História Cartas de um passado - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Drama, Revelaçoes, Romance, Tristeza
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Palavras 1.622
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Conversas da madrugada


Fanfic / Fanfiction Cartas de um passado - Capítulo 6 - Conversas da madrugada

Já eram quase uma da manhã e meu sono não parecia querer aparecer. Vez ou outra meus pensamentos voavam até minha casa imaginando os horrores que Davina estava a aprontar, e nas horas em que minha mente não se ocupava com isso, a mensagem, agora apagada, de Tyler me assombravam.

O que ele quis pontuar com aquele elogio? Só estava tentando me irritar? Foi um elogio natural como todos aqueles desferidos às garotas com quem ele conversa? Ele está... CHEGA!!!

Abro a mochila que estava bem ao meu lado e pego o maço de cigarros, saio na ponta dos pés e ando o mais silenciosamente que consigo em minhas meias roxas. 

A casa dos Joy é na verdade um apartamento, fica no segundo e último andar e por isso sempre nos esquecemos da classificação de AP. O andar é todo deles, mas infelizmente não tem cobertura, logo abaixo, uma senhora de 60 e poucos anos reside com a neta, então descer para fumar seria como ligar uma sirene em minha cabeça. 

Caminho por alguns minutos tentando clarear a mente e achar uma solução para o meu impasse. Preciso de um cigarro urgentemente.  

Ando pelos cômodos e encontro uma péssima solução: o quarto de Tyler. As janelas do garoto são as únicas "interditadas", por assim dizer, ele vive reclamando disso, pois alega não conseguir ver a rua (não é como se alguma garota fosse aparecer abaixo dela para fazer uma serenata). Dona Abigail, a senhorinha daqui de baixo, tem uma loja de doces (deliciosos) e o teto dela é como um enorme parapeito da janela de Tyler. É um ótimo local para mim nesse momento. 

Quando chego em sua porta fechada, abro meio relutante, felizmente está destrancada e melhorando a situação: o cômodo vazio; suponho que ele nem vá voltar hoje. 

Escoro a porta ao passar e observo o quarto dele, tudo é até bem organizado, livros na estante, bola de basquete num canto, sapatos no outro.. acho que nunca entrei aqui antes. O perfume dele paira no ar, me causando certas lembranças indesejáveis, mas não me demoro por mais tempo. Subo na janela e sento no telhado da doceria, o ar gelado da madrugada me atinge, mas é muito bem vindo no momento. 

Pego o isqueiro e após acender o cigarro passo um tempo brincando com o fogo no meio da fumaça que eu expilo. Acho que passo alguns minutos num completo silêncio mental, então percebo que já atingi o que eu queria. Talvez fosse hora de..

- Desde quando você fuma? - o susto foi tamanho que meu terceiro cigarro, ainda no início, foi de encontro ao "chão" e se apagou. Pensei em pegar, mas a quantidade de substâncias indefiníveis ali ao redor me fez paralisar a mão. 

- Tyler!! - grito o mais baixo possível para ainda que "em segredo" ele saiba que quero matá-lo nesse instante - Dá próxima bate na porta antes de entrar. 

- O quarto é meu!! 

- Mas eu cheguei primeiro.. 

- As regras domiciliares não funcionam assim. - ele retirou os sapatos que usava e subiu na janela também. Após se sentar ao meu lado me ofereceu uma lata de algo desconhecido e que eu nem havia percebido que ele segurava, neguei e ele voltou a bebericá-la. - Mas me conta anda, desde quando? - falou apontando para o cigarro que havia rolado e já estava quase na ponta do telhado. Escorei a cabeça na parede e suspirei olhando para o céu escuro e brilhante antes de responder, eu sabia que isso se tornaria um questionário no final da noite. 

- Semana passada. - ele gargalhou e encarei-o sem entender.

- Tá explicado o motivo de não conseguir nem segurar direito ainda. 

- Não enche vai! 

Ele riu por mais um tempo, e depois o silêncio se instaurou lentamente, era possível ouvir até alguns grilos cricrilando. Quando eu pensei que seria minha deixa para ir embora dali Tyler me perguntou algo difícil de se expressar com palavras. 

- Por que está fazendo isso Aisling? Gosta de saber que seus pulmões estão morrendo? 

- Você gosta de saber que seu fígado está morrendo? 

- Ahh, não é a mesma coisa, e você sabe disso!

- Sei do que Tyler? - saiu mais seco do que eu pretendia e quando olhei para ele vi a pontada de culpa em seu olhar - Que é mais politicamente correto beber do que fumar? Que você pode me julgar por querer uma fuga, mas não posso fazer o mesmo com você? - uma risada saiu de mim sem meu consentimento - Qual o sentido? 

- Eu não queria me expressar assim. - ele passou a mão frenética pelos cabelos - Eu nem sei o que tô falando... matei mais um pouquinho do meu amigo fígado hoje sabe! Eu só.. queria entender o por que de você estar querendo se matar aos poucos. 

Tive que sorrir, ele estava bêbado, não lembraria nem de metade do que eu falasse hoje. Então dei de ombros, como se não fosse nada importante antes de abrir um pouco de mim. 

- É o que eu falei... uma fuga. Ajuda a clarear a mente sabe! Tentei utilizar do álcool, mas o que eu tive foi uma confusão de pensamentos e depois muita dor de cabeça. Não me ajuda de verdade. Já o cigarro... 

- Não deixa tantos rastros não é? 

- Exatamente! - por um segundo fiquei tentada de perguntar se ele já fumou, mas para teste ofereci-o um e ele negou prontamente. Decide que talvez ele só tivesse uma ideia do que eu estava querendo dizer. 

- A Lyla sabe? 

- Não! E você não vai contar!

- Por que não? Ela devia saber. Se tá sendo uma fumante passiva, ela tem que estar prevenida. 

- Ela não está sendo uma fumante passiva seu retardado. Se fosse o caso ela iria saber. Não fumo perto dela. Na verdade, perto de ninguém. 

- Ninguém sabe? 

- Não... E não vão saber também!

- Como mascara o cheiro nas roupas? 

- Só fumo a noite. Tô sempre de pijama. - ele pareceu pensar, e uma luz brilhou em seus olhos.

- Por isso seu quarto é tão perfumado! Agora faz sentido, você tenta encobrir a única coisa que pode te entregar. 

- Isso mesmo gênio! - mas após um segundo reparei o erro nesse quebra cabeça - Como sabe sobre o perfume no meu quarto? - minha voz era de acusação. 

- Eu acabei indo na festa da sua prima, Wade ficou sabendo e deu a ideia. Aí eu acabei tendo que tirar um casal da sua cama. 

- O quê? - eu acho que o grito saiu muito alto porque a reação dele foi tapar minha boca - eu tranquei a porta. - voltei a sussurrar.

- Alguém é bom com o grampo de cabelo então. 

- Vou matar Davina! - ele riu e aprovou minha ideia.  

- Não fica preocupada, eu coloquei uma cadeira bloqueando a porta e sai pela janela. 

- Obrigada! - falei imaginando uma cena como essa e enquanto eu acendia um novo cigarro ele perguntou o que eu não queria que ele sequer pensasse. 

- Você querer limpar a mente hoje tem haver com nosso encontro no corredor? Com a mensagem que eu te enviei?  

A fumaça deve ter entrado no lugar errado porque iniciei uma crise de tosse capaz de acordar até o último morador do quarteirão. E nem meus milhões de não's seriam capazes de esconder o rubor que tomou meu rosto. 

- Tá tudo bem All, esse é o efeito que eu causo nas mulheres, eu não vou te julgar. 

- E o ego? Quer me passar um pouco não? 

- Ele tá feliz aqui comigo. - e sorriu. 

- Se diz... - traguei o cigarro - e...

Seu celular vibrou, ele se desculpou e conferiu o que era. Uma mensagem. Fingi não prestar atenção enquanto ele digitava, mas o nome de Ashton no topo do chat não me passou despercebido. 

- Ela não te deu um pé na bunda? - pareceu seco e mal educado, mas não consegui evitar. Felizmente, ele riu.

- Estamos acertando os detalhes do nosso encontro duplo no sábado. - levantei a sobrancelha - Eu vou sair com uma amiga dela. 

- Ahhhh. - e então eu parei para pensar um pouco mais e algo me pareceu fora do eixo - Não vai ser estranho você estar saindo com sua ex para um encontro mas com outras pessoas?

- Ela não é minha ex!! 

- Tá! Sua ex peguete.  

- Melhorou, - ele riu - mas não, já superei ela. 

- Bem rápido eihn!! Você tava triste hoje.... - me senti boba por ter tentando anima-lo. 

- Mas você tinha razão, eu mereço mais do que a Ashton, vou tentar achar uma garota de verdade agora, não uma fanática por posição social.

- Ótima ideia. Mas qual a razão de ter que sair logo com ela?

- Foi a condição que minha garota impôs.  

- Que fofa... Ela tá com vergonha! Não tem coragem de sair sozinha com você ainda. - dei uma risada que ele acompanhou, e quando olhei para ele seu rosto estava com um tom avermelhado. - Você está com vergonha!!

- Não é do meu cotidiano falar dessas coisas com uma garota, muito menos com uma amiga, não tenho muitas. 

- Achei que eu só fosse a amiga da irmã. 

- Depois de tanto tempo vivendo na minha casa?! - ele sorriu e eu também - Jamais. Você é uma amigona Aisling.  

- Você também Tyler. 

Ele levantou a mão e eu bati nela, esperamos meu cigarro ser todo consumido e quando saímos dali já eram quase seis horas. 

Alguém dormiria durante a aula hoje! 


Notas Finais


Quem já shippava, ou tá com raiva ou morrendo de diabetes.
Quem não shippava, cogita essa ideia nesse exato instante.

Até o próximo!


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