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História Cartas para Isabela - Capítulo 15


Escrita por: OrdinaryGirl7

Notas do Autor


Boa noite!
Tenho que pedir desculpas pelo atraso.
Eu ia postar na semana passada, faltavam só umas 500 palavras para terminar de escrever o capítulo, mas aí na sexta eu vi a notícia de que o Baekhyun vai alistar em maio e minha inspiração foi para o espaço.
Pensei em postar durante essa semana, mas aí teve o alistamento do Chanyeol, a confirmação da data da ida do Baekhyun, matéria acumulada para estudar, e eu fiquei meio perdida.
Hoje eu finalmente consegui terminar de escrever e estou aqui.
Espero que gostem e perdão qualquer erro!

Capítulo 15 - Com que roupa eu vou?


Qual roupa vestir quando seu amigo de infância, com quem você acabou de se reencontrar, e que também é muito famoso, está vindo para sua casa para conversarem, depois de 7 anos longe um do outro? Era essa a dúvida que eu tinha desde que havia voltado para a Coréia.

Ele queria ter vindo no domingo mesmo, mas eu estava exausta da viagem e precisava dormir, por isso, resolvemos deixar para o sábado seguinte. Ainda que tivesse 6 dias para pensar, já estava quase no horário combinado para ele chegar e eu me encontrava apenas de roupa íntima após o banho. Pelo menos a casa estava limpa e o cabelo lavado, então eu já tinha alguns pontos positivos.

Eu não queria parecer desleixada, mas também não queria ficar arrumada de mais, pois iríamos apenas comer pizza e conversar, talvez assistir a alguma coisa. Deveria usar calça jeans? Poderia ficar de meia com chinelo? Eram perguntas sem respostas. Se fosse há algum tempo atrás eu o receberia de pijama, porém nós não tínhamos mais a mesma intimidade. Fora que meus pijamas haviam evoluído de conjuntos de bichinhos para somente uma blusa ou coisas curtas. Quando notei sua mensagem dizendo que já estava na porta do prédio, apenas suspirei e peguei um short jeans folgado para me deixar confortável, uma blusa lisa branca e um moletom com capuz azul escuro de Star Trek. Nos pés seriam os chinelos, mas sem meias. E rumei para o elevador.

Jeongguk e eu ficamos com medo de que ele pudesse ser reconhecido caso estacionasse na rua e entrasse no prédio, por isso combinamos que eu o encontraria lá em baixo e abriria o portão do estacionamento do edifício, dessa forma diminuindo os riscos, já que ele apenas precisaria passar pela portaria. Assim que saí para a rua deserta, pois era noite, avistei seu Hummer e me encaminhei para o mesmo. A primeira coisa que me atingiu quando sentei no banco do carona foi o seu perfume amadeirado. Era muito bom.

- Oi! – Disse com um sorriso e usando a chave do portão automático para abri-lo.

- Oi! – Ele respondeu já levando o carro para dentro. – Tem algum lugar específico?

- Tá escrito 704 no chão, mas não sei onde fica. – Nós dois observamos o lugar até que eu encontrasse a vaga referida e o coreano estacionasse.

Abri a porta do carro e dei a volta, esperando-o para subir e foi só quando ele saiu do veículo que percebi que seus cabelos também estavam molhados e estava totalmente de preto. Desde o tênis, passando pela calça jeans e chegando no moletom sem capuz. Anotei mentalmente para comentar sobre mais tarde. Jeongguk então, ao contrário do que pensei, abriu a porta do banco de trás e tirou de lá uma sacola e três caixas de pizza. Mas que cachorro!

- Achei que o combinado fosse você vir para cá e nós pediríamos alguma coisa – disse quando ele vinha até mim com um sorrisinho irritante no rosto.

- Eu sabia que você iria insistir em pelo menos dividir a conta caso fizéssemos isso e resolvi me poupar de tanto trabalho.

- E qual seria o problema em dividir a conta? – Perguntei acusadora após cumprimentar o porteiro, Gavin, e entrar no elevador.

- É a primeira vez que vamos poder conversar de verdade e fui eu quem deu a ideia de fazermos isso – deu de ombros. Eu revirei os olhos.

- Só vou aceitar porque estou com fome – ele riu. – Mas por que 3 pizzas?

- Levando em consideração como eu evoluí no quesito comida nesses últimos anos e que você já me vencia naquela época, achei que fosse a quantidade certa. Comprei dos sabores que nós gostávamos quando crianças, espero que não tenha enjoado – o elevador abriu e eu o guiei até minha porta.

- Tenho que admitir que você foi muito sagaz – e segurei a porta para ele entrar. – Fica à vontade – ele assentiu e eu peguei as coisas para que ele tirasse os sapatos. Segui para a cozinha e deixei tudo no balcão. Quando cheguei na sala, ele estava observando os porta retratos. Pude ver que sorriu ao visualizar uma foto nossa, gêmea da que ele tinha em seu quarto. Ele pegou um porta retrato recém comprado, com uma foto da família, que incluía Natália, no casamento, e ficou observando.

- Vocês estavam todos muito bonitos – eu senti que corei. Ao contrário de Peter, que havia dito que eu estava bonita na segunda assim que me viu, além de ter comentado nas fotos, Jeongguk não disse nada. Portanto, de certa forma, me senti elogiada pelo seu comentário. – A esposa do Gabriel também é muito bonita – me aproximei dele e também observei a foto.

- Sim, ela estava radiante – sorri -, ainda mais por saber que está grávida.

- Quer dizer que você também vai ser tia? – Assenti. – Acho que nós estamos ficando velhos... – concordei. Então, me veio uma lembrança e lhe dei um tapa na nuca. Ele passou a mão no local e me olhou. – Ai! Por que isso?

- Por duvidar das minhas habilidades com a maquiagem – ele riu.

- Eu nunca tinha nem te visto usando batom, foi um choque para mim – sorri de volta e ouvi minha barriga roncar.

- Sem querer parecer passa-fome, mas podemos comer agora? – Ele assentiu e me seguiu até a cozinha, se sentando em um banco na ponta da ilha e retirando algumas caixas de suco da sacola. – Vai querer comer no prato ou com a mão mesmo? – Perguntei depois de pegar os copos e seu olhar me disse a resposta. – Bom ver que continua o mesmo, JK.

Sentei-me ao seu lado e peguei uma fatia da caixa que ele abriu e comi. A primeira pizza foi embora em questão de minutos, parecia que ele estava com tanta fome quanto eu, e estávamos no meio da segunda quando eu senti que poderia falar sem que minha barriga voltasse a roncar.

- Então, você é mais gótico suave ou trevoso? – Ele me olhou confuso enquanto tomava um gole do suco. Eu já sabia que ele não entenderia o meme, mas não poderia perder a oportunidade. – Brincadeira! Você sempre gostou de preto, mas esse look todo monocromático é novidade para mim.

- Ah, chama menos atenção, suja menos, só tem vantagem – não poderia discordar de seus argumentos. – E eu acho que seu estilo não mudou muita coisa, a julgar pelo moletom e pelos livros na sala.

- Continuo a mesma nerd de sempre – peguei outra fatia, assentindo.

- Isso é bom – ele também pegou mais uma. – Quantas línguas você fala agora?

- Seis, aprendi francês e oficialmente sou fluente em alemão. Também estou quase lá no espanhol – ele assoviou e me olhou de canto.

- Bem que você poderia me ajudar com o inglês – olhei pra ele com um sorriso travesso. – Eu sei que você vivia me falando que era importante aprender e que eu sempre negava... Não sabe quanto me arrependo disso – soltei uma leve risada.

- Podemos conversar em inglês quando você quiser. Mas tem uma coisa que eu fiquei muito curiosa esses anos todos: como foi passar o ensino médio sem mim? – Dessa vez ele parou de comer e riu de verdade. Ele ficava tão fofo quando as ruguinhas no nariz apareciam, senti saudade disso. Ele passou a mão pelo cabelo, tirando-o do rosto e terminou de comer sua fatia.

- Um desastre! Primeiro que eu não fui feito para matemática, física e química, e sem a minha professora particular a situação ficou pior ainda. Segundo que nós estávamos no início da carreira, era tudo muito corrido. Tinha que dar conta de ensaios, aulas de canto, gravação de programas e MV’s, fazer lives e ainda estudar para a escola. Passei muitas noites sem dormir tentando entender a matéria das provas. E também tinha todo o fato de que eu não conseguia conversar contigo... – ele corou um pouco e suspirou – você fez muita falta – disse baixinho. Meu estômago se contorceu. Eu queria abraçá-lo, mas não sabia se deveria. Jeongguk então me olhou e percebi que ele também queria, mas sua timidez era mais forte. Por isso, limpei minhas mãos sujas de pizza em um pano de prato, me levantei, sentindo seu olhar cravado em mim, e, após fazer com que ele se virasse para mim, me encaixei entre suas pernas e o abracei. Ele retribuiu na mesma hora, me puxando para mais perto e expirou antes de apoiar a cabeça na curva do meu pescoço. Levei minha mão direita à sua nuca e entrelacei meus dedos nos seus fios negros, sentindo o calor do seu corpo envolver o meu.

- Você também fez muita falta todo esse tempo – disse baixo com o coração acelerado. – Não tive os mesmos problemas que você, mas passei muito tempo desejando que houvesse uma maneira para conversarmos. Por mais que eu estivesse feliz em estar de volta ao Brasil, com meus antigos amigos, parecia que... não estava completo. Faltava você – era bom finalmente poder dizer essas coisas para ele.

- Eu queria ter podido compartilhar tudo que estava acontecendo na minha carreira, como era conhecer o mundo. Também senti que faltava algo – ele imitou meu tom de voz. Escutá-lo falando tão próximo ao meu ouvido enviava arrepios por todo meu corpo.

- De certa forma você compartilhou. Mesmo estando magoada, eu nunca deixei de acompanhar o que acontecia contigo. Deixava-me muito feliz te ver realizando seu sonho – senti que ele sorriu em meu ombro. – Mas o pior momento foi no meu baile de formatura do ensino médio. Em todas as vezes que eu havia imaginado aquele momento, você estava lá comigo, por mais que eu estivesse no Brasil. A realidade foi bem diferente. – Incrivelmente, eu não tinha vontade de chorar. Talvez fosse o efeito do abraço, mas as palavras apenas fluíam de mim. Sentia-me mais leve a cada confissão. E a recíproca era verdadeira, pois Jeongguk passou a revelar o que tinha passado também.

- Eu tentei achar você durante anos no Instagram, criei 1 milhão de combinações diferentes do seu nome – ele riu levemente.

- Lá no fundo, eu tinha uma esperança louca de que você pudesse me reconhecer no show no Brasil, quando fiquei na pista.

- E eu ficava te procurando na plateia todas as vezes em que fomos para lá.

- Eu tinha vontade de chorar toda vez que via um banco de praça.

- Eu assisti O Senhor dos Anéis para me sentir mais perto de você, mas sempre dormi no meio do filme. Aí ficava mal porque escutava sua voz na minha mente me dizendo que eu não tenho cultura.

- Eu sentia como se estivesse te traindo toda vez que assistia Naruto com outra pessoa, e foram muitas vezes – ele riu de verdade nessa hora. – Eu... – podia sentir sua respiração tão acelerada quanto a minha, mas, de certa forma, ele me passava tranquilidade para poder dizer tudo que eu realmente queria – não quero perder você de novo – suspirei.

- Eu também não – e me apertou mais ainda em seus braços. Ficamos um bom tempo em silêncio, apenas sentindo as batidas do coração um do outro, até que após uma longa inspiração, o coreano voltou a falar: - Você trocou o perfume. Eu gostava do anterior – essa fala fez com que eu me afastasse um pouco e arqueasse uma sobrancelha ao encará-lo. Estávamos muito, MUITO, próximos. Tanto que conseguia ver perfeitamente algumas imperfeições e marcas em sua pele que, na minha opinião, o deixavam ainda mais bonito por ser algo real, e também podia sentir sua respiração batendo em meu rosto. Jeongguk olhava fixamente em meus olhos.

- Quer dizer que eu não cheiro bem agora? – Ele corou e desviou o olhar, me soltando do abraço.

- Não disse isso. Esse também é bom. É só que aquele outro combinava contigo. Refletia sua personalidade.

- Eu também adorava aquele perfume, mas depois que voltei para o Brasil não achei mais para comprar – dei de ombros e nós dois voltamos a comer. Era como se uma nuvem de calmaria estivesse pairando sobre nós.

 

...

 

- Cor preferida? – Perguntei a ele enquanto estávamos sentados no sofá. Após terminarmos de comer, chegamos à conclusão de que precisávamos atualizar as informações que tínhamos sobre o outro. Dessa forma, criamos uma espécie de jogo de perguntas e respostas no qual a pessoa que indagava também precisava responder à sua própria fala. Já estávamos nisso há quase uma hora e as perguntas começavam a ficar escassas. – A minha agora é verde água, mas ainda gosto bastante de rosa.

- Acho que não preciso responder, preciso? – Ele apontou para seu corpo e eu sorri, negando. – Mas também ainda gosto de roxo. Com quantos anos tirou carteira? Minha resposta é 19.

- 18, que é a idade legal para dirigir no Brasil.

- Por que você não dirige aqui?

- Não tenho a licença aqui e moro suficientemente perto da faculdade, não vejo necessidade. Fora que um carro seria uma despesa a mais. Mas eu e minha mãe dividimos um carro no Brasil, já que ela mal dirige – ele assentiu. – Bebida favorita? – Apontei para mim mesma. – Mojito.

- Soju, o que é mojito?

- Um drinque com limão e hortelã. Um dia em que você não estiver bancando o motorista, temos que beber juntos. – Ele concordou e comprimiu seus lábios enquanto puxava os pelinhos do seu rosto. Sabia que estava pensando se deveria ou não me fazer certa pergunta. – Pode me perguntar o que quiser, JK – o rapaz me olhou e sorriu, mas então desviou o olhar e expirou profundamente, passando as mãos por suas coxas.

- Namora? – Fiquei levemente constrangida. Levantei minhas sobrancelhas e ele apontou para a foto em que eu estava entrando na igreja com Rafael. Jeongguk estava completamente corado.

- Aquele é meu primo, Rafael – ele abriu a boca, como se estivesse surpreso. – E não, eu não namoro – completei com o copo de suco próximo à minha boca. Jeongguk tentou disfarçar, mas vi a sombra de um sorriso cruzar seu rosto.

- Também não namoro. – Por algum motivo, meu coração deu uma acelerada ao saber disso. Resolvi mudar de assunto.

- Eu tenho uma surpresa para você. Fecha os olhos – ele me olhou questionador e eu balancei a cabeça, sorrindo. – Só faz o que eu estou mandando. – E fui para a cozinha pegar o prato de brigadeiro que eu havia preparado mais cedo e deixado na geladeira. Assim que peguei duas colheres e voltei para a sala, vi que ele realmente estava de olhos fechados. Deixei o prato no seu colo. – Pode abrir – vi seus olhos se iluminarem diante do doce á sua frente e não pude deixar de sorrir. – Sua mãe comentou com a minha que você estava com saudade de comer brigadeiro, então resolvi te dar um pequeno presente em agradecimento pelo que fez pela Bianca – ele parecia não saber o que falar -, come logo! – Ri enquanto lhe entregava a colher e ele prontamente pegou uma boa quantidade, colocando na boca em seguida. De olhos fechados, ele sorriu.

- Tão bom quanto eu me lembrava. Obrigado! – Fez uma pequena reverência e eu retribuí. – Só falta uma coisa para ficar igual a nossa infância – ele me olhou.

- Naruto versus Pain – dissemos em uníssono e rimos.

- Eu já sabia que você ia dizer isso, então deixei tudo preparado – comentei enquanto pegava o controle da TV e dava início a nossa sessão de anime. Me sentei ao seu lado e peguei um pouco de brigadeiro. Passamos o resto da noite dessa forma: nossos ombros lado a lado, comendo brigadeiro e fazendo comentários sobre os episódios.

 

...

 

- Então, o que você acha de fazermos algo parecido todo final de semana em que estivermos livres? – Ele perguntou com as bochechas vermelhas enquanto calçava seus tênis.

- Acho uma ótima ideia – sorrimos um para o outro. – Mas tem uma condição: você não vai pagar tudo sozinho nas próximas vezes – seu sorriso morreu.

- Por que isso? Nós dois sabemos que eu tenho muito mais dinheiro para gastar do que você...

- Nós dois sabemos que minha família tem dinheiro também. Claro que não se compara a você, mas meus pais me mandam muito mais do que eu consigo gastar – ele me olhou nos olhos e suspirou.

- Você não vai abrir mão disso, vai?

- Não mesmo! – Ele bufou.

- Já que não tem outro jeito, tudo bem – e eu abri um largo sorriso. – Você vai comigo até lá em baixo para abrir o portão? - Disse já caminhando para a porta.

- Na verdade, estava pensando em te deixar com a chave de uma vez. Eu não tenho carro mesmo, e já que você vai vir aqui outras vezes, acho que vai ser muito mais prático para nós dois – coloquei a chave em sua mão, mas ele ainda me olhava com uma sobrancelha erguida. O maldito me conhecia muito bem. – E eu estou com preguiça de descer também – ganhei uma risada dele com essa frase. Abri a porta para o coreano e ele se voltou para mim já no corredor.

- Muito obrigado por tudo. A gente se fala amanhã!

- OK! Boa noite! – Ele sorriu e seguiu para o elevador enquanto eu fechava a porta. Foi uma noite muito melhor do que eu imaginara e mal podia esperar para que o próximo final de semana chegasse e pudéssemos repetir a dose.


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui!
Até a próxima!


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