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História Cartas Ao Remetente - Capítulo 2


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Capítulo 2 - DO FUTURO PARA O PASSADO part.2


Jooheon e eu decidimos começar com um namoro tranquilo. A princípio resolvemos manter segredo, mas o sigilo não perdurou por muito tempo, pois enquanto Jooheon e eu estávamos em meio a uma de troca de beijos quentes, Minhyuk adentrou o quarto sem bater, se provando ser intrometido demais.

— CÉUS! - Minhyuk exclamou escandalosamente. Ele nos olhou com espanto e quando fez menção de gritar mais uma vez, fora impedido por Jooheon que correu de encontro a ele, tampando sua boca com uma das mãos. Mais que prontamente Minhyuk o afastou, limpando a boca com gestos bruscos e exagerados. — Não me encoste com essas mãos que eu não faço ideia de onde estiveram e nem pretendo saber.

— Vai se ferrar, Minnie. - Jooheon disse ao irmão mais velho. — Só não grita, ok!?

— Menino, eu fui fodidamente surpreendido e você me manda calar a boca!? Vai se ferrar você. 

— Menos, por favor, Minnie.

— Tudo bem. Me desculpe entrar sem bater, mas eu não sou vidente para prever que vocês estariam nessa... nessa pouca vergonha.

— O sujo falando do mal lavado. - Sussurrei mais para mim mesmo do que para os outros dois presentes, porém o silêncio deles denunciou o fato deles terem escutado o que eu falei. — Ah, qual é Minnie, não né olha assim. Nós três sabemos que você é a última pessoa a ter direito de nos julgar.

— Não vou me desculpar novamente, mas quero saber: desde quando!?

— Quanto a isso... nós íamos contar na hora certa.

Minhyuk nada modesto, nos encarou antes de puxar a cadeira da escrivaninha de Jooheon, sentando-se de frente para nós depois de empurrar a porta do quarto, fechando-a.

— Vocês vão me contar tudinho.

Como fora pedido, contamos tudo a Minhyuk; principalmente sobre a vez em que nos demos conta de que nossos sentimentos iam além da amizade — a um mês atrás — e em meio aos surtos, ele nos convenceu de que não havia situação melhor que agora para contar sobre nosso namoro aos nossos pais. E foi o que fizemos.

Nada mudou de forma drástica na minha relação com Jooheon, pois ainda estávamos agindo da mesma maneira que sempre agimos, só que agora trocamos muitos beijos e também andávamos de mãos dadas.

Nossos pais sempre que tinham oportunidade, faziam questão de nos lembrar sobre os cuidados que deveríamos tomar caso resolvessemos avançar um passo na nossa relação, mas eles nem mesmo nos deram a chance de dizer que não tínhamos feito nada além de beijos quentes ou que sexo ainda não fazia parte dos nossos planos, pois gostaríamos de passar por cada uma das etapas de um namoro.

Já nossos irmãos, Hoseok e Minhyuk, estavam sempre fazendo insinuações de duplo sentido que nos deixava super envergonhados em frente aos mais velhos, mas fora isso, eu estava contente em continuar com as coisas do jeito que elas estavam. Eu gostava de ter Jooheon comigo.

Ao longo dos dias eu ia lendo as mensagens nas cartas em ordem a anteceder um dia a data do cabeçalho. Algumas situações mais complexas foram evitadas, brigas desnecessárias aconteceram mas tomaram um caminho menos tortuoso ao que optei por decisões minuciosamente pensadas. Tudo estava a correr bem e a única coisa que eu precisava fazer era seguir o roteiro das cartas. Coisa que eu também pretendia fazer hoje. Peguei o envelope na última gaveta da minha escrivaninha, desdobrando a penúltima carta no intuito de relê-la.


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14 de Junho

Conhecendo-me da maneira que conheço, estou receoso de que você chegue a essa carta se sentindo saturado em ter alguém ditando quais devam ser suas atitudes, mas eu peço encarecidamente que você compreenda que se eu faço isso, é para o bem do nosso emocional e também das futuras lembranças.

Talvez perder a hora hoje tenha lhe deixado estressado, mas respire profundamente e se acalme, ou você terá uma intensa dor de cabeça durante todo o dia.

Hoseok precisará de você após discutir com Hyunwoo por telefone, e cabe a você aconselhá-lo como sempre. Se você tivesse noção - assim como agora eu tenho - do quão bem isso faz a ele, com certeza colaria nele todos os dias. *Risos*

Então, por favor, coloque a razão na cabeça dele e não o deixe passar o dia dos namorados sozinho, ainda mais sendo por um motivo tão bobo.

Agora é que vem a parte não menos importante. Hoje é dia dos namorados e as mariposas em seu estômago não param de dançar em expectativa pelo que Jooheon pode estar preparando.

Não tenha dúvidas de que será algo lindo, pois quando se diz respeito a agradar, ele nunca falha.

Eu não tenho exigências a serem feitas, eu apenas desejo que você aproveite e faça memórias agradáveis. Apenas ame e divirta-se! ♡

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Após reler a carta com a data de hoje, eu espiei a próxima, o que me deixou intrigado, pois o datar dela estava para daqui a alguns meses. Tomar ciência do tanto de tempo que distancia o hoje da próxima carta, revirava todo o conteúdo que eu havia ingerido no café da tarde. 

— Kihyun!? 

Assusto-me com a batida na porta e ainda mais ao me dar conta de que a voz pertencia a Jooheon. Mais que depressa, eu junto as cartas no envelope voltando a jogá-lo no fundo da gaveta antes de Jooheon passar pela porta.

— O-oi Honey.

— Já está pronto? 

— Sim, eu estou. - Digo ao me levantar e caminhar até Jooheon, beijando seus lábios suavemente antes de sairmos de casa.

[•••]

Jooheon optou por um jantar no restaurante do centro - o mesmo do qual eu teria um encontro com Changkyun. O restaurante estava sendo absurdamente disputado, pois era novidade na pequena cidade.

Haviam dezenas de casais que aparentavam desde a mesma idade que nós até alguns anos bem mais velhos. Nós aproveitamos cada segundo ali: comemos massa e bebemos soda no jantar e cheesecake de morango na sobremesa.

Estava me sentindo completamente relaxado e satisfeito na hora em que deixamos o restaurante. Caminhamos até o parque de frente ao estabelecimento, nos sentando em um dos bancos de madeira que era protegido por um Gazebo repleto de trepadeiras.

— A noite está linda, não acha? - Perguntei a Jooheon. — É raro que as estrelas estejam tão aparentes assim.

Fechei meus olhos ao sentir a brisa da noite, mas logo voltei a abrí-los ao não receber uma resposta de Jooheon. Quando olhei em sua direção, percebi que o mesmo me encarava e um misto de sentimentos estava aparente em seu olhar.

— Você tem noção do quanto eu te amo? - Ele questionou baixinho, sua voz se misturando aos suaves sons da noite. — Eu amo cada parte sua. Seus olhos, sorriso, voz, humor intercalado e principalmente o seu amor. 

Sorrimos os dois ao que eu me aproximei, embalando seu rosto em minhas mãos. 

— Eu tenho total noção do seu amor por mim, pois o meu por você se iguala. - Beijei seus lábios rapidamente. — O fato do meu primeiro amor ser você, me faz extremamente feliz.

Meu coração batia forte e eu tinha total certeza de que Jooheon podia não só sentí-lo, como ouví-lo também. 

— E-eu tenho algo para te dar. - Jooheon retira um envelope um pouco amassado do bolso traseiro antes de estendê-lo para mim. — Amassou um pouco.

— Não há problema com isso.

Sorrio ao encarar o envelope em minhas mãos. Estava um pouco pesado e na parte externa havia doces palavras: Para o meu amor, Yoo Kihyun. Isso me trouxe uma leve sensação de dejavu, mas minha curiosidade pelo conteúdo encobriu qualquer outro sentimento.


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14 de Junho

Eu sempre soube que você era meu amor. De alguma estranha forma, mas eu já sabia.

Eu acordo e sempre acordei todas as manhãs com um sorriso no rosto, pois carrego comigo a ciência de que irei encontrar com você. 

Eu escolhi você, e sempre vou escolher, pois é com você que me sinto bem, é ao seu lado que encontro tudo aquilo que eu preciso e aquilo que eu sentia que faltava em mim. Gostaria de poder gritar ao mundo o quanto eu te amo e o quanto estou feliz ao seu lado. 

Todos os meus dias com você, mesmo os chuvosos e nublados, são os melhores para mim. Guardo cada lembrança nossa no meu peito. Guardo o cheiro de cada momento no fundo da minha memória. Guardo todos os seus vestígios que é para eu não me esquecer nunca de me lembrar de você.

Sei que somos jovens, mas eu não me importo. Quero que todos os meus passos nesse grande mundo sejam com você ao meu lado.

Do seu melhor amigo e amor, 

Jooheon.

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Li aquela carta repetidas vezes e só percebi que estava chorando quando uma lágrima atingiu o papel, espalhando a mancha de tinta preta da caneta. Meus olhos voltaram-se para o seu rosto e observei quando sua língua passou pelo lábio inferior, ato do qual denunciava seu nervosismo. Eu sorri em sua direção, me sentindo tocado demais para expressar qualquer coisa em palavras.

Voltei meus olhos para a carta que continha a mais bela mensagem, dobrando-a antes de mudar meu foco para o objeto mais pesado que estava a ocupar um pequeno espaço no envelope. Retirei do mesmo um correntinha da qual eu vim a me dar conta de que era idêntica a que eu havia recebido no outro envelope com aquelas cartas. Meu sorriso vacilou diante a surpresa, mas logo sentir-me ser inundado por um mar de boas sensações e sentimentos.

— H-honey...

— Você não gostou né!? - Sua voz vacilou e isso me fez encará-lo. — Eu procurei por algo melhor para te dar, mas eu não consegui pensar em nada, pois você é o tipo de pessoa que não vê muita graça em coisas matérias...

Eu assisti divertido enquanto ele gesticulava tentando se explicar e quando eu pensei que já havia sido o suficiente, eu interrompi seu estado nervoso com um beijo. Ele não me beijou de início, pois parecia estar surpreso. Me afastei minimamente, mantendo meus lábios a poucos centímetros dos seus.

— Eu amei cada momento e até mesmo os pequenos detalhes de hoje. - Sussurro, o seu alento soprando suavemente de encontro ao meu. — Gostaria de expressar em palavras tudo o que estou sentindo, mas acho que isso não é algo que seja possível.

Levantei minhas mãos até seus cabelos, entrelaçando meus dedos em seus fios macios, eu o puxei, voltando a explorar seus lábios com os meus. Senti quando Jooheon sorriu contra o beijo e não há sensação que possa ser definida como mais maravilhosa.


[•••]


ALGUNS MESES DEPOIS...

Eu havia passado o dia inteiro limpando meu quarto, juntando todo o material que havia usado durante o ensino médio para descartar corretamente. Hoseok se recusou a me ajudar e isso trouxe uma pesada carga de estresse sobre mim.

Agora de banho tomado, eu me encontrava no mesmo lugar onde toda essa loucura teve início. Sentado em minha escrivaninha, encarando a última carta com o datar do dia seguinte. Respirando profundamente, eu aperto a correntinha de estrela que Jooheon me dera antes de resolver iniciar a leitura da mensagem escrita naquele papel.


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21 de dezembro

Esse deveria ser um dia apenas de comemorações e felicidades, pois recebemos a notícia de que Jooheon estaria indo para realizar um dos seus maiores sonhos, que era fazer um intercâmbio de um ano em Amsterdam em prol de conhecer um pouco mais da música antes de iniciar com o curso facultativo.

Confesso que fiquei feliz em saber que ele estava começando a dar passos em direção a realização dos seus sonhos, mas também confesso que me entristeceu o fato dele não ter compartilhado essa notícia desde o primeiro dia em que a recebeu. 

Eu sei que nos chateamos com várias coisas bobas, por isso dessa vez eu estou a lhe pedir em prol de me resolver com meu maior arrependimento. Não discuta ou fique com raiva de Jooheon. Apenas fique feliz e aproveite o tempo que vocês tem juntos, pois nunca sabemos exatamente quanto mais tempo teremos junto a companhia da pessoa que amamos. 

Não escrevi as cartas em prol de mudar o futuro, mas sim a fim de fazê-lo usufruir melhor dos momentos que eu deixei passar por achar que teria o amanhã ao meu favor. Eu estava tão enganado.

Então, por favor, aproveite cada um dos segundos ao lado dele, pois não há mais um Jooheon ao meu lado.


[END]

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Minhas mãos estavam tremendo e minha visão estava automaticamente embaçando com as lágrimas. Apertei meus olhos e virei o verso da carta procurando por uma continuação, mas não havia nada. Nem mesmo uma mancha da tinta da caneta que fora utilizada. 

Eu perderia Jooheon? É isso que o meu eu do futuro queria dizer? Não é possível, pois eu não deixaria Jooheon nem mesmo após a minha própria morte. Eu tinha que ter entendido errado. Eu não podia e nem queria perder a pessoa mais importante em meu coração.



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