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História Cartas Para Ele(a) - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Caso de feminicídio; Adv. Bennett.


Por Ashley Madson

Cheguei à minha casa nova e percebi um carro em frente ao portão. Adrien. Tinha passado o endereço á ele. 

Precisei me mudar. Minha mãe me encontrou e resolveu me perturbar. Vendi o apartamento por quase cento e quarenta mil e me mudei para uma casa mais tranquila.

O portão; preto, o muro de tijolos falsos; salmão clarinho. A casa era moderna e um tanto quanto colorida com cores pastéis.

Apertei um botão no controle e o portão se abriu. O carro cinza escuro se movimenta e estaciona dentro da minha propriedade.

- Oi. - Fecho a porta do meu carro - Que surpresa... - Digo estranhando. O portão se arrasta lentamente se fechando.

- Estava com saudades. - Me abraça sem jeito e uma expressão quieta. - Onde foi?

- Na casa do Julli. Contar sobre nós e me desculpar. 

- Entendi.

- Que cara é essa? - Pego sua mão e o guio para a varanda externa.

A noite estava fria. Flocos de neve caíam devagar e começavam a pintar de branco meu gramado. Adrien se sentou no  sofá e se levantou logo em seguida. Pegamos cobertores e chá - quente, desta vez.

- Quero ficar com você, um pouco... - Acariciou meu rosto e meus cabelos fitando meus olhos sem desviar a atenção.

- O que está acontecendo, Adrian?

- Só... Me sinto meio vazio...

Fiquei preocupada.

- Algo que queira me contar? - Sentei em seu colo, segurando seu rosto como se fosse feito da porcelana mais rara do mundo.

- Tenho um bom emprego, estabilidade financeira... Uma namorada que gosta de mim... - Sorriu triste - Não sei o que tem de errado. 

- Eu não gosto de você. Eu te amo. E dane-se se você não sente o mesmo. Eu precisava dizer.

Ele ficou parado, me olhando. Sorriu de ladinho e me abraçou forte, afundando o rosto na curva do meu pescoço.

- Eu também te amo. - Disse contra minha pele. 

Não sei se o que me arrepiou mais foi ele ter dito "eu também te amo" em meu pescoço ou se foi ele ter dito "Eu também te amo". Corria o risco de ser os dois somando ainda a voz rouca e grave.

- Ei...

- Hum... - grunhiu  sem sair do lugar.

- Quer morar comigo? - Cochicho.

- Que? - Me olha com uma sobrancelha erguida. 

Nunca o tinha visto fazer isso. Era engraçado.

- Quer morar comigo? - Sussurro mais alto encostando meu nariz ao dele.

- Quero. Mas o que fazemos com minha casa?

- Eu não sei. Quem se importa?! Vamos apenas fazer isso, certo?

- Certo. - Tirou o celular do bolso.

- O que tá fazendo?

- Avisando a Ariana sobre eu estar aqui, a partir de... Que dia?

- Amanhã. 

- Amanhã. Ela pode vir para cá, caso queira?

- Pode. Por tanto que não dê mais atenção à ela que à mim... - Ele enviou a mensagem e me olhou. Agarrou minha cintura, inventeu as posições e se deitou por cima de mim.

- Saio do trabalho as cinco, faço academia até as seis e meia. A partir das sete, mesmo suado, sou seu.

- Você é meu o tempo inteiro, idiota. - Acaricio os cabelos rebeldes enquanto ele sente e escuta meu coração bater. - Adrien...

- Oi...

- Tome cuidado com esse vazio e não hesite em conversar comigo, pode ser?

- Eu também pensei que poderia ser depressão... Já tive, sabe? Quando Malia morreu.

- Quem era Malia, meu bem?

- Minha irmã mais velha... Foi estuprada e morta. O culpado saiu quase ileso. Me tornei um advogado por raiva dele. Consegui prendê-lo, já que ele fez o mesmo com outra mulher. Não consegui superar isso por muito tempo. Minha mãe disse que ia passar, um dia e consegui melhorar. Meu pai foi um idiota e abandonou a gente. Homens são estúpidos por vida; uns mais do que outros. Prisão perpétua para o desgraçado.

- Com fome, amor?

- Por que está me chamando assim, de repente?

- Posso parar se não gostar. É o meu jeitinho de demonstrar apoio e o quanto me importo.

- Não... Eu gosto. Diga outra vez.

- Meu bem ou meu amor?

- Ambos. Gosto do jeito que pronuncia. Calmo; doce. Sim. Eu estou com fome.

- O que quer comer, hum?

- Você.

- Idiota. - Lhe dou um tapa fraco no ombro e ele ri.

- Lamém?

- É só o que sabe cozinhar?

- Eu sou um homem bonito, inteligente e extremamente gostoso. Se soubesse cozinhar, seria perfeito. Ninguém é perfeito, Mad.

Por um longo momento, aquelas palavras me fizeram lembrar de quando eu era adolescente.

Ingênua.

Acreditava que precisava ser perfeita para receber o amor de alguém.

Emagreci drasticamente, fiquei doente, chorava muito e bebia pouca água. De verdade; se choram muito, ao menos bebam água.

Vivi aos extremos. 

Amava ou odiava.

Ria ou chorava.

Me curava ou me fazia sangrar.

Tudo isso fez com que minha mãe me levasse à um louco para que ele me dissesse que eu também era. De certa forma, realmente era. 

- Eu disse algo errado? - Ele perguntou me olhando.

- Não, por que?

- Ficou calada sem mais nem menos.

- Estamos num momento confissão, certo? - Ele assentiu. - Deite-se. É a minha vez. - Ele deitou de lado, em cima dos meus seios médios e eu o deixei de um jeito que não me machucasse. - Eu era gordinha, quando criança. Fiquei muito magra na adolescência por desenvolver anorexia e achar que deveria ter o corpo perfeito para ser amada. Fiz tudo o que uma mocinha faz. Chorava muito... Ria muito... Viver tudo de um modo tão intenso me desgastou de forma que até minha mãe percebesse. Ela me levou para o cara errado no momento errado. Ele trabalhava de psicanalista e psicólogo num hospício; isso, um manicômio. E ele me disse que eu tinha bipolaridade e traços de psicopatia. Na noite em que você me chamou assim, eu me irritei com você por me fazer lembrar de como eu fui estúpida e de como minha mãe havia sido estúpida. Fiquei magoada com isso tudo... Mas... Antes de partir... Meu pai me ensinou uma coisa valiosa. "Vai passar." era o que me dizia a cada vez que eu caía ou me machucada. Eu aprendi a sorrir para a vida mesmo quando ela me derrubava. Levantava com ainda mais gana... Foi doloroso, mas foram os melhores anos da minha vida.

- Naquela noite... Eu tinha ido à balada para fugir. De Diana. De mim. Pensava que se a bebida me fizesse esquecer, seria mais feliz, mas acabei indo de carro e não quis me acidentar - Rio fraco e continuou: - Você estava lá. Acabei descontando em você. Me desculpe. 

- Está tudo bem...

- Naquela noite você me causou muitas emoções ao mesmo tempo. Desejo, ciúme, estresse, perda de controle, raiva, tristeza... Ainda sim, queria ficar perto. Obrigada por ter paciência comigo.

- De nada... Vamos entrar, meu bem? Está frio...

- Espera. - Foi ao carro e voltou com uma mochila.

Entramos e fechamos a porta de vidro escuro.

Tirei carne moída da geladeira e fiz hambúrguer para nós dois. Comemos enquanto bebíamos suco. Adrien observou a geladeira e comentou:

- Fico feliz que tenha se livrado das bebidas.

- Os vinhos estão no armário. - Ele sorriu. - Quer beber algo, meu bem? - Ele se aproximou e me abraçou por trás. Seu coração batia forte e rápido.

- Amanhã tenho julgamento. Não sei se vou conseguir lidar com Albert.

- Promotor? - Coloquei um pouco de sabão na esponja e limpei a porcelana com a parte mais macia.

- Advogado de defesa. Ele manipulava provas desde promotor... Tenho receio de não ter provas e argumentos o bastante.

- Você consegue, Ben. Acredito em você. 

- E se eu não conseguir? - Seco a mão depois de terminar a louça.

- Não tem problema. As vezes não dá pra fazer tudo.  Eu te consolo. - Coloco a mão em seu rosto. - Qual o horário do julgamento, amanhã?

- Começa às dez da manhã.

- De que caso é? - Me virei para ele.

- Caso 768. Violência contra a mulher. Feminicídio. Ela matou a ex namorada.

- Não se encaixaria como femicídio?

- Não. Se não ela tivesse assassinado a mulher por questões de gênero, seria. Mas até o presente momento, parece que ela matou por ciúme e insatisfação com o término, chegando a dizer que a mulher com quem havia namorado era "vagabunda" e "puta". 

- Eu considero ainda um tipo de femicídio.

- Eu também, mas é ainda mais agressivo que um femicídio, entende? - Lhe dei um selinho.

- Defensor das mulheres. Gostei. Vou cobrir esse julgamento.

- Se algo acontecer, me contrate como advogado de acusação ou defesa. Para você, eu nem cobro. - Eu ri. 

- Vamos deitar? - Ele assentiu e nos deitamos na cama.

- Esse quarto é bem diferente do antigo...

- Mais colorido, não é?

- Aconchegante... - Se deitou me encarando. - Boa noite?

- Boa noite. - Apaguei o abajur e o abracei.




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