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História Cartas Ao Remetente - Capítulo 3


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Capítulo 3 - 21 de Dezembro


21 DE DEZEMBRO

Depois de tudo, eu não consegui cumprir com o pedido do meu eu futuro. Enquanto Jooheon contava a todos sobre o intercâmbio, eu permaneci em silêncio, sorrindo apenas nas horas em que achei conveniente. Por mais que eu tenha desejado não fazer, nós havíamos discutido feio e isso nos trouxe até aqui, numa noite de sexta-feira, comigo sentado no banco do carona do carro de Jooheon, enquanto ele dirigia para casa.

A neve estava caindo já havia alguns minutos e no rádio estava tocando: Through the night da IU, deixando o clima no carro ainda mais desconfortável. Jooheon estava sério e concentrado; mesmo com o farol aceso, mal dava para enxergar, pois o aquecedor havia dado defeito logo agora, embaçando demais o vidro do carro. Jooheon dirigia a menos de sessenta por hora numa estrada lisa, próximo a estrada de terra que dava para nossas casas. Apesar de saber que ele conhecia o caminho como a palma de sua mão, eu me sentia estranho sobre o percurso. 

— Não consigo enxergar nem cinco metros a frente e os pneus de trás não param de derrapar. - Jooheon resmungou mais para si mesmo do que para mim.

— Ho- Jooheon, você não acha que talvez seja melhor encostar o carro até a tempestade ceder um pouco. - Sugeri.

— Não, tudo bem. - Disse Jooheon. —  Nós estamos próximos da estrada de terra e lá o carro não vai derrapar tanto.

Revirei os olhos, pois sabia que na situação em que nos encontrávamos, Jooheon iria contra qualquer sugestão minha mesmo que fosse para o nosso próprio bem. Permanecemos em silêncio por boa parte do caminho. Eu cogitei puxar algum assunto aleatório, mas não consegui pensar em nada. Era como se todos os anos de amizade e meses de namoro com o Jooheon não tivessem existido, tornando-o um simples estranho para mim.

Quando fizemos uma curva na estrada, Jooheon soltou uma maldição, chamando minha atenção. Olhando para a frente, eu entendi o motivo do pânico que dançou em seus olhos: por estar próximo a entrada para a estrada rural, um enorme boi se encontrava no meio da estrada. Seus olhos se mostravam prateados devido o reflexo dos faróis; imóvel ele aumentava de tamanho a cada segundo. Os pneus detrás derraparam, alavancando meu corpo e de Jooheon para a lateral. Jooheon intercalava entre freiar, trocar de macha e mover o volante no intuito de controlar o carro, mas o veículo continuou a derrapar ainda mais antes de começar a rodopiar, nos levando próximo a beirada da pequena colina que dava acesso ao início do milharal da família Son.

Forcei uma respiração profunda e em um piscar de olhos, eu gritei ao sentir o forte impacto. O barulho da lataria batendo no chão foi última coisa que eu ouvi antes de tudo ficar preto.

[•••]

Minha cabeça latejava e eu sentia todas as partes do meu corpo pesado e enrijecido; que até mesmo a simples função de abrir os olhos se mostrava impossível. Isso era assustador.

Minha boca estava tão seca que quando pus minha língua a sobressair  no intuito de umedecer meus lábios, eu jurava que ela poderia se comparar a uma lixa.

Tentei me lembrar do que possivelmente poderia ter acontecido para eu estar me sentindo assim, e a  única lembrança presente em minha mente foi o momento em que o carro de Jooheon rodopiou pela estrada antes que um barulho ensurdecedor pudesse ser ouvido e tudo ficasse negro dentro de mim.

Eu me agitei e consequentemente consegui me mover, eu só não esperava que uma dor intensa iria reverberar por todo o meu corpo, me fazendo solta uma aguda exclamação de dor. 

— Droga! - Rangi meus dentes enquanto tentava recuperar o fôlego. Aos poucos fui abrindo meus olhos, me acostumando com a luz branca do ambiente. Inspecionando a minha volta, eu consto com a presença de alguns aparelhos, me fazendo supor que estavam me monitorando. — Isso dói pra porra.

Tirando-me para fora do meu mar de lamentações e dor, escuto quando a porta é aberta. Hyunwoo entra na sala e apesar de me lançar um sorriso amável quando repara que estou olhando em sua direção, eu posso ver que há dor em seu olhar, e isso totalmente me preocupa.

— Eu pretendia perguntar como você está se sentindo, mas depois de escutar sua exclamação de dor e o que você acabou de dizer, eu meio que já posso deduzir. - Ele diz amigavelmente me deixando ciente de que agora ele estava agindo não como médico, mas sim como meu amigo e cunhado. 

— Eu te garanto que poderia estar me sentindo melhor. - Suspiro, sentindo que até mesmo o simples ato de respirar incomodava minhas costelas. — Poderia me dizer o que exatamente aconteceu para que eu viesse parar aqui? 

— Bom... Eu até posso, mas primeiro eu tenho que checar você. - Diz ele, agora agindo como Hyunwoo, o médico.

— Tudo bem.

— Sente muitas dores? - Ele pergunta calmamente e eu aceno em resposta. — Poderia ser mais específico sobre os lugares? 

— Todo o meu corpo dói e eu também  sinto como se ele pesasse toneladas - Explico a ele. — mas o que está me incomodando mesmo são as minhas costelas que estão doendo a ponto de dificultar uma respiração profunda.

— Essa sensação de peso em seu corpo decorre aos dias em que você ficou desacordado - Hyunwoo explica. —, já suas costelas, você fraturou duas, por isso a dor e dificuldade de respirar.

— Espera... você disse dias? - Hyunwoo franze o cenho ao acenar em resposta. — Como assim?

— Ki... Você ficou desacordado por quase dez dia

Enquanto eu procuro digerir as palavras de Hyunwoo, uma sequência de imagens confusas se infiltram em minha mente, sendo passadas como cenas de um filme em modo acelerado, trazendo a mim uma leve vertigem e de brinde um peso no estômago.

Apesar de toda a confusão, um rosto e nome se destaca em meio ao caos. Jooheon!

Eu tento afastar essas imagens rápidas ao piscar meus olhos, porém a situação parece piorar ao que eu volto a abrí-los. 

— Hyung... - Mesmo que Hyunwoo esteja mantendo silêncio, eu ouço e sinto quando ele se aproxima. — O-onde o Jooheon está? 

— Ki...

O tom de voz de Hyunwoo faz com que todo meu sistema entre em alerta. Um alto zumbido toma o lugar de minha audição ao mesmo tempo em que todo meu corpo treme e minha respiração já não se mantém regulada.

Lágrimas começam a jorrar, deslizando pelo meu rosto e apesar de toda dor física que estou sentindo, ela não se compara a dor que estou a sentir em minha alma. 

— E-eu preciso vê-lo Hyung. - Eu tentei me levantar, mas as mãos de Hyunwoo me seguravam no lugar. — POR FAVOR HYUNG, ME SOLTA! Por favor...

Eu solucei ao que olhei em sua direção, mas não conseguia enxergar sua expressão devido as lágrimas acumuladas em meus olhos. Eu tinha ciência de que ele falava algo, mas os zumbidos em meus ouvidos não me permitiam escutar.

Eu tentava me soltar dos seus braços, mas não havia muita força para que eu pudesse realizar tal ato. Meus movimentos foram ficando lentos, a ponto de me fazer reparar que havia mais alguém na sala.

— Você precisa se acalmar, Kihyun.

— Eu o perdi, não é!? - Ele me olha com tristeza antes de acenar em relutância, me dando a confirmação que eu não desejava. — N-não era pra ser assim Hyung...

— A culpa não foi sua. - Sua voz estava trêmula, me confirmava que ele estava se segurando para não derramar as lágrimas que estavam estancadas em seus olhos. — Foi um acidente e a culpa não foi de nenhum de vocês dois.

— Nós ainda estávamos brigados quando o acidente aconteceu. Foi tão derrepente Hyung... - Minha fala foi se enrolando; efeito do sedativo que fora injetado na intravenosa conectada ao meu braço. — Ele se foi e eu sequer pude me desculpar ou dizer que o amo. Isso é tão injusto Hyung...

— Eu sei Kiki, eu sei.

No segundo seguinte eu permito que meu corpo relaxe, logo me entregando ao vazio causado pelo sedativo.



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