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História Carta para um estranho - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oi, pessoal!
Não sei o que vocês vão achar, mas eu gostei. A ideia surgiu e eu saí escrevendo. Não revisei ainda, então me perdoem pelos erros.

Capítulo 1 - A carta embaixo da grande árvore


Salem, 02 de fevereiro de 1985.

Olá, estranho.

Não sei seu nome nem sua história, mas acho que você precisa conhecer a história de Nico Di Angelo.

A vida é como uma caixinha de surpresas e, apesar do jovem Nico odiar essa frase clichê de sua mãe, ele foi surpreendido pela veracidade dela. Veja bem: Nico é italiano. Tem uma irmã mais velha chamada Bianca e eles são a demonstração de amor fraternal mais linda que você jamais verá. Os dois se depararam com coisas estranhas em cada curva que a vida os levava.

Mas, antes que eu entre em detalhes, espero que você, estranho, saiba que é muito feio pegar as cartas alheias escondidas nas raízes de grandes árvores. Ainda mais se ela estiver protegida da chuva em um saquinho plástico em Salem. Não tem medo das bruxas? Estou brincando. Escondi esta carta aí de propósito, espero que alguém ache e se encante como eu me encantei. Não sei em que ano você encontrará isso, mas espero que, independente do ano, sinta-se como a irmã que perdeu seu irmão, exatamente como Bianca se sentiu. E você logo vai entender o motivo de eu ter citado bruxas.

A vida era difícil para os Di Angelo. Em 1963, eles haviam deixado a Itália com a promessa de uma boa vida nos Estados Unidos. Alguns lugares da Europa ainda tentava se reerguer depois da guerra e o pai de Nico recebeu a oportunidade de trabalhar ali. Nico tinha apenas um ano quando eles deixaram seu país de origem.

Como foi horrível quando o patriarca da família se foi! Nico tinha apenas nove anos e Bianca onze. Ter de dar adeus a alguém querido não é uma experiência que eles recomendariam. Maria Di Angelo precisou juntar todas as suas forças para seguir a vida e cuidar de suas crianças. Mas uma viúva cuidar de duas crianças não é fácil.

Foi o pequeno Nico, quatro meses após a morte do pai, quem sugeriu a venda de doces. Disse que ninguém fazia doces melhor que sua amada mãe e ela poderia "dar os doces" para que os outros concordassem. Bianca o respondeu que não tinham dinheiro para dar doces a ninguém a, como um balão flutuando, a resposta surgiu para Maria. Venderia doces. Mas a venda não rendia dinheiro para deixá-los ricos ou satisfazer todos os desejos das crianças apenas os matinha alimentados, debaixo de um teto e com roupas quentes e confortáveis.

Quando Bianca se formou, foi extremamente difícil achar emprego para ajudar em casa e, após meses tentando, resolveu vender os doces de sua mãe na rua. Deu certo por um tempo.

Em 1980, Nico estava disposto a arrumar um emprego no final do ano. Ele tinha uma certa popularidade entre algumas pessoas, que o achavam descolado em sua jaqueta de couro que herdou do pai e em seu silêncio que o tornava um tanto quanto misterioso, então acreditava que poderia usufruir disso. Alguém tinha que saber de alguma vaga de emprego, não é?

Em novembro, Nico recebeu uma resposta para as inúmeras horas conversando com pessoas aleatórias. Uma garota loira e sorridente disse que seu tio precisava de ajuda na oficina e Nico agradeceu várias vezes.

E graças a todas as divindades, Nico foi contratado, porque, apesar de calado, era extremamente gentil com clientes e habilidoso com automóveis, motos em especial. Isso era resultado das fugidas na infância para o ferro velho atrás de sua casa. Ele achava que ninguém sabia disso, mas sua irmã sabia perfeitamente onde ele estava quando ela não o via na cama durante a madrugada.

Tudo correu bem por lindos meses. Nico se formou e tinha um emprego. Ajudava sua família em casa. As contas não pareciam mais tão monstruosas.

As coisas tomaram um rumo diferente em junho de 1981. Foi quando o filho do patrão de Nico deu as caras. Aparentemente, sua mãe o enviara para passar um tempo com o pai. Assim como Nico, ele tinha acabado de se formar no ensino médio.

E Nico soube, no momento em que olhou para o garoto, que ele seria um problema. Até porque, nenhum cara deveria parecer… como ele se parecia.

Nico nunca me disse com palavras, mas eu sei que Will Solace o desestruturou de alguma forma desde o primeiro contato. E eu o agradeço por isso.

Nico evitou me contar por muito tempo, mas ele contou. Ele fugia de Will, mesmo que não houvesse motivos. Ele dizia que o Solace o causava um aquecimento e frio na barriga ao mesmo tempo. Eu lhe disse que aquilo era amor. Ele riu tanto que quase não parou. Lembro com perfeição de suas palavras.

"Eu? Amando Will Solace? Você só pode estar brincando".

Eu queria estar brincando. Mas se você o visse caminhar para casa com um sorriso no rosto todas as tardes, você concordaria comigo. Dois meses depois, ele não voltava mais sozinho para casa. Will passou a acompanhar Nico todas as tardes.

Seis meses depois de se conhecerem, Will dormiu na casa dos Di Angelo. Bianca e Maria o amavam como se amassem um parente próximo e Will retribuía todo o sentimento. Bianca dormiu com sua mãe e talvez tenha perdido a noite incrível que os dois tiveram. Anos depois, ela quis ser uma mosquinha apenas para ver se seu irmão estava feliz.

Em uma tarde, Bianca se lembra bem, Nico entrou apressado em casa. Parecia assustado. Ele não viu ela sentada na antiga poltrona de seu pai, mas ela o viu. Ele tinha as mãos nos lábios e um pequeno sorriso que crescia com cada movimento respiratório. E Bianca soube exatamente o que tinha acontecido, mas não perguntou. Ela queria saber o que teria mudado se tivesse perguntado qualquer coisa que fosse.

Com um ano que Will havia chegado, ele anunciou que seu combinado com a mãe estava cumprido e ele voltaria para Miami. Nico apenas assentiu, mas Bianca o ouviu chorar baixinho durante toda a noite. E ela o confortou. Disse que o amava e nada mudaria aquilo.

Ela se lembra dele ter calçado o All Star surrado às pressas, pegado a jaqueta e de ter saído correndo quando o dia amanheceu. E se lembrava da hora do almoço quando ele voltou sorrindo ao lado de Will, que tinha decidido ficar.

"Nico me fez querer pular do trem. Ainda bem que estava parado. Ele já fez isso com a senhora, Tia Maria?"

Meses depois, Nico segredou algo importante a Bianca. Ele e Will haviam assumido um compromisso secreto. Se amavam, mas tinham medo. Bianca o apoiou e disse que deveriam contar a Maria, porque ela também os aceitaria. E eles o fizeram. Maria sorriu quando ouviu a notícia dos dois.

"Eu sempre soube que vocês se amavam, meu querido. Mas eu lhe juro, Will Solace, se você fizer algo que machuque meu menino, eu o farei se arrepender!"

É horrível a forma como as mães estão sempre certas. Ou pelo menos, a maioria das mães estão quase sempre certas. Claro, Will não fez nada com Nico. Mas as pessoas fizeram.

Responda-me, estranho, é tão errado amar alguém? Eu não acho que seja. Mas algumas pessoas se consideram donas da verdade e acham errado amar.

Nico Di Angelo morreu como se sua vida não tivesse valor. Foi covardemente assassinado em um beco, espancado até a morte por quatro ou mais homens, segundo uma testemunha. Não foi queimado como as supostas bruxas de Salem, mas foi morto como uma aberração que não merecia nada além da morte. Nico estava voltando do trabalho sozinho em 23 de dezembro 1984. Will, que tinha conseguido trabalho em uma loja de discos, tinha saído mais cedo para comprar um presente para Nico e não o acompanhou até em casa. Afinal, nunca tinha sido realmente necessário.

Maria, após receber a notícia, teve um infarto e não resistiu. A ignorância de alguém matou as pessoas que Bianca Di Angelo mais amou em sua vida. Will ficou completamente arrasado e foi embora para Miami de novo. Ele se comunicava com Bianca por cartas.

Will Solace cometeu suicídio dois meses depois da morte de Nico. Uma carta chegou para Bianca, onde Will a pedia perdão. O mundo não parecia justo. Para ele, o mundo não parecia bom sem Nico. E Bianca entendia.

Ela só esperava que o mundo amanhã fosse melhor do que o que é hoje.

Eu espero que você faça algo para mudar o que acontece todos os dias, estranho. A morte de Nico me fez ver que ele não foi o primeiro e nem será o último a morrer por amar outro do mesmo sexo. E isso não é justo.

Quantas mães mais precisarão perder seus filhos porque alguém não soube respeitar o amor? Quantas irmãs precisarão perder seus irmãos porque alguém achou que tinha o direito de tirar a vida do outro? Eu tenho medo da resposta.

Eu acho que, após conhecer a história de Nico, você já conhece a minha. Meu nome é Bianca Di Angelo. Estou prestes a voltar para a Itália. Vendi todas as coisas da minha família aqui e espero ter uma boa vida na terra dos meus pais, porque não suporto andar por essas ruas e lembrar em cada esquina que esse lugar matou os meus pais. Esse lugar matou o meu irmão.

Eu gosto de imaginar que Nico, Will, mamãe e papai estão felizes e juntos. É minha única forma de aliviar a dor.

Então, adeus. Adeus, Salem e estranho que enfim leu isto. Espero que algo tenha acontecido em você. Respeite o amor. Porque toda forma de amor é boa e, se não for boa, não é amor. Se dois caras se gostam, o que tem de mal? E, se você, querido estranho, amar alguém assim como meu irmão amou, desejo a você força. Porque acho que não vai ser fácil, mas o amor ainda é a força mais poderosa do universo. Ame, por favor, ame com tudo de si.


Com amor,

Bianca di Angelo.


Notas Finais


Vocês gostaram? Eu chorei escrevendo a
Obrigada por lerem iti iti


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