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História Carpe Diem - Capítulo 9


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Notas do Autor


Oi bruxinhers!! Consegui voltar mais cedo que o previsto!

O capítulo de hoje promete o começo de muitas reviravoltas, que por hora podem não fazer muito sentido, mas farão no momento certo.

IMPORTANTE: Esse capítulo contém uma cena de violência física, uma briga para ser mais exato, mas sei que esse tema pode ser sensível para algumas pessoas. Então se vocês se sentirem desconfortáveis em ler algo desse tipo podem pular toda a cena da Jinsoul com o caçador até o momento em que começa a próxima cena. Eu sempre divido as "cenas" por símbolos como º º º º então vocês vão conseguir identificar quando começa uma e termina a outra. E o que for de importante nessa cena será abordado em outros momentos do capítulo então não vai afetar o entendimento de vocês :)

Also, boa leitura!

Capítulo 9 - VIII- Não estou só


Fanfic / Fanfiction Carpe Diem - Capítulo 9 - VIII- Não estou só

“Eu vou estar sempre aqui, se a escuridão te encontrar novamente eu vou estar ao seu lado”

- Number 1, LOOΠΔ

 

Seu irmão sempre foi infinitamente mais corajoso que ele. Desafiava o pai abertamente, mesmo sabendo que o homem não tolerava insolências. Foi a coragem do seu irmão mais velho que o fez questionar pela primeira o estilo de vida que eles levaram. Ele realmente achava aquilo certo ou apenas seguia cegamente todos os ensinamentos dos seus parentes? Abrir os olhos para aquela situação foi um processo doloroso, mas necessário. Mas não esperava ter de tomar uma decisão tão importante de forma tão abrupta.

- Vem comigo, Jisung! – o irmão mais velho implorou – vamos embora, nós não pertencemos a esse lugar. Você sabe disso!

O adolescente o encarava com incerteza. Queria muito ir embora com ele, seu coração implorava para que ele agarrasse a mão do seu irmão mais velho e fugisse com ele para bem longe, para um lugar onde o seu pai não pudesse encontra-los. Mas sabia o quão perigoso aquele homem era. Ele iria acha-los um dia e ia puni-los por terem ido embora. Só de pensar nas punições que viriam o seu corpo tremeu.

- Eu não consigo – sentiu as lágrimas descerem por seu rosto, a voz saindo embargada pelo choro que tentava em vão segurar – eu tenho medo, muito medo. Ele vai nos matar quando nos achar.

- Não vai! Eu consigo uma documentação falsa, nós mudamos nossos nomes, vamos para uma cidade bem pequena, até para outro país. Um lugar onde ele nunca consiga nos achar.

- Você sabe que ele vai, ele sempre consegue o que ele quer.

O mais velho segurou o rosto do irmão com cuidado. Eles não pertenciam ali, não concordavam com o que sua família fazia. Mas se continuassem ali acabariam se tornando um deles algum dia e a última coisa que ele desejava era que o coração do seu irmão fosse corrompido pela podridão que os consumia dentro daquela casa. Sentiu que Jisung tremia e o puxou para um abraço forte.

- Eu vou te proteger! Eu prometo que vou te proteger.

- Você não pode – ele retrucou – sabe que não vamos conseguir fugir dele.

- Jisung – ele falou num tom sério – mesmo que sejamos pegos, não acha que vale a pena tentar? Não acha que vale a pena sermos felizes nem que seja por alguns dias?

- Acho – assentiu, ainda um tanto inseguro.

- Então vem comigo, não vou fazer isso sem você.

Ele sabia que por mais que quisesse o seu irmão não seria capaz de protege-lo por muito tempo. A ira do seu pai logo o alcançaria, mas ele queria, mesmo que fosse por alguns dias, se sentir livre. Então apenas assentiu enquanto seu irmão o pegava pela mão e o guiava pelo caminho seguro para fora da mansão. Foi o primeiro ato de coragem que teve em toda sua vida. Quando deixaram os portões não pode deixar de sorrir. Estava com medo, mas nunca havia se sentido tão feliz antes.

Conseguiram fugir por meses, vivendo escondidos e sempre mudando de local. Mas por mais que tivesse que viver nas sombras se sentia mais livre do que nunca se sentira antes. Seu irmão realmente o protegeu, como havia prometido. Uma vida sem punições, sem treinamentos árduos, sem prisões. Uma vida sem ódio onde podiam ouvir música o dia inteiro e conversar sobre os seus sonhos. Nunca achou que os melhores dias da sua vida seriam enquanto se escondia em casas abandonadas comendo enaltados.

Até o dia em que os capangas do seu pai conseguiram emboscá-los no porto antes de pegarem o navio que os levaria para longe. Ele sabia que os dois nunca conseguiriam fugir, mas seu irmão merecia ter uma vida normal. Então, pela segunda vez na sua vida, foi corajoso.

Após um abraço apertado e inúmeros agradecimentos ele empurrou seu irmão para dentro do navio enquanto fugia despistando os capangas. Ainda podia ouvir os gritos dele pedindo para ele voltar, mas logo o navio havia zarpado e não havia muito que ele pudesse fazer. “Eu vou voltar para te buscar! ”, foi a última frase que conseguiu ouvir enquanto se esgueirava pela multidão das docas. Quando foi pego por eles sabia que logo estaria nas mãos do seu pai de novo, nem poderia imaginar a punição que receberia daquela vez. Mas ao ver o navio partindo no horizonte ele se sentiu feliz, esperava que quando se reencontrasse com seu irmão de novo pudessem ser livres novamente.

E aquela foi a última vez que se viram.

º º º º

- Fique longe! – a loira alertou com a voz mais firme que conseguia fazer, seu olhar ia do garoto desmaiado no chão para a lâmina nas mãos daquele cara que ela nunca vira na vida.

Jamais imaginou que estaria naquela situação. Tendo que decidir entre socorrer o seu ex-namorado desfalecido, fugir de um estranho armado ou enfrentá-lo. Agarrou a alça da bolsa em seu ombro com mais força. Seus olhos fixos na mão do homem que mantinha um sorriso presunçoso no rosto – como ela odiava esse tipo de sorriso. Ele aproximou-se um passo o que a fez recuar instantaneamente, suas pernas já prontas para correr o quanto fosse preciso, Dawon que a perdoasse depois.

Ele não parecia ser tão velho, devia ter apenas alguns anos a mais que ela. Apesar de tentar impor uma postura ameaçadora ele parecia bastante cansado, levando olheiras fundas como se estivesse sem dormir direito a um bom tempo. Ele também parecia apreensivo, como se estivesse com pressa. Jinsoul não deixou nada disso passar, poderia ser uma saída.

- Não vou machucar você se me der a informação que eu preciso – ele disse em tom de deboche, ao ver que ela estava preparada para fugir.

- Você NÃO VAI conseguir me machucar – enfatizou, já estava ficando irritada com todo aquele porte de superioridade.

- A bruxa novata que controla o fogo, me diga onde ela está e eu te deixo sair ilesa.

Ergueu as sobrancelhas numa expressão confusa, ele estava falando de Hyejoo? Como raios ele sabia que ela conhecia a mais nova? Será que havia descoberto a localização do clã? Sentiu o peito doer com aquele pensamento. Suas amigas estavam em perigo e ele havia até mesmo descoberto a localização de sua faculdade. Precisava sair dali o mais rápido possível para avisar as outras.

- Não fique enrolando, diga logo onde ela está!

- Eu não sei de quem você está falando – disse imitando o tom de superioridade que havia na voz dele – perdeu o seu tempo, caçadorzinho barato.

- Você é muito abusada, não acha? Seu tipo se acha muito poderoso – sorria debochado – alguns de vocês até são, mas não é o seu caso... você é um peixe pequeno, garota. Se tiver a mínima consideração pela sua vida, me diga logo onde aquela vadia está.

- Talvez eu seja um peixe pequeno, mas e quanto a você? – havia se cansado daquelas provocações e ia devolver na mesma moeda – te mandaram para pegar uma bruxinha qualquer, então você também não deve ser lá grande coisa.

O homem rosnou enfurecido e avançou para cima da loira. Ela desviou por puro reflexo, colocando a bolsa diante da lâmina como um escudo. A força que o homem colocou naquele golpe a desestabilizou fazendo andar alguns passos para trás e quase cair, conseguiu manter-se firme por sorte enquanto puxava a bolsa e a jogava longe, levando consigo a lâmina que havia ficado presa na mesma. Recuou alguns passos para trás encarando o homem que parecia mais furioso que antes.

Sentiu um arder no seu tórax e algo quente escorrendo por dentro de sua blusa, levou a mão direita ao local e viu que sua roupa estava com um rasgo e que a lâmina havia feito um corte superficial em sua pele. Praguejou baixinho e se preparou para correr, mas antes que conseguisse raciocinar o homem já estava diante de si de novo. Ele acertou o joelho com força em seu estômago a fazendo tombar de dor, ficou jogada no chão abraçando o próprio corpo sem conseguir respirar direito. Sua mente estava nublada, podia ouvir apenas a respiração ofegante do homem ao seu lado.

Ele ajoelhou-se ao seu lado, ela ficou esperando por outro golpe. Mas ele apenas esperou que ela se recuperasse, ela ergueu os olhos para encará-lo. Mantinha uma expressão séria e os punhos cerrados como se estivesse se controlando. Jinsoul sentia medo, estava num momento muito vulnerável e se ele quisesse matá-la ali mesmo ela não poderia fazer nada para se defender.

- Eu não quero fazer isso, de verdade. Mas você está começando a me irritar, então me diga logo onde está a garota.

Jinsoul sentiu o estômago revirar de ódio. Ódio por pessoas como ele, que sempre a colocavam como culpada. Seus pais também não queriam ignorá-la, mas era o que faziam. Dawon não queria ser escroto com ela, mas era o que ele fazia. As pessoas não queriam prejudica-la, mas era o que faziam. E agora vinha aquele rapaz lhe dizer que não queria machucá-la, mas havia acabado de chutar seu abdômen e ameaçado matá-la. Estava cansada, não ia aceitar aquilo de modo algum.

- Você não é o único... – tentou falar, mas sua voz saía com dificuldade.

- O que disse? – ele aproximou o rosto, tentando ouvir o que a menina havia acabado de dizer.

- Você não é o único que está ficando irritado! – ela disse lhe encarando com firmeza, os olhos flamejando de raiva.

Seus cabelos loiros se esvoaçaram, logo tudo foi tomado por uma densa neblina. O rapaz notou que ela estava usando suas habilidades e impulsionou seu corpo para frente, para segurá-la. Mas agarrou somente o ar. Jinsoul havia usado as gotículas de água presente no ar para criar uma nuvem de vapor ao redor dele, sempre tinha achado aquele truque inútil, pelo menos até a ocasião. O homem levantou-se em alerta, balançando as mãos tentando dissipar o vapor ao seu redor.

Podia ouvir a garota ao seu redor, seguia os passos dela usando a audição. Aquela neblina realmente dificultava as coisas, mas ele foi treinado para aquele momento. Não ia perder para uma bruxa tão inexperiente, não depois de ter conseguido armar para que ela caísse em sua armadilha. Em certo momento parou de ouvir a garota, tudo que ouvia era a sua própria respiração. Levou as mãos ao coldre em seu cinto, pronto para puxar sua arma. Ele não ia perder.

Antes que conseguisse pensar sentiu uma grande pancada na cabeça, tombou para o lado caindo sentado. Levou a mão à testa, sentindo o sangue escorrer por seu rosto. O vapor se dissipou, mostrando a loira em pé diante dele agarrando um bloco de concreto – por sorte o material da reforma estava próximo. Ele se encontrava meio zonzo e ela o encarava com fúria.

- Eu é que estou irritada! Você vem até minha faculdade, desmaia o meu colega, tenta me matar e ainda tem a coragem de me dizer que está com raiva? – o tom de fúria na sua voz fez o rapaz tremer um pouco – eu vou te mostrar o que é raiva.

Gotas de água começaram a cair, estava chovendo. Uma chuva pesada. O homem olhou ao redor e abriu a boca em espanto. Estava chovendo sim, mas apenas ali. Uma nuvem escura se formara em cima dos dois, tão próxima que dava até para tocá-la. Será que era a garota que havia feito aquilo? Qual seria a real dimensão dos poderes dela? Não ia perder tempo descobrindo.

Quando voltou a si a menina já avançava em sua direção para golpeá-lo novamente. Ela não ia perder para uma bruxa. Definitivamente. Sacou a arma com agilidade, apontando o revólver para o estômago de Jinsoul que não conseguiu esconder o espanto ao notar que ele estava armado. Mas antes que puxasse o gatilho sentiu uma dor lancinante em sua mão. Logo tudo ficou escuro, não conseguia enxergar nada.

Achou até que tinha desmaiado, mas parecia que apenas tudo havia sido envolto em sombras. Tateou o chão em busca de sua arma, notou que a chuva havia parado. Não via, nem ouvia nada. A sensação em seu estômago era de que estava caindo num abismo. Aquela garota que estava fazendo aquilo? Devia ser uma ilusão ou algo do tipo.

Quando a sua visão retornou bruscamente notou que estava caído sozinho no meio do pátio, sua arma destroçada a alguns metros perto dele. Nem sinal da garota loira e nem mesmo do menino que antes estava ali caído no chão. Levantou-se ainda cambaleante, a pancada havia sido realmente muito forte. Se odiou por ter se deixado cair num truque tão idiota. Olhou ao redor, nem sinal da garota.

- Para onde raios ela foi? – praguejou enquanto puxava seu telefone, discando para o primeiro número em sua lista de contatos.

º º º º

Jinsoul se sentia um pouco tonta, em alguns segundos estava prestes a levar um tiro e então tudo havia ficado escuro. Senti algumas mãos a carregando enquanto sua visão retornava aos poucos. Quando voltou a si estava dentro de um carro que logo arrancou, sentindo duas mãos quentes pegarem seu rosto com delicadeza.

- Jinsoul? – Haseul a chamou desesperada, dava para ver em seus olhos que estava transbordando de preocupação – consegue me ouvir? Consegue me ver?

Ela ainda estava afetada por toda a adrenalina, limitou-se a assentir com a cabeça. Haseul a abraçou em meio a um choro baixo. Jinsoul pode finalmente se tranquilizar ao ver que estava rodeada por suas amigas. Elas vieram até ela para salvá-la e esse pensamento a fez sorrir um pouco. Chaewon estava do outro lado pressionando o seu ferimento que já não doía tanto. Sooyoung e Jiwoo estavam no banco da frente e Jiwoo virava a todo momento para olhar para ela.

- O garoto que estava comigo – conseguiu dizer finalmente ao lembrar-se que Dawon estava desmaiado junto de si – ele está bem?

- Foi uma bela pancada – Chaewon disse com certa incerteza – mas Yerim se transportou com ele, vai ligar para emergência e dizer que ele escorregou ou algo do tipo.

- Entendo – tentou se ajustar no banco, mas sentiu o ferimento doer e soltou um resmungo de dor – aquele caçador desgraçado.

- Desculpe não termos chegado antes! – alarmou-se Haseul – a Jiwoo teve uma visão e nós viemos praticamente voando. Quando chegamos só deu tempo da Chaewon usar as habilidades dela e tirarmos você de lá.

- Tudo bem, eu sabia que vocês viriam – ela sorriu confortando a garota, sabia que ela sempre se sentia culpada quando algo acontecia – só fiquei triste que não pude dar mais umas pancadas na cabeça daquele infeliz.

- A Haseul não nos deixou arrancar a cabeça dele – Sooyoung resmungou enquanto se atentava à estrada – eu e Chaewon já estávamos bem perto de pôr as mãos nele.

- Matar ele não ia adiantar nada – Jiwoo retrucou – ele sabia onde a Jinsoul ia estar, significa que pode ter informações sobre nós. Eu consegui colocar um feitiço de localização nele, vamos saber quando ele estiver por perto de novo.

- O ferimento não foi fundo, felizmente – Chaewon falou em tom reconfortante – vamos conseguir cuidar dele em casa.

O caminho até em casa foi mais rápido do que ela esperava, logo estava deitada em sua cama enquanto Kahei usava suas habilidades em seu ferimento. Ela já não sentia mais dor, nem mesmo a ardência do corte, a garota era muito boa com primeiros socorros. Com o curativo feito a menina de cabelos rosados disse que ela precisava descansar. Mas antes que ela saísse lembrou-se de algo importante, algo que o homem havia dito.

- Kahei! – levantou-se exasperada sentindo uma leve pontada no abdômen – pode chamar as meninas? Tenho algo muito importante a dizer!

- Mas... – a mais velha ia protestar e Jinsoul logo a cortou.

- Por favor, é realmente importante!

Ela assentiu e saiu do quarto enquanto Jinsoul sentava na cama. Logo as outras estavam todas lá ao seu redor. Jungeun sentou-se do seu lado segurando a sua mão com carinho, Haseul ia começar a dizer que ela precisava descansar quando Yerim interrompeu.

- Deixei o garoto no hospital, disseram que ele vai ficar bem. Você conhecia ele?

- Infelizmente... – balbuciou, mas logo voltou ao que importava- mas não era sobre isso que eu queria falar. É algo que aquele caçador falou que eu achei muito preocupante.

- E o que foi?

- Ele não estava atrás de mim, ele estava atrás da Hyejoo – todos os rostos na sala se tornaram apreensivos – ele sabia que eu a conhecia, de alguma forma, e queria que eu desse a localização dela por algum motivo.

- Você tem certeza? – Heejin perguntou apreensiva.

- Bom, ele não disse o nome dela, mas falou especificamente de uma bruxa nova com poderes de fogo e se tivesse mais de uma bruxa assim em Seul nós saberíamos... eles só podem estar atrás dela.

- Então temos que ir buscar ela, né? – Sooyoung se pronunciou – tipo, agora! Se eles acharam a Jinsoul podem muito bem já saber onde ela está.

- Tem razão – Heejin concordou – eu vou mandar mensagem para ela e...

- Esperem – Haseul as impediu – será que é mesmo seguro trazer ela para cá?

- O que quer dizer, Haseul? Onde mais ela estaria segura?

- Se ele estava atrás da Hyejoo é porquê não sabe a localização dela no momento, mas ele sabia quem a Jinsoul era e até onde ela estudava. Quem garante que eles não sabem sobre nós? Sobre nossa casa? Se trouxermos a Hyejoo para cá poderemos estar colocando ela em risco.

Todas ficaram em silêncio por algum tempo, não deixava de ser uma realidade. Se alguém havia descoberto sobre uma delas então a localização de todas estava em risco, elas poderiam estar em risco. Trazer Hyejoo de volta para a casa seria uma medida muito impulsiva, mas ao mesmo tempo não poderiam deixa-la sozinha e sem nenhuma assistência, caso ela fosse encontrada naquelas condições mal podiam imaginar o que poderiam fazer com ela.

- Então o que vamos fazer? – Heejin questionou, sentando-se na cama – precisamos de um plano, não apenas pela Hyejoo, mas para todas daqui. Podem saber algo sobre alguma outra.

- E precisamos avisar a Hyejoo também, ela precisa ficar alerta – Jinsoul completou.

- Não acho que seja prudente colocar isso nas costas da Hyejoo agora, ela acabou de voltar para casa – Haseul disse pensativa – talvez seja melhor não contar a ela por enquanto.

- Bom, se tivesse um caçador psicopata atrás de mim eu gostaria de saber – Sooyoung retrucou – não acho justo deixa-la no escuro.

- Bom, podemos contar a ela com calma depois – Jungeun interviu – mas por enquanto precisamos pensar, é uma situação de risco. Precisamos de um plano para que nenhuma de nós fique completamente indefesa caso eles venham atrás.

O silêncio se instaurou novamente por algum tempo. Jinsoul sentia os olhos pesados, talvez fosse o efeito da medicação que Kahei havia lhe dado, já não estava mais presente na conversa. Então apenas deitou a cabeça no ombro de Jungeun, a outra loira lhe lançou um sorriso tranquilizador e ficou acariciando os seus cabelos. Estava com tanto medo mais cedo, apesar da fúria que havia lhe tomado ela estava aterrorizada. Mas agora se sentia segura, sabia que poderia dormir tranquila.

"Não estou só", era o pensamento que dominava sua mente no momento e que fazia seu coração tão feliz. 

º º º º

Era estranho estar se arrumando novamente para ir ao colégio, não estava isenta de ter que ir as aulas agora. Por mais que aquilo lhe desse uma estranha sensação de conforto e familiaridade era estranho ter que voltar, mesmo que não tenha ficado tanto tempo longe. Mas sua vida havia mudado tão drasticamente que o simples fato de ir à escola lhe parecia “normal demais”.

Depois que se arrumou seguiu para a cozinha onde sua mãe parecia concentrada lendo algo que havia chego pelo correio. Ela só notou a presença da filha quando esta fechou a geladeira com um pouco mais de força o que fez um certo barulho. Ela sorriu desconcertada, ainda segurando o papel em mãos enquanto Hyejoo se aproximou para dar um beijo de bom dia.

- O que houve? É algum boleto que você esqueceu que ia chegar? – disse em tom risonho, apontando para o envelope em cima do balcão.

Mas sua mãe não riu de volta, ela apenas suspirou fundo guardando o papel na bolsa. Ela estava batucando os dedos no balcão e ela só fazia isso quando estava muito preocupada com alguma coisa, geralmente quando tinha que tomar uma decisão difícil. Hyejoo logo a abraçou por trás, como um sinal de que estava ali para lhe dar suporte. A mulher sorriu docemente e ficou em silêncio por alguns minutos.

- Hyejoo... você lembra que eu participei de um processe seletivo para uma escola internacional, mesmo sabendo que seria apenas uma tentativa?

- Aquele em Singapura? – a mulher assentiu, ficando de frente para ela – lembro sim, o que tem?

- Eles... eu fui convocada, Hye! Me chamaram para trabalhar lá! – ela exclamou, embora seu tom fosse mais de preocupação do que de empolgação.

Hyejoo afastou-se surpresa, tapando a boca com as mãos. Depois começou a dar pulos de alegria pela cozinha enquanto gritava empolgada, logo jogou-se nos braços da mãe a abraçando com força. Sua mãe amava ser professora, mas havia ficado um pouco estagnada depois de tudo o que aconteceu e foi muito difícil convencê-la a participar daquela seleção. E agora saber que ele tinha conseguido só fazia o coração de Hyejoo palpitar de felicidade.

- Eu sabia que você ia conseguir, mãe! – ela disse enquanto a apertava mais fortes- parabéns, você merece!

- Obrigado, Hye... só tem um problema – ela pegou em suas mãos, um tanto apreensiva – eles querem que eu vá imediatamente. Se eu fizer o período de treinamento agora já posso começar efetivamente no próximo ano letivo.

A boca de Hyejoo se abriu em surpresa, nenhuma delas esperava que ela fosse convocada tão rapidamente. Agora entendia a preocupação de sua mãe, era uma ótima notícia ter conseguido a vaga. Mas as aulas dela nem haviam encerrado ainda, por mais que sua mãe já estivesse de licença do outro trabalho. E ainda havia todas aquelas coisas acontecendo agora em sua vida, mudar de país não iria ser de grande ajuda.

- Eu não sei, filha. Não teria como te levar comigo agora e aconteceu tanta coisa, não me sinto preparada para encarar uma aventura dessas agora. Você nem terminou o ano letivo ainda e teríamos que ficar num alojamento por enquanto e...

- Mãe, calma! – levou as mãos ao rosto da mulher, dando um sorriso tranquilizador- respira.

- E não quero te deixar de sozinha – completou, num tom choroso.

Hyejoo a abraçou sorrindo. Ela sempre foi prioridade na vida de sua mãe, antes de qualquer decisão ela sempre precisava pensar em como a filha se encaixaria naqueles termos. Ela amava sua mãe e amava todo o cuidado que ela tinha por si, não podia ter desejado por uma mãe melhor. Mas sabia que ela também precisava seguir o seu caminho, abraçar as oportunidades que apareciam.

Sua mãe ainda era tão jovem, tinha tanta coisa para descobrir sobre o mundo e sobre si mesma. E não seria ela que ficaria sendo um empecilho, amava tanto sua mãe e por amá-la sabia o quanto ela precisava seguir o seu destino: um que não houvesse pensar apenas na filha adolescente o tempo inteiro. Afastou-se dela e pegou em suas mãos com convicção, falando com uma certeza que a mais velha havia visto poucas vezes em sua vida.

- Mãe, você vai aceitar esse emprego e você vai pra Singapura! – a mulher abriu a boca em protesto, mas ela cortou imediatamente – eu amo você, mãe. Você sempre me protegeu, cuidou de mim, foi minha base. E agora é a hora de você pensar em você, você quer isso! Passamos o ano passado inteiro brincando sobre como seria se você morasse em outro país e agora você tem essa chance, eu vou ficar bem!

- Mas, Hye... como eu posso deixar minha filha aqui sozinha no meio desse caos todo? Que tipo de mãe eu seria?

- O que eu acabei de dizer sobre não se preocupar comigo? – fingiu birra, mas logo voltou a falar com seriedade- me escuta, mãe. É sério, eu vou ficar bem. Sei que está acontecendo muita coisa comigo e você quer me ajudar a passar por isso, mas não é como se fôssemos nos separar para sempre, certo? Eu vou para lá assim que der.

- Eu sei, eu sei. Mas é que... é engraçado. Você está passando por tanta coisa e está aí falando toda corajosa – ela disse risonha – quando foi que você cresceu tanto?

- Eu tinha que crescer algum dia, não é? – riu de volta – e eu não vou ficar sozinha, mãe. Eu tenho a Yujin, vamos estar sempre em contato. E agora eu também tenho as meninas!

“Eu tenho o meu clã”, foram as palavras que ecoaram em seu pensamento e ela se surpreendeu com o peso das mesmas. Normalmente se sentiria assustada se tivesse que viver sem sua mãe por perto, mas agora ela sentia que poderia lidar com aquilo. Tinha muita coisa à descobrir sobre si mesma, sobre quem ela era, sobre o seu futuro. Talvez aquele afastamento fizesse parte disso também.

- Eu... vou pensar sobre isso, prometo – sua mãe concluiu – vou pensar sobre tudo isso. Agora você tem que ir, você tem aula hoje.

Se despediram com um abraço e Hyejoo seguiu para escola após pegar suas coisas no quarto. Não encontrou Yujin no caminho, mas ela havia avisado que se encontrariam no portão do colégio já que teria que resolver algumas coisas com seus pais antes de ir para a aula. Ela seguiu por duas quadras até o ponto de ônibus que normalmente usava, colocou os fones de ouvido e ficou pensando sobre como tudo havia mudado tão bruscamente.

Só que não parecia tão ruim, ela sempre teve medo de mudanças. Mas agora parecia ansiar por elas, sabia que tinha muita coisa sobre o mundo e sobre si que ela tinha que ir atrás, uma Hyejoo que sempre esteve ali dentro dela e que agora implorava para sair. Não era mais uma sensação assustadora, era só... diferente? Sim, era algo completamente novo que ela não conseguia explicar de fato.

Logo estava no ônibus em direção ao colégio, mandou uma mensagem para Yujin falando que já estava à caminho. Havia mandando algumas mensagens para as meninas do clã, mas elas não haviam respondido ainda, talvez estivessem ocupadas com alguma coisa. Agora sabia que Yerim estudava no prédio atrás do seu então já planejava procurar por ela no intervalo.

Encostou a cabeça na janela enquanto selecionava a playlist de sempre, após algumas paradas um rapaz sentou-se do seu lado olhando atentamente para o próprio celular. Ela normalmente não reparava nos outros passageiros, mas havia algo de familiar nele. Talvez ela já tivesse pegado o mesmo transporte que ele algumas vezes. Voltou os seus pensamentos ao colégio quando o sentiu cutucar o seu braço.

- Com licença – ele disse após retirar os fones – Hyejoo? É você, não é?

- Eu te conheço? – perguntou já em tom de alerta, ser reconhecida ultimamente não significava coisas boas.

- Claro que conhece! – ele disse com um sorriso largo – ou você já se esqueceu de mim?

Ela ergueu as sobrancelhas analisando melhor o seu rosto. Cabelos negros, sobrancelhas grossas, o nariz de modelo e a boca carnuda – do tipo que chama bastante atenção -, não havia nada de muito atípico no garoto até que ele sorriu de novo e então ela abriu a boca em surpresa. Aquele sorriso, ao mesmo tempo alegre e estranho, logo lhe remeteram a uma pessoa.

- Faz muito tempo, não faz? – ele disse novamente, ao notar que ela o tinha reconhecido.

“Droga”, foi tudo que conseguiu pensar.


Notas Finais


Não vou falar nada, hehe. Até o próximo :3

Ps: ainda não revisei, então perdoem qualquer erro.


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