História Carry You Home - Capítulo 4


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Categorias Aquaman, Batman vs Superman: A Origem da Justiça
Personagens Arthur Curry (Aquaman), Bruce Wayne (Batman), Personagens Originais
Tags Arthur Curry, Bruce Wayne, Olivia Teller
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Palavras 2.538
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Ecchi, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Nothing Like You And I


O som da respiração dele fez com que despertasse. Se assustou ao perceber que Arthur estava deitado ao seu lado, o braço sobre sua barriga e o rosto em seus cabelos, e depois, ao se dar conta de que a noite passada não havia sido um sonho, o choque de saber que ele realmente estava ali e que não havia desaparecido durante a noite. O calor em seu peito era bom, reconfortante. Havia muito que não o sentia.

Arthur moveu-se ao seu lado e sua barba roçou sobre o rosto dela, provocando-lhe cócegas. Olivia virou-se, observando seu rosto sereno enquanto ele dormia, e logo seus dedos se entrelaçaram aos seus cabelos. Ele despertara algum tempo depois, sorrindo, abraçando-a mais um pouco. A claridade além das cortinas azuis denunciavam que o sol já havia nascido e ela ficou agradecida pela quinta-feira ser seu dia de folga no emprego da tarde. Teria o dia todo para passar com ele, ou assim esperava.

Então lembrou-se do que Joe dissera no dia anterior. ‘‘Esqueci dos peixes do papai’’, grunhiu. ‘‘Joe vai falar um monte’’, pensou enquanto se levantava e se espreguiçava, olhando ao redor para localizar seu celular. Pegou-o de dentro de sua jaqueta preta sobre escrivaninha e percebeu uma quantidade absurda de mensagens em seu celular. Arqueou as sobrancelhas, encarando as dezenas de mensagens, tanto de Joe, tanto de Aimee, que havia batido um recorde de 30 mensagens enviadas em uma única noite acerca de um único tópico: Arthur.

– O que houve? – ele perguntou, virando-se para ela.

– Esqueci de pegar uns peixes que o Joe separou para o papai e vou avisá-lo. E tem também… Bem… – ela suspirou, encarando-o. – Joe perguntou por você. Disse que seu pai está te procurando.

– Que horas são? – ele se sentou sobre a cama.

– Sete e doze. O que eu respondo? – mordeu o lábio inferior.

– Diga a eles que estou com você – ele sorriu. – Que meu pai não precisa se preocupar, pois não vou a lugar algum.

Olivia mordeu ainda mais o lábio, sorrindo e se entusiasmando com a declaração. Rapidamente informou a Joe sobre o paradeiro de Arthur e respondeu a Aimee que os dois haviam se encontrado. Pai e filha responderam juntos, para a surpresa de Olivia, em uma ligação.

– Pode tirar o dia todo pra você, minha querida! – disse Joe. – Não se preocupe com nada! Eu passo mais tarde para levar os peixes! – disse Aimee.

Arthur ergueu os olhos assustados para ela, e não demorou muito para que começasse a rir quando ela encerrou a ligação.

– Dois fofoqueiros – ela o acompanhou na risada.

Como forma de provocação, Olivia começou a se despir para o banho ali mesmo, no quarto, na frente dele, que observou tudo com o sorriso maroto de quem estava pensando em todas as possibilidades que eles teriam para se divertir e ele a seguiu para o banho. A única coisa que poderia impedi-los de consumar o ato naquela manhã era a falta de preservativos, mas no fim das contas eles acabaram cedendo a irresponsabilidade de um pouco de diversão em baixo do chuveiro quente.

A única vez em que haviam feito, até então, havia sido após o baile de formatura dele. Por serem menores de idade, não poderiam ir a um hotel sem que fossem denunciados, então, quando decidiram, no último minuto, que queriam ter sua primeira vez, Arthur e Olivia estacionaram a caminhonete de Thomas em meio as árvores em um desvio da estrada. Não havia nada que pudessem usar para tornar a caçamba da caminhonete mais confortável, então fizeram no banco do carona.

Fora desconfortável para Olivia, considerando o fato de que estava sentada no colo dele, mas ela não se importara tanto. Sabia que doeria. Estava feliz por ter sido com ele.

A falta de responsabilidade em relação a preservativos, no entanto, a assombrou algum tempo depois da partida dele. Sabia que, se dependesse do histórico familiar, dificilmente teria filhos e se os tivesse, estes teriam problemas congênitos no coração, herança da parte de sua mãe, de sua avó, de sua bisavó. Quando sua menstruação atrasou, ela entrou em desespero. Se viu obrigada a contar ao pai o que havia acontecido e foi ao médico, mas, no fim das contas, não fora nada além de alarme falso pelo estresse. A fofoca na vizinhança havia se espalhado, no entanto, a de que ela teria abortado. Longe disso. Nunca houve uma criança.

Então ali estavam, em baixo do chuveiro, agora desligado, sendo irresponsáveis novamente. Arthur a colocara contra a parede, as pernas dela entrelaçadas a sua cintura enquanto ele estocava com força. Olivia tentou conter os gemidos, não queria que ninguém os ouvisse, mas tinha quase certeza de que havia deixado alguns escapar, especialmente quando ele parou de investir contra ela e ergueu suas coxas sobre seus ombros, sorvendo-a com tanto desejo que ela sentia ‘‘choques’’ percorrendo suas pernas. Vê-la gozar, daquele ângulo, apenas o excitou mais. Quando ele tornou a penetrá-la, não demorou para que se derramasse nela.

– Eu realmente precisarei de uma pílula do dia seguinte – ela sussurrou, arfando.

Depois da rapidinha mais demorada de todos os tempos, os dois se vestiram e desceram para a cozinha, dando de cara com o pai de Olivia, que os observou com o rosto mais pálido possível. Naquele momento ela teve certeza de que ele havia ouvido tudo. Ela se enrolara explicando o motivo de Arthur estar ali, com ela, depois de anos sumido, e o próprio Arthur chegou a quase gaguejar, sentindo o olhar desconfiado de Mike Teller sobre ele.

– Coisa feia ter ido embora e ter deixado a minha Olivia triste daquele jeito, viu? – o velho Mike empurrou sua cadeira de rodas na direção da sala de estar. – Você merecia um belo de um soco, Curry, mas não o darei em consideração ao seu pai, e porque está de volta. Faça um favor a todos nós e não suma do nada, senão eu te dou uns tiros!

Arthur não sumira do nada daquela vez, é claro. Já que haviam se resolvido, e que ela havia deixado claro que ele precisava de ajuda profissional para que se aceitasse e se compreendesse melhor, era como se estivessem no colegial novamente, correndo de um lado para o outro aos risos, de mãos dadas, escapando vez ou outra durante a noite para nadar e ver as estrelas.

Durante cinco meses, tudo parecia andar as mil maravilhas. Olivia inclusive enviava currículos para diferentes empresas fora do Maine, na esperança de conseguir um emprego que pagasse mais, para que pudesse dar uma vida melhor ao pai e, quem sabe, investir em uma vida para si e Arthur. Estava guardando algum dinheiro, cogitando cursar uma faculdade comunitária e instigando Arthur a fazer a mesma coisa. Ele, inclusive, começara a trabalhar no bar do Joe, e ambos voltavam para casa juntos no fim do dia, ora dormindo na casa de Thomas, ora dormindo na casa de Mike.

Mike, para o alívio de Olivia, estava interagindo muito mais, e já não se isolava completamente como o de costume. Passou a visitar os amigos com mais frequência, e por vezes os Teller e os Curry se reuniam com Joe, June e Aimee para almoços em família ou jantares. A vida parecia melhor e mais feliz que antes.

Para todos, exceto Arthur.

Olivia, quando se dera conta da tristeza que ele começava a sufocar com sorrisos e gargalhadas, percebeu o que estava acontecendo com ele.

Desde que retornara a Amnesty Bay, ele nunca mais havia viajado mar adentro. Não tinha mais suas aventuras, não salvava marinheiros em apuros ou animais presos em redes tão rotineiramente quanto antes, e toda vez que se deparava com notícias envolvendo o mar, suas feições mudavam drasticamente. Estava adoecendo lentamente, como um animal selvagem forçado a ser doméstico.

Doía em Olivia saber que ele, no fundo, jamais poderia permanecer ali com ela, mas era muito mais doloroso vê-lo definhar de saudades do mar em nome de permanecer em terra com ela. A fome dele de viver era maior e mais intensa que a dela, e uma vida pacata em casa, casado e com filhos, não parecia ser do tipo que lhe traria felicidade. Ao menos não com ela.

‘‘Talvez com uma mulher atlante ele encontre sua verdadeira felicidade’’, seus olhos marejaram ao pensar na possibilidade. ‘‘Ou com um homem, ou com ninguém. O que ele achar melhor. Ele ainda precisa se encontrar, assim como eu’’.

Em uma difícil decisão, chamou-o para conversar, sentando-se na beira do caís guardado por Thomas. Arthur não era bobo. Sabia que algo estava acontecendo quando ela o chamara daquela forma que lhe parecia tão repentina. Seu tom de voz não parecia brincalhão nem nada e não haviam sorrisos.

– O que houve? – ele perguntou baixinho, temendo a resposta que ela daria.

– Nós precisamos terminar, Arthur – ela sorriu, mas não de alegria.

– Eu fiz alguma coisa errada? – arqueou as sobrancelhas, o queixo caindo em descrença. Engoliu a seco, sentando-se mais perto dela. – Foi algo que eu disse?

– Não, não foi nada disso – ela o fitou. – Eu apenas percebi… Que não podemos ficar juntos.

– O que? Mas por que? – franziu o cenho. – Do que está falando?

– Sabe do que estou falando. Nós crescemos juntos, Arthur, mas você parece surpreso com o fato de eu te conhecer bem e saber quando tem algo errado.

– Não há nada errado, Olivia, está tudo bem comigo. Está tudo bem conosco, não está?

– Eu tenho olhos, meu querido – ela tomou as mãos dele entre as suas. – Eu vejo seu coração suspirar toda vez que olha para o mar. A saudade que sente é quase palpável, de tão real. Me dói pensar que está se mantendo aqui por minha causa.

– Eu não estou me forçando a ficar aqui, Olivia. Estou feliz aqui, com você e com o meu pai.

– Mas não está tão feliz quanto estaria se estivesse nadando em outras águas. Você é um homem do mar e eu sou uma mulher da terra. Eu tenho a necessidade constante de sentir meus pés no chão, de contar com a certeza, da previsibilidade das coisas. Algumas vezes preciso me adaptar, é claro – deu de ombros. – Um punhado de terra pode se transformar em alicerce para uma casa, ou para um vaso de flores. Pode manter uma parede de pé ou um teto sobre sua cabeça. E a água? – ela sorriu. – Pode matar sua sede ou te matar afogado. Pode amenizar um dia quente ou fazer uma represa romper. Não se pode segurar a água por tanto tempo. Você é água, Arthur. Alguma hora precisará escapar dessa represa. Eu não quero me machucar e não quero que você se machuque, entende? – fitou-o.

Arthur fechou os olhos por um momento, as lágrimas descendo sem que ele conseguisse evitá-las ou contê-las. Quando Olivia pôs os braços ao seu redor, ele se entregou as suas emoções, tal como meses antes. Olivia sabia exatamente como fazê-lo chorar, mas não de um jeito ruim. Ele apenas não queria admitir que ela tinha razão naquele ponto. Ele sentia, sim, falta do mar. Sentia falta de se aventurar entre tubarões e baleias, de nadar em mares quentes, de sentir o sol em seu rosto quando emergia em um paraíso desconhecido. Era quem ele era e ele não poderia negar isso.

– Nade comigo uma última vez – disse ela, afagando seu rosto, enxugando suas lágrimas. – Você me levará para casa, Arthur?

– Sempre – ele sussurrou com um sorriso mínimo.

Nadaram por um bom tempo antes do sol partir. Era como nos velhos tempos do colegial, quando pensaram que as coisas durariam para sempre. Nada nunca durava para sempre, exceto, talvez, o amor.

Arthur pulara de volta no cais com ela em suas costas, agarrada como um bicho preguiça. Nadar com ele nos mais belos lugares durante os meses em que estiveram juntos fora uma experiência sem igual, a fizera perceber que seu lugar não era ao lado dele. Aquele momento, em especial, reforçara isso.

Não significava, é claro, que não se amavam. Independente do que acontecesse entre eles, disto tinham certeza: eles se amavam, e precisavam aprender a como viver um sem o outro. Eram de mundos diferentes, e não havia nada de errado naquilo, mas um não poderia privar o outro de sua felicidade e chamar aquilo de amor.

Almas irmãs se reconhecem ao se reencontrarem. Naquela vida, eles haviam se reconhecido. Almas irmãs existem para que possam, juntas, encontrar seu caminho e seguir seu destino, seja lá como o façam, independente de como o seja. Conduzem um ao outro aos seus devidos lugares, aos seus devidos propósitos. Correm em direção a felicidade, onde há calor, onde há amor. Estrelas que se guiam.

Conforme ele havia prometido, havia levado-a para casa. Fizeram amor uma última vez, de forma intensa e apaixonada. Cada beijo parecia o último, e o ápice foi postergado ao máximo. Mesmo que ela tivesse aceitado que seu amor não duraria em terra firme, ele ainda parecia lidar com a ideia do fim. Sabia que um fim tão súbito não seria fácil de aceitar, mas ele compreendera o que ela dissera. Disseram a Thomas o que estava acontecendo, para que ele também pudesse se despedir. Thomas, no fim, havia se acostumado as súbitas idas e vindas do filho bem mais que Olivia, que desconhecera, por muito tempo, a frequência destas. Agora que as conhecia, as aceitava e sabia que eram necessárias.

O sol estava prestes a se pôr no horizonte. Aquele havia sido um lindo, lindo dia. Tão feliz quanto nos demais dias em que estiveram juntos, mas com um sabor especial. Um sabor agridoce, de fato, e, ainda assim, não pareceu de todo ruim para ela, tampouco a ele.

– Sempre poderá voltar para casa – ela sussurrara para ele enquanto afagava seu rosto, fitando a maré que ameaçava transbordar de seus olhos. Estava em pé no cais, relutante em partir. – Sempre poderá nos ligar. Sabe onde nos encontrar. Estou te deixando ir, Arthur, não deixando de te amar, ouviu? – esboçou um sorriso. – Sabe disso.

Ele assentiu, as lágrimas caindo novamente.

– Me prometa que será feliz, Arthur, não importa o que aconteça.

– Eu prometo – fitou-a. – Você, também, seja feliz, Olivia – sorriu.

– Eu serei – uma lágrima solitária deslizara sobre sua bochecha.

Então, depois de beijar-lhe a fronte, ele partira, acompanhando o sol no horizonte. A ela não restara nada além da inevitável saudade que já sentia, uma jaqueta que ele havia lhe deixado, e um álbum cheio de fotos de dias memoráveis. Dizia a si mesma que aquilo em seu peito não era um vazio.

Pensou em todas as vezes que dançaram juntos a luz da lua, os dias em que acordaram ao lado um do outro, e as vezes em que ela cantou enquanto ele tocava sua guitarra, ambos desafinados pela falta de prática. Pensou em todos os abraços, todos os beijos e olhares trocados, todos os sussurros de juras de amor, todas as vezes em que suas mãos se entrelaçaram depois de uma noite quente. Pensou em todos os momentos felizes que partilharam e os sentiu por completo enquanto o via desaparecer.

‘‘Vai ficar tudo bem’’, ela esboçou um sorriso enquanto Thomas a abraçava de lado, confortando-a. ‘‘Iremos todos ficar bem’’.

E ela não poderia estar mais certa.

Aquele não era um final. Era um recomeço.



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