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História Cartas de amor antes de morrer (Reescrevendo) - Capítulo 3


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Notas do Autor


XENTE. Oi, meus amores, como estão? Espero que bem. Sigo postando mais um capítulo e espero realmente que gostem! Bjs.

Capítulo 3 - Capítulo 3


Naquele momento, senti algo. Como se meus pulmões protestassem por alguma que não conheciam, mas que mesmo assim, era importante e necessário.

A atmosfera estava densa e tudo o que consegui pensar era "Uau" e "Quero ir embora porque tudo é complicado demais ".

- Que merda, Jiminie- Jungkook suspirou a centímetros do rosto do loiro.- Tudo o que quero é dormir.

Só então percebi que os olhos do Jeon eram profundos como um abismo. Aquele maldito calafrio me perturbou de novo e só quis dizer: "Acabem com isso". Mas Jungkook estava tão perto que os dois pareciam ser um só. Como uma aquarela imprevista. Como se Van Gogh quisesse pintar um céu etéreo mas o que resultou foi um suicídio.

As bochechas de Jimin estavam tão vermelhas como sangue. As mãos do moreno se mechiam a cada segundo. 

E é nesse momento que Seokjin surge como que para por um fim à dor em meu peito.

Primeiro ele parou como se seus pés estivessem colados ao chão. Depois olhou de Jimin para Jungkook tentando compreender aquela situação.

Então Jungkook nunca mais foi o mesmo.

                                ***

- Sim, pode falar- Hoseok diz assim que as vozes do intervalo amenizam.- Não vamos contar nada.

Yoongi toca o piercing prateado do nariz. Meus olhos estão fixos no adereço.

- Eram... eram eles. Todos muito próximos... Mas era algo muito perigoso. Quase inflamável.

- E Jin foi a faísca- o pálido opinou.

- Você parece convicto- é Hoseok quem diz.

- Você precisa de convicção se quiser sobreviver.

- Estou sobrevivendo- eu o cortei.- Mas não estou convicta sobre o que está acontecendo.

Agora seus olhos estão sobre minha cânula. Eu não queria estar ali. Queria ser inflamável pra me transformar em cinzas e voar para longe daquela situação que fugia do meu controle. Queria fugir porque Yoongi parecia estar sempre dois passos à frente.

- Esqueça isso.

E ele saiu dali como uma faísca perigosa que se afastava. Ia longe, e eu não conhecia uma palavra que pudesse pará - lo. Eu odiava não ter o controle da situação.

 "Fogo", pensei.

- Vou atrás dele- disse antes que pudesse pensar novamente. 

Os cabelos de brasas vivas de Hoseok foram se tornando indistinguíveis à medida que eu me afastava.

                                  ***

Matando aula de Literatura, só fui capaz de percorrer dois corredores. Minhas pernas estavam tão fracas que pensei que fosse perdê- las a qualquer momento. No ginásio, onde parei consequentemente, senti que o mundo se fechava ao meu redor e que meu tanque de oxigênio na minha mochila ficava mais pesado a cada metro andado. Deitei no primeiro degrau da arquibancada que vi e me encolhi com medo e com frio.

Queria escrever, mas não sabia se seria prudente.

Tossi como se minha vida dependesse daquilo e acabei por sujar todo o chão com vômito, catarro e sangue.

Sangue. Tão vermelho que fez minha cabeça girar e minha respiração falhar.

- Summer, sua boboca, o que está fazendo aí?- um par de All Star's vermelhos surgiu em meu campo de visão.

- Estou sobrevivendo- sussurrei.

De repente as mãos de Yoongi já estavam em minha cabeça raspada; acariciando com certa relutância.

- Vamos à enfermaria- foi a única coisa que ele disse

- Só preciso descansar.

- Só os mortos descansam- ele disse pondo minha cabeça sobre suas coxas. E lá eu flutuava, boiava para um lugar distante que não ameaçava me engolir. Já na havia mais tanta dor, nem um ar inexistente. Mas uma sensação que mexia com minha cabeça.

Quando a mão de Yoongi segurou a minha com firmeza e com carinho, eu mantive meus olhos fechados.

- Hoje tenho quimioterapia- falei.- E  quando faço o tratamento, me lembro de que minha morte vai ser consequência de uma idiotice.

Yoongi estava calado como um morto, mas suas mãos estavam lá. 

- Fumante passiva- cuspi palavras misturadas com sangue.- Estou assim porque inalei a fumaça de outros. E o risco de câncer era pequeno... Que azar.

- É, isso mesmo. 

- Meu peito dói muito, Yoongi. Às vezes não consigo respirar. É uma droga.

- Todos têm seus monstros, Sun.

- Meus monstros estão me sufocando- gemi em um melodia tão triste que fez os olhos do pálido perderem o foco.- Me diga o que está acontecendo.

Ele virou o rosto com tanta velocidade que soprou um pequeno vento sobre mim. Suas mãos perderam contato com minha cabeça.

- Descubra por conta própria.

- Jungkook- gritei, me erguendo em um esforço incomparável.- Jin. Guardam tantas coisas...

- Não tenho nada a ver com isso- falou ele com a expressão cansada.- Nunca vou ter...

- Não sou idiota.

- Eu sei disso, Sun. Mas não vão permitir que entre no mundo deles. 

Ele pôs as mãos nos bolsos da calça jeans rasgada, se levantando da arquibancada.

- Não deixe que o câncer afete sua cabeça. Sei que suas células cerebrais ainda estão saudáveis.

Min Yoongi deu meia volta e andou para esquecer o passado. E fiquei tão transtornada, tão irada que não consegui enxergar mais nada.

- Idiota!- rugi para que meus dentes parassem de tremer.- Idiota!

O idiota parou. Parou depois de uns segundos porque não tinha um caminho para seguir. Eu não era um caminho e jamais poderia ser. Mas então... Para onde eu estava indo?

Yoongi sabia qual era seu caminho. Um caminho perigoso e solitário que resultava em uma garota como eu. Era eu.

"Não sou seu caminho", eu quis dizer.

Quando dei por mim, Yoongi e eu éramos um; curto e ardiloso. Seus lábios tão comuns se tornaram aquela aquarela que não pude compreender. Mas não havia um suicídio. Talvez pra mim?

E suas mãos me tocaram de um modo que não conheci. De um modo que não me parecia sensato. Era quase insano porque não fui forte o suficiente para reagir.

- Summer?

Foi como um pôr do sol. Hoseok era aquele laranja violento que trouxe vivacidade pra toda a obra. Poderia ser o fim do mundo agora, mas Yoongi era do tipo que reencarnaria no mesmo corpo várias vezes para viver esse final, por isso levou uns dez segundos para me soltar.

-Eu...Eu pensei que você podia não estar bem...- o ruivo estava visivelmente constrangido. Senti meus rosto queimar.

- Ela está bem- foi Yoongi quem respondeu.

Hoseok bagunçou os cabelos.

- Sim, mas preferi não arriscar- disse e suspirou com o rosto vermelho. - Desculpe. Não quis interromper.

Não me contentando com isso, agarrei Yoongi pelos ombros e o sacudi.

- São meus amigos, Yoongi. Quero ajudar eles. Jimin quer.

Mil e uma coisas passaram em nossas cabeças, mas o pálido escolheu o caminho que não era eu.

- Me deixe em paz, Summer.

Depois disso, Yoongi saiu dali com a mesma determinação que eu tinha em saber das coisas.

- Vamos, Sun- Não percebi quando Hoseok tocou minhas mãos. Percebi quando tudo se tornava escuro.

                               ***

Quando acordei, sabia que não estava acordada. Literalmente, sim. Mas meu monstro, aquele que sempre lutava comigo, continuava em decadência.

Eu estava na enfermaria, e ao meu lado, Jungkook rabiscava no velho caderno. Como se o mundo estivesse acabando e aquilo fosse salvar nossas vidas.

- Eu pedi pra que os outros saíssem- ele murmurou sem erguer os olhos.- Não pra uma desculpa pra escrever. Mas porque você não podia falar.

- Sou mais compreensível que o normal- disse.

- Seu normal vai além do que conseguimos imaginar- Jungkook finalmente mirou os olhos nos meus.
Aquelas fendas inexpressiveis.

- Você pode me contar o que está acontecendo. Contanto que seja rápido. Essa maca é dura como pedra.

- Você passou mal, Yoongi beijou você, Hoseok chegou, houve um pequeno debate e você desmaiou.

- É. Eu ainda tenho memória- gemi. 

Jeon largou o bendito caderno e tocou minha mão ossuda. 

- Estamos preocupados com você. Hoseok disse que havia muito sangue na arquibancada.

- Estou bem.

- Não gosto dessa sua falta de ar. Você está bem?- ele desviou os olhos como se estivesse decidindo o que falar.- Você precisa, porque eu estava pensando... E resolvi fazer uma festa. Por vocês.

Não sei se meus olhos se tornaram do tamanho de duas laranjas, mas meu grito não foi tão alto quanto pensei que fosse. Cheguei a ficar decepcionada. Mas gostei muito do fato de Jungkook poder sacrificar um gosto por uma amidade. 

- Jungkookie!- eu o puxei para um abraço.- Estou tão feliz!

O moreno me agarrou com tanta força que me deixou sem ar. Quase pude sentir minha caixa torácica deslocar. 

- Daqui a dois dias. Na minha casa. Não me decepcione, Sun.

Eu sorri.

- Ok, Jeon. Agora pegue um papel e uma caneta, hum? 




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