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História Capture The Moment - Capítulo 25


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Notas do Autor


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Boa leitura!

Capítulo 25 - Momento Vinte e Cinco


Fanfic / Fanfiction Capture The Moment - Capítulo 25 - Momento Vinte e Cinco

Bonnibel


 — Ainda não acredito nisso — Phoebe comenta enquanto observa atenciosamente minhas sapatilhas de docinhos antes de encaixotá-las para a mudança. — É o fim de uma era.


 Engulo em seco.


 É mesmo.


 Esse pensamento passou pela minha cabeça um milhão de vezes.


 E um milhão de outros, basicamente indagando se eu tinha como sair dessa — se podia desistir de ir morar com Finn.


 Por um instante, sinto vontade de contar tudo a Phoebe. Gostaria de poder confessar a alguém que a verdadeira razão de aceitar morar com ele foi medo. Medo de que, se continuasse com Marceline, as coisas poderiam mudar.


 Só que elas estão mudando mesmo assim, e eu ainda estou tendo que lidar com a mudança sem minha melhor amiga.


 Mas conversar sobre isso com Phoebe vai suscitar uma série de questionamentos que não estou pronta para responder.


 Sobre mim. E sobre Marceline.


 Sobre o que aconteceu na última noite em Cannon Beach.


 Então fico em silêncio, tentando me convencer de que ir morar com Finn é a decisão certa. Que significa que estou seguindo em frente com minha vida.


 Não levanto os olhos. Continuo embrulhando meus frascos de perfume em plástico bolha. 


 — Obrigada por me ajudar a embalar as coisas pra mudança.


 — Ah, imagina — ela diz, dispensando meu comentário com a mão. — Essa é a parte mais fácil. Pelo menos você tem duas pessoas pra ajudar com as coisas pesadas amanhã.


 Fico em silêncio. Ela continua: 


 — Marceline vai ajudar, certo? Porque, por mais que eu adore você, não vou estragar as unhas carregando uma cômoda.


 — Na verdade, ainda não pedi — respondo, me mantendo de costas para que não consiga ver a expressão no meu rosto. — Mas com certeza vai ajudar a pôr as coisas no caminhão, claro.


 Não tenho certeza nenhuma disso.


 Não é que a gente não esteja mais conversando. Somos perfeitamente educadas uma com a outra. Precisamos fazer isso, porque até a hora do almoço de amanhã ainda moramos juntas. E ainda vamos juntas para o trabalho.


 Mas, nas duas semanas que se passaram desde que contei que vou morar com Finn, nossa conexão se perdeu. Mental. Emocional. E acima de tudo física.


 Nenhuma das duas admite que tem alguma coisa errada. Mas tem, e isso está me matando por dentro.


 — Certo. Queria falar uma coisa com você — Phoebe comenta, colocando um par de chinelos velhos com todo o cuidado na caixa, como se fossem Louboutins, antes de sentar na minha cama.


 — Claro — respondo, grata pela mudança de assunto. Qualquer coisa que desvie meus pensamentos de Marceline.


 — É sobre Marceline — ela avisa.


 Hum.


 — Certo — digo.


 Tenho uma súbita premonição de que é melhor estar sentada para ouvir isso, então percebo que já estou de pernas cruzadas no chão. Droga. Talvez seja melhor arrumar alguma coisa em que me apoiar então.


 — Vou pedir pra sair com ela. Com Marceline. Vou chamar Marceline pra sair — ela conta.


 Seu tom de voz é tranquilo, direto e muito, muito claro, mas mesmo assim preciso de um bom tempo para registrar as palavras.


 — Phoebe…


 — Já sei o que você vai dizer — ela interrompe. — Que ela é uma mulherenga e vai partir meu coração, porque nunca assume compromissos. Mas eu gosto dela, Bonnie. O suficiente pra querer arriscar.


 — Mas…


 O sorriso de Phoebe é gentil, mas firme. 


 — Com todo o respeito, não é você quem tem que decidir isso. Vou convidar Marceline para jantar. Se ela quiser recusar, que seja, mas você não pode fazer isso por ela.


 Pisco algumas vezes, confusa. Ela tem razão, claro. Não tenho o direito de decidir com quem Marceline vai ou não sair, mas é que…


 Phoebe olha bem para mim. 


 — Tudo bem pra você, né? Porque está com cara de que quebrei um código de honra ou coisa do tipo…


 — Não! Quer dizer… claro que tudo bem. Vai ser meio esquisito quando — ou melhor, se — as coisas não derem certo entre vocês, mas no pior dos casos é só manter as duas à distância.


 Ela solta um suspiro de alívio. 


 — Que bom. Quer dizer, sei que você tenta manter suas amigas à distância dela, e entendo, mas é que… Penso nela o tempo todo. E às vezes quando a gente se olha eu sinto… alguma coisa, sabe?


 — Claro!


 Minha voz sai aguda demais, empolgada demais, mas Phoebe nem percebe.


 Apesar de duvidar que Marceline vá namorar em breve — mesmo uma pessoa incrível como Phoebe —, não consigo evitar as imagens hediondas que se formam na minha cabeça.


 Phoebe e Marceline de mãos dadas. Se beijando. Nós quatro saindo juntos.


 Credo.


 Phoebe olha para o celular. 


 — Ai, droga, sério que já são duas horas? Minha aula de ioga começa daqui a vinte minutos. Tudo bem se eu sair agora? Posso voltar mais tarde.


 Faço que não com a cabeça. 


 — Não esquenta. Já estou quase terminando. Só falta encaixotar umas coisas. Além disso, não vou me mudar pro outro lado do país. Posso voltar aqui quando quiser pra pegar o que sobrar.


 — Marceline ainda não arrumou outra pessoa pra dividir a casa?


 Balanço negativamente a cabeça. 


 — Ainda não, mas acho que Flame é um forte candidato, porque o contrato de aluguel dele acaba mês que vem, e ele está atrás de um lugar mais barato.


 — Ah, por falar nisso, estou orgulhosa de você — diz Phoebe, colocando a bolsa no ombro. — Por mais fofas que você e Marceline sejam, não dá pra continuar sendo Sam & Cat pra sempre, né?


 Abro um sorriso sem graça. 


 — Se quer ter um relacionamento com Marceline, é melhor não comparar a garota com um ícone cômico da TV.


 Phoebe dispensa meu comentário com um gesto. 


 — Você entendeu o que eu quis dizer. É bom que tudo tenha terminado antes que ficassem dependentes demais dessa rotina e começassem a sabotar os relacionamentos uma da outra. É uma mudança de rumo boa.


 Concordo com a cabeça, sem muito entusiasmo. Ando ouvindo bastante esse tipo de coisa. De Jennifer, da minha mãe, de Phoebe, de Finn… até do meu pai. Todo mundo parece concordar que está na hora de Marceline e eu darmos “o próximo passo”.


 E todo mundo parece bem empolgado com minha mudança.


 Menos eu e Marceline.


 Phoebe vai para a aula de ioga, me deixando sozinha com meus pensamentos depressivos.


 Eu deveria estar empolgada.


 O objetivo da mudança era proporcionar um recomeço. Deveria ser uma chance de assumir um compromisso mais sério com alguém que me ama, que quer mais de mim do que sexo e idas ocasionais à KINA.


 Então por que estou me sentindo como se estivesse de luto?


 Escuto uma batida na porta, mas nem tenho a chance de responder antes que abra.


 É Marceline. 


 — Oi.


 — Oi! — respondo. — Entra!


 Mas é claro que ela já entrou, e se joga em cima da minha cama. 


 — Achei que deveria vir ver se você precisa de ajuda. — Levanto uma sobrancelha, e ela fica meio sem graça. — Eu sei. Estou oferecendo meio tarde demais. É que… mudança é um saco, né?


 É só um pretexto, e nós duas sabemos disso, mas, como tampouco estou agindo normal nos últimos tempos, deixo passar. Fico contente por ela estar aqui e pelas coisas parecerem… bom, não exatamente normais, mas pelo menos estamos conversando.


 — O que eu faço? — ela pergunta.


 Aponto para o closet. 


 — Que tal terminar de encaixotar meus sapatos? Phoebe começou, mas estava demorando uns cinco minutos por par…


 Fico observando enquanto Marceline pega um monte de sapatos e despeja na caixa sem a menor cerimônia.


 — Estou vendo que esse problema você não vai ter — comento, sarcástica.


 Ela sorri, repetindo o gesto. 


 — Quantos sapatos você tem, mulher?


 — Esse ‘mulher’ que você acrescentou no fim da frase responde à sua própria pergunta. Tenho muitos.


 — Espero que Finn esteja pronto pra perder uns oitenta por cento do closet dele — Marceline comenta, pegando uma sandália anabela rosa e dando uma examinada cética nela antes de arremessar — sim, arremessar — na mesma caixa.


 É a primeira vez desde o anúncio da mudança que Marceline toca no nome do meu namorado.


 Sim, Finn voltou a ser meu namorado. Não que a gente tenha, hum, consumado a retomada, mas vou morar com o cara. Claro que ele é meu namorado.


 Mesmo assim, tenho evitado ao máximo a presença dele na casa. A ideia dos dois no mesmo ambiente não me agrada.


 — Então, está feliz por ter o banheiro só pra você? — pergunto, com um tom de voz deliberadamente alegre. — Toda aquela água quente. Ah, e vai ser a dona absoluta do controle remoto. E suas cervejas não vão ter que disputar espaço na geladeira com meus espumantes. Não vai ter mais cabelos no ralo e…


 Para meu horror completo, minha voz fica embargada. Não consigo nem ver as correntinhas que estou tentando desembaraçar faz alguns minutos, porque meus olhos se enchem de lágrimas.


 — Ei — diz Marceline, parecendo em pânico. Ela senta ao meu lado no chão, estourando uma porção de bolhas do plástico no processo. — O que é isso?


 Ela pega uma lágrima com o dedo, o que me faz chorar ainda mais.


 — Sei lá — respondo, em meio aos soluços. — É que… acho que… eu não…


 Ela passa os dedos de leve no meu rosto. 


 — Vou sentir sua falta também, Jujuba.


 Olho para ela com a visão toda borrada. 


 — Comprei umas toalhas novas. Várias. Deixei lavadas e coloquei debaixo da pia, pra você ter um estoque por um bom tempo. E vou ligar todo dia pra te lembrar de…


 Ela tapa minha boca com a mão. 


 — Bonnie. Relaxa. Você vai morar a cinco minutos daqui. Não é como se a gente nunca mais fosse se ver.


 — Eu sei. — Limpo o nariz com o dorso da mão. — Mas vai ser diferente. Não vai?


 Marceline cola os joelhos no peito, envolve as pernas com os braços e fica olhando para as mãos. 


 — É. Vai ser diferente.


 Não é isso que quero que ela diga, então choro ainda mais antes de me jogar nos seus braços, agarrando seu pescoço com força.


 Ela fica tensa por um instante, mas depois leva uma das mãos às minhas costas e a outra ao meu cabelo. 


 — Você e seus choros.


 — Pois é — murmuro contra seu pescoço. — Sou uma manteiga derretida.


 Abraçada por ela, me sinto no lugar certo. Pela milionésima vez me pergunto se estou fazendo a coisa certa indo morar com Finn.


 Recuo um pouco para olhar Marceline, e nossos rostos ficam separados por poucos centímetros. É estranho pensar que, poucas semanas atrás, isso terminaria em um beijo.


 E o mais estranho é que minha vontade de fazer isso permanece.


 Ai, Deus. Não posso de jeito nenhum ainda estar a fim de Marceline.


 Para começo de conversa, tem o Finn.


 Além disso…


 Certo, não consigo pensar em nenhum outro motivo.


 — Phoebe vai chamar você pra sair — revelo, desesperada para interromper meus pensamentos.


 Ela levanta as sobrancelhas, e fico sem saber se é por causa da mudança abrupta de assunto ou da notícia em si. 


 — Ah, é?


 Faço que sim com a cabeça. 


 — Tentei avisar pra ela, mas… está determinada.


 Ela franze a testa. 


 — Como assim, avisar?


 — Pra ela se preparar — explico. — Pra sua recusa.


 Marceline fica me observando com uma expressão indecifrável. 


 — E por que eu recusaria?


 — Bom, ela não está atrás só de uma transa — digo, forçando um sorriso e dando um tapinha em seu joelho. — Já falei que Phoebe quer um relacionamento sério. Pra valer.


 — Entendi… — O tom de voz dela indica que não entendeu coisa nenhuma.


 — Phoebe quer namorar — reforço, dizendo com todas as letras.


 Fico à espera de que ela absorva a informação para me garantir que não tem a menor intenção de assumir nada com Phoebe ou com qualquer outra garota.


 Que vai continuar a ser uma solteirona charmosa e galinha.


 Não que eu goste da ideia de Marceline dormir com um monte de garotas, mas é algo muito mais fácil de aceitar do que ela com alguém de verdade…


 Mas Marceline não diz nada disso. Simplesmente dá de ombros. 


 — Gosto da Phoebe.


 Fico boquiaberta. 


 — Você não pode estar pensando em dizer sim.


 Ela solta uma risadinha curta e um pouco áspera. 


 — Bom, não é exatamente um pedido de casamento, né? Se ela me chamasse pra sair, eu aceitaria.


 — Mas…


 — Não quero ficar solteira pra sempre, Bonnie.


 O tom de voz dela é um pouco rouco, e o meu um pouco irritado quando retruco.


 — Desde quando? — Vejo que Marceline cerra os dentes em irritação, mas insisto. — Quando foi que você deu alguma indicação de que queria uma namorada?


 — Sei lá, Bonnibel. Mas tenho direito de mudar de ideia, não? Quer dizer, não estou falando que vou comprar uma aliança no próximo fim de semana, mas nem por isso vou me manter fechada à ideia quando a garota certa aparecer.


 Sinto um nó na garganta. Não sei por que, mas essa informação me deixa ao mesmo tempo surpresa e magoada.


 Marcy está esperando pela garota certa?


 Sempre achei que fosse uma solteirona convicta. Só de pensar que quer ser a namorada de alguém…


 Isso abala toda a minha convicção de quem ela era.


 Ou de quem a gente era.


 Não faz o menor sentido. Nada mais faz sentido.


 — Você vai mesmo namorar a Phoebe? — Tento fingir que não estou incomodada com a situação, sem sucesso.


 — O que está acontecendo? Agora quem vem com dois pesos e duas medidas é você? — ela pergunta, levantando com uma expressão de irritação no rosto.


 — Como assim? — Também fico de pé, para encará-la.


 — Você pode ter um namorado e uma melhor amiga, mas eu só posso ter você?


 — Não! — respondo. — Não é isso que estou dizendo. Só pensei que…


 Ela cruza os braços. 


 — O quê? O que foi que você pensou?


 Faço uma careta ao ouvir a frieza em sua voz. Não consigo responder, porque a resposta que está na ponta da minha língua vai destruir o que existe entre nós.


 Porque a ideia maluca que domina minha cabeça é que não consigo aceitar o fato de que Marceline estava esperando pela garota certa…


 Porque isso significaria que não sou eu.


 Todo esse tempo, nunca me permiti pensar em Marceline como uma possibilidade porque achava que ela não queria namorar.


 Só que eu estava errada.


 Ela só não quer ser minha namorada.


 Mas tudo bem. Somos só duas amigas que…


 — Ai, meu Deus. — Fecho os olhos com força. — Aconteceu.


 — Aconteceu o quê? — O tom de voz dela ainda é de irritação.


 Eu me obrigo a olhar em seus olhos. 


 — Estragamos nossa amizade. Complicamos tudo colocando sexo no meio.


 — Ou então você complicou tudo decidindo voltar com o babaca do seu ex.


 — Ei! — Aponto para ela. — Isso não é justo. Pedi sua opinião, e você falou…


 — Não interessa o que eu falei! — Marceline grita. — Ou você quer ficar com Finn, ou…


 Ela se interrompe e passa as mãos nos cabelos. Dou um passo à frente. 


 — Ou quero ficar com Finn ou então o quê?


 Nem sei dizer o quanto desejo que ela termine essa frase.


 Em vez disso, ela abaixa as mãos e fecha os olhos. 


 — Porra, isso é loucura. Vou dar o fora daqui.


 — Ótima ideia. Fugir quando as coisas ficam feias — digo, irritada. — Phoebe é uma garota de sorte. Você vai ser uma ótima namorada.


 Marceline me encara, com os olhos frios como o gelo. De um jeito que nunca vi.


 — Tenho uma palavra pra você, Bonnie, mas fique sabendo que, quando eu disser, não significa que quero que tudo volte a ser como era antes. Quando eu disser, vai ser pra avisar que não quero mais nada com você.


 Sinto uma pontada de pânico. 


 — Marceline…


 Ela levanta a mão. 


 — Não, me escuta. Você tem o direito de ir morar com Finn. Precisa seguir em frente. Mas eu também preciso, e não dá pra fazer isso tendo alguém sempre dizendo que sou uma babaca superficial e mulherenga. Não dá pra fazer isso com alguém que pensa que pode ter tudo, mas eu não.


 — Espera aí, Marcy…


 Ela se inclina para a frente para olhar bem nos meus olhos, e a expressão em seu rosto é brutal quando diz o que jamais imaginei que fosse ouvir. Nossa palavra de segurança.


 — Violoncelo.


 E assim, do nada, minha melhor amiga deixa de fazer parte da minha vida.



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