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História Cartas para Sasuke - Capítulo 2


Escrita por: Nil- e saturnfairy

Notas do Autor


Feliz dia do escritor e boa leitura!!

Capítulo 2 - Saudade amarga


20/07/1960 - Londres.

Olá, meu querido.

Que saudades de chamar-lhe assim. Hoje faz uma semana desde a última carta, o tempo passou rápido. Minha tia está cada dia mais severa com minhas saídas, vejo em seus olhos o medo de que eu fuja. Agora meu primo está sempre ao meu lado, como um cão de guarda. Isso é ridículo, mas não tenho poder para fazer nada.

Seu rosto me faz falta, queria vê-lo novamente. Hoje fazem dois meses que não nos vemos, contar o tempo é a maior liberdade que eu tenho, isso me deixa triste. Não me pergunte como estou, já consegue imaginar como devo estar me sentindo. Quanto a você, acho que perguntar como está não me faria bem, pois ficaria esperando a resposta e o medo de ela nunca chegar me mataria aos poucos. Quero que sempre fique bem.

Sou tomada pela monotonia do dia-a-dia dessa cidade tão agitada. Por mais aberto que o céu fique muitas vezes, ele raramente fica bonito, em algumas dessas poucas vezes, minha tia me permite ir ao parque; me sento perto de uma árvore, olho cada parte ao meu redor. Minha cabeça sempre imagina quanto tempo mais vou ter que viver nesse tipo de vida, é patético. Naruto não é das melhores companhias e algo me diz que ele não gosta da minha, meu primo e eu não estamos nos dando bem.

Tenho que finalizar esta carta. Como farei isso? Sasuke, sinto sua falta.

 

— Sakura! — Naruto chamou a prima, que deu um pulo e escondeu a carta que estava pronta para ser enviada, com as mãos já trêmulas. — Venha, vamos na padaria.

Ela assentiu, escondendo a carta envelopada na pequena bolsa, até porque, ir à padaria, desde que chegou na cidade, era um dos poucos “passeios” que podia fazer. Um dos únicos momentos em que conseguia respirar aliviada, por sair de perto da tia e buscar por qualquer coisa que a distraísse, para ao menos diminuir aquela saudade amarga que lhe corroía o peito vinte e quatro horas por dia e lhe impedia de olhar em volta e enxergar qualquer resquício de expectativa.

Com um vestido azul que batia abaixo dos joelhos e escondia suas curvas, com os cabelos rosa presos em um rabo de cavalo, Sakura entrelaçou o braço ao de Naruto e ambos saíram de casa, mas não antes da garota ouvir um “se comporte” junto a uma carranca vindo de Minato. Tudo bem, já tinha se acostumado com isso, nada doía mais do que estar longe de casa, de tudo que alegrava seus dias, de todos que lhe arrancavam sorrisos e risadas.

O silêncio de Naruto lhe embrulhava o estômago e ver todos felizes andando pelas ruas só fazia com que aquele vazio e angústia aumentassem, era quase torturante, mas ela também não se atrevia puxar assunto, era melhor continuar na dela, muitas vezes fingindo que não existia.

Às quatro da tarde, o céu começou a ficar cinza, anunciando que a chuva estava por vir. Sakura observou um grupo de amigas caminhando pela calçada, rindo com sacolas de roupas nas mãos. Lembrou-se de todas as amigas que teve que deixar para trás, principalmente Hinata, com quem dividia o sonho de serem grandes estilistas no futuro e ironicamente era a prima de Neji, rapaz com quem querem que ela se case.

Saiu de seus devaneios quando chegaram à padaria, recebendo comentários vindos de amigos de seu primo, e olhares tortos de garotas que com certeza pensavam que tinham chance com ele.

Isso é patético, devem estar achando que somos um casal, Sakura pensou. 

O cheiro de pão recém tirado do forno invadiu o local, mas os olhos de Sakura foram direto para os sonhos de creme, seu doce preferido, e de Sasuke também. Chegava a ser excruciante o fato de que tudo lembrava ele e, automaticamente, lembranças de seus encontros às escondidas vinham à sua mente. Era reconfortante, de certo modo, mas não passavam de memórias. Assim como sua despedida demasiadamente desesperada, não olhou para trás, para não vê-lo chorar, tampouco para que o Uchiha a visse caindo no choro. Foi ali que tudo começou a desabar. Não sabia o que doía mais; o irmão quieto durante a viagem até o aeroporto, porque aquela situação machucava-o até a alma, ou saber que Sasuke encontrava-se cada vez mais longe, sozinho com seu coração tão dolorido quanto o dela.

Quando Naruto foi pagar pela compra, a atenção da garota foi desviada para o correio, do lado de fora do estabelecimento, era só usar o mesmo método do mês passado — alegando que a carta era para Sasori. — O correio estava tão perto, mas o primo tinha olhos na parte de trás da cabeça, então seria muito arriscado tentar ir sozinha.

— Vamos embora — o mais velho exclamou, sem olhar para ela.

Como da última vez, Sakura retirou a carta da bolsa cuidadosamente, se Naruto perguntasse algo, ela diria que o propósito da carta era atualizar o irmão sobre sua saúde e outras coisas bobas. Ele pareceu acreditar, então os dois foram juntos até o correio e a garota suspirou aliviada, assim que a carta foi entregue para ser enviada. Mas o modo como seu primo agia era, no mínimo, estranho: o fato de observar cada movimento seu, como se esperasse por algum deslize, na intenção de contar à Kushina, no entanto, o mais velho entrou mudo e saiu calado do local. Até que foram para o meio da rua.

— Essas cartas… Eu sei que não são para os seus pais, ou para Sasori. Acha que sou tão ingênuo assim? — disse com seu tom de voz calmo de sempre, porém, Naruto sempre teve um olhar ameaçador, o que fez com que Sakura sentisse um frio na espinha e medo, na verdade, mil coisas ao mesmo tempo, além de imaginar o pior. 

Seus olhos se arregalaram , já estava vendo uma sermão e a grande briga que teria em casa com sua tia. Arriscou olhar para o rosto do primo, este aparentava estar calmo, mas ela não sabia o que dizer, sabia que estaria perdida, afinal, ele contaria aos pais, que a castigariam.

Com os lábios trêmulos e bochechas ardendo, ela ousou proferir. 

— O-olha, Naruto… — disse, mesmo com a voz falhando, no entanto, foi interrompida.

Nem mesmo ela conseguia imaginar o que, com certeza, iria ouvir. Naruto simplesmente falou algo tão incompreensível para seus ouvidos:

— Não precisa me dar nenhuma explicação, Sakura. Venha, precisamos onversar em outro lugar!

 


Notas Finais


Comentários são sempre bem vindos, viu? Até o próximo <3


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