História Carpe Diem - Capítulo 21


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Notas do Autor


Aqui nós vemos o claro exemplo de um Bruce sensível e fragilizado pelos acontecimentos da vida aí.
Diana deu um passo muito grande, e não fazia ideia de como isso seria pior para Bruce do que para ela mesma.

Sam do my heart Smith.

Boa leitura!

Capítulo 21 - Stay with me


Essas noites nunca parecem

Seguir o plano

Eu não quero que você vá

Você vai segurar minha mão?

- Stay With Me, Sam Smith

As pessoas os conheciam. Talvez ser tão famoso e conhecido pela mídia e internet não fosse tanto um mar de rosas.

Os tablóides nunca largam o pé de Bruce, e passaram a fazer o mesmo com Diana após colocarem seu relacionamento à solta.

A pressão era grande demais. Eles eram constantemente questionados sobre quando aconteceria o 'grande casamento' e quando houve a separação eles se cansaram de ouvir perguntas sobre o motivo e o que estava acontecendo. Era muito complicado assumir um posto como esse ao lado de alguém como Bruce, e ele não estava cooperando para que isso se suavizasse. Ela queria ele por perto, mas parecia que tudo o que ele queria era que ela se afastasse cada vez mais. Ela podia sentir isso nas ações dele, e por mais que ele negasse ou ao menos realmente quisesse ela longe - ele definitivamente não queria isso, apenas não sabia disso ainda - ele agia como se a existência dela fosse exageradamente massiva para a sanidade dele.

Eles ainda foram a alguns eventos juntos nos últimos dias, e juravam que os olhares incriminadores das pessoas eram capazes de ferir. Pessoas mais próximas se perguntavam o porquê deles continuarem com aquilo se estava fazendo tão mal a ambos. Não entendiam como eles conseguiam levar toda essa dor à diante com essa calma descomunal e enganadora.

As brigas dentro da mansão passaram a ser cada vez mais constantes. Eles não se suportavam mais, e em uma dessas discussões Diana acabou soltando uma que fez Bruce ficar pensativo.

"Se você tem medo de amar, você tem coragem de quê?"

Ela perguntou. Ele se calou.

"De nada." Ele pensou. Afinal ama-la se tornou algo tão frio e monótono, ele sentia que apenas ele estava trabalhando para tornar aquilo menos cansativo, mas talvez seu jeito para fazer tal coisa era  muito incompreensível, pois ela sentia o mesmo, mas ela tinha conhecimento de que estava tentando fazer as coisas melhorarem, e não sentia nada semelhante da parte dele.

Diana foi paciente até o último segundo, mas ela não poderia ajudar Bruce em seus problemas. Pelo menos pensava que não.

Bruce era um homem com muitos dilemas, principalmente depois da volta de Rachel. Ela não sabe ao certo, mas tem certeza de que algo aconteceu com ele, e ela não poderia resolver isso. Ele teria que fazê-lo sozinho.

Diana tentou de todas as formas se manter próxima a ele, apesar de que uma parte dela dizia para que ela fugisse a toda hora.

O afastamento de Bruce era grande demais, era forte demais e dolorido demais. Talvez ele só precisasse de um tempo para ele mesmo, sem que ela estivesse ao seu lado lhe dizendo coisas, mesmo não tendo sido o que pareceu quando ela comunicou a sua saída.

Ela viu as lágrimas nos olhos dele. Ele agiu como se fosse uma criança que acaba de receber a notícia de que ficará sem os pais por alguns dias.

Bruce não estava preparado emocionalmente para ser deixado de novo. Ele precisava de tempo, só não sabia que precisava de Diana mais do que isso.

Ele não demorou a aceitar a ideia. Apesar de ficar extremamente chateado, Bruce Já estava acostumado a ser deixado por todas as mulheres que passaram por sua vida. Elas sempre fogem dele, ele pensava. Ele ficou com raiva de si mesmo por ter pensado que com Diana as coisas seriam diferentes.

Era óbvio que não seriam. Nunca seriam.

O coração de Diana doeu quando ela chegou, às nove da noite, e resolveu contar a Bruce que estaria deixando a mansão.

Antes de ir embora, ela confiou seu antigo apartamento a uma vizinha no prédio, e disse que voltaria algum dia. E bem, ela voltou.

Diana decidiu que permanecer vivendo com Bruce, dadas as condições, estava sendo muito torturante e achou que deixá-lo seria a melhor opção. Talvez temporariamente, talvez ela voltasse depois, mas naquele momento ela precisava deixá-lo ir.

A primeira coisa que Bruce notou quando ela adentrou o quarto, foi que ela não usava mais seu símbolo de compromisso. No mesmo momento ele soube que algo estava errado.

Ele não esteve muito bem o dia inteiro. Ela teve a certeza quando viu a cama deles toda bagunçada, ele apenas de cueca e um cheiro forte de cigarro impregnado no cômodo inteiro.

- Está tudo bem?

- E-eu não sei. Não tem sido um bom dia. - ela teve vontade de chorar. - Fiquei preocupado quando cheguei em casa e não a encontrei. Onde esteve?

- Bruce, eu preciso te contar algo.

Ela sentiu o coração apertar, mas seria melhor dizer logo.

- Eu amo você. Você sabe disso. Mas já faz tempo que não é a mesma coisa, e tenho a impressão de que sente o mesmo.

- Você vai me deixar, não é?

Ela suspirou quase chorando.

- Vai ser melhor assim, Bruce.

Ele se levantou e caminhou até a janela acendendo outro cigarro.

- Eu já devia ter imaginado. Você vai voltar para o seu antigo prédio?

Diana se assustou. Ela nunca contou para ele sobre isso, e não fazia ideia de como ele descobriu.

- Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você também iria. Mas eu fui tolo demais para pensar que talvez ficasse.

Por um momento, a compaixão no coração dela se transformou em frustração, pois ele foi responsável pels principal coisa que a convenceu que ir embora seria a melhor escolha. Mas ela não iria dar chance a isso. Já eram problemas demais, por hora.

- Me desculpe, Bruce. Mas não dá mais. Você sabe disso tanto quanto eu, e sabe que Dick estava certo.

Ele se virou para ela. Sabia que era verdade. Que ela estava certa.

- Não vamos forçar para que isso funcione...

Ela havia se levantado e as mãos agora estavam no rosto de Bruce, enquanto seus próprios olhos brilhavam ao encher-se de água.

Havia um sorriso melancólico nos lábios dela, mas era apenas para não fazer com que Bruce se sentisse ainda pior. Sua vontade era de desabar ali mesmo.

Ela pegou as mãos dele e colocou a aliança fechando-a como uma concha e escondendo o rosto no chão.

- Eu quero que você guarde isso. Eu prometo, Bruce, vai ser melhor desse jeito.

Sua mão tocou novamente o rosto de Bruce, mas a outra permaneceu agarrada à mão dele e ela abriu sorriu triste.

- Eu ainda te amo, mas nos separarmos agora é mais seguro do que continuar assim...

Ela suspirou e o soltou. A dor crescente em seu peito parecia querer afoga-la a qualquer segundo.

- Adeus, Bruce.

Ele a viu indo.

Não havia o que fazer. Ela estava certa, e ele sabia disso.

Ele sentiu seu coração atravessando aquela porta juntinho dela, e não teve reação. Ele perdeu seu chão. E de novo, foi por causa dela.

"Adeus, princesa." Foi o sussurro desesperado que ele soltou.


• Avenida Saint Claire,

Metrópolis ||

Apartamento de Diana •


Ela havia aguentado por quase uma hora, segurando as lágrimas até não ser mais possível. Ela segurou tanto que seus olhos começaram a arder para derramar aquele choro imediatamente.

Até mesmo sua vizinha, surpresa pela volta dela após quase dez anos, achou estranho seu olhar tristonho, mas ela não quis lhe dizer que havia algo errado.

Ela adentrou à sala e finalmente se sentiu pronta para desabar. Não teve forças para ir a qualquer outro cômodo, quem diria tomar um banho. Ela permaneceu sentada em frente à porta enquanto abraçava as duas pernas.

O choro sentido, a dor sufocante, o vazio impecável.

Tudo estava doendo, e nada se comparava à sua vontade de voltar para ele.

Ela ouviu batidas na porta, logo após acompanhadas de seu nome. Ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar, só não imaginava que a encontraria ali.

Diana destrancou a porta sem pensar duas vezes, e lá estava ele. Seu melhor amigo, e possivelmente a única pessoa que ela tinha agora.

- Olá, Diana.

Seu tom era baixo como se soubesse o que havia acontecido.

Ela o trouxe para dentro e o abraçou chorando compulsivamente.

- Como...me encontrou aqui?

- Bruce me disse que estava no 'seu apartamento'. Quando ele me contou o que havia acontecido, eu pensei que talvez precisasse de alguém.

Ela mordeu os lábios.

- Você estava certo.

Clark esboçou um sorriso fraco, apenas para que ela sentisse que ele estava ali.

- Sabe, eu me lembro de quando morou aqui. O porteiro lá em baixo me deixou subir. Você quer que eu fique?

Ela assentiu se enfiando no peito dele e ele teve medo que Lois ao menos imaginasse o que ele estava fazendo. Mas ele não poderia deixar Diana naquele momento. Ela era a sua melhor amiga, e a única pessoa que realmente importou na sua vida por muito tempo.

Ela foi uma das únicas pessoas que estavam ao seu lado quando ele descobriu que era uma criança adotada, e tem certeza que passou por essa fase com mais facilidade por causa dela.

Bruce também era seu melhor amigo. Vê-los juntos foi bastante satisfatório, e ele se sentiu muito mal ao ver o que ele havia causado para ela.

- Bruce me contou o que houve...como você está?

- Nós podemos não falar sobre isso?

Ela ergueu o queixo para poder vê-lo.

- Oh, certo, certo. Vocês...ainda vão ao casamento, não vão?

Um sorriso duvidoso formou-se nos lábios do jornalista e fazendeiro. Ele não sabia mais se após tudo o que aconteceu seus dois melhores amigos estariam presentes no seu casamento, e eles eram as pessoas que ele mais queria que estivessem ao seu lado naquele momento.

- Sim. É claro que vamos.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, ouvindo apenas o tilintar da chuva do lado de fora. Era incrível como chovia todas as vezes em que algo não estava indo bem.

Diana perguntou a ele se Lois não se sentiria mal se soubesse que ele estava com ela em um momento como esse, e ele negou como se fosse óbvio.

"Você também está precisando de mim agora, Di. E eu não sou a pessoa mais indicada para te deixar."

Ela sorriu para ele agradecendo por ter um amigo tão prestativo quanto Clark.

Eles começaram a assistir algum programa na televisão enquanto Diana tratou de encostar a cabeça no ombro do amigo, e quando ele se deu conta, ela já havia adormecido. 

Por um momento, os olhos azuis de Clark brilharam ao olhar para ela, e ele se lembrou da época em que teve uma 'quedinha' por sua amiga. Ele logo afastou esse pensamento, pois já não era mais verdade. Ele acha, também, que esse sentimento nunca foi real, que era apenas algo que ele confundiu depois que começou a passar mais tempo com ela. Mas bem, ele era apaixonado por Lois. Louco por ela.

Enquanto isso, Bruce estava na mansão tentando não dormir, se entupindo de calmante e empurrando sua dor para o mais longe que pudesse. Mesmo isso sendo algo impossível.

Ele não se trancou no quarto. Estava na sala, assistindo algum filme impróprio se enchendo de bebida.

Alfred ficou preocupado com ele ao ver as misturas que ele estava fazendo e escondeu as cartelas de remédio após vê-lo tomando uísque.

Algo em Bruce o estava incomodando. Ele nunca havia xingado Diana, mas foi o que mais fez depois que ela foi embora. A xingou por deixa-lo, por destrui-lo, por ama-la mais do que a si mesmo.

Estava doendo, e muito, permanecer sozinho depois de quase dois anos inteiros vendo-a ou ouvindo sua voz ecoando pelos corredores da mansão.

Agora só havia silêncio.

Silêncio...

Algo perturbador lhe passava pela mente. Era tão ruim estar sozinho de novo!

Ele sentia um vazio massivo dentro de seu peito, como se não tivesse mais um coração ali, como se na verdade nunca estivesse tido nada ali antes dela e agora que ela se foi, o vazio parece ter voltado.

Ele também sabia que era o melhor. Tinha que ser daquele jeito. Estava doendo ficar longe mas estar perto doía mais. Doía bem mais.

Doía quando ele tentava beija-la e ela se desviava dos lábios dele, doía quando ela não correspondia seus abraços, doía quando ele chamava pelo nome dela com uma frieza doentia. Agora ele chamava por ela como se pedisse para que ela voltasse. Um grito desesperado de socorro transferido pelo nome dela.

Ele precisava dela para seguir sua vida, afinal ela já fazia parte dela. Se é que não era ela a sua vida inteira.

Ele não entendia, na verdade, porquê queria tanto que ela estivesse ali. Sabia que o amor havia ido embora há muito tempo. Havia sido substituído por uma felicidade fantasma, enganadora, talvez até inexistente. 

Mas, por Deus, como estava doendo não poder estar com ela.

Bruce se sentiu quebrado e um completo idiota ao pensar que não deveria estar sofrendo tanto por ela, afinal pensava que ela nunca sentiria isso. Ela era forte demais para chorar por motivos tão inúteis, ele pensava.

Ele derrubou a cabeça para trás afundando-a no enorme sofá de couro marrom e, olhando para o teto esculpido de sua sala de estar, ele lembrou-se dos seus dias com ela.

"Você não precisa ir, se não quiser." Ele disse.

Clark havia convidado-os para algum tipo de confraternização em sua casa no campo. Ele e Lois se casariam em dois meses, e marcaram um almoço para para contar como seria a festividade. "Eu posso dizer a eles que não se sentiu bem."

Eles haviam passado quase a noite inteira em um avião voltando de alguma viagem, e Diana não se sentia bem. Ela nunca se sentia. Voar fazia sua cabeça querer explodir.

"Não, eu quero ir! Quero estar lá para eles."

Um sorriso forçado formou-se em seus lábios enquanto ela esfregava a testa com as duas mãos.

"Seu rosto ainda está sujo..."

Ele quase riu. Ela também.

O nariz e os ouvidos de Diana eram sensíveis à pressão, e ambos costumavam sangrar em voos de muita altitude.

"Eu imagino. Só espero que não pingue sangue no meu prato."

Eles finalmente riram.


"Diana, não é assim que funciona. Você não precisa sentir ciúmes de mim o tempo todo."

A calma na voz dele era tão grande que ela tinha vontade de furar sua garganta. 

O que ele estava pensando? Que ela gostaria de vê-lo passando tanto tempo ao lado de Rachel e que acharia tudo normal?

"Não é sobre ciúmes, Bruce! Eu amo você e preciso cuidar de você. Não posso deixar que me trate desta forma só porque ela apareceu!"

"Não estou te tratando de jeito algum, apenas que..."

"Você sabe que está. Você sempre sabe. Por favor, Bruce, não se esqueça dos meus sentimentos."

Ele a olhou incrédulo. 

"Diana, isto é loucura."

"Não, não é, Bruce."

Diana não podia acreditar que ele faria aquilo novamente. Quer dizer, já deveria estar acostumada com os dias em que Bruce começou a ficar longe depois que Rachel chegou. Já era desse jeito há dias. Estava sendo irritantemente cansativo...

"Eu converso com você depois. Preciso ir agora."

Ele a beijou nos lábios. Um beijo rápido como se fosse de despedida, e ela não quis correspondê-lo.

Seu rosto foi ficando rígido e a respiração abafada enquanto ela o viu atravessando a porta para encontrar-se com ela. De novo.


"Bruce, não é isso. Eu o amo, nada poderia mudar meu sentimento por ti. Nem ele." Ela respondeu a pergunta dele sobre como era seu relacionamento com Clark. 

"Eu sei...de onde se conhecem mesmo?"

Ela sorriu e sentou-se no colo dele para beijá-lo.

"Você está preocupado com algo?"

Os lábios dançando em seu pescoço.

"Não, é só que..."

As bocas se aproximando.

"Diana..."

Os dedos fincados no cabelo ralinho da nuca. Ela sabia controla-lo. Ela sabia acalma-lo. Talvez fosse a única pessoa no mundo que sabia como fazer isso.

"Não há motivo para pensar essas tolisses, Bruce Bruce. Clark é como um irmão para mim. Crescemos juntos, e não, nunca houve nada entre nós dois. Não que ele seja menos importante, mas existe uma coisa que ele não fazer por mim."

Os olhos dele se apertaram tornando sua expressão confusa.

"O que?"

Ela deu-lhe um beijo profundo nos lábios e suas mãos desceram através de seu torço nu...

"Oh, entendi."


Ele lembrou-se dela e chorou finalmente. As lágrimas quentes e pesadas escorrendo através de suas bochechas.

Ele se perguntava se realmente havia sido melhor assim. Será que a dor quem ambos estavam desfrutando no momento era realmente melhor do que o que eles estavam vivendo? Era difícil, mas não doía tanto quanto estar longe.

Ele caminhou desgastado até a suíte principal e se afundou da banheira que havia enchido há quase uma hora. Teve vontade de afundar sua cabeça na água e quem sabe não sair mais. Mas ele não poderia. Ela iria voltar, e ele precisava estar pronto para ela.

Ela vai voltar. Ela precisa voltar. Ela deve saber que ele precisa dela, afinal não pode simplesmente ter entrado na vida dele e de repente sair desta forma deixando-o tão desolado. Ela vai voltar, ele pensa, se não por ele, por Emily e James. Eles não merecem essa dor tanto quanto eles apenas pelo fato de que uma mulher resolveu desestabilizar a vida de Bruce com sua volta.

Algo vai acontecer. Algo grande e bom. As coisas não podem ficar como estão. Desse jeito ele não vai suportar.

Ele não vai suportar.

Você não vai ficar comigo?

Porque você é tudo que eu preciso

Isso não é amor, é fácil de enxergar

Mas, querido, fique comigo

Deixe tudo ir...não force permanências.

Algo que você precisa forçar 

para ter, não é verdadeiramente seu


Autor desconhecido


Notas Finais


"Eles vão se acertar, não vão? Eles precisam se acertar. Precisa dar certo."

Até logo!


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