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História Cartas Para Ele(a) - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Balada encrenca


Fanfic / Fanfiction Cartas Para Ele(a) - Capítulo 7 - Balada encrenca

Por Ashley Madson

Continuo rindo enquanto Adrien tenta limpar a bebida azul de sua camisa social branca.

- Vou te chamar de engomadinho, agora! - Rio me apoiando em seu ombro.

- Por que?! - Fala alto devido à música.

- Eu poderia dizer "não te devo satisfações", mas vou ser legal. Você é engomadinho por vir de camisa social à uma balada, Adrien. - Respondo no mesmo volume. Não estava bêbada, mas gostaria de estar. Minha animação e espontaneidade me fazem passar pelo ridículo.

Adrien respira fundo e solta a esponja dentro da pia. Passa a mão pelos cabelos loiros e rebeldes claramente irritado.

- Pare de me perseguir, demônio! - Fiz biquinho e ironizei:

- Ah! Que cruel, Adrienzinho! - Rio como se estivesse vendo meu grupo de humoristas favorito - Agora eu pareço a Chloe! Credo! - Reflito.

- Eu estou tentando não surtar com sua presença e manter minha fama de solteirão, mas você não colabora! 

"Peraí", o que?!

- Está dizendo que me quer ou que me quer longe? - Coloco as mãos nos bolsos da jaqueta de couro preta.

- Estou dizendo que... - Corta a própria fala. - Palavras não servem com você. - Me agarra pela cintura e nuca. - Parece não entender palavras mesmo sendo jornalista. Tem certeza que seus superiores gostam do que faz?!

- Tenho certeza que você vai gostar do que eu vou fazer agora. - Puxo seu corpo para perto do meu e o beijo, dando uma leve mordida em sua língua.

Adrien me olhou boquiaberto por alguns segundos e me soltou em seguida.

- Você... - suspira pesado - Você me confunde. Idiota. EU NEM TENHO DO QUE TE XINGAR MAIS.

Eu ria mais e mais da situação chegando a perder o ar. Era pra ser só uma ficada, mas pelo que vejo, ele tem algum interesse a mais em mim. Resolvi me fazer de desentendida.

- Vamos conversar lá fora, advogado-não-corrupto. - saio andando sem lhe dar espaço para contradição. A rua estava estranhamente calma.

- O que você quer de mim?

- Por que veio aqui sozinho? Pessoas geralmente vem á baladas acompanhadas.

- Eu não sou de festa. Vim para que as pessoas pensassem isso de mim. Mas não mude de assunto.

- Quer bancar o festeiro sendo que preferia estar em casa, deitado, tomando um coquetel e vendo tevê? - Me sentei no meio fio e virei um pouco o rosto, expressando minha dúvida. Ele se sentou também.

- Vou entrar no seu jogo. Por que quer saber sobre mim? Tem interesse? Está agindo assim para mostrar que não me odeia tanto quanto diz? Ou pior... Não me acha corrupto de verdade? - Naquele momento, ele parecia um coreano fazendo um interrogatório divertido, só que sem a diversão e com a voz carregada de desinteresse e uma pitada de raiva. 

- Seja menos ofensivo e quem sabe eu responda. - Lhe lanço um sorriso falso.

- Sinceramente... Vá se danar. E pare de rir toda vez que eu te ofendo ou trato mal! Você não se dá valor ou respeito? 

- Quer virar meu pai, agora? Logo depois que eu já te beijei?! - Ele fica calado. - Estou me divertindo à suas custas. Quando eu me cansar, vou me levantar e ir embora. Simples assim.

- Você é psicopata, com certeza. - Me olha sem a carranca de sempre.

- Algo assim apareceu nos meus exames. - Digo me levantando. - Adiós, muchacho... Creo que no vamos a nos venir otra vez. Fue... Estresante. Sólo que...- Naquele momento, percebi; com certeza estava bêbada. Em sã consciência, não diria "Adeus garoto. Eu acho que não viremos aqui novamente. Foi ... estressante. Eu só...". Não fazia sentido.

Comecei a caminhar pelas ruas.

- Julián! - Gritei.

- Tá maluca? - Me segura pelo braço. - Ótimo... A princesinha ficou bêbada e com febre. Escute bem; eu não vou fazer como naqueles clichês. Não vou te levar pra casa. Você que se vire. Apenas desbloqueie seu celular para mim. Vou ligar para esse seu amigo.

- Não te pedi nada. - Solto meu braço e digo fria. - Consigo me virar sem você. Consigo me virar sem qualquer um. - Chamei um uber e aguardei em silêncio.

- Você não está chateada, está? - Respirei normalmente, com o rosto sério.

- Siga sua vida, Adrien. Finja que nunca nos encontramos ou conhecemos.

- Quer saber? Dane-se. - Me puxa para um beijo e me olha por dois segundos antes de aproximar nossos lábios.

- Não. - Ele para.

- Entendi. - Me solta. - Eu tomei um fora e não consigo lidar com isso, então, adeus.

Não respondo e apenas assisto ele entrar num carro esportivo cinza escuro. O carro fica lá.

- Tá fazendo o que, aqui?

- Estava curtindo a noite. - Digo mal humorada.

- Com essa cara?

- Caio, não provoque. 

- Noite ruim? - Se senta no meu fio e eu faço o mesmo, apoiando o rosto nos joelhos.

- É. Perdeu um paciente ou o que?

- Médicos socorristas não têm esse direito. Vim aqui trazer a conta do hospital.

- Aqui?

Ele explicou sobre um barman ter se acidentado e tal. Não prestei muita atenção.

- Por que está com essa expressão? Te conheço o bastante pra saber que tem algo errado...

- Minha mãe não está falando comigo. - Ri sem jeito. - Disse que estava maluca por terminar com você e querer me mudar. Me levou a um psicólogo e psicanalista que trabalha num hospício. O cara disse que eu precisava de tratamento porque era bipolar e tinha traços de psicopatia. - Ri indignada. - Me recusei e por isso minha mãe cortou contato comigo. O cara do carro esportivo e eu éramos amigos segundos atrás. Ele me chamou de psicopata, eu não gostei, ele percebeu minha febre, foi rude, tentou me ajudar, eu neguei, ele tentou me beijar, eu disse que não e ele está no carro até agora; disse ser incapaz de lidar com um fora. - Soltei um riso nasalado e irônico.

- Eu ainda te amo, sabe?

- Não me diga isso agora. O cara do carro disse que eu estou bêbada. Não mexa com meu psicológico quando eu já estou fragilizada. - Digo olhando para minha calça com estampa militar.

Caio tocou meu ombro e fez carinho. Retirei sua mão dali por mais que quisesse tê-la. Adrien saiu do carro.

- Algum problema? - O olhei com certo desprezo.

 - Adrien... 

- Caio...

- Preciso ir pra uma cidade maior. Todo mundo se conhece nessa desordem. - Digo entediada. Meu uber chega. - Graças à Deus. Boa noite. - Digo e entro no carro deixando os dois se encarando. - Minha casa, Katherine.

- Problema com os gatinhos?

- Nem me lembre disso. - Me jogo nos bancos de couro. - Me acorde quando chegarmos.

Kat me acordou alguns minutos depois.

- Vai ficar de ressaca... - Cantarola.

- Como em todo final de semanaa - Cantarolo de volta lhe dando o dinheiro. - Tchau, amiga.

- Tchau, cliente número dois.

- Quem é o cliente número um, ingrata?!

- O gatinho que eu tô querendo. - Ela ri e sai.

Entro no meu apartamento tirando os tênis brancos e a jaqueta de couro. Penduro o casado num cabide, tiro a calça e a dobro junto com a mini blusa preta de alcinha.

Ando apenas de calcinha segurando um roupão e um conjuntinho de baby dó e meu celular. Entro na banheira enquanto faço um coque desarrumado e coloco meu celular tocando Pode se achegar. Estava amando aquela música.

Penso em toda a confusão e minha cabeça dói. Até que o Adrien não beija mal...

Por que ele tinha que aparecer na minha vida? Poderia ser o ruivinho daquele dia ou até o Julián. Não. Com o Julián seria estranho.

Sem festas por duas semanas, Ashley. 

Relaxei na banheira até que meu celular toca.

- Chegou bem?

- Quem é?

- Adrien. 

- Fale comigo quando eu estiver esquecido tudo isso; afinal estou bêbada, para que eu não corra o risco de te matar; já que sou psicopata. - Desliguei o celular e após quase adormecer na banheira, me arrumo e vou deitar após comer e tomar um remédio contra dor de cabeça. Meus olhos pesam e eu cedo. 




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