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História Cartas ao capitão Jeon - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá pessoal!
Esta fic surgiu depois de eu ver o dorama 'Descendants of the Sun" bem como "Clash Landing on You" e recomendo muito!
Além de claro, ver o Jungkook usando a farda da marinha sul coreana aqui: https://www.youtube.com/watch?v=hoTBL39i60M e também depois de encontrar esta montagem dele usando o uniforme do exército sul coreano.
Espero que vocês gostem.

Capítulo 1 - (ÚNICO) Cartas ao capitão Jeon


Fanfic / Fanfiction Cartas ao capitão Jeon - Capítulo 1 - (ÚNICO) Cartas ao capitão Jeon

Coreia, 1946.

Uma jovem senhora de aparentemente quarenta anos  ajudava o jovem cadete do exército coreano a colocar todas as suas medalhas e brevês em seu uniforme limpo e muito bem passado. As finas rugas que estavam em seu rosto  eram devido a dura vida de ser viúva de um militar e mãe de dois outros militares do exército coreano.

O rapaz alternava entre olhar para a mãe e para seu uniforme. Ele sabia que estava sendo doloroso ter que deixá-la sem a certeza de que iria voltar vivo daquela guerra. Jeon Jungkook foi escolhido dentre os vários capitães recém promovidos devido a rapidez com que ele pensava nas estratégias, pois além dele ser da categoria de serviços especiais - o mais jovem capitão a fazer parte da equipe - ele entendia muito de planejamento bélico, o que seria um ganho para o país ao vê-lo comandar um dos Fronts mais importantes naquele momento.

Assim que a sra. Jeon terminou de colocar a última medalha, uma lágrima caiu de seus olhos e Jungkook levantou o rosto da jovem senhora:

- Omma ni... - limpando a lágrima dela ao mesmo tempo em que fazia um carinho em seu rosto - Não chore. Fica mais difícil assim ver a senhora deste jeito.

- Ah, Jung na...Sabe que é difícil. Eu só tenho você agora...Seu pai se foi e seu irmão ainda não retornou. Tenho medo que...

- Shh - colocando o dedo na boca dela impedindo que ela continuasse - Eu vou voltar, omma. 

- Promete, Jung na?

- Hum.

- Está bem. Eu vou terminar de organizar suas coisas e...

- Venha cá, omma! - puxando a senhora para um abraço apertado  e beijando o topo de sua cabeça.

A mãe de Jungkook então desabou de uma vez. O choro estava preso e ela queria ser uma mulher forte naquele momento, mas não conseguiu; ele era seu filho caçula e doia muito saber que ele não estaria mais com ela pelos próximos meses ou até mesmo anos. Quando a senhora Jeon aceitou se casar com o então tenente Jeon, ela sabia das consequências que iria enfrentar, pois seu marido poderia ser convocado para missões longas a qualquer momento; mas o amor que ela sentia por ele - e era recíproco - gerou dois frutos: Junghyun e Jungkook. Com eles, ela poderia superar qualquer dor.

Há um ano atrás, quando Jungkook ainda era tenente, veio a notícia de que seu pai havia falecido na guerra e que o exército necessitava da reposição de seu posto imediatamente. Foi entregue à mãe de Jungkook uma medalha com o nome de seu pai bem como a bandeira do país que ele servia.

Sua mãe evitou se desesperar na frente do seu caçula para que ele não ficasse triste, mas Jungkook sempre via que ela sofria calada  chorando sozinha no silêncio da madrugada. Por ainda estar em época de formação para se tornar capitão, seu irmão, Junghyun, major do exército coreano, é quem ficou no lugar de seu pai; ele já estava na guerra quando soube da notícia de falecimento do então coronel Jeon.

 

"(Seja verdadeiro) Eu só quero segurar você..." - Stay Gold, BTS

 

- Ah, eu molhei todo seu uniforme, meu filho! - se afastando do rapaz e tentando enxugar seu uniforme com manchas de suas lágrimas.

- Tudo bem, omma ni. Não se preocupe. Olhe para mim - segurando o rosto da senhora com as duas mãos - Quero que fique bem, está bem? 

- Hum, ficarei.

- Stay gold, omma ni.

- Está bem. - olhando para ele de forma carinhosa - E quero que você se cuide lá, certo?

- Hum. Estarei com o sargento Kim, então tudo bem.

- O Seokjin, filho dos Kim?

- Sim. Ele mesmo. Acabou de virar segundo sargento no mesmo dia da minha promoção de capitão.

- Ah, fico mais aliviada que você terá alguém da família para lhe confortar.

- Hum. Bem, omma ni. Chegou a hora. - afastando-se dela e pegando suas coisas.

O rapaz deu um beijo na testa da senhora Jeon e rumou para fora da casa onde uma viatura do exército coreano o aguardava. Ele guardou suas coisas dentro da viatura e deu uma última olhada para sua mãe que estava na porta com um dos braços cruzados e o outro sobre o coração. Ele então fez uma continência para ela e adentrou o veículo; Jungkook teria que voltar vivo para sua mãe e ele faria de tudo para que isto ocorresse.

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Front de Choguk, 1947.

Já faziam mais de seis meses desde que Jungkook estava no Front de Choguk. E o trabalho estava sendo pesado, já que uma equipe do major Kwon - comandante do pelotão Alfa do Front - havia sido emboscada e não se sabia do paradeiro nem do major e nem se deus subordinados. O marechal Park Hon-jae deu ordens expressas de que Jungkook verificasse o que havia acontecido, pois ele era seu braço direito e ele não admitia qualquer tipo de falha.

Jungkook andava de um lado para o outro e já tinha perdido a conta de quantas vezes ele tinha refeito a estratégia para procurar a equipe do major desaparecido quando o sargento Kim Seokjin - amigo de infância de Jungkook - adentrou a tenda onde ele estava:

- Ocupado, capitão?

- Aish, Jin! Não precisa me chamar de capitão, você sabe disso...

- Bem, querendo ou não, o senhor ... - recebendo um olhar de reprovação - quer dizer, você é meu superior então...

- Eu sou comandante do pelotão Bravo do Front, então por mim não há problema algum me chamar informalmente.

- Certo - olhando para mesa dele com um mapa rabiscado - em que posso lhe ajudar?

- Temos que encontrar o major Kwon. E eu estou sem cabeça para isso!

- Major Kwon? Ele não é o...

- Ele mesmo! Aish! Por que, Jin? Por que fui me interessar logo por ela?

- A gente não escolhe, capit...quer dizer, Kookie. Aconteceu.

- Ela não deveria estar na equipe médica daqui...

- Mas ela se voluntariou, né?

- Hum.

- E você leu o que ela escreveu? - apontando para a carta da moça que estava em cima de sua boina no banco.

- Não tive coragem. Nosso último reencontro não foi tão...digamos...amigável assim.

 

"Quanto tempo eu devo esperar? Eu quero ver você..." - Spring day, BTS

 

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Flashback mode ON

Assim que chegou ao Front de Choguk, o jovem capitão Jeon foi apresentado ao pelotão Bravo pelo carrancudo major Kwon, comandante do pelotão Alfa e braço direito do marechal Park Hon-jae. O major não tinha ido muito com a cara de Jungkook, pois achava um absurdo um menino - de vinte e dois anos - comandar uma subunidade tão importante; entrentanto, ele não podia contrariar as ordens de seu futuro sogro e  chefe imediato, marechal Park Hon-jae.

Além de sua capacidade de liderança e perspicácia em realizar missões difíceis, Jeon Jungkook era filho do renomado e falecido coronel Jeon, além de irmão mais novo do major Jeon Junghyun, especialista na infantaria e combate corpo a corpo. O general do Estado Maior da Coreia - último posto nas forças armadas coreanas - havia indicado o nome do rapaz para que fizesse parte da equipe auxiliar de Kwon.

Depois de se apresentar para aos presentes, Jungkook foi verificar o pelotão que comandaria. Foi quando seus olhos foram direto a equipe médica que estava ajustando a tenda para que pudessem se organizar melhor caso aparecessem feridos; uma das moças, de cabelos lisos, negros e presos em um rabo de cavalo chamou sua atenção.

Park Eun-min era enfermeira voluntária para a guerra. Seu pai, marechal Park Hon-jae, foi contra no início e ela estava destacada para trabalhar em outra equipe, mas o major Kwon - futuro marido de Eun-min - garantiu que ela ficaria segura se ficasse em seu batalhão. Como o marechal confiava cegamente em Kwon, resolveu deixar que a filha fosse para o Front Choguk. 

Eun-min estava prometida para o major desde os dezessete anos, quando ele ainda era capitão. Ele era cerca de seis anos mais velho que ela e sempre demonstrou que a amava, entretando, a moça não esboçava nenhum sentimento a Kwon Sook, a não ser indiferença. Sook era mal humorado, grosseiro e havia dito que assim que a guerra acabasse, eles iriam se casar e ela iria parar de trabalhar, já que ela tinha que ser uma boa esposa coreana:

                      "A que recebe seu marido com olhar cabisbaixo, comida quente e um par de chinelos confortáveis."

A moça sentiu o olhar de Jungkook sobre ela e assim que se virou para ele, seus olhos castanhos delicados encontraram os olhos negros e expressivos dele. Parecia que o mundo tinha acabado naquele momento em que eles se encaravam; era incomum ocorrer amor a primeira vista, mas Eun-min sentiu algo estranho dentro dela que não podia explicar naquela hora.

Jungkook também estava se sentindo estranho e ele não entendia o motivo. Ele já tinha experiência com mulheres e sua primeira vez ocorreu em um prostíbulo da capital coreana sob influência de seus amigos militares mais velhos; o jovem capitão tinha recém completado dezoito anos quando foi para a cama com uma mulher.

- Quem é ela, Jin? - apontando discretamente para a moça que havia sido chamada para adentrar a tenda.

- Ela? Ah, é a enfermeira Park Eun-min. Bonita, né?

- Hum, sim.

- Mas ela já tem ´dono'. Então amigo...melhor nem pensar na possibilidade.

- ´Dono´? E desde quando uma mulher pertence a alguém, sargento? - falando bravo.

- Hey, hey - levantando as duas mãos em sinal de paz - Não fui eu quem falei. É o major Kwon que fica espalhando para todo mundo para que ninguém fique flertando com ela. Mas pelo que eu entendi, ela não curte muito a presença dele rondando como se fosse um cachorro.

Jungkook respirou fundo. Ele já achava um absurdo o modo como o major tratava seus subordinados - como se eles não fossem nada - e agora ele tinha que encarar mais essa: ele ser ´dono´de uma mulher.

Ele achava algo sem cabimento, pois o mesmo tinha aprendido com sua mãe que uma mulher deve ser respeitada e um homem nunca deveria mandar em sua vida, pois se ele fizesse isso então não era um homem de verdade e sim um monstro.

 

"Hoje não....Hoje nós lutaremos!" - Not today, BTS

 

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Treinamento anti-bomba, semanas depois. 

O sargento Kim Seokjin havia se machucado durante um treino para desarmar a bomba e quase perdeu a audição por causa disso; com um dos ouvidos sangrando e desmaiado no campo, o rapaz foi socorrido por Jungkook imediatamente levando-o em seu ombro esquerdo em direção a tenda da equipe médica:

- Médico! Preciso de um médico aqui! - deitando Jin na maca e olhando desesprado para os lados.

Eun-min apareceu no local e imediatamente e atendeu o rapaz. Ela pediu que Jungkook ficasse calmo que ela iria fazer um curativo para que o médico pudesse avaliar o estado do rapaz; assim que ele a viu, não conseguiu respirar direito. A moça era ainda mais bonita de perto e, naquele momento ela usava os cabelos parcialmente soltos e exalava um aroma de frutas que ele nunca havia sentido igual.

Jin foi cuidado por ela e em seguida, o médico adentrou ao local para ver o estrago que havia sido feito na orelha/ouvido do rapaz. Pelo visto, o sargento estava com quinze por cento da audição do ouvido esquerdo comprometido, mas que não era um problema tão grave assim; ele pediu que Eun-min levasse Jungkook para fora da tenda, pois Jin precisaria descansar.

- Obrigado. - segurando sua boina nervosamente.

- Não há de quê. É meu trabalho.

- Ah, eu me chamo Jeon Jungkook.

- Certo er...capitão Jeon - olhando a plaqueta dele do uniforme manchando com o sangue de Jin - Eu me chamo Park Eun-min.

- Por que veio para cá?

- Como?

- Por que você veio para este Front?

- Ah...Ordens do nosso superior...que por acaso é...

- Seu noivo? - falou rapidamente surpreendendo a moça.

- Como sabe? Aish...- falou a moça revirando os olhos.

- Bem....

- Ele fica dizendo que pertenço a ele, não é? - cruzando os braços.

- O que acho um absurdo, pois você não é um objeto.

- Diga isso para ele, então. Bem - olhando ao redor e notando que alguns subordinados de Kwon estavam de olho na conversa dos dois - melhor eu entrar e ver se o doutor não vai precisar de mais alguma coisa.

- Certo. 

A moça deu um sorriso tímido para o rapaz, acenou com a cabeça e em seguida adentrou a tenda. Jungkook suspirou de forma triste, pois ele não queria se apaixonar por uma pessoa que era comprometida.

- Aish! Que droga!

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Sabotagem.

As semanas se passaram e Jin percebeu que o amigo estava pensativo. O sargento já havia se recuperado totalmente do desastre que quase retirou sua audição, mas que fazia parte, afinal, eles estavam em guerra. Jungkook estava terminando de repassar as ordens a outro sargento que foi liberado assim que Jin adentrou o local:

- Está se sentindo melhor, Jin?

- Estou. Mas não sei...Eu sempre desarmei tão bem, não entendi o que houve.

- Nem eu. Você sempre foi o melhor da equipe. - olhando para o amigo e em seguida colocando a mão no queixo como se estivesse pensando em algo.

- No que está pensando?

- Sabotagem, talvez?

- Mas de quem?

- De alguém que quer me prejudicar.

- Você pensa ser...

- Não sei. Talvez sim. Ele não foi muito com a minha cara e...

- Você ficou de conversinha com a mulher do cara, né?

- Não tenho culpa, Jin! Eu...meio que me apaixonei por ela e sou correspondido.

- Tem noção do perigo que você está se metendo? Ela é noiva do nosso chefe e filha do marechal...Olha a confusão!

- E você acha que eu não sei disso?

- Jung na...Em nome da nossa amizade, melhor você parar de se encontrar as escondidas com ela. Eu não sei até quando eu vou conseguir encobrir vocês...Já não basta servir de pombo-correio...Isto pode custar sua patente!

- E o que eu posso fazer? Ela não pode se casar com aquele sujeito.

- Aquele sujeito ainda é o nosso chefe! Se você desconfia de sabotagem para tentar atingir você, então pare de se encontrar com ela. 

Jungkook deu um longo suspiro, colocou as duas mãos na cintura e olhou para cima. Realmente, ele estava se arriscando demais ao se envolver com Eun-min, fora que além dos encontros que tinham, eles ainda trocavam algumas cartas. Jin no início fez de bom grando, mas a medida que os dias se passavam, ficava cada vez mais arriscado ele entregar os bilhetes que Jungkook mandavara para ela e vice-versa.

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Briga no Fort de Choguk.

O major Kwon Sook adentrou a tenda onde Eun-min se encontrava e olhou sério para ela. Estava bufando de raiva e segurava um envelope pardo amassado em uma de suas mãos:

- Você pode me explicar o que é isso, Eun-min?

- Onde encontrou isso? - ficando surpresa e tentando tirar das mãos dele o envelope.

- Você é mesmo uma vagabunda! - cuspindo no chão em seguida.

- Sook, não fale assim comigo!

- E eu deveria falar como? Você é uma vadia sim! Ficou se encontrando com aquele cretino do Jeon? Aquele filhinho de papai de m****? Ele já levou você pra cama por acaso? O seu pai vai....

Mas antes que Sook completasse sua frase, Eun-min bufava de raiva pelo modo como ele estava falando com ela daquele jeito e desferiu um tapa em seu rosto. O major virou para a moça e levantou a mão quando Jungkook apareceu no local:

- Não ouse fazer isso! - ameaçou.

- O quê? Dando ordens para mim, capitão Jeon? Era só o que me faltava! Eu deveria era reformar você! Melhor - rindo de forma sarcástica - eu deveria dizer ao marechal que você anda de gracinha com a filha dele e seria considerado um traidor!

- O senhor não tem este direito!

- Não tenho? - virando-se para Jungkook ainda com a carta não - Isto aqui é uma prova de que esta vagabunda estava me traindo com você, seu tremendo filho da p******!

- Kookie, por favor, não se meta nisso....- com os olhos marejados.

'Kookie'Agora você tem um apelido para seu amante, Eun-min? Você é uma vadia mesmo! 

- Pare de chamar ela assim!

- Eu a chamo como quiser! Ela é MINHA NOIVA ainda! Eu sou 'dono' dela!

- Ela não pertence a ninguém, major!

- Ela pertence a mim! Vem - puxando Eun-min pelo braço de forma bruta - vamos agora falar com seu pai sobre isso!

- Larga ela, major! Se não eu...

- Se não, o quê, hein sua bicha? Vai falar para o papai? Ah é...- irônico - esqueci que seu papaizinho de m***** está MORTO!

No momento em que Jungkook ouviu aquele homem desdenhar da honra de seu falecido pai, ele sentiu o sangue ferver e acabou por dar um soco no rosto do major, que com o impacto caiu no chão. O mais velho se levantou enfurecido e partiu para cima do jovem capitão; Eun-min estava desesperada e saiu correndo em busca de ajuda.

- Me ajude, por favor!

Jin estava terminando de render seu posto noturno de guarda quando viu Eun-min vir em direção a ele com os olhos marejados. Ela estava desesperada e para estar naquele estado, algo grave tinha acontecido.

- Sargento Kim, por favor...o Jungko...o capitão Jeon e o major Kwon estão brigando!

- O quê?

Os dois saíram em direção a tenda de Eun-min e encontraram os dois ainda brigando como se fosse dois cães em uma rinha. Estavam esbaforidos, suados e muito machucados; alguns militares já haviam chego ao local e tentaram apartar os dois, sem sucesso; Jin então aproveitou a trégua que o major deu ao amigo e o segurou:

- Me solta, Jin! Ainda não terminei com este desgraçado!

- Não solto! Pare de babaquice!

O major Kwon foi levado a contragosto para fora da tenda da moça e olhou ameaçador para Jungkook dizendo que ele pagaria por um preço muito alto por ter desrespeitado ordens e passado por cima de um superior. Eun-min se sentia culpada por estar acontencendo aquilo naquele momento e olhou para Jungkook; ele estava com um corte enorme na boca e alguns roxos iriam aparecer na manhã seguinte.

Seokjin soltou o amigo e em seguida falou:

Eu lhe avisei, capitão...

- Chega, Jin. Poupe-me de seus sermões...Vá para sua barraca. Eu vou daqui a pouco.

- Não vou sair daqui. Só sairei com você, Kookie.

- Não farei mais nenhuma besteira...Me deixe conversar com a Eun-min? A sós?

Jin cruzou os braços e torceu a boca. Ele não estava se sentindo seguro devido a situação que tinha acontecido e nem queria pensar nas consequências a respeito disso; o sargento sabia que mais cedo ou mais tarde o major iria descobrir sobre os dois e isto poderia dar um problema gigantesco para a carreira do jovem capitão. Entretanto, resolveu deixar que o amigo decidisse as coisas por si próprio, uma vez que ele era adulto suficiente para assumir suas responsabilidades.

Assim que Jin saiu, Jungkook se sentou na cadeira que tinha na tenda e olhou para Eun-min:

- Me desculpe. Eu não aguentei ele falando aquelas coisas para você...E quando ele falou do meu pai, eu senti meu sangue ferver. Meu pai era um cara muito honrado, Eun-min...

- Sei disso. - olhando para ele ainda com os olhos úmidos.

- Estou muito machucado?

- Um pouco. - pegando o algodão com iodo e passando levemente nas feridas do rapaz - Eu...Bem...Quero agradecer você...Nunca pensei que alguém pudesse me defender daquele jeito.

- Como não defenderia? Já falei que você se tornou importante para mim. - limpando uma das lágrimas dela.

- Eu sinto muito fazer você passar por isso. Vai lhe custar sua patente....

- Não ligo.

- Não liga?

- Não.

- Que egoísmo de sua parte! E sua mãe, Jungkook? Você não pensa nela?

- Claro que penso! - ficando chateado com o sermão dela.

- Mas não pareceu.

- E você queria que eu ficasse parado esperando ele falar aquelas coisas para você? Você acha que tenho sangue de barata?

- Não quis dizer isso, Jeon...

- Pois pareceu! Quer saber? - levantando-se - Melhor a gente deixar isso pra lá mesmo, afinal, você não me ama...Então, pra quê ficar insistindo nisso? Boa noite! - saindo da tenda e deixando a moça sem que ela tivesse tempo para se explicar.

 

"Que o amor seja perfeito apenas com amor puro e eu espero que todas as minhas fraquezas fiquem ocultas" - Fake love, BTS

 

Foi inevitável. Eun-min desabou em lágrimas; ela tinha se apaixonado pelo capitão Jeon Jungkook e tinha vivido momentos marcantes ao lado dele. Ele nunca tinha ultrapassado os limites impostos por ela, mesmo que os dois quisessem, mas não era hora nem local para fazem aquilo; a única coisa que ela permitiu foi um beijo depositado em seus lábios quando ele lhe deu algumas violetas - flor de seu nascimento - no dia em que ela havia completado vinte anos.

O capitão, durante seu reconhecimento do local para mapeamento estratégico, havia encontrado em meio a tanta atrocidade da guerra, duas flores de cor violácea próximo a uma árvore; institivamente, ele as cortou de modo que crescessem novamente e levou até o acapamento, onde de noite - na hora em que todos estivessem descansando - ele iria entregar a Eun-min.

Beijar Jungkook foi a coisa mais maravilhosa que ela tinha feito. Ela se sentiu como se estivesse em outro mundo e assim que seus lábios macios encontraram os lábios viris do capitão, ela levantou um de suas pernas, pois suas amigas haviam dito que quando o amor era verdadeiro, havia uma tendência de que uma das pernas levantassem formando um ângulo de noventa graus com o solo.

Foi aí que ela percebeu que o coração dela pertencia de fato ao capitão Jeon Jungkook.

 

"Uma hora o dia está bom, no outro, arruinado..." - Airplane pt.2, BTS

 

Flashback mode OFF

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Fim da Segunda Guerra Mundial, 1948.

Dos dois Jeon que haviam ido para a guerra, apenas Jungkook retornou vivo. Seu irmão foi morto durante um bombardeio por tropas inimigas enquanto eles estavam dormindo no alojamento improvisado. Jungkook havia conseguido encontrar o major Kwon em um galpão abandonado; o mesmo estava muito machucado e uma de suas mãos estava envolta em um pedaço de tecido velho; ele deduziu que o mesmo tinha perdido a mão em uma luta corporal.

Ao se aproximar do major, o mais velho apenas riu e disse algo como 'Você me encontrou, seu filho da p****" e devido aos ferimentos graves e sepse - infecção generalizada - o major não aguentou e morreu nos braços de Jungkook antes mesmo que ele prestasse socorro.

Ao sair do local com o corpo do major em seu ombro, o jovem capitão levou um tiro que atravessou sua perna; por pouco não atingiu sua artéria femoral, o que poderia ter sido faltal; entretanto, ele teve seu fêmur estilhaçado e ao ser constiuído tardiamente, perdeu parte do osso, ficando com cerca de um centímetro menor do que a outra, fazendo com ele dependesse de muletas para a vida inteira.

A senhora Jeon estava feliz pelo filho ter voltado inteiro, pois pelo menos um de seus Jeon havia voltado para ela. Jungkook estava se recuperando ainda das atrocidades que sofreu na guerra e sua amargura por não ter Eun-min ao seu lado estava lhe consumindo dia a dia; a enfermeira foi retirada do Front de Choguk depois da fatídica luta entre ele e o major Kwon. Ele nunca mais tinha tido notícias a não ser a carta que ela deixou para ele através de Jin e que ele só conseguiu lê-la muito tempo depois, já que precisava ficar focado na estratégia de resgate de Sook e o pelotão Alfa. Felizmente o caso da briga entre os dois fora abafado e nenhum dos dois foi punido com rebaixamento.

Eun-min havia decidido, mesmo contra a vontade de seu pai, que iria atrás do capitão - agora major - Jungkook. Isto rendeu muitas discussões e choros, mas o general (ele deixa de ser marechal quando a guerra acaba) não podia fazer mais nada a não ser deixar que a filha seguisse seu caminho; naquela manhã em que ela decidiu ir, ele apenas pediu que ela fosse levada pela viatura que servia a sua família. A moça, mesmo a contragosto, resolveu ceder ao desejo de seu pai.

Assim que a viatura parou na frente da casa que indicava na placa de madeira talhada o hanja da 'Família Jeon', ela desceu e bateu na porta de madeira; uma senhora simpática e bonita abriu a porta com os olhos que muito se assemelhavam aos de Jungkook: o olhos negros expressivos.

- Ah, olá!

- Olá mocinha! - aparecendo timidamente na porta.

- O capitão Jeon está?

Assim que o rapaz ouviu a voz dela, apareceu atrás de sua mãe e abriu a porta da casa apoiando-se em uma muleta devido ao acidente de guerra que ele teve e que nunca iria ser curado. Jungkook continuava bonito, apesar de estar mais abatido devido aos problemas que enfrentou ao resgatar o pelotão do major Kwon, que morreu em suas mãos, após terem sido emboscados por alguns membros da tropa inimiga.

- Pode deixar, omma ni. 

A senhora sorriu para o filho e assentiu. Em seguida, ela adentrou a casa para que o casal pudesse conversar com mais privacidade. Jungkook olhou para Eun-min. Ela estava ainda mais bonita e continuava com o mesmo cheiro de frutas que ele sentiu quando se apaixonou por ela; entretanto, a última carta dela escrita com palavras duras e entregue as vésperas da viagem dele para resgatar a equipe de Kwon foi bem dolorida para ele e o mesmo sofreu bastante com isso, mas foi inevitável.

- O que faz aqui?

- Eu..Bem...Eu vim ver como você está.

- Como pode ver, estou sem meu irmão e com uma perna menor do que a outra. Um inútil, se quer saber.

- Não diga isso, Kookie...

- Eun-min...Por que fez aquilo comigo? Eu estava disposto a enfrentar tudo por você...

- Eu sinto muito....Eu...Bem....Vim deixar isso aqui para você. - entregando a ele uma carta endereçada a ele.

Jungkook olhou para Eun-min e pegou das mãos da moça o objeto. Em seguida, abriu e leu tudo o que estava escrito de forma atenta. Uma lágrima insistiu em cair de seus olhos e ele se segurou para que não acontecesse; Eun-min mexia em suas mãos de forma nervosa esperando a reação dele. 

O rapaz olhou para ela e mordeu os lábios que insistiam em tremer. Ele esperava por aquelas palavras há tempos.

Kookie, eu...

Jungkook não deixou que ela terminasse a frase. Ele a puxou para um abraço meio desengonçado devido a muleta que usava e apertou a moça forte contra seu peito inalando aquele cheiro de frutas que ele tanto sentiu falta; Eun-min correspondeu ao abraço de seu amado e sentiu seu coração fervilhar quando ele disse com a voz embargada:

 

"Eu posso ser seu super-heroi (...) Eu te amo muito!" - Anpaman, BTS

 

FIM


Notas Finais


Obrigada por todos que leram minha fanfic! Ela é meu outro bombonzinho de coco feito com muito amor!

Ah, durante a guerra, quando a família só tem um filho homem, não é indicado que o mesmo vá para a batalha, entretanto, ele pode escolher ir se quiser, certo?


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