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História Carpe Diem - Capítulo 32


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Notas do Autor


Hello, queridos leitores!

Aqui está um capítulo bem aleatório hahaha mas importante.

Espero que gostem e boa leitura!

Capítulo 32 - Em algum lugar


Era uma sexta-feira. O alto movimento no aeroporto quase não demonstrava que já se aproximavam das onze horas da noite, e Diana estava sentada esperando o horário de seu embarque.

Observando os outros aviões através da imensa parede de vidro, ela tenta ignorar a absurda quantidade de pessoas tirando fotos suas.

Ela estava vestida inteiramente de preto, não fosse o par de tênis perfeitamente brancos nos pés. A combinação escura não fora escolhida propositalmente, e ela riu ao pensar que combinara exatamente com o 'luto' que ela vinha combatendo.

Não demorou muito e seu voo fora anunciado. Diana nunca agradeceu tanto por poder entrar em um avião.

O sono a estava matando, mas ela não queria se entregar. Por mais que fosse noite e ela não tivesse muito o que olhar pela janela pequena, queria ficar acordada até chegar ao seu destino.

Não, ela não estava indo à Gotham City. Queria, mas não foi a sua escolha. Na verdade ela decidiu ir para um lugar ecatamente para tentar esquecer essa cidade, ou um certo cidadão que habita nela.

Após o voo de quase doze horas e meia, ela finalmente estava em um lugar que poderia relaxar e tirar algum tempo apenas para ela mesma. Não havia nada que quisesse mais no momento do que poder ficar sozinha com seu próprio eu.

Ela andou pensando bastante sobre isso nos últimos dias: o tempo que cada ser humano necessita para engrandecer o seu ego sem ninguém opinando, e sabia que precisava disso há bastante tempo.

Diana escolheu a ilha de Capri na Itália para poder se ausentar um pouco de sua vida tradicional. Escolheu este lugar porque era um dos que nunca esteve com Bruce antes. Eles costumavam viajar constantemente, inclusive já estiveram inúmeras vezes na Itália, mas preferiam lugares como Roma e Veneza. A ilha de Capri era uma novidade para ela. Quando viajavam para ilhas, geralmente escolhiam destinos como Ibiza, na Espanha, ou Santorini, uma ilha pequena localizada no mar Egeu, próxima à Grécia. Era um dos lugares preferidos no mundo para Diana, mas voltar para lá traria à tona lembranças do que fez com Bruce na última vez que esteve ali, e isso com certeza não colaboraria com seu plano.

Então ela escolheu um lugar que eles nunca cogitaram a possibilidade. E havia acertado em cheio se quisesse um paraíso natural para poder relaxar o corpo e a alma.

Assim que adentrou o quarto do hotel, mesmo exausta, decidiu checar o celular por uma última vez e não se surpreendeu com a quantidade de mensagens e ligações perdidas de Clark.

- O que queria, Clark? - ela pergunta retornado uma das ligações ao se jogar na cama gigantesca.

- Diana, onde você está?!

Ela olhou para a porta de vidro de acesso à sacada antes de respondê-lo.

- Na Itália.

Clark não acreditou no que ouvira.

- Desculpe, o que disse?

- Estou na Itália, Clark.

Ela precisou afastar o aparelho do ouvido ao ouvi-lo gritando.

- E não me comunicou?!

- Por que eu deveria?

- Para não me deixar preocupado! Por Deus, Diana! Eu pensei que havia feito alguma besteira!

Ela riu.

- Caso eu tivesse feito alguma 'besteira', você seria o primeiro a saber. Vou desligar, Clark. Estou exausta da viagem.

- Certo... De qualquer forma, divirta-se!

Diana agradeceu antes de desligar.

Eram quase sete horas, haviam muitas coisas que ela ainda poderia fazer no restante da noite, mas o sono estava finalmente exercendo seu lugar. Ela teria quase um mês para aproveitar aquele paraíso, dormir por algumas horas não seria tão ruim.

Às vezes, Diana se pegava pensando em como não deve colocar a felicidade dos outros sempre acima da sua. Ela fez isso durante muitos tempo, especialmente durante os anos que viveu ao lado de Bruce. Esse foi um dos motivos para ter decidido viajar completamente sozinha e passar três semanas longe de casa. Seus últimos anos foram marcados por inúmeros conflitos internos, e percebeu que isso lhe poupou de várias coisas que poderia ter feito. Afinal, é quase impossível manter a cabeça ocupada com outras coisas quando um bando de homens, a mando de um chefe de máfia, está atrás de você.

Também, depois que passou a viver na mansão, sua vida passou a girar em torno de Bruce e das coisas que fazia com ele. Ela já não tinha mais espaço em seu cotidiano para dar atenção apenas para a sua própria autoestima, e só percebeu que precisava disso quando teve a oportunidade de faze-lo.

Mesmo assim ainda era difícil tirar Bruce de seus devaneios... antes que percebesse, ela já estava comparando as viagens que fez com ele meses antes e de como ficava feliz ao dormir do lado dele em algum hotel espalhado pelo mundo.

Pelos deuses! Por que tudo com ele parecia ser tão melhor?

Havia uma parte dentro dela satisfeita por - tentar - seguir em frente, mas algo em sua alma dizia que ela estava apenas se enganando. Ela não estava feliz. Apenas pensava que estava.

Diana acorda pela manhã e um sorriso involuntário se forma em seus lábios rosados. Era impossível não acordar de bom humor quando o sol maravilhoso estava sorrindo para você atravessando a cortina que ela esquecera de fechar na noite anterior.

Ela se levanta e abre as portas da sacada do quarto. O vento é gelado mas indica que o restante do dia será quente e bonito. Ela respira fundo ao fechar os olhos quando sente a brisa em suas bochechas.

Há um brilho indecifrável nos olhos de Diana indicando que seu coração está travando uma batalha grande entre a sanidade e a loucura total.

Ela quis se levantar, mas algo a prendia no chão.

Era apenas um sonho, ela não tinha dormido tranquilamente na noite anterior após conversar com seu amigo Clark. Seus sentimentos estavam à flor da pele, ela não sabe dizer como ou por quê passou a noite no chão ao lado da cama. Ela sabe que esteve chorando quando sente seus olhos inchados, e fica estressada com o sol por seus malditos raios terem invadido sua face e despertado-a para mais um dia...

- Bruce idiota... - ela diz se levantando. Não seria outra coisa se não ele que a deixaria tão desestabilizada para chorar até dormir. No chão.

Mas Bruce não a fará ficar trancada dentro de um hotel quando se tem um paraíso do lado de fora esperando para ser desfrutado. A fortuna que ela gastou com essa viagem não foi para faze-la se tornar a lembrança de algo ruim.

Ela decide se levantar e trocar suas roupas para ir à praia. O dia estava lindo! Não poderia desperdiça-lo presa no quarto.

Bruce costumava elogiar bastante o corpo de Diana, e ela nunca se importou muito com isso, mas percebeu que ele estava certo quando ela atravessou o salão principal do hotel com um maiô azul marinho e uma saída de praia branca, quase transparente, e os olhares de quase todos se voltaram para ela. Seu rosto corou levemente e ela se apressou a sair do saguão.

Dizer que se surpreendeu com a vista 'ao vivo' da praia seria pouco para descreve-la.

Diana caminhou até a orla e deitou-se sobre a areia. Ela provavelmente não entraria na água, pelo menos não antes de entardecer. Haviam muitos homens e não gostaria de dar desculpas ou ter que ignorar flertes. Seria mais seguro permanecer na areia lendo um livro e pegando sol, por hora.

Clark tentou ligar em seu celular algumas vezes, mas ela não queria ouvi-lo perguntando sobre Bruce, como ela está se sentindo e todas as coisas que ele passou a perguntar todas às vezes desde sua separação. Então simplesmente ignorou as chamadas.

Diana tinha acabado de voltar da pausa para o almoço quase às 6 da tarde (afinal, acordar quase ao meio dia rende alguma falta de fome na hora certa das refeições.) Ela esperou o pôr do sol antes de voltar para o seu quarto, o que lhe proporcionou fotos belíssimas. E foi só então que ela atreveu-se a entrar no mar.

A água estava tão aquecida que mais parecia uma panela gigantesca.

- O que? Mas já? Isso é sério? - Diana dizia ao telefone. Ela usava calça jeans flare e uma blusa listrada caidinha pelos ombros. Estava se preparando para dar uma volta pela cidade no fim da tarde quando Clark ligou comunicando que Lois estava prestes a dar a luz.

- Sim! Você sabe que Lois é uma mulher pequena, a doutora disse que talvez o bebê nascesse antes do período correto, caso o útero ficasse pequeno demais para ele.

Diana podia sentir a euforia na voz de Clark.

Ela arregalou os olhos ao imaginar o estado de sua amiga.

- Oh, sim. Meus parabéns, Clark! Eu gostaria de estar com vocês.

- Você pode conhece-lo quando estiver de volta.

- Sem dúvidas. Preciso desligar, Clark. Diga a Lois que estou feliz por ela.

Clark estava tão alterado que quase não conseguiu responder, e Diana sorriu por seu amigo. Ela sabia que, desde garoto, um de seus sonhos era ser papai, e agora Jon estava à caminho para faze-lo se tornar realidade. Estava muito feliz por ele.

Minutos depois, Diana caminha pela areia da praia com os pés descalços. Não era mais a mesma praia dos primeiros dias. Sua viagem já estava na metade e um dos roteiros inclusos em seu pacote, era uma praia bem mais distante. Diferente da outra, quase não tinham pessoas, pelo menos não naquele horário. O vento era quente e o mar estava calmo, com poucas ondas.

Ela se sentiu como da última vez que esteve no Havaí quando uma mocinha, de no máximo vinte anos, colocou um colar de flores ao redor de seu pescoço e outra avulsa atrás da orelha.

Um pensamento obscuro formou-se em sua cabeça. Como uma lembrança que ela logo aderiu à Emily, e sim, era dela. Algo indicando que a saudade já estava maior do que devia, o que a fez ter vontade de chorar.

Há alguns meses, Bruce havia lhe dado um colar com um pingente de maçã. Ele disse que era para que ela nunca se esquecesse o quão doce ela era, e a irônia se faz presente quando ele disse que essa era sua fruta favorita. Diana não fora capaz de tirar esse colar, ela o usa diariamente desde o dia em que ele a presenteou.

Ela o aperta em seus dedos quando percebe que ele tomara conta de sua mente outra vez.

- Eu queria que estivesse aqui, Bruce.

Seria o momento perfeito para uma cena de um dos filmes românticos que ela tanto ama, onde ela deseja que ele estivesse ali e ele aparece fazendo uma surpresa incrivelmente bonita.

Ela gostaria que ele aparecesse atrás dela e sussurrasse no seu ouvido: eu estou aqui!

Mas conhecendo Bruce como conhecia ela sabia que ele nunca faria isso. Bruce não sabia ser romântico, não sabia fazer surpresas. Ao contrário de Diana que adorava pregar peças nele.

Essa era uma característica que não existia no temperamento de Bruce. E céus, como fazia falta.

Ela fecha os olhos e começa a se lembrar dos dias ao lado dele. Como ela gostaria que nada tivesse acontecido...

• Três anos antes

Jardim aberto de Gotham City,

2h56 da manhã ||

Diana e Bruce estavam sozinhos naquele parque inteiro observando as estrelas no céu. É claro, ninguém além deles estaria num parque deserto como este à uma hora dessas.

- Você se lembra do que eu te disse outro dia? - Bruce perguntou. Eles estavam quase enrolados um no outro, deitados na grama. A cabeça dela no ombro dele e ele exatamente do mesmo jeito.

Era uma posição peculiar. Como se estivessem cruzados um com o outro, e as mãos permaneciam unidas.

- Sobre as estrelas? É claro, Bruce.

- Então diga, o que foi?

Ela respirou fundo.

- Nada na terra e nem a quantidade das estrelas no céu são maiores que o seu amor por mim.

- Exato!

Ela se sentou para olha-lo.

- Mas Bruce, me diz uma coisa.

- O que quiser.

- Você me deixaria ir?

Ele franziu o cenho.

- O que disse?

- Você me ouviu. Você deixaria eu ir embora?

Bruce a puxou para que se sentasse em seu colo e a beijou como se já fosse a resposta.

- Nem que eu tivesse que dar a minha vida para que ficasse.

Ela abriu um sorriso amplo.

- Eu amo tanto você, Bruce.

- Pois eu te amo mais.

• Período atual ||

O fato de que promessas não cumpridas são apenas palavras chega a doer se provado. Insistimos em pensar que não é verdade, que não é dito da boca pra fora, mas ao olharmos a situação presente isso se torna algo impossível. 

Diana tomou a decisão de fazer uma viagem com o intuito de esquecer Bruce, mas parece que ficar sozinha só cooperou para que ele se infiltrasse ainda mais no profundo do seu consciente. A cada dia, sua visita à Itália se aproximava mais do seu fim, e junto da saudade de casa, crescia a vontade de se encontrar com ele.

"Eu vou! Eu quero ir até ele." - seu coração gritava.

- Eu não vou. Eu não quero ir até ele. - mas sua mente falava mais alto.

Ela estava quase sucumbindo à vontade, mas lutaria até o fim para que não seguisse sua intuição.

- Não, não. Eu não vou. Demorei muito tempo para reconstruir meu coração, não vou deixar que venham me ferir novamente.

Ela calça seus sapatos e volta a passos firmes para o hotel.

Restam-lhe alguns dias em Capri, eela os aproveitará ao máximo, afinal sabe o que lhe aguarda em Washington. Pelo menos, a lembrança de uma boa viagem, manterá sua mente ocupada por alguns dias.

Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dias eram assim

Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos
Os dias eram assim

 - Aos Nossos Filhos Ivan Lins


Notas Finais


I don't belong here...


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