História Cartas de Amor aos Mortos (adaptação Fillie) - Capítulo 15


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Categorias Stranger Things
Personagens Dustin Henderson, Eleven (Onze), Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Will Byers
Tags Ava Dellaira, Cartas, Morte, Mortos
Visualizações 50
Palavras 1.319
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Terror e Horror
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu tô postando mais cedo porque amanhã é meu aniversário, ( me deem parabéns ehuehuehu mentira)


Por causa disso, eu vou passar o dia com a minha família, então sábado não vai dar pra postar.

Eu espero que gostem desse capítulo, e FINALMENTE, o Jack teve uma pequena aparição no capítulo, heuhue

Capítulo 15 - Querido Allan Lane,


Querido Allan Lane,

Estou na casa da tia Win. Vou passar essa semana com ela. Gosto mais das semanas que fico com meu pai, porque ele é meu pai, e faz parte da minha família do passado. Mas eu amo a tia Win, e é por isso que estou escrevendo para você. Como você é a voz do Mister Ed, o cavalo falante, é o mais próximo dele que eu posso chegar. Minha tia ama o Mister Ed. Ama mesmo. E também ama Jesus.

Quando éramos pequenas, meu pai não gostava que ficássemos com ela, porque achava que minha tia era instável. Mas minha mãe chorava e dizia:

— Robert, elas são tudo o que a Winona tem.

Como a tia Win não teve filhos, acho que ela sempre me considerou um pouco suas filhas.

Tia Winona tem quarenta anos e usa cabelo comprido e grisalho, e vestidos com estampa floral. Dá para ver que era bonita quando jovem. Mas não como minha mãe, que continua tão bonita quanto antes. Minha mãe é delicada, como uma foto fora de foco, com o cabelo e o rosto um pouco borrados. Ou talvez seja assim que eu a vejo agora que foi embora. A tia Win é magra e forte; não dá nem vontade de receber um abraço ou um cafuné dela. Ela abraça com muita força.

A tia Win teve alguns namorados muito tempo atrás, mas eles não eram legais. Eu não deveria saber disso, mas ouvi minha mãe comentar uma vez, numa briga com meu pai. A tia Winona não namorava ninguém desde quando eu lembrava, mas isso mudou no ano passado, quando ela se apaixonou por um sujeito que atravessa o país por Jesus. Ela ouviu falar dele no noticiário e decidiu que admirava muito aquele homem. Mandou cartas e pacotes para as paradas que ele fazia ao longo do trajeto. E então decidiu ir até a Flórida, para terminar a peregrinação com ele. A tia Win percorreu os últimos cento e sessenta quilômetros com ele, e no meio do caminho eles começaram um romance. Acho que ela imaginou que finalmente tinha encontrado alguém com quem viver. Depois, começou a ligar sempre para ele e deixar mensagens em que imitava Mister Ed ou os jamaicanos de Jamaica abaixo de zero (que é a coisa de que ela mais gosta depois de Mister Ed). No começo, às vezes ele ligava de volta. Ela perguntava quando ia vê-lo de novo, mas ele nunca respondia direito. Depois as mensagens cessaram. Ela sempre conferia a secretária eletrônica, apesar de fingir que não se importava. Acho que não quer que eu a veja esperançosa. (Não sei se o amor por Jesus faz alguém ser contra a tecnologia, mas a tia Win ainda não descobriu o celular.) 

No começo do verão, depois que minha mãe contou que ia passar um tempo na Califórnia, fizemos uma espécie de reunião familiar. Foi nessa ocasião que a tia Winona perguntou se eu gostaria de passar com ela as semanas que seriam da minha mãe. É óbvio que as duas planejaram isso. Minha mãe, meu pai, a tia Win e eu estávamos sentados na casa onde Sadie e eu crescemos, no sofá em que nos sentamos juntas por anos. A tia Win virou para mim e disse:

— O que você acha, Millie?

Ela parecia querer tanto.

Meu pai não estava tão convencido, mas eu sabia que, se dissesse não para a tia Win, ela falaria que tinham deixado Sadie ir longe demais no caminho do pecado e que eu precisava de Deus ou algo assim.

Dei de ombros. 

— Não sei.

E então a tia Winona disse que, se eu ficasse com ela, poderia ir à escola do bairro. Eu ainda não tinha me dado conta de que iria para o ensino médio quando voltassem as aulas, mas pareceu uma boa ideia ir para uma escola diferente. Então concordei. 

Agora a tia Win não quer que eu faça nada. Sair, encontrar amigos, falar com garotos, nada. A única coisa que ela me deixa fazer é “estudar com alguém”, que é como consigo sair com Noah e Íris, quando estou na casa dela. Hoje à noite a tia Win e eu fomos jantar no Furr’s Cafeteria, como fazemos desde que Sadie e eu éramos crianças. Peço sempre a mesma coisa — carne, purê e gelatina vermelha. A tia Winona me obriga a rezar com ela antes de comer, mesmo que seja apenas um sanduíche de alface americana com maionese e eu esteja vendo TV, e mesmo que meu pai e eu nunca rezemos em casa. Agora, a oração é sempre para Sadie.

Depois, ela pergunta se eu fui salva e se aceitei Jesus no coração. E sempre digo que sim, porque quero encerrar o assunto. E não quero que ela se preocupe. Sadie costumava dizer não e questionar.

— E um bebê? E se um bebê que acabou de nascer, que não teve tempo de aceitar Jesus, morre? Ele vai para o inferno mesmo assim? E um adulto, que não é má pessoa, mas não conhece Jesus porque nunca ouviu falar dele? Vai para o inferno?

A tia Win nunca respondia. Ela só ficava triste e dizia que queria que conhecêssemos o amor de Jesus. Ela dizia: 

— Não veja o mal, não ouça o mal, não fale o mal.

E tentava transformar isso num jogo, nos fazendo fechar os olhos, os ouvidos e a boca. Sadie odiava. Agora a tia Win tem medo, acho, de que Sadie não tenha sido salva. Ela quer garantir que isso não aconteça comigo. Mas não sabe a culpa que sinto. E não posso contar.

Estávamos sentadas no Furr’s, na mesa com bancos de vinil vermelho sob o pé-direito que é alto demais até para um pé-direito alto, e eu me ocupava com a gelatina vermelha, cortando cada quadrado em quatro partes. A tia Win pediu mais gelo para o chá gelado. E então começou a imitar o Mister Ed e me perguntar “Como o Mister Ed faz? Me mostra”. Ela queria que eu fizesse o barulho de um cavalo andando, com as mãos na mesa, e relinchasse. Como fazíamos quando eu era criança. Sei como ela pode ser insistente, e como fica triste quando me recuso a fazer. Então engoli a gelatina e imitei o cavalo. Então olhei para o outro lado do salão e vi Jack, da minha turma de história, com os pais, provavelmente. Ele é um dos jogadores de futebol mais populares. Meu rosto ficou quente e rezei para ele não ter me visto fingindo galopar na mesa.

Estou nervosa, porque hoje vou sair escondida pela primeira vez. Gaten e Lizzy vêm me pegar à meia-noite. Gaten me apelidou de “docinho”. Eles me adotaram, junto com Noah e Íris, e são especialmente legais comigo porque sou a mais quieta e adoro ouvir o que têm para ensinar. Quando perguntaram o que íamos fazer no fim de semana, Noah e Íris disseram que iam passar a noite na casa de Íris, fora da cidade. Eu expliquei que não poderia ir porque fico meio presa na casa da minha tia. Então Lizzy e Gaten se ofereceram para me ajudar a fugir e sair com eles. 

Expliquei que estou morando metade do tempo com a tia Win porque minha mãe está numa espécie de retiro. Sei que é estranho que eu não tenha falado de Sadie para nenhum deles, mas é como se eu tivesse uma chance de deixar as coisas ruins para lá. De ser outra pessoa, alguém como ela. Se eu tivesse ido para o Sandia, todo mundo ficaria de olho em mim, esperando alguma reação. Mas, em Hawkins High School, só eu sei sobre Sadie. Além do Sr. Henderson, se alguém por acaso leu a matéria no jornal tantos meses atrás ou ouviu falar da minha irmã, ninguém comentou nada. O mais provável é que não tenham prestado atenção ou tenham esquecido.

Beijos,
Millie


Notas Finais


Oie, eu espero que tenham gostado do capítulo que postei adiantado, óbvio, vocês não são lerdos.


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