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História Cartas Ao Remetente - Capítulo 1


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Capítulo 1 - DO FUTURO PARA O PASSADO


Eu passei apressado pelo amplo portão pertencente a escola, esbarrando em alguns outros estudantes, gritando um pedido de desculpas sem parar ou ao menos olhar para trás. Eu estava em cima da hora, correndo o risco de perder o transporte escolar que me levaria para casa. Se alguém viesse tirar satisfação comigo amanhã, eu pediria desculpas decentemente.

Correndo ainda mais rapidamente, eu alcancei a esquina para o estacionamento dos ônibus, porém toda a correria foi em vão ao que vejo o automóvel partindo. Sinalizei em meio aos gritos tentando chamar a atenção do motorista, mas o mesmo não parou.

Descansando com as mãos nos joelhos, eu tentava recuperar o fôlego enquanto observava o veículo sumir de vista. Quando senti ter recuperado o ar, ergui meu corpo pronto para fazer meu caminho até o ponto de ônibus, porém logo senti meu corpo se chocar contra o de outro alguém.

Olhando em direção a pessoa, visualizei um jovem rapaz de aparência um tanto peculiar. Seus olhos eram grandes como de bonecas, seus lábios eram cheios e vermelhos. Seus movimentos se mostravam ligeiros, mas sua feição aparentava calma. Ele tinha uma beleza diferente de qualquer outra que eu já havia apreciado, podendo ser definida como única por mim.

Devo tê-lo encarado por longos segundos, pois ele sorri antes de pigarrear.

— Yoo Kihyun!?

Me surpreendi ao que o mesmo se mostrou saber quem sou e meio relutante, eu o respondi.

— S-s-sim...

— Que bom. Eu sou Chae Hyungwon e tenho algo para lhe entregar. - Ele vasculha a grande bolsa carteiro em sua lateral antes de me estender um envelope. — Isso lhe pertence.

Olhei para o envelope estendido em minha direção antes de pegá-lo.

— O-obrigado.

— Não há de quê.

Com isso, o jovem se afasta, e eu observo até que ele vira a primeira esquina, sumindo de vista. Analisei atentamente o envelope em minhas mãos. Ele estava um pouco amarelado e pesava de modo a denunciar que havia algo mais além de uma possível carta. Minha curiosidade estava apertando-me fortemente e estava prestes a abrir o envelope, quando ouvi a grave voz tão conhecida chamar por mim.

— BAIXINHO!?

Jooheon estava com seu carro estacionado do outro lado da rua acenando em minha direção, indicando que eu deveria ir até ele. Aproveitando que a rua estava vazia, eu corri até o outro lado.

— Pensei que você já tivesse ido embora.

— Eu realmente já estava em casa, mas senti que você perderia o ônibus e por isso vim te buscar. - Ele disse. — Entra!

Entrei no carro, ocupando o lado do carona e como sempre, um rap soava baixo pelos altos falantes do carro de Jooheon. Nos mantivemos em silêncio por boa parte do caminho antes de eu me lembrar de algo inusitado que havia ocorrido comigo logo depois que ele havia ido embora.

— VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR! - Exclamei todo animado, enquanto Jooheon fazia uma curva à esquerda que dava para a estrada de terra livre da movimentação corriqueira dos carros.

Jooheon me olhou de esguelha, levantando a sobrancelha bem delineada, então em um grito agudo, disse:

— IM CHANGKYUN ME CHAMOU PARA SAIR! - Eu pulava no banco que estava ocupando. — Ele vai me levar para jantar essa noite!

Jooheon quase perdeu a direção do carro quando eu apertei e sacudi seu bíceps em um ato impensado. Ele pisou fundo nos freios e girou o carro num cavalo de pau na estrada de terra que era o caminho até nossas casas. Jooheon se livrou do cinto antes de virar-se no banco de couro, com um dos braços apoiados no encosto de cabeça do meu assento. Seus olhos pareciam em chama.

— O que exatamente você acabou de dizer? - Ele parecia irritado, o que me deixou bastante confuso. — Porque eu podia jurar que você acabou de dizer que IM Changkyun chamou você para sair.

O olhar de Jooheon era intenso em minha direção assim como sua voz estava ainda mais grave, fazendo com que eu sentisse ter feito algo de errado.

— E-eu... ele... me chamou? - Saiu como se fosse uma pergunta tímida e perplexa. — Ele vai me pegar às sete e vamos jantar naquele restaurante do centro.

Jooheon continuou a me fuzilar com o olhar, começando a me deixar desconfortável.

— Por que diabos você está agindo assim? - Questionei.

— Você ainda pergunta? - Jooheon rangeu os dentes e depois esfregou o rosto com as mãos. — Baixinho, você não pode sair com o IM.

— Por que não, Jooheon? - Agora que eu estava superando o choque do súbito ataque de raiva de Jooheon, fiquei magoado. — Ele é legal e lindo. E meu Deus, Honey. Ele é seu amigo, então qual é o problema eu sair com ele?

— Baixinho...

— Eu estou animado, Honey. - Disse me sentindo cabisbaixo. — Ninguém jamais me chamou para sair e quando alguém finalmente faz, você fica aí todo raivoso. Não estou entendendo. Você deveria estar feliz por mim!

O rosto de Jooheon se contorceu em uma carranca desgostosa e eu pude notar uma meia dúzia de emoções percorrer sua bela feição. Ele entreabriu os lábios, mas logo em seguida a fechou de novo.

Subitamente Jooheon escancarou a porta do carro, resmungando uma série de maldições ao se lançar para fora do veículo. Ele saiu andando até o amontoado de bordos, me deixando ciente de que ele queria ficar sozinho e que dali estaria tomando o caminho de casa. Soltando-me do cinto de segurança, eu pulei para o banco do motorista, fechando a porta antes de dirigir o restante do caminho até em casa.

[•••]

Abri a porta da frente passando pela sala, visualizando a cabeleireira descolorida de Hoseok.

— Boa tarde, Hyung.

— Boa tarde, Kiki. - Hoseok devolve o cumprimento sem desviar o olhar da tv. — Mamãe e papai disseram que vão chegar tarde, o que você quer comer de jantar?

— O que você resolver, por mim está ótimo.

Recebo apenas um resmungo por parte de Hoseok. Minha deixa para me retirar. Subo as escadas correndo, me livrando do peso da bolsa em meu ombro, porém quando a mesma encontra o chão, o envelope que recebi do estranho desliza pelo assoalho, me instigando a pegá-lo.

Caminhei até minha escrivaninha, ocupando a cadeira antes de pegar o abridor de envelope. Na parte externa havia apenas três simples palavras: Para Yoo Kihyun.

Cortei o envelope, encontrando uma pequena correntinha com um lindo pingente de estrela.

Deixando a correntinha na mesa, retiro algumas folhas amarelas que se encontravam dobradas pela metade. Desdobrando as folhas, eu inicio a leitura da primeira página.


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Para Yoo Kihyun, meu eu do passado.


Estou escrevendo essa carta de sete anos do seu futuro. Eu pensei bastante em como iniciá-la, mas logo me dei conta de que não há caminho melhor do que ser direto.

Esta carta tem como propósito desviá-lo dos caminhos errôneos dos quais eu, seu eu do futuro, vim a percorrer.

Estarei deixando a você, algumas mensagens que te ajudarão a evitar conflitos desnecessários e também a optar por escolhas que eu desejo que faça para que quando eles estiverem a acontecer, assim você possa nos livrar de um grande mar de arrependimento e dor.

Use delas para criar novas lembranças, pois serão elas a ficarem para contar nossa história.

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Eu lia as palavras sem entender exatamente do que se tratava. Meu eu do futuro? Escolhas? Mar de arrependimento e dor? Isso com certeza é algum tipo de pegadinha por parte de Jooheon. Em que dia ou momento eu poderia trombar em uma pessoa de beleza peculiar como a daquele cara?

Passando para a segunda folha, eu observo o cabeçalho da carta antes de lê-la completamente, me dando conta de que a data bate com o dia de hoje.


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09 de Abril


Esse dia continua especialmente fresco em meio às minhas diversas memórias, pois fora a partir dele que criamos momentos inesquecíveis, novos sentimentos e até mesmo alguns arrependimentos.

A manhã se iniciou agitada, pois perdemos a hora e de brinde recebemos um longo sermão de Jooheon. Fora isso, tudo correu maravilhosamente bem, ainda mais depois que IM Changkyun nos chamou para um encontro. Ficamos tão animados com o convite, que sequer percebemos a hora passar, fazendo com que consequentemente perdêssemos o horário do ônibus.

Lembro-me de ter corrido em vão, mas que no final fomos salvos pelo nosso belo príncipe de armadura brilhante e bem mais precioso. Lee Jooheon. Foi graças a ele que não fomos andando todos aqueles quilômetros para casa, mas também foi graças a ele e seu acesso de ciúmes que pudemos usufruir e conhecer mais de um sentimento, até o momento, desconhecido por nós.

O convite de Changkyun fora uma experiência da qual nunca provamos, mas eu peço que não nos permita ir a esse encontro. Sei que esse é um pedido a se estranhar, mas eu garanto que não haverá qualquer arrependimento. Vá até Jooheon e antecipe algo do qual eu só fiz adiar.

Até a próxima carta!


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— I-isso ... C-como... E-eu... - Me atrapalho com as cartas ao que tento dobrá-las novamente, jogando a mesma no fundo da última gaveta da minha escrivaninha.

São longos os minutos que eu permaneço inquieto, andando pelo quarto enquanto pondero sobre a possibilidade do conteúdo da carta ser algum tipo de pegadinha.

Quando me recomponho, com um peso no coração eu mando uma mensagem desmarcando o encontro com Changkyun, antes de descer as escadas novamente, saindo de casa. Ouço quando Hoseok chama por mim, mas eu apenas continuo pelo meu caminho, passando pela casa de Jooheon, em direção a pequena *capêra.

Confesso que o conteúdo da carta me deixou intrigado e confuso, mas não fora o real motivo para que eu desmarcasse o jantar com Changkyun. Acontece que Jooheon e eu nos conhecemos desde pequenos. Fazíamos tudo juntos. De acordar ao mesmo tempo e também dormir. Jooheon era meu melhor amigo e se eu sentia em meu interior que deveria desmarcar o jantar e ir atrás dele, então era isso que seria feito por mim.

Apesar de já estar escuro, eu sabia exatamente onde ele estava. Havia uma pequena colina logo após o aglomerado de bordos que levava até o velho carvalho gigante. Jooheon estava sentado em um dos grandes galhos distorcidos quando eu cheguei no galho abaixo. Assim que se deu conta de que eu estava ali, ele enroscou o pé no galho, estendendo a mão em minha direção, logo me puxando para cima como se eu não pesasse nada, colocando-me à frente dele.

Essa posição era algo normal, mas agora parecia assumir outro significado diante meus olhos e especulações. Sua respiração estava ofegante e roupa manchada de musgo, denunciando que ele esteve a escalar a árvore diversas vezes. Apoiei a cabeça em seu peito e fechei os olhos, respirando o cheiro de Jooheon misturado a suor e musgo.

— Honey... - Tentei chamar sua atenção, mas ele permanecia impassível e se eu fosse chutar, ele com certeza estaria com suas sobrancelhas franzidas e mandíbula apertada. — Fale comigo.

— O que exatamente você quer que eu fale, baixinho?

— E-eu não...

— Não o que Kihyun? Você ia dizer que não sabe? Sério que você vai fazer isso? - Ele questionou ao que me afastei de seu peito, olhando em seu olhos. — Lembre-se que nós nos conhecemos bem o suficiente para ler um ao outro.

Ele logo desviou o olhar, fechando seus olhos como se doesse olhar para mim.

— Nós somos melhores amigos, Jooh. - Senti meu coração dar um salto, pois o que eu tinha a dizer, poderia mudar muita coisa. — Se em você existe sentimentos além da nossa amizade, por favor, conte para mim.

— E esses sentimentos existem apenas para mim, baixinho? - Ele perguntou com a voz carregada em dor. — E é claro que somos melhores amigos, Ki. Crescemos e sempre fizemos tudo juntos como ainda fazemos até hoje, mas você já pensou na possibilidade de um algo mais comigo?

— Algo mais? Tipo, você e eu juntos?

— Sim, você e eu juntos.

— E-eu...

Meus pensamentos se voltaram para toda minha trajetória e tudo se mostrou relacionado a Jooheon. Meus momentos tristes e felizes. Nossas reações radicais para com o outro quando se dizia a respeito de outras pessoas envolvidas entre nós. O jeito terno e cheio de amor com que ele sempre olhou para mim. E até mesmo para a minha reação de cogitar um algo mais para nós.

Tentei imaginar o meu algo mais com Jooheon e vi que era fácil. Era fácil imaginar nossos dedos entrelaçados, idas ao cinema, jantares à luz de velas e até mesmo eu deitado em seu peito enquanto assistimos o pôr do sol por entre as folhas do grande carvalho. Meu coração começou a bater forte novamente ao que me dou conta de que é fácil pensar em coisas de casais quando se trata de Jooheon.

— Não pense demais baixinho - Jooheon sussurra. — apenas deixe acontecer...

A voz dele estava perto demais e sua respiração era deliciosamente quente. O que estava acontecendo? Por que de repente os lábios de Jooheon parecem tão vermelhos e saborosos!?

Olhei para cima e os olhos do Jooheon estavam a poucos centímetros dos meus. Seus dedos vieram de encontro ao meu rosto e de repente, minha respiração travou. Ele trilhou as pontas dos dedos até estar sobre os meus lábios e eu não conseguia pensar em outra coisa senão em seus olhos penetrantes, na mão que agora fora parar em meio aos meus fios e em qual seria o gosto dos seus lábios que estavam tão próximos dos meus.

Em um rompante, Jooheon pressionou sua boca na minha, arrancando todo meu fôlego. A eletricidade percorreu o meu corpo, me fazendo suspirar satisfeito ao que meus olhos se fecharem.

Um calor úmido e uma energia sutil me arrepiaram e a surpresa deu espaço ao fascínio. Jooheon estava me beijando e eu totalmente estava gostando. Seus lábios eram quentes, macios e tinham gosto de morango doce. Eu já havia beijado outras pessoas, mas nenhum deles me fizeram sentir a mesma coisa que Jooheon.

Seus braços apertaram mais ao redor de minha cintura, me aproximando mais do seu corpo. Nossos lábios dançaram em sincronia até que fora necessário nos afastar a fim de buscar por ar. Jooheon me olhava, mas eu não o encarava de volta, pois todo o contato com ele me deixou tonto, sofrendo com a ausência do seu beijo.

— Isso muda as coisas entre nós, não é? - Perguntou Jooheon.

— Sim, isso totalmente muda as coisas entre nós. - Digo a Jooheon e quando finalmente o encaro, vejo sua expressão se torna preocupada, me instigando a continuar com a explicação. — Olha... Eu realmente fiquei e ainda estou com medo de onde essa mudança pode nos levar, mas quero destacar que esse momento fora maravilhoso e espero poder partilhar de muitos outros semelhantes com você.

Jooheon sorriu antes que seus lábios estivessem colados aos meus novamente, em um beijo que agora selava uma nova etapa de sentimentos.


Notas Finais


*Capêra: No dicionário informal, capêra é uma pequena porção de mata fechada. Pequeno aglomerado de árvores.


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