baixa sem se importar muito para eles. Não teriam como fugir, de todo modo. Pó onde fossem passando os cabos criavam barreiras que trancavam o caminho.

- O que acham que eles querem? - Perguntou John.

Lisa e Charlotte não souberam o que dizer.

- Vamos fazer tudo o que mandarem - Disse Lisa apenas isso. - O Capitão tem que estar por aqui em algum lugar, sei que se nos ameaçarem de morte ele vai aparecer e dar um jeito em tudo. Se ainda for ele, é claro.

Charlotte e John não pareciam tão fiéis no Capitão quanto Lisa. Talvez por não o conhecerem há tanto tempo quanto ela, talvez por acreditarem que ele havia os abandonado de vez, não importa... Ela parecia estar mais crente de que ele realmente a quis salvar do que eles.

- Ele se importa conosco - Falou ela querendo sorrir sem conseguir. - Tenho certeza disso.

E então os Ak-los pararam numa sala obscura com uma iluminação concentrada nos cabos. No centro dela havia um dispositivo cilíndrico com pequenas aberturas para seus tentáculos, que eles não tardaram a pôr.

O dispositivo mostrou diversos pequenos pontos luminosos em sua lateral, e várias vozes de outros Ak-los, provavelmente, soaram em sua língua própria.

A TARDIS deve estar muito longe, pensou Lisa consigo mesma.

Um dos Ak-los então se desprendeu do dispositivo e começou a se comunicar com os humanos.

- Vocês irão penetrar no túnel da morte.


III

O Ak-lo apontou com um tentáculo para uma abertura na estrutura do prédio em que estavam. Dela reluzia alguma luz estranha.

- Irão imergir nele e puxar a alavanca que irá nos ajudar. Assim saberemos que não estão corrompidos.

Mais uma vez eles cruzaram os olhos se perguntando o que fazer.

- Não poderia ir conosco e nos ajudar? - Perguntou Charlotte nada inocentemente. Ela tentava conseguir mais informações sobre eles.

- Houve um acidente - Respondeu o Ak-lo. - Todo o lugar está inundado por um líquido nocivo para nós Ak-los. Apenas vocês podem ir.

Discutindo, os três se perguntaram como agir. Se de fato ele falava a verdade então não haveria problema em ajudá-los. Porém, e se ajudá-los fosse o que queriam para conseguir a devastação final da Terra? E se eles simplesmente estivessem mentindo e eles morrerão quando entrarem lá?

- Vão! - Ordenou o Ak-lo.

- Não vejo outro caminho - Disse Lisa.

John virou a cabeça pra trás certificando-se de que não havia mesmo caminho livre por onde escapar.

- Acho melhor irmos - Disse Charlotte.

Eles deram um grande e forte abraço coletivo e em seguida juntaram as mãos. Fosse o que fosse, eles enfrentariam juntos. Morreriam ou viveriam juntos.

O que os assolava, porém, certamente era a ausência do Capitão. Como ele poderia tê-los deixado sozinhos depois de...

- Interferência externa - Falou um dos Ak-los.

- Emergência - Alertou outro.

Lisa, Charlotte e John se olharam e olharam em volta. Um barulho baixo começou a surgir, e era um ótimo som, familiar e amigável. Foi deixando penetrar os ouvidos de todos até que começou a tomar forma, e era uma forma conhecida, de um grande tubo prateado.

À princípio quase não se era possível vê-lo, mas então ele ia e voltava aumentando o barulho. E foi então que tratou de encobrir por completo Lisa, Charlotte e John, os envolvendo protegidos próximos ao console enquanto observavam os arredores terminarem de se construir por entre eles.

- Tá diferente - Falou John com a testa franzida.

Do meio dos controles surgiu uma figura conhecida dos últimos tempos. Mas não era como antes, havia abandonado as roupas que ganhou por ter salvado as pessoas de uma loja de Anjos a chorar. O cabelo estava mais curto, certamente cortado, e seus olhos... Chegavam a destacar algumas rugas e sinais mais evidentes de uma barba.

- Capitão! - Gritou Lisa e correu pra abraçá-lo. Em seguida tratou de dar um soco no ombro dele. - Onde esteve?

Charlotte e John foram mais observadores em tudo o que mudou. Não estavam tão admirados quanto Lisa em simplesmente ver o Capitão de novo.

- Você tá muito diferente - Falou Charlotte.

- E a máquina também - Completou John.

O Capitão baixou o olhar um pouco. Passou as mãos pelo console da TARDIS, sentindo todos os botões e alavancas. Em dado momento chegou a aparentar que ele a estava acariciando, como quem sente pena de alguém.

Ele puxou uma tela e observou os Ak-los no exterior por um tempo. Eles explicaram sobre a mulher robô os ter trazido e sobre o que havia acontecido com a Terra.

- Então os Ak-los tomaram tudo pra si - Disse ele por fim.

Eles assentiram.

- Vamos então - Disse Charlotte. - Nos tire daqui pra sempre, esse lugar não é a Terra.

- Ou, espera aí - Falou John agitando as mãos. - Esse lugar é a minha casa, eu tinha, e espero que ainda tenha, família aí. Não podemos sair e deixar tudo assim.

- Você não - Voltou Charlotte a falar. -, mas eu quero que o Capitão me leve de volta e vocês resolvam as coisas como quiserem. Não quero arriscar mais minha vida.

Lisa a olhou surpresa com tudo o que disse. Tudo estava muito estranho e foi aí que Lisa se deu conta.

O Capitão se aproximou lentamente de Charlotte e segurou sua mão, olhando profundamente em seus olhos.

- Mesmo que quisesse te levar eles tem uma trava aqui, não sabem o quanto foi difícil conseguir achar esse único ponto vulnerável pra materializar a TARDIS - Ele pegou a outra mão dela. - E também não é isso que faço. Não dou as costas a ninguém, não abandono as pessoas quando precisam de ajuda, não mais. E se você viaja comigo, Charlotte, se você quis ver o universo comigo você tem de entender isso. Posso te levar de volta, mas só quando tudo acabar, e pode se esconder aqui se quiser, mas se for assim você não pode estar ao meu lado. Vai voltar pro seu emprego, voltar a ser policial seguindo sua vida como sempre, lembrando de tudo o que viveu só as vezes, talvez como histórias banais, não sei... Só não pode mais continuar.

Charlotte baixou a cabeça, mas não estava chateada. Começou a sorrir e então reergueu o rosto. Estava radiante como nunca.

Lisa e John a olharam sem entender bem, buscando alguma explicação pra aquilo tudo.

- Esse é o Capitão que conheci - Disse Charlotte enfim e deu um tapa na cara do Capitão.

- Au! - Resmungou ele e Lisa deu uma pequena gargalhada. - Não foi engraçado, se fosse com você ia...

- Capitão - Prosseguiu Charlotte. -, não sei o que aconteceu com você desde que nos encontramos, não sei por onde andou ou o que fez, só sei que esteve sozinho, seus olhos não negam, e talvez a solidão tenha feito muito mau a você. Mas diga agora, você voltou ao seu planeta por si próprio ou por Lisa?

Ele baixou um pouco o olhar. Mordeu o lábio e inclinou a cabeça pro lado.

- Isso importa? - Perguntou.

Lisa se aproximou um pouco e fez que sim.

- Eu acho que sim - Disse. - Somos amigos, né? Amigos não mentem uns pros outros.

- Tá parecendo Stranger Things - Sussurrou Charlotte pra si mesma.

- Você se sentiu muito mau com o que te fizeram, né? - Voltou Lisa a falar. - Seu próprio povo te exilou pra sempre...

- Não ligo mais - Ele não parecia muito sincero.

- Foi por isso que nos abandonou? Diga, Capitão! Preciso que responda. Talvez seja egoísmo meu, mas...

Houve um grande barulho então e pela tela eles viram que os Ak-los estavam tentando forçar uma entrada.


IV

- Tudo bem - Falou o Capitão correndo ao redor do console e apertando alguns botões muito rapidamente, o que acabou por encerrar as tentativas dos Ak-los de entrar. - Logo mais teremos muito tempo pra responder às perguntas. Eu estendi um campo de força sobre a TARDIS, não vai durar muito, só espero que o suficiente pra conseguirmos...

- O quê? - Questionou John.

O Capitão fez a imagem da tela do exterior sumir e então surgiram diversos planetas em partes distintas do universo.

- O que isso tem a ver? - Perguntou Lisa.

- Ah, tem tudo a ver, Lisa Peterson. Não sei como consegui ignorar por tanto tempo, era óbvio demais.

- O quê?! - Gritou Charlotte.

O Capitão vasculhou um baú imenso sob o console e acabou tirando dele uma réplica em miniatura dos Ak-los.

- Uau - Disse Lisa.

- Eles são imperadores naturais - Falou o Capitão. - É quase uma função biológica deles governar. Invadem planetas, dizimam uma parte da população e escravizam a outra.

- Isso parece Hollywoodiano demais - Sugeriu Charlotte.

- Também achei, e não é atrativo? Eles se espalharam por tantos lugares...

- Então... - Disse John pensativo. - Pode ser que queiram ser notados, ou pelo menos lembrados como lendas imbatíveis. Um símbolo de poder como as indústrias Forth, talvez.

- Muito bem. E lembram-se do que o Comandante Storx nos disse?

- Que tinham aliados na conquista da Terra - Apontou Charlotte sabiamente.

- Isso! - Gritou Lisa. - Então eram os Ak-los esse tempo todo, deviam contar com os Sontarans pra eliminar as parcelas da população desnecessárias. Mas alguém surgiu no caminho deles...

- Não se empolga - Disse o Capitão. - E não é só isso. Lisa, lembra do Caraveu? Os outros da espécie dele foram quase que inteiramente dizimados, não é?

- Claro - Lisa estava processando algumas outras informações. - E os Zygons, disseram que não se lembravam bem de algo que havia acontecido com o planeta deles.

- E os Anjos falaram do planeta em que habitavam, que precisaram encontrar outro.

- Espera - Falou Charlotte meio que sorrindo. - Eu captei uma cosia também. Os Ciborgues, Capitão, disseram que precisavam de mais gente pra converter.

O Capitão abriu um sorriso de satisfação.

- Exato. Mas eles os subestimaram, Ciborgues não são meros humanos molengas.

Os três humanos presentes se entreolharam meio que ofendidos, mas o Capitão não notou.

- Com os Hermes o mesmo - Prosseguiu ele. - Todas espécies devastadas que quase não sobreviveram e perderam em grande parte seus planetas. Os Ak-los estiverem muito ocupados...

Houve um minuto de silêncio. Eles pensaram em toda essa hipótese recém formulada e se perguntavam agora o que fazer pra impedir os Ak-los.

- Eles queriam que entrassémos num tal de túnel da morte - Disse John. - que disseram que era fatal pra eles.

- E o que queiram que fizessem lá?

- Não sei, alguma coisa que iria ajudá-los.

O Capitão voltou a imagem da tela ao que se passava no exterior. Os Ak-los trabalhavam no dispositivo em que conectaram os tentáculos constantemente. John apontou pro Capitão a entrada do tal túnel da morte.

- Esse brilho... É algum tipo de radiação.

O Capitão conseguiu usar a TARDIS pra invadir o sistema dos Ak-los e descobriu que o lugar era uma ponte de comando poderosíssima que, se desse sorte, podia conseguir usar pra dar um fim no Império deles.

- Capitão, não pode ir - Dizia Lisa, mas ele sabia o que fazer e não podia arriscar mais nada...


V

O Capitão saiu da TARDIS lentamente após desativar o campo de força e mostrou as mãos limpas para os Ak-los, que pediram que se identificasse. Ele os disse que poderia ajudá-los, que estava disposto a cooperar com o Império deles.

- Você vai nos ajudar - Disse um deles.

Um começou a rastejar até o Capitão e estendeu um tentáculo para ele.

- Uma parte de mim irá com você - Falou. - Nos asseguraremos de que faça o certo.

Lisa, Charlotte e John assistiam a esses momentos apreensivos, e ficaram ainda mais quando o Capitão entrou no túnel e não mais foi visto.

- Hoje - Dizia ele pra si mesmo ao se aproximar do lugar. -, enfim é o dia do meu Crepúsculo.

O Capitão percorreu alguns poucos metros e descobriu que o tal túnel era um tipo de poço profundo que estava inundado até a borda de líquido radioativo. A voz dos Ak-los soou anunciando que os controles que ele precisava usar estavam no fundo.

Ele teria de mergulhar, e não sabia que tipo de composto era aquele, pelo menos não até que usou o canivete sônico e descobriu ser altamente mortal para qualquer ser vivo com pelo menos um coração.

Sem nem mesmo prender a respiração, o Capitão saltou e começou a nadar normalmente rumo ao fundo. Os efeitos do líquido começavam a lhe atormentar.

Foi possível sentir uma ardência fenomenal que parecia estar corroendo a pele dele. Também havia uma pressão muito grande que quase o esmagava. Passava da metade do caminho e ele sentiu seus batimentos enfraquecendo. Olhou para uma de suas mãos semi corroída e viu alguma luz arroxeada brotar dela curando os ferimentos.

Quando chegou ao fundo, o Capitão viu os controles e por conta da parte Ak-lo que estava conectada com ele soube exatamente o que devia fazer... Mas não fez.

O Capitão já estava morto, morto o bastante pra conseguir expelir o Ak-lo de si e poder conectar sua mente aos comandos.

- Lisa - Falou ele telepaticamente para todos na superfície. -, essa é minha chance de me redimir pelo o que fiz.

Eles se desesperaram.


VI

- Faça o que mandamos! - Gritavam os Ak-los.

- Não pode morrer, Capitão - Dizia Lisa. - Esqueça o que fiz, você me salvou, não tem nada pra se redimir. Não precisa responder por qual de nós voltou ao seu planeta, esqueça!

O Capitão estava decidido, só queria se despedir antes de fazer o que tinha em mente.

- Lisa Peterson, Charlotte Smith, John Adams - Prosseguiu. - Vocês foram os humanos que eu mais gostei de ter conhecido. Você foram realmente espetaculares. Mas sempre acabamos, sempre temos que chegar ao Crepúsculo, e esse é o meu. Não interfiram, apenas sigam em frente não importa o que aconteça e... Lembrem-se de mim. E eu posso responder, Lisa. Naquele momento eu pensei em mim, na minha morte, no que poderia acontecer. Por isso fui com tanto afinco reencontrar os Senhores do Tempo, ou morria com você ou nas mãos deles, mas sei lá, só tive tempo de pensar que haveriam mortes, de um jeito ou de outro. Mas eu passei muito tempo longe de vocês, e pensei bastante em tudo. Você demonstrou há muito tempo o que o egoísmo pode se tornar, Lisa, me perdoe. Em meus duzentos e sessenta e sete anos me importei muito mais comigo mesmo, mas pelo menos agora posso provar pra você, pros Senhores do Tempo e pra todo mundo, que posso agir melhor. Estava cansado de não interferir, essa é a prova mais clara de todas que eles precisam pra saber que não me arrependi de modo algum de tudo o que fiz, de todos que ajudei... - Ele parou um minuto e respirou fundo. - E não deixamos de ser quem somos só por que mudamos. Lembrem-se disso, por favor, e não me abandonem.

Os três deram as mãos e começaram a torcer por ele. Não havia chance de mudar o que ele queira fazer. Mas Lisa, mesmo estendendo, não conseguia aceitar isso. Ela chorou e teria corrido atrás dele, não fosse os outros a segurarem.

O Capitão notou mais algumas luzes surgindo através de seu corpo, mas as forçou a pararem de surgir, pelo menos temporariamente.

- Ele vai nos destruir - Diziam os Ak-los. - Prendam-no!

De dentro dos controles à frente do Capitão começaram a saltar correntes de ferro que se envolveram nele, mas não à tempo de o impedir.

O Capitão se ligou telepaticamente a cada um dos Ak-los que estava na Terra, e os fez sentir tudo. Todas as dores e todo o sofrimento que eles haviam causado por onde passaram agora podia ser sentido, e eles se desesperaram.

Gritaram e urraram em agonia até que penetraram de novo no dispositivo, só que desta vez programaram uma bomba elétrica que no mesmo instante se ativou e mandou um sinal por todo o mundo. Cada Ak-lo em cada parte foi queimado até o pó depois que sentiram o que haviam feito.

- Não conseguem viver com a dor de cada coração que partiram?! - Gritou o Capitão. - Eu também não...

Com isso as pessoas se libertaram do comando deles e começaram a sair de suas casas, mas não como antes, agora tinham controle sobre si próprios e se perguntavam o que havia acontecido.

E o Capitão estava imerso em líquido radioativo acorrentado já inconsciente.

Lisa, Charlotte e John saíram da TARDIS vendo o pó dos Ak-los mortos. Eles correram na direção do túnel da morte e observaram com cuidado o poço encandescente à procura do Capitão, mas não havia sinal dele.

- Ele está morto - Disse John.

Todos se entristeceram.

- Mas ele salvou a Terra - Disse Charlotte. -, e isso nunca vai ser esquecido.

Eles pareciam conformados, o contrário de Lisa.

- Não pode! - Gritava ela entre soluços. - Não pode morrer! Aquele Senhor do Tempo, o Newber, ele nos disse que regenerar depois da morte é uma habilidade da raça dele. Não pode estar realmente morto.

Mas não houve resposta. Eles se consolaram. Lisa chorava enquanto era tomada por uma tristeza avassaladora.

No fundo do poço, o Capitão de repente abriu os olhos. Sentiu toda a energia regenerativa percorrendo seu corpo e curando seus ferimentos físicos. Ele sacudiu os pulsos tentando se libertar, mas percebeu que só havia um modo de quebrar aquelas correntes.

Sem hesitar o Capitão deixou que toda aquela energia em seu interior se manifestasse pra fora. Então sua pele brilhou mais do que a própria radiação e começou a liberar feixes de luz azulada que começaram a se intensificar, até que eram jatos fortes sobre as correntes o impulsionando pra cima.

Logo ele estava liberto e viajava pro alto enquanto a luz tratava de se expandir e saia constantemente de seus braços e cabeça.

Lisa, Charlotte e John perceberam a agitação no poço, e quando se aproximaram um pouco mais pra olhar acabaram vendo um jato de luz em formato de corpo vindo à superfície.

Logo o Capitão estava com a cabeça de fora liberando muita luz e energia que variava entre o azul, o rosa e o roxo, até que esta começou a diminuir e seu rosto pôde ser visto mais nitidamente. Ele pôs os braços pra fora do poço tentando sair enquanto seu cabelo tornava-se avermelhado e alongava e sua pele tornava-se ainda mais enrugada.

Ao sair ainda com luz sobre o rosto, o Capitão meio que se desequilibrou, mas acabou conseguindo sair e a energia da regeneração cessou.

- Ah, nossa - Disse sentindo um peso na parte da frente de seu corpo. - Um... Gostei da voz, chega a ser sexy, não é mesmo? - Levou as mãos ao rosto. - Mas essa pele... Deixa pra lá, o que mais me assombra são essas glândulas altamente desenvolvidas - Levou as mãos aos seios. - É meio irritante, desequilibra... Espera, eu tenho uma coisa no bolso... Ah, chicletes. Alguém quer um?

Era arriscado dizer qual dos três estava mais assustado. Se Charlotte e John simplesmente por se depararem com aquela mulher ao invés do Capitão com o qual estavam adaptados, ou se Lisa por ver a senhora Balman bem ali na sua frente.


Notas Finais


Também tinha feito um vídeo da regeneração, mas perdi pra sempre. Até tentei refazer mas estava dando muito trabalho, então desisti. De qualquer modo era só a sobreposição de um rosto no outro com alguma luz.

À atriz que "interpreta" ela é a Helen Mirren, só que a imagino com cabelo bem vermelho. Aqui uma imagem dela: https://www.berlinale.de/media/filmstills/2020/hommage-2020/202012742_1_RWD_1380.jpg


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