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História Carnal - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Ato VI - Mal necessário


Mal necessário

Cap.6

A solidão, aquilo que nos faz encontrar com o mais intenso, profundo e verdadeiro lado que só nós mesmos conhecemos, no fim é nele que nos refugiamos, aquele lado que usamos como abrigo, como meio de fuga para tudo que tiver nos afetando, é nele que nos sentimos nós mesmos, onde é livre de qualquer interferência externa, e é aquele lugar que infelizmente vive reprimido em nosso interior, que só buscamos quando estamos sozinhos, indefesos, inquietos, ali onde não importa o que aconteça, usamos para nós lembramos de quem realmente somos.

 

(...)


Em meio a tantas incertezas, o garoto se viu a mercê dos fatos. Michiko se quer negou, ou tentou dar-lhe alguma justificativa. Por outro lado, ela ignorou todo o ocorrido e simplesmente saiu, como se nada tivesse acontecido.

Aquela era a mesma Michiko que sempre sorria quando falava seu nome? Era a mesma garota que o beijou naquele dia quando voltavam para casa?

Parecia uma completa estranha, não a garota gentil que um dia conheceu. No fundo, ele sempre soube que havia algo de errado, por pequenas que fossem, as atitudes estranhas sempre foram perceptíveis.

— Aya — Chamou a garota. — Naquele dia, você disse que queria expor as pessoas... — Ele pausou, encarando a porta pela qual as duas garotas saíram. — ...Começando por Tachibana, o que exatamente você queria dizer?

A menina de cabelos curtos o encarou levemente, observando atentamente à expressão corporal do outro. Estava diferente, parecia... triste.

— Eu iria expor para todos o caso de Tachibana, mas as coisas não saíram como eu planejei, graças a você. — Ela respondeu.

— Ah, é? — Kouji estava de cabeça baixa, sentado de frente para Aya. levantou o rosto devagar para encará-la, mostrando as lágrimas que derramava. — E-eu também... quero expor Michiko. Pra todo mundo ver que ela não é quem diz ser... eu quero que ela veja... o que fez comigo...

Ele apertava o próprio peito, doia por dentro toda a indiferença que sentiu quando ela olhou em seus olhos. Kouji nunca significou nada para Michiko, e isso o deixava triste, com raiva.

— Hum... — Ela o encarou, apática. — e como você vai fazer isso?

— Eu... não sei — O garoto ficou tenso. — Não sei o que fazer...

— Como quer fazer algo que nem sabe o que é? — Aya apoiou o queixo nas mãos. — Kouji, você é mesmo... inocente.

O garoto estava sofrendo, como nunca antes. As lágrimas rolaram, sem freio. Molhavam todo seu rosto, deixando seus olhos vermelhos.

— Você me levou ontem a noite por que queria fazer algo, o que era? — Ele perguntou.

— Ah. — Ela desviou os olhos, retirando um aparelho do bolso. — Eu gravei toda a conversa ontem a noite.

— Você... o que?! — Ele ficou espantado.

— Você é surdo? — Ela foi sarcástica. — Em breve todos vão ouvir essa gravação.

— Aya, Tachibana foi manipulada, você não pode expô-la dessa forma.

A garota riu, gargalhou, de deboche, desprezo. Como se a fala de Kouji houvesse alguma graça. — E qual a diferença do que eu estou fazendo para o que você quer fazer com Michiko? — Ela perguntou.

— Michiko é uma pessoa ruim... — Sussurrou.

— E desde quando alguém que fica com homem comprometido é uma pessoa boa? — Ela elevou o tom de voz. — Pergunte para sua mãe o que ela acha disso... — Nesse momento, Kouji foi em direção de Aya.

— Nunca mais fale da minha mãe de novo. — Ele estava com raiva, era perceptível no seu olhar.

— Ah, é? Você vai fazer o que se eu falar? — Ela provocou.

Kouji tomou o aparelho da mão dela, em um impulso rápido, ele jogou no chão, pisando logo em seguida partindo em vários pedaços.

— Você é mesmo um idiota. — Ela disse entre os dentes. — É uma cópia, a original está na rádio da escola. Quando começar a transmissão, todos irão ouvir a gravação.

Kouji ficou em silêncio, a encarando enquanto seus olhos se arregalavam gradativamente.

— Você... — Ele sussurou. — Como pode ser tão má...

Ela abriu um boca levemente enquanto seus olhos caíam, suas sobrancelhas levantaram enquanto ela tirou uma mecha de cabelo de seu rosto.

— Eu sou má ou você que é bonzinho demais? — A garota sussurou em seu ouvido, olhando para ele com o canto dos olhos.

Ela se afastou.

— Você não conhece ninguém verdadeiramente Kouji, nem você mesmo. Então, como quer fazer Michiko pagar quando não consegue nem controlar seus próprios sentimentos? — Aya disse. — Ficar chorando não vai mudar nada.

Pelos interfones que estavam implantados por toda escola, era possível ouvir uma voz masculina e a de uma garota, estavam baixas, mas começaram a ficar mais altas, até ficarem audíveis o suficiente para todos ouviram.

Era uma hora, quando normalmente o programa estudantil passava informações sobre a escola, mas naquele dia, algo diferente estava sendo transmitido.

— Começou — Ela sorriu.

"— Como assim você está grávida?! — Era uma voz masculina. Parecia irritado, gritava.

— E-eu não sei... estava me cuidando. — A segunda voz era feminina. Chorosa, falava baixo. "

Aos poucos os alunos paravam o que estavam fazendo para prestar atenção.

— É a voz do Kikuchi-sensei?

"— Meus pais me matar quando descobrirem...— Tachibana voltou a falar. — O-o que nós vamos fazer?

— Como assim o que "nós" vamos fazer. — Kikuchi disse. — Você vai abortar, não posso ter um filho fora do casamento.

— A-abortar? — Ela repetiu. — Mas você me disse que iamos ficar juntos, não entrou com o pedido de divórcio?!"

— Tachibana-san?

"— Você realmente está ficando louca se acreditou mesmo que eu ia me divorciar pra ficar com você, Tachibana você é só uma criança, isso nunca iria acontecer. — Ele pegou sua carteira do bolso. — Aqui, toma. Acho que por essa quantia vai resolver o seu problema.

— E-espera! — Ela chamou. "

Em algum corredor, Michiko parou ao ouvir toda a gravação.

— Aya... — Ela apertou o punho, mordendo a boca com raiva.

(...)

Quando a transmissão terminou, um enorme alvoroço tomou conta de toda escola. Ela sorriu mais abertamente, sabia que os alunos iriam falar sobre aquilo durante semanas. Os cochichos e as fofocas iam rolar de boca em boca. Como planejado.

— Qual o propósito disso tudo? — Kouji perguntou, no final.

— Quem você acha que manda nessa escola? — Aya perguntou. Professores, diretor? — Ela citou. — São os alunos, ou melhor, o porta-vozes dele. Veja bem, Kouji. Quais são os princípais eventos que acontecem nessa escola? — Ela perguntou outra vez. — As peças de teatro e os jogos de basquete. É daí que vem toda a verba arrecadada todo ano. Agora outra pergunta, Quem são os principais alunos por trás desses dois eventos?

— Michiko e Hideo... — O garoto respondeu. — Onde você quer chegar?

— Atriz principal de todas  as peças e o capitão do time de basquete, que por sinal, são namorados. — Kouji sentiu um aperto no peito. — Hideo, assim como você, é um completo idiota manipulado por Michiko. — Aya se sentou em cima da mesa, balançando as pernas como uma criança no parquinho. — Resumindo, todo o poder de voz é dado a Michiko uma vez que Hideo faz tudo que ela quer. Sendo assim, ela pode fazer o que quiser... e nada acontece com ela.

— Como você tem tanta certeza disso tudo?! — Kouji perguntou.

— Moleque, não cego. Por que você acha que Tachibana a seguiu quando ela chamou?! Esqueceu o que ela disse no seu quarto? Michiko ameaçou a própria amiga para sair por cima. Além do mais, lembre-se do que ela fez com você, Kouji...

Não precisava de mais nenhuma palavra da garota de cabelos curtos para convencê-lo. Kouji estava aflito, isso tudo sempre aconteceu diante de seus olhos e ele nunca percebeu? Não, ele nunca quis ver...

— Por que Tachibana? — Ele disse.

— Tachibana é uma das cachorrinha de Michiko, ela quem faz o trabalho sujo pela amiga. — Aya riu. — Nada acontece aqui sem o dedo dela por trás. Michiko é o parasita que apodrece esse lugar...

— E você, o que é?

A garota encarou Kouji de cima, como se sua ignorância o fizesse inferior. Outra vez ela sorriu, era um sorriso diferente, parecia até... triste?

— O mal necessário.



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