História Capuz de Luz (Trilogia do Capuz - Livro 3) - Capítulo 4


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Palavras 4.304
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá arcanjos, desculpem pela demora, confesso que rolou um pouco de preguiça, mas prometo que não a deixarei mais me controlar kkkkkkkk Aproveitem o capitulo. Abaixo tem a foto do ator que mais se aproxima de Willian (na minha opnião).
Não esqueçam de comentar.
Boa leitura.

Capítulo 4 - Depois da explosão


Fanfic / Fanfiction Capuz de Luz (Trilogia do Capuz - Livro 3) - Capítulo 4 - Depois da explosão

Silêncio dá lugar a um chiado, abro os olhos devagar, demorando alguns segundos para me situar onde estou. O teto do grande salão possui rachaduras, o que me faz lembrar do homem no palco, da explosão. Um pouco zonza, faço esforço para levantar, permanecendo sentada. 

Há sangue e pessoas caídas por todo lado, a medida que minha audição retorna, ouço seus gritos, súplicas e choro. De repente labaredas surgem e rapidamente o lugar está completamente em chamas, moradores do vilarejo vagam pelo salão pedindo ajuda enquanto o fogo os consome, dentre eles estão os pais de Melody, que gritam pela filha, desesperados. Olho para o lado e lá está o corpo de Rick caído, jorra sangue da sua boca, enquanto ele se esforça para permanecer vivo. Fecho os olhos e cerro os punhos.

- Não é real, não é real. – repito.

O calor aumenta nas palmas, sinto pinicadas enquanto a pele é queimada. Começo a sentir muita dor, mas continuo com as mãos cerradas, me concentrando para que todo o sentimento ruim se vá. Abro os olhos, sentindo meu coração desacelerar, alguns médicos e enfermeiros correm de um lado para o outro prestando primeiros socorros para os convidados, logo me lembro de Aurora e começo a procurá-la em meio ao restante de pessoas caídas ao meu redor. A garota se encontra desacordada alguns metros atrás, quando tento ficar de pé para alcança-la sinto dores fortes em meu quadril e pernas, flexiono os membros inferiores, ouvindo as juntas estalarem. Apoiando nas mãos e com certa dificuldade, ergo-me e vou a sua direção. 

Aurora está caída sobre a mesa que se encontra na posição inversa, com as pernas para cima, sob sua cabeça há uma pequena poça de sangue. Checo ao redor para ter certeza de que não há ninguém próximo que esteja desperto, posiciono a mão direita atrás de sua cabeça e entoo:

- Sana.

O fluxo de sangue que sai de sua cabeça não diminui, rapidamente procuro em meu corpo ferimentos que estejam atrapalhando a execução do encantamento, não encontrando nada. Retorno a mão à cabeça da minha amiga e fecho os olhos me concentrando. Quando repito o encantamento, logo sinto que funcionou, repouso sua cabeça no chão novamente e tento acorda-la, o que não dá certo, constatando que a pulsação está normal, decido ajudar outras pessoas.

Sigo checando os sinais vitais das pessoas, tentando ajudar as que ainda estão vivas, o doutor Andrew Maxwell se aproxima:

- Você está bem?

- Sim. – respondo.

- Deixe-me ver suas pupilas. – ele faz um exame rápido passando a lanterna em meus olhos.

- Tem algum kit de primeiros socorros sobrando?

- Infelizmente não, verifique os que ainda estão vivos e nos chame.

- Já estou fazendo isso, tem cinco pessoas com pulsação perto da mesa.

Ele rapidamente se dirige ao local indicado. Avanço para a área mais próxima do palco, onde vejo que parte da estrutura do teto despencou, provocando várias mortes, entre os corpos está Maryanne, paro alguns segundos, lamentando por ter perdido a vida dessa forma. Durante as andanças pelo salão vejo dois braços e parte de uma perna, os quais acredito ser do homem bomba, quem era ele e o que o motivou a esse ataque?

Próximo à entrada do local, Hunter e sua família são atendidos por dois médicos, ele e o pai não parecem ter ferimentos sérios, ao contrário de sua mãe que reclama de dor nas costas e na cabeça. Recostado na parede, próximo ao palco está Theo, corro em sua direção.

- Já foi atendido?

O garoto levanta a cabeça, lágrimas escorrem dos seus olhos, com a mão esquerda ele sustenta o braço oposto próximo ao corpo.

- Calma, você ficará bem.

- Saí do lado dela por um segundo... – ele irrompe em choro.

Acredito estar falando de Maryanne.

- Não foi culpa sua. – agarro seu rosto, enxugando as lágrimas. – O braço está quebrado?

Ele acena positivamente com a cabeça.

- Encontrarei algo para sustentá-lo.

Corro até a mesa, rasgo um pedaço da toalha amarrando as pontas ao redor do ombro do garoto.

- Fique calmo, qualquer coisa me chame.

Ele assente. Me sinto mal por não cura-lo, mas não posso arriscar que saiba que tenho poderes.  

Pergunto-me quanto tempo fiquei desacordada e porque nenhum paramédico ou bombeiro chegou ao local ainda. Socorro uma mulher com um corte profundo no braço, pedindo ajuda de um dos médicos. Retorno para perto do palco, aproveitando a distância dos outros profissionais de saúde para curar a perna de um homem desacordado, de repente, sons vindos dos escombros chamam a minha atenção, aproximo-me, avistando de uma das aberturas um homem de meia idade e cabelo castanho, metade do seu corpo está coberta com concreto, ele bate a mão sangrenta contra uma pequena parede de escombros. Devido ao seu estado de semiconsciência ele não percebe minha presença, continuando com os murmúrios de dor.

- Preciso de ajuda, tem uma pessoa viva aqui. – grito, tentando chamar a atenção.

Dois médicos respondem ao meu chamado.

- Temos que encontrar uma forma de mover isso. – o primeiro avalia a situação.

Os dois observam o amontoado de destroços.

- Talvez tirando essa pedra grande diminua o peso e possamos puxa-lo para fora. – o segundo completa.

Eles chamam um terceiro homem.

- Posso puxa-lo se quiser. – ofereço.

- Para trás garota. – o primeiro manda.

Obedeço, chateada. No momento que os dois médicos começam a erguer o pedaço de concreto outra parcela ameaça despencar.

- Parem! – fala o terceiro que está agachado, pronto para puxar o homem acidentado. – Coloquem de volta no lugar, devagar.

Os médicos obedecem.

- Mais um pouco e tudo iria desmoronar em cima dele. – informa.

- Deve ter outro modo de fazer isso. – diz o primeiro, ofegante.

Eles avaliam a situação. Tenho certeza que conseguiria erguer essas pedras se tentasse, mas como farei isso sem expor meus poderes?

- Vamos ter que esperar pelos bombeiros. – o terceiro diz.

- Vocês podem tentar mais uma vez. – falo.

- Melhor não.

- Não sabemos quanto tempo demorará até a ajuda chegar, até lá ele pode estar morto devido quantidade de perda de sangue. – apelo para o ponto fraco de qualquer médico.

Dois deles ficam pensativos, mas o primeiro logo se opõe.

- É muito arriscado.

- Ela está certa Joan, e é de um vereador que estamos falando, imagina a recompensa que ganharemos por salvá-lo. – o segundo ressalta.

- E se os escombros despencarem nele?

- Se o Dominic ficar atento e tirá-lo rápido isso não acontecerá.

Os três se olham.

- Vale mais uma tentativa. – Dominic fala.

Depois de certa insistência por parte dos outros, Joan cede, fico feliz que meu plano funcionou. Quando os três homens tomam suas posições, me concentro. 

Esforço-me para manter a mistura de concreto e ferro no lugar enquanto os médicos erguem o pedaço maior, Dominic mantém os braços envoltos nos ombros do homem ferido, não tirando os olhos do ponto frágil. Devido ao meu esforço, pedrinhas próximas ao homem caído começam a levitar, fico preocupada, observando se algum dos homens está prestando atenção, mas logo me forço a continuar concentrada na pilha de escombros, torcendo para que ninguém perceba o que está acontecendo.

Joan e o outro médico erguem o concreto devagar o que nitidamente demanda muita força e resistência, enquanto Dominic dá pequenos puxões no corpo do vereador, esperando o momento certo para retirá-lo completamente. Olho rapidamente em volta, o restante dos médicos está ocupada demais correndo de um lado para o outro para prestar atenção. 

Sinto que as pedras estão escapando do meu controle, então cerro os punhos, a fim de manter a concentração.

- Anda logo Dominic! – Joan fala.

O homem agachado não perde a atenção na situação nem por um segundo e quando dá um puxão mais forte, vejo que o corpo do vereador se move, ele continua, conseguindo arrastar o homem para longe dos escombros. Vendo que o vereador estava a salvo, Joan e o outro médico largam o pedaço de concreto de forma brusca, o que ocasiona seu desmoronamento. Com agilidade contenho a estrutura para que não machuque os homens em volta. Ouço o estrondo do choque entre as pedras e uma nuvem de poeira toma o nosso redor. 

Espero alguns segundos antes de liberar os destroços, a fim de garantir que todos estão longe e corro para fora da poeira. Enquanto puxo o máximo de ar fresco possível, vejo que a atenção de todos está em nós.

- O que estão fazendo, tentando terminar o trabalho do homem bomba? – outro medico repreende, se aproximando de Joan.

- Salvamos um dos vereadores. – Joan explica entre tosses.

- Alguém me ajude a carrega-lo! – ouço a voz de Dominic.

Sigo em sua direção, me guiando pelo sua voz. Deparo-me com o homem tentando erguer o vereador, que está desacordado, a parte inferior do corpo dele está coberta de sangue, e posso até ver as pontas dos ossos da canela.

Sustentamos o homem sobre nossos ombros e o carregamos alguns metros à frente, segundos depois ouço o som de sirenes se aproximando, fico aliviada. Parte da equipe que estava de plantão no hospital essa noite entra no local, carregando maletas de primeiros socorros e macas portáteis de madeira.

...

Fora do prédio há dez ambulâncias, o que representa quase toda a frota que o hospital possui, uma multidão de curiosos se aglomera atrás da faixa laranja de isolamento. Por ordens dos bombeiros, os únicos que permaneceram no salão foram alguns paramédicos e o restante dos pacientes que não podem caminhar e aguardam transporte. Os feridos que conseguem caminhar são espremidos no banco de trás das ambulâncias, enquanto os que não conseguem são levados de maca até a traseira dos veículos, a qual só comporta um paciente por vez. 

Observo enquanto minha amiga é levada, ainda desacordada, até uma das ambulâncias, pouco tempo depois, um a um, os veículos partem em fila, creio que daqui a pouco retornarão para levar os poucos feridos que restaram, deixando por último os mortos.

- Está tudo bem, garota? – uma voz masculina interrompe meus pensamentos.

- Sim. – tento ser gentil, pois já é a quinta vez que fazem essa pergunta.

- Nenhuma dor ou desconforto?

- Não.

- Nenhuma...

- Não, nenhuma tontura ou dor de cabeça. – o interrompo. – Só estou esperando as ambulâncias retornarem para me dar carona até o hospital.

Percebendo o meu incômodo ele se retira. Caminho até perto da porta do salão parcialmente destruído observando os paramédicos enquanto checam os sinais vitais dos pacientes, fazendo o necessário para mantê-los vivos até a chegada da ambulância. Por mais que o Saint Alfredo seja o maior hospital da cidade não acho que lá terá espaço para tanta gente. Uma agitação próxima à faixa de isolamento tira a minha atenção, vejo que se trata de Blake e Matthew, que brigam com dois bombeiros que não os deixam passar, corro em sua direção.

- Você não está entendendo minha filha está ai dentro, preciso ver se ela está bem. – Matthew diz.

- Já disse que isso é uma zona de perigo senhor, nenhum civil pode adentrar.

- Annie, manda esses babacas nos deixar passar. – Blake esbraveja quando me avista.

- Calma, vamos sair daqui e eu conto o que aconteceu.

- A Aurora está bem? Preciso vê-la. – Matthew demonstra a preocupação e desespero que sente.

- Ela já foi levada ao hospital, vai ficar bem.

Atravesso a fita e caminhamos até longe da multidão.

- O que aconteceu? – Matthew fala.

- Algum lunático se explodiu no meio da festa.

Os dois ficam pasmos.

- Porque? – Blake fala.

- Não faço a mínima ideia. – digo. – Como souberam o que estava acontecendo?

- Ouvi no rádio, e depois liguei pro Matthew. – Blake responde.

Lembro-me de Grace, nem consigo imaginar o seu estado se já souber da explosão.

- E a minha mãe, sabe o que aconteceu?

- Não sei, mas se ela ligou o rádio com certeza está sabendo. – meu amigo diz. 

Nesse momento fico feliz por minha mãe não escutar rádio, quero eu mesma explicar o que aconteceu, para evitar que ela tenha um infarto.

- Tenho que ir ao hospital ver minha filha, aceita uma carona? – Matthew fala.

Aceno positivamente. Jorgia está sentada no banco da frente, segurando um lenço de papel.

- Como ela está? – ela pergunta ao marido quando entramos no carro.

- Está no hospital meu amor, vamos para lá agora.

- Você a viu, Annie?

- Sim senhora Evans, ajudei a tratá-la e tenho certeza de que ficará bem.

- Porque meu Deus, porque isso tinha que acontecer com minha menina? – seus olhos lacrimejam.

Afago seu ombro a fim de consolá-la.  

...

Visto o uniforme e sigo para o pátio A, como mandado. Blake e os pais de Aurora aguardam na recepção por notícias da garota. Vinte minutos atrás liguei para casa e informei Grace sobre a explosão, sem nenhuma surpresa, a mesma se desesperou e ameaçou vir ao hospital, somente após muitos argumentos e afirmações de que não havia me machucado, a convenci a ficar com Melody. Perdi a conta de quantas vezes a pedi para ficar calma. Também a avisei que trabalharei durante a madrugada, pois o hospital está precisando de reforços para lidar com a grande quantidade de pacientes, explicando que não sou a única enfermeira de outro turno a fazer plantão essa noite.

Quando chego ao meu destino me deslumbro com quão grande é o lugar, quando era uma mera assistente não tinha acesso a essa área do hospital. Camas hospitalares se dispõem por todo o cômodo, circundando as paredes e formando fileiras no centro, cada leito é separado por cortinas verdes. Os pátios, como os médicos chamam, servem para acomodar pacientes que precisam de consultas rápidas e aqueles que esperam os quartos individuais serem liberados.

Como esperado, o local está lotado, mesmo sabendo que parte das vitimas da explosão foram realocadas para hospitais menores, permanecendo aqui, em sua maioria, os pacientes com melhor condição financeira, o que é injusto, mas nada posso fazer contra as regras do hospital. 

Começo o trabalho limpando e costurando feridas, retiro pedaços de vidro das mais variadas partes do corpo das pessoas e examino alguns pacientes, levando uma lista de exames ao doutor Strauss, para que possa decidir quais são os essenciais e autorizá-los. Depois de tanto andar pelo cômodo, constato que minha amiga deve estar no outro pátio, espero ter tempo para vê-la. 

A correria é tanta que nem vejo a hora passar, já é quase meia noite quando vou em direção ao almoxarifado pegar remédios para repor os armários do pátio. Deparo-me com a porta trancada, então vou a recepção pedir a chave a recepcionista do turno. Vejo que Blake e os pais de Aurora continuam no local, o garoto bebe café e Jorgia descansa apoiada com a cabeça no ombro do marido.

- O que estão fazendo aqui a essa hora? – falo.

- Esperando alguém dizer como a Aurora está. – meu amigo responde. – Você a viu?

Observo o rosto cansado da mulher, enquanto penso no que dizer.

- Sim, ela está perfeitamente bem e dormindo agora. – minto.

- Há chances de ela ficar com alguma sequela? – Matthew diz, preocupado.

- É preciso fazer mais alguns exames, mas creio que não. – tento disfarçar o nervosismo.

Sinto-me mal por mentir para eles, mas perder a noite numa recepção de hospital não vai ajudar na condição de Aurora.

- Vão para casa, pela manhã ela deve ser liberada.

- Podem ir, eu ligo se souber mais alguma coisa. – Blake fala em direção aos Evans.

- Vale para você também Blake. – digo.

- Não vou sair daqui enquanto não a ver.

- Pare de teimosia, vá para casa, eu cuidarei dela.

- Nem tente Annie, já me decidi.

Não insisto, sei que essa é uma batalha perdida. Os pais da garota me dão ouvidos e segue para sua moradia, pego a chave e retorno ao almoxarifado. O cansaço e a dor nas pernas me atingem quando paro para procurar os remédios, coloco a cesta de metal no chão e sento recostada na parede, se não tivesse vivido essa noite, dificilmente acreditaria no que aconteceu, sem perceber, adormeço.

Sonho com vários desastres, membros voando durante as explosões, pessoas morrendo queimadas etc.

- Annie, acorda. – alguém me chacoalha levemente.

Abro os olhos, ainda sonolenta, é Jocelyn, uma das enfermeiras, levanto imediatamente.

- Desculpe, prometo que não acontecerá mais. – passo as costas da mão sobre os olhos, me recompondo.

- Não se desculpe, é seu direito estar cansada. – fala, gentilmente. – Qual dos médicos é seu superior?

- Donald Strauss.

- Vou pedir para que ele te dispense.

Surpreendo-me com tamanha gentileza.

- Não posso ir para casa agora, tenho que ajudar com os pacientes.

- Fique tranquila, mais da metade já foi liberada, a situação está mais sossegada no pátio.

- Já? – olho no relógio, passa das duas da madrugada, dormi demais.

- Vá trocar de roupa, te encontro daqui a pouco na salinha de descanso.

Obedeço. Minutos depois recebo a maravilhosa noticia de que fui dispensada e que não trabalharei hoje pela manhã, agradeço Jocelyn. Na recepção me despeço de Blake e sigo para o ponto de ônibus.

...

Fecho a porta devagar, e vou até a cozinha beber água.

- Como estão as coisas no hospital? – ouço a voz de Grace.

- A senhora ainda está acordada? – repreendo.

- Como quer que eu durma depois de saber que você estava no meio de uma explosão?

- Pela milésima vez, estou bem, vá deitar, tem que acordar daqui a pouco.

- Mas e se não estivesse? Não gosto nem de pensar o que faria se o pior acontecesse – fala, preocupada.

- Pensei que a gente já tinha passado da fase dos exageros.

Ela me abraça.

- Te amo.

- Também te amo, mãe. – digo. – Agora ande, vá dormir.

A acompanho até o quarto, troco de roupa, tomo um calmante e deito, esperando não ter pesadelos. Aproveito para dormir até um pouco mais tarde, durante o café da manhã, conto para Melody o ocorrido, surpreendendo a garota. Próximo à hora do almoço, ligo para a casa de Aurora, recebendo a informação de que a garota já saiu do hospital, decido visita-la hoje à tarde. Por volta de duas horas me arrumo com um vestido com mangas curtas verde com detalhes em vermelho, convidando Melody para ir comigo, mas a mesma, como de costume, não aceita. Após a chegada de Daisy, saio. No caminho passo no apartamento de Blake e sua mãe diz que ele ainda não voltou para casa.

Bato a porta, Matthew atende, me convidando para entrar. Encontro minha amiga lavando a louça.

- Você devia estar aproveitando sua folga, e não lavando louça. – brinco.

- Bem que queria, mas não consigo ficar na cama o dia inteiro, como você. – devolve.

Dou risada.

- Estava falando de sair um pouco.

- Pode ser, me deixa terminar aqui.

Sento a mesa da cozinha.

- Que noite louca. – digo.

- Foi mesmo.

- Quem era aquele homem e porque fez aquilo?

- Blake ouviu mais cedo no rádio que estão suspeitando ser algo ligado aos rebeldes.

- Pensei que não existissem mais rebeldes.

- Sempre existe amiga, a questão é que agora eles sabem se esconder melhor.

- Mas porque eles atacariam a festa do hospital? – busco um sentido.

- Talvez porque havia muitas pessoas ricas lá.

Só nos resta especular e torcer para que os responsáveis por isso sejam encontrados e presos. 

- Falando em Blake, sabe onde ele está? Passei em sua casa agora a pouco e soube que ele não retornou do hospital.

- Está dormindo na minha cama.

- E seus pais sabem disso? – lanço-lhe um olhar malicioso.

- Annie! Nem brinca com isso. – repreende, envergonhada.

Seguro a risada.

- Ele foi muito fofo no hospital, dizendo que só ia sair de lá com você. – admito.

- Ele me recebeu na recepção com uma caixa de chocolates. – diz, encantada.

- O garoto pode ser teimoso, mas sabe ser romântico quando quer.

Ela sorri.

- Se ele dormiu aqui, então não foi trabalhar hoje. – constato.

- Estou preocupada com isso, será que há possibilidade dele ser demitido?

- Acho que não, aquelas fábricas não arriscarão dispensar um dos seus escravos.

- Tem dias que fico com muita pena dele, o pobrezinho trabalha demais.

- O regime naqueles lugares beira a tortura. – falo, chateada.

Enquanto minha amiga se troca, ligo para Claire e aviso onde seu filho está. Saímos em direção ao centro da cidade, onde tomamos sorvete e entramos em algumas lojas caras para provar roupas e sapatos, mesmo sem intenção de comprá-los, não entendo perfeitamente o motivo, mas acho isso muito divertido. A tarde se vai e nem percebemos, depois de toda a perambulação, entramos em uma loja de departamento onde compro um par de sapatilhas com salto baixo e um vestido azul marinho simples, Aurora escolhe um par de sandálias de salto alto pretas e uma saia rodada verde musgo. Já está escuro quando saímos da loja, me apresso para chegar em casa, pois ainda quero sair para treinar.

Trinta e cinco minutos depois, chego ao apartamento.

- Pensei que não iria voltar mais. – Melody brinca.

- Desculpa Daisy, sei que disse que retornaria no final da tarde, mas acabei perdendo a hora.

- Problema nenhuma, Annie.

Vou ao quarto, pego dinheiro e entrego à psicóloga, que agradece, nos despedimos e ela sai, apressada. Corro para trocar de roupa, vestindo uma calça e uma regata que Blake me deu, por cima coloco o capuz.

Quando estou a caminho da sala, me cai a ficha, não posso deixar minha amiga sozinha. Penso em todas as alternativas, mas não há ninguém para chamar.

- Ainda está aqui?

- Não vou mais.

- Porque?

Penso numa desculpa.

- Não vai dizer que é por minha causa.

Permaneço calada.

- Não quero discutir com você Annie, já disse não sou criança para precisar de alguém me vigiando vinte e quatro horas por dia. – fala chateada.

- Eu sei. – digo, cabisbaixa.

- Pois parece que não. – rebate. – Você reclamava tanto da superproteção da sua mãe e está ficando igual a ela!

Brava, ela adentra o quarto e fecha a porta. Permaneço alguns segundos pensando no que farei, por um lado não me sinto completamente segura para deixar Melody sozinha em casa, mas por outro, acho que é hora de lhe dar uma chance e mostra-la que não estou tentando controla-la. Respiro fundo e me direciono ao quarto de Grace, saindo pela janela. Desço a escada de incêndio, mas quando começo a caminhar, sinto um aperto no peito e retorno.

- Oi, chama a Claire, por favor. – digo quando um homem na faixa dos trinta anos atende a porta.

- Espera um pouco.

Aceno positivamente, minutos depois a mulher chega.

- Oi Claire, sei que deve estar ocupada, mas pode fazer um favor para mim?

- Claro, Annie. – responde, gentil.

- Estou saindo agora e ficarei fora por uns quarenta minutos, pode ir lá em casa daqui a vinte minutos ver se a Melody está bem?

- Posso sim.

- Só não diz que eu te pedi pra ir.

Ela me encara, confusa.

- Certo.

- Muito obrigada.

Sigo antes que ela responda, dessa vez me sentindo mais tranquila. Ando com a cabeça abaixada pelas ruas, quando chego à academia, dou a volta no prédio, me cubro com um encantamento de ocultação e entro pelo compartimento de ar com ajuda de um caixote. 

Descobri esse lugar há dois meses enquanto andava pela vizinhança, já havia o visto durante o dia e percebido que é uma academia, mas quando passei no mesmo lugar à noite, vi que havia uma diferença, e ao olhar por uma fresta em uma das janelas constatei que algo interessante ocorria do lado de dentro. Tentei entrar pela porta da frente, mas fui proibida pelo segurança, afirmando que aquele não era um local para mulheres. Obstinada a entrar, rodeei o local, encontrando por acaso a entrada do compartimento de ar e resolvi tentar a sorte. Para minha surpresa, não só consegui assistir a luta, mas também encontrei um excelente lugar para treinar.

Pego a sacola que está escondida atrás de alguns barris e tiro faixas de dentro. Preparo minhas mãos e penduro o saco de areia. Poderia ir presa se me descobrissem aqui em baixo, mas não tenho medo disso, pois o barulho na parte de cima é tão ensurdecedor devido à música e a torcida, que poderia haver um elefante fazendo sapateado aqui e eles não notariam, além disso, durante o decorrer desses dois meses, só vi pessoas aqui em baixo uma vez. Tento vir pelo menos três vezes na semana, pois o exercício me ajuda a relaxar. 

Respiro fundo e sem mais delongas começo minha rotina de socos e chutes.

...

Na manhã seguinte percebo que Melody ainda está chateada comigo, mas não dou importância, pois não acho que esteja exagerando no modo de tratá-la, ela é minha melhor amiga e só estou tentando a manter segura. Chegando ao hospital tenho uma surpresa quando vejo Aurora a vestir o uniforme.

- Pensei que só voltaria amanhã.

- Te disse que não consigo ficar quieta por muito tempo. – sorri.

O clima no hospital está estranho, as pessoas se olham como se desconfiassem umas das outras, não demora a chegar a mim a fofoca de que há suspeitas de que funcionários estão envolvidos com o atentado, por mais que seja possível, prefiro não tirar nenhuma conclusão precipitada. Reponho alguns armários de medicamentos, vou até Becky e peço a ficha de Joseph.

No quarto do rapaz, faço os procedimentos de rotina, e enquanto me concentro escrevendo os dados na prancheta ouço barulhos baixos, procuro pelo cômodo, mas aparentemente não há nada. De repente ouço uma respiração, quando viro me surpreendo, Joseph está acordado.


Notas Finais


Alguma teoria para quem era aquele homem e o porque ele se explodiu? Escrevam nos comentários.
Obrigado por ler :D


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